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NUMERO DE LESOES E VARIAVEIS ASSOCIADAS EM ATLETAS UNIVERSITARIAS DE FUTSAL E FUTEBOL FEMININO/Number of injuries and variables associated with university athletes of futsal and female football.

INTRODUCAO

A lesao esportiva e considerada como qualquer queixa fisica do atleta ocorrida no jogo ou treino, independente da necessidade de cuidados medicos ou afastamento das atividades (Vanderlei e colaboradores, 2010).

O futebol e futsal sao modalidades esportivas de intensidade intermitente com movimentos de aceleracao/desaceleracao, constantes mudancas de direcao e contato fisico entre os atletas.

Logo, considerando as caracteristicas das modalidades ha um alto risco de lesoes traumaticas decorrentes de contato fisico ou nao.

De fato, o futebol e a modalidade coletiva com o maior numero de lesoes desportivas do mundo (Quemelo e colaboradores, 2012), sendo responsavel por 50 a 60% das lesoes esportivas na Europa, resultando em 3,5% a 10% dos traumas fisicos tratados em hospitais europeus (Soderman e colaboradores, 2001).

Nesse sentido, Pangrazio e Forriol (2016a) verificaram uma incidencia de 3 lesoes por partida em 220 atletas do sexo masculino durante o XVI Campeonato Sulamericano Sub-17 de Futebol e uma lesao a cada 58 minutos em 276 jogadores do sexo masculino durante a Copa America de Futebol 2015, com maior ocorrencia nos membros inferiores (Pangrazio e Forriol, 2016b).

No futsal, Ribeiro e Costa (2006) avaliaram 180 atletas do sexo masculino durante o XV Campeonato Brasileiro de Futebol de Salao Sub-20 e constataram um total de 32 lesoes em 23 partidas.

Dessa forma, as lesoes associadas ao futebol e futsal tem sido objeto de interesse de profissionais tanto do desempenho esportivo quanto da saude (Andrade e colaboradores, 2015; Walden e colaboradores, 2012), pois na maioria dos casos as lesoes sao incapacitantes acarretando o afastamento temporario ou definitivo dos atletas em treinos e competicoes.

Neste sentido, Zanuto e colaboradores (2010) demonstraram que cerca de 50% das lesoes de contato em atletas amadores adultos acarretaram tempo minimo de afastamento de ate 7 dias, 25% de ate 21 dias e 25% superior a 21 dias.

Por outro lado, as lesoes sem contato fisico 33% resultaram em afastamento minimo de 7 dias, 44% de 7 a 21 dias e 22% com afastamento de mais de 21 dias. Resultados similares foram apresentados por Ribeiro e colaboradores (2007) no qual 57,8% e 73,1% das lesoes resultaram em afastamento nas categorias infantil e juvenil, respectivamente.

O futebol e futsal sao modalidades com muitos praticantes de diversas faixas etarias e niveis de treinamento.

Segundo a Federacao Internacional de Futebol e Federacao Internacional de Futebol de Salao existem mais de 270 milhoes de jogadores ao redor do mundo (FIFA, 2007).

Adicionalmente, essas modalidades tem alcancado 26 milhoes mulheres adeptas nos ultimos anos. As caracteristicas anatomicas femininas sao peculiares e podem favorecer a ocorrencia de lesoes relacionada da pratica dessas modalidades (Brito, Soares e Rebelo, 2009; Joseph e colaboradores, 2013; Stracciolini e colaboradores, 2015).

Em revisao sistematica Magalhaes e colaboradores (2007) mostraram que atletas do sexo feminino apresentam maior incidencia de lesoes no ligamento cruzado anterior (LCA) e problemas patelofemorais. Interessantemente, Brito e colaboradores (2009) mostraram que no futebol a lesao do LCA nas mulheres ocorre com maior frequencia no membro de apoio enquanto nos homens e mais frequente no membro que executa o chute.

Estudo epidemiologico envolvendo nove modalidades esportivas em atletas universitarios sobre lesoes no LCA encontrou uma taxa de 6,5 a cada 100.000 minutos (Joseph e colaboradores, 2013). O futebol feminino apresentou a maior taxa de lesoes no LCA (12,2) seguido pelo futebol masculino (11,1) (Joseph e colaboradores, 2013).

