Printer Friendly

Moraic estructure change from Latin to Portuguese/Mudanca de estrutura moraica do latim ao portugues.

Introducao

A silaba em latim e geralmente caracterizada, por estudos mais tradicionais, como uma sequencia de sons (COUTINHO, 1958; FARIA, 1955; SILVA NETO, 1957; LAUSBERG, 1963). Alem disso, a simplificacao de vogais longas ou de consoantes geminadas e o apagamento de consoantes pos-vocalicas sao processos descritos como processos separados e sem se fazer mencao aos efeitos desses fenomenos nas linguas romanicas.

Diante desse panorama, e do pressuposto de que as referidas mudancas dizem respeito a mora, o presente artigo trata dos efeitos da mudanca de estrutura moraica do latim ao portugues sob a otica da Fonologia das Moras (HAYES, 1989), mais precisamente da perda da quantidade vocalica (vogais longas) e da quantidade consonantal (consoantes geminadas e pos-vocalicas), interpretadas como um unico processo, qual seja, mudanca de estrutura moraica.

Teoria das Moras

Hayes (1989) assevera que o tier prosodico e constituido por unidades de peso, isto e, por moras. A mora representa duas questoes importantes nessa teoria: (i) o contraste entre silabas pesadas ([mu][mu]), que tem duas moras, e silabas leves (u), que tem uma mora; (ii) a forma de representacao de uma posicao fonologica por meio da mora, ou seja, um segmento longo e representado como duplamente associado, ao passo que um segmento simples e representado atraves de uma unica linha de associacao. A teoria das moras, portanto, nao e uma teoria segmental, nao ha processos fonologicos que contam segmentos, mas que contam moras ou silabas. A silaba, dentro dessa abordagem, nao apresenta onset e rima, somente moras.

Algumas linguas permitem silabas pesadas, mas nao permitem que a vogal ocupe duas moras, como o portugues. De outra maneira, uma lingua pode ter silaba pesada composta por vogal longa e nao contar silabas travadas por consoante como pesadas.

O latim, por exemplo, possui vogais longas e vogais curtas, assim como silabas pesadas (CVV e CVC) e silabas leves (CV), ao passo que o portugues possui somente vogais curtas. Em latim, varias regras e restricoes identificam CVC como silaba pesada, tais como atribuicao de acento, metrica e encurtamento iambico. Ja para o lardil, apenas CVV e pesada, CVC e CV sao silabas leves. Processos de truncamento, aumento e reduplicacao sao fenomenos que identificam CVC como silaba leve nessa lingua. Percebemos, pois, que a estrutura moraica e variavel entre as linguas. A mora, entao, passa a ser objeto de pesquisa de muitos autores que se preocupam com o peso e a quantidade silabica, como Pulleyblank (1994), Lahiri, Riad e Jacobs (1999), Moren (1999), Cohn (2003), Magalhaes (2004), Oostendorp (2005), Elfner (2006), Brennan (2008), dentre outros.

As questoes mais importantes para a Teoria das Moras sao as seguintes: (i) como as linguas atribuem estrutura morica?; (ii) que estrutura moraica e contrastiva fonologicamente? Acrescentamos, nesse momento, uma indagacao: Quais sao os efeitos da mudanca de estrutura moraica diacronicamente?

Em linguas nas quais ha uma distincao quantitativa, vogais longas possuem duas moras e vogais curtas, uma mora, como nos exemplos (1) e (2) respectivamente. As consoantes simples sao representadas, na subjacencia, sem status moraico, ou seja, a esses elementos nao sao atribuidas moras, da mesma maneira, o glide nao possui mora, como vemos nos exemplos (3) e (4).

(1) Vogal curta /i/

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

(2) Vogal longa /i:/

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

(3) Consoante simples

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

(4) Glide

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

As geminadas recebem uma mora na subjacencia, como vemos em (5), para distingui-las das consoantes simples, exemplo (6).

(5) Geminadas

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

(6) Consoantes simples

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

A consoante simples, quando pos-vocalica, recebe mora por Weight by position: "coda consonants are given a mora when they are adjoined to the syllable" (1) (e atribuida uma mora as consoantes em coda quando adjungidas a silaba). Weight by position e uma regra especifica de lingua que se aplica nas linguas para as quais CVC e pesada, em linguas nas quais CVC e leve, a regra nao se aplica. A representacao esta em (7).

(7) Weight by position

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Se, em uma lingua, apenas um grupo de consoantes e capaz de dar peso a silaba quando em posicao de coda, isso deve ser informado em p. Em latim, lingua na qual CVC e uma silaba pesada, Weight by position atribui uma mora a consoante na coda silabica, em lardil, por exemplo, nao ha uma regra desse tipo e a consoante pos-vocalica e associada a mora precedente. Weight by position e referido por muitos estudiosos a partir da proposta de Hayes (1989), tais como Gordon (1999), Rosenthal e Hulst (1999), dentre outros.

Segundo Hayes (1989), a silabificacao consiste, primeiramente, na selecao de segmentos moraicos, respeitando a sonoridade, para ocupar o nucleo silabico, exemplo (8), apos esse passo, a silaba e atribuida, como em (9).

(8) Formas subjacentes

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

(9) Atribuicao de [sigma]

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

A partir disso, ainda respeitando a sonoridade, as consoantes sao adjungidas ao onset do no da silaba, como em (10).

