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Mercado futuro e fisico de SLCC: conhecimento e uso no agronegocio citricola do Brasil.

FUTURE AND PHYSICAL MARKET OF FCOJ: KNOWLEDGE AND USE BY CITRUS AGRIBUSINESS OF BRAZIL

INTRODUCAO

O sistema agroindustrial da laranja tem grande importancia para a economia brasileira com a receita das exportacoes de suco de laranja concentrado e congelado (SLCC), em 2006, atingindo US$1,043 bilhao (972.750,41 t), cerca de 2,4% do total dos agronegocios e de 0,9% das exportacoes totais do Brasil. Em 2007, as exportacoes brasileiras de SLCC atingiram US$1,054 bilhao (976.363,59 t), sendo que a receita da industria processadora e exportadora cresceu 47,9% em relacao a 2006. As exportacoes de suco de laranja do Estado de Sao Paulo (maior produtor brasileiro) representaram 95,8% do total nacional, em 2005 corresponderam a 9% das exportacoes do agronegocio paulista e 2,8% das exportacoes totais do Estado (Associtrus,2006). As exportacoes de SLCC sustentam toda uma infra-estrutura de producao de materia-prima e de processamento do produto, com efeitos diretos e indiretos na geracao de empregos, na receita publica e nas demais atividades economicas do Estado de Sao Paulo, o que faz com que a agroindustria citricola paulista tenha grande papel social no Pais. O mercado de suco de laranja e caracterizado como sendo um oligopsonio, onde, de um lado, poucas empresas sao responsaveis pela compra da producao de laranja e, do outro, milhares de produtores vendem o produto. De acordo com Margarido (1998), as industrias processadoras de SLCC do Estado de Sao Paulo possuem elevado grau de concentracao economica, que acaba garantindolhes algum poder capaz de provocar importantes transformacoes sobre a estrutura de mercado. Segundo Maia (1996), as barreiras a entrada de novas firmas sao impostas, na maioria das vezes, pelas grandes empresas presentes no mercado e que possuem grandes vantagens sobre as concorrentes. Na Europa, existe um grande numero de empresas engarrafadoras de suco e, a partir dos anos 90, vem aumentando a concentracao entre as empresas processadoras, engarrafadoras, varejistas e atacadistas, atuantes no mercado de suco de laranja. Nos Estados Unidos, a concentracao e maior, sendo que existem tres grandes empresas com 60% do mercado: Pepsi (Tropicana), Coca-Cola (Minute Maid) e Florida[acute accent]s Natural. Considerando-se tambem a participacao das marcas proprias dos supermercados com sucos processados por elas, as tres maiores empresas do mercado controlariam aproximadamente 80% da participacao total (Binkley et al., 2002). Usualmente, a formacao dos precos do SLCC no mercado mundial tem como referencia a Bolsa em New York; porem, atualmente, o balizamento de precos do suco brasileiro esta sendo deslocado para Roterda, um importante porto na Europa (Holanda), um mercado fisico onde nao ocorrem transacoes futuras. Os mercados derivativos representam uma alternativa para administrar a flutuacao dos precos das commodities agricolas, possibilitando tambem a seus participantes buscar um ganho financeiro em seus diversos tipos de operacoes. De acordo com Jorion (1998, p.123), um contrato de derivativos pode ser definido como "um contrato privado que deriva a maior parte de seu valor de algum ativo, taxa referencial ou indice-objeto como uma acao, um titulo, uma moeda ou uma commodity".Os mercados derivativos vem ganhando importancia e dando novos contornos ao mercado de commodities agricolas e gerando efeitos de curto a longo prazos no setor agroindustrial.

RISCOS DO SETOR: As empresas processadoras de SLCC e os produtores de laranja estao expostos a diversos riscos, como o risco de producao e o de preco. Os engarrafadores de suco e os traders que negociam no mercado internacional correm os riscos principalmente de nao receberem a mercadoria, devido a problemas com a producao do suco. Em 1966, a New York Board of Trade (NYBOT) passou a negociar contratos futuros de SLCC, que foi o primeiro produto agricola totalmente processado a ser negociado com sucesso em Bolsas de Mercadorias. O principal objetivo da introducao desses contratos pela NYBOT era o de dar orientacao a industria de citros na Florida. Em 1985, sao introduzidos os contratos de opcao sobre contratos futuros de SLCC (NYBOT,2005). No final de 2007, a NYBOT foi vendida para a IntercontinentalExchange (NYSE: ICE),que manteve os contratos de suco de SLCC; nestes, sao especificadas a unidade de negociacao de 15.000 libras-peso de solidos soluveis, cuja cotacao e em centavos de dolar e centesimos de um centavo, o objeto de negociacao e tipo A (1), com menos de 62.5 graus Brix e os produtos sao originados do Brasil e/ou Florida. A entrega fisica de barris de 200 kg ou tanques ocorre em armazens licenciados pela Bolsa na Florida, New Jersey, Dalaware e California. Em outubro de 2006, a NYBOT introduziu o contrato futuro de NFC (2) (Not-From Concentrate, ou seja suco de laranja nao-concentrado), pois o volume de negociacao do contrato de SLCC teve uma reducao devido a diversos fatores, como a substituicao do consumo de SLCC por NFC, um produto cujo consumo cresce a taxas mundiais de 35%. No contrato de NFC, a unidade de negociacao e de 12.000 libras-peso de solidos soluveis, a cotacao e em centavos de dolar e centesimos de um centavo, o objeto de negociacao e Grau A com 11,5 a 12,5 graus Brix e os produtos sao originados somente da Florida. Segundo Hart (2004), desde o inicio dos anos 90, vem aumentando o consumo de NFC e diminuindo o consumo de SLCC nos Estados Unidos; em 1998, a venda de NFC em supermercados representou 51% das vendas de sucos nesse pais. Muitos fatores podem afetar a oferta de suco de laranja: estoques de suco, geadas na Florida, doencas e secas no Brasil, e esta sensibilidade combinada com um mercado global competitivo de sucos e bebidas tornam o preco do SLCC volatil. O preco do NFC tambem e influenciado pelos fundamentos do mercado, mas tende a ser menos volatil que o preco do SLCC. Mas, alem dos fundamentos do mercado, e necessario acompanhar o movimento dos fundos de investimentos, que estao investindo bilhoes de dolares em contratos de petroleo, cobre e commodities agricolas, como soja, trigo e suco de laranja. Os fundos atuam como grandes especuladores e migraram suas aplicacoes para as commodities, buscando alta rentabilidade e protecao contra a crise do mercado de credito nos Estados Unidos, provocando, no curto prazo, oscilacoes de precos consideraveis nesses mercados. Pyndick (2001) considera que a volatilidade dos mercados leva produtores e consumidores de commodities a fazerem hedge para poderem administrar o risco do mercado; os instrumentos negociados nesse mercado incluem os contratos futuros e de opcoes. O conceito de hedge esta associado a contratacao de operacoes no mercado financeiro que diminuam o impacto de fatores imprevisiveis e, para utilizar esse instrumento de protecao, e preciso inicialmente identificar e, de certa forma, quantificar os fatores de riscos e, a partir dessa acao, decidir quanto e o que proteger. Os hedgers sao os agentes economicos que atuam no mercado futuro e que possuem interesse comercial direto pelo produto, como os produtores, exportadores, processadores, atacadistas e varejistas.

MERCADO FISICO DE ROTERDA: O Porto de Roterda e utilizado para distribuir o SLCC (60% do mercado europeu de suco) e outras commodities, como cereais, fumo, cafe e carne para a Europa (25 milhoes de toneladas de alimentos), sendo que sua participacao de mercado (40,7%) e maior em comparacao com os outros portos- Antuerpia (14,4%), Hamburgo (9,0%) e Zeebrugge (4,4%), (Saulnier,2004). Existe uma elevada correlacao entre os precos vigentes no Brasil, em New York e os precos em Roterda, que estao sendo usados como base pela industria processadora em seus contratos de venda de SLCC para as engarrafadoras de sucos (Grafico1). Essa alta correlacao mostra que os precos praticados em Roterda sao atrelados aos precos de fechamento na Bolsa em New York (cujos precos atuam como sinalizadores do mercado). De acordo com Lara (2005),contratos plurianuais estipulam precos definidos e clausulas de protecao a seu favor e, para poder honrar esses contratos, a industria forcosamente tem de carregar estoques para manter seu risco sob controle e tambem para garantir o atendimento da demanda.Os contratos realizados entre as empresas processadoras e engarrafadoras sao contratos a termo, onde ocorre a negociacao de uma quantidade especifica de um bem, por um preco especifico, para ser liquidado em uma data futura determinada. Ha flexibilidade na negociacao das condicoes de preco, prazo, garantia e formas de liquidacao nesses contratos.

MATERIAL E METODOS

O presente artigo foi baseado na tese de doutorado da Autora (3), que pode ser classificada como uma pesquisa qualitativa, e a metodologia utilizada no trabalho foi baseada em dados primarios e secundarios, sendo que os dados primarios foram obtidos por meio de entrevistas semi-estruturadas com pessoas selecionadas intencionalmente entre produtores de laranja, executivos das industrias processadoras de suco de laranja, instituicoes de pesquisa e traders. Os dados secundarios foram obtidos a partir de um levantamento bibliografico realizado em bibliotecas, sites da Internet e banco de dados, e as principais fontes utilizadas foram:ABECITRUS, ASSOCITRUS, Florida Department of Citrus, USDA, FOODNEWS, MAPA, SECEX, NYBOT, IEA, BM&F, USP, UNICAMP. Para se obterem os dados primarios, foram realizadas entrevistas em profundidade, conduzidas por um roteiro de perguntas abertas sobre os seguintes temas: mercado internacional de SLCC; mercado fisico de laranja e de suco de laranja; contratos a termo e contratos futuros, e tambem sobre o futuro da citricultura brasileira. Mas o presente artigo apenas apresentara os resultados relacionados ao mercado a termo e ao mercado futuro de SLCC. Na etapa inicial da pesquisa, foi utilizado um estudo-piloto com cinco executivos de industrias do setor citricola, cinco profissionais que trabalham com mercado futuro de commodities agricolas e dois pesquisadores de instituicoes de pesquisas que trabalham com a citricultura nos Estados de Sao Paulo e Rio Grande do Sul, com o objetivo de avaliar a importancia do tema a ser estudado.Apos essa etapa, foram coletados os dados secundarios e realizada extensa revisao bibliografica, alem de visitas informais a duas empresas do setor e tambem ao terminal de embarque de suco de uma grande empresa processadora de suco concentrado de laranja, localizado no porto de Santos-SP.Foram selecionados vinte produtores das regioes paulistas de Campinas, Araraquara, Catanduva, Matao, Sao Jose do Rio Preto, Itapetininga e tambem dois produtores da regiao de Paranavai (PR) e um (1) assessor tecnico de uma cooperativa de produtores em Chapeco (SC).Os produtores do Estado de Sao Paulo foram escolhidos por meio do cadastro de uma empresa privada do setor, por possuirem em seu perfil algumas caracteristicas que os caracterizavam como provaveis hedgers da NYBOT: sao medios (segundo o relatorio apresentado por Paulillo (2005)), (com cerca de 400.000 pes de laranja) e grandes produtores (com cerca de 900.000 pes de laranja), possuem atividades com fins comerciais e formacao de nivel superior, o que facilita o acesso as informacoes do mercado futuro de SLCC. Os pequenos produtores (com cerca de 16.000 arvores) do Estado do Parana e Santa Catarina foram entrevistados com o objetivo de conhecer o mercado de sucos organicos. Ao entrevistar os produtores, pretendia-se buscar informacoes sobre as transacoes no mercado fisico entre produtores e empresas processadoras, o seu conhecimento no mercado internacional de suco de laranja e tambem verificar o grau de conhecimento em relacao ao funcionamento do mercado futuro e de opcoes, e se eles operam neste mercado. O objetivo das entrevistas com os traders foi o de conhecer mais profundamente as transacoes que ocorrem no mercado internacional entre empresas processadoras de suco de laranja e os seus clientes. Foram entrevistados, por meio de entrevistas pessoais e por telefone, nove traders (sendo que cinco ja tinham sido entrevistados na etapa inicial) de empresas comerciais do Brasil e dos Estados Unidos, que negociam suco de laranja no mercado internacional, sendo que as entrevistas pessoais foram realizadas nas cidades de Sao Paulo e Braganca Paulista (SP). Foram realizadas entrevistas pessoais e por mensagem eletronica com tres pesquisadores(sendo que dois pesquisadores sao os mesmos da etapa inicial da pesquisa) do setor citricola pertencentes a instituicoes publicas, localizadas no Estado de Sao Paulo e no Estado do Rio Grande do Sul, com o objetivo de conhecer o setor e tambem sobre a existencia de trabalhos de pesquisa a respeito do mercado futuro de suco de laranja concentrado e congelado. Foram realizadas entrevistas com sete executivos (sendo que cinco ja haviam sido entrevistados na etapa inicial) das industrias processadoras, com o objetivo de conhecer as transacoes entre produtores de laranja e empresas processadoras de suco, conhecer as transacoes dessas empresas no mercado internacional, mais especificamente em Roterda, e tambem se ocorrem transacoes com a NYBOT.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Contratos a Termo: O tipo de contrato que esta sendo feito pelas engarrafadoras e empresas processadoras de SLCC pode ser definido como um contrato a termo, pois ocorrera entrega fisica, existe uma especificacao do produto, da data e do local de entrega e um preco preestabelecido pelas partes. Por ser um contrato a termo, existe um risco maior na transacao devido a oscilacao dos precos e tambem ao possivel oportunismo por uma das partes, o que nao ocorre no mercado futuro, onde existe a Camara de Compensacao que garante o cumprimento dos contratos. De acordo com Black (1986), a contratacao a termo vem sendo usada para niveis mais sofisticados de alguns mercados, mas os participantes correm riscos de inadimplencia da contraparte do contrato, sendo necessarias salvaguardas contratuais e garantias. Baseando-se em Williamson (1996), que considera que a Economia dos Custos de Transacao (ECT) se propoe a explicar as estruturas de governanca criadas para reduzir os riscos envolvidos em uma transacao, observa-se que o mercado a termo esta sendo utilizado como governanca nas transacoes contratuais entre empresas processadoras de suco de laranja e engarrafadoras de suco na Europa. No contrato a termo entre engarrafadoras e empresas processadoras, as partes procuram proteger-se do risco, tentando ajustar o preco conforme os acontecimentos do mercado, e, na maior parte das vezes (segundo informacoes obtidas nas entrevistas), este pode nao ser o mesmo em todo o contrato, ao ter a duracao de varios anos. Ao contrario dos contratos futuros, naqueles a termo, as transacoes sao baseadas na confianca de que o produto sera entregue conforme o contratado, na data e nas especificacoes preestabelecidas, pois as empresas tem um nome a zelar e precisam garantir a sua idoneidade no mercado. Os contratos estabelecem clausulas para evitar o oportunismo, mas, mesmo assim, se esses contratos fossem negociados e registrados em Bolsas, eles teriam uma protecao maior. As empresas processadoras de suco de laranja informaram, nas entrevistas, que nao operavam na NYBOT, pois preferiam utilizar apenas os precos dessa bolsa como sinalizador de suas negociacoes em Roterda. Entre os motivos citados nas entrevistas, estariam os altos custos relacionados as operacoes na Bolsa e tambem porque o mercado a termo permite negociacoes mais flexiveis em relacao a preco, qualidade do suco, local de entrega, etc.A frequencia das transacoes entre industria processadora e engarrafadora de suco permite que sejam reduzidos os custos de transacao relacionados a elaboracao de contratos, conhecimento do mercado, relacionamento pos-venda, o que leva tambem a diminuicao do oportunismo entre as partes. Segundo Oliveira (2003), as maiores dificuldades das Bolsas relacionam-se em como conseguir interessados para negociar os contratos com frequencia e volume, garantindo a liquidez destes. De acordo com Brorsen & Fofana (2001), os contratos futuros podem fracassar (ou terem problemas) quando o mercado fisico de uma commodity se torna mais concentrado, e isto se aplica no mercado de suco de laranja, onde as industrias processadoras de SLCC do Estado de Sao Paulo possuem um elevado grau de concentracao economica. Houve evolucao do volume negociado de contratos de SLCC na NYBOT, sendo que, em 2003, foram negociados 652.750 contratos, em 2005 o numero de contratos negociados representou cerca de 900.000 (1.031 mil toneladas de suco a 66 brix). Ate junho de 2008, foram negociados 331.562 contratos futuros de SLCC. Entre os motivos, que pode ser constatado nas entrevistas, e o desinteresse dos produtores e empresas processadoras brasileiras em operar nessa bolsa. Atualmente, os maiores participantes desse mercado sao especuladores como fundos de hedge e bancos, e tambem algumas empresas que operam no mercado futuro de outras commodities (Commitments of Traders Report, 2008). Como ja foi discutido anteriormente, devido ao baixo volume de negociacao do SLCC, a NYBOT resolveu lancar o contrato futuro de NFC, como uma opcao para movimentar o mercado de suco de laranja. Quando o mercado futuro de uma commodity nao tem muito sucesso, as bolsas procuram adaptalo a realidade do mercado, e essa estrategia foi utilizada em fevereiro de 2004, quando o novo contrato FCOJ-A substituiu o contrato FCOJ-1 (4), que foi o primeiro contrato de suco de laranja negociado na NYBOT. Como estrategia para maior movimentacao no mercado futuro de suco de laranja e obter mais sucesso, a Bolsa procurou adaptar seus contratos a realidade do mercado e tambem lancar novos contratos a partir de fevereiro de 2004. Assim, foram estabelecidas novas especificacoes, a saber: a) (em fevereiro de 2004) o novo contrato FCOJ-A substituiu o contrato FCOJ-1, que foi o primeiro contrato de suco de laranja negociado na NYBOT; b)os contratos passaram a ser denominados FCOJ-A e FCOJ-B, cuja principal diferenca esta na origem do suco que deve ser da Florida ou do Brasil; c) em outubro de 2006, foi lancado o contrato futuro de NFC. Em marco de 2008, a Intercontinental Exchange (NYSE:ICE) resolveu mudar novamente o contrato de SLCC com o objetivo de aumentar a liquidez desse mercado, o novo contrato substituiu os 2 anteriores e passou a ser mundial, sendo que a origem do suco sera do Brasil, Estados Unidos, Costa Rica e Mexico. As outras especificacoes, como, por exemplo, mes e horario de negociacao, tamanho do contrato, permanecem as mesmas. Nos contratos a termo entre as industrias processadoras e engarrafadoras, os precos sao determinados entre as partes, e desse modo sao menos transparentes, formados no mercado. A concentracao existente no segmento do processamento do suco de laranja reflete-se nos precos da commodity que muitas vezes sao alterados com o aumento ou diminuicao dos estoques, motivados por decisoes estrategicas das empresas.

Contratos Futuros: Os traders acompanham o mercado futuro para ver o comportamento do mercado fisico, pois fazem negociacoes de compra e venda da commodity e necessitam que ocorra a entrega fisica da commodity, o que geralmente nao ocorre no mercado futuro, onde sao negociados contratos. Alguns traders operam com outras commodities como especuladores e realizam operacoes de arbitragem em outras Bolsas de Mercadorias, como Chicago Board of Trade (CBOT) e NYSE Euronext. Outra questao relacionada ao mercado futuro de SLCC refere-se ao fato de que os produtores demonstraram desconhecer o mecanismo de funcionamento desse mercado, e este pode ser considerado tambem um custo de transacao relatado por autores como Hirshleifer (1998), pois esse desconhecimento impediria a entrada desses produtores ao mercado futuro, havendo a necessidade de investirem em cursos de capacitacao, o que acabaria gerando custos. Os entrevistados relataram tambem que o fato de a Bolsa ser localizada em outro pais e a existencia de poucas corretoras que operam com SLCC no Brasil, dificultam o acesso ao mercado. Esse fato tambem gera custos de transacao, pois alem de terem de submeter-se as taxas cobradas por estas poucas corretoras (que, devido a falta de concorrencia, podem ser superiores, como se houvesse um numero maior de corretoras operando neste mercado), e existe tambem a barreira do idioma.

[FIGURA 1 OMITIR]

CONCLUSAO

Os mercados derivativos de commodities agricolas sao utilizados na administracao do risco de precos, e a maioria dos contratos negociados em bolsas de mercadorias no mundo inteiro tem tido sucesso, mas no caso do SLCC, negociado na NYBOT (a Intercontinental Exchange (NYSE:ICE), o volume de negociacao de contratos e baixo em comparacao com outras commodities negociadas nessa Bolsa. Os mercados futuros e de opcoes atuam como forma de governanca nos outros mercados de commodities agricolas, pois o hedge permite a diminuicao do risco da transacao, e o fato de a bolsa exigir salvaguardas e garantias durante o periodo de vigencia do contrato permite a reducao dos custos de transacao. Os custos de transacao relacionados ao mercado futuro de SLCC (altos custos dos contratos, custos de aprendizado, custos de liquidez, etc.), aliados a concentracao das empresas brasileiras processadoras de suco concentrado de laranja, acabaram induzindo um modo alternativo de governanca nesse setor:o mercado a termo. Essa constatacao empirica confirma a teoria encontrada na Economia dos Custos de Transacao, em que o custo das transacoes seria o indutor dos modos alternativos de governanca dentro de um arcabouco analitico institucional. Os executivos das empresas processadoras entrevistadas relataram nas entrevistas que nao operam na NYBOT, apenas utilizam os precos dessa Bolsa como sinalizador de seus contratos em Roterda, e a governanca do mercado vem sendo feita por meio dos contratos a termo, ocorrendo a entrega fisica do produto. Nas negociacoes entre as empresas brasileiras e os seus clientes, e utilizado o preco negociado em contratos entre as partes, e desse modo o preco e preestabelecido, assim como a qualidade e a quantidade do suco e o local de entrega. A escolha por contratos a termo pode tambem ser influenciada pela demanda por produtos com especificacoes diferentes, e mesmo a commodity sendo padronizada, pode ser alterada conforme o pedido do comprador, como, por exemplo, uma empresa quer lancar um produto novo no mercado e pede que seja produzido um suco especial apenas com uma variedade de laranja, como a Hamlim. A utilizacao de contratos especificos para cada cliente so e permitida nas negociacoes a termo, pois nos contratos futuros essa flexibilidade nao ocorre, pois a qualidade e a quantidade do produto sao padronizadas. Apesar de o risco ser maior nesse tipo de negociacao do que em uma Bolsa de Mercadorias (que garantiria as operacoes), observa-se que um dos fatores principais da escolha do contrato a termo e a obrigatoriedade de entrega da commodity e tambem a menor complexidade desse mercado, inclusive em relacao ao pagamento de taxas, sendo que as existentes no mercado futuro acabam encarecendo os valores dos contratos.

AGRADECIMENTO

Ao Dr. Paulo Dabdab Waquil e ao apoio financeiro da CAPES e CNPQ durante o periodo de doutorado.

REFERENCIAS

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MARIA FLAVIA DE FIGUEIREDO TAVARES [2]

[1] (Trabalho 225-07).--Recebido em: 25-09-2007. Aceito para publicacao em: 04-11-2008.

[2] Economista, Dra em Agronegocio, coordenadora adjunta e pesquisadora do Nocleo de Estudos do Agronegocio-ESPM. Endereco da instituicao: Rua Joaquim Tavora,1240,2 andar, Vila Mariana, Sao Paulo-SP, CEP-04015-013.E-mail:mtavares@espm.br.

(1) Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) determinou que, para o SLCC ter grau A, ele deve atender aos seguintes requisitos: cor minimo 36 pontos; defeitos-minimo 18 pontos; sabor- 36 pontos; e atingir o total minimo de 90 pontos.

(2) Estes contratos ainda nao tiveram sucesso, segundo os dados divulgados pela Intercontinental Exchange (NYSE: ICE); em 2007,foram negociados apenas 154 contratos.

(3) Mercado Futuro de Suco de Laranja Concentrado e Congelado: um Enfoque Analitico.Tese de doutorado em Agronegocios realizada no CEPAN/UFRGS e defendida em abril de 2006.

(4) Observar que FCOJ (Frozen Concentrated Orange Juice) e o mesmo que SLCC (Suco de Laranja Concentrado e Congelado).
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Tavares, Maria Flavia De Figueiredo
Publication:Revista Brasileira de Fruticultura
Date:Dec 1, 2008
Words:4733
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