Printer Friendly

Mudanca dos elementos meteorologicos em funcao da degradacao da floresta urbana/Changes in meteorological elements due to the degradation of the urban forest.

Introducao

O estudo das interacoes biosfera-atmosfera permite descrever e caracterizar os principais processos de transferencias de energia e massa, relacionados as particularidades da vegetacao, propriedades do solo e caracteristicas do clima de uma regiao. Assim, as interacoes que ocorrem em uma floresta podem sofrer impactos em virtude de mudancas do clima e mudancas no uso do solo.

As modificacoes no clima por acoes antropicas, em sua maioria sao resultados de alteracoes na composicao atmosferica devido ao aumento dos gases do efeito estufa. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudancas Climaticas (INTERGOVENMANTEL PANEL ON CLIMATE CHANGE, 2013) existe cerca de 90% de chance de que as atividades humanas, principalmente a queima de combustiveis fosseis, sejam a causa do aquecimento atmosferico global desde meados do seculo XX.

As mudancas no uso do solo geralmente sao devido a derrubada da floresta nativa ou a substituicao da mesma por areas agricolas ou de pastagem. Nas cidades, o processo de urbanizacao altera os componentes do balanco energetico (GAGE; COOPER, 2017). As superficies urbanas armazenam maior quantidade de radiacao solar incidente, fazendo com que o fluxo de calor sensivel seja maior do que o fluxo de calor latente. Esse armazenamento faz com que a temperatura do ar seja maior nas cidades (PHELAN et al., 2015).

A substituicao de uma floresta conservada por qualquer outro tipo de cobertura vegetal no solo, solo nu ou predios, geralmente contribui para alterar a distribuicao temporal e espacial do balanco de radiacao, temperatura do ar e do solo, umidade do ar, poluicao do ar, mudanca no regime pluviometrico, evaporativo, sequestro de carbono, dentre outros (XIE et al., 2015; WANG et al., 2016; BOTTALICO et al., 2017; HOWE et al., 2017; SHOJAEI et al., 2017).

A crescente substituicao de areas naturais de floresta por centros urbanos nao so leva a mudanca dos elementos meteorologicos como tambem a perda da biodiversidade e o aparecimento das ilhas de calor urbanos (TAVARES; PATO; MAGALHAES, 2012; GREEN et al., 2017). As principais consequencias dessas modificacoes estao ligadas ao aumento do consumo de energia, reducao da velocidade do vento e da dispersao de poluentes, como tambem aumento de doencas respiratorias humanas (BUYANTUYEV; WU, 2010).

As florestas urbanas desempenham efeito benefico para a reducao da temperatura e mitigacao do efeito de ilha de calor urbana, ajustando o clima urbano local e minimizando as mudancas microclimaticas futuras (KONG; YIN; JAMES; 2014). O efeito de resfriamento causado pela floresta urbana e inerente a sombra densa proporcionadas por galhos e folhas, os quais limitam o aquecimento devido a incidencia direta de radiacao solar e reduz a temperatura do meio mediante a transpiracao da agua atraves das folhas.

Assim, medicoes de elementos meteorologicos em areas de florestas conservada e degradadas em regioes urbanas surgem como uma alternativa essencial para o entendimento das respostas observadas em uma localidade que passou por mudancas profundas com sua degradacao, principalmente para as regioes urbanas em que o papel da floresta e essencial no microclima local.

Esse entendimento permite desenvolver estrategias que mitiguem os efeitos dessas mudancas nos sistemas floresta-cidade-atmosfera, principalmente com relacao a compreensao da dinamica do fluxo de calor e massa entre a superficie terrestre e a atmosfera, mudancas nos elementos meteorologicos e no microclima. Diante do exposto, o objetivo dessa pesquisa consistiu em entender o papel da floresta urbana da Tijuca na distribuicao dos elementos meteorologicos mediante sua degradacao.

Material e metodo

Caracterizacao da area de estudo

As medicoes foram realizadas no Parque Nacional da Tijuca, localizado no municipio do Rio de Janeiro-Brasil. O parque possui extensao de 3.953 ha de Mata Atlantica, apresentando relevo montanhoso, com altitude variando de 80 a 1.021 m, com clima tropical de altitude. A vegetacao e classificada como Floresta Ombrofila Densa, com trecho em variados estadios sucessionais e porcoes degradadas cobertas por diferentes especies heliofilas (COELHO NETTO, 2005).