Adicionalmente, comparacao entre os generos demonstrou que as meninas tem maior taxa de lesoes (8,9) comparada aos meninos (2,6) (Joseph e colaboradores, 2013).

Similarmente, Stracciolini e colaboradores (2015) demonstraram que meninas na puberdade apresentam maior numero de lesoes de LCA comparado aos meninos, e o futebol e a modalidade esportiva que acarreta maior numero de lesoes no genero feminino.

As possiveis razoes para essa maior incidencia envolvem a menor funcao neuromuscular do quadril nas mulheres, a qual pode contribuir para padroes de movimentos alterados, diminuindo a capacidade de controlar dinamicamente a extremidade inferior do joelho.

De fato, alguns autores sugerem que a fraqueza de abducao do quadril pode diminuir a capacidade da mulher de produzir um nivel de forca adequada e estabilizar o joelho durante atividades dinamicas como no futebol, aumentando o risco de lesao (Quatman-Yates e colaboradores, 2013).

Contudo, apenas dois estudos avaliando aspectos relativos a lesoes em atletas de futsal do sexo feminino foram encontrados.

Gayardo e colaboradores (2012) analizaran as lesoes ocorridas na temporada 2010 de 135 mulheres que participaram da Liga Nacional de Futsal 2011. Os autores verificaram que 54% das atletas sofreram algum tipo de lesao, e que 86,5% das lesoes foram nos membros inferiores.

Bernardino (2015) avaliou 135 jogadores de futsal universitario feminino associadas a Federacao Academica do Desporto Universitario de Portugal. O autor verificou que 47,45% das atletas tiveram uma lesao, com maior ocorrencia no pe/tornozelo (34,8%).

Contudo, apesar das evidencias de ocorrencia de lesoes no futebol e futsal, nenhum estudo ate o momento se propos a analisar fatores associados a ocorrencia de lesoes relacionada a pratica de futebol e futsal em mulheres.

Portanto, o objetivo deste estudo foi analisar o historico de lesoes e verificar variaveis associadas as lesoes em atletas universitarias de futsal e futebol feminino.

Nossa hipotese e que variaveis antropometricas e tempo de treinamento sao fatores associados ocorrencia de lesoes nos atletas.

Essas informacoes podem ser uteis para subsidiar a equipe tecnica na prescricao do treinamento, assim como na adocao de medidas preventivas.

MATERIAIS E METODOS

Amostra

Participaram do estudo 46 atletas universitarias do sexo feminino alocadas em tres grupos de acordo com a modalidade praticada: futebol (n = 14), futsal (n = 14) e futebol/futsal (n = 18).

Adicionalmente, as atletas foram agrupadas em relacao a posicao em campo/quadra em tres grupos: defesa (n = 15), meio (n = 16) e ataque (n = 15). As caracteristicas gerais da amostra sao dispostas na Tabela 1.

O recrutamento foi realizado por meio de contato direto com os tecnicos das equipes. Foi solicitado autorizacao para as atletas participarem como voluntaria no estudo. Os criterios de inclusao foram: (i) ser atleta universitaria, (ii) ter idade entre 18 e 32 anos.

Os seguintes criterios de exclusao foram adotados: (i) apresentar lesoes nao relacionada com o futebol e/ou futsal, (ii) nao ter participado de treinos ou jogos por mais de dois meses consecutivos durante o periodo de analise do estudo, (iii) ter mudado de universidade durante o periodo de analise do estudo, ou (iv) nao completar os procedimentos do estudo.

Esse estudo foi aprovado pelo comite de etica em pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, de acordo com o parecer numero: 1.706.413, seguindo a Resolucao 466/2012 do Conselho Nacional de Saude.

Avaliacao Antropometrica

A massa corporal e a estatura foram mensuradas utilizando uma balanca digital com estadiometro acoplado (Welmy--modelo H110, Sao Bernardo do Campo, SP, Brasil), com precisao de 0,1 kg e 0,1 m. O indice de massa corporal (IMC) foi calculado pelo quociente entre a massa corporal (kg) e o quadrado da estatura (m).

Historico de lesoes

Inicialmente, foi registrado informacoes referentes a idade, modalidades praticadas, treinamento adicional realizado alem da modalidade esportiva (ex.: treinamento de forca, treinamento funcional), tempo de pratica da modalidade esportiva e a posicao de jogo.

