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Management of secondary forests of the Brazilian Atlantic Forest for timber production: possible and desirable/ Manejo de florestas secundarias da Mata Atlantica para producao de madeira: possivel e desejavel/ Manejo de bosques secundarios del Bosque Atlantico para la produccion de madera: posible y deseable.

1 INTRODUCAO

Conservacao e manejo dos ecossistemas tem sido objetivos amplamente divergentes na Mata Atlantica brasileira. A conservacao dos ecossistemas deste bioma tem como principal instrumento uma legislacao restritiva ao acesso aos valiosos recursos florestais existentes. A efetividade dessa abordagem e discutivel. Por um lado, pode-se argumentar que o desmatamento na regiao declinou significativamente nos ultimos anos. Mas nao ha como negar que agricultores e outros proprietarios de areas florestadas nao veem suas florestas como um bem precioso, cuja base produtiva deva ser inquestionavelmente protegida. Pelo contrario, como testemunhamos nos debates sobre o codigo florestal, a floresta e considerada por eles majoritariamente uma forma inconveniente de uso da terra que, por nao remunera-la, deveria dar lugar a outros usos. Na regiao da Mata Atlantica, por exemplo, assistimos a continua substituicao de florestas nativas por plantacoes monoespecificas de especies exoticas. A atratividade de outros usos que remuneram a terra e tambem aumentada pela timidez das politicas de incentivo para conservar e melhorar as florestas remanescentes. Defendemos a criacao de politicas fortemente baseadas em estrategias de conservacao pelo uso, nas quais o manejo sustentavel das florestas e o fundamento para a instalacao de um ciclo virtuoso de valorizacao e conservacao desses ecossistemas.

O potencial do manejo de florestas para conciliar conservacao e uso dos seus ecossistemas ja ocorre em outros paises. A Nova Inglaterra, regiao Nordeste dos Estados Unidos, por exemplo, e um dos casos que evidencia a efetividade dessa estrategia. Apos declinar abruptamente para dar lugar aos cultivos agricolas ate meados do seculo XIX (FOSTER; O'KEEFE, 2007), a area florestada teve continua expansao a partir de entao, passando de 40% para 60 a 90%, no ano 2000, nos diferentes estados da regiao (ABER et al., 2010). Segundo esses autores, o aumento da area florestal ocorreu a despeito do rapido crescimento populacional na localidade. Mais que isso, o atual volume de madeira em algumas dessas florestas aumentou seis vezes, enquanto sua qualidade melhorou, por conta do manejo dos ecossistemas para diversos fins.

Grande parte dos remanescentes naquela regiao e constituida por florestas secundarias, nas quais a producao de madeira baseia-se em grande medida em especies de rapido crescimento, quase sempre regeneradas por meio de sistemas silviculturais que promovem sua regeneracao natural. Esse cenario tem muita semelhanca com nossa Mata Atlantica, onde a vasta maioria dos remanescentes florestais e constituida de florestas secundarias, com especies de rapido crescimento e produtoras de boas madeiras. A grande diferenca esta, praticamente, na nao realizacao do potencial das florestas brasileiras como ferramenta de desenvolvimento local e de promocao do apreco de proprietarios de terras pelas matas. A situacao e lamentavel, uma vez que podemos produzir madeira de boa qualidade em menos tempo do que necessitam os proprietarios no hemisferio Norte. Mais que isso, nossas florestas sao mais ricas e podemos produzir outros produtos que complementariam a renda obtida com a madeira, enquanto os ecossistemas continuariam a produzir os servicos ambientais desejados.

Pensamos que uma iniciativa nesse sentido deveria ter como pilares: a) Pesquisa em ecologia das florestas secundarias e em tecnicas silviculturais, para fornecer a base cientifica para orientar a gestao dessas florestas; b) Desenvolvimento de tecnicas para maximizar o aproveitamento da madeira de cada arvore; c) Desenvolvimento de tecnicas de processamento da madeira e sua transformacao em produtos de qualidade; d) Educacao formal e informal sobre manejo florestal sustentavel para um publico diversificado: tecnicos, agricultores e publico em geral.

Neste artigo, apresentamos alguns resultados de um projeto de pesquisa de longo prazo, o qual se propoe atuar simultaneamente em todos esses aspectos. No tocante a pesquisa em ecologia e manejo de florestas secundarias, nossa estrategia e estabelecer florestas demonstrativas, locais onde pesquisas e atividades de formacao acontecem simultaneamente. Para alem de apresentar os resultados ja obtidos, nosso objetivo e trazer a discussao os argumentos que fundamentam nossa visao de que as florestas secundarias da Mata Atlantica deveriam ser manejadas para producao de madeira e de outros produtos nao madeireiros, como estrategia de conservacao ambiental e desenvolvimento local.