O parque esta dividido em quatro setores: Setor A--Floresta da Tijuca, Setor B--Serra da Carioca, Setor C--Pedra da Gavea e Pedra Bonita e Setor D - Pretos Forros/Covanca. O experimento foi realizado no Setor A do parque, com a colocacao de duas estacoes meteorologicas automaticas, Davis - Vantage Pro2, com medicao de temperatura do ar, umidade relativa do ar e precipitacao pluviometrica dos dias 18/07 a 09/08/2016, com intervalos de medicao de 30 minutos.

As estacoes meteorologicas foram colocadas em areas distintas do Setor A do parque, sendo urna em area conservada e outra degradada. A area de floresta conservada teve por ponto de coleta de dados a fase Sul do Macico da Tijuca (-22[degrees] 95'S, -43[degrees] 28'W, 460 m), composto por urna densa floresta ombrofila, com altura das arvores em torno de 20 m. A area degradada, tambem localizada na fase Sul (-22[degrees] 95'S, -43[degrees] 27'W, 445 m), caracteriza-se por solo nu e algumas poucas heliofilas.

Analise dos dados

A analise foi realizada com a comparacao da variabilidade da temperatura do ar e umidade relativa do ar medidos em floresta conservada e degradada, calculando a analise estatistica, como media, variancia e desvio padrao. Os dados de chuva nao foram analisados por nao apresentarem distribuicao continua durante o periodo de medicao, mas apresentou diferenca proxima de 10% entre as areas de medicoes.

Os dados de temperatura do ar e umidade relativa do ar foram submetidos ao coeficiente de correlacao de Pearson, e aos testes de hipoteses teste t, F e Kolmogorov-Smirnov. O coeficiente de correlacao de Pearson (p) foi utilizado para quantificar o grau de associacao entre os elementos meteorologicos medidos em floresta conservada e degradada (Eq. 1).

[rho] = [cov([x.sub.1][x.sub.2])/[[sigma].sub.1][[sigma].sub.2]] (2)

Em que: x. = elemento meteorologico em analise; cov = covariancia; [q.sub.i] = desvio padrao.

Para verificar se a correlacao entre os elementos meteorologicos em analise foi significativa, a correlacao foi submetida ao teste t de Student, com n-2 graus de liberdade, e nivel de significancia estatistica [alpha] = 0,05. O valor de a indica o risco de concluir por uma correlacao existente, quando na verdade nao existe correlacao. A hipotese de nulidade ([H.sub.0]) adotada, consiste na ausencia de correlacao, ou seja, p = 0, enquanto que a hipotese alternativa ([H.sub.1]) e de que ela existe, definida por p [not equal to] 0. A probabilidade da evidencia contra a hipotese nula foi verificada pelo p-valor.

O p-valor representa a probabilidade dos valores encontrados serem representativos, tendo em vista que a hipotese nula fosse verdadeira. Quando os valores obtidos na analise resultarem em um p-valor menor ou igual ao valor de [alpha] especificado antecipadamente, rejeita-se a hipotese nula. Quando p-valor e maior do que [alpha], a hipotese nula nao pode ser rejeitada. Assim, para p-valor [less than or equal to] [alpha], correlacao e estatisticamente significativa, rejeita [H.sub.0] e a correlacao e diferente de 0. Para p-valor > [alpha], correlacao nao e estatisticamente significativa, nao se rejeita [H.sub.0], e a correlacao nao e diferente de 0.

O teste t de Student foi utilizado para verificar a existencia de diferencas entre a media dos elementos meteorologicos em analise (Eq. 2). A hipotese de nulidade ([H.sub.0]) adotada e de que a diferenca entre as medias e igual a 0; enquanto que a hipotese alternativa ([H.sub.1]) estabelece que a diferenca entre as medias e diferente de 0.

[mathematical expression not reproducible] (2)

Em que: xi = media; [micro] = valor da hipotese nula; [SS.sub.i] (= variancia; n = numero da amostra.

O nivel de significancia adotado para o teste foi a = 0,05, com [n.sub.1]+[n.sub.2]-2 graus de liberdade. A probabilidade de aceitar ou rejeitar a hipotese de nulidade foi avaliada pela veracidade de sua probabilidade, a qual e definida pela razao critica do p-valor. Se o p-valor calculado for maior do que o nivel de significancia [alpha] = 0,05, nao se rejeitar a hipotese nula [H.sub.0].

A hipotese de igualdade das variancias entre as series temporais em analise foi testada pelo teste F (Eq.3), com [n.sub.1] = ([n.sub.x]-l) e [n.sub.2] = ([n.sub.y]-1) graus de liberdades e nivel de significancia [alpha] =0,05 probabilidade. O intervalo de confianca definido pela Eq.4.

F = [[SS.sup.2.sub.y]]/[[SS.sup.2.sub.y]] (3)

ic = [f.sub.x][[SS.sup.2.sub.x]]/[[SS.sup.2.sub.x]]<[f.sub.y][[SS.sup.2.sub.y]]/[[SS.sup.2.sub.x]]

Em que: F = teste F; IC = intervalo de confianca.

O teste de Kolmogorov-Smirnov (K-S) e um teste estatistico nao parametrico o qual foi utilizado para identificar se a distribuicao de duas amostras se diferem. A hipotese nula ([H.sub.0]) adotada neste teste e de que a distribuicao das amostras e extraida da mesma distribuicao. A estatistica do teste e a diferenca maxima absoluta entre as duas funcoes empiricas de distribuicao cumulativa (Eq. 5).

[mathematical expression not reproducible] (5)

Em que: D = teste K-S; F = sao funcoes de distribuicao empiricas das amostras.

A hipotese de nulidade e rejeitada se D calculado for maior do que o valor D criticos, calculado em funcao do numero de amostras (n1, n2) (Eq. 6). Segundo Young (1977), a medida que o numero de amostras aumenta, a diferenca maxima entre as amostras fica menor.

[S.sub.(n)] = [square root of [[n.sub.1]+[n.sub.2]]/[[n.sub.1][n.sub.1]]]

Em que: S(n) = valor critico.

Resultados e discussao

Para o periodo em analise, a temperatura do ar media na floresta conservada foi de 17,21[degrees]C, enquanto que foi observado um aumento de 1,07[degrees]C na temperatura do ar media da floresta degradada (Tabela 1). Os resultados desta pesquisa ratificam os encontrados por Yin, Perry e Dixon (1989) e Santos et al. (2011) em fragmento de floresta urbana e regioes adjacentes com caracteristicas urbanas, em que foram observadas temperaturas maiores do que 1[degrees]C nas regioes adjacentes a floresta.

Os resultados obtidos nesta pesquisa indicaram que houve um efeito significativo no aumento da temperatura do ar em funcao da degradacao da floresta. Resultados similares foram verificados por Yin, Perry e Dixon (1989), Makhelouf (2009), Petralli et al. (2014) e Shojaei et al. (2017).

Essa caracteristica tambem foi observada nas temperaturas extremas maximas, cuja temperatura maxima na floresta degradada foi 5,30[degrees]C maior do que em area conservada. Resultado analogo ao apresentado por Yin, Perry e Dixon (1989) e Martini e Biondi (2015) para fragmento de floresta urbana e os demais ambientes estudados, os quais apresentaram diferenca maior do que 5[degrees]C para as temperaturas maximas.

Essa diferenca ocorre devido a interceptacao da radiacao solar pelas copas das arvores, fazendo com o que a resposta do aquecimento seja menor no interior da floresta. Os resultados obtidos mostram que a degradacao da floresta pode impactar em um aumento significativo na temperatura da cidade do Rio de Janeiro.

A menor temperatura extrema minima foi observada na area de floresta degradada, a qual apresentou temperatura de 9,60[degrees]C, sendo 0,70[degrees]C menor do que na floresta conservada. Os resultados encontrados por Yin, Perry e Dixon (1989) e Galvao (2000) apresentaram-se analogos aos encontrados nesse estudo. No entanto, a diferenca entre as temperaturas minimas entre area de floresta e de pastagem foi maior.

O maior resfriamento noturno apresentado pelo solo sem cobertura e decorrente do resfriamento radiativo, resultado da perda de radiacao de onda longa pela superficie sem cobertura. Na floresta, a presenca de vegetacao faz com que o efeito do resfriamento seja menos eficiente do que em areas sem vegetacao, em que foram observadas as menores temperaturas (Figura 1).

A variabilidade da temperatura do ar diaria apresentou influencia da precipitacao em funcao da cobertura de nuvens, fazendo com que fosse observado reducao da temperatura do ar. No periodo em analise foi observado 21,1 mm a area de floresta conservada e 23,4 mm em na floresta degradada; diferenca em torno de 10% em funcao da proximidade entre as areas em analises e da interceptacao das chuvas pela copa das arvores.

O aquecimento diario observado entre a floresta conservada e degradada mostrou que, em mais de 60% dos dias analisados, a diferenca entre a temperatura do ar medida em floresta conservada e degrada foi maior do que 4[degrees]C. Destes dias, 71,5% apresentaram diferenca entre as temperaturas do ar maior que 5[degrees]C, chegando em um dia ser de 7,6[degrees]C.

As maiores diferencas entre as temperaturas foram observadas no periodo da manha, mas especificamente entre 9 e 11 h, na maioria dos dias, o que tambem foi comprovado por Shojaei et al. (2017). Essa caracteristica ocorre em funcao do aquecimento mais rapido do solo devido a ausencia de cobertura vegetal, que por sua vez aquece o ar adjacente. Resultados semelhantes foram obtidos por Silva, Sa e Mota (2010) para floresta Amazonia.

Para a area de floresta, as maximas temperaturas diarias foram medidas entre 13 e 15 h 30 min, com a maior frequencia no intervalo de 13 h 30 min ate 14 h. Para a area degradada as maximas temperatura diarias foram medidas entre 11 h 30 min e 14h, com maior frequencia coincidindo com os da floresta conservada. No entanto, foi observado um atraso de 30 mim ate 1 h 30 min entre o aquecimento maximo observado em floresta conservada em relacao a floresta degradada.

As principais caracteristicas observadas na temperatura do ar medidas em floresta conservada e degradadas fizeram com que o desvio padrao e a variancia dos dados de temperatura em floresta degradada fossem maiores do que os observados na floresta conservada. Estatistica semelhante foi encontrada por Gage e Cooper (2017) e Shojaei et al. (2017).

O maior desvio padrao demonstra que os valores da serie temporal analisada possuem variacao em relacao a media, com a quantificacao da dispersao mostrada pela maior variancia. Esse resultado se da em funcao da maior amplitude termica apresentada em area degradada, na qual foram observadas as maximas e minimas temperaturas. Deste modo, a variabilidade dos elementos meteorologicos em floresta degradada foi menos uniforme e estavel do que na floresta conservada, que teve o desvio padrao e variancia menor.

A umidade relativa do ar media na floresta conservada apresentou valor de 92,38%, enquanto que na floresta degradada a umidade foi 83,88%, uma reducao de 8,50% (Tabela 2). Para floresta urbana, Martini e Biondi (2015) encontram valores de umidade relativa 16% maior quando comparada com areas adjacentes urbanas.

A variabilidade observada nesse estudo, na umidade relativa do ar, foi semelhante aos valores encontrados por Dantas et al. (2011) para floresta tropical, com valor medio de 88%, oscilando entre maximo e minimo de 97% e 77%, respectivamente. Os resultados apresentados por Galvao (2000) foram analogos aos encontrados nesses estudos.

Os valores maximos da umidade na floresta conservada apresentaram saturacao ou valores muito proximos a saturacao por um maior periodo do que na floresta degradada. Na area degradada, a umidade apresentou valores apenas proximos a saturacao (Figura 2). A variacao observada na umidade do ar apresentou diferenca expressivas entre as areas de medicoes no periodo em analise. Os periodos de saturacao e umidade do ar elevada, em floresta conservada, ocorreram nos periodos posteriores as chuvas.

A maior umidade atmosferica observada na floresta conservada e resultado da interceptacao e infiltracao das chuvas, presenca de nevoeiros, os quais sao comuns na epoca do ano em analise, armazenamento de agua nas copas e no solo. Na area degradada, a umidade proveniente para a atmosfera e decorrente apenas do solo.

Os valores de umidades minimas foram os que apresentaram maior diferenca entre as areas em analise. Enquanto que o valor minimo na floresta conservada foi de 52%, na area de floresta degradada esse valor foi de 28%. Durante o periodo em analise, em apenas 3 dias, em floresta conservada, foi observada umidade relativa do ar menor do que 60%, cujos indices de umidade inferior a esse limiar causa desconforto para a saude humana.

Em floresta degradada, o periodo observado de umidade relativa do ar menor do que 60% foi 3 vezes maior do que em floresta conservada. A variacao diaria mostrou reducao da umidade do ar em area degrada no inicio da manha, por volta das 7 h 30 min, com uma defasagem em torno de 30 mim a 1 h, para que ocorra a reducao em floresta.

Essa reducao se da em torno de uma hora depois do nascer do sol, ja que no periodo de medicao foi realizado no inverno no Hemisferio Sul. Os menores valores de umidade diarios em floresta degradada ocorreram entre 11 h 30 min e 14 h. Para a floresta conservada foi observada a mesma defasagem do periodo na manha entre os valores minimos de umidade observados nas areas de medicao. A degradacao da floresta conservada alem de surtir impactos significativo na diminuicao da umidade relativa do ar, pode impactar diretamente na formacao e distribuicao das chuvas na cidade do Rio de Janeiro.

Essa reducao se da em torno de uma hora depois do nascer do sol, ja que no periodo de medicao foi realizado no inverno no Hemisferio Sul. Os menores valores de umidade diarios em floresta degradada ocorreram entre 11 h 30 min e 14 h. Para a floresta conservada foi observada a mesma defasagem do periodo na manha entre os valores minimos de umidade observados nas areas de medicao. A degradacao da floresta conservada alem de surtir impactos significativo na diminuicao da umidade relativa do ar, pode impactar diretamente na formacao e distribuicao das chuvas na cidade do Rio de Janeiro.

A dispersao apresentada pela umidade em floresta degradada pode ser avaliada pelo desvio padrao e variancia, nos quais se mostraram superiores na floresta degradada. Assim, pode ser ratificado a maior variabilidade da umidade relativa do ar em floresta degradada.

A razao da maior variabilidade observada na floresta degradada advem do grau de armazenamento de energia nas diferentes ocupacoes do solo entre as areas, em que a floreta degradada apresenta solo nu, com alguma vegetacao rasteira que permite receber maior fluxo de energia no solo, apresentando maiores oscilacoes diarias. Para a floresta conservada, a vegetacao intercepta maior parte da energia solar, mantendo maior homogeneidade no interior do dossel.

A estatistica aplicada para testar a hipotese de igualdade entre medias e variancia para a temperatura do ar e umidade do ar, nas areas em analises, mostrou p-valor menor do que o nivel de significancia adotado para todos os testes realizados. Deste modo, foi ratificado que a degradacao de areas de florestas conservada propiciou diferenca estatistica significativa entre a media e a variancia da temperatura do ar e da umidade relativa do ar. A diferenca estatistica para variancia tambem foi encontrada por Gage e Cooper (2017) e Howe et al. (2017).

Os resultados obtidos com a aplicacao do teste estatistico de Kolmogorov-Smirnov ratificaram os resultados apresentados pelos demais testes realizados. Para esse teste, a hipotese de igualdade de distribuicao dos elementos meteorologicos em analise, para as areas de floresta conservada e degrada foi rejeitado.

A correlacao apresentada pela temperatura do ar entre a floresta conservada e floresta degradada mostrou correlacao de p = 0,9340. Esse valor e superior ao encontrado por Howe et al. (2017). Os resultados do coeficiente de Pearson (p) para temperatura mostrou forte correlacao entre as areas analisadas, tendo sido adotada a classificacao de Franzblau (1958). Para umidade relativa, a correlacao demonstrada pelo coeficiente de Pearson foi satisfatoria entre floresta conservada e degradada (p = 0,8920), embora menor do que o obtido para a temperatura do ar devido a maior variabilidade de sua escala.

Os resultados obtidos pelo coeficiente de correlacao mostram que a variabilidade da temperatura do ar entre as areas em analise, assim como a da umidade relativa do ar, estao associadas e apresentam semelhancas na distribuicao dos seus escores. O valor do coeficiente de correlacao proximo de 1, indicando maior grau de dependencia estatistica linear entre as variaveis em estudo. No entanto, a degradacao da floresta fez com que a variabilidade dessas variaveis destoasse, principalmente nos periodos em que sao medidos os extremos dessas variaveis, fazendo com que a correlacao entre elas seja diferente de 1.

Conclusoes

A degradacao da floreta da Tijuca proporcionara impacto significativo para no microclima da floresta, e sobretudo na cidade do Rio de Janeiro, contribuindo para um aumento medio na temperatura do ar maior do que 1[degrees]C, podendo ser maior que 7[degrees]C em uma escala diaria.

A degradacao da floreta da Tijuca induzira uma reducao media de 10% da umidade relativa do ar, tendo em vista que, em alguns periodos diarios, a umidade do ar, em floresta degradada, foi 30% menor do que em floresta conservada.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq), pelo apoio financeiro a esta pesquisa no financiamento do projeto 453876/2014-5. A Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), pela concessao da bolsa de iniciacao cientifica 200.697/2015, e ao Parque Nacional da Tijuca - Instituto Chico Mendes de Conservacao da Biodiversidade (PNT/ICMBio).

Referencias

BOTTALICO, F. et al. Spatially-explicit method to assess the dry deposition of air pollution by urban forests in the city of Florence, Italy. Urban Forestry & Urban Greening, Amsterdam, v. 27, p. 221-234, 2017.

BUYANTUYEV, A.; WU, J. Urban heat islands and landscape heterogeneity linking spatiotemporal variations in surface temperatures to land-cover and socioeconomic patterns. Landscape Ecology, Dordrecht, v. 25, p. 17-33, 2010.

COELHO NETTO, A. L. A interface florestal-urbana e os desastres naturais relacionados a agua no macico da Tijuca: desafios ao planejamento urbano numa perspectiva socio-ambiental. Revista do Departamento de Geografia, Sao Paulo, v. 16, p. 46-60, 2005.

DANTAS, V. A. et al. Fluxos de calor no dossel vegetativo e infiltracao de agua no solo, em floresta tropical. Revista Brasileira de engenharia agricola e ambiental, Campina Grande, v. 15, p. 1266-1274, 2011.

FRANZBLAU, A. N. A primer of statistics for non statisticians. New York: Harcourt, Brace & World, 1958. 150 p.

GAGE, E. A.; COOPER D. J. Urban forest structure and land cover composition effects on land surface temperature in a semi-arid suburban area. Urban Forestry & Urban Greening, Amsterdam, v. 28, p. 28-35, 2017.

GALVAO, J. A. C. Balanco de energia em areas de floresta e pastejem na Amazonia (Ji-Parana, RO). Revista Brasileira de Meteorologia, Sao Jose dos Campos, v. 15, p. 25-37,2000.

GREEN, R. E. et al. A farming and the fate of wild nature. Science, Washington, v. 307, p. 550-555, 2005.

HOWE, D. A. et al. Spatial and temporal variability of air temperature across urban neighborhoods with varying amounts of tree canopy. Urban Forestry & Urban Greening, Amsterdam, v. 27, p. 109-116, 2017.

INTERGOVENMANTEL PANEL ON CLIMATE CHANGE. Climate Change. [S. l.]: The Physical Science Basis, 2013.

KONG, F.; YIN, H.; JAMES, P. Effects of spatial pattern of greenspace on urban cooling in a large metropolitan area of eastern China. Landscape and Urban Planning, Amsterdam, v. 128, p. 35-47, 2014.

MAKHELOUF, A. The effect of green spaces on urban climate and pollution. Iranian Journal of Environmental Health Science & Engineering, [s. l.], v. 6, p. 35-40, 2009.

MARTINI, A.; BIONDI, D. Microclima e conforto termico de um fragmento de floresta urbana em Curitiba, PR. Floresta e Ambiente, Seropedica, v. 22, p. 182-193, 2015.

PETRALLI, M. et al. Urban planning indicators: useful tools to measure the effect of urbanization and vegetation on summer air temperatures. International Journal of Climatology, Chinchester, v. 34, p. 1236-1244, 2014.

PHELAN, P. E. et al. Urban heat island: mechanisms, implications, and possible remedies. Annual Review of Environnment and Resources, [s. L], v. 40, p. 285-307, 2015.

SANTOS, J. S. et al. Caracterizacao do campo termico urbano e suas relacoes com o uso e ocupacao do solo no Campus Central da UFPB. Revista Brasileira de Geografia Fisica, Recife, v. 3, p. 445-462, 2011.

SHOJAEI, P. et al. Effect of different land cover/use types on canopy layer air temperature in an urban area with a dry climate. Building and Environment, Amsterdam, v. 125, p. 451-463, 2017.

SILVA, L. M.; SA, L. D. A.; MOTA, M. U. S. Avaliacao de caracteristicas dos regimes de umidade na Fiona de Caxiuana-PA durante o experimento cobra-Para. Revista Brasileira de Meteorologia, Sao Jose dos Campos, v. 25, p. 1-12, 2010.

TAVARES, A. O.; PATO, R. L.; MAGALHAES, M. C. Spatial and temporal land use change and occupation over the last half century in a peri-urban area. Applied Geography, Amsterdam, v. 34, p. 432-444, 2012.

WANG, M. et al. Assessment of solar radiation reduction from urban forests on buildings along highway corridors in Sydney. Urban Forestry& Urban Greening, Amsterdam, v. 15, p. 225-235, 2016.

XIE, J. et al. Environmental control over seasonal variation in carbon fluxes of an urban temperate forest ecosystem. Landscape and Urban Planning, Amsterdam, v. 142, p. 63-70, 2015.

YIN, X.; PERRY, J. A.; DIXON, R. K. Influence of canopy removal on oak forest floor decomposition. Canadian Journal of Forest Research, Ottawa, v. 19, p. 204-214, 1989.

YOUNG, I. T. Proof without prejudice: use of the kolmogorov-smirnov test for the analysis of histograms from flow systems and other. The Journal of Histochemistry and Cytochemistry, [s. l.] v. 25, p. 935-941, 1977.

Henderson Silva Wanderley (I), Vanessa Claudino Miguel (II)

(I) Meteorologista, Dr., Professor do Departamento de Ciencias Ambientais, Instituto de Floresta, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, BR-465, Km 7, CEP 23897-000, Seropedica (RJ), Brasil, henderson@ufrrj.br (ORCID: 0000-0002-4031-3509)

(II) Estudante de Engenharia Florestal, Instituto de Floresta, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, BR-465, Km 7, CEP 23897-000, Seropedica

(RJ), Brasil, vanessa_clm@hotmail.com (ORCID: 0000-0001-7492-8563)

Submissao: 11/04/2018 Aprovacao: 06/11/2018 Publicacao: 30/06/2019

DOI: https://doi.org/10.5902/1980509832090
Tabela 1--Estatistica da temperatura do ar ([degrees]C) medidos em
floresta conservada e degradada.
Table 1--Air temperature ([degrees]C) statistics measured in preserved
and degraded forest.

                      Temperatura
                      ([degrees]C)
Locais       Maximo   Minimo          Media   Desvio   Variancia
             valor    valor                   padrao

Floresta     26,0     10,3            17,21   2,49      6,18
Conservada
Floresta     31,3      9,6            18,28   3,53     12,49
Degradada

Fonte: Autores (2019)

Tabela 2--Estatistica da umidade relativa do ar (%) medidos em floresta
conservada e degradada.
Table 2--Statistics of relative air humidity (%) measured in preserved
and degraded forest.

                      Umidade
                      relativa
                      do ar(%)
Locais       Maximo   Minimo     Media   Desvio   Variancia
             valor    valor              padrao

Floresta     100      52         92,38    9,31     86,72
Conservada
Floresta      99      28         83,88   16,55    273,96
Degradada

Fonte: Autores (2019)
COPYRIGHT 2019 Universidade Federal de Santa Maria
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2019 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:Artigos
Author:Wanderley, Henderson Silva; Miguel, Vanessa Claudino
Publication:Ciencia Florestal
Date:Apr 1, 2019
Words:4839
Previous Article:Nutritional study of Schinus terebinthifolius (Raddi) in response to potassium fertilization/Estudo nutricional de Schinus terebinthifolius (Raddi)...
Next Article:Fertilidade do solo e estoques de carbono e nitrogenio sob sistemas agroflorestais no Cerrado Mineiro/Soil fertility and carbon and nitrogen stocks...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters