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MORCEGOS DA ESTACAO ECOLOGICA AIUABA, CEARA, NORDESTE DO BRASIL: UMA UNIDADE DE PROTECAO INTEGRAL NA CAATINGA.

INTRODUCAO

Os morcegos apresentam uma alta diversidade, cerca de 1230 especies (Simmons & Wettere 2010), e uma grande radiacao ecologica e evolutiva (Fenton 1992; Kalko 1997), com representantes insetivoros, frugivoros, nectarivoros, granivoros, carnivoros, piscivoros e hematofagos (Humphrey & Bonaccorso 1979; Nowak 1994; Nogueira & Peracchi 2003). O Brasil destaca-se como o segundo pais mais diverso em relacao a sua quiropterofauna, atualmente com 180 especies (Nogueira et al. 2014; Moratelli & Dias 2015; Feijo et al. 2015a), atras apenas da Colombia (187 especies). Essa grande diversidade se concentra na Amazonia, Mata Atlantica, Cerrado e Caatinga (Paglia et al. 2012).

Nos ultimos 30 anos um crescente interesse pela Caatinga tem aumentado a diversidade de mamiferos conhecida, que hoje conta com 155 especies, um aumento de 48% nesse periodo (Mares et al. 1981; Carmignotto et al. 2012; Moratelli & Dias 2015; Feijo et al. 2015a). Em relacao aos morcegos, 81 especies sao registradas para esse bioma (Paglia et al. 2012; Moratelli & Dias 2015; Rocha et al. 2015a; Feijo et al. 2015a; Feijo et al. 2015b), o que representa um aumento de 17 especies (20%) em apenas doze anos (Oliveira et al. 2003). Esse crescimento deve-se ao aumento dos trabalhos de campo na Caatinga (ex. Rocha et al. 2015a; Feijo et al. 2015a) e analises de especimes em museus (ex. Moratelli & Dias, 2015), refletindo o grande potencial faunistico dessa area.

A Caatinga e um ecossistema de alta sazonalidade com periodos prolongados de seca, composto por uma vegetacao arbustiva e de florestas sazonais secas (ver mais em Prado 2003; Leal et al. 2005). Essa regiao apresenta poucas unidades de conservacao, apenas 1% do bioma esta inserido em unidades de protecao integral, como parques nacionais, estacoes ecologicas e reservas biologicas (Leal et al. 2005). Visando contribuir para o melhor conhecimento da quiropterofauna da Caatinga, bem como de uma das poucas unidades de conservacao de protecao integral nesse bioma, o objetivo desse trabalho e inventariar a quiropterofauna da Estacao Ecologica Aiuaba, Ceara, nordeste do Brasil. Este trabalho fez parte do projeto "Fauna da ESEC Aiuaba: Integracao de Informacoes para Subsidio de Planos de Conservacao e o Uso Sustentavel", desenvolvido entre 2011 e 2014, visando catalogar a diversidade de mamiferos, aves, repteis, anfibios, peixes, crustaceos, insetos, bentos, zooplanctons e parasitas presentes na ESEC Aiuaba.

AREA DE ESTUDO

A Estacao Ecologica Aiuaba (ESEC Aiuaba) e uma unidade de conservacao de protecao integral de 11 805 hectares situada no municipio de Aiuaba, sudoeste do estado do Ceara, entre as coordenadas 06[degrees]36'01" S 06[degrees]44'35"S e 40[degrees]07'15"0-40[degrees]19'19"0 (Fig. 1). A precipitacao media anual e de 582 mm. A temperatura media mensal varia de 24 a 28 [degrees]C (Lemos & Meguro 2010). As chuvas ocorrem de dezembro a maio e a maior precipitacao pluviometrica media ocorre em marco (Oliveira et al., 1988). Os tipos de fitofisionomia presentes na area sao: Floresta Caducifolia Espinhosa, Caatinga arbustiva aberta, Carrasco e Floresta Subcaducifolia Tropical Pluvial (Lemos e Meguro, 2010). Na area circundante a ESEC Aiuaba ha plantacoes de milho, banana e mandioca, assim como criacoes de gado bovino e caprino.

MATERIAL E METODOS

O levantamento dos morcegos foi realizado em cinco campanhas: a primeira entre 26 de agosto a 1 de setembro de 2012; a segunda entre 2 a 5 de abril de 2013; terceira entre 26 de junho a 1 de julho de 2013; a quarta entre 30 de agosto a 2 setembro de 2013; e a quinta de 1 a 4 de dezembro de 2013.

Os morcegos foram capturados com redes de neblina (12 x 2.5 m cada), abertas das 18:00 as 00:00 h. O numero de redes variou de cinco a dez dependendo do ponto de coleta e/ou da estacao do ano amostrada. O esforco amostral foi de 31 500 h. [m.sup.2], calculado de acordo com o metodo proposto por Straube & Bianconi (2002), que consiste em multiplicar a area total das redes pelo numero de horas que as mesmas ficaram expostas. Ao longo das sessoes de captura, as redes foram vistoriadas a cada 30 minutos para a retirada dos individuos. Alem disso, nos realizamos buscas ativas em possiveis abrigos dentro e no entorno da ESEC Aiuaba, como cavernas, telhados de casas, ocos de arvores e em bueiros.

