Printer Friendly

Metodos de avaliacao da ciclagem de nutrientes no bioma Cerrado: uma revisao sistematica/Methods of evaluation of nutrient cycling in the Cerrado biome: a systematic review.

Introducao

O entendimento do funcionamento e variaveis que influenciam a estabilidade de uma comunidade vegetal e crucial para que se possa maneja-las buscando a sustentabilidade dos ecossistemas florestais. E, dentre estas, a producao e decomposicao da serapilheira sao fundamentais para funcionalidade ecossistemica e o estabelecimento destes ecossistemas. Parte do processo de retorno da materia organica e dos nutrientes ao solo ocorre pela producao de serapilheira, sendo este o meio natural mais importante da transferencia de elementos necessarios ao crescimento e desenvolvimento das plantas (LOPES et al., 2009).

A serapilheira e um dos componentes mais importantes de um ecossistema florestal, contemplando todo material vegetal depositado ao solo pelas arvores, como: folhas, galhos, e estruturas reprodutivas (flores, sementes, frutos), alem de outros materiais organicos de origem nao vegetal. Estes materiais produzidos e posteriormente depositados no solo florestal proporcionam a ciclagem de nutrientes, que por meio de sua decomposicao liberam os nutrientes absorvidos pelas plantas (COSTA et al., 2010).

Este processo de ciclagem de nutrientes e de suma importancia em solos com alto intemperismo e baixos teores nutricionais, como e o caso de muitos solos brasileiros, nos quais a biomassa vegetal e o principal reservatorio de nutrientes. Dentre os diversos tipos de solos ocorrentes no Brasil, destacam-se os Latossolos, os quais compreendem entre 32 e 46% do territorio nacional, sendo solos muito intemperizados e com altas taxas de lixiviacao, estes ocorrem em locais planos e com relevo suave, sendo geralmente solos acidos, bem profundos e pobres na disponibilidade de nutrientes devido aos intensos processos de intemperismo (FONTES, 2012).

Os solos predominantes dos Cerrados se enquadram nestas caracteristicas e originalmente apresentam deficiencias nutricionais e sao classficados como Latossolos distroficos com alta saturacao de Al. Esta baxa fertilidade reflete na menor concentracao de nutrientes nas folhas das especies nativas ocorrentes nestes solos, o que reforca a necessidade de estudos sobre a ciclagem de nutrientes nas diferentes fitofisionomias deste bioma (HARIDASAN, 2000).

Existem diferentes tipos de estudos de revisao de literatura, e dentre estes, esta a revisao sistematica ou "systematic quantitative assessment", proposta por Pickering e Byrne (2014), a qual utiliza uma padronizacao na busca e catalago de todos os artigos encontrados, para a posterior analise quantitativa, evitando assim, erros de amostragem por utilizar um padrao de pesquisa. Este tipo de revisao proporciona ao pesquisador mapear os limites eixistentes na literatura dentro de cada tema escolhido, permitindo indentificar onde as generalizacoes ocorrem (locais em que a maior parte dos estudos vem sendo realizados) e suas limitacoes - lacunas nao preenchidas dentro de determinados temas de estudo - o que facilita o avanco das pesquisas, alem de poder verificar as possiveis discrepancias metodologicas dentro de uma mesma linha de pesquisa (BORENSTEIN et al., 2009).

Sendo assim, o presente estudo teve como objetivo caracterizar os trabalhos de producao e decomposicao da serapilheira no bioma Cerrado quanto a sua forma de publicacao e as metodologias utilizadas e seus resultados, buscando compreender sua area de abrangencia em cada fitofisionomia para verificar quais assuntos possuem potencial para novas linhas de pesquisa.

Desenvolvimento

Descricao dos procedimentos metodologicos

Os procedimentos metodologicos que conduziram o presente trabalho fundamentamse nos estudos de revisao sistematica propostos por Pickering e Byrne (2014). O levantamento utilizou como fonte de dados todos os artigos publicados em revistas cientificas que apresentavam correlacao com a tematica acerca da serapilheira, buscando identificar sua presenca e relacao como o foco de estudo. A busca ocorreu na base de dados Periodicos CAPES, por ser uma das maiores bases de dados, contendo artigos nacionais e internacionais.

O levantamento dos trabalhos ocorreu no periodo entre marco e junho de 2017, utilizando o mecanismo de "buscar assunto" do banco de dados dos Periodicos CAPES, e dentro deste, a escolha da ferramenta intitulada "Busca avancada". Os termos inseridos como palavras-chave foram: "Serapilheira e Cerrado"; "Litterfall and Cerrado", sendo entao analisados todos os trabalhos cientificos que foram encontrados, sem definicao de um periodo de tempo, compreendendo assim, todas as publicacoes catalogadas na plataforma ate a data da realizacao do levantamento. Cabe ressaltar que as pesquisas foram realizadas nos dominios da Universidade de Brasilia - UnB com acesso total e irrestrito ao banco de dados da Periodicos CAPES.

O criterio de inclusao dos artigos encontrados nas buscas se deu pelo enquadramento ou nao nos temas especificos preestabelecidos, compreendendo assim todos os trabalhos referentes a quantificacao da producao e decomposicao da serapilheira nas areas dentro do bioma Cerrado, sendo elas compostas por areas de formacao florestal nativa ou plantada.

Apos tal triagem, os aspectos gerais dos artigos incluidos na base dados foram analisados sob os seguintes aspectos: ano de publicacao dos artigos, o meio de publicacao, ou seja, quais revistas cientificas publicaram os artigos; os locais em que foram realizados os estudos, com a finalidade de conhecer quais fitofisionomias foram mais avaliadas. Por fim, os artigos foram divididos em duas areas especificas dentro da tematica da serapilheira: os trabalhos que abordavam a deposicao/aporte/producao de serapilheira e os estudos envolvendo as taxas de decomposicao de serapilheira.

Dentro de cada area especifica, foram avaliadas as metodologias utilizadas, sendo assim necessaria a abertura de subdivisoes para melhor perceber suas semelhancas ou diferencas. Os trabalhos referentes ao aporte de serapilheira foram avaliados em relacao ao formato e area do coletor, quanto a forma da classificacao dos materiais vegetais na triagem e a quantificacao da contribuicao destas diferentes estruturas. Os artigos sobre a decomposicao da serapilheira foram avaliados quanto a quantidade e o tipo de material vegetal adicionado nas bolsas de decomposicao (litter bags), tempos de exposicao da primeira coleta e tempo total de exposicao dos litter bags.

Cabe ressaltar que os trabalhos realizados em ambientes aquaticos nao fizeram parte das analises por possuirem implicacoes, metodologias e formas de analise diferentes dos aplicados nos ambientes terrestres.