2 FLORESTAS SECUNDARIAS

Floresta secundaria e definida como vegetacao lenhosa desenvolvendo-se sobre areas cuja floresta original foi fortemente perturbada ou sofreu corte raso (AKINDALE; ONYEKWELU, 2011; SMITH et al., 1997). Embora fenomenos naturais possam causar significativos impactos em florestas maduras, as florestas secundarias mais comuns sao aquelas que se desenvolvem apos perturbacoes causadas pelos humanos, normalmente por meio de exploracao excessiva de madeira ou pela total supressao da floresta para uso agricola. O caso mais comum e de florestas secundarias que se desenvolvem apos o uso da terra para cultivos anuais e "semiperenes" em rotacao com periodos longos de pousio, um sistema milenar de uso da terra comum em praticamente todas as regioes tropicais (CAIRNS, 2015; MAZOYER; ROUDART, 2010).

As florestas secundarias vem sendo revalorizadas em todo o mundo, como se constata pelo aumento do numero de publicacoes nos ultimos anos sobre esses ecossistemas e o uso da terra do qual derivam--a agricultura de pousio (CHAZDON, 2014; DELANG; LI, 2013). Como afirmou Lugo (2009, p. 589, traducao nossa), "[...] vivemos a era das florestas secundarias [...]" Na regiao da Mata Atlantica brasileira essa situacao e verdadeira. Em Santa Catarina, por exemplo, estado originalmente coberto por esse bioma, 95% dos remanescentes florestais sao ecossistemas em diferentes estagios de sucessao (VIBRANS et al., 2012, p. 333), ou seja, florestas secundarias. Para alem da importancia decorrente da extensao que ocupam em todo o mundo, as florestas secundarias e a pratica agricola associada a elas sao finalmente reconhecidas pelo seu papel na conservacao da biodiversidade, da seguranca alimentar e da cultura local (ADAMS et al., 2013; PADOCH; PINEDO-VASQUEZ, 2010; VAN VLIET, 2013). Entretanto, seu potencial para produzir bens e servicos ecossistemicos somente sera realizado a partir de conhecimento sobre esses ecossistemas. No caso da Mata Atlantica, o numero de estudos dessa natureza e desproporcionalmente menor que a representatividade e importancia das florestas secundarias.

A exemplo do que ocorre em praticamente todas as regioes tropicais e subtropicais do mundo, no Brasil a principal perturbacao que da inicio ao processo de sucessao secundaria e o sistema de uso da terra chamado de roca de toco (tambem chamado de agricultura de corte e queima, itinerante, de pousio, e coivara), uma tradicao milenar da maioria das populacoes indigenas e que foi assimilada pelas populacoes colonizadoras (ADAMS, 2000; DEAN, 1995; OLIVEIRA, 2008). Pedroso Junior, Murrieta e Adams (2008) apresentam ampla revisao de literatura sobre o tema.

A regeneracao da vegetacao que se instala apos eventos naturais ou de origem antropica constitui um mecanismo dinamico progressivo de restauracao da vegetacao, tendendo a reconstituir a cobertura original da area (KLEIN, 1980; SALDARRIAGA; UHL, 1991; TABARELLI; MANTOVANI, 1999; WHITMORE, 1989). Nos locais onde houve grande perturbacao antropica, o processo de sucessao ecologica e denominado "sucessao secundaria" (GUARIGUATA; OSTERTAG, 2001; KLEIN, 1980), processo de regeneracao que apresenta estagios bem definidos, compostos por um numero reduzido de especies dominantes (KLEIN, 1980), de certa forma assemelhando-se a sucessao que ocorre em grandes clareiras na floresta primaria.

Klein (1980) descreveu o processo de sucessao em Santa Catarina, classificando-o em cinco estadios de fitofisionomia muito caracteristica, nomeando-os de acordo com a especie mais conspicua: 1) Estadio pioneiro--dominado por plantas herbaceas como Pteridium aquilinum, Melinis minutiflora e Andropogon bicornis; 2) Capoeirinha estadio com predominancia de arbustos, sobretudo Baccharis elaeagnoides, B. calvescens, B. dracunculifolia e Dodonaea viscosa; 3) Capoeira--com presenca de arvoretas, principalmente Myrsine coriacea; 4) Capoeirao dominado por mesofanerofitos, principalmente a Miconia cinnamomifolia; 5) Mata secundaria--estadio em que a vegetacao, sob todos os aspectos fisionomicos, muito se assemelha a floresta original.

A classificacao das formacoes secundarias da Mata Atlantica foi tema de intenso debate nos anos 1990, que resultou na edicao do Decreto no 750, de 10 de fevereiro de 1993. Nele, sao reconhecidos tres estagios de regeneracao: inicial, medio e avancado, aos quais passaram a ser associados os usos permitidos pelo aparato legal vigente. Entretanto, os criterios para classificar vegetacao secundaria nos estagios definidos nesse decreto nao foram baseados em estudos da estrutura dos ecossistemas. Para aproximar esse instrumento legal a ecologia dos ecossistemas, Siminski et al. (2004) realizaram estudos de campo e propuseram uma classificacao alternativa para os estagios de sucessao, tambem sugerindo nomes com melhor significado ecologico para esses estagios: ervas, arbustos, arvoretas, arboreo pioneiro e arboreo avancado (Figura 1).

Mais do que mera discussao academica, a classificacao da vegetacao secundaria em estagios de sucessao teve forte impacto na vida de proprietarios de terra, particularmente os pequenos agricultores, que sao maioria em muitos estados da regiao da Mata Atlantica. Por exemplo, a "Lei da Mata Atlantica", Lei no 11.428/2006 (BRASIL, 2006), proibiu a supressao da vegetacao em estagio medio e avancado de regeneracao para fins agricolas. Na pratica, esse dispositivo legal proibiu a continuidade roca de toco. Outros usos para a floresta secundaria em estagio avancado de regeneracao tambem foram proibidos, como a producao comercial de madeira. A redacao aprovada da "Lei da Mata Atlantica" trazia artigos que regulamentavam o manejo das florestas secundarias para producao de madeira, mas que foram vetados na lei sancionada. Nossa interpretacao e que tanto a classificacao da vegetacao secundaria quanto as possibilidades de seu manejo com fins economicos foram discutidos em epoca de grande tensao em relacao aos destinos da Mata Atlantica. Contudo, a consolidacao das agencias ambientais, o avanco nas pesquisas e a formacao de grande numero de profissionais competentes nas escolas de Engenharia Florestal, Agronomia, Biologia, entre outras, colocam-nos em melhores condicoes para repactuar essas questoes.

2.1 Por que manejar as florestas secundarias

A Mata Atlantica brasileira cobria originalmente cerca de 1,5 milhoes de hectares (METZGER, 2009), com ecossistemas muito ricos em biodiversidade e com um alto grau de endemismo (MITTERMEIER et al., 2005; TABARELLI et al., 2010). No entanto, a expansao da agricultura e urbanizacao reduziu essa area para 12,5% de sua extensao original (FUNDACAO SOS MATA ATLANTICA; INPE, 2014). A maioria dos remanescentes sao manchas pequenas e isoladas, cobertas com vegetacao secundaria tipica de areas de pousio (RIBEIRO et al., 2009), um testemunho de que agricultura do tipo roca de toco era o uso da terra predominante (SIMINSKI; FANTINI, 2007; SCHORN; GALVAO, 2006).

Atualmente, ha um claro declinio desse tipo de uso das terras (ALARCON et al., 2011; BAUER, 2012; PEDROSO JUNIOR; MURRIETA; ADAMS, 2008; PERONI e HANAZAKI, 2002). Nossa atencao, portanto, deve agora ser voltada aos novos usos da terra escolhidos pelos seus proprietarios, que terao consequencias para o sustento dos agricultores e para a conservacao da biodiversidade. Em Santa Catarina, muitos agricultores simplesmente abandonaram a lavoura, permitindo que a vegetacao de pousio se desenvolvesse para as fases mais avancadas da sucessao. A alternativa mais comum, todavia, e a conversao da terra para pastagens e florestas plantadas, formadas quase que exclusivamente com especies exoticas dos generos Pinus e Eucalyptus (BAUER, 2012; FANTINI; SIMINSKI, 2011). A conversao para outros usos da terra implica uma perda permanente de habitat florestal, que agrava substancialmente a crise de biodiversidade.

Como ja apontamos, o manejo das florestas secundarias pode ajudar a conciliar geracao de renda e conservacao dos ecossistemas, com beneficios sociais, economicos e ecologicos. As pequenas propriedades agricolas e o relevo acidentado da regiao fazem do manejo florestal uma boa opcao de uso da terra para os agricultores familiares. Florestas secundarias sao predominantes na paisagem, grande parte em estagio medio e avancado de sucessao, dominadas por valiosas especies produtoras de madeira como jacatirao-acu, licurana, cedro, e canelasamarelas, atingindo densidades de ate 300 individuos por hectare (DAP > 15 cm) (DELAMONICA et al., 2002; FANTINI; SIMINSKI, 2011; SCHUCH; SIMINSKI; FANTINI, 2008).

A madeira dessas especies e bem aceita no mercado regional, alcancando precos mais altos que o de especies exoticas como pinus e eucalipto. O curto ciclo de vida (30 a 50 anos) das especies tipicas das florestas secundarias torna seu manejo atraente para pequenos produtores, porque gera rendas em intervalos de tempo relativamente curtos. Nessa idade, a maioria das arvores das florestas secundarias atingiu a maturidade e completou seu papel no processo de sucessao. Assim, se nao forem colhidas, morrerao e serao igualmente substituidas por outras. Seu aproveitamento, portanto, e uma estrategia de utilizacao de um recurso disponivel que de outra forma seria perdido.

A renda obtida pela colheita seletiva das arvores maduras beneficia os produtores imediatamente. Alem disso, a colheita abre clareiras no dossel da floresta, tornando-a mais dinamica, ou seja, acelerando o processo de regeneracao de especies pioneiras e aumentando a taxa de crescimento das especies da floresta madura. Portanto, o manejo das florestas pode basear-se principalmente na regeneracao natural das especies, o que reduz fortemente os custos silviculturais, especialmente dispensando um investimento inicial de plantio. A paisagem, por sua vez, e mantida como mosaico de florestas sucessionais mais avancadas, resultado da eliminacao do corte raso. A producao de produtos nao madeireiros, como a polpa do palmiteiro (jucara), tambem e possivel e desejavel uma vez que as especies produtoras desses produtos sao beneficiadas pela abertura do dossel da floresta. Mantidas de pe, as florestas produzirao tambem servicos ecossistemicos de forma permanente, e a comercializacao desses servicos e mais uma oportunidade a ser explorada.

2.2 A abertura de clareiras e o aumento da dinamica das florestas secundarias

Nossa proposta de manejo das florestas secundarias fundamentase na sinergia do ciclo virtuoso que se estabelece entre a colheita comercial de madeiras e a aceleracao da dinamica da floresta, relacao que emerge da abertura de clareiras no dossel. A colheita de arvores selecionadas promove o aumento da produtividade total dos ecossistemas e melhora o sortimento de produtos de alta qualidade. Assim, o aprofundamento do conhecimento do processo de regeneracao consequente da abertura de clareiras em florestas secundarias avancadas proporcionara ajustar o manejo da floresta para a obtencao dos objetivos de producao sustentavel de madeira, bem como de outros produtos nao madeireiros. Por exemplo, o trabalho pioneiro de Mesquita (2000) na Amazonia brasileira revelou que aberturas de intensidade intermediaria no dossel sao as que melhor promovem o crescimento de regenerantes em florestas secundarias.

As diferencas de demanda por luz pelas especies florestais tem sido objeto de investigacao em florestas tropicais desde os trabalhos classicos de Budowski (1965) e do apogeu dessa area de estudo verificado na decada de 1980 (exemplos: BROKAW; SCHEINER, 1989; HARTSHORN, 1980; MATINEZ-RAMOS; ALVAREZ-BUYLLA; SARUKHAN, 1989; WHITMORE, 1989). Dessa serie de trabalhos, a classificacao das especies florestais em grupos ecologicos, como a proposta por Budowski (1965), representou significativo avanco na compreensao da dinamica dos ecossistemas florestais tropicais. Mais recentemente, utiliza-se esse conhecimento tambem para o estabelecimento de florestas plantadas de especies nativas, linha de trabalho utilizada principalmente na Costa Rica (PIOTTO et al., 2010; PLATH et al., 2011). A premissa dessa abordagem e tirar proveito de especies nativas tropicais que apresentam, alem das boas caracteristicas da madeira, elevadas taxas de incremento. Sao relatados, entretanto, resultados mais promissores quando os plantios sao mistos, revelando a sinergia possivel entre as diferentes especies, cujas demandas pelos fatores de producao sao distintas.

O manejo de florestas secundarias pode reunir todos esses aspectos, ou seja, a utilizacao de varias especies, com colheita seletiva e, principalmente, reposicao dos estoques por meio da regeneracao natural. Assim, no manejo dessas florestas visando a producao de madeira, o refinamento e o corte de liberacao sao tecnicas silviculturais adequadas para promover as especies de interesse (AKINDELE; ONYEKWELU, 2011; GUARIGUATA, 1999), principalmente em seguida a abertura do dossel causada pela colheita.

O sucesso na promocao do uso sustentavel das florestas secundarias, ou seja, visando ao aumento da produtividade no longo prazo, deve ser baseada em pesquisa sobre o comportamento dos processos de regeneracao dos ecossistemas apos uma colheita. Entretanto, estudos dessa natureza na Mata Atlantica sao ainda escassos, particularmente na regiao Sul do Brasil. Nossa proposta de pesquisa tem como objetivo suprir esta lacuna. Inspirados em Chazdon (2012), Guariguata (1999) e Mesquita (2000), nossa expectativa e detectar respostas na composicao floristica e crescimento de plantulas e arvores jovens em curto espaco de tempo apos o manejo, obtendo resultados importantes nos proximos tres anos do projeto.

2.3 O projeto Madeira Nativa

Nosso grupo de pesquisa iniciou os estudos sobre as formacoes secundarias da floresta ombrofila densa de Santa Catarina em 1999, com abordagens de ecologia humana, ou seja, alem dos aspectos da ecologia desses ecossistemas, atencao era dada a maneira como os agricultores relacionavam-se com as florestas secundarias. A partir de resultados desses estudos, vislumbramos possibilidades concretas do manejo dessas florestas para producao de madeiras. Com essa perspectiva, iniciamos a instalacao de uma unidade de pesquisa em Massaranduba-SC, em 2009. Trata-se de uma area com 45 hectares de floresta secundaria em estagio avancado de regeneracao (estagio arboreo avancado) com cerca de 38 anos desde o inicio do processo de sucessao. Utilizando parcelas permanentes, com todos os individuos identificados e mapeados, o projeto pretende ser uma pesquisa de longo prazo. Os proprietarios da floresta sao madeireiros com larga experiencia e possuem tambem uma pequena serraria e equipamentos necessarios para realizar a colheita. A parceria com a Fundacao de Meio Ambiente de SC (Fatma) permite realizar todas as operacoes de maneira legal, inclusive a colheita da madeira, seu transporte e sua comercializacao. Parcerias mais recentes com outras universidades (Universidade de Blumenau, Universidade Federal do Parana, ambas brasileiras, e University of Freiburg, da Alemanha) aumentaram o escopo dos estudos e ampliaram o alcance dos beneficios das pesquisas. Ou seja, as circunstancias sao muito adequadas para a realizacao do projeto.

Ja realizamos inventarios florestais em 2009 e em 2014 no local do estudo, cujos resultados estao sendo analisados para determinar a diversidade de especies, a estrutura da floresta e taxas de incremento de arvores adultas e regenerantes--nesse caso da floresta secundaria sem intervencao. Em 2014, dez das quinze parcelas foram manejadas para a producao de madeira, em intensidades que variaram entre 18 e 50% da sua area basal, enquanto cinco outras parcelas permaneceram inalteradas e serao usadas como controle. Inventarios periodicos devem ser realizados tanto para arvores remanescentes quanto para os regenerantes apos a exploracao, para determinar o impacto das diferentes intensidades de colheita sobre o ecossistema e sua produtividade com e sem exploracao.

Nossa hipotese e que diferentes intensidades de colheita seletiva de madeira e suas respectivas aberturas do dossel determinam a composicao floristica dos regenerantes e a dinamica do processo de regeneracao natural da floresta apos a intervencao. Assim, em situacao de manejo racional desses ecossistemas, seria possivel escolher determinada intensidade de colheita, formando clareiras de tamanho tal que favoreca a regeneracao e incremento de um grupo ecologico de especies de interesse economico.

Nesse contexto, o objetivo geral do projeto Madeira Nativa e compreender como diferentes intensidades de colheita de madeira e suas consequentes aberturas do dossel determinam a composicao floristica dos regenerantes e a dinamica do processo de regeneracao natural de florestas secundarias da Mata Atlantica manejadas para a colheita seletiva de especies produtoras de madeira. Especificamente, pretende-se: a) determinar o impacto de diferentes intensidades de colheita sobre o numero e a composicao floristica de especies regenerantes; b) determinar a composicao de especies regenerantes como funcao da composicao do dossel antes da colheita e do dossel remanescente; c) determinar a contribuicao das diversas estrategias de regeneracao (germinacao de sementes, brotacao de raizes, brotacao de cepas, brotacao de troncos danificados pela colheita) das especies florestais para a recomposicao do ecossistema; d) determinar as taxas de crescimento das especies regenerantes como funcao de diferentes intensidades de colheita e das estrategias de regeneracao.

A colheita de arvores em floresta secundaria da Mata Atlantica representa uma oportunidade rara de coleta de dados sobre as especies e seu aproveitamento. Por isso, outros estudos estao sendo realizados paralelamente. No seu amplo escopo, o projeto visa coletar e analisar dados das seguintes variaveis:

* diversidade, estrutura e dinamica da floresta antes e apos a colheita de madeira: biodiversidade, distribuicao diametrica, mortalidade, ingresso e recrutamento de regenerantes;

* produtividade da floresta com e sem manejo para producao de madeira: biomassa, estoque de carbono, volume de toras, volume de madeira serrada, taxas de incremento corrente e incremento medio anual do volume;

* danos causados na colheita e tecnicas de impacto reduzido (em 2016, oito novas parcelas foram demarcadas, inventariadas e manejadas para comparar dois sistemas de colheita: o sistema tradicionalmente utilizado pelos proprietarios da floresta e um sistema de exploracao de impacto reduzido, que aplica tecnicas de abate e arraste das arvores colhidas visando reduzir os danos sobre as arvores remanescentes);

* modelos para descricao e predicao a partir de variaveis nao destrutivas (DAP, altura): volume de biomassa e carbono, volume de toras, de madeira serrada e de lenha;

* rendimento industrial: taxa de aproveitamento do volume das arvores, particao das toras nos diferentes produtos, aproveitamento de toras curtas (bolt logs);

* resultado economico da atividade: custos e receitas, valor esperado da terra (VET);

* integracao com manejo de produtos florestais nao madeireiros: estrutura da populacao e incremento do palmiteiro em floresta manejada, produtividade de palmito e de polpa de acai.

3 RESULTADOS

Os primeiros resultados referem-se ao inventario da floresta antes das operacoes de colheita de madeira, e tinha por objetivo conhecer a estrutura do ecossistema com enfase nas especies produtoras de madeira. Considerando todos os individuos com DAP igual ou maior a 5 cm, a densidade media da floresta e de 1.439 individuos por hectare, equivalentes a uma area basal de 29,4 [m.sup.2]/ha. Quando se consideram somente especies arboreas e com DAP igual ou maior a 15 cm, foram encontrados 396 troncos por hectare e area basal de 21,5 [m.sup.2]/ha. Jacatiraoacu (Miconia cinnamomifolia), licurana (Hieronymaalchorneoides) e as canelas do grupo ferruginoso (dos generos Nectandra e Ocotea) sao as especies mais abundantes (Grafico 1) e refletem a situacao tipica de florestas secundarias em estagio arboreo pioneiro e arboreo avancado na Floresta ombrofila densa da Mata Atlantica.

A distribuicao diametrica dessas especies aproxima-se daquela esperada de acordo com seu comportamento ecologico. Jacatirao-acu apresenta distribuicao semelhante a curva normal e com numero muito reduzido de individuos jovens (Grafico 2), o que indica que a especie nao se regenera sob dossel fechado. Uma rapida inspecao na floresta e suficiente para verificar que as arvores dessa especie estao maduras ou sobremaduras, mesmo aquelas de pequeno DAP. Esse resultado sugere que essas arvores deveriam ser colhidas para realizar seu aproveitamento economico e propiciar as condicoes para o ingresso de novos individuos da especie.

A licurana, por sua vez, tambem apresenta distribuicao semelhante a normal, mas com maior numero de individuos em todas as classes em relacao ao jacatirao-acu. Principalmente, apresenta grande numero de jovens. Como e uma especie mais tolerante a sombra e de ciclo mais longo, essas arvores jovens apresentam ainda potencial para crescimento rapido caso parte das arvores de grande porte sejam colhidas, promovendo a abertura do dossel.

Como um grupo, as canelas apresentam distribuicao diametrica semelhante ao J-invertido, ou seja, ha grande numero de individuos jovens, recrutados mais recentemente. Entretanto, uma analise mais detalhada revelou que as especies tem ciclo de vida e taxas de crescimento diferentes. A canela-branca (Nectandramembranacea), por exemplo, tem praticamente todos os individuos ja senescentes na floresta estudada, sendo alguns deles ja praticamente inaproveitaveis para producao de madeira. Outras, como a canela-garuva (Nectandra oppositifolia), apresentam estrutura populacional tipicamente inequianea, reflexo de sua maior tolerancia a sombra.

Os resultados dos inventarios confirmam a existencia de significativo volume de madeira em estoque, formado em grande parte por arvores de grande porte para florestas secundarias (30 a 45 cm de DAP) e maduras, que podem e deveriam ser colhidas. Mas o potencial da floresta para manejo em regime de colheita por selecao individual fica mais evidente quando se observa o numero de individuos na classe de diametro entre 5 e 15 cm, que inclui grande numero de arvores jovens de especies de valor comercial, com potencial para rapido crescimento se o dossel da floresta for aberto pela colheita de arvores maduras. As clareiras criadas pela colheita beneficiarao tambem as especies menos tolerantes a sombra, que necessitam dessas aberturas para se regenerarem.

Alem do inventario florestal realizado nas parcelas permanentes, fizemos um estudo para compreender o potencial de producao de madeira do ponto de vista dos proprietarios da floresta onde o projeto e realizado, os quais sao madeireiros com grande experiencia no uso de especies nativas. Em uma area de 6 ha, os proprietarios da floresta selecionaram arvores maduras, prontas para colheita, de especies de bom valor de mercado.

Ao mesmo tempo, com o proposito de evitar a degradacao da floresta (high-grading), selecionamos arvores maduras de especies de menor valor comercial. Ao todo, 391 arvores foram colhidas (65 arvores por hectare conforme Tabela 1). Tendo por base o resultado do inventario das parcelas permanentes, a colheita dessas arvores resultou em uma reducao da area basal da floresta cerca de 22%.

O resultado tambem revela uma caracteristica importante da abordagem do manejo para producao de madeira que pensamos para as florestas secundarias: a colheita de grande parte do volume das arvores maduras e a consequente abertura de grandes clareiras no ecossistema. De um lado, o objetivo e realizar o maximo do volume potencial de arvores maduras das especies secundarias iniciais e tardias. De outro, as grandes clareiras proporcionarao o ambiente adequado para que essas mesmas especies se regenerem naturalmente e se estabelecam novamente na area manejada, para colheitas futuras em tempo relativamente curto. Em resumo, propomos um sistema de manejo intensivo, com colheita de grande numero de arvores que, embora estejam maduras, sao de tamanho relativamente reduzido, de especies de rapido crescimento, em ciclos curtos, promovendo a sua regeneracao natural. Como o metodo e seletivo, o ecossistema remanescente tambem sera favoravel ao aumento do incremento de individuos jovens de especies secundarias tardias e climacicas ja estabelecidos. Assim, o sistema aqui proposto teria uma logistica oposta aquela aplicada ao manejo de florestas maduras, em que ocorre a colheita de um pequeno numero de arvores de grande porte por hectare, em ciclos longos.

Ressaltamos, ainda, que a floresta estudada tinha 38 anos desde o inicio do processo de sucessao. No sistema de manejo que divisamos, arvores jovens remanescentes da primeira colheita deverao proporcionar oportunidade de novas colheitas em periodos de tempo mais curtos. Tratando-se de manejo de pequenas areas de floresta localizadas em pequenos estabelecimentos rurais, essa e uma caracteristica muito desejavel, e ate necessaria para atrair o interesse de agricultores familiares.

Com base no DAP e na altura comercial, as 391 arvores selecionadas produzem cerca de 360 [m.sup.3] de toras (Tabela 1). As dez principais especies contribuem com 81% do volume das arvores selecionadas, com destaque para licurana (44% do volume). Jacatirao-acu e canela-branca tambem apresentam importante soma de volume (16%). Ao contrario do senso comum, a madeira das especies das florestas secundarias tem boa aceitacao no mercado e atinge valores expressivos. A madeira serrada de jacatirao-acu, licurana e canelas atinge preco de cerca de R$ 1.000 por [m.sup.3]. Madeiras mais nobres como canjerana, cedro, canela-garuva e canela-sebo verdadeira podem atingir precos superiores. Tratando-se de especies de crescimento rapido, esses valores podem ser considerados muito bons. A madeira de pinus, por exemplo, a mais comercializada na regiao na forma de tabuas, e vendida na mesma serraria por R$ 700 por [m.sup.3]. Ha que se considerar ainda que a madeira produzida neste projeto concorre com aquela produzida ilegalmente e que na pratica determina o preco de mercado. Acreditamos que, uma vez restabelecido o mercado legal de madeiras nativas de florestas secundarias, os precos hoje praticados tenderiam a crescer, principalmente quando sua oferta estiver associada a projetos de melhoria da qualidade do processamento e de marketing para os produtos. A riqueza de especies produtoras de madeiras sugere grande diversidade de usos potenciais.

A quantidade de madeira estocada nas propriedades dos agricultores, ja pronta para ser colhida, pode ser surpreendente. Apenas a titulo de ilustracao, podemos fazer uma estimativa desse estoque na regiao da Floresta ombrofila densa de SC. Essa tipologia florestal cobria originalmente 29.000 [km.sup.2] no estado, dos quais restam 12.000 [km.sup.2], segundo os resultados do Inventario Floristico Florestal de Santa Catarina (VIBRANS, 2012). Um cenario possivel e que 50% desses remanescentes sejam florestas secundarias com estrutura semelhante aquela encontrada no nosso estudo, ou seja, teriamos 6.000 [km.sup.2], ou 600 mil hectares dessas florestas. Considerando ainda que o estoque medio de arvores maduras fosse de 50 [m.sup.3]/ha, semelhante ao da nossa area de estudo, haveria um volume total de 30 milhoes de [m.sup.3] de madeira em tora pronta para ser colhida. Dados preliminares de rendimento dessas toras na serraria sugerem que cada 3 [m.sup.3] de troncos em pe rendem 1 [m.sup.3] de madeira serrada. Assim, o estoque da floresta produziria 10 milhoes de [m.sup.3] de madeira serrada. Tomando-se o preco de R$ 1.000/[m.sup.3], o valor de mercado do estoque seria de R$ 10 bilhoes.

Essa riqueza esta disponivel agora e pode gerar uma renda imediata para agricultores e outros proprietarios de terra. Haveria tambem outros efeitos desejaveis importantes, como a restruturacao da cadeia de producao de base florestal, que ja teve lugar de destaque na economia do estado. A tecnologia existente hoje para o processamento da madeira, desde o desdobro ate seu uso final, permite melhorar significativamente seu aproveitamento como materia-prima e agregar valor a producao.

Uma gestao eficiente do manejo florestal deve visar tambem ao maximo aproveitamento do recurso. A cubagem de 24 arvores colhidas revelou que apenas 53% do volume da arvore (ate 5 cm de diametro) e aproveitado na forma de toras. Entretanto, outros 19% do volume do tronco poderiam ser aproveitados para producao de madeira de pequenas dimensoes, mas que sao normalmente somados aos 28% do volume comercializado como lenha ou cavacos. Sao toras curtas, com comprimento entre 1 e 2,5 m ou de pequeno diametro (10 a 25 cm), que sao desprezadas por conta da baixa capacidade de processamento, principalmente equipamentos obsoletos.

3.1 Formacao de pessoal

A mudanca de percepcao sobre as possibilidades de manejo das florestas secundarias como estrategia para promover sua conservacao por meio de seu uso economico depende do conhecimento da ecologia e do impacto das tecnicas silviculturais sobre esses ecossistemas. Por isso, no Projeto Madeira Nativa, as areas, onde sao realizadas as pesquisas, sao chamadas de Florestas Demonstrativas de Manejo Florestal. Nessas florestas, as tecnicas utilizadas nas pesquisas sao acompanhadas por diversos publicos e seus resultados podem ser verificados in loco. A estrategia e envolver o maior numero possivel de pessoas nas atividades de formacao: agricultores e outros proprietarios de terras, tecnicos, estudantes e publico em geral interessado no tema.

A formacao de novas geracoes de profissionais conhecedores do potencial das florestas secundarias para conciliar conservacao e desenvolvimento local e imprescindivel para concretiza-lo. Por isso, e nosso proposito envolver o maior numero possivel de estudantes no projeto. Atualmente, tres alunos de doutorado realizam o seu trabalho de tese na area do estudo. Outras cinco dissertacoes de mestrado e tres trabalhos de conclusao de curso de graduacao ja foram finalizados. A area do estudo tambem e utilizada para a realizacao de aulas de graduacao e pos-graduacao de cursos da Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal do Parana e Universidade Regional de Blumenau.

4 CONSIDERACOES FINAIS

Na maioria dos paises tropicais e em grande medida na Amazonia, a floresta e efetivamente parte integrante dos estabelecimentos rurais, e a grande dependencia de seus povos em relacao a floresta torna impensavel distinguir a importancia entre floresta e areas agricolas. Na regiao da Mata Atlantica, e particularmente no Sul do Brasil, entretanto, ha uma clara dicotomia entre atividades florestais e agricolas. Essa dicotomia tem crescido nas ultimas decadas, afastando os agricultores do aproveitamento dos valiosos recursos oferecidos pela floresta. Por isso mesmo, possivelmente em poucas geracoes teremos perdido a ampla gama de conhecimento local sobre as especies florestais e seus usos.

Um dos objetivos da nossa proposta de manejar as florestas secundarias e restabelecer o papel das florestas no cotidiano dos agricultores e resgatar a cultura do manejo florestal. Nossa expectativa e que as florestas passem a ser valorizadas e consequentemente protegidas, nao somente por um aparato legal, mas pelos seus proprietarios. Acreditamos que esse caminho possa tambem estimular a adocao de usos da terra de base florestal, como os sistemas agroflorestais e os plantios florestais mistos de especies nativas. Tanto florestas secundarias como esses outros usos da terra sao propicios a conservacao da biodiversidade. Somados as areas de florestas maduras e de preservacao permanente, formariam um mosaico de vegetacao favoravel aos processos ecologicos em diversas escalas, da unidade do estabelecimento rural ao nivel regional.

http://dx.doi.org/10.21713/2358-2332.2016.v13.1013

AGRADECIMENTOS

O Projeto Madeira Nativa tem sido financiado por varias instituicoes. A FAPESC deu suporte financeiro no periodo de 2010 a 2014. O CNPq concede bolsa de produtividade a A. C. Fantini desde 2013 e concedeu bolsa de pos-doutorado para A. Siminski e J. L. Vivan. CNPq e Capes concederam bolsas de mestrado e doutorado para varios alunos de pos-graduacao que atuam ou atuaram no projeto como pesquisadores. Especial agradecimento a familia Bisewski, por colocar a area a disposicao para a realizacao do projeto e pela parceria nesta iniciativa.

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Recebido em 29/04/2016

Aprovado em 03/10/2016

Alfredo Celso Fantini, doutor em Ciencias Florestais pela University of Wisconsin, Madison, Estados Unidos e professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianopolis, SC, Brasil. E-mail: alfredo.fantini@ufsc.br.

Alexandre Siminski, doutor em Recursos Geneticos Vegetais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e professor adjunto da UFSC, campus de Curitibanos, SC, Brasil. E-mail: alexandre. siminski@ufsc.br.

Caption: Grafico 2--Distribuicao diametrica de tres especies selecionadas
Tabela 1--Especies madeireiras mais comuns em Area de floresta
secundAria de 6 ha *

FamIlia                Especie          Nome       No     DAP     Hc
                                        comum     arv.   medio   media

Phyllanthaceae        Hieronyma       Licurana    184     35      10
                    alchorneoides

Melastomataceae        Miconia        Jacatirao    38     31      11
                   cinnamomifolia

Lauraceae             Nectandra        Canela-     29     35      13
                     membranAcea       branca

Euphorbiaceae         Alchornea       Tanheiro     29     36      10
                    triplinervia

Fabaceae            Schizolobium      Guarapuvu    8      48      14
                      parahyba

Lauraceae             Nectandra        Canela-     17     33       9
                    oppositifolia      garuva

Meliaceae             Cabralea        Cangerana    11     41      7,7
                      canjerana

Meliaceae         Cedrela fissilis      Cedro      4      48      13

Lauraceae          Ocotea puberula     Canela-     5      41      14
                                        sebo

Fabaceae          Centrolobium sp.      AribA      7      37      11

Demais                                             59     40      12
especies (26)

Totais                                            391     40      12

FamIlia           Area    Vol.
                  basal   Com.

Phyllanthaceae    18,4    159

Melastomataceae   3,04     29

Lauraceae         2,84     28

Euphorbiaceae     2,94     16

Fabaceae           1,5     15

Lauraceae          1,5     12

Meliaceae          1,6     11

Meliaceae          0,7     7

Lauraceae          0,7     7

Fabaceae           0,8     7

Demais             7,5     69
especies (26)

Totais             41     360

Fonte: Elaboracao propria.

Legenda: No Arv.= numero de Arvores; Hc = altura comercial; Vol.com. =
volume comercial.

Figura 1--Regeneracao natural da floresta apos uso agricola da terra

Estadio da sucessao e tempo aproximado (anos) desde o abandono da area

ervas                1-5
arbustivo           5-10
arvoretas          10-15
arboreo pioneiro   15-30
arboreo avancado   30-60

Fonte: Elaboracao propria, exceto o estagio de arboreo avancado,
de Klein (1980).

Grafico 1--Distribuicao diametrica de individuos com DAP > 15cm

           Jacatirao+Licurana+Canelas   Todas as especies

DAP (cm)

20                    112                      243
30                     88                      118
40                     22                       33
50                      6                        9
60                    0,5                      1,6

Fonte: Elaboracao propria.

Note: Table made from bar graph.
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Title Annotation:Debates
Author:Fantini, Alfredo Celso; Siminski, Alexandre
Publication:Revista Brasileira de Pos-Graduacao
Article Type:Ensayo
Date:Sep 1, 2016
Words:7136
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