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Modernidade e declinio da experiencia em Walter Benjamin.

Introducao

A abordagem da Modernidade de Walter Benjamin visa a elaboracao de uma especie de Psicanalise da Civilizacao moderna com o intuito de promover a cura de um estado neurotico da cultura, proprio da Contemporaneidade. Para tal, Benjamin propoe o uso da recordacao. Dai a pertinencia de uma empreitada arqueologica de recuperacao, no seculo XIX, das formas mais arcaicas dos artefatos e relacoes sociais que existem hoje. Nesta perspectiva, a meta da obra "Paris, Capitale du XIX siecle: le livre des passages" era desvelar o complexo de ideologia e utopia, de mitos, de fantasmagorias, proprias do seculo XIX. Isto significava decifrar o universo citadino em suas manifestacoes simbolicas aparentemente secundarias, irrelevantes--arquiteturas, tipos sociais, interiores burgueses, bibelots, praticas de jogo e de prostituicao, a fim de interpretar adequadamente o estado da cultura na epoca de uma modernidade em processo de expansao.

Para abordar estes aspectos, foi pertinente a utilizacao de uma abordagem alternativa, centrada nas imagens dialeticas, plenas de contradicoes, aptas a exprimir uma constelacao historico-mitica especifica, que estaria na origem das formas sociais atualmente em vigor. Estas imagens teriam de ser arrumadas na forma de uma montagem, no sentido cinematografico e surrealista do termo (ROCHLITZ, 1990, p. 35).

A sua intencao era caracterizar a Modernidade por meio da analise de imagens. Desta forma, o pensamento e a escrita benjaminianos utilizam a imagem, como a manifestacao de uma forma essencialmente corporal de compreender o mundo, pois o corpo e o espaco por excelencia das percepcoes, ideias e metaforas que engendram as imagens, onde e gestada a realidade, no nivel consciente e inconsciente. Para Benjamin, portanto, a imagem se consubstancia, nao so como instrumento heuristico a servico de um conhecimento sistematizado do mundo, mas como a forma primordial de saber, de um senso comum espontaneo.

Para esclarecer a dimensao sociocultural da Modernidade, Benjamin centrou-se na categoria de experiencia erfahrung (experiencia autentica), inicialmente, esbocada em um texto ironico que criticava a experiencia como um apanagio da maturidade, oposta a inexperiencia da juventude.

A categoria de experiencia foi retomada posteriormente numa analise sistematica da Modernidade, assumindo um papel tao relevante que a situacao da sociedade e da cultura no contexto da Modernidade pode ser resumida no fenomeno do declinio da experiencia. Benjamin considerava que o patrimonio cultural havia se avolumado e se adensado na mesma proporcao em que declinava a sua capacidade de assimilacao genuina. A instauracao da Modernidade foi acompanhada, portanto, de um empobrecimento consideravel da experiencia:

Qual o valor de todo o nosso patrimonio cultural, se a experiencia nao mais o vincula a nos? A horrivel mixordia de estilos e concepcoes do mundo do seculo passado mostrou-nos com tanta clareza aonde esses valores culturais podem nos conduzir, quando a experiencia nos e subtraida, hipocrita ou sorrateiramente, que e hoje em dia uma prova de honradez confessar nossa pobreza. Sim, e preferivel confessar que essa pobreza de experiencia nao e mais privada, mas de toda a humanidade. Surge assim uma nova barbarie (BENJAMIN, 1985, p. 115).

Para Walter Benjamin, a pobreza da experiencia na Modernidade consistiu na impossibilidade de erfahrung (experiencia autentica), ou seja, na impossibilidade da elaboracao e comunicacao da experiencia coletiva, visceral, prenhe de um amplo ordenamento cognitivo do mundo: "a erfahrung (experiencia autentica) e uma experiencia que se acumula, que se prolonga, que se desdobra [...] o sujeito integrado numa comunidade dispoe de criterios que lhe permitem ir sedimentando as coisas com o tempo" (KONDER, 1988, p. 72). Em suma, a ausencia de erfahrung (experiencia autentica) evidencia um modo de perceber e de sentir proprio da Modernidade. Segundo o autor, a experiencia, nos tempos modernos, foi substituida pela erlebnis (experiencia inautentica)--a vivencia do individuo isolado.

Nesta perspectiva, este estudo visa a sistematizar, por meio de uma pesquisa de cunho bibliografico, a analise benjaminiana da transformacao das formas de sentir e perceber o mundo, concretizada na Modernidade, que substituiu a erfahrung (experiencia autentica) pela erlebnis (experiencia inautentica), caracterizando a sua manifestacao na linguagem oral e escrita, nas artes e na sociabilidade, com o intuito de esclarecer os aspectos fundamentais da condicao do homem moderno.

Inicialmente, sera analisado o declinio da experiencia na teoria da linguagem de Walter Benjamin. Em seguida, sera enfocada a teoria da narracao e sua abordagem do fenomeno urbano e da Arte.

O declinio da experiencia na Linguagem

A teoria da linguagem de Walter Benjamin apresenta certo carater teologico, na medida em que utiliza as imagens do relato biblico do Genese como cenario para sua especulacao sobre a natureza mais recondita da experiencia humana. A teoria da linguagem de Benjamin permeia toda a sua obra, apesar de ser abordada somente em alguns textos: "Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem dos homens" (1916), "A tarefa do tradutor" (1921) "Doutrina do semelhante"; "Sobre a capacidade mimetica" (1933). E, no entanto, no prefacio da Origem do drama barroco alemao (1925) que a sua teoria da linguagem adquire contornos definitivos.

Walter Benjamin expoe sua teoria da linguagem a partir de uma alegoria inspirada no conteudo do Genese, do Antigo Testamento, que descreve o momento em que a humanidade vivencia a experiencia marcante da Criacao por meio da linguagem. Com efeito, foi por meio da linguagem (o "Verbo"), que Deus criou o mundo. Nesta forma primitiva da linguagem, o ato de nomear nao era diferente de criar, conhecer, pois o primeiro ser humano, Adao, conhecia por meio da mesma linguagem com a qual Deus havia criado o Mundo. Havia ainda um intimo parentesco entre a linguagem divina e a linguagem humana--a linguagem adamica. Imantada de som na esfera da locucao livre e primordial da criatura, a linguagem adamica se contrapoe a linguagem escrita surgida apos o Pecado Original. Apos a Queda, efetivou-se o distanciamento do homem do ser genuino da coisa porque a linguagem escrita passou a escravizar o modo de ser das coisas no amplexo redutor da significacao.

Neste sentido, Benjamin enfatizou o resgate de uma experiencia originaria--a linguagem adamica--apta a dizer o nome da coisa, que havia sido solapada pelo uso meramente comunicativo da palavra apos o Pecado Original.

Walter Benjamin referiu-se a uma tristeza que reside nas coisas e que seria responsavel por sua mudez, isto e, por sua ausencia de linguagem; por outro lado, a mudez da natureza seria, reciprocamente, o motivo de tristeza que lhe e inerente: "por ser muda, a natureza entristece. Mas e a inversao dessa afirmativa que nos faz penetrar ainda mais fundo na essencia da natureza: a tristeza do mundo natural o torna mudo." (BENJAMIN apud LAGES, 2002, p. 209).

Com isso, Benjamin definiu os limites da linguagem, classificando-a a partir de tres niveis regressivos da percepcao humana: 1--a linguagem muda dos objetos; 2--a linguagem adamica, que se consubstancia como um puro reconhecimento no ato primordial de Adao nomear as coisas; 3--as decaidas linguagens humanas. A linguagem muda dos objetos e a linguagem adamica sao essencialmente distintas da linguagem humana decaida porque somente esta vigora apos a instituicao da linguagem como sistema arbitrario de signos por meio da cultura escrita. Observa-se, nestes diferentes niveis da linguagem um processo gradual de declinio da experiencia no contexto da Modernidade.

Contudo, a teoria da linguagem de Benjamin cultiva ainda um desejo utopico de corrigir as linguagens deturpadas, decaidas, imperfeitas. Eis a "tarefa do tradutor" e do filosofo:

Haveria, em ambos os planos, uma tarefa do tradutor a ser realizada: antes da queda, e preciso traduzir a linguagem muda das coisas da criacao para uma imaterial linguagem sonora, articulada--essa tarefa teria sido ja levada a cabo por Adao em seu impulso nomeador; e, depois da "queda" as varias linguas decaidas devem ser orientadas para a lingua originaria, a ser reconstituida no processo dessa segunda tarefa de traducao [...] (LAGES, 2002, p. 151).

Em outras palavras, a linguagem muda da natureza constitui o paradigma de todas as operacoes de traducao, anteriores e posteriores a Queda. Dai, portanto, a traducao da mudez natural para a sonoridade da linguagem humana e a conversao das linguas humanas imperfeitas para a pura linguagem. Vale dizer que a conversao das linguas humanas imperfeitas nao visa a tarefa impossivel de retornar a lingua mitica do paraiso: a empreitada consiste somente no movimento ascendente de elevacao ou, se quisermos, de sublimacao, que "tende finalmente para a expressao do mais intimo relacionamento das linguas entre si" (BENJAMIN apud LAGES, 2002, p. 214).

Como ja foi mencionado, o reencontro, em nossa linguagem hodierna e deturpada, da linguagem pura dos nomes nao e tarefa so do tradutor, mas tambem do filosofo (BENJAMIN, 1984).

No prefacio da Origem do drama barroco alemao, Walter Benjamin relaciona as ideias e os fenomenos. Neste sentido, a verdade consiste "em uma essencia nao intencional, formada por ideias" (BENJAMIN, 1984, p. 58), que nao se vincula jamais a intencionalidade, pois a verdade e a morte da intencao.

De fato, "a estrutura da verdade requer uma essencia que, pela ausencia de intencao, se assemelha a das coisas, mas lhe e superior pela permanencia" (BENJAMIN, 1984, p. 58). Assim, para Benjamin, as ideias sao a essencia da verdade, uma vez que nao sao proprias da esfera fenomenica nem sao um objeto de intuicao intelectual, mas, ao inves, consubstanciam-se como o ordenamento objetivo virtual dos fenomenos na forma de representacao. Acresce, ainda, que a ideia pertence a uma esfera fundamentalmente distinta daquela em que estao os objetos que apreende pela ausencia de conceituacao, determinando somente relacoes de afinidade mutua entre tais fenomenos: "as ideias se relacionam com as coisas como as constelacoes com as estrelas" (BENJAMIN, 1984, p. 56).

Mas onde se localizam as ideias? No Nome. Neste sentido, e preciso considerar,

[...] a tensao entre nome e palavra, sob a forma de uma oposicao entre a linguagem oral, livre expressao da criatura, e essencialmente onomatopaica nomeando assim as coisas com o nome que verdadeiramente lhes corresponde--e a linguagem escrita, reino das significacoes, sobre as quais pesa toda a tristeza do homem exilado (ROUANET apud BENJAMIN, 1984, p. 17).

A consideracao acima poderia induzir a conclusao de que Benjamin e um nostalgico, que pretende resgatar uma forma arcaica de linguagem. Porem, quando afirma que as ideias se encontram no Nome, nao se refere a linguagem oral do impulso nomeador de Adao antes da Queda, mas a "uma percepcao primordial, em que as palavras nao perderam, em beneficio da dimensao cognitiva, sua dignidade nomeadora" (BENJAMIN, 1984, p. 58). Aqui, ha uma complexificacao da concepcao teologica pelo recurso a teoria platonica das ideias. Contudo, a teoria da linguagem de Benjamin assume uma dimensao que rompe com qualquer tipo de platonismo na medida em que a ideia nao passa de um elemento simbolico da palavra.

Como resgatar, entao, este aspecto inefavel da palavra?

Nao pode ser por meio da abordagem das palavras em sua funcao comunicacional, cognitiva, visto que desta forma ha uma proibitiva "intencao de conhecimento".

Entao, onde e como realizar essa tarefa de forma nao-intencional?

Como a filosofia nao pode ter a arrogancia de falar no tom de revelacao, essa tarefa so pode cumprir-se pela reminiscencia voltada retrospectivamente, para a percepcao original [... ] Trata-se de um processo em que na contemplacao filosofica a ideia se liberta, enquanto palavra, do amago da realidade, reivindicando de novo seu direito de nomeacao (BENJAMIN, 1984, p. 59).

E possivel, pela analise da palavra profana, recordar-se de sua dimensao nomeadora original para reconduzi-la, enquanto ideia, a ordem do nome. E assim que a Filosofia e a Traducao sao, para Benjamin, um meio de recuperacao da percepcao originaria da linguagem adamica, que foi perdida pelo processo gradual de declinio da experiencia no contexto da Modernidade.

Mas o declinio da experiencia que atingiu a linguagem repercutiu tambem em outras dimensoes da vida humana que sao conexas a linguagem: a narracao, por exemplo. Afinal, como as pessoas se comunicam entre si? Ora, a linguagem e o meio pelo qual as pessoas compartilham suas experiencias e narram aquilo que aprenderam. A narracao, portanto, nao restou imune ao impacto do declinio da experiencia. A faculdade humana de transmitir experiencias por meio da comunicacao tambem foi atingida pelo declinio da experiencia. Nas palavras do autor, este declinio traduziu-se no desaparecimento progressivo da narracao: "a arte de narrar caminha para o fim [...]. E como se uma faculdade, que nos parecia inalienavel, a mais garantida entre as coisas seguras, nos fosse retirada. Ou seja, a de trocar experiencias" (BENJAMIN, 1980, p. 57).

Erfahrung (experiencia autentica) e narracao

O texto O Narrador trata do declinio da arte de narrar--da pratica de troca comunicativa de experiencias pessoais e coletivas. Neste texto, Benjamin, constatou que a experiencia foi gradualmente solapada no contexto da Modernidade. Como exemplo, Benjamin cita o fenomeno da impossibilidade de expressao das vivencias dos campos de batalha propria dos combatentes da 1a Guerra Mundial (1914-1918), "porque nunca houve experiencias mais radicalmente desmoralizadas que a experiencia estrategica da guerra de trincheiras" (BENJAMIN, 1985a, p. 115).

Nas sociedades pre-modernas, a narracao funcionava como fator gerador de amalgama social, pois ensejava a vocalizacao genuina da cultura por meio da transmissao de licoes de vida de interesse pratico, de formacao moral, traduzindo-se na forma de conselhos ao ouvinte. De fato, o saber existencial, coletivo, oriundo de vivencias profundas--a erfahrung (experiencia autentica)--era transmitido oralmente pelos narradores.

Walter Benjamin classificou os narradores segundo a sua pertenca aos respectivos circulos vitais: o marinheiro mercador que narra as peripecias de suas aventuras; o lavrador sedentario que exprime as historias e a tradicao de sua terra; os artesaos.

