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Morphometrical aspects of Ceraeochrysa paraguaria (Navas, 1920) (Neuroptera: Chrysopidae) feeding on different preys/Aspectos morfometricos de Ceraeochrysa paraguaria (Navas, 1920) (Neuroptera: Chrysopidae) alimentada com diferentes presas.

Segundo Oliveira et al. (2001), para a utilizagao de inimigos naturais em programas de manejo integrado de pragas com o sucesso desejado se faz necessario obter informagoes mais detalhadas sobre as relagoes pragas/ predadores, pragas/parasitoides ou pragas/ patogenos.

Os programas de manejo de pragas tem recebido atengao especial, uma vez que abrangem um conjunto de agoes que visam particularmente a redugao do uso de agrotoxicos na agricultura, o que reflete na melhoria de varios aspectos ambientais e na redugao dos custos de produgao (De Bortoli et al., 2005), sendo que o uso de crisopideos nesses programas depende de alguns fatores biologicos que devem ser determinados pela pesquisa, como densidade do predador e da presa, distribuigao das presas na area alvo do controle, preferencia por presas e especies de presas alternativas disponiveis (New, 1975), alem da influencia de fatores bioticos e abioticos, como a temperatura, por exemplo, como relatado por Pessoa et al. (2004) para C. paraguaria.

De acordo com Brooks & Barnard (1990), os crisopideos constituem a segunda maior familia dentre os neuropteros, com aproximadamente 2000 especies, sendo seus exemplares importantes predadores polifagos e generalistas, compondo importante papel no controle biologico de artropodos-praga (Tauber, 1974; Adams & Penny, 1985; Freitas, 2001a). Em geral esses insetos encontram condigoes de adaptabilidade a diferentes ambientes, o que lhes permite ampla distribuigao geografica (Gitirana Neto et al., 2001).

Alguns estudos visando o emprego desses predadores em programas de manejo integrado de pragas foram, e continuam sendo, desenvolvidos no Brasil, sendo eles, porem, relativamente recentes. Nesse sentido, Carvalho & Souza (2000) citam a utilizagao de crisopideos no controle de Alabama argillacea (Hubner) (Lep., Noctuidae); dos pulgoes Aphis gossypii Glover, Schizaphis graminum (Rondani) e Rhodobium porosum (Sanderson) (Hem., Aphididae); das cochonilhas Coccus sp. (Hem., Coccidae), Orthezia sp. (Hem., Ortheziidae), Pinnaspis sp. e Selenaspidus sp. (Hem., Diaspididae); e do percevejo-de-renda da seringueira Leptopharsa heveae Drake & Poor (Hem., Tingidae).

Dos generos da familia Chrysopidae, Ceraeochrysa Adams apresenta varias especies com grande potencial de utilizagao no controle biologico de pragas, encontrando-se entre elas Ceraeochrysa paraguaria que, segundo Freitas (2001b), e encontrada em culturas de citros e de goiaba, apresentando potencial para controle de pragas associadas a esses cultivos.

Como ainda pouco se sabe a respeito de C. paraguaria, mesmo nao sendo recente sua descrigao, o presente trabalho teve por finalidade estudar aspectos morfometricos da especie, sendo as larvas alimentadas com diferentes presas.

O experimento foi conduzido no Laboratorio de Biologia e Criagao de Insetos do Departamento de Fitossanidade, FCAV-UNESP, Jaboticabal, SP, em condigoes controladas de temperatura (25 [+ or -] 2[degrees]C), umidade relativa (75 [+ or -] 10%) e fotoperiodo (14L:10E). Os ovos de Sitotroga cerealella (Lep., Gelechiidae), Diatraea saccharalis (Lep., Pyralidae) e Anagasta kuehniella (Lep., Pyralidae), utilizados como alimento ("ad libidum") para as larvas nas avaliagoes morfometricas, foram obtidos nas criagoes existentes no referido laboratorio.

