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Morphological description of the collateral visceral branches from abdominal aorta of squirrel monkey/Descricao morfologica dos ramos colaterais viscerais da aorta abdominal do macaco-de-cheiro.

INTRODUCAO

O territorio brasileiro possui a maior diversidade de primatas do mundo. Sao 120 especies e subespecies. Desse total, 70% estao na Amazonia, o que confere a essa regiao um verdadeiro atrativo para estudos da biodiversidade (DEL-CLARO & FABIO, 2003). O estudo de primatas nao humanos tem se tornado bastante importante para inumeras pesquisas. Por outro lado, o conhecimento detalhado de sua anatomia pode representar um fator primordial para sua preservacao, visto que tais informacoes podem ajudar na conservacao das especies (TEIXEIRA, 2005).

O Saimiri sciureus, conhecido como macaco-de-cheiro ou mao-de-ouro, habita em florestas primarias, secundarias, secas, tropicais de terra firme e nas temporariamente inundadas, em diferentes nichos ecologicos. Possui habitos diurnos, sendo caracterizado por apresentar pelagem curta e espessa na cor verde-amarelada e extremidades amarelas; com cabeca arredondada e saliente na parte posterior, focinho curto e preto, com as orelhas arredondadas, dedos bem desenvolvidos com unhas planas, cauda nao preensil, dentes incisivos verticais e caninos grandes (AURICCHIO, 1995; COSTELLO et al., 1997). Essa especie nao faz parte da lista de animais ameacados de extincao, de acordo com o IBAMA (2003).

Devido a falta de literatura disponivel referente a ramificacao da aorta abdominal em primatas, foram utilizadas informacoes de outros mamiferos sobre o assunto para a confeccao da discussao. Foram encontradas descricoes a esse respeito no ratao do banhado (Myocastor coypus) (CULAU et al., 2008), suinos, coelhos, caes e ovinos (EVANS & DE LAHUNTA, 1994; GHOSHAL, 1986; KONIG & LIEBICH, 2004), em cutias (CARVALHO et al., 1999) e no ourico-cacheiro (Sphiggurus spp.) (MACHADO & ZIEMMAN, 2000).

Este trabalho teve como objetivo sistematizar e descrever os ramos colaterais viscerais da aorta abdominal em Saimiri sciureus.

MATERIAL E METODO

Foram estudados seis exemplares de Saimiri sciureus, sendo tres machos e tres femeas, que vieram a obito por causas naturais, provenientes do Centro Nacional de Primatas--CENP, Ananindeua--PA, aprovado em Comite de etica, Registro CEPAN--008/ 2010 (Comite de Etica em Pesquisa Animal do Instituto Evandro Chagas- Ananindeua- PA).

Os animais foram dissecados em nivel de arco aortico, atraves do 5[degrees] espaco intercostal esquerdo, o qual foi canulado e injetado solucao de latex Neoprene 650, corado com pigmento vermelho e adicionado de contraste baritado para visualizacao dos vasos por meio de radiografia. Em seguida, os animais foram fixados e conservados com solucao aquosa de formol a 10% por um periodo minimo de 48h. Decorrido esse periodo, os animais foram radiografados. O equipamento utilizado nessa tecnica e da marca Intecal[R], modelo CR-7 e potencia de 100kV e 100mA. Foram utilizados filmes de 24x30cm da marca AGFA[R], mantendo uma distancia de 90 cm entre o foco e o filme, com uma exposicao de 50kV, 100mA e tempo 0,2 segundos e as radiografias foram processadas manualmente. Esse metodo foi utilizado para complementar os resultados obtidos com a dissecacao e algumas das ramificacoes da aorta abdominal nao foram visualizadas por meio dessa tecnica devido a sobreposicao dessas ramificacoes. Apos a analise radiografica, os animais foram dissecados para a exposicao das arterias em estudo. Para isso, foi feita uma incisao na cavidade abdominal, permitindo acesso aos ramos da aorta, os quais foram cuidadosamente dissecados e confeccionados desenhos esquematicos, representativos da localizacao e origem dos ramos colaterais da aorta abdominal.