As capturas foram realizadas em cinco pontos, selecionados de forma a potencializar o registro dos morcegos mesmo durante a estacao seca, onde as capturas tendem a diminuir (Rocha et al. 2015b). Todos os pontos encontram-se nas proximidades de corpos dagua perenes, incluindo pequenos acudes artificiais, barragens e riachos. Em complemento, dois abrigos foram monitorados durante todas as campanhas para detectar possiveis flutuacoes populacionais e na composicao de especies. Um dos abrigos e uma cavidade subterranea chamada Caverna Sobradinho (6[degrees] 38' 35,7" S, 40[degrees] 5' 57" O), com cerca de 50 metros de extensao e uma altura media de 4 metros (Fig. 2). O segundo abrigo e o sotao do alojamento da sede da ESEC Aiuaba, uma construcao de alvenaria coberta por telhas com cerca de 40 metros de extensao e um metro de altura.

A identificacao dos especimes foi baseada principalmente em Gardner (2008), e em trabalhos especificos, como Moratelli et al. (2011) e Feijo et al. (2015c). Os individuos capturados foram identificados e avaliados quanto ao sexo, idade, estagio reprodutivo, peso e comprimento do antebraco. O estagio reprodutivo foi verificado a partir da observacao de caracteres externos e categorizado como: i) Femea prenhe: quando o feto pode ser percebido no utero por apalpacao; ii) Femea lactante: mamas intumescidas, sem pelos e com presenca de leite; iii) Femea prenhe e lactante: presenca simultanea das duas categorias anteriores e; iv) Femea pos-lactante: mamas sem pelos e ausencia de leite. Apos as avaliacoes e medicoes, os individuos foram marcados com anilhas alfanumericas e soltos na mesma noite e local da captura. Cinco individuos de cada especie foram mortos (Licenca SISBIO numero: 551993/2011-1), fixados em formol a 10% e preservados em alcool 70% para confirmacao da identificacao e deposito como material testemunho. Os especimes coletados estao depositados na colecao de Mamiferos da Universidade Federal da Paraiba (UFPB).

Para os especimes coletados, foram obtidas as seguintes medidas: Peso (P), Comprimento total (CT); comprimento cabeca-corpo (CC); comprimento da cauda (CCa); comprimento do pe (CP); comprimento da orelha (CO); comprimento do antebraco (CA); comprimento do trago (CTr); comprimento do calcaneo (CCl); comprimento do cranio (CCr); comprimento condilo-incisivo (CCI); largura do mastoide (LM); largura do zigomatico (LZ); largura da caixa encefalica (LC); largura da constricao pos-orbital (LCp); largura ao nivel dos caninos superiores (LCa); largura ao nivel dos molares superiores (LMo); comprimento da serie dentaria superior (CSDs); comprimento da mandibula (CMa) e comprimento da serie dentaria inferior (CSDi).

A estimativa de riqueza Jackknife 1 e curvas de acumulacao de especies (observada e estimada por Jackknife 1) foram calculadas usando o programa EstimateS 8.2 (Colwell, 2009) e aleatorizadas 1.000 vezes. A randomizacao dos dados elimina a influencia da ordem em que os mesmos sao incluidos na analise, o que resulta em uma curva acumulativa de especies suavizada (Colwell e Coddington, 1994). As especies foram categorizadas de acordo com seus habitos alimentares preferenciais, seguindo Nowak (1994) e Kalko (1997), adotando-se as categorias: onivoros, insetivoros, frugivoros, nectarivoros, carnivoros e hematofagos.

RESULTADOS

Nos capturamos 275 especimes pertencentes a 26 especies, 24 generos e sete familias. Desse total, 205 individuos representando 26 especies foram capturados nas redes de neblina, enquanto 70 individuos (11 especies) foram capturados em abrigos (Tabela 1). A riqueza estimada por Jackknife 1 foi de 35 especies, havendo diferenca significativa (t = -8.25; P = 0.0001) entre o valor estimado e observado (Fig. 3). Pranchas com as especies capturadas na ESEC Aiuaba sao fornecidas no Suplemento 1. As medidas externas e o numero de tombo dos especimes coletados na ESEC Aiuaba sao apresentados na Tabela 2.

A familia Phyllostomidae foi a mais representativa com 170 individuos capturados (82.9% da abundancia total), seguida por Vespertilionidae (6.34%; N = 13), Molossidae (4.88%; N = 10), Mormoopidae (2.93%; N = 6), Natalidae (1.46%; N = 3), Emballonuridae (0.98%; N = 2) e Noctilionidae (0.49%; N = 1).

A especie com o maior numero de capturas nas redes de neblina foi Artibeus planirostris com 37.5% dos individuos capturados (N = 77), seguida por Carolliaperspicillata com 16.5% (N = 34), Micronycteris sanborni com 8.8% (N = 18), Glossophaga soricina (5.4%; N = 11), Myotis lavali (5.3%; N = 11) e Trachops cirrhosus (4.4%; N = 9). Juntas, essas seis especies representam 77.9% de todos os individuos capturados (Fig. 4).

A maioria das especies capturadas apresenta habito alimentar insetivoro (61.5% das especies registradas), seguida por frugivoros (15.3%), onivoros (7.6%), nectarivoros (7.7%) e hematofagos (3.8%). Todavia, considerando-se o numero de individuos capturados, os frugivoros foram os mais representativos (57.5%), seguidos dos insetivoros (28.3%), onivoros (12.2%), hematofagos (1.5%) e nectarivoros (0.5%).

Das 26 especies capturadas, nove apresentaram caracteristicas que indicavam atividade reprodutiva (Tabela 3). Pteronotus gymnonotus, A. planirostris e M. sanborni estavam prenhes em dezembro (final da epoca seca) e A. planirostris, M. sanborni, G. crenulatum, T. cirrhosus, M. molossus e M. lavali estavam lactantes em abril (final da epoca chuvosa).