Entretanto, na Modernidade, a narracao declina, pois se torna cada vez mais rara a experiencia coletiva de contar e ouvir historias. E isto e resultado de uma mudanca no modo de existencia humana que nao consegue mais compartilhar "memorias comuns, que garantiam a existencia de uma experiencia coletiva, ligada a um tempo e trabalho partilhados, em um mesmo universo de pratica e linguagem" (GAGNEBIN apud BENJAMIN, 1985, p. 11).

Em razao da degradacao da erfahrung (experiencia autentica), nao ha mais uma sabedoria a compartilhar. A tradicao de dizer a verdade sobre o mundo e de fornecer orientacao a existencia, transmitindo uma sagesse de geracao em geracao foi perdida. No "periodo epico da verdade", cultivava-se a sabedoria e, por isso, a narracao apresentava uma funcao de aconselhamento porque nao era um simples relato, mas se consubstanciava como uma proposta de continuidade de uma historia que nao cessava: "a arte de narrar tende para o fim porque o lado epico da verdade, a sabedoria esta agonizando" (BENJAMIN, 1980, p. 59). O declinio da dimensao epica da verdade e de seu impacto na arte de narrar se configura como um fenomeno semelhante ao da perda da aura na arte, como sera analisado mais adiante (GAGNEBIN apud BENJAMIN, 1985a, p. 11-12).

Quais as condicoes sociais necessarias para a existencia social da narracao? A disponibilidade da memoria e uma condicao sine qua non para o intercambio de experiencias, visto que e ai que as experiencias permanecem retidas, passiveis de serem reportadas. E precisamente a ausencia da memoria que dissolve a experiencia que e transmitida oralmente. E a memoria so resiste no tempo se o ouvinte estiver receptivo, disponivel, o que demanda um estado de descontracao e de distensao espiritual que se assemelha ao tedio: "o tedio e o passaro onirico que choca os ovos da experiencia" (BENJAMIN, 1980, p. 62).

Outra premissa necessaria ao exercicio da narracao era a presenca de uma atividade social favoravel como, por exemplo, o circulo do trabalho artesanal que deixou de existir na Era moderna. Marx discorre a respeito desta forma de trabalho, comparando as formas de trabalho modernas e pre-modernas. E verdade que sua abordagem com enfoque nos modos de producao diverge da enfase nos modos de percepcao e de estar no mundo, propria de Benjamin. Contudo, e inegavel a inspiracao marxista de Benjamin, evidenciada neste trecho da Ideologia Alema, cujas categorias de analise permanecem na abordagem benjaminiana:

O primeiro caso [o trabalho pre-moderno] pressupoe individuos reunidos por uma relacao qualquer, familia, linhagem, solo, etc.; o segundo [o trabalho na era moderna], os individuos independentes uns dos outros e reunidos unicamente pela troca. No primeiro caso, a troca se efetua principalmente entre os homens e a natureza, o trabalho de uns sendo trocado com os produtos dos outros; no segundo, ele e, de maneira preponderante, uma troca entre os homens. No primeiro caso, a inteligencia media basta, a atividade corporal e a atividade espiritual nao sao ainda separadas; no segundo, e preciso que a divisao entre o trabalho corporal e o trabalho intelectual seja quase concretizada (MARX, 1982, p. 1091).

Segundo Benjamin, no trabalho artesanal, o trabalhador relatava enquanto tecia, fiava ou esculpia, sem a pretensao de informar dados objetivos. O trabalhador mantinha com a materia narrada--a vida humana--uma relacao semelhante aquela do artesao com sua materia-prima pelo carater de "imediatez da experiencia". Havia uma atitude de ingenuidade na relacao de narradores e ouvintes, no vinculo visceral entre narrador e conteudo narrado. Porque, assim como o oleiro deixa as marcas de seus dedos no barro com que esculpe o jarro, aflora na coisa narrada uma marca pessoal indelevel: "pelo lado sensorial, narrar nao e de forma alguma, apenas obra da voz [...]. Aquela velha coordenacao de alma, olho, mao, gestos, e a coordenacao artesanal que encontramos no habitat da arte de narrar" (BENJAMIN, 1980, p. 74).

Marx tambem menciona a destruicao da espontaneidade presente na atividade laboral. Seu ponto de vista materialista, porem, faz com que atribua esta perda ao fenomeno economico da concorrencia universal:

Ela (a concorrencia universal) obrigou todos os individuos a despender ao maximo a sua energia. Ela fez tudo para anular a ideologia, a religiao, a moral etc. [...] De uma maneira geral e na medida do possivel, ela destruiu a espontaneidade natural presente no trabalho, e reduziu todas as relacoes naturais a relacoes de ordem monetaria. No lugar das cidades de surgimento espontaneo, ela criou as grandes cidades industriais modernas. [...] ela consagrou a vitoria da cidade sobre o campo [...] (MARX, 1982, p. 1103).

Neste sentido, a difusao da cidade moderna foi um dos fatores que ensejaram o desaparecimento do ambiente de trabalho favoravel a narracao. Esta constatacao de Benjamin esta afinada com a analise marxista da corrosao gradual das formas medievais de producao que se centra no enfoque da evolucao da industria textil:

A tecelagem que os camponeses praticavam no campo como atividade suplementar, a fim de adquirir bens necessarios a subsistencia, foi o primeiro trabalho que a expansao do comercio favoreceu. [... ] a demanda crescente de tecidos para vestir uma populacao crescente, a acumulacao e a mobilizacao nascente do capital primitivo que ocorrem apos a circulacao acelerada, as necessidades de luxo que emergem favorecidas pela expansao progressiva do comercio em geral, conferem a tecelagem, em termos quantitativos e qualitativos, um fator de dinamismo que a arrancara completamente do modo de producao tradicional. Do lado dos camponeses que tecem para o proprio uso, surge, nas cidades, uma nova classe de tecelao [...] (MARX, 1982, p. 1097).

De fato, as novas formas de sociabilidade e de trabalho no espaco urbano moderno eram incompativeis com a transmissao das experiencias entre as geracoes (erfahrung), favorecendo as vivencias estritamente individuais erlebnis (experiencia inautentica). Assim sendo, o modo de conhecimento na cidade moderna nao e mais a experiencia, que se remetia a memoria pessoal e coletiva, que engajava o sentimento e a reflexao. Ao contrario, predomina agora a vivencia, que repousa na atencao distraida--uma forma de conhecimento passivo, difuso, periferico. Este aspecto sera retomado adiante.

Na Modernidade, contudo, sobrepoe-se a experiencia compartilhada a realidade da pobreza de experiencia, que inviabiliza a apreensao do patrimonio cultural. Segundo Benjamin, esta nova forma de comunicar caracteriza-se pelo seu carater eminentemente informativo. E a pretensao de informar e incompativel com a narrativa. Convem ainda acrescentar que, no capitalismo avancado, a hipertrofia da comunicacao de informacoes ocorreu sob a egide disseminacao da industria cultural por meio da imprensa e do seu aparato ideologico de manipulacao, veiculacao e fabricacao da informacao: "Se a arte de narrar rareou, entao a difusao da informacao teve nesse acontecimento uma participacao decisiva" (BENJAMIN, 1980, p. 61).

Na verdade, a percepcao do homem moderno e superficial, epidermica--desprovida de memoria. A arquitetura moderna evidencia os aspectos fundamentais desta nova forma de percepcao do mundo, que se caracteriza pela impossibilidade de guardar vestigios da passagem do tempo. Dai, por exemplo, o uso do vidro:

Ele (o escritor Scheerbart) atribui a maior importancia a tarefa de hospedar sua 'gente', e os co-cidadaos, modelados a sua imagem, em acomodacoes adequadas a sua condicao social, em casas de vidro, ajustaveis e moveis, tais como as construidas no meio tempo, por Loos e Le Corbisier. Nao e por acaso que o vidro e um material tao duro e tao liso, no qual nada se fixa. E tambem um material frio e sobrio. As coisas de vidro nao tem nenhuma aura. O vidro e em geral o inimigo do misterio. E tambem o inimigo da propriedade. O grande romancista Andre Gide disse certa vez: cada coisa que possuo se torna opaca para mim. Sera que homens como Scheerbart sonharam com edificios de vidro, porque professaram uma nova pobreza? (BENJAMIN, 1985a, p. 117).

Finalmente, o fator que favoreceu o declinio definitivo da narrativa na Modernidade foi o surgimento do romance, no seculo XVIII, que e um produto tipico da introspeccao--o relato pessoal do individuo, que expressa a sua interioridade, elaborado solitariamente. Com o romance, portanto, houve o afastamento definitivo da funcao do aconselhamento propria da narrativa oral, porque o romance relata nao a vivencia coletiva, mas a estoria do individuo isolado e desorientado--a forma tipica do saber existencial da sociedade moderna:

O narrador colhe o que narra da experiencia, propria ou relatada. O romancista segregou-se. O local de nascimento do romance e o individuo na sua solidao, que ja nao consegue exprimir-se exemplarmente sobre seus interesses fundamentais, pois ele mesmo esta desorientado e nao sabe mais aconselhar [... ] o romance da noticia da profunda desorientacao de quem vive (BENJAMIN, 1980, p. 60).

Na verdade, o romance e uma tentativa do homem moderno de conferir sentido pessoal a uma existencia considerada caotica e gratuita. O interesse do leitor moderno no romance e "a esperanca de aquecer sua vida enregelada numa morte que ele vivencia atraves da leitura" (BENJAMIN, 1980, p. 69). Enquanto na narrativa oral, o fluxo da historia e continuo pelo compartilhamento de memoria entre narrador e ouvinte, no romance, e o leitor solitario que percorre ansiosa e solitariamente o texto no afa de encontrar um sentido para sua vida.

Convem ressaltar que o romance se configurou como um dos subprodutos da imprensa, sob a egide da Industria Cultural, que se caracteriza, como ja foi relatado, pelo primado da informacao volatil, vinculada a explicacao racional da realidade, que se opoe a narrativa, centrada na sucessao de eventos e na licao exemplar.

Declinio da experiencia e cidade moderna

A Cidade esta no centro do pensamento de Benjamin sobre a Modernidade. Pode-se falar, a justo titulo, de um pensamento urbano em Benjamin que desenha os fenomenos concretos mais relevantes da Modernidade, traduzidos como imagens--de pessoas, de objetos, de arquiteturas. Era a tentativa de elaboracao de uma fisiognomia de uma epoca por meio da deteccao de signos secundarios, que normalmente passam desapercebidos, como a moda. Tratava-se de ler a paisagem urbana em si, de ler a Cidade por meio dos textos literarios, percebendo-os como expressoes da Historia Social:

As imagens nao sao impressoes subjetivas, mas expressoes objetivas. Os fenomenos--edificios, gestos humanos, arranjos espaciais--sao 'lidos' como uma linguagem na qual uma verdade historicamente transitoria (e a verdade de uma transitoriedade historica) se expressa concretamente, e a formacao da cidade torna-se legivel dentro da experiencia percebida (BUCK-MORSS, 2002, p. 53).

Como ja foi mencionado, Walter Benjamin empreendeu a tarefa de clarificacao da Modernidade, depreendida como uma construcao filosofica de uma totalidade--por meio do uso de imagens de coisas e de fatos do passado, que Benjamin considerava como ur-formas do presente. E fez isto em relacao a Cidade por meio dos recursos da citacao e da montagem, recuperando aspectos da industria cultural e da historia social urbana, explicitando as praticas sociais e o mundo das mercadorias e o sonho coletivo que o capitalismo do seculo XIX, produziu, de carater reificante e fetichizante. A fantasmagoria moderna engendrada pelas mercadorias no plano da publicidade, das arquiteturas, das praticas sociais e da industria cultural era, entao, o seu foco. Dai, destacaram-se imagens concretas, descontinuas, plenas de contradicoes, irredutiveis a uma conjugacao estanque para formar uma representacao global da realidade social. Neste sentido, as imagens do flaneur, da prostituta, do homem-sandwich, tipicas do cenario urbano da Paris oitocentista serviriam para exprimir concretamente uma constelacao historicafilosofica que era a propria Modernidade.

Alem disto, Walter Benjamin caracterizou os aspectos mais sutis do fenomeno urbano, descrevendo as transformacoes da psyque humana no contexto da Modernidade, uma vez que a cidade e tambem analisada pela forma como e construida na consciencia e na inconsciencia dos sujeitos: "a Modernidade nao e nem uma cultura nem um estado de espirito: ela e indissociavel da maneira como a cidade e captada pela subjetividade da experiencia" (SIMAY, 2005, p. 11).

Desta forma, Benjamin desceu a escala microsociologica, para tracar o perfil da transformacao da psique no contexto urbano... Benjamin enfocou aqui precisamente os modos de apropriacao subjetiva da Cidade, elaborando profunda investigacao da experiencia urbana. Para Benjamin, "la modernite n'est ni une culture ni un etat d'esprit: elle est indissociable de la maniere dont la ville est ressaisie dans la reflexivite d'une experience" (SIMAY, 2005, p. II).

Nesta perspectiva, na cidade moderna, ocorreu o declinio da experiencia (erfahrung) pelo choque multiplicado de impressoes sensoriais. O resultado foi a predominancia de uma atitude de desorientacao gracas ao carater fragmentado das impressoes: a vivencia ou percepcao descontinua, que se contrapoe a experiencia (erfahrung) caracterizada pela vinculacao a memoria pessoal e a reflexao:

No mundo moderno, todas as energias psiquicas tem que se concentrar na consciencia imediata, para interceptar os choques da vida cotidiana, o que envolve o empobrecimento das outras instancias, como a memoria, e com isso o 'heroi moderno' perde todo o contato com a tradicao, transformando-se numa vitima da amnesia (ROUANET, 1993, p. 64).

Convem ressaltar que, segundo Benjamin, a substituicao da erfahrung (experiencia autentica) pela erlebnis (experiencia inautentica) nao foi fortuita: deveu-se, em ultima instancia a necessidade de protecao ante os riscos das grandes cidades--de violencia, isolamento, despersonalizacao, o que nao obscurece o fato de que

Benjamin encarou o homo urbanus da sociedade contemporanea como um individuo empobrecido em sua experiencia vital, desfalcado em sua capacidade de acumular estoques de lembrancas e significados pelo ritmo traumatizante da vida citadina e o atomismo da informacao da imprensa (MERQUIOR, 1983, p. 27).

Declinio da experiencia e a situacao da Arte na Modernidade

Convem agora considerar o fenomeno do declinio da experiencia autentica (erfahrung (experiencia autentica)) na Modernidade nas artes em geral, que passam a funcionar sob a egide da Industria cultural. A sua caracteristica definidora foi a morte da aura, que se consubstancia como o declinio da experiencia no plano estetico.

Para Walter Benjamin, a arte pre-capitalista foi, por excelencia, uma arte auratica. A aura desempenhava ai um papel sacral e ritualistico, transcendente ao mundo contingente. Com a progressiva secularizacao efetivada na Civilizacao Ocidental, a arte auratica manifestou-se por meio da definicao de um parametro estetico a ser considerado na elaboracao de uma obra de arte individual--um ethos abstrato e atemporal de beleza.

A aura se caracterizava pela dimensao da distancia na medida em que o objeto estetico, em sua concretude, tornava-se distante, pois apresentava uma qualidade imponderavel, excelsa e sublime. Esta dimensao rarefeita e transcendente podia tambem ser encontrada nos conteudos proprios da narracao. Em ambos os casos, conjugava-se, no ouvinte/expectador, uma atitude de contemplacao intensa e desinteressada e a assimilacao visceral da realidade. A aura existia, portanto, no ambito da obra de arte e da narracao, sendo incorporada e aderida a sensibilidade mais recondita do individuo absorto.

A arte auratica sucumbiu por dois fatores que se interpenetram estreitamente no contexto de surgimento da Modernidade no plano da cultura--as transformacoes operadas nas condicoes sociais de fruicao da obra de arte e na propria estrutura formal dos objetos esteticos--que se concretizam, respectivamente, na industria cultural e na reprodutibilidade tecnica.

A industria cultural se consubstancia como a matriz principal da arte moderna, que a converte, antes de tudo, em mercadoria. Para caracterizar o seu modo de funcionamento, Walter Benjamin reconstituiu as condicoes da atividade literaria dos seculos XIX e XX, evidenciando que a literatura se converteu, entao, em industria cultural, assim como a pintura, a escultura, a fotografia e o cinema. No caso da literatura, Benjamin utilizou a figura da prostituta para personificar o poeta moderno--o que vende o trabalho artistico para subsistir materialmente. O exemplo paradigmatico da mercantilizacao da obra literaria foi o surgimento do romance-folhetim, que foi incorporado aos periodicos, sendo subsidiado pelos anuncios (BENJAMIN, 1980).

Esta mercantilizacao extensiva concorreu para a supressao da aura uma vez que o artefato cultural reduziu-se ao valor de troca, que e irredutivel a conviccao de um valor transcendente, imaterial, proprio da aura.

E a industria cultural funciona sob a egide da reprodutibilidade tecnica, que se caracteriza pela possibilidade de obtencao de copias ad infinitum da obra de arte, solapando a dimensao da autenticidade e singularidade irredutivel do objeto estetico que eram proprias da arte auratica: "a mais perfeita reproducao falta sempre algo: o hic et nunc da obra [...] [que] constitui aquilo que se chama de sua autenticidade" (BENJAMIN, 1980, p. 7).

Com efeito, nao ha autenticidade nos produtos oriundos da reproducao tecnica, pois ocorre a alteracao da forma do exemplar original, recriando-o por meio de recursos de aproximacao, recorte, ampliacao, dentre outros.

Alem disto, a copia nao admite a autenticidade, pois esta se vincula estreitamente a historia do objeto. Sem o testemunho historico, decai a sua autenticidade, o seu hic et nunc--a sua aura--porque a reproducao torna o objeto um mero acontecimento fortuito e uma atualidade vivida, proximo do expectador ou ouvinte em qualquer instante ou lugar.

Por ultimo, com a disponibilidade absoluta do dominio pessoal sobre o objeto portador de imagem e/ou de som, a obra de arte despojou-se da dimensao da distancia, desvinculando-se, portanto, de seu componente auratico.

A industria cultural e a reprodutibilidade sao manifestadas com plenitude numa arte moderna por excelencia: o cinema. Como manter a aura, fundada sobre a unicidade da obra, quando impera no cinema a fragmentacao da imagem proporcionada pela montagem?

No cinema, a tecnica se instaurou no amago da obra de arte, ensejando a ruptura da unidade da obra de arte, e, consequentemente, a dissolucao da aura. Ate a unidade da perfomance do ator, propria do teatro, foi cindida, uma vez que a fotografia e a montagem a seccionam e o processo de filmagem a dispoe num fluxo espaco-temporal descontinuo. Alem disto, a tecnica medeia a relacao estabelecida entre o ator e publico, solapando a aura da obra de arte e, outrossim, dos atores.

O cinema evidencia a caracteristica mais destacada da experiencia estetica da Modernidade: o hedonismo sem reflexao: "desfruta-se do que e convencional, sem critica-lo; o que e verdadeiramente novo, critica-se a contragosto" (BENJAMIN, 1980, p. 2). Benjamin constatou que o cinema substituiu a estabilidade da imagem pelo fluxo continuo, que inviabiliza a interiorizacao e a reflexao--a associacao de ideias--ja que nao se pode meditar no que se ve, porque as imagens em movimento substituem os proprios pensamentos. Neste sentido, a fruicao irrefletida do cinema se opoe a atitude concentrada, de contemplacao desinteressada e visceral, propria da era da arte auratica, apta a captar e elaborar a "erfahrung: aquele que se concentra diante de uma obra de arte, mergulha dentro dela, penetra-a como aquele pintor chines cuja lenda narra haver-se perdido dentro da passagem que acabara de pintar. Pelo contrario, no caso da diversao, e a obra de arte que penetra na massa" (BENJAMIN, 1980, p. 26).

Para Benjamin, o cinema configura-se como a escola de uma forma de percepcao do tempo para a qual nao ha mais 'continuidade'. O cinema corporifica, pois, a percepcao do real que se impoe na Modernidade, instaurada na vida cotidiana nas grandes cidades e na industria cultural, centradas na descontinuidade e no choque, uma vez que a sequencia recortada de imagens se apoe ao observador passivo:

Non seulement le film--nouvel 'inconscient optique'--nous revele l'essence cachee de la ville, mais il transforme aussi la perception quotidienne et desabusee du monde dans lequel nous vivons pour reconfigurer notre experience de la ville [...] au cinema, les masses rejouent ce qu'elles subissent quotidiennement dans l'espace metropolitain (SIMAY, 2005, p. 16).

Com isto, pode-se dizer que o cinema intensificou a entronizacao da erlebnis (experiencia inautentica) como a forma mais tipica de sensibilidade na Modernidade, pela difusao da atitude de atencao distraida: "o publico das salas obscuras e bem um examinador, porem um examinador que se distrai" (BENJAMIN, 1980, p. 27). Para Walter Benjamin, esta nova forma de experiencia--erlebnis (experiencia inautentica)--e favorecida pelo choque ou irrupcao caotica de estimulos na cena urbana e pela imersao dos individuos nos produtos fragmentados e desprovidos de aura proprios da industria cultural, caracterizada pela mercantilizacao extensiva e pela reprodutibilidade tecnica.

A erlebnis (experiencia inautentica) e a queda da arte auratica sao indissociaveis do advento de um publico de massas que nao percebe as nuances e a complexidade, nivelando as coisas e pessoas a tipos paradigmaticos simplificados e facilmente assimilaveis.

Walter Benjamim nao deplora, no entanto, o solapamento da arte auratica e o relaciona a um processo mais amplo de desencantamento do mundo instaurado pela Modernidade que a despoja dos fundamentos ontologicos de cunho irracional e transcendente: "noutros termos, a reproducao tecnica se insere num processo de racionalizacao, de destruicao do mito e dessacralizacao do mundo" (KOTHE, 1978, p. 41).

Conclusao

Pode-se concluir que a analise benjaminiana da Modernidade, que e centrada nos modos de perceber e sentir o mundo, baseou-se na abordagem do declinio da experiencia erfahrung (experiencia autentica) e da difusao da erlebnis (experiencia inautentica). Para tal, Benjamin investigou os efeitos psicossociais das transformacoes sociais proprias da Modernidade: a queda da linguagem adamica, a difusao da urbanizacao e da tecnica, a manifestacao do capitalismo no plano da cultura (a industria cultural e a reprodutibilidade tecnica). Assim, Benjamin caracterizou o afastamento progressivo da experiencia erfahrung (experiencia autentica) e a entronizacao da vivencia do individuo isolado--a erlebnis (experiencia inautentica).

Received on June 23, 2009. Accepted on February 18, 2009.

Referencias

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BENJAMIN, W. Origem do drama barroco alemao. Sao Paulo: Brasiliense, 1984.

BENJAMIN, W. Obras escolhidas I: magia e tecnica, arte e politica. Sao Paulo: Brasiliense, 1985.

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KOTHE, F. R. Adorno e Benjamin: confrontos. Sao Paulo: Atica, 1978.

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MARX, K. L'ideologie allemande. Tours: Editions Gallinard, 1982.

MERQUIOR, J. G. O elixir do Apocalipse. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.

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ROUANET, S. A razao nomade: Walter Benjamin e outros viajantes. Rio de Janeiro: UFRJ, 1993.

SIMAY, P. Capitales de la modernite: Walter Benjamin et la ville. Paris; Tel-Aviv: Editions de l'eclat, 2005.

License information: This is an open-access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.

DOI: 10.4025/actascihumansoc.v32i2.7396

Francisco Gudiene Gomes de Lima (1) e Suzana Marly da Costa Magalhaes (2)*

(1) Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. (2) Secao de Ensino da Diretoria de Especializacao e Extensao, Departamento de Educacao e Cultura do Exercito, Av. Presidente Vargas, Praca Duque de Caxias, 25, 21615-220, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. * Autor para correspondencia. E-mail: suzanamag@hotmail.com
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Title Annotation:Texto en Portuguese
Author:Gomes de Lima, Francisco Gudiene; da Costa Magalhaes, Suzana Marly
Publication:Acta Scientiarum Human and Social Sciences (UEM)
Date:Apr 1, 2010
Words:6762
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