Resultados das buscas e enquadramento dos artigos nos criterios de inclusao

Os estudos sobre a quantificacao da producao e as taxas de decomposicao foram catalogados e analisados, sendo encontrados 77 artigos cientificos, para a busca com os termos "Serapilheira and Cerrado" e que dentre os quais, 11 se enquadraram nas categorias preestabelecidas--nove destes em areas de Cerrado nativo e dois em florestas plantadas em areas orginalmente ocupadas por Cerrado. Utilizando os termos "Cerrado and Litterfall" foram encontrados 252 resultados, sendo que destes, 15 se enquadraram nas categorias, das quais 12 destes foram realizados em areas de Cerrado nativo, tres em florestas plantadas em areas orginalmente ocupadas por Cerrado e um em areas de plantio de pinus comparado a areas de Cerrado nativo. Os demais artigos foram descartados em virtude de nao se enquadrarem nos criterios preestabelecidos referentes a tematica analisada, resultando em um total de 26 artigos catalogados e analisados.

Aspectos gerais dos manuscritos avaliados

Os trabalhos realizados sobre a ciclagem de nutrientes que se enquadraram nos parametros de selecao anteriormente descritos, entre florestas plantadas em areas originais de Cerrado em diferentes fitofisionomias do bioma em seu estado natural totalizaram 26 artigos publicados em 16 diferentes revistas, sendo que quatro delas foram responsaveis por quase a metade do total das publicacoes (46,15%), sendo elas: Forest Ecology and Management, Brazilian Journal of Biology, Plant and Soil e Plant Ecology com tres publicacoes cada. O fato de tais revistas possuirem alto fator de impacto e serem revistas internacionais ressalta a importancia da tematica do estudo.

Avaliando as datas de publicacoes dos trabalhos pode-se perceber notorio aumento no numero de trabalhos nos ultimos seis anos, o que evidencia uma tendencia de crescimento nos trabalhos sobre o referido tema (Figura 1). Destacam-se os anos de 2011, 2012 e 2016 com sete, tres e tres publicacoes, respectivamente.

Dos 26 manuscritos avaliados, a tematica do aporte/deposicao/producao da serapilheira foi abordada em 22 trabalhos, perfazendo ampla maioria. Ja a quantificacao das taxas de decomposicao foi abordada em 13 publicacoes. Cabe ressaltar que muitos dos artigos apresentavam analise de ambas tematicas de forma simultanea, o que beneficia a consistencia dos trabalhos a respeito da dinamica da ciclagem de nutrientes.

O bioma Cerrado e composto por diversas fitofisionomias e classificada de formas diferentes dependendo de cada autor, conforme relatado por Bastos e Ferreira (2010). Escolheuse entao utilizar uma adaptacao da classificacao proposta por Ribeiro e Walter (2008), a qual utiliza um total de 11 diferentes fitofisionomias, como base, sendo assim classificadas as areas de trabalho dos manuscritos (Figura 2), entretanto, destas, foram registrados trabalhos em apenas quatro delas, o que evidencia uma lacuna para novos estudos nas demais fitofisionomias ainda nao avaliadas ate o momento. Foram realizados 12 estudos em areas de Cerrado sentido restrito; cinco em areas de Cerradao; quatro em Matas de galeria e cinco em Florestas de transicao Cerrado Amazonia. Com relacao aos estudos desenvolvidos em plantios homogeneos de especies exoticas, em area natural de Cerrado, foram cinco trabalhos em areas de plantio de Eucalyptus sp. e dois trabalhos em plantios de outras especies, uma area de plantio de Pinus caribaea e uma area de plantio de Acacia mangium.

Analise dos trabalhos de aporte da serapilheira no Cerrado

Os 22 manuscritos referentes ao aporte de serapilheira no bioma Cerrado foram avaliados com enfoque nas metodologias utilizadas, suas composicoes florestais e resultados. Dentre os trabalhos avaliados, foram realizados experimentos em nove areas de Cerrado sentido restrito, quatro em areas de Mata de galeria, quatro em areas de Cerradao, quatro em Florestas de transicao entre os biomas Cerrado e Amazonia, cinco em areas de plantios de Eucalipto, dois artigos de revisao (sem experimentos a campo), e um em area de Pinus caribaea e uma area de plantio de Acacia mangium.

Fica evidente que a formacao florestal com o maior numero de trabalhos sobre a quantificacao da producao de serapilheira foram as areas de Cerrado Sentido restrito, indicando que as demais formacoes necessitam de mais estudos, gerando assim, resultados mais confiaveis e passiveis de comparacao entre as mesmas formacoes e outras fitofisionomias do bioma Cerrado. Tal fato auxiliara em um maior entendimento dos processos que contribuem para a sustentabilidade e diversidade entre os ecossistemas. Cabe ressaltar que algumas fitofisionomias nao possuem nenhum tipo de trabalho com essa tematica, o que ressalta a necessidade da expansao destes estudos dentro do bioma Cerrado entre seus diferentes ecossistemas.

O tempo de coleta de dados variou bastante entre os trabalhos conforme pode ser observado na Tabela 1, entretanto, uma grande maioria realizou as coletas com o tempo total de experimento de um ano, totalizando 10 trabalhos. Com dois anos de avaliacao, cinco trabalhos foram publicados, outros tres manuscritos analisaram a decomposicao por tres anos e apenas um trabalho ultrapassou o periodo de tres anos, em um estudo com 8 anos realizado por Laclau et al. (2010), em povoamentos de Acacia mangium e Eucalyptus sp. A incidencia reduzida de trabalhos de medio e longo prazo evidenciam a necessidade da realizacao de avaliacoes mais duradouras, uma vez que muitas especies possuem producoes de flores, frutos e folhas sazonais e com alteracoes interanuais (RUBIM; NASCIMENTO; MORELLATO, 2010; ZIMMERMAN et al., 2007).

A utilizacao de coletores e a metodologia mais comumente adotada nos trabalhos referentes a producao de serapilheira, pois permite a quantificacao do material aportado em uma pequena area, a qual sera posteriormente extrapolada para hectare. Normalmente, os resultados sao apresentados nas unidades de medida: Mg (Megagrama) [hectare.sup.-1] [ano.sup.-1] ou ton [hectare.sup.-1] [ano.sup.-1] (SCORIZA et al., 2012). Alguns aspectos importantes devem ser levados em consideracao, para a padronizacao dos procedimentos metodologicos, como e o caso do numero de coletores instalados por uma determinada area, formato dos coletores--mesmo que estas diferencas sejam diluidas na extrapolacao para area de um hectare - posicionamento dos coletores na area de estudo, entre outros.

