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Mujeres Brasilenas en la division internacional del trabajo reproductivo: construyendo subjetividade(s).

Mulheres Brasileiras na divisao internacional do trabalho reprodutivo: construindo subjetividade(s)

Brazilian Women in the International Division of Reproductive Work: Constructing Subjectivities

Este estudo tem como objetivo principal analisar as experiencias de mulheres migrantes brasileiras trabalhadoras informais no setor reprodutivo da cidade de Paris. A pesquisa explora como o movimento migratorio impacta os modos pelos quais trabalhadoras domesticas brasileiras sao (re)subjetivadas. Demonstraremos, atraves da analise das narrativas, de que forma estas mulheres imigrantes foram capazes de negociar suas identidades no interior das normas disciplinares e regulatorias existentes no contexto migratorio. Assim, o estudo em questao, centra-se na producao de subjetividade de mulheres imigrantes, trabalhadoras domesticas e de cuidado, analisando as interconexoes e interseccionalidades entre as normas de genero, o efeito/acontecimento migracao e as regulacoes do trabalho reprodutivo. Tendo em vista tal objetivo, primeiramente e necessario contextualizar a emergencia dos fluxos migratorios pautados pelos marcadores de genero, etnia, classe social e nacionalidade no contexto das novas exigencias da economia global.

A divisao sexual do trabalho combinada as hierarquias nacionais e raciais/etnicas modula no contexto dos paises desenvolvidos o trabalho reprodutivo, este aqui entendido como o conjunto das atividades relacionadas a reproducao da forca de trabalho e da populacao (Brenner e Laslett 1991). Tal fato e impulsionado pela incorporacao massiva das mulheres de paises desenvolvidos no setor produtivo, fato que nao foi acompanhado por uma divisao das tarefas domesticas entre homens e mulheres no interior da esfera privada. Assim, temos um tensionamento claro entre cuidado, reproducao da populacao, manutencao da forca de trabalho e as exigencias crescentes do mercado de trabalho no contexto da reestruturacao produtiva nos paises desenvolvidos. Esta tensao entre trabalho reprodutivo e as novas demandas economicas geraram a denominada crise global dos cuidados no contexto dos paises ocidentais. De acordo com Bridget Anderson (2000), esta situacao se expande particularmente no contexto europeu, onde ao longo dos anos vemos o declinio e deterioracao do Estado de bem estar social, situacao a qual se adiciona o envelhecimento da populacao, a feminilizacao da forca de trabalho e as novas demandas produtivas que estabelecem exigencias tais como flexibilizacao e dedicacao plena ao trabalho. Este conjunto de elementos contribui para o colapso das redes de cuidado e de manutencao da esfera privada no contexto europeu, o qual ira criar novos mecanismos para lidar com a crise na esfera do trabalho reprodutivo. Particularmente na Franca, de acordo com Helena Hirata (2001-2002), ha uma crise do emprego estavel e protegido, tal fato amplia a oferta de empregos precarios e instaveis. Esta tendencia e acompanhada pelo crescimento de oferta no setor de servicos frances, principalmente o chamado "servico pessoal", caracterizado pelas regras da divisao sexual do trabalho.

Como Encarnacion Gutierrez (2007) sugere, a organizacao nas economias pos-industriais vem modificando radicalmente os antigos modos de producao, os produtos (informacao, comunicacao e afeto) e as proprias condicoes e trabalho nos paises ocidentais (flexibilidade e precariedade). Estas transformacoes sao acompanhadas por uma necessidade crescente de mao de obra imigrante de "baixa qualificacao", cuja demanda tem como objetivo preencher as ocupacoes emergentes de servico criadas no interior das redes informais e flexiveis de trabalho. Conjuntamente, Rhacel Parrenas (2001) indica que as consequencias da globalizacao dos mercados vem modificando radicalmente as politicas e os regimes do trabalho reprodutivo internacional. Como resultado destes processos de mundializacao emerge o que Parrenas denomina a "divisao internacional do trabalho reprodutivo".

Contribuindo para esse cenario, Saskia Sassen (2003) afirma que existem dois processos centrais e interconectados que promoveram a ascensao destas novas dinamicas migratorias. Por um lado, temos a emergencia das denominadas cidades globais. Por outro lado, temos o crescimento de novos circuitos de sobrevivencia gerados nos paises em desenvolvimento, isto em resposta a miseria e ao desemprego experenciados nestes paises ao longo das ultimas decadas. Portanto, como Saskia Sassen (2008) sugere, temos que entender esses processos migratorios como uma importante faceta de uma cadeia internacional de necessidades mutuas geradas a partir das novas exigencias economicas, pelos processos desiguais de desenvolvimento e pela a divisao desigual do trabalho domestico entre homens e mulheres no interior da esfera privada (Ehrenreich e Hochschild 2004).

De acordo com Nadya Araujo Guimaraes et al (2011), o trabalho reprodutivo no contexto frances segue as premissas de flexibilizacao, informalidade e precariedade. Segundo as autoras, as/os migrantes e suas/seus descendentes se destacam no setor de servicos pessoais--muitos/as na condicao ilegal de sans papiers--[1] principalmente na regiao metropolitana de Paris e nas grandes aglomeracoes urbanas. O numero reduzido de horas de trabalho, o salario baixo, a pouca valorizacao social/simbolica, combinados as modulacoes de genero e raca/etnia caracterizam o trabalho domestico e de cuidados na Franca.

A literatura feminista que aborda a tematica da migracao de trabalhadoras reprodutivas sugere que as ocupacoes de domestica e de baba no contexto europeu se associam a processos de subjetivacao caracterizados pela norma de genero e pelas hierarquias raciais e nacionais. De um modo geral, autoras feministas indicam que estes processos migratorios conduzem a formacao de subjetividades marcadas pelo paradigma da servidao, opressao, normalizacao e dominacao (Anderson 2000; Lutz 2008; Parrenas 2001). Por outro lado, podemos conjuntamente pensar que e atraves do trabalho domestico transnacional que estas mulheres migrantes podem ao mesmo tempo reverter, em certa medida, o seu status subalterno nos seus contextos nacionais de origem, modificando em algumas instancias as dinamicas de poder de um modo bastante significativo.

Neste ponto, e importante ressaltar a perspectiva um tanto fixa e determinista apresentada pela literatura corrente sobre trabalhadoras domesticas transnacionais, visto que a grande parte dos estudos sobre o topico toma como pressuposto uma visao homogenea das mulheres trabalhadoras imigrantes de terceiro mundo. Dessa forma, a perspectiva dos estudos pos-coloniais se torna imprescindivel para analisarmos os discursos determinantes a respeito da entao chamada "mulher de terceiro mundo". Chandra Mohanty (1984) critica esta categorizacao de sujeito produzido pelo discurso feminista ocidental dominante. Tal categoria encerraria todas as "mulheres do terceiro mundo" em posicoes fixas, deterministas e homogeneas, visto que estas seriam sofredoras de uma escassez de poder cronica, violentadas cotidianamente pelos regimes culturais e pelos sistemas socioeconomicos.

Assim, visando a descrever e entender a multiplicidade de experiencias de mulheres brasileiras migrantes que analisaremos suas narrativas buscando ressaltar as diferentes posicoes nas relacoes de poder que a experiencia de migracao produziu. A perspectiva foucaultiana acerca da producao de subjetividade(s) sugere que a constituicao do sujeito e produto/efeito das relacoes de poder organizadas em estruturas de saber/poder (formas de dominacao) e do exercicio de criacao e resistencia. E este diagrama de forcas que exploraremos ao analisar como o engajamento no trabalho reprodutivo transnacional pode re/construir e re/criar para as mulheres brasileiras imigrantes modos especificos destas se relacionarem consigo mesmas [2]; os quais sao capazes de re/articular as dimensoes complexas e inter-relacionadas de dominacao/resistencia, opressao/liberdade. Nesta direcao, e importante mencionar que estudos especificos que focam a migracao brasileira para paises europeus utilizando a perspectiva de genero ainda sao escassos (Martine 2005). Grande parte da literatura que se dedica a emigracao de brasileiras/os se concentra nos fluxos migratorios para os Estados Unidos da America (EUA) [3]. Entretanto, podemos destacar pesquisas importantes centradas na emigracao brasileira na Europa, como a etnografia de Angela Torresan (1994) acerca da comunidade brasileira vivendo em Londres; a investigacao de Erika Ripoll (2008) sobre imigrantes brasileira/ os na Espanha; Maria Bassanezi e Lucia Bogus na Italia (1999); Beatriz Padilla (2010) e Igor Machado (2007) em Portugal. Em relacao as dinamicas de genero, temos o importante trabalho desenvolvido por Adriana Piscitelli (2011 e 2007) acerca da posicao social das mulheres e das transexuais brasileiras no mercado europeu do sexo. Olga Gonzales (2007) afirma que a comunidade brasileira e a populacao latino-americana mais numerosa vivendo na Franca, apesar desse fato, a autora sugere que o processo da imigracao latino-americana na Franca motivada por razoes economicas tem sido pouco documentado. Assim, visando a contribuir para suprir este deficit na literatura, apresentamos este estudo.

Metodologia

O corpus de analise desta pesquisa constitui-se de oito entrevistas semiestruturadas conduzidas em Paris no periodo de maio a junho de 2011. Todas as entrevistas foram realizadas em locais publicos tais como parques e cafeteiras na cidade. Escolhemos este modo de abordagem visto que entendemos a entrevista como uma relacao social marcada por jogos de poder, sendo assim, ao se optar por um local publico, buscamos um espaco de uso comum a entrevistadora e a entrevistada. A pesquisa de campo utilizou diferentes estrategias para explorar a rede social de brasileiras vivendo em Paris, entre elas destacamos a aproximacao inicial estabelecida a partir das igrejas evangelicas brasileiras existentes na cidade.

Os relatos de todas as mulheres neste estudo estao protegidos por nomes ficticios. Todas as entrevistadas sao mulheres brasileiras residindo e trabalhando ilegalmente em Paris como trabalhadoras reprodutivas: domesticas, faxineiras e babas. Jussara tem 52 anos e e divorciada. Mora em Paris ha mais de 20 anos. E mae de dois filhos e duas filhas, entre eles dois vivem no Brasil (fazem faculdade com a ajuda de Jussara) e outras duas na Franca. Antes de comecar a trabalhar no setor de cuidados em Paris, Jussara trabalhava como recepcionista de um hotel no litoral paulista, de onde e proveniente. Jussara tem o segundo grau completo e e branca. Lisa tem 33 anos e e mae de um filho. E solteira e possui magisterio completo. Decidiu migrar pela falta de oportunidades que o contexto brasileiro apresentava. Mora em Paris ha tres anos. Lisa e solteira, mas tem um namorado. Ela e proveniente do interior de Minas Gerais. Lisa e branca. Antonia e proveniente de Goiania. Tem 56 anos e desde os seus 13 anos trabalha em casas de familia como baba e empregada. Antonia tem o segundo grau incompleto e dois filhos no Brasil. Os dois filhos fazem faculdade com o dinheiro proveniente das remessas mensais de Antonia. Ela vive em Paris ha seis anos. Antes de decidir migrar, Antonia exercia funcoes como empregada domestica e complementava sua renda vendendo lanches em coletivos. Antonia e negra e solteira. Maria tem 40 anos de idade e e negra. Mora em Paris ha tres anos junto com o marido e a irma. Maria e mae de 2 filhos que estao fazendo faculdades particulares no Brasil com o dinheiro proveniente do seu trabalho e do trabalho do marido na capital francesa. Ela nao completou o ensino medio e trabalhava como diarista e manicure no Brasil. Maria e proveniente do interior de Goias. Cintia tem 30 anos, e solteira e mae de um filho. Cintia mora ha dois anos em Paris e desde os 11 anos de idade trabalha como domestica. Ela e proveniente do interior do Maranhao. Cintia e negra. Adriana tem 53 anos e possui o segundo grau completo. Trabalhou como recepcionista e como baba antes de migrar para Paris. Vive na cidade ha dez anos. Sempre teve o desejo de sair do Brasil para construir um futuro melhor. Cintia e branca e nao tem filhos, ela e proveniente de Porto Alegre. Vitoria tem 29 anos e tem o segundo grau completo. E solteira e nao tem filhos. Vive em Paris ha dois anos e trabalhava como vendedora no Brasil. Vitoria e branca e e proveniente do interior de Sao Paulo. Suzana tem 28 anos possui o segundo grau completo. E proveniente do interior de Tocantins e trabalhou como manicure e como auxiliar de escritorio antes de decidir migrar para Paris. Suzana e solteira e tem dois filhos que vivem no Brasil aos cuidados de sua mae e irma. Todo o dinheiro que Suzana economiza com o seu trabalho ela envia para a melhoria das condicoes de vida da sua familia. Suzana vive ha 4 anos em Paris e e branca.

O roteiro de entrevista teve como foco principal reconstituir a trajetoria laboral destas mulheres e os efeitos da experiencia migratoria em suas vidas. Conjuntamente introduzimos alguns dos nuances propostos pelas metodologias que se valem da perspectiva biografica. O objetivo central destas entrevistas nao foi obter um entendimento integral e/ou completo das trajetorias de vida das entrevistadas, visto que as entrevistas se concentraram na vida laboral destas mulheres. Apesar da centralidade da questao do trabalho, pudemos conjuntamente perceber, atraves de suas narrativas biograficas, os eventos e as experiencias mais marcantes de suas historias de vida. Neste ponto, introduzimos os cuidados metodologicos sugeridos por Pierre Bourdieu (2003) em suas elaboracoes acerca da analise compreensiva. Nessa abordagem, a analise se centra basicamente na confrontacao continua das experiencias e das reflexoes das participantes e da investigadora e do investigador envolvidos no estudo.

Dominacao, opressao e exploracao nas experiencias das trabalhadoras domesticas brasileiras migrantes.

Primeiramente e importante destacar, no contexto do trabalho domestico transnacional, que a precariedade e vulnerabilidade sao elementos unificadores das experiencias destas mulheres no exterior. Um dos fatores centrais de producao da precariedade e vulnerabilidade se associa ao status ilegal destas mulheres no pais receptor. O problema do status irregular no pais de acolhida e extremamente presente na vida cotidiana das entrevistadas, fato este que configura suas experiencias em Paris. Especificamente em relacao ao trabalho, a condicao de ilegal emerge como um passaporte para arranjos precarios e instaveis de emprego devido a condicao de nao cidadania.

Estas caracteristicas promovem restricoes importantes de oportunidades laborais. Fato este que faz com que estas mulheres se engajem em ocupacoes caracterizadas por baixa remuneracao, precariedade e relacoes de poder muito desiguais entre trabalhadora e empregadora no mercado parisiense informal dos cuidados. Muitas vezes, a ocupacao de domestica, faxineira ou baba surge como unica oportunidade de emprego (para alem da prostituicao) para mulheres imigrantes em situacao ilegal. Ilustrando esse ponto de vista um tanto determinista, temos o depoimento de Maria que corrobora estas elaboracoes: "Aqui em Paris eu nao posso sonhar com o trabalho ideal, aqui tenho so duas opcoes ser faxineira ou manicure. Eu faco os dois ilegalmente (...). Eu sei muito bem qual e o meu lugar aqui em Paris" (Maria). [4]

A posicao vulneravel que estas mulheres ocupam por possuirem um status irregular nao influencia somente suas oportunidades laborais, mas tambem impactam suas vidas em Paris. Como Angela Torresan (1994) sugere, em seu estudo acerca da comunidade brasileira vivendo em Londres, a experiencia de migrar inaugura novas experiencias subjetivas para os/as emigrantes. Em nosso estudo, estas mulheres experenciam um cotidiano marcado por restricoes e regras que contribuem para a formacao de uma subjetividade marcada pelo medo, invisibilidade e submissao (embora esta seja apenas uma das facetas da experiencia, como demonstraremos mais adiante). Ilustrando estes impasses diarios, Maria conta:
   Aqui eu sei que tenho que ser neutra, sabe? Eu tenho que
   ser transparente, me colocar no meu lugar de ilegal. Eu
   nao fui convidada a trabalhar aqui [...] Essa situacao e
   muito dificil para mim. Eu sempre tenho que respeitar
   muito eles aqui, as regras [...] Eu moro num predio aqui,
   la eu tenho que ser sempre calma e me comportar, respeitar
   as regras! Eu sempre sou muito silenciosa e respeitosa.
   Na verdade eu sempre tive respeito no Brasil,
   mas aqui e diferente [...] Eu nao saio a noite, eu nunca
   pulo a roleta do metro [... ] No inicio, eu estava sempre
   com medo, quando a policia passava pela rua com a
   sirene eu ja comecava a tremer de medo, nao podia nem
   ouvir esse som [... ] Mas agora depois de tres anos eu ja
   estou acostumada, mas ainda tenho muito medo de ser
   pega, de ser deportada (Maria).


Podemos claramente perceber no relato de Maria a importancia da inseguranca na vida de trabalhadoras domesticas ilegais, ja que o constante medo da deportacao tem um papel importante em seus cotidianos de trabalho e de existencia. Neste ponto, entendemos de que maneira o trabalho reprodutivo exercido no interior da esfera privada emerge como uma alternativa plausivel na vida destas brasileiras imigrantes, ja que estas podem aliar uma atividade lucrativa junto a invisibilidade que seu status irregular impoe. Com isso, percebemos de que forma a dupla invisibilidade emerge na vida destas trabalhadoras, por um lado, o proprio trabalho reprodutivo se constitui socialmente como um trabalho invisivel; simultaneamente nesta operacao, temos o status clandestino que confina estas mulheres a esfera privada e isolada dos labores de cuidado e de limpeza.

Embora o trabalho domestico se coloque para as trabalhadoras imigrantes como uma boa opcao de alcancar seus sonhos economicos, este nao deixa de ser uma ocupacao arriscada para as mesmas. Outros obstaculos circundam a vida das trabalhadoras reprodutivas transnacionais. Por exemplo, a viagem em si se constitui em uma arriscada estrategia para estas mulheres, pois exige investimentos economicos e psicologicos previos. O relato de Suzana e bastante ilustrativo. Desempregada e sem perspectivas laborais em sua cidade natal antes de se lancar a experiencia migratoria, Suzana investiu todo o patrimonio (sua moto e mobilia) na viagem. Chegando a Paris, ela enfrentou diversos obstaculos antes de estabilizar-se.
   Eu cheguei aqui com dois mil euros no bolso e mais
   nada. Tinha um conhecido da minha cidade que estava
   morando ilegal em Paris tambem. Eu parei na casa dele
   nos primeiros meses. Eu tive muito azar. Esse rapaz
   organizava uma parada de trafico de pessoas aqui [... ] E
   eu nao sabia [...] Quando eu cheguei tive que pagar 200
   euros para a comida, 200 euros de aluguel, 200 euros para
   ele conseguir contatos de trabalho para mim e mais 200
   euros para a minha identidade falsa como portuguesa.
   Era tudo clandestino, tudo no mercado negro [... ] E essa
   casa onde eu parei era horrivel. O Carandiru [5]. Aqui os
   brasileiros sabem [...] Nessa casa pequena viviam mais de
   30 brasileiros de tudo que e parte, quando cheguei fiquei
   chocada. Eu fiquei um mes e cinco dias naquele inferno,
   tinha muitas pessoas se drogando e garotas fazendo prostituicao
   la. Gracas a Deus eu encontrei gente que me tirou
   daquele inferno (Suzana). [6]


Podemos claramente perceber de que forma estas mulheres brasileiras imigrantes experenciam a vulnerabilidade e as condicoes precarias em seus processos de chegada e adaptacao ao contexto frances. Por serem ilegais, elas muitas vezes estao totalmente desprotegidas de instituicoes de apoio. Neste ponto, notamos a dificuldade destas mulheres em exercer seus direitos, visto que suas situacoes irregulares sublinham o status menos humano conferido as trabalhadoras imigrantes ilegais.

Contribuindo para a discussao, uma das entrevistadas, Lisa, define sua condicao em Paris de inferioridade e subalternidade usando o termo "sub". Ela acredita estar vivenciado uma condicao de sub-humana em Paris. Nao sao somente as entrevistadas desta pesquisa que percebem sua realidade no pais de acolhida como precaria e menos humana. Francois Brum (2006) define que as/ os imigrantes ilegais vivem em uma zona definida por uma condicao de nao-direito, nao possuindo uma identidade juridica no pais receptor se situam em um grau zero de cidadania. Nesta condicao os direitos humanos e o proprio status de humano podem ser renegados as/aos imigrantes ilegais na Europa. O jogo da clandestinidade promove importantes restricoes para nossas entrevistadas. Em razao dos contratos informais, estas mulheres nao estao somente desprotegidas institucionalmente, mas tambem recebem remuneracao inferior pelos trabalhos executados no setor reprodutivo ilegal frances. Estes fatores contribuem para a precariedade nas relacoes de trabalho, as quais sao marcadas por relacoes de poder que infligem formas de dominacao que tem como elemento central os marcadores de opressao e subalternidade.

De acordo com as entrevistadas, as relacoes informais de trabalho impactam de maneira importante as relacoes de trabalho, visto que se sentem inaptas para invocar seus direitos e discutir de maneira mais independente seus contratos com suas/seus empregadoras/es. Ilustrando tal problematica temos o relato de Maria, ela fala:

Eu sinto explorada em alguns momentos sim [...] Isto e mais relacionado a quantidade de tarefas, sabe? Nao tanto em relacao ao dinheiro [...] Por exemplo, antes de comecar eu digo que consigo fazer a faxina em 3 horas [... ] Como eu cobro por hora, tenho alguns clientes que pedem para limpar tudo em um tempo que e impossivel acabar [...]. Dai eu tenho que trabalhar mais [... ] As vezes posso passar mais uma hora do que o combinado, mas eu ganho o dinheiro combinado do inicio so tres horas, nao as quatro que eu tinha trabalhado [... ] E muito dificil dizer nao, porque o dinheiro e aquele cliente e importante pra mim (Maria).

Atraves do relato de Maria percebemos de que forma estes arranjos informais de trabalho podem potencializar as relacoes de poder desiguais entre empregador/a e empregada, obstruindo, dessa forma, contratos de trabalho transparentes e decentes para estas trabalhadoras. A informalidade leva a emergencia de arranjos flexiveis que caracterizam a vida das entrevistadas. Sendo assim, estas trabalhadoras domesticas imigrantes organizam o seu cotidiano laboral tendo diversas/os empregadoras/ es, estabelecendo jornadas de trabalho em tempo parcial e por hora, deslocando-se entre tres, quatro, as vezes cinco residencias diferentes em um unico dia de trabalho. Para estas mulheres, este modo de organizar o seu trabalho entre muitas/es empregadoras/es representa um bom modo de diminuir os riscos que um trabalho em tempo integral em uma casa somente representaria. Segundo as entrevistadas, e mais facil negociar melhores condicoes de trabalho e salarios tendo varias casas para cuidar. Esta estrategia nos permite vislumbrar formas de resistencia que estas mulheres desenvolvem a fim de proteger-se e de assegurar arranjos de trabalho mais proveitosos e seguros. Entretanto, e importante destacar que apesar da protecao e da nao dependencia em relacao a um/a empregador/a unico/a que o trabalho flexivel e por hora oferece a estas mulheres, este pode, ao mesmo tempo, ser bastante intenso e exaustivo para as trabalhadoras.

Contribuindo para o conjunto de mecanismos que capturam estas mulheres dentro dos jogos de dominacao e assujeitamento temos os impasses produzidos pelas relacoes nada igualitarias estabelecidos entre estas trabalhadoras reprodutivas e suas/es empregadoras/es. De acordo com Judith Rollins (1985) a relacao--social e cultural--construida entre trabalhadora e empregador/a consiste em uma complexa e multidimencional interacao que possui como pilar um paradigma exploratorio per se. Para a autora, as trabalhadoras domesticas nao sao somente exploradas no sentido economico, mas tambem sao exploradas no sentido psicologico e simbolico, em niveis que nao sao presentes e outros tipos de ocupacao laboral. Como pudemos perceber atraves de nosso trabalho de campo, existem niveis implicitos de dominacao social e psicologica que sao estabelecidos no contexto do trabalho reprodutivo. Como Jurema Brites (2007) indica em seu estudo sobre empregadas domesticas em familias de classe media no Brasil, as relacoes laborais entre patroas/oes e empregadas domesticas reproduzem um sistema de estratificacao social principalmente baseado nos marcadores de genero, classe e cor.

Em relacao a essas interseccionalidades, no caso destas trabalhadoras brasileiras migrantes, as dimensoes de raca-genero-classe devem ser entendidas na sua relacao com a situacao de imigrante ilegal inserida no contexto do trabalho reprodutivo em paises desenvolvidos. Sendo assim, as relacoes de genero e raca/etnia emergem tanto na atribuicao de tarefas de cuidado limpeza/baba/manicure, como na questao das diferencas que marcam as posicoes das mulheres da Europa Ocidental e as migrantes ilegais. Portanto, vemos a emergencia de uma relacao classe-trabalho-genero-origem nacional racializada pautada pelo paradigma de subalternidade (Spivak 1988).

Como Bridget Anderson (2001) sugere, o/a empregador/a nao extrai somente a forca de trabalho destas trabalhadoras domesticas, mas tambem exige uma performance, na qual a personalidade e o exercicio de deferencia e submissao cumprem um importante papel. Segundo a autora, ter uma trabalhadora domestica validaria o status de superioridade da/o empregador/a, sublinhando o estilo de vida e a classe social "superior" desta/e ultima/o. Sendo assim, percebemos nas entrevistas a emergencia de sentimentos constantes conectados a inferioridade e frustracao impressos na relacao com a/o empregador/a, a/o qual frequentemente confere um status social inferior as trabalhadoras domesticas. Expressando estes sentimentos temos o relato de Adriana e de Suzana;

O trabalho que eu faco, na minha idade, e extremamente frustrante para mim, e um tipo de trabalho totalmente desvalorizado, ninguem ve o que eu faco [...] Eu faco tanto baba quanto faxina. Eu vejo no meu trabalho que os outros me olham com superioridade, eles pensam que o meu trabalho e degradante (Adriana). [7]

Eu acho que o meu trabalho e desvalorizado [... ] E isso me da esse sentimento de inferior [...] essa coisa de estar ai para servir, de limpar a casa dos outros. Eu sinto a diferenca, os franceses estao em outra posicao [...] Eles sao franceses, estudaram [...] Eles veem nos os imigrantes que limpam as coisas para eles com um olhar diferente, como se fosse inferior [...] Eu sinto isso todo dia, e um tipo de rejeicao que eles fazem comigo (Suzana).

Para todas as entrevistadas o lugar de "servir" e frequentemente narrado como sendo dificil de ocupar, uma vez que o regime que organiza as pautas do trabalho reprodutivo conecta tal ocupacao com performances deferentes e submissas. Rhacel Parrenas (2001) afirma que os acordos laborais no setor reprodutivo podem ser caracterizados por uma forte desigualdade na distribuicao de poder, assim, a/o empregador/a concentraria o poder de decisoes. Lisa ilustra claramente as dificuldades experenciadas por estas trabalhadoras em negociar seus contratos de trabalho, a entrevistada conta:

Meu acordo inicial com a dona da casa era de so cuidar das criancas de tarde. Um dia enquanto as criancas estavam dormindo, ela me pediu se eu poderia passar algumas das roupas da familia para ela neste tempo. No comeco eu fiz isso e nao achava nenhum problema, afinal ela estava me pagando por hora e as criancas estavam dormindo. O problema e que eu logo virei a passadeira oficial da casa e isso nao melhorou o meu salario, continuei ganhando a mesma coisa, dai eu tambem comecei a lavar os pratos depois do almoco [...] Mas com o tempo vi que isso era uma exploracao por que eu era pra ser so baba das criancas [...] Isso me deixa louca! Eu me deixei escravizar, sabe? Isso so porque eu sou estrangeira. Tentei falar com ela sobre isso, mas gerou muito desconforto, dai eu achei melhor ficar quieta para nao perder o meu emprego [...] mas essa coisa de ser baba, empregada, passa por isso de aceitar essas coisas [...] (Lisa). [8]

Neste relato, vemos claramente de que forma as relacoes desiguais afetam a negociacao destas mulheres por acordos de trabalho decentes e claros. Nesta direcao, Linda Bosniak (2009) afirma que a divisao internacional do trabalho reprodutivo reflete um sistema de desigualdade em si, o qual as mulheres "ocidentais" possuem mais vantagens, tirando proveito das posicoes mais frageis ocupadas por mulheres de outros paises em condicao menos afortunadas. Para a autora, a cidadania de um grupo de mulheres--mulheres ocidentais, brancas educadas e incorporadas no setor produtivo de seus paises - so pode ser adquirida ao custo da perda da cidadania de mulheres provenientes de contextos vulneraveis que fazem o trabalho reprodutivo. A posicao de trabalhadora reprodutiva transnacional produz modos de sujeicao especificos que aliam o trabalho domestico a performances deferentes e submissas moldadas por uma relacao classe-trabalho-genero-origem nacional racializada.

Contrastando com os aspectos assujeitadores encontrados nas relacoes laborais destas mulheres, e importante frisar que, no caso das trabalhadoras que migraram ha mais tempo, as mesmas encontraram estrategias para construir contratos de trabalho mais seguros em funcao da clientela conquistada ao longo dos anos. Jussara e um bom exemplo. Morando em Paris ha mais de vinte anos, ela pode usufruir mais estabilidade e rendimentos. Tal fato motiva Jussara a nao deixar o pais em funcao da tranquilidade economica. Assim, apesar da experiencia de precariedade e vulnerabilidade ser de certo modo unificadora no contexto da vida destas mulheres, existe conjuntamente a emergencia de certas possibilidades de estabilidade, a qual depende tanto do tempo de permanencia e experiencia na cidade, quanto na construcao de uma clientela e de uma rede de apoio. Vale lembrar que o estudo proposto centrou-se exclusivamente nas narrativas de mulheres brasileiras migrantes que conseguiram nao somente instalar-se na cidade, mas tambem construir uma rede de apoio eficiente. Portanto, esse estudo nao inclui as narrativas de mulheres brasileiras expulsas e/ou deportadas do pais.

Como pudemos perceber, dominacao e sujeicao representam importantes elementos que organizam os regimes laborais de trabalhadoras domesticas transnacionais. No entanto, e necessario apontar que as trabalhadoras nao devem ser vistas como uma vitimas passivas nestas interacoes. Como Michel Foucault (1997) argumenta em seus estudos sobre poder, o poder e relacional, o qual possui intrinsecamente um carater produtivo e que sempre estara aberto a estrategias de resistencia. Essa operatividade do poder e inerente a todas as relacoes sociais. Assim, na proxima sessao, nos dedicaremos a analisar o conjunto de estrategias de resistencia desenvolvidas por estas mulheres trabalhadoras reprodutivas transnacionais ao buscar se reinventar a partir da experiencia migratoria.

Reinvencoes, rearticulacoes e estrategias de resistencia na trajetoria de vida de trabalhadoras domesticas brasileiras migrantes.

Os relatos das mulheres entrevistadas, apesar de marcados pela subalternidade da experiencia de migratoria pode mostrar tambem, em certa medida, o reposicionamento das mesmas em relacao ao contexto de origem, uma vez que o acontecimento migratorio e capaz de interromper a reproducao do ciclo de pobreza em suas trajetorias de vida e de suas familias. Conjuntamente, percebemos que a migracao pode modificar o posicionamento subjetivo destas mulheres em relacao ao conjunto de regras sociais que as produziram como sujeitos.

Afirmamos anteriormente que os objetivos economicos justificaram de maneira contundente a migracao das mulheres brasileiras trabalhadoras reprodutivas transnacionais deste estudo. A esperanca desta ascensao economica produz um efeito no modo pelos quais estas trabalhadoras sao subjetivadas, dado que esta oportunidade e vista como um modo de superar a desesperanca, a pobreza e a subordinacao vivenciadas previamente no Brasil.

E importante sublinhar a posicao subjetiva dual experenciada por estas mulheres brasileiras migrantes. Por um lado, o sonho da ascensao social e economica se concretiza somente em seu contexto de origem, ja que, como ilustramos, a condicao de precariedade e realmente dificil de ser superada em Paris. Por outro lado, e atraves da experiencia de migracao que estas mulheres adquirem renda e consequentemente status social em seus contextos nativos. Portanto, essa condicao subjetiva se sustenta em um paradoxo: cumprir a performance subalterna que sua condicao irregular e seu trabalho impoem e, ao mesmo tempo, dispor de dinheiro e prestigio social no Brasil. Estes fatores sao capazes de modificar e reverter, em certa medida, tanto o diagrama da subordinacao, como o ciclo de reproducao da pobreza em suas vidas, visto que esta condicao de subalternidade que o ambiente estrangeiro oferece e frequentemente seguido pelo sonho e a esperanca de obter seguranca economica em seus contextos nacionais.

Enfatizamos conjuntamente a relevancia dos aportes teoricos que tratam particularmente dos pontos de bifurcacao e ruptura de trajetorias de vida. Como Marc Bessin, Claire Bidart e Michel Grossetti (2010) argumentam, o acontecimento/bifurcacao biografico e capaz de reestruturar importantes dimensoes subjetivas e emocionais na vida dos sujeitos, visto que o acontecimento redefine os modos pelos quais o sujeito conduz a sua vida/existencia, representando assim um ponto de virada de trajetorias biograficas. Conectando tais elaboracoes no campo proposto deste estudo, pudemos perceber que o feito migratorio emerge nas narrativas de vida dessas mulheres como de fato uma bifurcacao biografica, visto que apos a migracao, suas vidas e suas posicoes como sujeitos sao consistentemente alteradas.

Barbara Ehrenreich e Arlie Hochschild (2004) afirmam que os processos migratorios geralmente tomam lugar em contextos marcados pela pobreza, violencia e falta de oportunidades. Como pudemos notar em nosso campo, o trabalho domestico transacional surge como estrategia de sobrevivencia capaz de garantir a subsistencia para estas mulheres em condicoes de vulnerabilidade e (em longo prazo) uma forma de lograr beneficios economicos. De fato, como as entrevistadas afirmaram, o sonho de ter uma vida melhor no Brasil pos-migracao motiva fortemente a tomada da decisao migratoria. Ilustrando os contextos marcados pela precariedade do qual se originaram, temos o relato de Jussara :

Eu tive que vir para ca eu nao tive escolha [...] Eu nao tinha mais nada no Brasil. Eu ja estava com essa coisa de viajar por muito tempo na minha cabeca. Eu relembro que naquela epoca algumas conhecidas tinham migrado, mas para fazer prostituicao, mas eu nao teria migrado nestas condicoes. Eu sou mae solteira, eu tenho quatro filhos, mas eu nao sou prostituta [...] Eu perdi o meu emprego, eu era recepcionista em um hotel em Santos. Veio a crise eles demitiram quase todo mundo, eu fiquei desempregada. Foram tempos muito dificeis, nao tinha dinheiro nem para dar comida para os meus filhos e tudo ficava cada vez mais caro. E eu tinha quatro filhos para sustentar sozinha [...] Essa saida sempre me vinha na cabeca porque tinha gente que voltava, comprava apartamentos, carros depois disso. Essa coisa de ter uma vida melhor depois desse sacrificio (Jussara). [9]

Neste relato podemos ver claramente a conjuntura que circunda a decisao de migrar e buscar outros circuitos para sobreviver no contexto de vida destas mulheres. Portanto, estas mulheres nao se tornam vulneraveis e/ ou desprotegidas socialmente somente durante sua estada no pais receptor, elas ja enfrentaram previamente em seu pais de origem conjunturas marcadas por um conjunto de dificuldades economicas e sociais. Corroborando tais impressoes temos o relato de Suzana:

Eu comecei a trabalhar quando tinha 15 anos, quando a minha filha nasceu. Eu trabalhava de manicure, depois disso sempre trabalhei. Em 2007 eu tomei essa decisao de vir pra ca. Naquela epoca eu tinha um emprego em um escritorio, mas me demitiram. Eu passei oito meses desempregada no Brasil, buscando, buscando e nao encontrando nada [...] Eu tenho dois filhos e nao tenho marido. Eu sou a unica que me preocupo com eles [... ] Eu vim tambem porque tinha algumas das pessoas da minha cidade que fizeram a mesma coisa e deu muito certo para eles. Eu resolvi vir tambem (Suzana).

Neste relato percebemos claramente de que forma a estrategia migratoria e ancorada em um objetivo economico que, em curto/medio prazo, sera capaz de garantir um futuro melhor para estas mulheres. As situacoes de precariedade e de vulnerabilidade vivenciadas anteriormente no Brasil sao lembradas de forma bastante negativa em suas narrati vas. Estas lembrancas contrastam com a relativa felicidade que estas mulheres desfrutam no "sonho frances", ja que a migracao proporcionou garantias economicas e (contraditoriamente) mais seguranca e estabilidade para essas mulheres. Ilustrando as dificuldades previas vivenciadas, encontramos na biografa de Cintia uma trajetoria marcada por trabalho infantil: "Eu comecei a trabalhar quando tinha onze anos. Eu trabalhei para uma familia no Rio como empregada por comida e por um lugar para dormir [... ] Foi bom porque eles me deixavam estudar e me compravam cadernos e coisas de escola [...]" (Cintia). [10]

Antonia narra sua vida no Brasil como marcada por falta de perspectivas e realizacoes.

Eu tive que passar tantas dificuldades no Brasil que eu procuro esquecer [...] Esse sentimento de nao poder dar uma vida decente para os filhos destroi o coracao de uma mae. Eu me pergunto por que o meu pais fez isso comigo, porque tenho que viver longe dos meus filhos [... ] O meu pais nao me deu a oportunidade de estar com os meus filhos. Eu fui obrigada a arrumar sozinha outras formas de dar uma vida boa para eles. Nesses seis anos aqui, eu consegui muita coisa que nem sonhando teria no Brasil (Antonia). [11]

Alem dos beneficios economicos diretos que estas mulheres adquirem por meio da migracao, pudemos perceber conjuntamente que novos desejos e realizacoes passam a ser buscados por essas mulheres. No caso de Antonia, Jussara e Maria que tem filhas e filhos em idade universitaria, o trabalho de baba e faxineira garante nao somente o sustento de suas familias estendidas no Brasil, mas tambem o pagamento das mensalidades dos cursos superiores no Brasil em universidades particulares. Para algumas das entrevistadas, as mudancas economicas ja comecaram. Suzana conta suas realizacoes e sua nova experiencia como investidora agropecuaria em seu estado.

Com o meu trabalho aqui em Paris eu sustento os meus filhos e mais minha irma que cuida deles. Ja reformei a nossa casa inteira [...] Eu estou aqui faz tempo entao consegui guardar bastante dinheiro. O ano passado comecei a investir em uns bois la na regiao. Tenho bastante ja, e o meu investimento que esta rendendo. Agora eu tenho que comecar a estudar um pouco mais sobre isso, porque tem gente que consegue muito dinheiro comprando e vendendo boi la (Suzana).

A partir desse relato, percebemos de que forma a experiencia migratoria pode rearticular distintas posicoes subjetivas para estas mulheres. No caso de Suzana podemos ver, em certa medida, uma relativizacao de sua posicao subalterna, ja que, mesmo estando engajada em um trabalho que possui baixo reconhecimento economico e pouco prestigio social, Suzana conseguiu ao mesmo tempo mudar o circuito de servidao e deter a reproducao do ciclo de pobreza que assolava a sua vida. Curiosamente, Suzana vai mais alem, visto que ela toma uma posicao de investir o seu dinheiro, estando disposta a jogar novos jogos dentro da gama de possibilidades que ela construiu. Portanto, notamos de que forma o acontecimento ruptura proporcionado pela experiencia migratoria pode, em certa medida, reverter dinamicas opressoras e assujeitadoras. Essa reversao dos mandatos de subordinacao indica como a experiencia migratoria pode produzir processos de subjetivacao complexos, dando margem ao sujeito para recriar novas possibilidades de existencia, usando estrategias de resistencia que se utilizam do quantum de liberdade que marca as relacoes nas quais esta imerso. Reforcando este ponto, temos a historia de Jussara que demonstra como o acontecimento migracao pode afetar suas perspectivas de vida.

Eu me considero privilegiada aqui. Eu moro em Paris ha mais de vinte anos. Agora na minha situacao sou eu que escolho meus clientes. Eu so trabalho para gente de classe alta aqui. [...] Aqui as meninas que trabalham em escritorio que estudaram nao ganham mais de mil euros. Eu por exemplo consigo tirar dois mil, dois mil e meio por mes. Eu sei que esse trabalho que eu faco nao e bem visto, e que nenhum frances ia fazer [... ] mas meu trabalho e bom, eu tenho flexibilidade, nao tenho hora fixa. Em algumas casas eu tenho a chave e decido quando vou limpar. Tenho uma relacao fusional com os meus clientes [... ] para mim, na minha idade nao vale mais a pena mudar de trabalho (Jussara).

Atraves deste exemplo notamos como a migracao pode produzir um impacto no modo que estas mulheres se subjetivam atraves do trabalho. Pudemos perceber novamente esse espaco subjetivo dual ocupado pela entrevistada. Por certo ela reconhece que sua ocupacao e desvalorizada socialmente, no entanto, este fato nao impede Jussara de se empoderar atraves de seu trabalho. Pelo contrario, apesar das normalizacoes e os mandatos de subalternidade que regulam o trabalho reprodutivo, vemos a capacidade de Jussara em negociar acordos laborais que sao lucrativos e que proporcionam uma boa qualidade de vida. No caso especifico de Jussara, vemos que nao e somente o aspecto financeiro que permite a entrevistada desfrutar de relativa liberdade para alem dos mecanismos objetificadores, mas tambem mediante acordos flexiveis de trabalho, conquistados por ela mesma.

Outro aspecto importante a ser abordado dentro do contexto da producao de subjetividade marcada pelo acontecimento migratorio na vida destas trabalhadoras brasileiras se refere aos distintos mecanismos de resistencia desenvolvidos por estas mulheres, fortes o suficiente para sustentar seus cotidianos no contexto frances. Como Marc Bessin e Laurence Berger (2002) sugerem, as armas dos socialmente e economicamente oprimidos nao sao necessariamente estrategias de enfrentamento fracas e/ou debeis. De acordo com os autores, os individuos em contextos de opressao encontram formas coletivas e individuais para lidar com conjunturas particularmente dificeis. Assim, estas trabalhadoras desenvolvem um conjunto de estrategias individuais e coletivas que proporcionam espacos de recriacao e de invencao capazes de produzir niveis toleraveis no interjogo entre liberdade/dominacao.

Os tensionamentos enfrentados por estas mulheres sao muitos, sendo assim, as redes solidarias entre mulheres brasileiras desempenham um importante papel no cotidiano destas trabalhadoras migrantes, ja que sao capazes de auxiliar nao somente nos processos de busca de emprego, mas tambem proporcionam seguridade emocional e simbolica. Estas redes sao capazes de motivar o proprio projeto migratorio, auxiliando muitas vezes os primeiros passos dessas mulheres no exterior, Maria, Adriana e Suzana contam suas experiencias nestas redes.

Quando estava em Porto Alegre eu encontrei uma mulher que ja estava vivendo aqui em Paris. Logo quando eu cheguei eu passei dois meses na casa dela [...] Sem ela o sonho de estar aqui nao seria possivel [...] Logo depois eu encontrei um grupo de brasileiras que estavam vivendo e trabalhando aqui. Elas me ajudaram muito [... ] Eu consegui empregos atraves delas e antes de me estabelecer eu fiquei dormindo na casa delas assim como uma cigana [... ] Essas pessoas me ajudaram muito [...] Esse contato emocional com brasileiras e muito importante para mim (Adriana).

Quando a minha irma chegou aqui, depois de dois anos, ela me convidou para vir morar aqui com ela. Eu cheguei e nem precisei procurar emprego. No dia seguinte depois de chegar eu ja estava trabalhando [...] Aqui em Paris eu encontrei pessoas maravilhosas, brasileiras, elas se preocupam muito comigo e eu com elas (Maria).

Chegando aqui eu logo fiz amizade com uma brasileira [...] Agora ela e uma das pessoas mais importantes aqui para mim. Ela me ajudou a conseguir o meu primeiro emprego. Nesse emprego eu trabalhei um ano e seis meses. Foi com essa oportunidade que eu comecei a pagar as minhas contas no Brasil (Suzana).

Como Donna Haraway (1991) sugere, as mudancas geradas a partir da estruturacao produtiva combinada a divisao internacional do trabalho promove a emergencia de novas coletividades nao necessariamente baseadas nos lacos familiares. Angela Torresan (1994), por sua vez, aponta em sua etnografia da comunidade brasileira vivendo em Londres, a importancia das relacoes de amizade entre brasileiras/os no exterior. As relacoes de amizade marcadas pela nacionalidade em comum, combinadas as situacoes e historias de vida similares, podem construir um espaco seguro de acolhida no pais de chegada. Assim, vemos de que forma relacoes fundamentadas na solidariedade podem reconstruir as interacoes sociais das trabalhadoras imigrantes; neutralizando, em certa medida, o mandato contemporaneo do individualismo. Essas estrategias de protecao coletiva entre mulheres brasileiras demostra os modos pelos quais as pessoas em situacao de vulnerabilidade podem reconstruir novos modos de ser e existir no mundo, construindo novas formas de suporte social baseado na solidariedade e na amizade. Diante destas estrategias criadas por estas mulheres, percebemos o modo pelo qual puderam reinventar novas estilisticas de vida atraves do evento migracao, caracterizadas por inventividade e acao/protecao coletiva. Os modos potentes destas estrategias de resistencia sao reforcados por sentimentos que estao fortemente envolvidos nestes novos modos de ser e existir no mundo.

O sexo, a nacionalidade e as experiencias de vulnerabilidade similares definem essas estruturas de protecao coletiva, no caso das mulheres que entrevistamos, existem lacos de proximidade que permitem que elas se protejam e se sustentem emocionalmente e logisticamente umas as outras. Os efeitos subjetivos dessa forma de organizacao coletiva sao claros, pois o contexto de protecao nao e o da familia nuclear e/ou o Estado e suas provisoes, mas sao os pares em mesma situacao e condicao. Assim, a vulnerabilidade experenciada por elas e compensada pelo suporte solidario desta comunidade de mulheres brasileiras que partilham problematicas e historias de vida. Sobre esse sentimento Suzana e Cintia comentam:

No momento eu estou preocupada com uma amiga minha, ela nao consegue [... ] Eu ja estou vendo umas coisa para ela, essa semana mesmo eu acho que consigo algo [... ] Aqui a gente tem que se ajudar uma a outra, a gente tem que criar o nosso pequeno Brasil em Paris, para que todo mundo fique bem (Suzana).

Aqui eu vou toda a semana neste culto em portugues. E muito bom, encontro muitas brasileiras que estao aqui que nem eu. Eu tenho muitas amigas, nos nos ajudamos com contatos de trabalhos e passamos tempo juntas tambem (Cintia).

Aqui e importante marcar, na fala de Cintia, a importancia das igrejas brasileiras na adaptacao e na socializacao dos emigrantes brasileiros. Como Soraya Fleischer (2001) indica, as igrejas evangelicas brasileiras desempenham um papel relevante nas redes de suporte de emigrantes brasileiros no exterior. Alem dos cultos e da preocupacao cotidiana com as amigas, outras estrategias coletivas e individuais sao desenvolvidas por estas mulheres brasileiras trabalhadoras imigrantes. Um bom exemplo dessas estrategias de confronto as capturas objetificadoras consistem na saida encontrada por estas trabalhadoras para voltar ao Brasil para ver as suas familias e depois retornar para a Franca, isto mesmo sendo imigrantes ilegais. Esta operacao demonstra de forma contundente os modos pelos quais trabalhadoras reprodutivas migrantes sao capazes de "jogar" de diferentes modos com o codigo legal/moral, encontrando assim, em certa medida, espacos de liberdade e resistencia. Maria conta a sua experiencia:
   Aqui nos brasileiras sabemos o que fazer quando queremos
   voltar e ver nossas familias por um tempo no Brasil.
   Essa vez eu fui, eu comprei a minha passagem. Dai
   quando eu fui embarcar o policial da migracao brigou
   comigo e me botou esse carimbo de deportacao no meu
   passaporte [...] Eu procedi como as minhas amigas me
   disseram. Cheguei no Brasil e fiz um passaporte novo,
   e quando eu voltei eles me deixaram entrar [... ] Eu so
   nao sei quantas vezes eu posso fazer isso, mas eu vou
   fazendo ate quando der.


Suzana tambem procedeu da mesma forma que Maria seguindo as mesmas regras. Atraves dessas estrategias podemos perceber o modo pelo qual, mesmo em situacoes de dominacao e vulnerabilidade, o sujeito e capaz de desenvolver modos engenhosos e criativos de confrontar o seu status social, literalmente jogando com as regras presentes. Tendo em consideracao os exemplos de Maria e de Suzana entendemos como estas mulheres, apesar de contextos precarios, sao capazes de jogar com as deficiencias dos aparatos de controle, podendo usufruir dessa forma de um grau ampliado de liberdade. Neste ponto, e importe frisar que estas "armas" sao amplamente disseminadas por toda a rede de protecao formada por mulheres brasileiras trabalhadoras reprodutivas em Paris, as quais ensinam passo a passo estas estrategias de confronto.

Consideracoes finais

Este estudo teve como objetivo principal compreender de que modo mulheres brasileiras migrantes engajadas no setor reprodutivo Parisiense sao subjetivadas atraves da migracao, do trabalho reprodutivo e das normas de genero, sobretudo no que tange a fratura no interior do sujeito coletivo "mulheres" ao apontar como formas de dominacao sao reproduzidas na hierarquia que se estabelece entre mulheres europeias e migrantes. Foi com a intencao de analisar tal contexto que elaboramos uma visao/versao dos efeitos subjetivos deste acontecimento na vida de oito imigrantes brasileiras vivendo e trabalhado em Paris.

Como sugerimos em nossa discussao, o acontecimento migracao e caracterizado por um conjunto de experiencias multifacetadas que impactam as trajetorias de vida destas mulheres. Sendo assim, sublinhamos a multiplicidade e as especificidades que circundam os posicionamentos e reposicionamentos subjetivos destas mulheres. No que tange aos jogos de dominacao que assujeitam essas mulheres, apresentamos os elementos que constroem a subalternidade e as formas de sujeicao presentes na vida destas trabalhadoras domesticas em suas vidas no pais receptor. Demonstramos de que forma alguns fatores tais como a ilegalidade, os contratos informais de trabalho, as relacoes de poder desiguais entre trabalhadoras e empregadoras pode contribuir para a captura assujeitadora e reificante. No que se refere as possibilidades de resistencia no interior da norma, exploramos o modo que estas mulheres brasileiras, apesar do contexto vulneravel e precario puderam desenvolver estrategias de resistencia capazes de impactar os modos pelos quais estas sao subjetivadas. Assim, exploramos os modos pelos quais estas trabalhadoras domesticas puderam reinventar novas formas de ser e existir no mundo, introduzindo elementos tais como a solidariedade, a coletividade e criatividade em suas vidas. Essas redes de protecao solidarias reforcam a agencia destas mulheres em promover novas formas de organizacao social para alem do mandato individualista.

Neste ponto, reforcamos a necessidade de continuarmos acompanhando estes fluxos migratorios em funcao da dependencia destes circuitos de sobrevivencia a conjuntura geoeconomica atual, visto que, como podemos perceber, as crises economicas emergem como um organizador fundamental capaz de impulsionar ou reprimir os movimentos migratorios. Portanto, poderiamos pensar que, com a crise atual europeia, tais fluxos migratorios poderiam estar se revertendo ou se reinventando de diversas formas. Assim, seria importante acompanhar os possiveis reposicionamentos subjetivos gerados a partir das crises economicas.

Tendo todos esses elementos em consideracao, e importante ressaltar que este estudo e somente uma das narrativas possiveis acerca dos processos de subjetivacao de mulheres brasileiras engajadas na divisao internacional do trabalho reprodutivo. Esta pesquisa, como indicamos na metodologia, nao tem a pretensao de generalizacao, mas sim a descricao de processos e dinamicas sociais. Outros estudos comparativos enfocando e problematizado os efeitos da experiencia migratoria para trabalhadoras domesticas transnacionais devem ser desenvolvidos para ampliar o entendimento deste acontecimento na vida de mulheres imigrantes.

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[1] Sem papeis, sem documentos, em frances.

[2] Em portugues cuidado de si, consiste em uma atividade etica auto reflexiva pela qual somos capazes de recriar/criar nos mesmos como sujeitos.

[3] Trabalhos desenvolvidos por Soraya Fleischer (2001), Christopher Mitchell (2003), Teresa Sales (2003), Bernadete Beserra (2003), Gustavo Lins Ribeiro (1998), Maxine Margolis (1998), Glaucia Assis (1995) entre outras/os.

[4] 07/05/2011.

[5] Famosa penitenciaria brasileira desativada em 2002.

[6] 27/0 6/2011.

[7] 06/05/2011.

[8] 30/06/2011.

[9] 09/05/2011.

[10] 25/07/2011

[11] 09/07/2011.

Fecha de recepcion: 28 de junio de 2012

Fecha de aceptacion: 20 de septiembre de 2012

Fecha de modificacion: 13 de noviembre de 2012

DOI: http://dx.doi.org/10.7440/res45.2013.08

* A investigacao e resultado de uma pesquisa independente, apoiado institucionalmente pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Central European University-CEU.

por Manoela Carpenedo, Maestria en Psicologia Social e Institucional de la Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil y Magister en Estudios de Genero de Central European University (Hungria) y la Universidad de Oviedo, Espana. Correo electronico: manoela_carpenedo@yahoo.com.br

Henrique Caetano Nardi, Doctor en Sicologia de la Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil, con estudios posdoctorales en la Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, Francia. Docente del programa de posgrado en Psicologia Social e Institucional de la Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil. Correo electronico: hcnardi@gmail.com
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Author:Carpenedo, Manoela; Caetano Nardi, Henrique
Publication:Revista de Estudios Sociales
Date:Jan 1, 2013
Words:10044
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