Alem disso, as atletas foram questionadas a respeito de lesoes sofridas e o local da lesao (tornozelo, joelho e lesao muscular). As atletas foram orientadas a reportar apenas lesoes relacionadas a pratica de futebol e futsal.

O levantamento retrospectivo das lesoes das atletas foi registrado a partir do inicio do periodo de pratica da modalidade esportiva ate o ano de 2015.

No presente estudo foi considerada lesao como qualquer acontecimento ocorrido durante jogos ou treinos, com reducao da participacao ou afastamento completo dos atletas nas atividades esportivas, ou que necessitaram de tratamento especial para retornar a pratica (Inklaar e colaboradores, 1996). O questionario foi aplicado em forma de entrevista individual.

Estatistica

A normalidade quanto a distribuicao dos dados foi analisada pelo teste de Shapiro-Wilk. Os dados sao apresentados como media e desvio padrao.

A analise de variancia (ANOVA oneway) foi utilizada para comparar as variaveis entre os grupos de atletas que praticavam o futsal, futebol e futsal/futebol, assim como entre as posicoes de jogo (defesa, meio-campo e ataque).

Adicionalmente, o teste de correlacao de Pearson foi utilizado para testar a correlacao entre o numero de lesoes e variaveis como a massa corporal, IMC e tempo de pratica. O nivel de significancia foi estabelecido como p< 0,05. O software SPSS 20.0 foi utilizado para realizar as analises.

RESULTADOS

A Tabela 1 apresenta as caracteristicas dos grupos de atletas universitarias que praticam futsal, futebol e futsal/futebol.

Os grupos sao formados por atletas universitarias jovens e com estado nutricional eutrofico.

A estatura das atletas do grupo futsal/futebol foi menor comparada as atletas dos grupos futsal e futebol. As atletas do grupo futebol apresentaram menor tempo de pratica em relacao ao grupo futsal/futebol.

Em relacao ao treinamento complementar a modalidade esportiva, apenas as atletas que praticavam futsal realizavam treinamento de forca pelo menos uma vez na semana.

O volume de treinamento na temporada para o grupo de futsal foi de 7.200 minutos, 9.720 minutos para o futebol e 16.900 para o grupo futsal/futebol.

A Figura 1 apresenta a distribuicao do numero de lesoes de acordo com as modalidades praticadas pelas atletas.

Das atletas entrevistadas, 97,8% sofreram lesoes relacionadas ao futebol e/ou futsal. As atletas do grupo futsal/futebol apresentaram uma quantidade maior de lesoes acometidas no tornozelo e de lesoes totais (p < 0,03) comparada as que praticavam apenas futsal ou futebol.

Adicionalmente, as atletas do futsal sofreram a menor quantidade de lesoes musculares (p < 0,05).

Na tabela 2 sao apresentadas o numero de lesoes de acordo com a posicao de jogo. Nao houve diferenca entre as posicoes de jogo no numero de lesoes em nenhum dos locais analisados.

Em relacao as variaveis associadas as lesoes, foram detectadas correlacoes positivas de magnitude moderada a forte entre o numero de lesoes e a massa corporal, IMC e o tempo de pratica da modalidade (Figura 2).

DISCUSSAO

O objetivo do presente estudo foi verificar o numero de lesoes e variaveis associadas em atletas de futebol e futsal universitario. Nossos resultados mostraram que 97,8% das atletas sofreram lesoes, sendo que as que praticavam as duas modalidades tiveram mais lesoes de tornozelo, musculares e totais comparados as que praticavam apenas o futebol ou futsal. Houve correlacoes positivas entre o numero de lesoes e a massa corporal, IMC e tempo de treinamento. Adicionalmente, quando agrupadas por posicao em campo/quadra nao foram encontradas diferencas no numero de lesoes.

As atletas que praticavam tanto o futebol quanto o futsal sofreram aproximadamente duas vezes mais lesoes no tornozelo e duas vezes e meia mais lesoes musculares do que as que praticavam apenas uma das modalidades. Isso resultou em 66,7% mais lesoes totais no grupo que praticava as duas modalidades.

No melhor de nosso conhecimento, esse foi o primeiro estudo a comparar a incidencia de lesoes entre essas modalidades. Esse resultado pode ser parcialmente explicado pelo maior volume de treino nas atletas do grupo futsal/futebol, visto que o volume de treinamento de futsal na temporada foi de 7.200 minutos e de futebol 9.720 minutos, enquanto o volume de treinamento do futsal/futebol foi de 16.920 minutos, aproximadamente 2 vezes maior.

A pratica das duas modalidades submeteu as atletas a maior tempo de exposicao a lesoes e maior estresse morfologico e fisiologico. Com frequencia os treinos foram configurados de forma consecutivos podendo resultar em um volume de treinamento excessivo (overtraining) (Kreider, Fry e O'toole, 1998).

E possivel que adaptacoes indesejadas ao organismo possam ter aumentando a chance de ocorrencia de lesoes (Hackney e Koltun, 2012; Winsley e Matos, 2011).

De fato, essa especulacao tem sido suportada por estudos que verificaram que o volume de treinamento e um dos fatores de risco para lesoes em atletas (Ribeiro e colaboradores, 2007; Saragiotto, Di Pierro, Lopes, 2014).

Portanto, os resultados do presente estudo sugerem que maiores volumes de treino podem resultar em lesoes esportivas associadas ao futebol e futsal.

Quanto a localizacao das lesoes, nossos resultados corroboram com estudos previos com as modalidades de futebol e futsal de forma isolada mostrando a maior parte das lesoes nos membros inferiores (Fortington, Donaldson e Finch, 2016; Gayardo, Matana e Silva, 2012; Pangrazio e Forriol, 2016a; Ribeiro e colaboradores, 2007; Saragiotto, Di Pierro e Lopes, 2014; Vanderlei e colaboradores, 2010). No presente estudo, todas as lesoes aconteceram nos membros inferiores, 46,56% (n = 40) no tornozelo, 22,75% (n = 24) no joelho e 30,69% (n = 31) lesoes musculares.

Similarmente, Fortington e colaboradores (2016) avaliaram 553 atletas que participaram da Australian football das quais 78% apresentaram algum tipo de lesao. As lesoes nos membros inferiores corresponderam a 55% do total, com 12% (n = 50) no tornozelo, 10% (n = 45) no joelho foram as lesoes mais frequentes relatadas nos membros inferiores.

Adicionalmente, o fato de as atletas de futsal apresentarem o menor numero de lesoes musculares pode ser explicado por ser o unico grupo que realizava treinamento de forca adicional a preparacao especifica da modalidade. Isso pode ser resultado direto da melhora do condicionamento muscular, por exemplo, dos musculos do quadril que sao responsaveis por manter a estabilidade dinamica do joelho evitando o valgo dinamico, e/ou dos musculos flexores plantares e dorsais, inversores e eversores do pe que previnem entorses no tornozelo (Emilio, 2007).

Alem disso, de forma intermediaria atraves da correcao ou atenuacao de alteracoes anatomicas como geno valgo que e presente em cerca de 70% das atletas que sofrem lesoes (Leite e Cavalcanti Neto, 2003).

Os resultados do presente estudo mostraram uma correlacao moderada entre o numero de lesoes sofridas e tempo de pratica da modalidade. Esse resultado era esperado, considerando que as atletas com maior tempo total de pratica estiveram expostas ha mais tempo no pico de suas performances e ao grande numero de treinos e competicoes, consequentemente acumulando um maior numero de lesoes, podendo ser grande parte lesoes recidivas (Vanderlei e colaboradores, 2010).

De fato, Gayardo e colaboradores (2012) mostraram que em jogadoras de futsal de nivel nacional 40,4% das lesoes foram recidivas.

Adicionalmente, Faude (2006) verificaram que a chance de sofrer uma ruptura de LCA em jogadoras da liga nacional alema de futebol foi mais de 5 vezes maior naquelas que apresentaram lesoes previas.

Similarmente, Willems e colaboradores 2005) mostraram que atletas com entorse previo possuem um desalinhamento articular passivo, aumentando a probabilidade de entorse no local.

Adicionalmente, tambem foi encontrada uma correlacao positiva entre o numero de lesoes sofridas, a massa corporal e IMC.

Segundo Medina e colaboradores (2014) estar acima do peso provoca estresse mecanico nas atividades esportivas, aumentando o risco de lesoes, pois a cada passo o impacto de duas a quatro vezes do peso corporal e transmitido atraves das articulacoes.

Assim, quanto maior a massa corporal mais forte e o impacto articular. Adicionalmente, considerando que o futebol e futsal sao modalidades intermitentes, sprints de alta intensidade, com mudanca de direcao e contato fisico, atletas que apresenta maior massa corporal ou IMC necessitam de maior forca para desacelerar, acelerar, mudar subitamente de direcao o que muitas vezes excede sua capacidade fisica sobrecarregando ossos, musculos e articulacoes, o que pode resultar em lesoes (Ezzat e colaboradores, 2016).

Portanto, um controle da massa corporal e, consequentemente, o IMC, parece uma importante medida de prevencao de lesao, particularmente em atletas universitarias.

Ademais, embora nao tenha sido o objetivo da presente investigacao, Junge e colaboradores (2002) mostraram que um programa de prevencao resultou em 21% menos lesoes em 12 meses. Programas de prevencao sao importantes, principalmente no futebol/futsal feminino visto a maior parte da prescricao dos treinos no esporte universitario e baseada nos treinos masculinos, aumentando o risco de lesoes dado as diferencas entre os generos. Alem disso, considerando que um numero significativo de lesoes e ocasionado por choques, a aprendizagem e/ou cumprimento das regras esportivas, o jogo limpo ("fair play") e o aperfeicoamento tecnico e tatico podem reduzir a incidencia de lesoes ao longo do tempo.

Interessantemente, apesar de ser esperado um maior numero de lesoes em jogadoras da defesa e do ataque, baseado nos resultados de estudos previos (Faude, 2006), nao foram encontradas diferencas entre os setores de defesa, meio e ataque em campo/quadra.

Faude (2006) realizaram um estudo prospectivo com 143 jogadoras de todos os 12 times que compoem a Liga Nacional de Futebol Feminino Alema durante a temporada 2003/2004 para descrever os fatores de risco para lesoes em jogadoras de elite. Os autores verificaram que as jogadoras da defesa e ataque sofreram maior incidencia de lesoes com 9,4 e 8,4 lesoes por 1000 horas, respectivamente (Faude, 2006).

A diferenca nos resultados pode ser explicada pelas caracteristicas das amostras. No estudo citado foram avaliadas jogadoras profissionais apenas da modalidade futebol, enquanto no presente estudo foram avaliadas jogadoras universitarias (amadoras) que praticavam futebol, futsal ou ambos.

Considerando o nivel de treinamento, rendimento esportivo, exigencias competitivas e a estrutura do time das atletas universitarias e possivel que estas atletas nao possuissem posicoes bem definidas em campo/quadra necessitando atuar em diferentes posicoes durante o jogo ou em jogos diferentes sendo assim igualmente expostas a lesoes.

As limitacoes do presente estudo incluem a avaliacao de forma retrospectiva do historico de lesoes das atletas, o que depende da memoria das mesmas e que poderia ser solucionado por meio de um delineamento prospectivo.

Alem disso, a quantificacao da intensidade e volume de treinamento para o futebol/futsal assim como de modalidades de treino complementares (ex. treinamento de forca) poderiam contribuir na interpretacao dos resultados.

Por outro lado, vale ressaltar que este foi o primeiro estudo a comparar o historico de lesoes entre o futebol e futsal, assim como as correlacoes apresentadas nesse estudo possuem uma importante aplicacao pratica, uma vez que a analise do numero de lesoes, dos fatores de risco, bem como o desenvolvimento de programas preventivos e de extrema importancia para reduzir a incidencia de lesoes durante a pratica do esporte.

Nesse sentido, a correlacao com massa corporal e IMC sugere que um melhor controle da massa e/ou composicao corporal e importante nao apenas para o desempenho em campo/quadra, mas tambem para prevencao de lesoes.

CONCLUSAO

Concluimos, portanto, que ha uma alta taxa de lesoes em atletas universitarias de futsal e futebol, sendo maior naquelas que praticam as duas modalidades, independentemente da posicao em campo/quadra.

Adicionalmente, a massa corporal, IMC e o tempo de pratica apresentam correlacao positiva moderada a forte com o numero de lesoes.

Essas informacoes podem ser uteis no direcionamento da prescricao do treinamento do futsal e futebol, particularmente no que diz respeito ao volume de treinamento, assim como fomentar medidas preventivas, como a reducao/controle do peso corporal e o fortalecimento muscular como fator protetor das articulacoes e evitar desequilibrios de forca entre grupos musculares.

APLICACAO PRATICA

Admitindo isso, e necessario ter atencao e dar relativa importancia quanto as possiveis lesoes, quanto ao excessivo treinamento devido ao acumulo de exercicio fisico e a variaveis como o IMC na influencia de lesoes futuras, desenvolvendo o controle e programa de prevencao para estas atletas.

REFERENCIAS

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Recebido para publicacao 25/10/2018

Aceito em 28/01/2019

Marilia Padilha Martins Tavares (1), Heloiana Karoliny Campos Faro (2) Luiz Fernando de Farias Junior (1), Pedro Moraes Dutra Agricola (3) Luiz Inacio do Nascimento Neto (3), Samara Karla Anselmo da Silva (1) Andre Igor Fonteles (1,4), Daniel Gomes da Silva Machado (1,3)

(1-)Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal-RN, Brasil.

(2-)Centro Universitario do Rio Grande do Norte, Natal-RN, Brasil.

(3-)Faculdade Mauricio de Nassau, Natal-RN, Brasil.

(4-)Universidade de Fortaleza, Fortaleza-CE, Brasil.

E-mails dos autores:

mariliapadilhamtavares@gmail.com

heloianafaro@gmail.com

lfariasjunior@gmail.com

pedromda1987@gmail.com

luizinacio50@gmail.com

samaraanselmos@gmail.com

andre.fonteles19@gmail.com

danielmachado1991@gmail.com

Endereco para correspondencia:

Marilia Padilha Martins Tavares.

Departamento de Educacao Fisica.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Campus Universitario BR 101.

Lagoa Nova, Natal-RN, Brasil.

CEP: 59072-970.
Tabela 1 - Caracterizacao geral da amostra de atletas universitarias de
futebol e futsal feminino.

                     Futsal                  Futebol
Variaveis            (n = 14)                (n = 14)

Idade (anos)         20,6 [+ or -] 3,1       23,4 [+ or -] 3,8
Massa corporal (kg)  59,0 [+ or -] 9,0       60,7 [+ or -] 7,8
Estatura (m)          1,62 [+ or -] 0,06 (*)  1,63 [+ or -] 0,07 (*)
IMC (kg.[m.sup.-2])  22,6 [+ or -] 9,7       19,6 [+ or -] 3,8
Tempo de pratica
(meses)              62,9 [+ or -] 45,3      35,5 [+ or -] 22,9 (*)

                      Futsal/Futebol
Variaveis             (n = 18)             p

Idade (anos)          22,5 [+ or -] 2,23   0,06
Massa corporal (kg)   58,9 [+ or -] 7,1    0,78
Estatura (m)           1,57 [+ or -] 0,04  0,01
IMC (kg.[m.sup.-2])   22,6 [+ or -] 9,2    0,27
Tempo de pratica
(meses)               85,3 [+ or -] 40,5   0,01

Legenda: IMC = indice de massa corporal; (*) = diferente em relacao ao
grupo do futsal/futebol (P < 0,05).

Tabela 2 - Numero de lesoes de acordo com a posicao de jogo em
quadra/campo.

Variaveis             Defesa (n = 15)     Meio (n = 16)

Lesoes no joelho      0,93 [+ or -] 1,44  1,00 [+ or -] 1,21
Lesoes no tornozelo   1,80 [+ or -] 1,21  2,06 [+ or -] 1,44
Lesoes musculares     1,33 [+ or -] 0,90  1,62 [+ or -] 1,75
Lesoes totais         4,07 [+ or -] 2,71  4,69 [+ or -] 2,44

Variaveis            Ataque (n = 15)     p

Lesoes no joelho     0,87 [+ or -] 0,99  0,96
Lesoes no tornozelo  1,87 [+ or -] 1,41  0,85
Lesoes musculares    0,80 [+ or -] 1,32  0,25
Lesoes totais        3,53 [+ or -] 2,61  0,47
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Author:Tavares, Marilia Padilha Martins; Faro, Heloiana Karoliny Campos; de Farias Junior, Luiz Fernando; A
Publication:Revista Brasileira de Prescricao e Fisiologia do Exercicio
Date:May 1, 2019
Words:5003
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