O monitoramento dos abrigos resultou na captura de 11 especies (Tabela 1), sendo estas tambem registradas nas redes de neblina. As buscas no sotao da ESEC Aiuaba resultaram na identificacao de uma colonia de Molossus molossus (cerca de 30 individuos), Myotis lavali e Noctilio albiventris (cinco individuos foram visualizados). A caverna Sobradinho abrigava uma riqueza de oito especies: Peropteryx macrotis, Desmodus rotundus, Anoura geoffroyi, Trachops cirrhosus, Carollia perspicillata, Natalus macrourus, Pteronotus personatus e Pteronotus gymnonotus (Tabela 1). As especies do genero Pteronotus formavam uma colonia de pelo menos de 35 mil individuos (inferido a partir de estimativas fotograficas; ver Kunz & Parsons 2009). A abundancia das outras especies nao pode ser estimada.

DISCUSSAO

Considerando os padroes encontrados em outras areas de caatinga, a riqueza de quiropteros registrada na ESEC Aiuaba (26 especies) e alta. Os inventarios realizados nesta regiao apontam uma diversidade local de morcegos entre 14 (Parque Nacional Ubajara, no Ceara; Silva et al. 2001) e 33 especies (regiao de Exu, em Pernambuco; Willig 1983). A ESEC Aiuaba possui 55% da diversidade de morcegos registrada no Ceara (Gurgel-Filho et al. 2015), e destaca-se como a area com maior numero de registros (18) de M. sanborni (Feijo et al. 2015c), o que torna a unidade promissora para estudos de biologia dessa especie, considerada "Data Deficient" pela IUCN (Tavares e Aguirre 2008). Conforme indicado pelo estimador Jackknife 1, essa area provavelmente apresenta uma diversidade maior do que a reportada aqui, indicando que novas coletas podem ampliar a lista aqui apresentada. Nesse sentido, a ESEC Aiuaba pode abrigar uma das maiores diversidades para a Caatinga, o que reforca a sua importancia na conservacao dos morcegos nesse ecossistema.

A maior abundancia de Phyllostomidae ja era esperada, uma vez que esta familia apresenta o maior numero de especies de morcegos neotropicais (Simmons 2005). Alem disso, o principal metodo utilizado (redes de neblina ao nivel do solo) apresenta vies para a captura de especies desta familia (Simmons & Voss 1998). Dessa maneira, inventarios devem utilizar abordagens complementares, tais como busca ativa em abrigos, redes ao nivel do dossel e levantamentos bioacusticos. Por outro lado, os registros de quatro especies de molossideos e quatro de vespertilionideos foram maiores do que o reportado em outros inventarios na Caatinga (ex. Gregorin et al. 2008; Fabian 2008; Silva et al. 2015). Esse efetivo sucesso em contemplar especies de habito alimentar insetivoro, raramente registradas com redes-de-neblina ao nivel do solo, pode ser atribuido as amostragens em diferentes habitats associados a corpos d'agua, onde ha uma maior disponibilidade de insetos (Grindal et al. 1999; Lloyd et al. 2006). Similar explicacao pode ser atribuida ao fato que todas as especies registradas durante as buscas ativas foram tambem capturadas em redes, ainda que em frequencias menores (Tabela 1).

A presenca de corpos de agua perenes em ambientes onde esse recurso e escasso e um elemento fundamental para muitas especies da fauna local. No caso dos morcegos, o direcionamento da amostragem nas imediacoes desses corpos favorece a captura de especies geralmente pouco registradas com redes de neblina, no momento em que vao beber ou forragear sobre a lamina d'agua (Grindal et al. 1999; Greif & Siemers 2010; Ciechanowsk 2002; Lloyd et al. 2006). Esse fato pode explicar o elevado numero de capturas de M. lavali (n = 21) e M. sanborni (n = 18), incomum nos inventarios realizados nesse bioma (ex. Novaes & Laurindo 2014; Novaes et al. 2015, Beltrao et al. 2015). Similar resultado foi reportado por Grindal et al. (1999) e Lloyd et al. (2006) que encontraram um maior forrageamento de morcegos insetivoros sobre corpos d'agua no Canada e Australia, respectivamente, associado a uma maior disponibilidade de alimento e a necessidades dos morcegos beberem agua. Dessa maneira, visando potencializar a captura de morcegos na Caatinga, futuros inventarios devem focar em areas com corpos d'agua perenes, artificiais ou nao, principalmente durante a estacao seca, onde esse recurso e limitado.

As buscas ativas proporcionaram o registro de oito especies na Caverna Sobradinho e tres no sotao do alojamento da sede da ESEC Aiuaba. O tamanho das colonias encontradas nos abrigos ressalta a seletividade das redes de neblina em retratar a estruturacao de taxocenose de morcegos. Especies consideradas raras nas redes, como P. personatus e P gymnonotus, formam uma colonia mista de aproximadamente 35 mil individuos na Caverna Sobradinho (Fig. 2), podendo ser, ao contrario do que as redes retratam, as especies mais abundantes na regiao. Essa excepcional concentracao de morcegos na Caverna Sobradinho (principalmente do genero Pteronotus) associada a sua alta riqueza (Guimaraes e Ferreira, 2014) a tornam uma cavidade de maxima relevancia no contexto regional de paisagem e, portanto, prioridade em protecao.

A historia natural das especies de morcegos da Caatinga ainda e pouco conhecida e as poucas informacoes disponiveis resultam de observacoes pontuais e descontinuas. Willig (1985) apresentou um dos primeiros e, ainda hoje, mais consistentes dados sobre padroes reprodutivos de morcegos em florestas sazonais secas do Nordeste do Brasil, com enfoque no complexo da Chapada do Araripe (Exu, Pernambuco e Crato, Ceara). Os dados aqui apresentados sao coerentes com os de Willig (1985), o qual observou que dentre a maioria dos frugivoros, os nascimentos e a lactacao geralmente concentram-se na epoca chuvosa. A frutificacao das plantas zoocoricas na Chapada do Araripe e ESEC Aiuaba durante a estacao chuvosa (Willig 1985; Oliveira et al. 1988) resulta no maior aporte de recursos para frugivoros nessa epoca, coincidindo com a maior demanda energetica durante a lactacao.

Os tres especimes do genero Peropteryx capturados na ESEC Aiuaba apresentam uma mescla de caracteristicas diagnosticas de P. macrotis e P. trinitatis de acordo com Simmons & Voss (1998). Segundo Simmons & Voss (1998:37), P. trinitatis pode ser diferenciado de P. macrotis pelo seu tamanho menor e pelo "anterior upper premolar is peglike and lacks well-defined anterior and posterior cusps in [anterior upper premolar]", enquanto P. macrotis possui "this tooth [anterior upper premolar] larger and with a distinct posterior cusp". O nosso especime UFPB7124 apresenta as medidas externas e cranianas dentro da variacao (Tabela 4) atribuida por Simmons & Voss (1998) a P trinitatis, entretanto o primeiro pre-molar superior apresenta uma cuspide posterior, padrao de P macrotis (Fig. 5). Por outro lado, os especimes UFPB7125 e UFPB7139 apresentam as medidas dentro do padrao de P. macrotis, mas com o primeiro pre-molar superior sem a cuspide posterior como em P. trinitatis sensu Simmons & Voss (1998). Comparando-se o primeiro pre-molar superior desses dois ultimos especimes e possivel observar que o individuo UFPB7125 possui a extremidade arredondada e a base relativamente larga, enquanto o UFPB7139 tem a extremidade agucada (Fig. 5). Dessa maneira, as poucas caracteristicas diagnosticas utilizadas para separar ambas as especies estao sujeitas a variacao e, portanto, possuem pouca utilidade taxonomica. Considerando que estudos filogeneticos (Lim 2007; Clare et al. 2011) e dados bioacusticos (Barataud et al. 2013; Hintze et al. 2016) suportam a separacao de P. macrotis e P. trinitatis, uma detalhada analise morfologica de ambos os taxons e necessaria visando identificar caracteres diagnosticos consistentes.

A alta riqueza inventariada e estimada ressalta a grande relevancia da ESEC Aiuaba para a conservacao da quiropterofauna da Caatinga e enfatiza a importancia da criacao de outras unidades de conservacao de protecao integral nessa regiao. A amostragem com redes de neblina proximas a corpos d'agua mostrou-se bastante eficiente, uma vez que todas as especies encontradas nos abrigos foram registradas. Por outro lado, enfatizamos que a utilizacao de metodos complementares (ex., buscas ativas, bioacustica) em inventarios e fundamental para obter um cenario mais realistico da taxocenose local.

Recibido 26 diciembre 2016. Aceptado 1 marzo 2017. Editor asociado: T Lacher

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Robson Waldermar Avila pelo convite em participar do projeto "Fauna da ESEC Aiuaba: integracao de informacoes para subsidio de planos de conservacao e o uso sustentavel". Agradecemos tambem a Honorio Miguel Arrais e toda a equipe da ESEC Aiuaba pela autorizacao e suporte para o desenvolvimento deste projeto. Somos gratos a Felipe Silva Ferreira, Rebeka Morais Alves dos Santos e Franciedna da Silva Goncalves pelo auxilio em campo. Agradecemos a Frederico Hintze e ao revisor anonimo pelos valiosos comentarios e sugestoes. Este trabalho foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (processo 551993/2011-1). PAR agradece a Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior pela bolsa de Pos-doutorado (PNPD).

LITERATURA CITADA

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MATERIAL SUPLEMENTAR ON-LINE

Suplemento 1

Fotos das especies capturadas na ESEC Aiuaba.

https://www.sarem.org.ar/wp-content/uploads/2017/00/SAREM_MastNeotrop_24- 2_Feijo-sup1.pdf

Anderson Feijo (1), (2) e Patricio A. da Rocha (1), (2)

(1) Programa de Pos-Graduacao em Ciencias Biologicas (Zoologia), CCEN, Universidade Federal da Paraiba, Joao Pessoa, PB, Brasil. [Correspondencia: <andefeijo@gmail.com>]

(2) Laboratorio de Mamiferos, Departamento de Sistematica e Ecologia, CCEN, Universidade Federal da Paraiba, Joao Pessoa, PB, Brasil.

Caption: Fig. 1: A: Mapa do Nordeste do Brasil evidenciando a regiao da Caatinga (cinza claro) e a localizacao da ESEC Aiuaba, Ceara (quadrado preto). A direita, a localizacao da ESEC Aiuaba, no municipio de Aiuaba. B: Vista aerea da ESEC Aiuaba na estacao chuvosa (esquerda) e estacao seca (direita).

Caption: Fig. 2: Caverna Sobradinho. Entrada da caverna (esquerda) e Colonia de Pteronotus no interior da caverna (direita).

Caption: Fig. 3: Curvas aleatorizadas de acumulacao (observada e estimada por Jackknife 1) de especies de morcegos da ESEC Aiuaba, Ceara, Brasil.

Caption: Fig. 4: Abundancia absoluta de especies de morcegos capturadas na ESEC Aiuaba, Ceara, Brasil. A.g. = Anoura geoffroyi; A.l. = Artibeus lituratus; A.p. = Artibeus planirostris; C.p. = Carollia perspicillata; C.pl. = Cynomops planirostris; D.r. = Desmodus rotundus; G.c. = Gardnerycteris crenulatum; G.s. = Glossophaga soricina; L.a. = Lonchorhina aurita; L.b = Lasiurus blossevillii; L.br. = Lophostoma brasiliense; M.s. = Micronycteris sanborni; M.l. = Myotis lavali; M.m = Molossus molossus; M.t. = Molossops temminckii; N.a. = Noctilio albiventris; N.m. = Neoplatymops mattogrossensis; N.mc = Natalus macrourus; P.d. = Phyllostomus discolor; P.l. = Platyrrhinus lineatus; P.g. = Pteronotus gymnonotus; P.m. = Peropteryx macrotis; P.p. = Pteronotus personatus; R.h. = Rhogeessa hussoni; R.n = Rhynchonycteris naso; T.c. = Trachops cirrhosus.

Caption: Fig. 5: Vista lateral da serie dentaria superior dos tres especimes de Peropteryx macrotis coletados na ESEC Aiuaba, Ceara, Brasil com destaque para o primeiro pre-molar superior (seta). Esquerda (UFPB7124), centro (UFPB7125), direita (UFPB7139). Note a variacao da forma do primeiro pre-molar superior entre os tres individuos. Escala = 1mm.
Tabela 1
Lista de especies registradas na ESEC Aiuaba, Ceara, com respectiva
abundancia por metodo de captura e habito alimentar. * Individuos
capturados na Caverna Sobradinho; ** Individuos capturados no sotao da
sede da ESEC Aiuaba. A abundancia das especies registrada nos abrigos
representa o numero de individuos capturados e nao o tamanho real das
colonias.

ESPECIES                                             Captura

                                                  Rede      Abrigo

Emballonuridae
   Peropteryx macrotis (Wagner, 1843)              1         2 *
   Rhynchonycteris naso (Wied-Neuwied, 1820)       1
Phyllostomidae
   Desmodontinae
      Desmodus rotundus (E.Geoffroy, 1810)         3         1 *
   Glossophaginae
      Anoura geoffroyi Gray, 1838                  1         1 *
     Glossophaga soricina (Pallas, 1766)           11
   Phyllostominae
     Lonchorhina aurita Tomes, 1863                2
     Lophostoma brasiliense Peters, 1866           2
     Micronycteris sanborni Simmons, 1996          18
     Gardnerycteris crenulatum (E. Geoffroy,       3
        1810)
     Phyllostomus discolor Wagner, 1843            4
     Trachops cirrhosus (Spix, 1823)               9         1 *
   Carolliinae
     Carollia perspicillata (Linnaeus, 1758)       34        1 *
   Stenodermatinae
     Artibeus lituratus (Olfers, 1818)             2
     Artibeus planirostris (Spix, 1823)            77
     Platyrrhinus lineatus (Geoffroy, 1810)        5
Mormoopidae
     Pteronotus gymnonotus Natterer, 1843          4         7 *
     Pteronotus personatus (Wagner, 1843)          2         5 *
Noctillionidae
     Noctilio albiventris Desmarest, 1818          1         2 **
Natalidae
     Natalus macrourus (Gervais, 1856)             3         4 *
Molossidae
     Cynomops planirostris (Peters, 1866)          4
     Neoplatymops mattogrossensis (Vieira,         4
        1942)
     Molossus molossus (Pallas, 1766)              1        33 **
     Molossops temminckii (Burmeister, 1854)       1
Vespertilionidae
     Rhogeessa hussoni Genoways e Baker, 1996      1
     Myotis lavali Moratelli, Peracchi, Dias,      11       13 **
         Oliveira, 2011
     Lasiurus blossevillii (Lesson e Garnot,       1
         1826)
Total                                             205         70

ESPECIES                                         Habito Alimentar

Emballonuridae
   Peropteryx macrotis (Wagner, 1843)               Insetivoro
   Rhynchonycteris naso (Wied-Neuwied, 1820)        Insetivoro
Phyllostomidae
   Desmodontinae
      Desmodus rotundus (E.Geoffroy, 1810)          Hematofago
   Glossophaginae
      Anoura geoffroyi Gray, 1838                  Nectarivoro
     Glossophaga soricina (Pallas, 1766)           Nectarivoro
   Phyllostominae
     Lonchorhina aurita Tomes, 1863                 Insetivoro
     Lophostoma brasiliense Peters, 1866            Insetivoro
     Micronycteris sanborni Simmons, 1996           Insetivoro
     Gardnerycteris crenulatum (E. Geoffroy,        Insetivoro
        1810)
     Phyllostomus discolor Wagner, 1843              Onivoro
     Trachops cirrhosus (Spix, 1823)                Carnivoro
   Carolliinae
     Carollia perspicillata (Linnaeus, 1758)        Frugivoro
   Stenodermatinae
     Artibeus lituratus (Olfers, 1818)              Frugivoro
     Artibeus planirostris (Spix, 1823)             Frugivoro
     Platyrrhinus lineatus (Geoffroy, 1810)         Frugivoro
Mormoopidae
     Pteronotus gymnonotus Natterer, 1843           Insetivoro
     Pteronotus personatus (Wagner, 1843)           Insetivoro
Noctillionidae
     Noctilio albiventris Desmarest, 1818            Onivoro
Natalidae
     Natalus macrourus (Gervais, 1856)              Insetivoro
Molossidae
     Cynomops planirostris (Peters, 1866)           Insetivoro
     Neoplatymops mattogrossensis (Vieira,          Insetivoro
        1942)
     Molossus molossus (Pallas, 1766)               Insetivoro
     Molossops temminckii (Burmeister, 1854)        Insetivoro
Vespertilionidae
     Rhogeessa hussoni Genoways e Baker, 1996       Insetivoro
     Myotis lavali Moratelli, Peracchi, Dias,       Insetivoro
         Oliveira, 2011
     Lasiurus blossevillii (Lesson e Garnot,        Insetivoro
         1826)
Total

Tabela 2
Medidas externas (em mm) dos especimes coletados na ESEC Aiuaba,
Ceara, Brasil, entre agosto de 2012 e abril de 2013. F: Femea; M:
Macho.

Especie                 N. Tombo     Sexo      P        CT       CC

P. macrotis             UFPB7124      F        4       55.4     41.9
                        UFPB7125      F        4       56.5     47.5
                        UFPB7139      F        4       58.5     45.1
R. naso                 UFPB8862      M       3,5      59.2     45.2
D. rotundus             UFPB8865      F        36       79       79
                        UFPB8875      F        34     81.12    81.12
A. geoffroyi            UFPB7117      M        14      65.7     65.7
                        UFPB7141      M        12      62.7     62.7
G. soricina             UFPB9283      F        7       62.6     54.1
                        UFPB8873      F       9,5      63.2     57.1
                        UFPB8843      F       8,3      63.6     57.5
                        UFPB8840      F       8,3      60.3     54.6
L. aurita               UFPB8858      M        12     100.7     54.7
                        UFPB8841      M        12     105.5     55.6
L. brasiliense          UFPB8853      F        11       --      57.4
                        UFPB8854      F        14      68.2     58.8
M. sanborni             UFPB8842      M        6       50.3     42.5
                        UFPB8846      F        6       53.9     43.7
                        UFPB8838      F        6       57.7     46.7
                        UFPB8856      M        6       56.2      49
                        UFPB8876      M        4       54.5     43.8
G. crenulatum           UFPB8859      F       10,5     81.6     57.2
                        UFPB8844      F        10      81.1     58.2
P. discolor             UFPB9279      M        32      90.2     80.5
                        UFPB9270      M        31      91.5     77.6
                        UFPB9265      F        30      95.1     79.3
                        UFPB9274      M        32       87      74.6
T. cirrhosus            UFPB9258      M        42      98.4     81.4
                        UFPB9261      F        25       86       74
                        UFPB8872      M        26      89.1     74.5
                        UFPB8850      M        38       96      81.2
                        UFPB9259      M        32      98.5     83.1
C. perspicillata        UFPB7126      M        16       71      60.1
                        UFPB9264      M        16      75.4     61.3
                        UFPB9266      M        14      72.7     60.1
                        UFPB9269      M        16      70.7     59.7
                        UFPB9271      M        16      71.4     59.5
A. lituratus            UFPB9260      M        58      88.4     88.4
A. planirostris         UFPB9267      F        44      73.4     73.4
                        UFPB9282      F        40      78.8     78.8
                        UFPB9263      M        33      71.9     71.9
                        UFPB9276      F        40      80.4     80.4
                        UFPB8849      M        36      75.2     75.2
P. lineatus             UFPB9268      M        24      66.7     66.7
                        UFPB8864      M        19       63       63
P. gymnonotus           UFPB7130      M        10      76.6     54.8
                        UFPB9277      M        10       70      51.6
                        UFPB7109      M        10      73.9     54.3
                        UFPB7101      F        10      73.8     52.6
                        UFPB7104      F        12      71.5      55
P. personatus           UFPB7116      M        8       68.7     49.5
                        UFPB8880      M        8       66.7     50.3
                        UFPB7108      M        8       65.2     47.1
                        UFPB7103      M        8       65.6      49
                        UFPB7115      M        8       84.5     44.4
N. albiventris          UFPB8867      M        24      90.5     70.1
N. macrourus            UFPB7121      F        4       78.5      46
                        UFPB7110      F        8       90.3     48.1
                        UFPB7102      F        6       96.6     46.8
                        UFPB7111      F        8       91.6     43.3
                        UFPB7107      F        8       90.4     43.8
C. planirostris         UFPB8845      F        5       72.7     50.5
                        UFPB8857      M        16      87.4     65.2
                        UFPB9278      F        11      83.8     59.9
N. mattogrossensis      UFPB7137      M        4       62.6     42.6
                        UFPB8871      F        6       70.2     50.5
                        UFPB9281      M        6       69.7     50.1
                        UFPB8879      F        6       66.1      48
M. molossus             UFPB7138      M        14     103.9     66.3
                        UFPB9262      M        16     100.1     63.8
                        UFPB7140      F        12      96.9     63.8
                        UFPB7127      F        12      96.9     61.4
                        UFPB7129      F        12      89.8     58.5
M. temminckii           UFPB9275      F        6       73.2     48.3
R. hussoni              UFPB7135      M        4       70.9     40.6
M. lavali               UFPB9755      M        4       69.3     40.5
                        UFPB9754      M        4        59      40.7
                        UFPB8870      M        4       71.2     40.8
                        UFPB8866      M        4       73.6     42.3
                        UFPB8868      M        4       71.5     42.8
                        UFPB8861      M        4       75.6     43.8
L. blossevillii         UFPB9757      M       7,5       90      48.1

Especie                 N. Tombo     CCa       CP       CO       CA

P. macrotis             UFPB7124     13.5     7.2      14.9     38.2
                        UFPB7125      9       8.5      18.1      45
                        UFPB7139     13.7     8.2      14.8     43.6
R. naso                 UFPB8862      14       6       12.3     36.6
D. rotundus             UFPB8865      --       13      19.4     64.6
                        UFPB8875      --      15.5     18.2     64.7
A. geoffroyi            UFPB7117      --      10.9      15      43.6
                        UFPB7141      --      10.7     13.1      46
G. soricina             UFPB9283     8.5      8.5      13.5     35.7
                        UFPB8873     6.1      10.7     13.1     38.7
                        UFPB8843     6.1      9.8      10.5     37.9
                        UFPB8840     5.7      9.5      12.3     38.3
L. aurita               UFPB8858      46       12       28      47.8
                        UFPB8841     49.9     10.6      24      48.1
L. brasiliense          UFPB8853      --      10.5     21.6     39.8
                        UFPB8854     9.4      10.3     19.1     40.9
M. sanborni             UFPB8842     7.8       10      20.5     35.1
                        UFPB8846     10.2     9.9      20.6     32.6
                        UFPB8838      11      9.5      19.8     34.1
                        UFPB8856     7.2      9.2      20.5     35.7
                        UFPB8876     10.7     9.4       20       33
G. crenulatum           UFPB8859     24.4     10.3     27.4     45.8
                        UFPB8844     22.9     9.3      24.5      47
P. discolor             UFPB9279     9.7      13.1     18.8     59.4
                        UFPB9270     13.9     16.5     20.4     60.4
                        UFPB9265     15.8     15.4     18.6     57.8
                        UFPB9274     12.4     13.5     18.3     58.5
T. cirrhosus            UFPB9258      17      21.2     32.6     63.4
                        UFPB9261      12      18.1     29.4     64.4
                        UFPB8872     14.6     18.2     33.3     58.2
                        UFPB8850     14.8     17.9     31.8     61.4
                        UFPB9259     15.4     15.6     31.1     58.8
C. perspicillata        UFPB7126     10.9     11.6     20.2     42.2
                        UFPB9264     14.1     13.8     18.5     45.2
                        UFPB9266     12.6     12.1     15.4     41.4
                        UFPB9269      11      11.7     17.5     43.5
                        UFPB9271     11.9     13.3     20.6     42.1
A. lituratus            UFPB9260      --      15.3     19.9     70.6
A. planirostris         UFPB9267      --      14.7     17.8     56.8
                        UFPB9282      --      13.1     17.7     58.8
                        UFPB9263      --      15.3     16.6     58.3
                        UFPB9276      --      13.2      19      60.5
                        UFPB8849      --      16.1     22.9      62
P. lineatus             UFPB9268      --      14.5     19.1     49.7
                        UFPB8864      --      10.8     14.2     43.9
P. gymnonotus           UFPB7130     21.8     11.3     17.5     50.1
                        UFPB9277     18.4     10.8     16.8     51.1
                        UFPB7109     19.6     9.6      13.1     50.3
                        UFPB7101     21.2     10.8     16.8     53.1
                        UFPB7104     16.5     11.8     16.4     53.4
P. personatus           UFPB7116     19.2     10.3     15.1     48.6
                        UFPB8880     16.4     9.4      16.4     41.4
                        UFPB7108     18.1     11.1     15.3     45.2
                        UFPB7103     16.6     10.8     12.2     47.7
                        UFPB7115     40.1     10.8     16.6     47.4
N. albiventris          UFPB8867     20.4      18      24.3     58.4
N. macrourus            UFPB7121     32.5     9.4      11.7     38.2
                        UFPB7110     42.2     9.7      12.7     39.6
                        UFPB7102     49.8     7.5      14.8     50.3
                        UFPB7111     48.3     9.7      14.2     39.5
                        UFPB7107     46.6      8       13.5     39.8
C. planirostris         UFPB8845     22.2     6.2      11.1     31.5
                        UFPB8857     22.2     7.9      9.8      33.4
                        UFPB9278     23.9     8.6      11.9     32.9
N. mattogrossensis      UFPB7137      20      7.3      13.4     29.4
                        UFPB8871     19.7     7.8      11.4     31.7
                        UFPB9281     19.6      5       12.6     29.5
                        UFPB8879     18.1     6.5      11.9     29.3
M. molossus             UFPB7138     37.6      8       12.1     39.1
                        UFPB9262     36.3     8.3      12.6     40.9
                        UFPB7140     33.1     8.2      10.7     39.6
                        UFPB7127     35.5     8.6      12.7     40.5
                        UFPB7129     31.3     9.1       10       40
M. temminckii           UFPB9275     24.9     5.6      12.5     30.8
R. hussoni              UFPB7135     30.3      6       12.2     29.1
M. lavali               UFPB9755     28.8     5.9      11.6     32.3
                        UFPB9754     18.3     5.6      10.3     35.8
                        UFPB8870     30.4     7.6      11.5     31.5
                        UFPB8866     31.3     7.6      12.1     33.8
                        UFPB8868     28.7     7.6       10       32
                        UFPB8861     31.8     8.4      11.9     33.6
L. blossevillii         UFPB9757     41.9     7.1      11.4     38.2

Especie                 N. Tombo     CTr      CCl

P. macrotis             UFPB7124     6.1      12.7
                        UFPB7125      --      17.9
                        UFPB7139      --      13.6
R. naso                 UFPB8862     2.4      19
D. rotundus             UFPB8865     5.6       --
                        UFPB8875     7.5       --
A. geoffroyi            UFPB7117      --      2.8
                        UFPB7141      --      4.3
G. soricina             UFPB9283      --      4.7
                        UFPB8873     4.5       5
                        UFPB8843     3.4      3.9
                        UFPB8840     4.7      5.3
L. aurita               UFPB8858      --       --
                        UFPB8841      15      16.2
L. brasiliense          UFPB8853      --       --
                        UFPB8854      --       --
M. sanborni             UFPB8842      5       8.3
                        UFPB8846     4.6      7.7
                        UFPB8838     5.4      8.6
                        UFPB8856     4.7      7.1
                        UFPB8876     5.8      8.6
G. crenulatum           UFPB8859      8       23.2
                        UFPB8844     7.5      14.3
P. discolor             UFPB9279      --      9.9
                        UFPB9270      --      19.6
                        UFPB9265      --      12.5
                        UFPB9274      --      9.6
T. cirrhosus            UFPB9258      --      18.2
                        UFPB9261      --      12.8
                        UFPB8872     11.2     13.9
                        UFPB8850      --       --
                        UFPB9259     10.5     11.5
C. perspicillata        UFPB7126      --      6.8
                        UFPB9264      --       8
                        UFPB9266      --      7.8
                        UFPB9269      --      8.9
                        UFPB9271      --      8.2
A. lituratus            UFPB9260      --      --
A. planirostris         UFPB9267      --      7.4
                        UFPB9282      --      6.1
                        UFPB9263      --      6.9
                        UFPB9276      --      5.6
                        UFPB8849      --      --
P. lineatus             UFPB9268      --      4.1
                        UFPB8864     5.1      5.9
P. gymnonotus           UFPB7130      --       14
                        UFPB9277      --       24
                        UFPB7109      --      21.2
                        UFPB7101      --      21.4
                        UFPB7104      --       27
P. personatus           UFPB7116      --       20
                        UFPB8880     4.1      18.7
                        UFPB7108      --      15.6
                        UFPB7103      --      15.7
                        UFPB7115      --      22.9
N. albiventris          UFPB8867     4.9      30.5
N. macrourus            UFPB7121      --      16.2
                        UFPB7110      --      10.5
                        UFPB7102      --      13.6
                        UFPB7111      --      14.5
                        UFPB7107      --      12.9
C. planirostris         UFPB8845      --       --
                        UFPB8857      --       --
                        UFPB9278      --       --
N. mattogrossensis      UFPB7137      --       8.1
                        UFPB8871      --       8.3
                        UFPB9281      --       --
                        UFPB8879      --       --
M. molossus             UFPB7138     3.8      19.3
                        UFPB9262     2.9       --
                        UFPB7140     3.5       --
                        UFPB7127     4.2       --
                        UFPB7129     3.3       --
M. temminckii           UFPB9275     2.3       --
R. hussoni              UFPB7135      --       14
M. lavali               UFPB9755      --      21.6
                        UFPB9754      --      26.5
                        UFPB8870     4.4      13.1
                        UFPB8866     6.6      18.4
                        UFPB8868     5.1       12
                        UFPB8861     6.3      13.3
L. blossevillii         UFPB9757      4        20

Tabela 3
Condicao reprodutiva das femeas reprodutivamente ativas capturadas em
2013 na ESEC Aiuaba, Ceara, Brasil. Pos-Lac: pos-lactante

                                   Meses/ Estacao

                       Abril (final           Junho (seca)
                          chuvosa)

A. planirostris           Lactante         Lactante e Pos-Lac
G. G. soricina               --                 Lactante
C. perspicillata             --                    --
M. sanborni               Lactante                 --
G. crenulatum             Lactante                 --
T. cirrhosus              Lactante                 --
P. gymnonotus                --                    --
M. molossus          Prenhe e Lactante             --
M. nigricans              Lactante                 --

                     Meses/ Estacao

                      Dezembro (final
                           seca)

A. planirostris      Prenhe e Lactante
G. G. soricina               --
C. perspicillata          Lactante
M. sanborni                Prenhe
G. crenulatum                --
T. cirrhosus                 --
P. gymnonotus              Prenha
M. molossus                  --
M. nigricans                 --

Tabela 4
Medidas cranianas de Peropteryx macrotis coletados na ESEC Aiuaba,
Ceara, Brasil. As siglas estao descritas na metodologia.

Especime     Sexo      CCr      CCI       LM       LZ       LC

UFPB7124     Femea    13.51    11.83     6.9      7.68     6.19
UFPB7125     Femea    13.96    13.08     7.18     8.2      6.39
UFPB7139     Femea    14.33    13.15     7.39     8.65     6.52

Especime      LCp      LCa      LMo      CSDs     CMa      CSDi

UFPB7124      2.55     3.45     5.39     5.2      8.96     5.42
UFPB7125      2.64     3.54     6.35     5.45     9.88     6.34
UFPB7139      2.68     3.65     6.32     5.86     9.83     5.9
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Author:Feijo, Anderson; da Rocha, Patricio A.
Publication:Mastozoologia Neotropical
Date:Dec 1, 2017
Words:6908
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