Printer Friendly

Marxism, capitalism and nature: considering some questions/Marxismo, capitalismo e natureza: pensando algumas questoes.

Introducao

No inicio do seculo XXI, a questao da destruicao da natureza e a necessidade da preservacao ambiental aparecem com urgencia nos debates. A escassez dos recursos naturais, a crise hidrica, o aquecimento global, a producao de transgenicos e as catastrofes "naturais" demonstram, entre outros aspectos, um esgotamento de uma forma social na qual o que conta e a producao ilimitada do valor.

O que chama atencao e que ha algumas decadas atras, quando se debatia sobre os problemas ecologicos, os autores se referiam a eles como algo muito distante, um futuro longinquo que nos atingiria num periodo aproximado de cem anos. Com o tempo, fomos observando que atingir esta marca historica na configuracao do desastre era uma questao muito proxima.

O processo de devastacao da natureza, de deterioracao do meio ambiente e de mudancas climaticas se acelerou a tal ponto que nao estamos mais discutindo um futuro a longo prazo. Estamos discutindo, na verdade, processos que ja estao em curso e, diferentemente do que e difundido, toda esta degradacao nao e resultado do excesso de populacao, da falta de acoes educativas para a preservacao ambiental. O que observamos e que estes processos resultam de algo muito concreto: as consequencias do processo de acumulacao do capital, em particular, da sua forma atual, em que esta acumulacao somente pode ocorrer por meio de destruicoes.

Portanto, do ponto de vista da logica do capital, que e exatamente o da globalizacao competitiva, destruir a natureza torna-se uma forma de gerar valor. Se nas comunidades primitivas, ou "comunidades naturais", como se referia Marx (1983), o trabalho como produtor de valores de uso aparecia como uma necessidade eterna da humanidade, uma necessidade insuprimivel da vida humana, no capitalismo o que conta e o trabalho abstrato.

Este artigo apresenta algumas reflexoes sobre esta forma social na qual ate mesmo a natureza se torna algo instrumental, que pode ser manipulada e modificada pelo trabalho humano. Um exemplo desta manipulacao e a transformacao da natureza em paisagem e a consequente exploracao desta paisagem atraves das atividades turisticas. Privilegiamos inicialmente uma abordagem historica do trabalho como categoria que da origem a um novo tipo de ser, o ser social. Em seguida, analisamos como este trabalho vai se modificando com o advento da sociedade burguesa ate chegarmos no conceito de "sociedade do espetaculo": uma sociedade onde tudo tem que ser espetacular, onde a mercadoria e o totem em torno do qual os habitantes organizam a sua vida.

1. A contemplacao e a perda do "paraiso". Alguns elementos da historia

Quando Marx (1983, p. 45), no seculo XIX, afirmou que a riqueza da sociedade burguesa "era uma imensa colecao de mercadorias", isto nao significava apenas uma constatacao empirica, fruto de uma curiosidade intelectual; significava que aquela sociedade obedecia a uma dinamica propria, diferente de todas as formas sociais anteriores.

O duplo valor da mercadoria dava uma identidade particular a esta forma de producao: os produtos criados pelo homem tinham um valor de uso. No entanto, exigia que estes produtos apresentassem um valor de troca, ou seja, o carater social do trabalho era realizado de forma privada e estranhada. Nao estavamos mais diante das formas comunais da propriedade da terra, em que o consumo dos produtos retirados da natureza era destinado a familia ou a tribo; frente a uma simples ou inexistente divisao social do trabalho, a relacao entre o homem e a natureza nao aparecia como relacao estranhada.

Na sociedade burguesa, a utilidade de um determinado objeto e uma producao social efetivada para satisfazer a necessidade de outra pessoa. O objeto deve ser util imediatamente nao para quem o faz, mas para quem vai consumi-lo apos o processo de troca. Nesta forma social em que consumo e producao estao apartados, o homem e o resultado deste processo em outras palavras, a existencia humana e produto de uma relacao de troca.

O trabalho aparece como modus operandi pois, na sociedade burguesa, ele e um meio de alterar as formas materiais. Mas este trabalho nao e o elemento da efetividade humana, a essencia do ser humano criativo. E o trabalho estranhado, no qual o metabolismo com a natureza nao faz deste homem um ser liberto das formas alienadas. Pelo contrario, o que conta e o trabalho abstrato, pois o homem nao se reconhece nele, nos produtos que este trabalho cria; as expressoes objetivas do mesmo trabalho --que podem ser materializadas em diferentes produtos, ou seja, podem ser um casaco, uma bolsa, uma cesta artesanal--aparecem como "dispendio produtivo de cerebros, musculos, nervos, maos, etc." (MARX, 1983, p. 51).

Nas comunidades naturais, ou nas formas que precederam o modo de producao capitalista", como descreve Marx (2011, p. 389), o espaco do consumo era o mesmo lugar da producao; nao havia a separacao do trabalho livre das condicoes objetivas da sua producao. O metabolismo entre o homem e a natureza nao aparecia como forma de producao de excedentes. O trabalho, como categoria fundante do ser social, transformava a natureza com o objetivo de criar os bens materiais necessarios a existencia humana. E um trabalho concreto e, por isto, fundante da sociabilidade humana.

As comunidades primitivas apresentavam esta particularidade, ou seja, o individuo produzia para a satisfacao das suas necessidades e as de sua familia. Se a producao gerava algum excedente, era para ser partilhado entre os membros da comunidade. E um contexto onde a esfera da producao nao aparece apartada da esfera do consumo, na qual os individuos produzem para a satisfacao das necessidades imediatas. O homem desenvolve uma relacao com a natureza em que o trabalho aparece sem a mediacao e sem o estranhamento do mercado e do dinheiro.

Com o desenvolvimento da producao mercantil, as formas de mediacao entre o homem e a natureza comecam a ser modificadas. E um estagio civilizatorio em que se observa que a divisao social do trabalho se apresenta mais desenvolvida. A regra dominante e, agora, a apropriacao individual--o produtor separa-se do seu produto na troca, que passa nao apenas de mao em mao, mas de mercado para mercado. Engels (1985, p. 197) faz uma observacao importante desta fase da civilizacao, diferente das formas anteriores, daquilo que o autor chama de "Estado Selvagem e da Barbarie":
   [...] os produtores ja deixaram de ser senhores da producao total
   das condicoes da sua propria vida e tampouco os comerciantes
   chegaram a se-lo. Os produtos e a producao estao entregues ao
   acaso.


O aprofundamento da divisao do trabalho torna mais complexa e heterogenea a relacao entre os individuos, antes subsumidos a comunidade e a natureza. A diferenciacao na divisao social do trabalho permite observar a contradicao entre os interesses individuais e os interesses coletivos, o que demostra a consolidacao de um processo historico em que a acao do homem se volta contra ele, como um poder estranho. A atividade humana passa a ser algo que subjuga o homem, que se apresenta acima dele e que lhe foge ao controle. (1)

A sociedade grega e um exemplo significativo neste processo de transformacao na relacao entre o homem e a natureza. A introducao do trabalho escravo em larga escala, no seculo V a.C., altera a vida economica de Atenas, como tambem proporciona a reestruturacao da vida sociopolitica. A contradicao estrutural de Atenas estava na sua base material, ou seja, era uma sociedade na qual o comercio despontava como elemento de dissolucao das formas naturais e arcaicas, mas que, ao mesmo tempo, baseava-se no trabalho escravo. Isto demarcava os limites da sua propria forma.

A democracia direta acabava sendo dirigida por aqueles que tinham as melhores condicoes culturais, filhos de familias ricas, que terminavam por legislar em causa propria. O advento da polis aparece como seu inverso: a necessidade de um mercado que garantisse a satisfacao das necessidades dos homens teria que ser suprida pelo trabalho de outras pessoas (escravos). A existencia de individuos livres, independentes e atomizados nao aparece como algo contraditorio numa sociedade na qual os interesses privados e a consolidacao do mercado ganham cada vez mais destaque.

A crise que envolve a polis atinge o nucleo central do pensamento e da forma de vida, que nao esta mais voltada para o ethos comunitario; as preocupacoes se voltam para os problemas da lei, da politica e da conduta moral.

Aristoteles (384 a.C.-322 a.C.) se depara com esta realidade em transformacao. O metabolismo com a natureza comeca a ser mediado por formas estranhadas, por relacoes mercantis; neste sentido, Aristoteles (1996, p. 122) critica essa forma de vida, alicercada na busca pelo dinheiro:
   A vida dedicada a ganhar dinheiro e vivida sob compulsao, e
   obviamente ela nao e um bem que estamos procurando; trata-se de uma
   vida apenas proveitosa e com vista a algo mais. Sob este prisma os
   objetivos que acabamos de mencionar podem ser tidos como fins, pois
   eles podem ser apreciados por si mesmos. E evidente, porem, que
   eles nao sao bens autenticos, mas muitos argumentos foram gastos
   para sustenta-los. Deixemos entao de lado esse assunto.


Aristoteles defronta-se com uma Atenas onde a mediacao da politica substitui--de forma progressiva, tendo em vista o incremento das atividades mercantis desencadeadas desde o seculo VIII a.C.--a relacao entre o homem e a natureza. Como a escravidao ainda e um obstaculo para o desenvolvimento mercantil, os proprios limites da formacao social grega permitem a Aristoteles realizar a mimesis, ou seja, o homem grego ainda esta misturado a natureza. Neste sentido, a contemplacao revela um sentimento de pertencimento num mundo onde o que conta e o valor de uso. Em outras palavras, e uma realidade em que a divisao do trabalho ainda comporta a mao de obra escrava como um dos seus fundamentos.

Marx (1983) afirma, em O capital, o "incomodo" do estagirita em relacao a esta forma de equivalente. Segundo Marx (1983, p. 62):
   As duas peculiaridades da forma equivalente desenvolvidas por
   ultimo tornam ainda mais palpaveis quando retornamos ao grande
   pesquisador que primeiro analisou a forma de valor, assim como
   muitas formas de pensamento da sociedade e da natureza. Este e
   Aristoteles. De inicio declara Aristoteles claramente que a forma
   dinheiro da mercadoria e apenas a figura mais desenvolvida da forma
   simples do valor, isto e, da expressao do valor de uma mercadoria
   em outra qualquer. [...] ele reconhece, ademais, que a relacao de
   valor, em que essa expressao de valor esta contida, condiciona por
   seu lado que a casa e equiparada qualitativamente a almofada e que
   essas coisas perceptivelmente diferentes, sem tal igualdade de
   essencias, nao poderiam ser relacionadas entre si, como grandezas
   comensuraveis. A troca, diz ele, 'nao pode existir sem igualdade,
   nem igualdade sem a comensurabilidade'. Mas aqui ele se detem
   desconfiado e renuncia a seguir, analisando a forma valor.


Se o dinheiro e, para Aristoteles um misterio, este modo de equiparar coisas completamente diferentes revela formas desenvolvidas de um sociometabolismo, no qual a natureza vai se tornando algo meramente instrumental, transformando-se num objeto que pode ser quantificado e modificado. O homem nao interage mais com a natureza para retirar dela apenas o seu sustento e o da sua familia. A mimesis nao e mais a mistura, mas a representacao de um processo no qual o homem precisa de criterios abstratos para pensar esta natureza e representa-la quantitativamente. (2)

A dissolucao da sociedade grega representa, na sua singularidade, as transformacoes que marcam uma nova forma de metabolismo do homem frente a natureza. A nocao de mercado, da troca mercantil--na sua forma mais desenvolvida--so se desenvolve muito tempo depois. Ela nao ocorre abruptamente, exigindo todo um processo de transformacoes para formas mais complexas de sociabilidade. Mas e fato que essas formas de mediacao vao se transformando, adquirindo uma complexidade e abrangendo dois elementos importantes e que estarao presentes no decorrer da Idade Media: a terra e o comercio. (3)

Num primeiro momento, a intersecao das rotas comerciais motivava a formacao de pequenas pracas, onde as pessoas se reuniam para trocar os produtos. Posteriormente, essas pequenas pracas se transformam em locais onde a movimentacao dos individuos era intensa; a formacao dos burgos e, depois, o desenvolvimento das cidades acelera um processo de urbanizacao e consolida a troca de produtos e um significativo fluxo comercial.

A Idade Media e o momento historico no qual o comercio e as trocas inauguram uma forma de relacao do homem com os produtos do trabalho e com a natureza. Nessa relacao, este trabalho e esta natureza sao convertidos em objeto para suprir ou cumprir uma necessidade, e nada alem disto. Quando a natureza e um mero objeto, ela tem que estar subordinada aos interesses universais, ou seja, ela nao apresenta apenas valor de uso que esta presente em todas as mercadorias -, mas tem que apre-sentar um valor, ou melhor, gerar um valor. Como descreve Menegat (2012, p. 25):
   O dominio absoluto do capital, isto e, a transformacao de tudo em
   mercadorias, realiza-se, na relacao dos seres humanos com a
   natureza, na forma de uma manipulacao total desta. A propria
   natureza se torna um sistema fabricado pela sociedade por meio de
   grandes complexos financeiro-agroindustriais.


Outro elemento importante na Idade Media e a ideia do Deus unico. O monoteismo nao apenas substitui o culto a varios deuses, mas imprime uma marca nas relacoes e formas sociais nesse periodo historico. Diante de individuos atomizados, o Cristianismo vai cumprir esta funcao de reunir o que esta disperso. O mesmo Deus que cria a natureza e aquele que cria os homens; e significativo que a elaboracao de conceitos universais justifique formas de exploracao da natureza e dos homens entre si, ou seja, esta suposta universalidade unifica a experiencia de atomizacao. A religiao e o dinheiro cumprem este papel.

Se, na Idade Media, ainda nao temos uma sociedade produtora de mercadorias ou, como afirma Marx (1983), a riqueza da sociedade nao aparece como uma "imensa colecao de mercadorias", o culto ao Deus abs-trato e uma forma de ocultamento da realidade. E qual e a realidade a ser ocultada? A realidade na qual a natureza vai se tornando algo racional, resultado de um processo historico de separacao e atomizacao. O que e racional e a reproducao do dinheiro pelo dinheiro--algo que ganha maturidade com a emergencia da sociedade capitalista.

E significativo que, numa sociedade onde a Igreja exerce o poder atraves do dominio das terras e onde as relacoes sociais comecam a ser mediadas pelo dinheiro, a figura historica de Francisco di Bernardone conhecido entre nos como Francisco de Assis--desponte entre os seculos XII-XIII como personagem que busca uma relacao com a natureza para alem dos limites impostos pelo mercado e pelo dinheiro. Num momento em que a atividade mercantil passa a desempenhar um papel central na vida do Ocidente, Francisco se contrapoe as formas de mediacao nas quais o dinheiro comecava a fazer os seus estragos.

Se inicialmente, na sua juventude, Francisco gostava de aproveitar o tempo livre para cantar pelos vilarejos de Assis, a busca desse tempo livre aparecia como protesto contra o comercio, que sujeitava o ser humano e o levava aos limites estreitos de uma sociedade mercantil. A condenacao ao dinheiro e a propriedade privada indicava a necessidade--posteriormente marcada em Francisco pelo elemento religioso--de construir uma sociedade nova e igualitaria, construir um caminho que levasse a superacao de formas mediativas que faziam da natureza um mero objeto. (4)

A recusa de Francisco a propriedade privada e ao dinheiro resgata, em sua singularidade, a busca de uma forma social proxima aquela vivida na Grecia: o retorno a mimesis (mistura) como meio para a construcao de uma ordem societaria na qual a natureza nao seja mero instrumento a servico dos interesses mercantis. Mas aquela mimesis, em que o que contava era o valor de uso, estava irremediavelmente perdida.

2. A natureza como algo terreno ... e estranhado

Em Manuscritos economicos-filosoficos, de 1844, Marx faz referencia ao trabalho como categoria que da origem a um novo ser social. O trabalho aparece como fundamento ontologico, pois e por meio dele que o homem se objetiva; qualquer forma de sociabilidade teria no trabalho o tipo de atividade que, modificando a natureza, construiria a base material da sociedade. Segundo Marx (2010, p. 84):
   Pois primeiramente o trabalho, a atividade vital, a vida produtiva
   mesma aparece ao homem apenas como um meio para a satisfacao de uma
   carencia, a necessidade de manutencao da existencia fisica. Avida
   produtiva e, porem, a vida generica. A vida produtiva e, porem, a
   vida generica. E vida engendradora de vida.


Num outro momento, em O capital, Marx (1983, p. 149) descreve que o trabalho e, "antes de tudo, um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o homem, por sua propria acao, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza". Em ambas as citacoes, Marx nao se refere ao trabalho concreto, mas a elementos essenciais e universais do trabalho.

No entanto, no capitalismo, esse trabalho ganha uma particularidade: e o trabalho alienado que permite ao homem garantir--e nada mais do que isso--a sua existencia material. O produto do trabalho, resultante da relacao entre o homem e a natureza, aparece como "potencia estranha", propriedade privada de outra pessoa que nao o trabalhador. No mundo da mercadoria, o que conta e a producao interminavel do excedente e o aprofundamento do trabalho alienado. Na medida em que se que aprofundam as relacoes de producao e a divisao social do trabalho, a essencia humana fica reduzida ao ter, a utilidade da coisa, pois a objetivacao do homem--que se da na possibilidade de transformar a natureza pelo trabalho criativo, rico de suas potencialidades--e construida de forma inversa, pela maxima alienacao dos homens.

Marx nao se interessa pela natureza como problema abstrato ou metafisico, mas conectada a historia universal, modificada pelo homem atraves do trabalho. Se o trabalho poderia se constituir numa atividade para o homem se realizar existencialmente, isto nao acontece no modo de producao capitalista. A divisao sociotecnica do trabalho e a sua crescente mecanizacao geraram no individuo uma continua repulsa a esta forma de trabalho. O metabolismo com a natureza acontece de forma estranhada, pois, como o sujeito nao se reconhece naquilo que produz, e reduzido a condicao de mera coisa, completamente desumanizado, reforcando aquilo que Marx (2010, p. 80.) analisa em Manuscritos, onde diz que o "trabalho se torna mais pobre, quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua producao aumenta em poder e extensao."

Considerando que os meio de trabalho nao sao apenas medidores do grau de desenvolvimento das forcas produtivas, mas tambem indicadores das condicoes nas quais se trabalha, na sociedade burguesa a natureza modificada pelo trabalho humano--tem que se tornar algo abstrato, um objeto meramente instrumental; tem que gerar valor. Esta natureza--agora uma propriedade do capitalista--nao tem apenas um valor de uso, mas tem que engendrar um valor, fazer parte do processo de geracao ilimitada de valor.

Neste contexto, a natureza torna-se puro objeto para o homem, aquilo que Marx (2011, p. 334) descreve como "pura utilidade da coisa", rompendo os desenvolvimentos locais; a natureza se submete as necessidades humanas, seja como objeto de consumo, seja como meio de producao. A propria producao cria, de fato, novas demandas, uma vez que sempre existe a possibilidade de empregar mais trabalhadores (que nao ficam mais circunscritos ao trabalho na industria), por meio das quais se criam novos ramos com o objetivo de gerar valor. Um dos ramos que se destacam neste processo e o turismo.

Evidentemente, o turismo que se desenvolve no inicio do capitalismo industrial e substancialmente diferente do turismo que conhecemos --que se consolida na segunda metade do seculo XX (o turismo ligado a atividade de lazer e descanso). Segundo Hobsbawm (2010, p. 296), no inicio do seculo XIX ocorria o deslocamento de grandes contingentes populacionais, um "exodo rural em direcao as cidades, a migracao entre regioes e de cidades, o cruzamento de oceanos e a penetracao em zonas de fronteiras", um fluxo de homens e de mulheres em todas as direcoes.

Num primeiro momento, o que motivava esse deslocamento era a necessidade de conseguir trabalho, emigrando do campo para a cidade. A primeira onda migratoria da Inglaterra para a America foi essencialmente a fuga da fome, ou seja, a viagem para o pobre era, essencialmente, a busca por trabalho.

Ainda de acordo com Hobsbawm (2010), se a forma de viagem para o pobre era a migracao, para a "classe media" e para os ricos as viagens significavam o turismo como forma de lazer e diversao, algo facilitado pela estrada de ferro, pelo barco a vapor e pela rapidez das comunicacoes postais. Se os homens pobres viajavam por necessidade--raramente conjugando trabalho e lazer, algo que vamos observar com outras caracteristicas a partir da segunda metade do seculo XX -, o capitalismo industrial produzia novas formas de apropriacao da natureza, que se materializavam nas viagens de lazer, "viagens de verao para a burguesia e pequenas excursoes mecanizadas para as massas". (HOBSBAWM, 2010, p. 310).

Observa-se que, da mesma forma que a economia burguesa captura o tempo de trabalho excedente, o tempo livre tambem e capturado, mesmo nos momentos em que o individuo esteja voltado para atividades "nao produtivas", como o lazer. Cada momento da existencia aparece como momento da producao, para a producao de mais valor. Se as relacoes sociais de trabalho se caracterizam (no capitalismo) pela desapropriacao dos meios de producao daquele que e o sujeito deste processo--o trabalhador, que tem a necessidade de vender a sua forca de trabalho para se reproduzir, uma necessidade que se constituiu historica e arbitrariamente -, com o advento da modernidade ate mesmo o tempo livre e privatizado; a necessidade do ocio e enaltecida na (sempre) possivel rentabilidade das atividades vinculadas ao lazer.

Em Grundrisse, Marx (2011), ao falar sobre o capital fixo e o desenvolvimento das forcas produtivas da sociedade, descreve que, a medida que a grande industria se desenvolve, a criacao da riqueza passa a depender menos do tempo de trabalho e do quantum do trabalho empregado.

Marx (2011, p. 588) acreditava que, no desenvolvimento da sociedade burguesa, a industria ocuparia a "grande coluna de sustentacao da riqueza". O trabalho, na sua forma imediata, "o dispendio de forca humana de trabalho", que faz como que atividades qualitativamente diferentes possam ser igualadas, deixaria de ser a "grande fonte de riqueza e o tempo de trabalho nao seria mais a sua medida; como consequencia, o valor de troca deixaria de ser a medida do valor de uso".

Este certo otimismo de Marx se baseava na possibilidade de as pessoas desenvolverem a livre individualidade, disporem do tempo livre para se dedicarem a atividades artisticas e culturais. Surge, aqui, a ideia da disposicao deste tempo por parte do ser humano para ser empregado em atividades criativas e libertadoras.

No entanto, o processo historico tomou caminhos diferentes aqueles preconizados por Marx (2011). O alto desenvolvimento das forcas produtivas nao possibilitou que a economia do tempo de trabalho se transformasse para alem do processo de geracao do valor. Pelo contrario, o capital diminuiu o tempo de trabalho para aumenta-lo, por exemplo, na forma do superfluo, no qual o turismo e uma das formas visiveis.

O desenvolvimento da tecnologia capitalista capturou este tempo livre, e o aprofundamento da divisao do trabalho, com a crescente mecanizacao, gera no trabalhador uma repulsa por esta atividade macante e incapaz de lhe proporcionar uma satisfacao existencial. O trabalho se torna apenas um meio para que o sujeito obtenha o necessario para a sua reproducao; na verdade, uma subvida.

A tecnica torna-se a essencia de uma producao e de um saber no qual o que conta e a exploracao do trabalho dos outros, ou seja, o que os homens querem aprender com a natureza nao e a contemplacao do belo ou do artistico, mas como emprega-la para dominar completamente a ela e aos outros homens. Nesta relacao, a essencia das coisas revela-se sempre como dominacao, mesmo porque a natureza deve ser dominada pelo trabalho, assim como o tempo livre.

Num mundo em que o individuo e reduzido a condicao de merca coisa, completamente desumanizado, o proprio ocio do homem e utilizado com o objetivo de mecaniza-lo, de tal modo que, no capitalismo, nas suas formas mais avancadas, a diversao e o lazer tornam-se um prolongamento do trabalho. O "tempo livre industrializado" (5) demonstra que a necessidade de gerar valor conquistou tamanho poder sobre os homens que, durante o tempo livre, eles procuram refazer suas energias para, em seguida, retornar ao trabalho--e aqui nao apenas a natureza transformada em paisagem, contemplada atraves do turismo, cumpre esta funcao, mas todo produto do lazer e da distracao fazem parte desta logica.

Recorrendo a analise de Adorno e Horkheimer (2006), a ideologia da "industria cultural" e o negocio. Ela provem de sua identificacao com a necessidade produzida--e aqui sobressai a ideia de que primeiro a sociedade burguesa produz a mercadoria e depois, por caminhos que envolvem a comercializacao, imagem, propaganda e marketing, a necessidade do produto. A promessa do descanso se concilia na exploracao do sujeito e da natureza, em que a diversao cumpre a tarefa fantastica e ilusoria de um sossego material e subjetivamente inexistente.

A diversao e o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela e procurada por quem quer escapar ao processo de trabalho mecanizado, para se por de novo em condicoes de enfrenta-lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanizacao atingiu um tal poderio sobre a pessoa em seu lazer e sobre a sua felicidade, ela determina tao profundamente a fabricacao das mercadorias destinadas a diversao, que esta pessoa nao pode mais perceber outra coisa senao as copias que reproduzem o proprio processo de trabalho. (ADORNO; HORKHEIMER, 2006, p. 113).

Como escapar da monotonia supoe--para aqueles que usam o transporte rodoviario--passar dez, doze horas nos engarrafamentos (o quantitativo aqui e o que menos importa), o que conta e que o tempo de ocio e de lazer destes turistas serve apenas para repor sua capacidade de trabalho. O suplicio do tempo parado no transito caotico vale o sacrificio para retornar revigorado e, cada vez mais, atomizado e solitario. Na verdade, qualquer deslocamento de pessoas se enquadra nesta perspectiva, mesmo porque o tempo qualitativo se dilui no fluxo vazio entre os espacos.

Se o acesso ao turismo e tomado como forma de progresso da civilizacao, este progresso significa, para o individuo, o distanciamento e a separacao da natureza, que precisa ser submetida as condicoes mercantis para a satisfacao das necessidades humanas.

Neste contexto, a ideia do espetaculo e significativa para a compreensao da forma social que envolve as atividades do turismo. Quando a paisagem e transformada em mercadoria, ela precisa ser divulgada, vendida, fazer parte da logica do entretenimento. A "critica radical" do espetaculo, formulada por Debord (2009), contribui para o entendimento deste fenomeno, a dominacao do homem sobre a natureza, e como esta relacao produz o espetaculo da mercadoria.

O conceito de "sociedade do espetaculo" nao esta restrito a uma critica da televisao ou de outros meios mediaticos. O funcionamento dos meios de comunicacao de massa, por um lado, tem seu conteudo restrito; por outro, e expressao da sociedade da qual faz parte. Se, para Marx (1983), a riqueza da sociedade aparece como uma "imensa colecao de mercadorias", Debord (2009, p. 13) afirma que "toda a vida das sociedades, nas quais reinam as modernas condicoes de producao se apresenta como uma imensa colecao de espetaculos". Na sociedade do espetaculo nao existe a relacao direta entre o individuo e o seu mundo, apesar deste mundo ser produzido por ele. A contemplacao passiva das imagens, que ademais foram escolhidas pelos outros, substitui o vivido--trata-se de uma sociedade baseada na contemplacao passiva, na qual os individuos, em vez de viverem em primeira pessoa, olham a acao dos outros.

O espetaculo, portanto, nao ficaria restrito a um conjunto de imagens, que teria por objetivo apenas o entretenimento, "mas uma relacao social entre o individuo, mediada por imagens", resultado e projeto de um modo de producao existente (DEBORD, 2009, p. 14).

Nao por acaso, para Debord (2009), a marca desta sociedade e o fetichismo. A imagem e o espetaculo tem em comum a caracteristica de reduzir a multiplicidade do real a uma unica forma abstrata e equivalente. Da mesma forma que a mercadoria, o espetaculo seria o estagio supremo da abstracao; como nada escapa a logica da mercadoria, nada foge a forma do espetaculo, ate mesmo a natureza.

Quando o individuo viaja, ele vai, de certa forma, por um determinado periodo de tempo, deixar o mundo em que vive. Ao buscar o refugio na natureza, a paisagem, transformada em mercadoria, e o espetaculo da contemplacao, nao do belo, da arte, mesmo porque esta natureza e algo instrumental, separado do homem, um mero objeto. Expropriado da sua condicao humana, este individuo se ve imobilizado no centro falsificado do movimento do seu mundo, no qual a contemplacao do idilico e a realidade falseada, vivida ilusoriamente. Como afirma Debord (2009, p. 106) "a realidade do tempo foi substituida pela publicidade do tempo."

Como a realidade e uma aparencia do real, "o bombardeiro publicitario" precisa vender algo que nao existe, pois, o espetaculo tem que ser mais poderoso que o real. A preservacao da natureza, por exemplo, e bombardeada pelas campanhas publicitarias, que enfatizam o"desenvolvimento sustentavel", "turismo responsavel", producao e sustentabilidade". E o "velho" discurso universal, mas que nao se aplica a uma classe particular: os capitalistas. O universal se revela numa mera abstracao, pois as acoes que visam a "preservacao ambiental" sao dirigidas para os moradores das areas turisticas, para os visitantes, que irao repousar as suas consciencias, mas que nunca atingem aqueles que constroem hoteis, resorts, pousadas etc. Aqui, a exigencia primeira do espetaculo e que a paisagem se adequem as necessidades do capital e que os meios empregados para esta finalidade nao levem em conta qualquer possibilidade de preservacao. Pelo contrario, a "pseudopreservacao" so vale para que esta natureza seja consumida.

E, nesta sociedade espetacular, as leis abstratas se tornam um sistema coerente que a tudo penetra; o espetaculo e a ditadura totalitaria do fragmento e, para isto, a presenca, nao dos trabalhadores, mas dos especialistas, e fundamental, pois este fragmento da realidade precisa ser explicado e interiorizado pelo sujeito. Quando Debord (2009, p. 126) afirma que "a cultura tornada integralmente mercadoria deve tornar a mercadoria vedete da sociedade espetacular", o conhecimento deve justificar esta sociedade fragmentada e constituir-se como ciencia geral da falsa consciencia. O pensamento sobre o real se volta para defender o aparente, uma "subcomunicacao", que nao se ocupa dos conflitos e contradicoes de classe afinal de contas, isto nao aparece como algo espetacular. Toda a sociedade e submetida ao pensamento abstrato, a opiniao do especialista--este detem o saber absoluto no qual a separacao dos saberes e a chave para encobrir a realidade.

A fragmentacao nao se restringe apenas a separacao de um aparato tecnico de divisao de saberes, mas ao ocultamento de uma realidade que nao pode ser questionada nos seus fundamentos que alicercam a desigualdade. Se pensarmos na tao propalada "questao ambiental", talvez o entusiasmo seja a marca deste "clube dos contentes".

As previsoes vao da total destruicao do planeta (o que nao deixa de ser uma realidade de um mundo que precisa ser destruido e recriado pela mercadoria) ate a crenca de que a economia verde e algo palpavel. Nas "tragedias ambientais", os especialistas invadem, com seus conhecimentos especificos, a vida ja resignada. O balcao do saber especializado e um espetaculo de variedades: desde os especialistas em gestao de risco ate o cuidado que os pais devem ter com as criancas em casa, por ocasiao das ferias escolares. Neste quadro, a infelicidade humana e o material que compartilham com entusiasmo. (6)

Se a imagem pode servir ao esclarecimento, e certo que a forma social que envolve esta imagem nao e a forma social que sustenta a mercadoria. A imagem de um mundo onde o principio dinamico e o seu esgotamento nao e compativel com o horizonte historico que tenha como primado a satisfacao das necessidades e a realizacao das potencialidades humanas.

Consideracoes finais

Toda sociedade organiza de alguma maneira sua producao material ou, como chamava Marx (1983), seu "metabolismo com a natureza". No entanto, nas sociedades primitivas ou naturais essa organizacao se dava de acordo com outros criterios que nao eram os da troca entre produtores formalmente independentes. No capitalismo, o trabalho tem uma dupla natureza: ele e ao mesmo tempo trabalho concreto e trabalho abstrato.

O que vamos perceber nao e apenas a supremacia deste trabalho abstrato sobre o trabalho concreto. O que cria o laco social no capitalismo nao e a qualidade do trabalho humano, mas o trabalho em sua quantidade, indiferenciado, sempre igual e submetido ao mecanismo fetichista do seu crescimento. Nele, a producao e organizada em torno do trabalho abstrato, a relacao entre as pessoas ja se constitui de uma maneira alienada, desposada do controle humano--aqui a natureza e apenas algo instrumental, um ramo da industria e que deve seguir o seu curso.

Em nome deste crescimento, tudo deve ser ultrapassado: o trabalho vivo, as medidas de tempo, a natureza. Como a forma contemporanea do acumulo de acrescimo e reposicao do capital e incessante, esta forma social precisar destruir e modificar sob a hegemonia do trabalho abstrato. Como afirma Matos (apud JAPPE, 2013, p. 11), "abstracao nao significa apenas que o trabalho concreto e subsumido pelo abstrato, mas que seus mecanismos de esvaziamento do sentido da producao sao ao mesmo tempo perda do saber-viver."

Na sociedade espetacular, podemos ate mesmo falar de "consciencia ecologica", "consumo sustentavel" e outras solucoes mistificadoras, mas nao ha condicoes de romper este estado de coisas sem centrar forcas contra o fetichismo da mercadoria. As consequencias per-versas desta forma de acumulacao apenas reverberam a intensidade e justeza da tese de hobesiana de que o homem e o lobo do homem.

Portanto, nao se trata de lutar por uma sociedade sustentavel. Por mais que as exigencias aparecam como justificaveis, as conciliacoes sempre desembocam em realidades mais catastroficas. Uma sociedade "mais igualitaria" apenas muda o tipo de injustica. Como afirma Jappe (2013, p. 30), "nao ha como escapar dos constrangimentos estruturais do sistema democratizando o acesso as suas funcoes."

Referencias

ADORNO, T. W.; HORKHEIMER, M. Dialetica do esclarecimento. Fragmentos filosoficos. Rio de Janeiro: Zahar. 2006.

ARISTOTELES. Etica a Nicomaco. In: ARISTOTELES. Os pensadores. Sao Paulo: Nova Cultural. 1996.

BITTENCOURT, R. N. O tempo livre industrializado. Filosofia, Ciencia & Vida, Sao Paulo, ano IV, ed. 79, fev. 2013.

BOFF, L. Sao Francisco de Assis: ternura e vigor. Petropolis: Vozes. 1985.

DEBORD, G. A sociedade do espetaculo. Comentarios sobre a sociedade do espetaculo. Rio de Janeiro: Contraponto. 2009.

ENGELS, F. A origem da familia, da propriedade privada e do Estado. Rio de Janeiro: Civilizacao Brasileira. 1985.

FRANCO JUNIOR, H. A Idade Media, nascimento do Ocidente. Sao Paulo: Brasiliense. 2010.

HOBSBAWM, E. J. A era do capital. 1848-1875. Sao Paulo: Paz e Terra. 2010

JAPPE, Anselm. Credito a morte. A decomposicao do capitalismo e suas criticas. Sao Paulo: Hedra. 2013.

KURZ, R. Os ultimos combates. Petropolis: Vozes. 1997.

MARX, K. O capital. Vol. I, tomo I. Sao Paulo: Abril Cultural. 1983.

--. Manuscritos economico-filosoficos. Sao Paulo: Boitempo. 2010.

--. Grundrisse. Manuscritos economicos de 1857-1858. Esbocos da critica da economia politica. Sao Paulo: Boitempo. 2011.

MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alema. Sao Paulo: Boitempo. 2009.

MENEGAT, M. Estudos sobre ruinas. Col. Pensamentos Criminologicos, n. 18. Rio de Janeiro: Revan. 2012.

SCHULL, P. M. Platao e a arte de seu tempo. Sao Paulo: Discurso Editorial/ Bacarolla. 2010.

TEIXEIRA, C. M. (org.). Fontes franciscanas e clarianas. Petropolis: Vozes. 2008.

Recebido em 27 de marco de 2015.

Aprovado para publicacao em 15 de julho de 2015

Luiz Marcos de Lima Jorge *

* Doutor em Servico Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Professor Associado da Escola de Servico Social da Universidade Federal Fluminense. Correspondencia: Rua Fabio Luz, 460/apt 602--Meier--Rio de Janeiro --RJ--CEP:20720-350. E-mail: <jovialmariana@uol.com.br>

(1) Na Ideologia Alema, Marx e Engels (2009) ressaltam que o trabalho da origem a um novo ser social. No entanto, eles se referem a um trabalho concreto, livre de qualquer abstracao. E uma atividade vital pois, ao se relacionar com a natureza, o homem retira dela as condicoes da sua reproducao.

(2) Sobre as transformacoes da sociedade grega e os impactos na arte, na musica, no teatro ver: Pierre-Maxime Schull (2010).

(3) Para aprofundar esta processualidade historica ver: Hilario Franco Junior (2010).

(4) Para um maior aprofundamento da biografia de Francisco di Bernardone e de seus escritos, ver: Leonardo Boff (1985) e Celso Mario Teixeira (2008).

(5) Esta denominacao e utilizada por Renato Nunes Bittencourt (2013) para analisar a captura do tempo livre pelo capital.

(6) Cabe aqui uma observacao importante de Robert Kurz (1997, p. 146): "Os intelectuais estetizam a miseria e a exploram comercialmente; o sofrimento daqueles que passam fome sao transformados em publicidade. O temperamento ditado pela logica do mercado chegou a criar um culto a maldade".
COPYRIGHT 2015 Universidade do Estado do Rio de Janeiro- Uerj
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2015 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:de Lima Jorge, Luiz Marcos
Publication:Em Pauta
Date:Jun 1, 2015
Words:6117
Previous Article:The nature-society relation in the capitalist mode of production/A relacao natureza-sociedade no modo de producao capitalista.
Next Article:The contribution of Social Service for the effectiveness of Social Control in HC-UFU /A contribuicao do Servico Social para a efetivacao do Controle...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2021 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters |