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Methodology of minigrafting on passion fruits/Metodologia de minienxertia em maracujazeiros.

No genero Passiflora, plantas livres de virus podem ser obtidas in vitro a partir de meristema apical (PRAMMANEE et al., 2011), e tambem a tecnica da enxertia tem sido aprimorada, como, por exemplo, atraves do uso da minienxertia, o que visa a obtencao de materiais livres de virus, como o Cowpea aphid-borne mosaic virus (CABMV) (RIBEIRO et al., 2008). Segundo Maciel et al. (2009), plantas de P suberosa enxertadas em plantas de P edulis f. flavicarpa infectadas com o CABMV nao desenvolveram sintomas da doenca. A tecnica em Passifloraceas tambem tem sido estudada no uso de inumeros porta-enxertos para a prevencao de doencas relacionadas com sistema radicular, como a fusariose e a podridao-do-colo (FISCHER et al., 2010), alem de transmitir, atraves da enxertia, um sinal positivo, fazendo com que cultivares que normalmente abortavam flores sob dias curtos permitam agora o desenvolvimento normal das mesmas (NAVE et al., 2010).

Alguns trabalhos de enxertia ja foram realizados com o genero Passiflora, dentre os quais aqueles pela modalidade hipocotiledonar (NOGUEIRA-FILHO et al., 2010; NOGUEIRA FILHO et al., 2011; CAVICHIOLI et al., 2011); garfagem em fenda cheia (LENZA et al., 2009; CAVICHIOLI et al., 2011) e garfagem em fenda lateral (RONCATTO et al., 2011).

Uma metodologia inovadora foi a microenxertia ex vitro, atraves da insercao de um apice caulinar da especie P. edulis f. flavicarpa, no epicotilo, por meio da incisao em forma de janela na proximidade da regiao apical de uma plantula da mesma especie (RIBEIRO et al., 2008). Pereira et al. (2009), com a microenxertia interespecifica ex vitro, obtiveram valores de pegamento das combinacoes P. edulis f. flavicarpa x P. edulis f. flavicarpa, P. edulis f. flavicarpa x P. cincinnata, P. edulis f. flavicarpa x P. alata, P. edulis f. flavicarpa x P. setacea, de 30,3; 10; 1,6 e 0%, respectivamente. Em outras especies tambem se utiliza a microenxertia, como em eucalipto (BANDEIRA et al., 2007), citros (SINGH et al., 2008), araucaria (ANSELMINI et al., 2008), Arabidopsis thaliana (NOTAGUCHI et al., 2009), tomateiro (COUTINHO et al., 2010) e Nicotiana attenuata (FRAGOSO et al., 2011).

Novas tecnologias estao surgindo e, portanto, o objetivo deste trabalho e a de divulgar uma nova metodologia de enxertia pela modalidade garfagem no topo hipocotiledonar em fenda cheia, utilizando miniestacas adultas de segmentos apicais de P. edulis f. flavicarpa, P. edulis, P. alata, P. mucronata e P. foetida e de segmentos internodais de P. mucronata.

O trabalho foi desenvolvido na casa de vegetacao pertencente ao Departamento de Ciencias Agrarias e Biologicas (DCAB), do Centro Universitario Norte do Espirito Santo (CEUNES), pertencente a Universidade Federal do Espirito Santo (UFES). Os enxertos foram coletados de plantas-matrizes da colecao do CEUNES/UFES.

A obtencao do porta-enxerto foi mediante o semeio de uma unica semente do maracujazeiro P. edulis f. flavicarpa, em orificio (0,5 cm de diametro por 1,0 cm de profundidade) feito por meio de um perfurador de substrato (Figura 1A), em cada celula das bandejas de isopor, contendo como substrato o produto comercial Plantmax[R] (Figura 1a). Este substrato foi irrigado antes e apos a semeadura, mediante sistema de nebulizacao intermitente. As plantulas iniciaram a emergencia apos cinco dias da semeadura. As sementes foram mantidas em casa de vegetacao com sistema de irrigacao com nebulizacao intermitente, para a obtencao dos porta-enxertos com o primeiro par de folhas verdadeiras totalmente expandidas, aos 30 dias da semeadura e 50 dias, com comprimento de 8 cm e diametro de 2,5 mm (Figura 1b). Em seguida, os porta-enxertos foram decapitados, por meio de uma lamina de aco, abaixo das folhas cotiledonares, a cinco centimetros da superficie do solo (Figura 1c). Apos a decapitacao (Figura 1d), procedeu-se a incisao longitudinal de 1 cm no centro da superficie podada (Figura 1e-f).

A descricao da metodologia da minienxertia foi baseada na especie P. edulis, e o mesmo procedimento foi adotado para as demais especies (P. edulis f. flavicarpa, P. alata, P. mucronata e P. foetida). Foram enxertadas 64 plantas para cada combinacao enxerto/porta-enxerto.

A metodologia inicia-se entao com a coleta das miniestacas apicais de plantas adultas do maracujazeiro P. edulis no campo, com dois anos de idade, conduzidas em sistema de espaldeira com um arame numero 12, que foram retiradas com auxilio de uma lamina de aco (Figura 2a), e transferidas para caixas de isopor contendo agua destilada, que em seguida foram transportadas imediatamente para o local de enxertia. Os enxertos foram submetidos a uma limpeza para a remocao de folhas e gavinhas e, em seguida, na base do garfo, foi feito um bisel duplo de 2 cm de comprimento (Figura 2b). Introduziu-se o garfo na fenda do porta-enxerto, com o cuidado de colocar os tecidos de ambos em perfeito contato, em pelo menos um dos lados (Figura 2c). Apos a justaposicao dos tecidos, na regiao de enxertia, fez-se um amarrio utilizando-se fita de Micropore[R] (2 mm de largura), para unir o enxerto ao portaenxerto (Figura 2d). Apos a enxertia, os enxertos foram cobertos com sacos plasticos transparentes, que foram presos ao substrato por meio de um clipe, de forma a constituir uma camara umida (Figura 2e). Transcorridos 45 dias da enxertia, retirou-se a fita Micropore[R], para a visualizacao do pegamento do enxerto e, com isso, verificou-se uma conexao bem estabelecida entre enxerto (P. edulis) e porta-enxerto (P. edulis f. flavicarpa) (Figura 2f-g), apresentando pegamento de 90%.

Para as demais especies utilizadas como enxerto (P. edulisf. flavicarpa, P. alata, P. mucronata e P. foetida), a descricao e a mesma apresentada acima para o enxerto P. edulis, portanto procurou-se mostrar apenas as imagens do pegamento dos enxertos (Figura 3). As cicatrizacoes nas combinacoes P. edulis f.flavicarpa/P. edulis f.flavicarpa, P. edulis/P. edulis f. flavicarpa, P. alata/P. edulis f. flavicarpa, P. mucronata/P. edulis f. flavicarpa, P. foetida/P. edulis f.flavicarpa foram observadas aos 45; 45; 30; 17 e 15 dias, respectivamente. Nao se verificaram dificuldades neste metodo quanto a tecnica utilizada, mesmo quando a geometria dos segmentos dos enxertos e do hipocotilo do porta-enxerto foram distintas, como, por exemplo, o enxerto P. alata que apresenta formato retangular, diferentemente do porta-enxerto de P. edulis f.flavicarpa que e circular, que apresentaram pegamento de 68% (Figura 3b).

Em todos os enxertos, verifica-se, na regiao da enxertia, um tecido esbranquicado e corticoso como indicativo de que houve conexao entre enxerto e porta-enxerto, apos a incisao (Figura 3). Na combinacao P. foetida x P. edulis f. flavicarpa, verifica-se calejamento excessivo mostrando a capacidade em promover um rapido estabelecimento da conexao entre os tecidos, com pegamento de 90% (Figuras 3d, e).

Para as combinacoes P. edulis f. flavicarpa/P. edulis f. flavicarpa e P. mucronata/P. edulis f. flavicarpa, os pegamentos foram de 90 e 80%, respectivamente.

As mudas referentes as combinacoes P. edulis f. flavicarpa/P. edulis f.flavicarpa, P. edulis/P. edulis f. flavicarpa, P. alata/P. edulis f. flavicarpa, P. mucronata/P. edulis f. flavicarpa, P. foetida/P. edulis f. flavicarpa estavam formadas aos 135; 135; 150; 100 e 90 dias, respectivamente.

De acordo com o trabalho, verifica-se que a metodologia empregada e uma nova opcao de enxertia para essas especies do genero Passiflora e que a utilizacao de apices de ramos adultos das especies estudadas e uma opcao menos destrutiva as plantas.

Os pesquisadores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq), pelo apoio financeiro.

REFERENCIAS

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BANDEIRA, F.S.; XAVIER, A.; OTONI, W.C.; LANI, E.R.G. Aclimatizacao ex vitro de plantas propagadas pela enxertia in vitro de clones de Eucalyptus urophylla x E. granais. Revista Arvore, Vicosa, v.31, n.5, p.773-781, 2007.

CAVICHIOLI, J.C.; CORREA, L. de S.; BOLIANI, A.C.; SANTOS, P.C. dos Desenvolvimento e produtividade do maracujazeiro-amarelo enxertados em tres porta-enxertos. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v.33, n.2, p.558-566, 2011.

COUTINHO, O. de L.; REGO, M.M. do; REGO, E.R. de; KITAMJRA, M.C.; MARQUES, L.F.; FARIAS FILHO, L. de P. Desenvolvimento de protocolo para microenxertia do tomateiro Lycopersicon esculentum Mill. Acta Scientiarum. Agronomy, Maringa, v.32, n.1, p.87-92, 2010.

FISCHER, I.H.; ALMEIDA, A.M. de; FILETI, M. de S.; BERTANI, R.M. de A.; ARRUDA, M.C. de; BUENO, C.J. Avaliacao de passifloraceas, fungicidas e Trichoaerma para o manejo da podridao-do-colo do maracujazeiro, causada por Nectria haematococca. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v.32, n.3, p.709-717, 2010.

FRAGOSO, V.; GODDARD, H.; BALDWIN, I.T.; KIM, S'G. A simple and efficient micrografting method for stably transformed Nicotiana attenuata plants to examine shoot-root signaling. Plant Methods, Lancaster, v.7, n.1, p.1-8, 2011.

LENZA, J.B.; VALENTE, J.P.; RONCATTO, G.; CHIG, L.A. Indice de pegamento e precocidade de mudas da variedade FB200 enxertada em diferentes especies silvestres e comerciais de maracujazeiro. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v.31, n.3, p.831-836, 2009.

MACIEL, S. da C.; NAKANO, D.H.; REZENDE, J.A.M.; VIEIRA, M.L.C. Screening of Passiflora species for reaction to Cowpea aphiae-borne mosaic virus reveals an immune wild species. Scientia Agricola, Piracicaba, v.66, n.3, p.414-418, 2009.

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RODRIGO SOBREIRA ALEXANDRE (2), JOSE CARLOS LOPES (3), ARISTHOTELIS TADEU TIRADENTES (4), CLAUDIO HORST BRUCKNER (5), WAGNER CAMPOS OTONI (5)

(1) (Trabalho 160-12). Recebido em: 16-05-2012. Aceito para publicacao: 18-10-2012.

(2) Prof., D.Sc., Universidade Federal do Espirito Santo/Centro Universitario Norte do Espirito Santo (UFES/CEUNES). Rodovia BR 101 Norte, Km 60, Bairro Litoraneo, CEP 29932-540, Sao Mateus-ES. E-mail: rodrigosobreiraalexandre@gmail.com

(3) Prof., D.Sc., UFES/Centro de Ciencias Agrarias (CCA). Alto Universitario, s/no.--Cx Postal 16, Guararema--29500-000 Alegre-ES. E-mail: jcufes@bol.com.br

(4) M.Sc. em Producao Vegetal, UFES/CCA. E-mail: tothytiradentes@gmail.com

(5) Prof., D.Sc., Universidade Federal de Vicosa (UFV). Av. P.H. Rolfs, s/n, CEP 36570-000, Vicosa-MG. E-mails: bruckner@ufv.br; wotoni@ufv.br
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:Alexandre, Rodrigo Sobreira; Lopes, Jose Carlos; Tiradentes, Aristhotelis Tadeu; Bruckner, Claudio H
Publication:Revista Brasileira de Fruticultura
Date:Mar 1, 2013
Words:1960
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