Toda nomenclatura adotada foi baseada na Nomina Anatomica Veterinaria (INTERNATIONAL COMMITTEE ON VETERINARY GROSS ANATOMICAL NOMENCLATURE, 2005).

RESULTADOS

A aorta abdominal do S. sciureus apresentou origem em T12, emergindo na cavidade abdominal apos atravessar o hiato aortico entre os pilares do diafragma, acompanhando o teto do abdome e relacionando-se com a veia cava caudal a sua direita e com os musculos psoas a sua esquerda.

A primeira ramificacao que surge na aorta abdominal (Figuras 1A e B, 2A e B) e a arteria celiaca (Figuras 1B e 2B) que, por sua vez, emite tres ramos (arteria hepatica, arteria gastrica esquerda e arteria lienal) (Figuras 1B e 2A). A arteria gastrica esquerda vasculariza o fundo e a regiao cardica do estomago e emite ramos esofagicos, sendo a regiao pilorica vascularizada pela arteria gastrica direita. A arteria hepatica dirige-se para o figado e emite tres ramos colaterais: os ramos pancreaticos, a arteria gastrica direita e a gastroduodenal. Essa ultima se divide em arteria gastrepiploica direita e pancreaticoduodenal cranial. A arteria lienal, o maior ramo da arteria celiaca, emite quatro ramos que vao irrigar o pancreas (ramos pancreaticos), o baco (ramos esplenicos) e o estomago (arterias gastricas curtas e arteria gastrepiploica esquerda). A arteria gastroepiploica esquerda avanca para a direita terminando na arteria gastroepiploica direita. A arteria adrenal esquerda tem origem na arteria celiaca e a arteria adrenal direita tem origem na arteria renal direita.

[FIGURE 1 OMITTED]

A arteria mesenterica cranial (Figuras 1A, 1B, 2A, B e C) aparece como a segunda ramificacao da aorta, surgindo ao nivel de L2 na face ventral da aorta abdominal. Trata-se de um grande vaso impar que passa ventralmente pela veia cava caudal e penetra no mesenterio. As arterias renais direita e esquerda (Figuras 1A e B, 2A) tiveram origem entre L2 e L3. A arteria mesenterica caudal (Figuras 1B, 2A e C) originouse em L3 na face ventral da aorta abdominal, apresentando uma extensao muito maior do que a arteria mesenterica cranial e suprindo a maior parte do colon maior e o reto.

As arterias iliacas externas surgem da bifurcacao da aorta ao nivel de L6. As arterias iliacas externas direita e esquerda (Figuras 1A e B, 2C e 3B) dao origem as arterias iliacas internas direita e esquerda (Figuras 1A e B, 2C e 3B) e respectivas arterias femorais (Figuras 1A e B e 2C). As arterias testiculares ou ovaricas (Figuras 1B, 3B e C) tem origem na face medial das arterias iliacas internas. As arterias ovaricas sao longas e delgadas, direcionando-se cranialmente para irrigar os orgaos-alvos (tubas uterinas e ovarios). As arterias testiculares sao curtas e delgadas e se direcionam medialmente para irrigar os testiculos, epididimos e ductos deferentes. A continuidade da aorta abdominal apos a bifurcacao em arterias iliacas externas da origem a arteria sacral mediana (Figuras 1A e B, 2C e 3B).

[FIGURE 2 OMITTED]

DISCUSSAO

Existem relatos quanto a origem da arteria celiaca no ratao do banhado, que pode ter origem comum com a arteria mesenterica cranial ou separada desta (MACHADO et al., 2002a). Essas arterias originam-se independentemente uma da outra em suinos, coelhos e caes, mas por tronco comum em ovinos (GHOSHAL, 1986; KONIG & LIEBICH, 2004). Neste trabalho, nao ocorreu, em nenhum caso, a formacao de um tronco comum entre as arterias celiaca e mesenterica cranial. A arteria celiaca do Saimiri sciureus e o primeiro ramo visceral, no sentido craniocaudal. E curta, de grande calibre e apresenta tres ramos com mesma origem: a arteria hepatica, a arteria gastrica esquerda e a arteria lienal e, da mesma forma, EVAN S & DE LAHUNTA (1994) a descreveram no cao.

Nesta pesquisa, a arteria adrenal esquerda tem origem na arteria celiaca e a arteria adrenal direita origina-se da arteria renal direita, diferindo dos relatos da literatura. No ratao-do-banhado, as arterias adrenais recebem vascularizacao distinta para o lado direito e esquerdo. Para a glandula adrenal direita, destinam-se ramos provenientes das arterias frenica caudal direita, abdominal cranial direita, renal direita, primeira arteria lombar e aorta abdominal. Ja para a glandula adrenal esquerda, existem ramos oriundos das arterias renal esquerda, aorta abdominal, abdominal cranial esquerda e segunda arteria lombar (MACHADO et al., 2002a). No cao, as arterias adrenais tem origem em locais diferentes e de maneira variavel. Os ramos adrenais, cranial e caudal, normalmente surgem da arteria frenicoabdominal ou da arteria frenico caudal e da arteria renal, respectivamente. Entretanto, elas podem originarse da arteria lombar, da arteria celiaca e da mesenterica cranial. A arteria adrenal media, a principal supridora da glandula, tem origem na aorta abdominal ou na arteria renal (GETTY, 1986; DONE et al., 2002).

[FIGURE 3 OMITTED]

A arteria mesenterica cranial foi o vaso de maior calibre no S. sciureus e tem origem proxima e caudalmente a arteria celiaca, na superficie ventral da aorta abdominal. Segue em direcao ao mesenterio, onde origina seus ramos para suprir principalmente a metade caudal do duodeno, ate a parte cranial do colon descendente (GHOSHAL, 1986). Quanto a sua origem, ventral a aorta, a arteria mesenterica cranial foi relatada nos animais domesticos, no rato de laboratorio, no ourico-cacheiro (Sphiggurus spp.) e no ratao-dobanhado (Myocastor coypus) (GHOSHAL, 1986; HEBEL & STROMBERG, 1986; MACHADO & ZIEMMAN, 2000; MACHADO, et al., 2006).

Caudalmente a origem da arteria mesenterica cranial, a aorta abdominal emitiu lateralmente as arterias renais direita e esquerda, que se tratam de vasos calibrosos no S. sciureus. A arteria renal direita surge ligeiramente mais cranial que a esquerda, em conformidade com a posicao mais cranial do rim direito, assemelhando-se ao que ocorre nos caes (GHOSHAL, 1986).

Em cutias adultas, a arteria mesenterica caudal bifurca em arteria colica esquerda e arteria retal cranial (CARVALHO et al., 1999). No cao, a arteria mesenterica caudal, impar, e pequena e surge ventralmente da aorta abdominal. Supre as partes media e caudal do colon descendente e a parte cranial do reto. Apos percurso de cerca de cinco centimetros, ela se divide nas arterias colica esquerda e retal cranial (GHOSHAL, 1986). Essa disposicao da arteria mesenterica caudal foi a mesma encontrada no Saimiri sciureus, somente sua origem mais cranial e seu comprimento mais longo a torna diferente das outras especies.

No S. sciureus, as arterias testiculares ou ovaricas apresentaram localizacao diferenciada do descrito na literatura para as especies domesticas (GHOSHAL, 1986) e para o macaco Rhesus (GINTHER et al., 1974), tendo origem nas arterias iliacas internas, sendo que as arterias ovaricas se dirigiram cranialmente e as testiculares dirigiram-se medialmente. Essa caracteristica diferiu nas especies citadas, nas quais as arterias testiculares ou ovaricas sao vasos pequenos, emitidos ventrolateralmente da aorta abdominal, aproximadamente a meio caminho entre as arterias renais e mesenterica caudal. Elas apresentaram origem cranial, seguindo em sentido caudal para irrigar os ovarios e tubas uterinas ou, no caso dos machos, os testiculos, epididimos e os ductos deferentes.

A arteria ovarica no S. sciureus apresentouse tortuosa como na vaca e na ovelha (DEL CAMPO & GINTHER, 1973), sendo relativamente reta em equinos (GINTHER & BISGARD, 1972) e suinos (DEL CAMPO & GINTHER, 1973). Com relacao a topografia dos orgaos reprodutores femininos do S. sciureus, ela difere das especies domesticas, pois apresenta os ovarios localizados na parte caudal da cavidade abdominal, semelhante a especie humana (VALERIUS, 2009), enquanto que, nas especies domesticas, esses orgaos se encontram na cavidade abdominal, proximos aos rins (EVANS & DE LAHUNTA, 1994).

A arteria testicular no S. sciureus apresentou trajeto curto e direcionado medialmente, diferentemente do encontrado para as especies domesticas, as quais sao longas e delgadas e se originam entre as arterias renais e a mesenterica caudal (GHOSHAL, 1986).

Os ramos terminais da aorta abdominal foram as arterias iliacas externas e a sacral mediana. A arteria iliaca externa bifurca-se, dando origem a arteria iliaca interna e a arteria femoral em ambos os lados. A arteria sacral mediana trata-se do ramo terminal da aorta abdominal. Essa conformacao difere dos relatos em carnivoros, onde a arteria iliaca externa surge como ramo na face lateral da aorta abdominal. Tambem e diferente dos ruminantes, nos quais a aorta se bifurca na arteria iliaca externa e interna e a sacral mediana aparece como ramo da interna (GHOSHAL, 1986). No gamba, a aorta abdominal termina como arterias iliacas comuns, as quais emitem as arterias iliacas interna e externa como ramos. Ja, no rato, as arterias iliacas comuns lancam a arteria iliaca interna e continuam como arteria iliaca externa, fato tambem observado na nutria (Myocastor coypus), sendo que a arteria sacral mediana, nesses animais, e ramo da face dorsal da aorta abdominal, antes da divisao terminal (CULAU et al., 2008).

CONCLUSAO

Os ramos colaterais do Saimiri sciureus emitidos direto da aorta abdominal sao as arterias viscerais: celiaca, mesenterica cranial, renais e mesenterica caudal. Os ramos terminais sao as arterias iliaca externa, a sacral mediana e a caudal mediana. As testiculares ou ovaricas tem origem nas arterias iliacas internas.

REFERENCIAS

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VALERIUS, K.P. Atlas de anatomia. Sao Paulo: Grupo Editorial Nacional, 2009. 592p.

Maria Rogeria Menezes da Silva (I) Ana Rita Lima (I) * Antonio Carlos Cunha Lacreta Junior (I) Mirian Naomi Ishizaki (I) Aline Amaral Imbeloni (II) Jose Augusto Pereira Carneiro Muniz (II) Erika Renata Branco (I)

(I) Instituto de Saude e Producao Animal (ISPA), Faculdade de Medicina Veterinaria, Universidade Federal Rural da Amazonia (UFRA), Avenida Presidente Tancredo Neves, n.2501, Bairro Montese, 66077-530, Belem, PA, Brasil.E-mail: ana.lima@ufra.edu.br * Autor para correspondencia.

(II) Centro Nacional de Primatas (CENP), Instituto Evandro Chagas (IEC), Secretaria de Vigilancia em Saude (SVS), Ministerio da Saude (MS), Ananindeua, PA, Brasil.

Recebido para publicacao 04.05.10 Aprovado em 01.11.10 Devolvido pelo autor 20.12.10 CR-3526
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Author:da Silva, Maria Rogeria Menezes; Lima, Ana Rita; Lacreta, Antonio Carlos Cunha, Jr.; Ishizaki, Miria
Publication:Ciencia Rural
Date:Jan 1, 2011
Words:2750
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