Com relacao ao numero de coletores instalados em cada experimento, os trabalhos divergiram bastante entre si, tendo trabalhos como apontado em Silva et al. (2007), com 10 coletores por tratamento e trabalhos com 60 e 52 coletores por tratamento, conforme Aquino et al. (2016) e Paiva, Silva e Haridasan (2015), respectivamente. Ficando assim evidenciado que nao ha um consenso a respeito do numero de coletores a serem utilizados, o que tambem pode gerar alteracoes na amostragem da serapilheira aportada.

Os resultados das analises referentes ao formato dos coletores e suas dimensoes podem ser visualizados na Tabela 2. Puderam-se verificar basicamente dois tipos de metodologias distintas: os coletores com formato circular e os coletores com formato quadrado. O formato mais utilizado foi o quadrado, com um total de 15 trabalhos que optaram por este tipo de coletor (cerca de 68,2% dos trabalhos), outras tres publicacoes utilizaram coletores de formatos circulares/conicos (13,65%) e outros quatro nao descreveram o formato utilizado.

As dimensoes dos coletores encontradas nos trabalhos avaliados variaram bastante, indo de 0,02 [m.sup.2] ate 1,00 [m.sup.2]. Ainda, mesmo dentro do mesmo tipo de coletor (formato), as dimensoes utilizadas apresentam muitas diferencas, cujos coletores quadrados variaram entre 0,21 [m.sup.2] e 1,00 [m.sup.2], e essa diferenca foi ainda maior para os coletores circulares, os quais variaram entre 0,02 e 0,44 [m.sup.2].

A escolha das dimensoes e formatos dos coletores de aporte de serapilheira, de acordo com Scoriza et al. (2012) fica a cargo de cada pesquisador, uma vez que a quantificacao do material aportado e feita por meio de equacao na qual a area do coletor e uma variavel. Entretanto, os diferentes formatos e dimensoes podem acabar implicando em alteracoes na amostragem da serapilheira aportada, facilitando ou dificultando a queda dos materiais vegetais nos coletores.

Tais discrepancias metodologicas podem dificultar a comparacao entre diferentes trabalhos com fidedignidade, pois, mesmo que ainda as areas dos coletores sirvam como uma amostra para posterior extrapolacao para area de um hectare, as florestas, mas em especifico o Cerrado, apresentam formacoes fisionomicas bastante distintas entre si, e isto implica em uma maior variabilidade de producao intra e interespecifica, devido aos diferentes padroes nas composicoes floristicas encontradas.

Ainda, mesmo dentro de um mesmo local, a variacao espacial pode se tornar um fator importante, o que foi constatado por Aquino et al. (2016) em um experimento realizado em uma Mata de galeria do corrego Lava-pes, em Ipameri - GO, onde os autores verificaram a existencia de dependencia espacial na producao de serapilheira, para o total depositado e para a fracao folhas, o que tambem nao foi levado em conta na grande maioria das publicacoes desta tematica.

A producao anual de serapilheira foi avaliada comparando estudos realizados dentro da mesma fitofisionomia do bioma Cerrado, a qual apresentou valores bastante distintos entre os trabalhos. Para os estudos realizados em areas de Cerrado sentido restrito, os valores variaram entre 0,62 Mg [hectare.sup.-1] [ano.sup.-1] encontrado em Silva et al. (2007) e 5,8 Mg [hectare.sup.-1] [ano.sup.-1] conforme trabalho de Valenti, Cianciaruso e Batalha (2008). Para as areas de Cerradao a variacao foi ainda maior, indo de 1,04 Mg [hectare.sup.-1] [ano.sup.-1], conforme apresentado por Silva et al. (2007) e 9,27 Mg [hectare.sup.-1] [ano.sup.-1] conforme descrito em Oliveira et al. (2017). Estas variacoes bastante amplas podem estar atreladas a diversos fatores, como: estado de conservacao e estagio sucessional da floresta estudada, posicao espacial da alocacao dos coletores, condicoes microclimaticas diferentes, ocorrencia de diferentes composicoes floristicas dentro da mesma fitofisionomia, com especies com maior ou menor producao de serapilheira, entre outros fatores (GIACOMO; PEREIRA; MACHADO, 2012; NASCIMENTO; CERQUEIRA; HENDERSON, 2015; AQUINO et al., 2016).

Alguns trabalhos de producao da serapilheira apresentaram alem da quantificacao do aporte total anual, a triagem dos materiais vegetais em diferentes fracoes, de acordo com sua composicao anatomica, e tem por finalidade a verificacao da contribuicao de cada fracao da serapilheira no aporte total. Nos trabalhos analisados, 16 estudos apresentaram algum tipo de classificacao (aproximadamente 72,7%), entretanto, os trabalhos utilizaram classificacoes bastante distintas entre si, e muitos deles nao quantificaram a contribuicao das diferentes fracoes no total depositado, conforme apresentado na Tabela 3.

A classificacao dos materiais vegetais aportados nas fracoes "folhas, ramos, estruturas reprodutivas e miscelanea" foi a forma de classificacao mais comum, sendo evidenciada quase metade do total dos trabalhos avaliados (43,75%), seguidos pela quantificacao da contribuicao somente foliar com um quarto dos trabalhos avaliados. Levando em consideracao que tais diferencas metodologicas ja vem ocorrendo ha um certo tempo, e nao so nos trabalhos referentes ao bioma Cerrado, mas em todas as formacoes florestais, Scoriza et al. (2012) recomendam o preestabelecimento da forma de classificacao destes materiais, com base em uma revisao cientifica, possibilitando desta forma, realizar comparacoes com outros trabalhos de forma mais apropriada.

Os manuscritos que realizaram a triagem do material vegetal aportado, algumas vezes, realizaram tambem a quantificacao da participacao de cada uma destas classes de material vegetal aportado, no entanto, esta pratica foi realizada em poucos trabalhos. Os valores encontrados para a contribuicao das folhas no total produzido variaram entre 42,92 e 75,3% nas areas de Cerrado sensu stricto, sendo que os valores em torno de 75% foram mais comuns. O valor de 42,92% apresentado no trabalho de Silva et al. (2007) encontra-se bastante abaixo dos demais resultados apresentados nas outras areas de Cerrado sentido restrito, tal fato esta possivelmente atrelado a alta contribuicao de frutos no total produzido, com 32,31% (201 kg [ha.sup.-1] [ano.sup.-1]). Ja a quantificacao da participacao dos galhos na serapilheira ficou abaixo de 20%, aproximadamente entre 17,51 e 18%.

Com relacao a contribuicao da fracao de folhas, independentemente da fitofisionomia, os resultados apresentaram valores semelhantes, todos com contribuicoes acima dos 70%. Para os tres trabalhos realizados em areas de Cerradao, os resultados variaram entre 72,27 e 82,95%. Os trabalhos em Matas de Galeria apresentaram valores entre 71,50% e 75%. Ja nas florestas de transicao entre Amazonia e Cerrado, os valores da contribuicao das folhas na composicao da serapilheira foram de 70%, 84,48% e um trabalho apontando uma contribuicao da fracao folha com valores entre 60 a 93% da producao total. Estes valores superiores nas areas de cerradao, floresta de transicao e mata de galeria em comparacao ao Cerrado sentido restrito se da devido a diferente composicao floristica e dossel mais fechado (RIBEIRO; WALTER, 2008), o que consequentemente acarreta em uma maior producao de serapilheira.

A maior parte dos valores encontrados nos trabalhos realizados nos diferentes ecossistemas do bioma Cerrado condizem com o que afirma Poggiani (2012), que por meio de estudos em diversos biomas florestais apontaram que a media da contribuicao das folhas na serapilheira varia entre 60 a 80% do total da producao. Cabe ressaltar que a analise dos demais componentes da serapilheira nao foram avaliados em razao da grande diferenca em sua classificacao, ficando assim evidenciado a necessidade de uma uniformidade entre os estudos, mesmo que de forma mais abrangente como para todo um bioma, possibilitando assim a comparacao entre os trabalhos.

Analise dos trabalhos de decomposicao da serapilheira no Cerrado

Referente aos trabalhos sobre a decomposicao da serapilheira nas areas do bioma Cerrado, sete em Cerrado sentido restrito foram avaliadas, quatro em areas de Cerradao, tres experimentos em Floresta de transicao entre Cerrado e Amazonia e outros dois em areas de plantios homogeneos de Eucalipto. Cabe ressaltar que nao existe nenhum tipo de trabalho a respeito da quantificacao da decomposicao nas demais fitofisionomias do bioma Cerrado, o que ressalta a necessidade da expansao destes estudos dentro do bioma Cerrado entre seus diferentes ecossistemas.

Para a realizacao deste tipo de trabalho, a utilizacao de bolsas de decomposicao ou "litter bags" e a pratica mais comum, onde uma porcao de material vegetal (geralmente folhas) e acondicionada nestas bolsas, e a partir da diferenca da massa inicial e a massa final apos algum tempo de exposicao destas bolsas a campo e realizada a quantificacao da decomposicao da serapilheira. Apos esta quantificacao, por meio de uma equacao e entao obtida a taxa de decomposicao (k), normalmente anual (WIEDER; LANG, 1982).

Ao analisar os trabalhos puderam-se constatar quatro dimensoes distintas na confeccao das bolsas de decomposicao, variando entre 5 x 5 cm e 30 x 30 cm, sendo o tamanho mais comum o de 20 x 20 cm (cinco dos 13 trabalhos avaliados). Alem das dimensoes das "litter bags", as malhas de nylon utilizadas na confeccao divergiram entre o tamanho de suas aberturas, onde as mais comuns foram as de 2 mm e 1 mm, conforme apresentado na Tabela 4. A abertura das malhas tem interferencia direta na decomposicao, uma vez que suas dimensoes determinara a entrada ou nao da fauna edafica decompositora (SETALA; MARSHALL; TROFYMOW, 1996).

Sendo assim, recomenda-se utilizar aberturas maiores como as de 2 mm, e evitar espacos muito maiores que este, pois ao deslocar as bolsas para o campo, pode-se perder material acondicionado nas bolsas e ocasionar erros nas determinacoes da decomposicao.

Apenas um dos trabalhos nao utilizou a metodologia de "litter bags", que foi o de Miatto e Batalha (2016), no qual os autores utilizaram a metodologia de tea bags, proposto por Keuskamp et al. (2013), em que sacos de folhas sao enterrados no solo e retirados apos tres meses de decomposicao destas.

A quantidade de gramas de material vegetal acondicionados nas bolsas de decomposicao foi avaliada nos trabalhos analisados nesta revisao sistematica, com seus resultados apresentados na Tabela 5. A utilizacao de cinco g por bolsa foi a metodologia mais comum entre os trabalhos, sendo observada em cinco publicacoes, seguida por quatro trabalhos que utilizaram 10 g. Outro trabalho utilizou 20 g de material vegetal por bolsa e, contrariando o meio comum, dois trabalhos apresentaram intervalos de valores para a quantidade de gramas por litter bag, com valores entre 2-5 g e 3-5 g. Tais alternancias nas massas das bolsas podem acarretar em grandes variacoes nos dados coletados, em caso de nao se ter um controle rigoroso da quantificacao do peso destas bolsas, uma vez que a velocidade de decomposicao e sua taxa k serao estimadas por meio destes valores.

Com a constatacao de tao grande variacao nas massas iniciais das bolsas, podese evidenciar uma falta de padrao na quantidade de material acondicionado nas bolsas de decomposicao, o que pode de alguma forma influenciar nas taxas k estimadas, bem como na acao dos organismos decompositores, sendo assim, necessaria uma padronizacao para evitar possiveis desvios e informacoes desencontradas, para permitir a comparacao entre os diferentes trabalhos de forma mais confiavel.

Em quase a totalidade dos trabalhos avaliados, o material vegetal acondicionado nas bolsas de decomposicao foram apenas compostos por folhas, e apenas um trabalho dentre os 13 avaliados utilizou outras partes vegetais componentes da serapilheira, onde Laclau et al. (2010) estudaram a decomposicao de residuos da colheita em area de plantio de eucalipto, em que constataram que a decomposicao das folhas e raizes finas foi mais rapida do que a decomposicao galhos e raizes mais grossas.

Alem disso, plantas do bioma Cerrado possuem um crescimento subterraneo bastante significativo, e em alguns locais, a maior parte da biomassa se encontra alocada no subsolo (LOIOLA; SCHERER-LORENZEN; BATALHA, 2015). Tendo em vista tal fato, cabe ressaltar que nenhum dos trabalhos avaliou a quantificacao da decomposicao das raizes de especies nativas do Cerrado, o que poderia gerar dados para o melhor entendimento da dinamica da ciclagem de nutrientes nestes ecossistemas.

Sendo assim, uma vez que as folhas representam, em media, 70% ou mais da constituicao da serapilheira, a velocidade e as taxas de decomposicao apresentadas na grande maioria dos artigos podem estar sendo superestimadas, pois as outras partes componentes da serapilheira nao estao sendo avaliadas, e estas por sua vez, possuem composicoes quimicas e velocidades de decomposicao bastante distintas (LACLAU et al., 2010).

Dentre as diferentes fracoes da serapilheira, os galhos e ramos sao responsaveis por aproximadamente 20% do total de materiais depositados sobre os solos florestais, e estes possuem altos teores de lignina. Pegoraro et al. (2011) afirmam que a lignina e um importante componente da parede celular das arvores, sendo este um biopolimero abundante e que fornece carbono ao solo de forma expressiva, pois apenas alguns microrganismos sao capazes de decompo-la devido a sua alta complexidade estrutural, contribuindo assim, substancialmente, para a formacao de carbono estavel no solo.

Os tempos de coleta das bolsas a campo apresentaram tambem discrepancias metodologicas entre os trabalhos, sendo que a data da primeira coleta variou entre duas semanas de exposicao das bolsas a campo como nos trabalhos de Bambi et al. (2011) e Silva et al. (2009) com entre 14 e 15 dias, respectivamente, indo ate o extremo de cinco meses de exposicao para a primeira e unica coleta como observado no trabalho dos autores Kozovits et al. (2007). A grande maioria dos trabalhos fez a primeira coleta com 30 dias de exposicao das bolsas a decomposicao, como nos trabalhos: Oliveira et al. (2017); Carvalho et al. (2014); Freitas, Cianciaruso e Batalha, (2012); Silva, Poggiani e Laclau, (2011); Laclau et al. (2010); Valenti, Cianciaruso e Batalha (2008); Cianciaruso et al. (2006).

De forma geral, a decomposicao da serapilheira tem comportamento exponencial de decaimento, em que os primeiros dias de exposicao apresentam as maiores taxas de decomposicao, devido ao fato da rapida degradacao dos elementos mais facilmente decomponiveis (celulose e holocelulose), restando apenas os elementos com estruturas e composicoes quimicas mais complexas, como e o caso da fracao humica que possui decomposicao mais lenta (GOYA et al., 2008).

Tendo em vista tais padroes de decomposicao, os trabalhos que apresentaram a primeira coleta de forma tardia podem ter estimado suas curvas de decomposicao de forma nao representativa a realidade, nao sendo provavelmente percebidos com clareza os pontos de inflexao da curva de decomposicao. Esta diferenca entre os tempos de coleta evidenciada na analise dos trabalhos, novamente ratifica a necessidade de uma padronizacao das metodologias, para que a comparacao entre os trabalhos possa ser realizada de forma mais segura.

Com relacao ao tempo total de analise e exposicao das bolsas a decomposicao, os seus resultados podem ser visualizados na Tabela 6, na qual oito dos 13 trabalhos tiveram duracao maxima de um ano, com apenas dois trabalhos publicados em que o tempo total de analise foi superior a um ano, e apenas um trabalho com mais de um ano e meio, como foi observado no trabalho de Laclau et al. (2010), com experimento realizado em area de plantios de eucalipto no Brasil e no Kongo. Outros dois trabalhos apresentaram tempo total de experimento inferior a um ano, com foi o caso de Kozovits et al. (2007) e Carvalho et al. (2014) com cinco e seis meses, respectivamente.

Publicacoes contendo estudos de longa duracao para a decomposicao da serapilheira no bioma Cerrado nao foram encontrados, sendo assim este um ponto a ser explorado nas futuras pesquisas, verificando a existencia ou nao de possiveis alteracoes interanuais entre as taxas de decomposicao, uma vez que diversos fatores afetam a degradacao dos materiais, tais como: umidade, temperatura, constituicao da serapilheira e atividade e diversidade biologica do solo (SANTANA et al., 2011; SOUTO et al., 2009).

Entre as varias formas fisionomicas de vegetacao nativa ocorrentes no Cerrado, fatores determinantes para estas diferenciacoes sao: profundidade efetiva do solo, presenca de concrecoes no perfil, proximidade a superficie do lencol freatico, drenagem e fertilidade. Alem das variacoes na fisionomia, ocorrem alteracoes tambem na composicao floristica, fitossociologia e produtivi dade desses ecossistemas, em decorrencia das variacoes nas caracteristicas quimicas e fisicas dos solos (HARIDASAN, 2000).

Sendo assim, trabalhos sobre a quantificacao da producao e decomposicao da serapilheira nas demais fitofisionomias que ainda nao possuem estudos publicados se tornam essenciais para o melhor entendimento da dinamica destes ecossistemas. Vale ressaltar tambem que estudos comparando diferentes metodologias aplicadas nos distintos ecossistemas do bioma Cerrado, com o intuito de verificar quais os procedimentos mais adequados a cada situacao, os quais possibilitem tambem a comparacao entre os trabalhos dentre uma mesma formacao fisionomica e entre diferentes fitofisionomias sao tambem indicados.

Consideracoes finais

Os trabalhos avaliados referentes a tematica de decomposicao da serapilheira, com excecao a um trabalho desenvolvido sobre os residuos da colheita de plantios de eucalipto, nao apresentaram avaliacoes da decomposicao de outros materiais vegetais componentes da serapilheira, que nao as folhas, isto pode implicar em uma superestimacao da velocidade de decomposicao destes, sendo assim, e necessaria a realizacao de estudos que visem a este tipo de investigacao, em especial nas areas de Cerrado nativo.

Dentre as diferentes fitofisionomias do Cerrado, pode-se observar que algumas delas, como: veredas, palmeirais, parque de Cerrado, campo sujo, campo rupestre e campo limpo, ainda nao possuem nenhum tipo de trabalho referente a producao e decomposicao da serapilheira, e ainda, a escassez de trabalhos com monitoramentos de longo prazo desta tematica apresentam-se como uma linha de pesquisa a ser seguida, uma vez que estudos com breve duracao nao permitem avaliar os efeitos de alteracoes sazonais e interanuais que possivelmente estejam correlacionadas com as mudancas climaticas.

A falta de estudos comparativos entre as metodologias apresenta um caminho para pesquisas futuras, pois o preenchimento desta lacuna implicara na possibilidade de comparacao dos trabalhos realizados em ambientes semelhantes de forma mais confiavel, e ate mesmo entre ecossistemas diferentes, caso suas metodologias permitam tais analises.

De forma geral, as metodologias utilizadas nos trabalhos de aporte e decomposicao da serapilheira apresentaram alto grau de variacao entre si, evidenciando assim, a necessidade da criacao de um protocolo unico, o qual permitiria a comparacao dos estudos, sendo que este deve ser construido com base nos trabalhos ja realizados e com encontros dos pesquisadores da area para debater quais os melhores procedimentos.

Com base nos artigos avaliados, sugere-se como metodologia para avaliacao da producao de serapilheira que o formato de coletores deva ser quadrado, pois facilita a extrapolacao para um hectare, com as fracoes da serapilheira definidas em: folhas, galhos, partes reprodutivas e miscelanea e com um numero minimo de 10 coletores. Ja para os estudos de decomposicao, sugere-se litter bags com dimensoes de 20 x 20 cm e malha com abertura de 2 mm, com acondicionamento de diferentes materias (nao somente folhas) para se ter uma estimativa mais real das taxas de decomposicao da serapilheira como um todo, alem de estudos com mais de um ano de avaliacao, para evidenciar os efeitos das possiveis alteracoes interanuais.

Referencias

ALMEIDA, J. C. R. et al. A positive growth response to NaCl applications in Eucalyptus plantations established on K-deficient soils. Forest Ecology and Management, Amsterdam, v. 259, p. 1786-1795, 2010.

AQUINO, P. S. R. et al. Analise espacial da produtividade de serapilheira em uma mata de galeria. Ciencia Florestal, Santa Maria, v. 26, n. 2, p. 489-500, 2016.

BALCH, J. et al. Negative fire feedback in a transitional forest of southeastern Amazonia. Global Change Biology, Nova Jersey, v. 14, p. 2276-2287, 2008.

BAMBI, P. et al. Decomposicao e redistribuicao de nutrientes das folhas de especies da floresta de transicao Amazonia - Cerrado, MT. Ciencia e Natura, Santa Maria, v. 33, n. 1, p. 17-31, 2011.

BASTOS, L. A.; FERREIRA, I. M. Composicoes fitofisionomicas do bioma cerrado: estudo sobre o subsistema de Vereda. Espaco em Revista, Catalao, v. 12, n. 2, p. 97-108, 2010.

BORENSTEIN, M. et al. Introduction to metaanalysis. Londres: Wiley, 2009. 421 p.

BUSTAMANTE, M. M. C. et al. Potential impacts of climate change on biogeochemical functioning of Cerrado ecosystems. Brazilian Journal of Biology, Sao Carlos, v. 72, n. 3, p. 655-671, 2012.

BUTLER, A. et al. Annual variation in soil respiration and its component parts in two structurally contrasting woody savanas in Central Brazil. Plant and Soil, Heidelberg, v. 352, p. 129-142, 2012.

CARVALHO, G. H. et al. Are fire, soil fertility and toxicity, water availability, plant functional diversity, and litter decomposition related in a Neotropical savanna? Oecologia, Heidelberg, v. 175, p. 923-935, 2014.

CIANCIARUSO, M. V. et al. Producao de serapilheira e decomposicao do material foliar em um cerradao na Estacao Ecologica de Jatai, municipio de Luiz Antonio, SP, Brasil. Acta Botanica Brasilica, Feira de Santana, v. 20, n. 1, p. 49-59, 2006.

COSTA, C. C. A. et al. Analise comparativa da producao de serrapilheira em fragmentos arboreos e arbustivos em area de caatinga na Flona de Acu - RN. Revista Arvore, Vicosa, MG, n. 34, v. 2, p. 259-265, 2010.

EPRON, D. et al. Do changes in carbon allocation account for the growth response to potassium and sodium applications in tropical. Tree Physiology, Oxford, v. 32, p. 667-679, 2011.

EPRON, D. et al. Partitioning of net primary production in Eucalyptus and Acacia stands and in mixed-species plantations: Two case-studies in contrasting tropical environments. Forest Ecology and Management, Amsterdam, v. 301, p. 102-111, 2012.

FONTES, M. P. F. Intemperismo de rochas e minerais. In: KER, J. C.; CURI, N.; SCHAEFER, C. E. G. R.; VIDAL-TORRADO, P. (ed.). Pedologia: fundamentos. Vicosa, MG: SBCS, 2012, p. 171-202.

FREITAS, J. R.; CIANCIARUSO, M. V.; BATALHA, M. A. Functional diversity, soil features and community functioning: a test in a cerrado site. Brazilian Journal of Biology, Sao Carlos, v. 72, n. 3, p. 463-470, 2012.

GIACOMO, R. G.; PEREIRA, M. G.; MACHADO, D. L. Aporte e decomposicao de serapilheira em areas de cerradao e mata mesofitica na estacao ecologica de pirapitinga--MG. Ciencia Florestal, Santa Maria, v. 22, n. 4, p. 669-680, 2012.

GOYA, J. F. et al. Decomposition and nutrient release from leaf litter in Eucalyptus grandis plantations on three different soils in Entre Rios, Argentina. Revista Bosque, Valdivia, v. 29, n. 3, p. 217-226, 2008.

HARIDASAN, M. Nutricao mineral de plantas nativas do cerrado. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal, Londrina, v. 12, n. 1, p. 54-64, 2000.

KEUSKAMP J. A. et al. Tea Bag Index: a novel approach to collect uniform decomposition data across ecosystems. Methods. Ecology and Evololution, London, v. 4, p. 1070-1075, 2013.

KOZOVITS, A. R. et al. Nutrient resorption and patterns of litter production and decomposition in a Neotropical Savanna. Functional Ecology, Londres, v. 21, p. 1034-1043, 2007.

LACLAU, J. P. et al. Biogeochemical cycles of nutrients in tropical Eucalyptus plantations Main features shown by intensive monitoring in Congo and Brazil. Forest Ecology and Management, Amsterdam, v. 259, p. 1771-1785, 2010.

LATHWELL, D. J.; GROVE, T. L. Soil-Plant Relationships in the Tropics. Annual Review of Ecology and Systematics, Palo alto, v. 17, p. 1-16, 1986.

LOIOLA, P. P.; SCHERER-LORENZEN, M.; BATALHA, M. A. The role of environmental filters and Functional traits in predicting the root biomass and productivity in savannas and tropical seasonal forests. Forest Ecology and Management, Amsterdam, v. 342, p. 49-55, 2015.

LOPES, J. F. B. et al. Deposicao e decomposicao de serapilheira em area da Caatinga. Revista Agro@mbiente On-line, Boa Vista, v. 3, n. 2, p. 72-79, 2009.

MIATTO, R. C.; BATALHA, M. A. Leaf chemistry of woody species in the Brazilian cerrado and seasonal forest: response to soil and taxonomy and effects on decomposition rates. Plant Ecology, Oxford, v. 217, p. 1467-1479, 2016.

NASCIMENTO, L. S., CERQUEIRA, R. M., HENDERSON, B. L. R. Producao de serapilheira em um fragmento adjacente a uma cava de mineracao, Ribeirao Grande, SP. Revista Brasileira de Engenharia Agricola e Ambiental, Campina Grande, v. 19, n. 9, p. 892-897, 2015.

OLIVEIRA, B. et al. Unraveling the ecosystem functions in the Amazonia--Cerrado transition: evidence of hyperdynamic nutrient cycling. Plant Ecology, Oxford, n. 218, p. 225-239, 2017.

PAIVA, A. O.; SILVA, L. C. R.; HARIDASAN, M. Productivity-efficiency tradeoffs in tropical gallery forestsavanna transitions: linking plant and soil processes through litter input and composition. Plant Ecology, Oxford, v. 216, p. 775-787, 2015.

PARRON, L. M.; BUSTAMANTE, M. M. C.; MARKEWITZ, D. Fluxes of nitrogen and phosphorus in a gallery forest in the Cerrado of central Brazil. Biogeochemistry, Heidelberg, v. 105, n. 1-3, p. 89-104, 2011.

PEGORARO, R. F. et al. Fenois derivados da lignina, carboidratos e aminoacucares em serapilheira e solos cultivados com eucalipto e pastagem. Revista Arvore, Vicosa, MG, v. 35, n. 2, p. 359-370, 2011.

PICKERING, C. M.; BYRNE, J. The benefits of publishing systematic quantitative literature reviews for PhD candidates and other early career researchers. Higher Education Research and Development, Londres, v. 33, p. 534-548, 2014.

POGGIANI, F. Estoques e transferencias de nutrientes nos ecossistemas. In: MARTINS, S. V. Ecologia de florestas tropicais do Brasil. Vicosa, MG: Editora UFV, 2012. p. 175-242.

QUESADA, C. A. et al. Seasonal variations in soil water in two woodland savannas of central Brazil with different fire history. Tree Physiology, Oxford, v. 28, p. 405-415, 2008.

RIBEIRO, J. F.; WALTER, B. M. T. As principais fitofisionomias do Bioma Cerrado. In.: SANO, S. M.; ALMEIDA, S. P.; RIBEIRO, J. F. Ecologia e flora. Brasilia: EMBRAPA, 2008. p. 152-212.

RUBIM, P.; NASCIMENTO, H. E. M.; MORELLATO, L. P. C. Variacoes interanuais na fenologia de uma comunidade arborea de floresta semidecidua no sudeste do Brasil. Acta Botanica Brasilica, Sao Paulo, v. 24, n. 3, p. 756-762, 2010.

SANCHES, L. et al. Dinamica sazonal da producao e decomposicao de serrapilheira em floresta tropical de transicao. Revista Brasileira de Engenharia Agricola e Ambiental, Campina Grande, v. 13, n. 2, p. 183-189, 2009.

SANTANA, J. A. S. et al. Decomposicao da biomassa foliar de cana-de acucar em um neossolo na regiao de areia - PB. Revista Caatinga, Mossoro, v. 24, n. 3, p. 28-32, 2011.

SCORIZA, R. N. et al. Metodos para coleta e analise de serapilheira aplicados a ciclagem de nutrientes. Floresta e Ambiente, Seropedica, v. 2, n. 2, p. 01-18, 2012.

SETALA, H.; MARSHALL, V. G.; TROFYMOW, J. A. Influence of body size of soil fauna on litter decomposition and 15N uptake by poplar in a pot trial. Soil Biology and Biochemistry, Amsterdam, v. 28, n. 12, p. 1661-1675, 1996.

SILVA, C. J. et al. Contribuicao de folhas na formacao da serrapilheira e no retorno de nutrientes em floresta de transicao no norte de Mato Grosso. Acta amazonica, Manaus, v. 39, n. 3, p. 591-600, 2009.

SILVA, C. J. et al. Producao de serrapilheira no Cerrado e Floresta de Transicao Amazonia-Cerrado do Centro-Oeste Brasileiro. Acta amazonica, Manaus, v. 37, n.4, p. 543-548, 2007.

SILVA, P. H. M.; POGGIANI, F.; LACLAU, J. P. Applying sewage sludge to eucalyptus grandis plantations: effects on biomass production and nutrient cycling through litterfall. Applied and Environmental Soil Science, London, v. 2011, p. 1-11, 2011.

SOUTO, P. C. et al. Caracteristicas quimicas da serapilheira depositada em area de caatinga. Revista Caatinga, Mossoro, v. 22, n. 1, p. 264-272, 2009.

VALENTI, M. W.; CIANCIARUSO, M. V.; BATALHA, M. A. Seasonality of litterfall and leaf decomposition in a cerrado site. Brazilian Journal of Biology, Sao Carlos, v. 68, n. 3, p. 459-465, 2008.

VILLALOBOS-VEJA, R. et al. Leaf litter manipulations alter soil physicochemical properties and tree growth in a Neotropical savana. Plant and Soil, Heidelberg, v. 346, p. 385-397, 2011.

ZIMMERMAN, J. K. et al. Flowering and fruiting phenologies of seasonal and aseasonal neotropical forests: the role of annual changes in irradiance. Journal of Tropical Ecology, Cambridge, v. 23, p. 231-251, 2007.

WIEDER, R. K.; LANG, G. E. A critique of the analytical methods used examining decomposition data obtained from litter bags. Ecology, Washington, v. 63, p. 1636-1642, 1982.

WILCKE, W.; LILIENFEIN, J. Biogeochemical consequences of the transformation of native Cerrado into Pinus caribaea plantations in Brazil. Plant and Soil, Heidelberg, v. 238, p. 175-189, 2002.

Jonas Inkotte (I), Rosana Carvalho Cristo Martins (II), Fernando Paiva Scardua (III), Reginaldo Sergio Pereira (II)

(I) Engenheiro Florestal, MSc., Doutorando do Programa de Pos-Graduacao em Ciencias Florestais, Faculdade de Tecnologia, Universidade de Brasilia, UnB, Campus Universitario Darcy Ribeiro, CEP 70910-900, Brasilia (DF), Brasil. jonasink@gmail.com (ORCID: 0000-0001-6151-6658)

(II) Engenheiro(a) Florestal, Dr (a), Professor(a) do Departamento de Ciencias Florestais, Universidade de Brasilia, Faculdade de Tecnologia, Campus Universitario Darcy Ribeiro, CEP 70910-900, Brasilia (DF), Brasil. rccristo@unb.br (ORCID: 0000-0001-8066-7566) / reginaldosp@unb.br (ORCID: 0000-0002-6614-6825)

(III) Engenheiro Florestal, Dr., Professor da Universidade de Brasilia, Faculdade Gama, Area Especial de Industria Projecao A - Setor Leste, CEP 72.444-240, Gama (DF), Brasil. fscardua@unb.br (ORCID: 0000-0003-4949-3283)

Submissao: 04/07/2017 Aprovacao: 21/11/2018 Publicacao: 30/06/2019

DOI: https://doi.org/10.5902/1980509827982
Tabela 1 - Classificacao dos manuscritos avaliados quanto ao tempo
total de exposicao das bolsas de decomposicao.
Table 1 - Classification of the evaluated papers regarding the total
time of exposure of the decomposition bags.

Tempo de estudo   N    Referencias

1 Ano             10  Aquino et al. (2016); Paiva; Silva; Haridasan
                      (2015); Epron et al. (2012); Butler et al. (2012);
                      Epron et al. (2011); Silva et al. (2009); Quesada
                      et al. (2008); Kozovits et al. (2007); Silva
                      et al. (2007); Cianciaruso et al. (2006)
2 anos             5  Oliveira et al. (2017); Villalobos-Veja et al.
                      (2011); Balch et al. (2008); Valenti; Cianciaruso;
                      Batalha (2008); Wilcke e Lilienfein (2002);
3 anos             3  Silva; Poggiani e Laclau (2011); Almeida et al.
                      (2010); Sanches et al. (2009)
8 anos             1  Laclau et al. (2010)

Em que: N = Numero de trabalhos.

Tabela 2--Caracterizacao dos coletores utilizados nos trabalhos de
aporte da serapilheira.
Table 2--Characterization of the collectors used in the litterfall
works.

Formato        Dimensoes          N  Referencias

Quadrado       0,25 [m.sup.2]     7  Paiva; Silva; Haridasan (2015);
                                     Silva et al. (2011);
                                     Villalobos-Veja et al. (2011);
                                     Valenti, Cianciaruso e Batalha
                                     (2008); Kozovits et al. (2007);
                                     Cianciaruso et al. (2006); Wilcke;
                                     Lilienfein (2002)
               0,21 [m.sup.2]     2  Almeida et al. (2010); Laclau
                                     et al. (2010)
               0,50 [m.sup.2]     3  Epron et al. (2012); Epron et al.
                                     (2011); Balch et al. (2008)
               1,00 [m.sup.2]     3  Sanches et al. (2009); Silva et al.
                                     (2009); Silva et al. (2007)
               0,28 [m.sup.2]     1  Oliveira et al. (2017)
Circular       0,44 [m.sup.2]     1  Butler et al. (2012)
Funil
               0,02 [m.sup.2]     1  Quesada et al. (2008)
               0,33 [m.sup.2]     1  Aquino et al. (2016)
Nao            Nao especificado   3  Bustamante et al. (2012);
especificado                         Parron; Bustamante; Arkewitz
                                     (2011); Lathwell; Grove (1986)

Em que: N.E. = Nao especificado.

Tabela 3--Tipos de classificacao dos materiais vegetais aportados
observados nos manuscritos avaliados.
Table 3--Types of classification of the litterfall observed in the
evaluated papers.

Triagem do material            N   Referencias
aportado

Folhas, Ramos, Estruturas       7  Oliveira et al. (2017); Aquino et al.
reprodutivas e Miscelanea          (2016); Sanches et al. (2009); Silva
                                   et al. (2009); Valenti; Cianciaruso;
                                   Batalha (2008); Silva et al. (2007);
                                   Cianciaruso et al. (2006)
So Folha                        4  Butler et al. (2012); Silva;
                                   Poggiani; Laclau (2011); Almeida
                                   et al. (2010); Kozovits et al. (2007)
Folhas, Cascas e Galhos         2  Epron e al. (2012) e Epron et al.
mortos                             (2011)
Folhas e Miscelanea (frutos,    1  Paiva; Silva; Haridasan (2015)
galhos e etc.)
Retirada de Galhos > 1 cm       1  Balch et al. (2008)
Folhas, Estruturas              1  Villalobos-Vega et al. (2011)
reprodutivas e Outros
materiais
Total                          16

Em que: N = Numero de trabalhos.

Tabela 4--Quantificacao dos trabalhos de acordo com as dimensoes e
abertura das malhas de nylon das bolsas de decomposicao.
Table 4--Quantification of the works according to the dimensions and
opening of the nylon mesh of the litter bags.

Dimensoes          Abertura da   Referencias
                   malha

N.E.               1 mm          Carvalho et al. (2014)
N.E.               N.E.          Freitas; Cianciaruso; Batalha (2012)
N.E.               N.E.          Bambi et al. (2011)
N.E.               1 mm          Valenti; Cianciaruso; Batalha (2008)
20x20 cm           1 mm          Cianciaruso et al. (2006)
20x20 cm           1 mm          Villalobos-Vega et al. (2011)
20x20 cm           2 mm          Kozovits et al. (2007)
20x20 cm           5 mm          Silva; Poggiani; Laclau (2011)
20x20 cm           2 mm          Laclau et al. (2010)
20x24 cm           2 mm          Oliveira et al. (2017)
30x30 cm           N.E.          Sanches et al. (2009)
30x30 cm           2 mm          Silva et al. (2009)
5x5 cm (tea bag)   0-25 mm       Miatto; Batalha (2016);

Em que: N = Numero de trabalhos.

Tabela 5--Quantificacao dos trabalhos de acordo com a massa de material
vegetal acondicionada nas bolsas de decomposicao.
Table 5--Quantification of the works according to the mass of vegetal
material placed in the decomposition bags.

Massa              N   Referencias
acondiconada nas
litter bags

5 g                5   Carvalho et al. (2014); Freitas; Cianciaruso;
                       Batalha (2012); Bambi et al. 2011; Valenti;
                       Cianciaruso; Batalha (2008); Cianciaruso et al.
                       (2006)
10 g               4   Villalobos-Veja et al. (2011); Kozovits et al.
                       (2007); Silva; Poggiani; Laclau (2011); Laclau
                       et al. (2010)
20 g               1   Oliveira et al. (2017)
2 a 5 g            1   Sanches et al. (2009)
3 a 5 g            1   Silva et al. (2009)
2 g (tea bag)      1   Miatto e Batalha (2016);

Em que: N = Numero de trabalhos.

Tabela 6--Classificacao dos manuscritos avaliados quanto ao tempo total
de exposicao das bolsas de decomposicao.
Table 6--Classification of the evaluated manuscripts regarding the
total time of exposure of the decomposition bags.

Tempo total do experimento   N   Referencias

3 meses (tea bag)            1   Miatto e Batalha (2016)
5 meses                      1   Kozovits et al. (2007)
1 ano                        8   Oliveira et al. (2017); Freitas;
                                 Cianciaruso; Batalha (2012); Bambi
                                 et al. (2011); Silva; Poggiani; Laclau
                                 (2011); Sanches et al. (2009); Silva
                                 et al. (2009); Cianciaruso et al.
                                 (2006)
1 ano e 2 meses              1   Villalobos-Vega et al. (2011)
1,5 e 2 anos                 1   Laclau et al. (2010)

Em que: N = Numero de trabalhos.
COPYRIGHT 2019 Universidade Federal de Santa Maria
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2019 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:Artigo de Revisao
Author:Inkotte, Jonas; Martins, Rosana Carvalho Cristo; Scardua, Fernando Paiva; Pereira, Reginaldo Sergio
Publication:Ciencia Florestal
Article Type:Bibliografia
Date:Apr 1, 2019
Words:8099
Previous Article:Fungos ectomicorrizicos em plantacoes de nogueira-peca e o potencial da truficultura no Brasil/Ectomycorrhizal fungi in pecan orchards and the...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters