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Mathilde Simon (ed.), Identites romaines. Conscience de soi et representations de l'autre dans la Rome antique.

MATHILDE SIMON (ed.), Identites romaines. Conscience de soi et representations de l'autre dans la Rome antique (IVe siecle av. J.-C.--VlIIe siecle apr. J.-C.), Paris, Editions Rue d'Ulm / Presses de l'Ecole normale superieure, 2011. 288 pp. ISBN 978272880449-8

O feliz titulo dado a este conjunto de textos resulta de um coloquio dedicado ao tema e desde logo remete para a problematica da "Identidade" e da "Alteridade", hoje tao em voga nos Estudos Humanisticos e Sociais. Neste sentido, tambem o livro foi dividido em duas partes, consistindo a primeira nas analises feitas em torno da "Identidade Romana" (pp. 13-143) e a segunda nas abordagens sobre a "Alteridade" (pp. 147-254).

Sao oito os estudos que dao consistencia a problematica da identidade romana, distribuidos pelas questoes de "L' appropriation de la culture grecque" (pp. 13-41), de "La definition d'une identite romaine" (pp. 43-72) e de "Une identite menacee" (pp. 73-143). Ja os problemas em torno do "Outro" sao estudados a partir de temas como "L'image des Barbares" (pp. 147-190), "Le cas du monde grec" (pp. 191-212) e "Identites romaines loin de Rome" (pp. 213-254).

Como e costumeiro neste tipo de edicao, os textos tem tematicas objectivamente bastante especificas (e.g. o uso do grego em Horacio e a crise da identidade romana nas Satiras de Juvenal ou a construcao da imagem dos Partos em Roma e a aculturacao dionisiaca em Roma), cabendo ao coordenador ou editor da obra encontrar um fio condutor que faca convergir os varios contributos para o tema comum. Consideramos que M. Simon o faz de forma competente, percebendo-se uma homogeneidade maioritaria nas todavia diferentes propostas aqui encontradas. Ainda assim, alguns dos estudos sao menos obvios na rubrica em que sao inseridos, como o de E. Prioux, dedicado a poesia de um imitador de Meleagro em Pompeios, ou o de C. Guerin, sobre as caracteristicas de um orador romano. Isto sem qualquer demerito para a qualidade cientifica dos textos apresentados, como e evidente. Consideramos que, neste ponto, a segunda parte do livro foi mais bem conseguida.

Do conjunto de analises, nao podemos deixar de salientar as de E. Bedon e de C. Notter sobre a imagem dos Lusitanos em Tito Livio e a identidade dos hispanicos em Marcial, respectivamente. Notamos que esta A. utiliza, no entanto, o discutivel conceito de "identite espagnole", coadunando-se com os anglo-saxonicos "spanish" ou "spaniard". Eventualmente, o conceito de "hispanic / hispanique", tanto em ingles como em frances, estara ferido de morte pela omnipresenca da cultura norte-americana no mundo ocidental contemporaneo. Com efeito, em contexto anglo-saxonico, e.g., "Hispanic" referir-se-a sobretudo ao universo latino-americano. Fenomeno semelhante e o que encontramos relativamente aos conceitos de "Proximo Oriente / Near East / Proche Orient" cada vez mais em desuso, em detrimento de "Medio Oriente / Middle East / Moyen Orient", o que denota uma clara supervisao anglo-saxonica, sobretudo norte-americana. De qualquer modo, cremos que nao sera muito adequado designarmos em portugues os antigos habitantes e autoctones da Hispania, como Marcial, como "espanhois" (espagnol, e.g. p. 178). Para mais, quando o conceito de "Espanha" e tao moderno e com implicacoes politicas tao significativas. Mas decerto os nossos colegas espanhois terao tambem uma palavra a dizer sobre esta problematica. A discussao esta ai.

E. Bedon, em contrapartida, parece ser mais cuidadosa na forma como usa estes conceitos (e.g. pp. 174-175), apesar de la encontrarmos tambem a forma "Espagne" (p. 162). De qualquer modo, este e um texto do maior interesse cientifico, que recupera a questao lusitana a partir das fontes literarias, de Tito Livio em particular, inserindo as informacoes no seu contexto historico. Apenas sentimos falta de referencias aos estudos de C. Fabiao e A. Guerra na bibliografia usada pela A. Curiosamente, M. Pastor Munoz e, e bem, citado.

A bibliografia do volume esta toda reunida no final, a que se junta um indice de passos citados. Seria igualmente importante um indice topoantroponimico, que nao tem.
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Author:Rodrigues, Nuno Simoes
Publication:Euphrosyne. Revista de Filologia Classica
Date:Jan 1, 2014
Words:645
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