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Mulheres, estudo, trabalho e relacoes sociais de sexo.

Women, study, work and social relations of sex

Introducao

Este artigo tem como objetivo analisar os sentidos dos usos do tempo e da escolarizacao a partir das percepcoes das trabalhadoras estudantes no CEEBJA da cidade de Irati, Parana, por meio dos relatos e vivencias apresentadas tanto na forma de questionarios aplicados para 95 mulheres quanto nas 7 entrevistas realizadas com as trabalhadoras/estudantes, nas quais se investigou as relacoes sociais de sexo existentes e sua relacao com estes tempos de vida. As mulheres sujeitas desta pesquisa tem em comum o fato de trabalharem de forma assalariada e/ou como cuidadoras de suas casas e familias, vivenciando, portanto, a carga maior de trabalho que caracteriza as relacoes sociais de sexo na sociedade capitalista e patriarcal. A sobrecarga de trabalho que atinge as mulheres nao significa apenas sobrecarga quantitativa, mas uma sobrecarga discriminatoria, ja que boa parte dos trabalhos realizados, predominantemente por mulheres, nao sao pagos ou reconhecidos socialmente como trabalhos e que, aqui, denominamos de 'cuidados'. Embora a literatura sobre feminismo ou trabalho e relacoes sociais de sexo, no Brasil, nao traga esta categoria, internacionalmente, ja e fartamente reconhecida e debatida esta fatia do trabalho feminino nao pago, os cuidados, inclusive como critica da teoria marxista do valor (Carrasco, 2011; Orozco, 2006a e b). Desta forma, as mediacoes metodologicas utilizadas partiram da classica assertiva marxiana sobre a necessidade e da possibilidade de se conhecer a realidade em sua dinamica e contradicoes, resultante dos movimentos sociais reais. Utilizamos, tambem, tecnicas de pesquisa que procuraram evidenciar, a partir de entrevistas aprofundadas, como as suas vidas concretas sao, de certa forma, sinteses que nos auxiliam a compreender como a sociedade capitalista se materializa como sociedade patriarcal e, logo, discriminatoria em relacao ao sexo feminino.

Na primeira parte, abordamos, ainda que de maneira sucinta, relacoes historicas entre o capitalismo e a exploracao da mulher. Na segunda parte, tratamos, brevemente, de como, na contemporaneidade, a precarizacao do trabalho afeta mais agudamente as mulheres. Na terceira parte, trazemos algumas contribuicoes do campo da Economia dos Cuidados. Na quarta parte, apresentamos os resultados da pesquisa empirica.

A introducao das mulheres como forca de trabalho

Tanto na vida privada (familiar) quanto na vida publica (espacos de desenvolvimento da sua atividade laboral), a mulher tem sofrido processos de inferiorizacao e subordinacao na logica capitalista e patriarcal, o qual teve sua forma acentuada com o advento da maquinaria.

Com o incremento da maquina ao modo de producao, na fase denominada maquinaria, a exploracao do trabalho da mulher se acentua, pois, alem de ser responsavel pelo trabalho domestico e cuidado com os filhos, e introduzida no sistema capitalista como mao de obra barata, nao somente ela, mas toda a familia, inclusive os filhos.

A fase de desenvolvimento do sistema capitalista que Marx (2011) denominou de maquinaria foi a etapa em que a producao passou a ser vista como forma de incremento do capital. O capitalista, alem de contar com a forca de trabalho do operario, conta tambem com a forca do instrumento que garante a producao em menor tempo com o uso de uma quantidade menor de trabalhadores/trabalhadoras, tornando-o um apendice da maquina.

Com o objetivo de ganhar mais sobre a mercadoria produzida, o capital passa a explorar nao somente a forca de trabalho do homem, mas tambem da mulher e das criancas. A familia inteira pode, agora, ser utilizada neste processo, uma vez que, com a insercao da maquina, o trabalho se tornou 'mais leve' e capaz de ser realizado por mulheres e criancas, ou seja, "[...] tornando superflua a forca muscular, a maquinaria permite o emprego de trabalhadores sem forca muscular ou com desenvolvimento fisico incompleto, mas com membros mais flexiveis" (Marx, 2011, p. 451).

Assim como na maquinaria, o trabalho feminino, hoje, e utilizado em formas de subempregos, precarizados e terceirizados. Tanto Marx (2011) quanto Saffioti (2013) admitem e trazem, nos seus estudos, a relacao de exploracao-opressao da mulher pelo sistema capitalista. Para os autores, a primeira forma de exploracao-opressao da mulher ocorreu exatamente no seio familial. A mulher, vista pelo capitalista e pelo proprio marido como uma forca a mais no processo de producao, foi introduzida na roda do capital como forca de trabalho importante para o desenvolvimento capitalista (Saffioti, 2013).