(10) Adjuncao de consoantes pre-vocalicas

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

As consoantes pos-vocalicas sao associadas via Weight by Position, como (11) representa. A geminada possui uma mora na subjacencia, por isso fica associada a silaba precedente e a silaba seguinte, exemplo (12d). Consoantes pos-vocalicas em silabas duplamente travadas sao adjungidas atraves de Adjuncao de segmentos restantes, sem conferir peso a silaba, exemplo (12c).

(11) Adjuncao por Weight by Position

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

(12) Adjuncao de segmentos restantes

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

A preocupacao com relacao a quais segmentos podem portar mora e de que maneira se da a atribuicao de estrutura moraica esta presente em muitos trabalhos que se reportam a vogais longas e geminadas em contraposicao a vogais curtas e consoante simples em diferentes linguas, tais como Chung (1997), Hume, Muller e Engelenhoven (1997), Moren (1999), Arvaniti (2001), Curtis (2003), Gore (2003), Brown (2003), McCray (2006), Onzi (2007), Gordon et al. (2008), Odden (2010).

Como o objetivo deste trabalho e dar conta da resolucao da perda de quantidade vocalica e de quantidade consonantal na passagem do latim ao portugues como um unico processo, qual seja, mudanca de estrutura moraica, o alongamento compensatorio se mostra um processo de conservacao de mora, assim como a geminacao consonantal e a ditongacao. Autores como Gasiorowski (1993), Kavitskaya (2002), Lunden (2006) e Shaw (2008) tratam de alongamento compensatorio de acordo com os pressupostos de Hayes (1989). (2)

Alongamento compensatorio e definido por Hayes (1989) como alongamento de um segmento engatilhado pelo apagamento ou encurtamento de um segmento vizinho. O autor trata dos seguintes tipos de alongamento compensatorio: (i) alongamento "double flop"; (ii) alongamento por perda vocalica; (iii) alongamento por formacao de glide; (iv) alongamento managerial. Todos esses fenomenos se caracterizam por serem processos de conservacao de mora. Vejamos um exemplo de alongamento compensatorio por perda consonantal em (13), no qual a vogal e alongada para compensar o apagamento de /s/.

(13) Alongamento compensatorio porperda consonantal em latim
*kasnus (4)  ka:nus     Cinza
*kosmis      ko:mis     Afavel
*fideslia    fide:lia   Pote


O problema residenofatode/s/ inicial apagar sem engatilhar alongamento vocalico, em latim, como podemosverem (14). SegundoHayes (1989), a Teoria das moras da tratamento adequado ao apagamento de /s/ em ambas as situacoes em latim: silabas do tipo CVC em latim sao pesadas, por conta disso, /s/ em posicao de coda e portador de mora, ao passo que /s/ em posicao de onset nao possui mora.

(14) Perda consonantal sem alongamento compensatorio
*smereo       mereo      "eu mereco"
*snurus       nurus      "nora"
*slu:bricus   lubricus   "escorregadio"


Quando ocorre o apagamento, a mora da consoante elidida permanece flutuante e e associada a vogal precedente, resultando um segmento vocalico longo, exemplo (15). Como/s/ inicial nao carrega mora, o apagamento desse elemento nao deixa mora desassociada e nao provoca alongamento compensatorio.

(15) Alongamento compensatorio por perda consonantal

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Entretanto, Hayes (1989)observa que o alongamento vocalico compensatorio nao e geral, pois ha linguas nas quais o mesmo nao se aplica, razao pela qual o autor nao o considera um fenomeno exclusivo das moras, mas tambem da silaba.

Algumas linguas nao alongam a vogal, mas alongam a consoante a esquerda ou a direita, criando uma geminada. De que maneira dar o status universal a um comportamento tao variavel das linguas?

Hayes (1989) argumenta que, se o alongamento compensatorio fizer parte dos Principios Universais de Silabificacao, o carater universal e a variabilidade sao garantidos. Os Principios Universais de Silabificacao sao os seguintes: (i) Licenciamento Prosodico: os elementos prosodicos de um nivel mais alto, como as moras, devem estar associados a constituintes mais altos na hierarquia prosodica; (ii) Stray Erasure: elementos que nao sao associados, sao apagados no final da derivacao; (iii) Parasitic Delinking: toda a estrutura da silaba deve ser deletada quando a silaba nao contiver um elemento nuclear. Os mecanismos de alongamento estao inseridos na silabificacao se licenciarem moras vazias. Dessa maneira, o universal e o variavel fazem parte da teoria.

O peso silabico e tratado como uma oposicao binaria, isto e, [mu][mu] e o maximo de moras que uma silaba pode carregar. Mesmo que haja consoantes adjungidas a silabas do tipo CVC e CVV, essas consoantes sao agregadas a ultima mora e nao dao mais peso a silaba de acordo com a teoria.

Essa limitacao de duas moras faz predicoes interessantes, por exemplo, o apagamento de uma consoante em uma silaba duplamente travada nao engatilha alongamento compensatorio. Entretanto, Hayes (1989) apresenta alguns argumentos que comprovariam a existencia de silabas trimoraicas em algumas linguas. A manutencao da bimoraicidade em detrimento da trimoraicidade sera objeto de discussao desse trabalho mais adiante.

O processo de alongamento compensatorio se aplica em silabas duplamente travadas em protogermanico. Nessa lingua, o apagamento de uma consoante [n], antes de [x], provoca o alongamento em silabas duplamente travadas, mesmo que sejam nao finais: *[theta]anxta[right arrow]*[theta]a:xta. Essa mudanca nao pode ser explicada sem que consideremos a silaba em questao trimoraica.

O segundo argumento e baseado no fato de distincoes de peso silabico referidas por algumas regras de acento levarem em conta silabas trimoraicas. E o que ocorre em silabas superpesadas em Hindi (CVVC, CVCC). Essas silabas sao tratadas de maneira diferente das silabas pesadas (CVV, CVC). Nessa lingua, as silabas superpesadas comportam-se como sequencias de silaba pesada + silaba leve em qualquer lugar da palavra.

A existencia de silabas trimoraicas ainda e sustentada por um terceiro argumento: algumas linguas apresentam uma distincao de duracao vocalica tripartida (/V/ - /V:/ - /V: :). Hayes (1989) assevera que alguns dialetos do alemao possuem essa distincao. Historicamente, segundo o autor, essa distincao teria se originado no processo de alongamento compensatorio por conta do apagamento da vogal seguinte. Percebemos que as silabas trimoraicas sao resultado de alguma operacao morfologica ou fonologica. O latim nao esta inserido nas situacoes apontadas por Hayes (1989), que tambem nao aplica a teoria a dados diacronicos.

A analise que sera apresentada da evolucao da quantidade vocalica e consonantal, que diz respeito a estrutura moraica do latim ao portugues, tomara os pressupostos da Fonologia das Moras. (4) Questoes como variacao da estrutura moraica em latim, conservacao e perda de mora, efeitos de Stray Erasure, Parasitic Delinking e Weigth by Position serao discutidas.

Efeitos da mudanca de estrutura moraica do latim ao portugues

Este estudo se concentra na evolucao da estrutura moraica, especialmente das vogais longas e das consoantes geminadas, bem como das consoantes pos-pico do latim classico e de seu reflexo em portugues. E sabido que o latim classico apresenta uma distincao fonologica entre vogais longas e vogais curtas e entre consoantes simples e consoantes geminadas. Todavia, na variedade latim vulgar, a distincao efetiva entre as vogais longas e curtas comeca a enfraquecer, apresentando, desde entao, variacao entre a consoante dupla e sua correspondente simplificada e entre a vogal longa e vogal curta.

A distincao da quantidade vocalica se perde na passagem do latim as linguas romanicas com resultados diferentes nas linguas derivadas. (5) Com relacao a quantidade consonantal, das dez linguas que compoem a Romania--portugues, espanhol, frances, italiano, romeno, sardo, provencal, catalao, dalmata e retoromano (RENZI, 1982)--, apenas o italiano e o sardo preservam as consoantes geminadas, ao passo que as demais linguas as simplificaram.

Tomando como pressuposto Hayes (1989), assumimos que a evolucao da quantidade vocalica e da quantidade consonantal, comumente tratados como fenomenos separados, pode ser explicada via Fonologia das Moras como um so fenomeno. Interessa-nos, pois, explicar a mudanca da estrutura moraica na passagem do latim--lingua de sistema quantitative--ao portugues--lingua advinda do sistema italico ou vulgar (LAUSBERG, 1963).

Com base no modelo de Hayes (1989), passamos a caracterizar a atribuicao da estrutura moraica do latim de (17) a (118) em termos de tres camadas: silaba ([sigma]); mora ([mu]); segmentos.

O elemento mais sonoro, a vogal, recebe uma mora que vai ser dominada pelo no da silaba e a consoante e associada ao no da silaba como onset, como vemos em (16).

(16) elementum (elemento)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Em latim, tanto a vogal longa, quanto a consoante em coda contribuem para o peso silabico, como veremos a seguir. No exemplo abaixo, as vogais, elementos mais sonoros, recebem mora subjacentemente e a consoante pre-pico e adjungida, constituindo-se a estrutura silabica, como podemos perceber em (17).

(17) do (dou)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Em latim, a consoante que fecha a silaba contribui para o peso. De acordo com a teoria, essa consoante porta mora via Weigth by Position, como mostra (18), pois, diferentemente das vogais, nem todas as consoantes sao portadoras de mora, mas somente aquelas que se situam a direita do pico.

(18) bulga (bolsa)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

No exemplo (18), a mora e atribuida a vogal, formando a silaba. A consoante pre-vocalica e associada ao no da silaba, sem contribuir para o peso, e a consoante pos-vocalica e adjungida via Weigth by Position, isto e, ocupa uma posicao moraica, resultando em uma silaba bimoraica.

Hayes (1989) defende a ideia de que a silaba e maximamente binaria, nao importando quantas consoantes sejam associadas a silabas CVV ou CVC. Entretanto o autor afirma que silabas trimoraicas podem ocorrer em situacoes especificas, como as que seguem: (i) CL (6) nao e bloqueado em silabas duplamente travadas (protogermanico); (ii) algumas linguas fazem referencia a regras de acento que requerem silabas trimoraicas (hindi); (iii) algumas linguas apresentam gradiencia de distincao vocalica--/V/, /V:/, /V::/ (dialetos germanicos); (iv) em alguns casos, a metrica quantitativa identifica a trimoraicidade (persa). (7) A discussao sobre o carater binario ou nao da estrutura moraica das silabas nao e ponto pacifico, a passagem que segue se detem nesse aspecto.