Para cada um dos substratos (ovos de S. cerealella, D. saccharalis e A. kuehniella), nas determinagoes morfometricas, foram individualizadas em placas de Petri de 10 cm de diametro 30 (trinta) larvas de C. paraguaria recem-emergidas oriundas da criagao de manutengao do laboratorio. Acompanhandose o desenvolvimento desses insetos foram obtidos os seguintes parametros: comprimento das mandibulas, medido da base ao ponto de convergencia das mesmas; comprimento da capsula cefalica, medido da insergao com o torax ate a base das mandibulas; distancia entre o inicio do primeiro segmento abdominal ate a base das mandibulas; largura da capsula cefalica, medida pela distancia entre os olhos; e peso larval.

Os dados obtidos foram transformados em (x + 0,5)'/, sendo a eles aplicada analise de variancia pelo teste F e as medias comparadas pelo teste de Tukey ao nivel de 5% de probabilidade.

O comprimento medio das mandibulas de larvas de C. paraguaria alimentadas com ovos de D. saccharalis, S. cerealella e A. kuehniella foi menor, para o primeiro e terceiro instares, quando o crisopideo foi alimentado com ovos de D. saccharalis (0,345 e 0,643 mm), sendo os maiores valores encontrados para S. cerealella no primeiro e segundo instar (0,373 e 0,533mm) e para A. kuehiniella no terceiro. Quando as larvas do predador receberam ovos de A. kuehniella como alimento, no 1 instar, o desenvolvimento se mostrou semelhante a D. saccharalis, tendo a razao de crescimento aumentado no 2 e 3 instares para as larvas alimentadas com ovos de A. kuehniella e D. saccharalis, igualando com os individuos alimentados com ovos de S. cerealella (Tabela 1).

As larvas de C. paraguaria, nos tres instares, nao mostraram diferengas significativas entre si quanto ao comprimento da cabega, em relagao aos substratos alimentares utilizados, conforme mostra a Tabela 2.

A distancia medida desde o primeiro segmento abdominal ate a base das mandibulas (torax + cabega) foi maior (0,539 mm) nas larvas alimentadas com ovos de A. kuehniella, no 1 instar, seguido, respectivamente, por S. cerealella (0,473 mm) e D. saccharalis (0,392 mm), que foram estatisticamente diferentes entre si e de A. kuehniella. No 2 instar, as larvas do predador tiveram a dimensao do parametro para S. cerealella de 0,978 mm e A. kuehniella de 0,841 mm, sendo significativamente menos desenvolvido para os individuos que foram alimentados com ovos de D. saccharalis (0,633 mm). As larvas de 3 estadio, para todos os substratos alimentares, apresentaram valores semelhantes para o parametro estudado, evidenciado recuperagao em seu desenvolvimento, particularmente para aquelas alimentadas com ovos de D. saccharalis (Tabela 3).

A largura da capsula cefalica tambem mostrou variagao nos tres estadios larvais de C. paraguaria (Tabela 4). Assim, no 1 instar, larvas alimentadas com ovos de A. kuehniella apresentaram maior valor medio para o parametro (0,427 mm), enquanto que com D. saccharalis foi o menor (0,392mm), sendo esse valor semelhante ao obtido para S. cerealella (0,396 mm). No 2 instar larvas alimentadas com ovos de D. saccharalis continuaram com os menores valores de capsula cefalica (0,473 mm) e diferente de S. cerealella (0,554 mm) e A. kuehniella (0,609 mm). No 3 instar a largura da capsula cefalica foi semelhante para as larvas de C. paraguaria com ovos de D. saccharalis e S. cerealella, enquanto o maior valor foi obtido com A kuehniella.

O tamanho das larvas, medido em fungao peso medio das larvas alimentadas nos tres substratos, foi semelhante no 1 instar, diferindo no 2 e no 3. Foram produzidos individuos maiores com ovos de A. kuehniella (0,0148 e 0,0577 g, respectivamente para o 1 e 2 instares), sendo os mais leves aqueles alimentados com ovos de D. saccharalis (0,0010 e 0,0111 g), enquanto que no 3 instar os pesos medios foram 0,0577 g e 0,0378 g, respectivamente, para A. kuehniella e D. saccharalis, com os ovos de S. cerealella ficando com a posigao intermediaria (Tabela 5).

Os resultados morfometricos encontrados por De Bortoli et al. (2005) com larvas de Ceraeochrysa cincta, tambem alimentadas com ovos de D. saccharalis,S. cerealella e A. kuehniella, sao, em relagao a comparagao entre eles, semelhantes aos encontrados neste trabalho, indicando que a alimentagao diferenciada nao interfere nos parametros medidos, ocorrendo apenas uma modificagao significativa quanto ao peso do inseto na fase larval, mostrando ser os alimentos testados nutricionalmente diferentes para larvas de C. paraguaria, sendo ovos de A. kuehniella o mais adequado, enquanto que os de D. saccharalis foram os menos eficientes. Ovos de A. kuehniella tambem proporcionaram tempo de desenvolvimento ninfal um pouco mais curto, nao mostrando diferenga significativa em relagao a S. cerealella e D. saccharalis.

Referencias

Adams, P.A., Penny, N.D. 1985. Neuroptera of the Amazon Basin. Part IIa. Introduction and Chrysopini. Acta Amazonica 15: 413-479.

Brooks, S.J., Barnard, P.C. 1990. The green lacewing of the world: a generic review (Neuroptera: Chrysopidae). Bulletin of the British Museum (Natural History) Entomology 59: 117-286.

Carvalho, C.F., Souza, B. 2000. Metodos de criagao e produgao de crisopideos. In: Bueno, V.H.P. (Ed.) Controle biologico de pragas: produgao massal e controle de qualidade. Lavras, UFLA, Brasil. p. 91-109.

De Bortoli, S.A., Murata, A.T., Narciso, R.S., Brito, C.H. de. 2005. Aspectos nutricionais de Ceraeochrysa cincta Schneider, 1851 (Neuroptera: Chrysopidae) em diferentes presas. Revista de Agricultura 80(1): 1-11.

Freitas, S. de. 2001a. O uso de crisopideos no controle biologico de pragas. Funep, Jaboticabal, Brasil. 66 p.

Freitas, S. de. 2001b. Criagao de crisopideos (bicho lixeiro) em laboratorio. Funep, Jaboticabal, Brasil. 20 p.

Gitirana Neto, J., Carvalho, C.F., Souza, B., Santa-Cecilia, L.V.C. 2001. Flutuagao populacional de especies de Ceraeochrysa Adams, 1982 (Neuroptera: Chrysopidae) em citros, na regiao de Lavras-MG. Ciencia e Agrotecnologia 25(3): 550-559.

New, T.R. 1975. The biology of Chrysopidae and Hemerobiidae (Neuroptera), with reference to their usage as biocontrol agents: a review. Transactions of the Royal Entomological Society 127: 115-140.

Oliveira, J.E. de M., Torres, J.B., Carrano-Moreira, A.F., Zanuncio, J.C. 2001. Efeito da densidade de presas e do acasalamento na taxa de predagao de femeas de Podisus nigrispinus (Dallas) (Heteroptera: Pentatomidae) em condigoes de laboratorio e campo. Neotropical Entomology 30(4): 647-654.

Pessoa, L.G.A., Leite, M.V., Freitas, S. de, Garbin, G.C. 2004. Efeito da variagao da temperatura sobre o desenvolvimento embrionario e posembrionario de Ceraeochrysa paraguaria (Navas) (Neuroptera: Chrysopidae). Arquivos do Instituto Biologico 71(4): 473-474.

Tauber, C.A., 1974. Systematics of north american chrysopid larvae: Chrysopa carnea group (Neuroptera). The Canadian Entomologist 106: 1133-1153.

Sergio Antonio De Bortoli *, Afonso Takao Murata

Departamento de Fitossanidade, Faculdade de Ciencias Agrarias e Veterinarias, Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal, SP, Brasil

* Autor correspondente, e-mail: bortoli@fcav.unesp.br
Tabela 1. Comprimento medio (mm) das mandibulas de larvas de
ovos de Diatraea saccharalis, Sitotroga cerealella e Anagasta
kuehniella. Ceraeochrysa paraguaria alimentadas com

Alimento larval (ovos)   N    1[grados]   2[grados]   3[grados]
                               instar      instar      instar

Diatraea saccharalis     30    0,345b      0,527a      0,643b
Sitotroga cerealella     30    0,373a      0,533a      0,710a
Anagas takuehniella      30    0,353b      0,513a      0,734a
dms (5%)                        0,017       0,035       0,066
CV (%)                          1,70        3,17        5,47

Medias seguidas de mesma letra, nas colunas, nao diferem entre si
pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. N = numero de
individuos avaliados

Tabela 2. Comprimento medio (mm) da cabega de larvas de
de Diatraea saccharalis, Sitotroga cerealella e Anagasta kuehniella.
Ceraeochrysa paraguaria alimentadas com ovos

Alimento larval (ovos)   N    1 instar     2 instar    3 instar

Diatraea saccharalis     30    0,283a      0,417a      0,530a
Sitotroga cerealella     30    0,287a      0,347a      0,503a
Anagasta kuehniella      30    0,296a      0,458a      0,567a
cdms (5%)                        0,027       0,027       0,049
CV (%)                          2,75        2,60        4,43

Medias seguidas de mesma letra, nas colunas, nao diferem entre si
pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. N = numero de
individuos avaliados

Tabela 3. Distancia media (mm) entre o inicio do primeiro
larvas de Ceraeochrysa paraguaria alimentadas com ovos de
gastakuehniella. segmento abdominal ate a base das mandibulas de
Diatraea saccharalis, Sitotroga cerealella e Anagastakuehniella

Alimento larval (ovos)   N    1 instar     2 instar    3 instar

Diatraea saccharalis     30    0,403a      0,633c      0,897a
Sitotroga cerealella     30    0,473b      0,978a      1,119a
Anagasta kuehniella      30    0,539c      0,841b      1,113a
dms (5%)                        0,033       0,073       0,389
CV (%)                          3,05        5,59        17,01

Medias seguidas de mesma letra, nas colunas, nao diferem entre si
pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. N = numero de
individuos avaliados

Tabela 4. Largura media (mm) da capsula cefalica de larvas
de Ceraeochrysa paraguaria alimentadas com ovos de Diatraea
saccharalis, Sitotroga cerealella e Anagasta kuehniella.

Alimento larval (ovos)   N    1 instar   2 instar   3 instar

Diatraea saccharalis     30    0,392b     0,473c     0,651b
Sitotroga cerealella     30    0,396b     0,554b     0,690b
Anagasta kuehniella      30    0,427a     0,609a     0,726a
dms (5%)                       0,016      0,033      0,058
CV (%)                          1,57       2,99       4,82

Medias seguidas de mesma letra, nas colunas, nao diferem entre
si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. N = numero de
individuos avaliados

Tabela 5. Peso medio (g) de larvas de Ceraeochrysa paraguaria
alimentadas com ovos de Diatraea saccharalis, Sitotroga
cerealella e Anagasta kuehniella.

Alimento larval (ovos)   N    1 instar   2 instar   3 instar

Diatraea saccharalis     30   0,0010a    0,0111c    0,0378c
Sitotroga cerealella     30   0,0011a    0,0120b    0,0492b
Anagasta kuehniella      30   0,0012a    0,0148a    0,0577a
dms (5%)                       0,0024     0,0005     0,0041
CV (%)                          3,00       6,00       4,80

Medias seguidas de mesma letra, nas colunas, nao diferem entre
si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. N = numero de
individuos avaliados
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Title Annotation:Nota cientifica
Author:De Bortoli, Sergio Antonio; Murata, Afonso Takao
Publication:Comunicata Scientiae
Date:Jul 1, 2011
Words:2092
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