O aproveitamento da forca de trabalho feminino traz para a discussao questoes bem mais aprofundadas que o simples incremento das mulheres no sistema capitalista no sentido de um maior aproveitamento das horas de trabalho. Traz a tona algo muito mais cruel e aviltante: as mulheres como um dos polos desta relacao mais facilmente manipulavel e exploravel.

Do ponto de vista da organizacao da familia, a saida da mulher trouxe prejuizos grandiosos, tanto para a relacao homem/mulher quanto para a relacao mae/filho. A introducao das mulheres nas fabricas exigiu delas uma dedicacao que, ate entao, nao era contabilizada nas horas do seu dia. A fabrica exigia que ela trabalhasse por horas e dias seguidos e restava-lhe somente algumas horas durante o turno de trabalho para a dedicacao aos filhos.

Marx (2011) relata sobre o sofrimento causado aos filhos das trabalhadoras durante a fase mais cruel da maquinaria, quando estas mulheres tinham que trabalhar por horas nas fabricas sem tempo para a amamentacao e cuidado com as criancas. Dados da epoca demonstram que:

A imensa mortalidade dos filhos de trabalhadores, nos primeiros anos de vida. [...] conforme demonstrou uma investigacao medica oficial de 1861, pondo-se de lado circunstancias locais, as altas taxas de mortalidade decorrem principalmente de trabalharem as maes fora de casa. Dai resulta serem as criancas abandonadas e malcuidadas. Esse desleixo se revela na alimentacao inadequada ou insuficiente e no emprego de narcoticos; alem disto, as maes, desnaturadamente, se tornam estranhas a seus proprios filhos e, intencionalmente, os deixam morrer de fome ou os envenenam (Marx, 2011, p. 455).

Por outro lado, a manutencao da sociedade capitalista depende, sobremaneira, do trabalho feminino. Se a sua insercao, neste processo, nada tem a ver com a realizacao pessoal por meio do trabalho, mas com o fato do capitalista almejar lucros maiores atraves da exploracao da mais-valia relativa e absoluta, garantir a entrada e permanencia no mercado de trabalho e garantir a propria reproducao da sociedade capitalista. Uma vez ocupada com as atividades na fabrica, a mulher deixa de realizar atividades dentro de casa, tais como: o concerto de roupas, preparar o alimento e lavar as roupas da familia, o que exigira a compra destes servicos e o capitalista pode incrementar a venda dos seus produtos tambem nesta parcela da populacao.

A sociedade, enquanto sociedade capitalista exige nao de modo uniforme e institucionalizado, mas periodicamente, certos trabalhos femininos [...]. Mesmo que se pensem as atividades que tradicionalmente vem sendo exercidas pelas mulheres como passiveis de execucao por parte de outras categorias sociais subprevilegiadas, a sociedade necessita do trabalho feminino cujos rendimentos sao imprescindiveis para a sua sobrevivencia. Trata-se aqui de uma sobrevivencia da propria sociedade por dois motivos: primeiro, porque o equilibrio da sociedade e incompativel com a generalizacao dos problemas sociais e seus efeitos dismonicos; segundo, porque as mulheres constituem metade da humanidade, sendo, pois, mesmo que se atente apenas para a sua condicao de reprodutoras, imprescindivel a conservacao da sociedade (Saffioti, 2013, p. 60).

Apesar de toda a argumentacao trazida nos estudos referente a entrada da mulher na sociedade capitalista, ao colocar como fator determinante o lucro por meio do capitalista, suas razoes se alteraram ou pelo menos se alargaram. Como bem lembrado por Saffioti (2013), nas sociedades pre-capitalistas nas quais o objetivo maior nao era a obtencao de lucro, a mulher ja trabalhava. Segundo a autora, a mulher, ao adentrar na fabrica como forca de trabalho barata e explorada, garante ao capitalista nao somente lucros, mas o incremento de atividades fora de casa que antes eram realizadas pelas mulheres.

Trabalho, relacoes sociais de sexo e precarizacao

O trabalho, no capitalismo, e e sempre foi um trabalho estranhado, no sentido de que a producao de mercadorias atende aos objetivos propostos pelo capital que, para serem alcancados, conta com a exploracao da forca de trabalho de trabalhadores/trabalhadoras. Na sua exposicao sobre o tema, Marx (2011) aponta que uma das consequencias da implantacao das maquinas, nas fabricas, foi a possibilidade de introduzir como forca de trabalho nao somente o trabalhador homem, mas toda a familia, ou seja, mulheres e criancas. Portanto, no recorte temporal que se pretende realizar, a entrada das mulheres na fabrica capitalista foi possibilitada pelo avanco tecnologico, ja que a maquinaria prescinde da forca fisica e de uma formacao especifica. A contratacao de familias inteiras foi bastante benefica para os capitalistas, ate que as leis inglesas passaram a proibir o trabalho infantil (Marx, 2011).

Como resultado imediato deste emprego discriminado, houve o aumento expressivo de mortalidade infantil que chegou, na cidade de Manchester, a 26.125 mortos por 100 mil habitantes, no ano de 1861, sendo que este numero expressivo estava diretamente ligado a entrada das mulheres nas fabricas (Marx, 2011). Portanto, podemos dizer que, desde o inicio do emprego capitalista da forca de trabalho feminina, esta se deparou com a problematica dos cuidados com a familia e o tempo necessario para isso sempre esteve em rota de colisao com o trabalho assalariado a ser realizado fora do espaco domestico. E, ainda, se existe, de fato, algo estrutural na relacao entre trabalho e relacoes sociais de sexo, raca/etnia e classe, no capitalismo, e esta situacao que afeta as mulheres e obriga-as a ter, cotidianamente, jornadas de trabalho muito mais longas que os homens (Organizacao Internacional do Trabalho [OIT], 2016).

Em geral, como tracos marcantes do mundo do trabalho contemporaneo, podemos listar uma serie de caracteristicas de precarizacao do trabalho que afetam, indiscriminadamente, a todos os trabalhadores e trabalhadoras: producao flexivel e aumento da carga de trabalho/produtividade, sem a consequente remuneracao; a forte concorrencia e os afluxos de empresas para paises que, reconhecidamente, pagam mais barato pela forca de trabalho; as inovacoes tecnologicas que permitem a reducao de postos de trabalho e que nao sao repostos na mesma quantidade ou qualidade; avanco sobre as subjetividades da classe trabalhadora e mudancas nas formas de sociabilidade, com a consequente mentalidade competitiva que media as relacoes sociais e interpessoais; globalizacao do trabalho barato; arranjos produtivos locais, com a combinacao de trabalhos formais e informais na cadeia produtiva, sendo estes ultimos cada vez mais ampliados; terceirizacao e ampliacao do trabalho autonomo, fenomeno conhecido como 'pejotizacao'; as varias formas de extensao da jornada de trabalho, tais como o banco de horas, as horas extras, trabalhos aos domingos, trabalho combinado com estudos etc.; perseveranca do trabalho em domicilio; cooperativas de trabalho fraudulentas; formas de contratos precarios de tempo parcial, por tempo determinado, por projeto etc.; pressao por produtividade ou metas, assedio moral e sexual e doencas do trabalho.

Podemos afirmar que as cadeias mais precarizadas de trabalho se baseiam no trabalho feminino, como e o caso das cadeias da confeccao (Guiraldelli, 2016) e as empresas microeletronicas, que sao dois casos classicos da literatura, mas nao sao os unicos.

A evolucao do mundo do trabalho nao trouxe uma mudanca substancial na relacao da jornada de trabalho da mulher com as outras esferas de trabalho domestico e dos estudos. A OIT (2016) aponta que as mulheres trabalham muito mais que os homens em tarefas domesticas nao remuneradas. "As mulheres realizam, em media, pelo menos duas vezes e meia mais tarefas domesticas nao remuneradas e de cuidados do que os homens (nos paises com dados disponiveis)" (OIT, 2016, p. 7). Este dado reafirma que a sobrejornada, para as mulheres, continua presente nas relacoes sociais capitalistas e, segundo compreendemos, este e um fato estruturante deste sistema que e intrinsecamente patriarcal e, portanto, os papeis familiares, na divisao do trabalho domestico, sobrecarregam mais as mulheres.

Outro fato de precarizacao do trabalho feminino e a disparidade salarial em relacao aos homens. Apesar de serem a maioria da populacao, em idade para trabalhar, as mulheres ocupam, de fato, menos postos de trabalho que os homens em todas as regioes do pais. Para a populacao com 14 anos ou mais de idade, 65,4% da populacao ocupada sao homens e 44,8% sao mulheres, segundo dados do segundo trimestre de 2016 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica [IBGE], 2016, p. 17) e, ainda, as mulheres ganhavam, em 2014, em media 74,5% do que ganhavam os homens (IBGE, 2014).

Portanto, para finalizar, se a precariedade e uma condicao do trabalho sob o capitalismo, nao se pode esquecer que a precarizacao atinge de forma mais aguda as mulheres, o que, segundo pensamos, e reflexo do tronco patriarcal que baseia a sociabilidade do capital.

A invisibilizacao dos cuidados como trabalho

A invisibilidade do trabalho realizado em casa, tambem denominado de trabalho reprodutivo, e uma categoria nao contabilizada como forma produtiva na economia. Torna-se secundario dentro da logica capitalista, retrata uma desqualificacao do trabalho domestico e a inferiorizacao da mulher, uma vez que estas atividades laborais, chamadas de cuidados, sao realizadas, em sua grande maioria, por mulheres. Orozco (2006a, p. 10, grifos da autora), define cuidados como:
   A gestao e a manutencao cotidianas da vida e da saude, a
   necessidade mais basica e diaria que permite a sustentabilidade da
   vida. Apresenta uma dupla dimensao 'material', corporal--realizar
   tarefas concretas com resultados tangiveis, atender o corpo e suas
   necessidades fisiologicas--e 'imaterial',
   afetivo-relacional--relativa ao bem-estar emocional.


Os cuidados, como bem colocado pela autora, reune um conjunto de afazeres, historicamente, denominados femininos. A manutencao da vida, da saude e das relacoes afeto-emocionais demonstram que o cerne da desigualdade nos trabalhos domesticos tem sua origem na organizacao social patriarcal, a qual tem como suporte estrutural a relacao de dominacao exercida pelo homem a partir da consolidacao da propriedade privada e que, a partir desta relacao de dominacao, se establece, tambem, uma relacao de exploracao da mulher como objeto no sentido da apropriacao do seu corpo, da sua forca de trabalho e da condicao de procriadora (Cisne, 2014).

O cuidado com a familia e a realizacao das tarefas domesticas, na quase totalidade pelas mulheres, revela uma organizacao de sociedade com grandes e profundas desigualdades de sexo. Enquanto que para os homens cabe o trabalho produtivo, para as mulheres sobra o trabalho precarizado e domestico.

Historicamente, a economia politica toma como principio a valorizacao apenas da producao de mercadorias e denomina os demais trabalhos como trabalhos 'nao produtivos' dentre os quais se encontram, majoritariamente, trabalhos femininos: cuidados da casa, de coccao de alimentos, de acompanhamento a familiares doentes e o acompanhamento e educacao cotidiana dos filhos, entre outras atividades que nao sao assalariadas e, logo, invisibilizadas pela economia politica classica (Orozco, 2006a).

O patriarcado, que e um dos fundamentos do sistema capitalista, baseia este processo de discriminacao do trabalho feminino e deixa-o a margem da valorizacao social, sem direitos e garantias e, ademais, e uma situacao que reproduz a dependencia economica das mulheres que, apesar de desempenhar trabalhos fundamentais para a reproducao da vida social, nada ganham por ele e nao encontram, nestes trabalhos de cuidados, uma forma de emancipacao. Em acordo, Herrero (2015, p. 150) afirma que:
   Nas sociedades patriarcais, quem vem se ocupando do trabalho e
   atencao e cuidado dos corpos vulneraveis sao majoritariamente as
   mulheres, nao porque sejam essencialmente melhor constituidas para
   isto, mas sim porque esse e o papel que impoem a divisao sexual do
   trabalho. E realizam este trabalho no espaco privado e invisivel
   dos lares, regido pela logica patriarcal da instituicao familiar.
   No espaco visivel da economia ocultam-se e desvalorizam os tempos
   necessarios para a reproducao social cotidiana.


A perspectiva da economia feminista, portanto, e trazer a visibilidade formas de luta politica em lugares e com sujeitos que sempre foram deixados a margem na consideracao dos 'sujeitos revolucionarios' tipicos das concepcoes comunistas tradicionais, as quais ou desconsideravam as mulheres ou sempre as tinham como elemento secundario, cujo papel era apoiar as lutas dos operarios. Trata-se, enfim, de valorizar cuidados que garantem a vida, compreender o que e o trabalho de forma estendida e que questiona o modo de vida tipico da sociedade capitalista, a qual joga nas sombras sofrimento e marginalizacao, especialmente as mulheres que sao as que produzem e reproduzem cotidianamente a vida. Pensamos, portanto, a economia para alem do binomio 'atividades economicas capitalistas e nao capitalistas', em superacao da falsa dualidade entre quem cuida e quem e cuidado (ativo/passivo).

Pesquisas realizadas por autores como Bruschini (1990) e Jellin (1995) revelam que as desigualdades, dentro dos lares, nas distribuicoes das tarefas domesticas cotidianas, estao relacionadas a conflitos vividos pelas mulheres para a manutencao do trabalho remunerado, dentro da logica capitalista. Conflitos estes que acentuam as assimetrias das relacoes sociais de sexo nas formas de organizacao familiar, pois a realizacao do trabalho produtivo fica prejudicada pela sobrecarga e divisao desigual do trabalho reprodutivo.

Alem das constatacoes ja apresentadas pelos autores, nossa pesquisa aponta para que a entrada das mulheres no mundo produtivo nao diminuiu a sua carga de trabalho reprodutivo, que nao houve uma distribuicao mais igualitaria das tarefas domesticas e que esta sobrecarga de atividades interfere em outras atividades fora do lar, como nos estudos e trabalho.

A pesquisa: a tripla jornada e as formas concretas da desigualdade

A pesquisa sobre o uso dos tempos de trabalho, escolarizacao e cuidados pelas trabalhadoras/estudantes do CEEBJA-Irati teve como sujeitos as estudantes do ano de 2015/2016 que estavam matriculadas em uma ou mais disciplinas, sendo que a aplicacao do questionario aconteceu durante uma semana nos tres turnos de funcionamento da escola e, posteriormente, as entrevistas com as 7 mulheres.

Como a pretensao nao era um relato de vida, mas compreender como estas trabalhadoras/estudantes organizam seus tempos entre o trabalho, a escola e o cuidado com a casa e familiares, foi elaborado um texto inicial para uma primeira abordagem, sendo que cada uma das entrevistadas pode relatar, livremente, outras vivencias. Nos relatos das 'Marias' (1), alem das questoes sobre os usos do tempo, outros temas apareceram e deram outros contornos diferentes do inicialmente proposto: questoes como a importancia da familia e como esta instituicao influenciou nas tomadas de decisoes na vida destas mulheres, as diversas formas de violencias sofridas por elas e que deixaram marcas profundas e a resiliencia como forma de superacao das dificuldades enfrentadas.

Apesar da pesquisa desenvolvida para este trabalho contar com dados estatisticos tanto de orgaos oficiais como empiricos, o grande esforco empenhado foi na escuta, atraves das categorias de analise, das vozes das sete mulheres que confiaram seus relatos. Nas palavras de Souza-Lobo (1991, p. 73): "O objetivo desta comunicacao e refletir sobre a experiencia a partir de suas historias de vida". No nosso caso, o objetivo foi conhecer e refletir sobre as historias das 'Marias' por meio de seus relatos, de sua vida tal como elas a vivenciaram e contaram. Portanto, o estudo foi organizado com base nas experiencias, respostas ao cotidiano e itinerarios individuais destas mulheres, organizados em tres eixos: o tempo de trabalho, o tempo de estudos e o tempo dos cuidados. Mais uma vez, inspiramo-nos em Souza-Lobo (1991, p. 74), ou seja, "[...] estabelecer uma relacao entre experiencias e destino, entre as respostas dadas aos conhecimentos vivenciados e as representacoes [...] sobre si mesmas, suas vidas e sobre as mulheres". Assim, a grande preocupacao foi em dar vida aos relatos destas mulheres e deixar que suas proprias falas ditassem o tom e conduzissem a escrita ou, como diz um titulo autobiografico de Garcia Marquez em seu livro Viver para Contar (2003), como elas contaram o que viveram.

Os resultados da pesquisa

A pesquisa empirica foi desenvolvida com 95 trabalhadoras/estudantes do CEEBJA-Irati, escolhidas, aleatoriamente, durante uma semana de visitas a escola nos tres turnos de funcionamento. Esta escolha aleatoria delineou perfis de mulheres diferentes e com vivencias muito particulares que serao explicitadas nas proximas paginas.

Das mulheres que responderam o questionario, 82% possuem idade entre 15 e 40 anos e somente 3% se declaram com 50 anos ou mais. Sao, na grande maioria, oriundas dos bairros da cidade, sendo que 71% das entrevistadas possuem casa propria, 25% moram em casa alugada, 1% em casa cedida e as demais nao declararam. Em relacao a composicao familiar, quase metade informaram que vivem em uma uniao estavel, 60% declararam que sua familia e composta de uma a tres pessoas, inclusive a propria entrevistada, sendo que a maioria possui um ou dois filhos.

O perfil etario das entrevistadas demonstra e reforca os dados da cidade de Irati em relacao a distorcao idade/serie que apresenta para o Ensino Medio uma taxa de 16% contra somente 9% do Ensino Fundamental, visto que o CEEBJA-Irati atende justamente este publico que, por algum motivo, deixou de frequentar a escola na idade esperada e que agora retoma os estudos.

Em relacao a situacao laboral, mais da metade das mulheres que responderam ao questionario estao empregadas e a renda familiar gira em torno de dois salarios minimos. Quando perguntadas sobre quantas pessoas contribuiam para a renda familiar, 41 responderam que somente mais uma pessoa contribui alem da propria entrevistada e 8 delas responderam que sao as unicas responsaveis pelo sustento da casa.

A grande maioria das mulheres desenvolve suas atividades laborais no setor de servicos e domestico, sendo que uma parcela muito pequena esta no setor industrial. Outra constatacao diz respeito ao fato de que a exigencia de formacao e muito pequena. As trabalhadoras/estudantes apontaram que a exigencia de escolarizacao para exercerem a funcao dentro da atividade de trabalho e somente o ensino medio ou nao exige formacao alguma, apesar de a maioria apontar que as empresas incentivam aos estudos com flexibilizacao de horario e de horas trabalhadas diariamente.

Estes dados corroboram as respostas apontadas pelas participantes e demonstram o que autores como Saffioti (2013), Antunes (2009, 2011), Abreu, Hirata e Lombardi (2016) e Costa, Sorj, Bruschini e Hirata (2008) trazem em seus estudos: os postos de trabalho mais precarizados e com baixos salarios estao no setor de servicos e sao ocupados, principalmente, por mulheres. Alem disto, cabe ainda uma observacao muito pertinente para este trabalho, a questao do trabalho domestico.

Segundo o levantamento realizado, 40% das trabalhadoras/estudantes do CEEBJA-Irati desenvolvem algum tipo de trabalho domestico. Nesta porcentagem, estao incluidos trabalhos domesticos em casa ou fora dela, alem de 3% desenvolverem atividade de cuidadora. Numero significativo de mulheres contribuem com a economia dos cuidados, seja ela nos afazeres domesticos ou zelo de pessoas. Podemos, ainda, incluir, neste rol de atividades, os cuidados com os filhos que nao sao contabilizados por elas como uma atividade de cuidado.

As questoes pertinentes a organizacao do tempo de trabalho, em relacao aos demais tempos, demonstram que as mulheres tem uma jornada de trabalho bem pesada durante cinco ou seis dias da semana, com 8h diarias, alem das atividades que precisam realizar em casa.

Quando perguntadas sobre a carga horaria de trabalho e a disposicao para realizar outras atividades, 47 declaram que se sentem cansadas e a principal queixa e o cansaco fisico. Em relacao as horas de trabalho extra, as que precisam trabalhar a mais do que a jornada normal diaria, a maioria declarou que nao ha prejuizo para os estudos e que consegue se organizar, porem, 9 delas responderam que abandonaram os estudos por conta das horas extras de trabalho.

Quanto ao nivel de escolaridade, 55 das entrevistadas cursam o Ensino Medio, enquanto 25 cursam o Ensino Fundamental e as demais nao responderam, sendo que a maioria abandonou os estudos pelo menos uma vez. Os dados revelam que o tempo dedicado aos estudos e sempre o primeiro a ser prejudicado frente a momentos de decisao sobre outras prioridades. As demais atividades, trabalho e cuidados, acabam por determinar o percurso escolar destas mulheres.

Na pergunta referente aos motivos, as participantes podiam escolher uma ou mais das afirmacoes ja especificadas no questionario ou ainda poderiam colocar outros motivos. A maioria delas, ou seja, 58 mulheres, apontaram que o motivo do abandono da escola estava relacionado com os cuidados. A segunda resposta que mais mobilizou as mulheres foram as questoes pessoais, seguidas por motivos relativos a escola e, por ultimo, ao trabalho.

A relacao destas trabalhadoras/estudantes com os estudos e muito particular e mostra a realidade de muitas mulheres que sao obrigadas a abandonar ou adiar a sua escolarizacao, o que repercute em toda vida profissional e ate mesmo pessoal. Para elas, os estudos tem representacoes diversas que vao desde a valorizacao no trabalho ate o empoderamento das mulheres.

Outro dado importante trazido pelas respostas das mulheres foi a questao do tempo disponivel para a realizacao das atividades escolares e quais motivos contribuem, hoje, para a frequencia as aulas. A maioria apontou que a maior dificuldade, atualmente, sao os cuidados com a casa e a familia, seguido da sobrecarga de atividades no trabalho, tempo afastado dos estudos e a distancia entre trabalho, escola e casa.

Em relacao ao cumprimento das atividades escolares e o tempo dispensado para tais atividades, em media, elas dispoem de pouquissimo tempo, nao maior que uma hora por dia, sendo que a maioria realiza as atividades na propria escola ou a noite, assim que retornam para casa. Estes dados nos colocam a necessidade, minimamente, da discussao sobre como sao realizados os estudos nesta modalidade de ensino, o que, porem, nao e o objetivo deste trabalho.

Ao serem indagadas sobre o tempo dos cuidados e, neste item, incluimos cuidados pessoais, com a casa e com os demais membros da familia, as trabalhadoras/estudantes deixaram claro que durante as vinte quatro horas do dia, sobra quase nenhum tempo para os cuidados proprios. As atividades desenvolvidas na tripla jornada de trabalho, estudos e cuidados tomam um tempo significativo da vida destas mulheres e, muitas, apesar da grande importancia que a familia tem, gostariam de ter mais tempo para elas.

Os dados revelam que 72% das participantes acordam entre cinco e oito da manha, sendo que 38% delas gastam, no maximo, de uma a duas horas diarias com cuidados pessoais. Muitas declararam que estes cuidados nao passam de um simples banho e da higiene pessoal como escovar os dentes e pentear os cabelos. Indicaram tambem que nao sobra tempo para ler um livro ou assistir a um programa de televisao de sua preferencia.

Segundo dados da OIT (2016, p.7), as "[...] mulheres realizam, em media, pelo menos duas vezes e meia mais tarefas domesticas nao remuneradas e de cuidados do que os homens". Ainda segundo o mesmo documento, as mulheres que trabalham fora, seja por conta propria ou de outrem, possuem dias de trabalhos mais longos. Nos paises em desenvolvimento, caso do Brasil, as mulheres trabalham, em media, 73 minutos a mais que os homens, ou seja:

[...] mesmo quando estao empregadas, continuam a realizar a maior parte das tarefas domesticas nao remuneradas e de cuidados, o que limita a possibilidade de aumentar o numero de horas trabalhadas no trabalho remunerado, formal e no trabalho por conta de outrem e remunerado (OIT, 2016, p. 7).

Outro dado que vem corroborar com o pensamento dos/as autores/as citados/as e com os dados da nossa pesquisa dizem respeito aos demais membros da familia e a ajuda que estes prestam na hora da divisao do trabalho domestico. Ao serem perguntadas sobre qual ou quais membros da familia contribuem para a realizacao das atividades domesticas, a grande maioria conta com a ajuda de uma mulher, sendo que muitas realizam a atividade sozinha. Nas respostas dadas pelas entrevistadas, apesar de algumas identificarem que o marido colabora com a organizacao das atividades domesticas, a maioria atribui este tipo de trabalho a uma mulher, seja ela mesma ou outra.

Alem dos dados, a forma como estas mulheres se colocam frente ao trabalho domestico reforca a feminizacao deste tipo de trabalho. O trabalho domestico tem como agente central sempre uma mulher, a mae, e os demais membros da familia prestam uma ajuda, ou seja, produzem cotidianamente, especialmente os homens, uma relacao de afastamento com a tarefa domestica, como se dela nao dependesse a propria reproducao.

Mesmo com a grande sobrecarga de atividades por causa da tripla jornada de trabalho, as mulheres que responderam ao questionario, tem na familia o motivo pelo qual buscar a formacao e o trabalho. Para a maioria delas, a familia esta em primeiro lugar e o cuidado com os entes familiares ainda e a coisa mais importante. Apesar de 43 delas apontarem que sentem cansaco por causa das atividades que precisam realizar em casa e do cuidado com os filhos ou desejarem somente trabalhar e estudar, a maioria respondeu que a jornada diaria de trabalho domestico nao chega a interferir nos demais tempos, trabalho e escola. Esta em jogo aqui uma instituicao social bastante forte e perene: a familia. Esta familia como a conhecemos ha seculos e a monogamica, sua constituicao esta baseada na relacao entre um homem e uma mulher e na fidelidade feminina.

Depois de tantos milhares de anos sob a familia monogamica, tornou-se senso comum que os homens e mulheres apenas podem se amar sob a monogamia, que o amor entre os individuos deve passar por uma sagracao social qualquer e que as criancas precisam de uma 'mae' e de um 'pai' tais como os que hoje conhecemos. Parece-nos impossivel que possam ser qualitativamente distintos os processos de individuacao, a criacao e educacao das criancas, a preparacao da alimentacao, do lugar para se dormir etc. Amar se tornou sinonimo de constituir familia --e constituir familia se tornou sinonimo de monogamia (Lessa, 2012, p. 41, grifos do autor).

Colocar a familia acima de tudo representa, para estas mulheres, que a elas so e possivel a vida se vivida em familia; sao reflexos de uma construcao historica, fortemente determinada e marcada pelo patriarcado. Em acordo com nossa pesquisa, Picanco (2005), em seus estudos, expoe que a saida da mulher para exercer alguma atividade laboral fora do lar traz prejuizos para a familia neste modelo historico e que a sua presenca e muito importante na manutencao da relacao mae-filho.

As mulheres ainda estao fortemente vinculadas [...] a imagem de o ingresso feminino no mercado de trabalho constituir uma perda para a vida familiar [...] do ponto de vista cultural e economico, as mudancas ocorridas que tornaram imperativo o trabalho das mulheres fora de casa nao parecem suficientes para reduzir a adesao a representacao de que o trabalho da mulher significa perda, ainda que muitos considerem intocavel a esfera afetiva da relacao mae-filho (Picanco, 2005, p. 169).

Estas constatacoes demonstram que, para as trabalhadoras/estudantes, nossas participantes, a relacao familiar esta acima de qualquer realizacao pessoal. Para elas, o cuidado da casa e dos filhos tem importancia na conducao de suas vidas e a familia ainda e a coisa mais importante. Os dados retratam como as mulheres organizam suas rotinas diarias entre as atividades profissionais, os estudos e os cuidados com a casa e os familiares. Demonstram, portanto, que as relacoes sociais de sexo, em todos os espacos da vida publica e privada, sao marcadas por diferencas entre como mulheres e homens ocupam e desenvolvem suas atividades no dia a dia. Estas diferencas tem marcadores sociais de sexo, raca/etnia e classe.

Consideracoes finais

Vimos que a descricao dos dados coletados com as 95 trabalhadoras/estudantes do CEEBJA--Irati representam uma parte significativa da pesquisa e trazem para a nossa discussao elementos importantes sobre os percursos que as mulheres precisam fazer para desenvolverem suas carreiras profissionais, se aperfeicoarem e darem conta das atividades domesticas e do cuidado com os familiares.

As relacoes sociais de sexo presentes no cotidiano feminino, trabalho e vida familiar estao fortemente enraizadas na organizacao social baseada no patriarcado e no capitalismo. A presenca das mulheres no mundo do trabalho nao garantiu sua emancipacao ou a diminuicao das tarefas destinadas, historicamente, a elas.

A literatura e os dados desta pesquisa mostram exatamente esta constatacao. Traz a tona uma realidade dura e demonstram que a mulher paga um preco alto para exercer trabalho remunerado. As desigualdades entre elas e eles, postas dentro dos lares, corroboram com os estudos feitos por Saffioti (2015) sobre como a mulher e percebida na sociedade. A autora coloca que na construcao social do ser mulher, as tarefas domesticas, assim como outras profissoes ditas femininas traduz a posicao de inferioridade em relacao aos homens.

Relacoes estas estabelecidas em todos os espacos sociais que colocam a figura masculina como determinante nos percursos de vida das mulheres, em especial no relato das trabalhadoras/estudantes, que deram vida a este artigo. Nos relatos, a espinha dorsal e justamente o processo de dominacao-exploracao estabelecido nas relacoes sociais de sexo e que sao ancoradas na organizacao social patriarcal e capitalista.

Em relacao aos estudos, o que verificamos foi que a mulher deixa de frequentar a escola porque tem uma sobrecarga de atividades dentro de suas casas somadas a trabalhos remunerados precarizados, enquanto os homens conseguem maior sucesso e demonstram, desta forma, que as relacoes de sexo continuam desiguais com privilegios para eles.

Doi: 10.4025/actascihumansoc.v41i1.43901

Received on July 29, 2018.

Accepted on January 14, 2019.

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(1) Denominamos, de forma aleatoria, as nossas sete entrevistadas de 'Marias' e cada uma foi identificada, tambem de forma aleatoria, por um segundo nome. Mesmo que este nome tenha um apelo religioso muito significativo num pais com expressao do catolicismo, religiao oriunda da colonizacao, como o Brasil, adotamos este nome como forma de representar as diversas mulheres com as mesmas caracteristicas materiais que nossas entrevistadas, dado que este nome carrega socialmente uma carga de genero muito forte e, portanto, representa os percursos da vida destas mulheres.

Alessandro de Melo [1] * e Ana Claudia Marochi [2]

[1] Departamento de Pedagogia, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Rua Pe. Salvatore Renna, 875, 85015-430, Guarapuava, Parana, Brasil. [2] Instituto Federal do Parana, Irati, Parana, Brasil. * Autor para correspondencia. E-mail: alessandrodemelo2006@hotmail.com
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Title Annotation:EDUCACAO
Author:de Melo, Alessandro; Marochi, Ana Claudia
Publication:Acta Scientiarum. Human and Social Sciences (UEM)
Date:Jan 1, 2019
Words:6787
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