Os monossilabos spes (esperanca) e cras (amanha) poderiam ser um contraargumento a ideia de que as silabas sejam maximamente bimoraicas, pois duas moras antecedem a consoante, ou seja, temos uma sequencia de vogais longas seguidas de consoantes simples em coda. Harris (1983), em situacao semelhante, para o espanhol, afirma que o /s/ e associado via Regra de adjuncao a estruturas silabicas prontas. Hayes (1989) estende esse procedimento a qualquer consoante que extrapole a estrutura binaria. A isso, o autor chama de Regra de Adjuncao de Elementos Restantes, como exemplificamos em (19).

(19) pes (pe)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Em latim, no entanto, ha silabas compostas por ditongo seguido de geminada e silabas compostas por vogal longa seguida de geminada. Nesse caso, a questao da silaba trimoraica parece ressurgir.

(20) paullum (um pouco)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

(21) penna (pena)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Nos exemplos (20) e (21), as vogais longas recebem duas moras, assim como os ditongos seguidos de geminada da qual uma folha constitui a terceira mora da silaba e a outra constitui o onset da silaba seguinte. A estrutura trimoraica que faz parte do sistema do latim classico nao e uma estrutura derivada como depreendemos das formas que seguem: villica, villico, mille, millia, stelliger, sternma, stello, swllaris, paullo, paullus.

Os argumentos para sustentar essa afirmacao sao os seguintes: (i) a geminada e um elemento ao qual e atribuida uma mora na subjacencia, por conseguinte, ao ser acrescentada a uma estrutura bimoraica, cria uma estrutura trimoraica; (ii) a variacao encontrada em latim vulgar tem como caracteristica reduzir a estrutura trimoraica do latim classico a bimoraica atraves da reducao da vogal longa ou da simplificacao da geminada: pena-penna. A silaba trimoraica, pois, converte-se em bimoraica.

A estrutura formada por vogal longa + geminada e ditongo + geminada entra em variacao em latim vulgar. A sentenca no 94 do Appendix Probi (8) registra "Suppellex non superleX', que os gramaticos latinos classificavam como "erro" em virtude da dificuldade na pronuncia de uma sequencia na qual se encontrava uma vogal longa seguida de geminada. Esse tratamento diferente da estrutura complexa e, geralmente, reservado aos falantes da variedade mais popular da lingua.

Nessa linha de pensamento, o processo diacronico de mudanca transformou uma estrutura trimoraica em uma estrutura bimoraica atraves da reducao da vogal ou da simplificacao da geminada, ou seja, via perda de mora. A variacao entre vogal longa e consoante geminada, muito comum em latim vulgar, ja ocorria em latim classico, como podemos depreender dos seguintes registros dicionarizados (TORRINHA [1942?]): paulo ou paullo (pouco); paullus ou paulus (Paulo); pupus ou puppus (pupila); sollers melhor que solers (habil); succo ou suco (usurario); succus ou melhor sucus (suco); suggilatus ou sugilatus (desacreditado); suggiloou melhor sugilo (pisar); velumen ou vellumen (faixa de la); villica ou vilica (caseira); villico ou vilico (caseiro). Diante da variacao entre vogal longa e consoante geminada, o dicionario de latim classico aponta que algumas formas eram tidas como de maior prestigio: sollers melhor que solers; succus melhor sucus; suggilo melhor sugillo. Em (22), representamos o registro no 94 do Appendix Probi.

(22) Forma classica [su:ppeleks] (mobiliario)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Na perspectiva defendida pelo presente trabalho, (22a") representa a desassociacao que deixa a mora flutuante que, por nao ser associada a nenhum elemento, e elidida por Stray Erasure, formando-se uma silaba bimoraica.

(22) a"

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

O exemplo (22b") descreve uma alternativa de simplificacao da estrutura trimoraica em latim vulgar atraves da reducao da vogal longa e da manutencao da geminada, emergindo mais uma vez a bimoraicidade.

(22) Forma classica [su:ppeleks]

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Diferentemente de (22a), a mora desassociada em (23b) e a mora da vogal que sera elidida por Stray Erasure como mostra a representacao abaixo.

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Ha silabas em latim formadas por ditongo mais consoantes simples, tais como auctor (autor) e auctoritas (autoridade). Tais estruturas tambem entrariam em variacao em latim vulgar segundo os registros no 154 auctor non autor e no 155 auctoritas non autoritas do Appendix Probi. Na verdade, a consoante simples que e adjungida a estrutura bimoraica nao confere peso a silaba, pois, de acordo com Hayes (1989), quando a bimoraicidade esta preenchida, a consoante pospico e agregada a silaba atraves da regra de Adjuncao de Segmentos Restantes, motivo pelo qual o seu apagamento nao ocasiona alongamento compensatorio, como podemos ver em (23).

(23) forma classica [auktor] (autor)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Como a consoante alvo de apagamento nao porta mora, pois foi associada via Adjuncao de segmentos restantes, nao ha modificacao quanto a estrutura moraica nessas situacoes.

Em contrapartida, o registro no 22 do Appendix Probi exemplifica um caso de reducao de ditongo: aquaeductus non aquiductus. O ditongoae e reduzido para /i/ quando forma um composto, assim como no registro no 159: terrae motus non terrimotus (terremoto).

(24) forma classica [akuaiduktus](aqueduto)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Em (24), a queda da vogal deixa a mora correspondente livre. Como a referida mora nao e agregada a nenhum elemento, a mesma e elidida por Stray Erasure, resultando a variante monotongada.

A monotongacao era tao comum em latim vulgar que os falantes, por vezes, aplicavam hipercorrecao, como registra a sentenca: "ac rustici pappum Mesium, non Maesium, a quo Lucilius scribit' [9] (Os camponeses pronunciam Maesium e nao mesium, questao sobre a qual Lucilio escreveu). O exemplo maesium por mesium (meio) exemplifica o processo de hipercorrecao encontrado na fala dos camponeses. Varro (96 a.C) registra outros casos desse tipo e Calabrese (2003) os utiliza como argumento para propor que a distincao qualitativa ja estava presente em latim classico.

De acordo com Calabrese (2003), nao havia distincao quanto ao traco [ATR] dentre as vogais medias longas e curtas latinas, como por exemplo: caelum ~ ce:lum (ceu); aurata ~o:rata (dourada). De acordo com o autor, /o:/e /o/; /e:/e /e/; /e/ e /e:/; /o/ e /o:/ eram todas [-ATR] em latim classico e, atraves de estagios, a diferenciacao dentre as medias foi se implementando. Partindo desse e de outros pressupostos, quando a distintividade quantitativa se perdeu em latim vulgar, a distintividade qualitativa, que teria se desenvolvido desde o latim classico, torna-se efetiva.

Formas dicionarizadas atestam que o ditongo latino fora substituido ja em latim classico: vaelius ou velus (velho); paene ou pene (quase), ou seja, vaelius ~ ve:lius; paene ~pe:ne. Esses dados corroboram a ideia de Calabrese (2003) e demonstram que a substituicao era inerente ao sistema do latim classico. Os estagios subsequentes dessa mudanca consistem na atribuicao de valores diferentes de [ATR] para as medias longas e curtas e a perda da quantidade, resultando no sistema vocalico do latim tardio ou romance.

O latim vulgar tambem conserva mora da estrutura latina classica, tal conservacao se refletira no comportamento da lingua portuguesa. Na sentenca no 85 do Glossario do Probo ha um exemplo comumente citado por estudos mais tradicionais como alvo do fenomeno de vocalizacao em latim vulgar: pegma non peuma (tablado), que transforma uma consoante em vogal.

Podemos inferir, atraves do dado do Appendix Probi, que ha conservacao da mora via ditongacao em latim vulgar. O segmento consonantal dorsal perdeu o ponto de consoante e um segmento vocalico, tambem dorsal, ocupou a mora flutuante. Dessa maneira, a mora e conservada. Veremos, mais adiante no trabalho, que essa opcao disponivel em latim vulgar e utilizada pelo portugues e que, assim como o latim vulgar, a lingua portuguesa prima pela conservacao da mora via ditongacao.

O portugues, lingua advinda do sistema qualitativo italico ou vulgar, tem de lidar com os efeitos do fim da quantidade fonologica distintiva do sistema vocalico latino. Interessa-nos, tambem, explicar de que maneira a lingua portuguesa resolve as consoantes geminadas. Ambas as questoes estao inter-relacionadas com a estrutura moraica do latim ao portugues.

Como as vogais longas latinas ja haviam se simplificado em latim tardio e inicio do romance, as mesmas nao alcancaram as linguas romanicas. Porem, os efeitos dessa simplificacao afetaram as linguas. Vejamos como o portugues trata a simplificacao da vogal longa latina.

(25) Perda de mora
Latim   Portugues
sucu      Suco
brutu     Bruto
totu      Tudo


O portugues nao conserva a mora da vogal longa latina. Portanto, nao ha, nesses casos, manutencao da mora, como vemos em (26).

(26) Forma classica [bru:tu](bruto)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Em (26), ocorre a queda da vogal com consequente desassociacao da mora que permanece flutuante e, por nao ser reassociada, e elidida por Stray Erasure, resultando [bruto] em portugues, sem alongamento compensatorio. As sequencias -ct- e -pt- tambem nao dao margem a geminadas na passagem ao portugues, mas simplificam-se, como vemos em (27).

(27)Perda de mora
latim       Portugues
correc#to   Corrigido
lec#to        Lido
scrip#to     Escrito


Como o portugues nao conserva a mora da vogal longa latina, o exemplo (28) mostra o processo de perda vocalica com consequente desassociacao e elisao por Stray Erasure. E importante relembrar que o que nos interessa e a vogal longa, a consoante em questao e agregada a silaba pela Regra de Adjuncao de Segmentos restantes, sem portar mora.

(28) Forma classica[lekto](lido)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

No entanto, a perda de mora nao e uma regra geral, pois ha casos nos quais a ditongacao se aplica em palavras com encontros -ct-, como noctem>noite, em que a estrutura moraica do latim tem seu efeito, isto e, a mora da consoante e conservada, exemplos em (29).

(29) Conservacao de mora
latim    Portugues

fac#to     Feito
noctem     Noite
pectus     Peito
regnum     Reino


As formas em (30) factum, pectus, lactem, noctem, regnum passam ao portugues como "feito, peito, leite, noite, reino". A diferenca entre os dados em (27) e os dados em (29) reside no fato de que, em (29), a consoante pos-vocalica possui mora atribuida por Weigth by Position. Nesses casos, o portugues segue a escolha do latim vulgar e preserva a mora da consoante elidida via ditongacao, exemplo (30).

(30) [noktem] (noite)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

A consoante perdida, que e uma dorsal ou velar, caracteriza-se por possuir o traco [+alto], que e preservado quando de sua elisao. Essa posicao e preenchida pelos tracos correspondentes a uma vogal alta, preservando a mora atraves da criacao de um ditongo decrescente, contribuindo para a manutencao da silaba bimoraica.

O portugues so conserva a mora vocalica latina atraves do alongamento compensatorio flop. O alongamento flop ocorre quando um elemento troca de silaba e preenche uma posicao moraica vazia, mantendo a silaba bimoraica, exemplo (31).

(31) [flo:rem] (flor)

[FORMULA NOT REPRODUCIBLE IN ASCII]

Em (31), temos Parasitic Delinking atuando ao desfazer a segunda silaba sem nucleo. Como consequencia, o alongamento flop reassocia o segmento ao preencher a posicao moraica. Essa analise estende-se a dados nos quais ha apagamento de consoantes intervocalicas do latim ao portugues: colorem, dolorem, amorem. A silaba resultante e bimoraica.

No que se refere aos ditongos, o latim classico dispunha de tres: ae (caelum); oe (prosopopeia); au (tesaurus), dos quais apenas au passou ao portugues. Os demais ditongos foram reduzidos, como em caelum>c/ew/ e prosopoeia>prosopop/ej/a. O portugues herda o ditongo au, como em aurum > ouro ~oro; tesaurus>tesouro ~oro. Variacao semelhante ocorre em latim vulgar, ou seja, ambas as linguas optam pela perda da mora do ditongo. Segundo Bisol (1989), o ditongo ou, em portugues, esta em processo de reanalise, ou seja, esta sendo substituido por /o/ em qualquer contexto. Em suma, o portugues preserva a estrutura moraica latina em duas situacoes: (i) mora da consoante pos-vocalica; (ii) mora vocalica via alongamentoflop, quando da atuacao de Parasitic Delinking. As demais estruturas nao tem efeito na lingua portuguesa.

Conclusoes

O modelo da Fonologia das Moras mostrou-se eficaz para descrever a estrutura do latim classico e de sua variacao em latim vulgar, bem como os efeitos dessas estruturas na passagem para o portugues: conservacao ou perda de mora. O modelo, desenvolvido para estudos sincronicos, consegue dar conta satisfatoriamente de fenomenos diacronicos, proporcionando, sobretudo, analisar varios fenomenos como um unico processo, ou seja, como mudanca de estrutura moraica do latim e seus efeitos em portugues, utilizando apenas um modelo.

O portugues nao conserva a mora das consoantes geminadas, como nao conserva a mora das vogais longas. No entanto preserva a mora da consoante pos-vocalica pectus>peito) e do ditongo latino (aurum>ouro), embora o referido ditongo esteja, em nossos dias, em processo de simplificacao por reanalise. A mora da vogal longa e mantida em uma situacao especifica: alongamento flop engatilhado pela atuacao de Parasitic Delinking. Stray Erasure, que atua elidindo moras nao reassociadas, tem importante papel na evolucao do latim ao portugues. Ambos os principios aqui apontados atuam para satisfazer o Licenciamento Prosodico.

Espera-se que este olhar de carater diacronico a luz de uma teoria moderna, destinada sobretudo a estudos sincronicos, ofereca alguma contribuicao para os estudos linguisticos que se desenvolvem nessa area.

Recebido em marco de 2011.

Aprovado em julho de 2011.

REFERENCIAS

APPENDIX Probi. Disponivel em: <http://www.orbilat.com/Languages/Latin_ Vulgar/Vocabulary/Appendix_Probi.html>. Acesso em: 10 fev. 2011.

ARVANITI, A. Cypriot greek and phonetics and phonology of geminates. In: INTERNATIONAL CONFERENCE OF MODERN GREEK DIALECTS AND LINGUISTIC THEORY, 1., 2001, Patras. Proceedings ... Patras: University of Patras. p.19-29. Disponivel em: <http://idiom.ucsd.edu/~arvaniti/Arvaniti.geminates_ Patras2001.pdf>. Acesso em: 14 mar. 2010.

BISOL, L. O acento e o pe binario. Cadernos de Estudos Linguisticos, Campinas, v.22, p.69-80, 1992.

--. O ditongo na perspectiva da fonologia atual. Delta, Sao Paulo, v.5, n.2, p.185-224, 1989.

BRENNAN, J. A weight problem: vowel length in Classical Latin. 2008. Disponivel em: <https://files.nyu.edu/jrb399/public/documents/Brennan_06a_A%20Weight. pdf>. Acesso em: 14 mar. 2011.

BROWN, J. C. Floating moras and features in southern Sierra Miwok. WORKSHOP ON AMERICAN INDIGENOUS LANGUAGES, 6., 2003, Santa Barbara. Proceedings ... Santa Barbara: UCLA, 2003. v.14. Disponivel em: <http://www. linguistics.ucsb.edu/research/Brown_vol14.pdf>. Acesso em: 17 dez. 2010.

CALABRESE, A. On the evolution of the high vowels of latin to romance. 2003.

Disponivel em: <http://homepages.uconn.edu/~anc02008/Papers/On%20the%20 evolution%20of%20short%20high%20vowels%20of%20Latin%20into%20Romance. pdf>. Acesso em: 15 mar. 2010.

CHUNG, Y. Vowel shortening and evidence for moraic consonant: a case from kyumgsang dialect of korean. Studies in phonetics, phonology and morphology, Amherst, n.3. p.247-264, 1997.

COHN, A. Phonological structure and phonetic duration: the role of the mora. Working Papers of the Cornell Phonetics Laboratory, Ithaca, v.15, p.69-100, 2003.

COUTINHO, I. L. Gramatica historica. 4. ed. Rio de Janeiro: Academica, 1958.

CURTIS, E. K. J. Geminate weigth: case studies and formal models. 2003. 355f. Dissertation (Doctor of Philosophy)--University of Washington, Washington, 2003. Disponivel em: <http://scholar.googleusercontent.com/scholar?q=cache:rxF7_ QVnP1kJ:scholar.google.com/+emily+curtis+geminate+weigth&hl=pt-BR&as_ sdt=0,5>. Acesso em: 17 dez. 2010.

ELFNER, E. The mora in blackfoot. 2006. 145f. Thesis (Master of Arts)--University of Calgary, Alberta, 2006. Disponivel em: <http://www.people.umass.edu/eelfner/ morablackfoot.pdf>. Acesso em: 16 dez. 2010

FARIA, E. Fonetica historica do Latim. Rio de Janeiro: Academica, 1955.

GASIOROWSKI, P. Heavy consonants and compensatory lengthening. Studia Anglica Posnaniensia, Poznam, p.71-80, 1991-1993.

GORDON, M. Weight-by-Position adjunction and syllable structure. 1999. Disponivel em: <http://www.linguistics.ucsb.edu/faculty/gordon/weightbypos. pdf>. Acesso em: 20 dez. 2010.

GORDON, M. et al. Vowel and consonant sonority and coda weigth: a cross-linguistic study. In: WEST CONFERENCE ON FORMAL LINGUISTIC, 26., 2008, Somerville. Proceedings... Somerville: Cascadilla Proceedings Project. Disponivel em: <http://www.lingref.com/cpp/wccfl/26/paper1674.pdf>. Acesso em: 29 nov. 2010

GORE, M. Phonological and phonetics views of vowel sequence timing. 2003 Disponivel em: <http://ado.lib.kagoshima-u.ac.jp/bitstream/10232/855/1/ KJ00004239438.pdf>. Acesso em: 25 dez. 2010.

GOLDSMITH, J. The syllable. 2009. Disponivel em: <http://hum.uchicago. edu/~jagoldsm//Papers/syllables.pdf>. Acesso em: 10 fev. 2011.

HAYES. B. Compensatory legthning in moraic phonology. Linguistic Inquiry, Cambridge, n.20, p.253-306, 1989. Disponivel em: <http://www.linguistics.ucla. edu/people/hayes/Papers/HayesCompensatoryLengthening1989.pdf>. Acesso em: 24 set. 2010.

HAYES, B. Metrical stress theory: principles and case studies. Chicago: Chicago Press, 1995.

HAYES, B. et al. Explaining sonority projection effects. Phonology, Cambridge, n.28, p.197-234, 2011.

HARRIS. H. Syllable structure and stress in Spanish: a non-linear analysis. Cambridge: MIT Press, 1983.

HUME, E; MULLER, J; ENGELENHOVEN, A. Initial geminates in leti: consequences for moraic theory. Studies in the Linguistics Sciences, Urbana, v.27, n.1, Spring. 1997. Disponivel em: <http://www.jstor.org/pss/4420109>. Acesso em: 15 dez. 2010.

KAVITSKAYA, D. Triggers and alternations in compensatory lengthening. In: WEST COST CONFERENCE OF FORMAL LINGUISTICS, 21., 2002, Somerville. Proceedings ... Somerville: Cascadilla Press, 2002. p.101-114.

LAHIRI, A; RIAD, T; JACOBS, H. Diachronic prosody. 1999. Disponivel em: <http:// www.ling-phil.ox.ac.uk/fjles/uploads/diachronic_prosody_lahiri_et_al.pdf>. Acesso em: 14 dez. 2010.

LAUSBERG. H. Linguistica romanica. Lisboa: Fundacao Calouste Gulbenkian, 1963.

LEE, S. Sincope, Brevis Brevians e acento no portugues brasileiro. Letras de Hoje, Porto Alegre, v.38, n.4, p.163-176, 2003.

--. Morfologia e fonologia lexical do Portugues do Brasil. 201 f. Tese. (Doutorado em Linguistica)--Instituto da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1995.

LUNDEN, A. Weigth, final lengthening and stress: a phonetic and phonological case study of norwegian. 2006. 217 f. Thesis (Doctor of Philosophy and Linguistics)--University of California, Los Angeles, 2006. Disponivel em: <http://roa.rutgers. edu/view.php3?id=1157>. Acesso em: 20 dez. 2010

MAGALHAES, J. S. de. O plano multidimensional do acento na teoria da otimidade. 2004. 216f. Tese (Doutorado em Linguistica Aplicada)--Faculdade de Letras, Pontificia Universidade Catolica do Rio Grande do Sul, 2004.

MASSINI-CAGLIARI, G. Do poetico ao linguistico no ritmo dos trovadores: tres momentos da historia do acento. Sao Paulo: Cultura Academica, 1999.

--. Cantigas de amigo: do ritmo poetico ao linguistico. Um estudo do percurso historico da acentuacao em Portugues 1995. 300f. Tese (Doutorado em Linguistica)--Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1995.

McCRAY, K. Syllable structure versus segmental phonotatics: geminates and clusters in italian revisited. 2006. Disponivel em: <http://uts.cc.utexas. edu/~tls/2002tls/Kristie_McCrary.pdf>. Acesso em: 20 dez. 2010.

MOREN, T. B. Distinctiveness, coercion and sonority: a unified theory of weight. 1999. 420f. Thesis (Doctor of Philosophy)--University of Maryland, College Park, 1999. Disponivel em: <http://roa.rutgers.edu/files/346-0999/346-0999MOREN-0-0.PDF>. Acesso em: 15 mar. 2011.

ODDEN, D. The representation of vowel length. Disponivel em: <http://www.ling. ohio-state.edu/~odden/>. Acesso em: 14 set. 2010.

ONZI, M. L. Consoantes geminadas em italiano: um estudo fonetico/fonologico. 2007. 96f. Dissertacao (Mestrado em Linguistica)--Universidade Federal de Santa Catarina, Florianopolis, 2007.

OOSTENDORP, M. Mora theory. 2005. Disponivel em: <http://www.vanoostendorp. nl/pdf/051122.pdf>. Acesso em: 14 set. 2010.

PULLEYBLANK, D. Underlying mora structure. Linguistic Inquiry, Cambridge, v.25, n.2, p.344-353, Spring. 1994.

RENZI, L. Introduccion a la filologia romanica. Madrid: Gredos, 1982.

ROSENTHALL, S.; VAN DER HULST, H. Weight-by-position by position. Natural Language and Linguistic Theory, Dordrecht, n.17, p.499-540, 1999. Disponivel em: <http://www.linguistics.uconn.edu/pdf/091-WeightbyPosition.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2011.

SHAW, J. Compensatory lengthening via mora preservation in OT-CC. Theory and predictions. 2008. Disponivel em: <http://roa.rutgers.edu/files/916-0607/916SHAW-0-0.PDF>. Acesso em: 15 mar. 2010.

SILVA NETO. S. Historia do latim vulgar. Rio de Janeiro: Academica, 1957.

VARRO, M. M. Terenti Varronis de Lingua Latina: Liber VII. Disponivel em: <http:// www.thelatinlibrary.com/varro.II7.html>. Acesso em: 10 mar. 2010.

TORRINHA, F. Dicionario latino portugues. 7. ed. Porto: Graficos Reunidos, [1942?].

Evellyne Patricia Figueiredo de Sousa COSTA *

* UFSM--Universidade Federal de Santa Maria. Centro de Artes e Letras--Departamento de Letras Classicas e Linguistica--RS--Brasil. 97105900--evellynepatricia@hotmail.com

(1) Hayes (1989, p.258).

(2) Muitos autores, como os que citamos aqui, tratam das questoes discutidas por Hayes (1989) na perspectiva da Teoria da Otimidade. Entretanto, esse nao e o nosso objetivo neste trabalho. Hayes et al (2011) e Goldsmith () tratam de fenomenos relativos ao peso e a processos fonologicos a partir de teorias outras que nao a TO.

(3) O asterisco identifica formas ainda nao atestadas na lingua.

(4) Lee (2003) discute a relacao entre sincope e o padrao do acento em PB a partir da Teoria Metrica de Hayes (1995).

(5) Para Lee (1995), o portugues nao seria sensivel ao peso silabico. Em contrapartida, Massini-Cagliari (1999) afirma que ha vogais bimoraicas em portugues em exemplos como pomar e cafeC. De acordo com a autora, a vogal do nucleo ocuparia duas moras. Essa visao difere dos estudos de Bisol (1992): atribua um * a silaba pesada final. Em cafeC, a consoante abstrata confere peso a ultima silaba. Partimos do pressuposto de que nao ha vogais bimoraicas em portugues, mas que ha efeitos da estrutura moraica do latim nessa lingua.

(6) Alongamento compensatorio.

(7) Cf. HAYES (1989).

(8) Appendix Probi e um glossario anonimo cujo objetivo e o de corrigir "erros" de pronuncia do latim falado. (APPENDIX..., 2011).

(9) VARRO, M. De lingua latina. Liber VII. Disponivel em: <http://www.thelatinlibrary.com/varro.II7.html>. Acesso em: 10 mar. 2010.
COPYRIGHT 2011 Universidade Estadual Paulista
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2011 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:ORIGINAL ARTICLES / ARTIGOS ORIGINAIS
Author:Costa, Evellyne Patricia Figueiredo de Sousa
Publication:Alfa: Revista de Linguistica
Date:Jul 1, 2011
Words:5966
Previous Article:(Inter)subjectivization of verb-derived discourse markers: instances of grammaticalization/(Inter)subjetivizacao de marcadores discursivos de base...
Next Article:Comparing tapajuna and suya consonants/Comparando as consoantes das linguas tapajuna e suya.

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters