Printer Friendly

MAPEAMENTO DA DISTRIBUICAO DO USO DA TERRA URBANA EM SANTOS (SP).

URBAN LAND USE DISTRIBUTION MAPPING IN SANTOS (SP), BRAZIL

1. INTRODUCAO

A necessidade de delimitar o espaco geografico e de compreender os processos que o [rejproduzem influenciaram diretamente no desenvolvimento de tecnicas para a elaboracao de mapas. Foi a partir da decada de 1960 que o desenvolvimento de tecnicas computacionais possibilitou agrupar bancos de dados em formato digital e produzir mapas que expressam de maneira inerente o ordenamento do espaco geografico (BOLFE, et al., 2008). Essas tecnicas possibilitam interpretar as formas com que os usos da terra urbana se espacializam e a compreender os processos dinamicos que o estruturam (ALVES, et al., 2009).

Com efeito, Matias (2004) destaca que a influencia das geotecnologias nas ciencias geograficas trouxe a tona reflexoes que evidenciam como tais instrumentos podem colaborar na interpretacao das dinamicas sociais. Numa formulacao de ambito geral, essas tecnicas possibilitam alcancar para alem da interpretacao quantitativa dos dados contidos nos produtos cartograficos. Nesse sentido, acredita-se que, quando utilizadas, essas tecnicas nao se resumem a uma analise embasada exclusivamente na logica formal, mas sim pela possibilidade de interpretar cada fenomeno numa relacao de interdependencia, levando em consideracao de que nada ocorre de maneira desconexa no espaco geografico (BEVEDER, 2014; COSTA, et al., 2014).

Os estudos sobre cidades portuarias tem apontado que o seu desenvolvimento esta atrelado a planejamentos conflitantes de uso da terra urbana, que quase sempre, geram espacos de segregacao e ocasionam supressao dos recursos naturais. O acelerado crescimento populacional que muitas dessas cidades vivenciaram nos ultimos 30 anos pressionou as estruturas viarias e concentrou as politicas de planejamento urbano para atender as demandas dos servicos portuarios (MOREL et al., 2013). Em Santos essas politicas se concentraram, tambem, em atender o mercado imobiliario e turistico desde os anos 1950 e se intensificaram nos ultimos anos (MARTINS, 2014).

Partindo dessas premissas, este artigo objetivou compreender como o uso da terra urbana se estrutura (SANTOS, 2008) na cidade de Santos (SP). Para alcancar esse objetivo, foram elaborados mapas que espacializaram os usos intraurbanos nas 1.674 quadras da cidade (CAMARA e CARVALHO, 2002). No processo de elaboracao dos produtos cartograficos, empregaram-se tecnicas de identificacao em ortofotos digitais de alta resolucao, tais como classificacao manual de poligonos (CAMARA e CARVALHO, 2004) e o estimador Kernel (BARNSLEY e BARR, 1996; KONTOES, et al., 2010).

O mapeamento do uso da terra urbana foi produzido em escala de detalhe, de 1:2.000 (TAURA, et. al., 2010). Dessa forma foi possivel identificar a existencia de padroes de distribuicao dos usos intraurbanos e compreender as interacoes entre os processos que estruturaram a cidade (HU, et al., 2016; MUCSI, et al., 2017). Esses produtos cartograficos podem colaborar com instrumentos de gestao da qualidade socioambiental, interpretando os usos intraurbanos como indicadores das condicoes sociais que expressam as caracteristicas particulares de cada area (SANTOS, 2002; LEITE e BRITO, 2011). 2

2. O USO DA TERRA URBANA

O fenomeno urbano instaurado nas cidades e composto por uma diversidade de acoes e formas, que se unem e se manifestam em uma estrutura dinamica que e o espaco urbano. Estuda-lo sob o entendimento que ele e uma dimensao da realidade social, abre perspectivas para a compreensao dos processos historicos e sociais envolvidos na sua estruturacao (LEFEBVRE, 2008 [1970]a).

Pela concepcao de Santos (2002), a sociedade se "geografiza" e se materializa atraves das formas presentes no espaco urbano. Essas formas sao representadas pelo uso da terra urbana e se apresentam em diferentes padroes de distribuicao. Em sintese, essa diferenciacao ocorre, pois, esse espaco e composto por diferentes precos da terra urbana, gerando uma segregacao quanto ao acesso aos lotes mais valorizados.

Sabe-se que a oferta de lotes qualificados por diversos agentes como melhores e mais escassa e o seu valor de troca e demasiadamente mais alto em relacao a outras localidades menos valorizadas das cidades (HARVEY, 1980). Esses lotes sao possiveis de serem comprados por um pequeno grupo mais abastado e seletivo e estao distribuidos em poucas zonas da cidade de Santos.

Sendo assim, o espaco urbano possui diferenciacao nas suas formas de ocupacao, que sao definidas pela atuacao conjunta de agentes sociais do capital publico ou privado (CORREA, 2012). Esse processo supervaloriza algumas areas por meio de investimentos em infraestrutura e segrega os moradores que nao podem consumir a terra urbana em localidades especificamente estruturadas para serem valorizadas. As pessoas que ficam a margem desse processo sao involuntariamente obrigadas a se instalar em locais que nao despertam o interesse imediato dos agentes produtores do espaco urbano e sao submetidos a arcar com precos exorbitantes de aluguel ou a financiamentos imobiliarios que podem comprometer a sua renda por muitos anos.

A atuacao conjunta do capital publico e privado consiste em investir nas areas de interesse imobiliario e na busca por localidades possiveis de serem valorizadas. Nesse ultimo caso, o capital publico destina gastos para garantir toda a infraestrutura urbana necessaria para abrigar empreendimentos imobiliarios e o capital privado investe na execucao e realizacao dos mesmos, em um processo interdependente. No municipio de Santos, essa atuacao simultanea concentra-se na orla maritima e no seu entorno. Ambos atuam na execucao de empreendimentos com construcoes verticais que sao, em sua maioria, de alto padrao (MARTINS, 2014).

E nessa premissa que se analisou os produtos cartograficos elaborados, buscando identificar onde se localizam as areas de segregacao e as areas de maior valorizacao da terra urbana, salientando os espacos de contradicao e as particularidades implicitas em cada uma delas (NUNES, 2016).

3. CONTEXTUALIZACAO DA AREA DE ESTUDO

Localizado no litoral sul do estado de Sao Paulo, com uma distancia aproximada de 72 km da capital, o municipio de Santos e delimitado pela divisao natural das vertentes da Serra do Mar no sentido noroeste e pelo Oceano Atlantico na porcao sudoeste (Figura 1). Com uma populacao aproximada de 419.400 habitantes de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE, 2017a), Santos limita-se ao norte com os municipios de Santo Andre, Biritiba-Mirim e Mogi das Cruzes, ao sul com a ilha de Santo Amaro (Guaruja), a leste com o municipio de Bertioga e, a oeste, com os municipios de Cubatao e Sao Vicente. A presenca de um estuario conectado com o Oceano Atlantico divide o total da area municipal de 271 [km.sup.2] em duas parcelas. A primeira e a area continental, onde se encontram as vertentes inclinadas da Serra do Mar, e a segunda parcela representa apenas um terco da area total. Essa area e composta por apenas 39,15 [km.sup.2] e e nela que se concentra a area urbana.

A concentracao da area urbanizada na area insular se justifica, principalmente, pelo alto grau de inclinacao proporcionado pelas vertentes da Serra do Mar. Isso preconiza em um grau de urbanizacao de 99,93% nos 39,15 [km.sup.2] da area insular e constitui uma das mais altas densidades demograficas do Brasil--1.503,17 hab/[km.sup.2] (SEADE, 2018). Esse numero nao possui significativas modificacoes desde 1991 e nos ultimos anos nota-se um saldo migratorio negativo protagonizado pela populacao que possui rendas medianas (AFONSO, 2006; JAKOB, 2012).

Vazquez e Alvez (2012) concluiram que a populacao aumentou apenas 1.417 habitantes entre os anos de 2000 e 2010. Os autores atrelam esse fato a ausencia de lotes livres para o crescimento horizontal da mancha urbana e pelos altos custos de moradia. Isso faz com que a populacao migre para os municipios vizinhos de Santos e se enquadre na categoria de populacao flutuante.

Numa decorrencia direta da ausencia de lotes livres para o crescimento horizontal da mancha urbana, esta o processo de refuncionalizacao dos lotes para dar continuidade na atuacao do mercado imobiliario em Santos (ANDRADE, 1989). A aguda percepcao desse processo se da na substituicao de antigos imoveis para dar lugar, no periodo atual, a grandes empreendimentos com construcoes verticais. Isso sustenta a permanencia de incorporadoras que produzem o espaco urbano de Santos desde o inicio da decada de 1960 (SEABRA, 1979). Vazquez e Alves (2012) descrevem que dos 252 empreendimentos lancados desde o ano de 1998, 78% foram implantados na orla e no seu entorno.

Entre os anos de 2010 e 2014, nota-se que o processo de refuncionalizacao urbana esta se expandindo para as areas mais centrais da cidade, mas ainda ha uma grande concentracao na orla, que recebeu 28 novos empreendimentos nesse periodo (MARTINS, 2014). Mesmo que ocorra uma evidente implantacao de novos empreendimentos, os mesmos nao colaboram para a permanencia da populacao santista, pois sao produzidos para serem consumidos pela populacao que possui as maiores rendas per capta da cidade. Verifica-se um processo de migracao intraurbana entre as familias mais abastadas, por meio da troca de residencia para imoveis mais valorizados, na qual libera-se o imovel anterior para compra ou locacao (VAZQUEZ e ALVES, 2012).

As familias de renda salarial media sao, em parte, populacao flutuante e fixam suas residencias nos municipios do entorno santista, como Cubatao, Sao Vicente e Praia Grande. Ja para as familias de baixa renda, a influencia dos altos precos dos imoveis ocasiona a ocupacao das localidades de maior fragilidade ambiental (SILVA e BACANI, 2017), como as encostas dos morros Monte Serrat e Morro de Sao Bento e a zona noroeste, onde se localizam as habitacoes precarias de palafitas da Radio Clube e os programas habitacionais Bom Retiro e Sao Manoel.

As diferencas nas maneiras de habitar a cidade evidenciam a dialetica instaurada pelos processos de producao do espaco urbano santista. Segundo Young (2008), esses processos vieram atrelados a uma politica de planejamento territorial, que atua a favor da geracao de lucro para uma minoria. Isso acarretou em uma configuracao desigual do padrao de distribuicao das atividades urbanas. O acesso da categoria populacional de alta renda as terras de melhor localidade e adequadas a urbanizacao, desencadeou um processo de ocupacao da populacao de baixa renda em setores urbanos pouco valorizados, assim como nas demais cidades brasileiras.

Esse processo de producao do espaco urbano santista influenciou na incorporacao de areas ambientais legalmente protegidas a cidade (AFONSO, 2006). A malha viaria de padrao geometrico quase regular foi projetada para subdividir as quadras em lotes, que em vias de regra sao adequados para a construcao de residencias unifamiliares ou de edificios. Esse desenho urbano modificou a paisagem natural e alterou padroes naturais de drenagem, como a divisao da cidade em diversos canais que interligam as suas zonas no sentido Nordeste-Sudeste. Na esfera social, esse processo de urbanizacao desconsiderou as particularidades da populacao local e buscou similaridades com os padroes de metropoles turisticas litoraneas (AFONSO, 2006). 4

4. MATERIAIS E METODOS

Maguire et. al. (2013) ressaltam que a aquisicao de informacoes para trabalhar em ambiente SIG e imperativa para a execucao de estudos que visam compreender como o espaco geografico se estrutura. Partindo dessa premissa, a producao dos resultados cartograficos contidos neste artigo foi sistematizada em tres etapas (Fluxograma 1).

4.1. Processamento dos dados cartograficos

Os produtos cartograficos gerados foram elaborados no software ArcGIS 10.2- ESRI. Foram produzidos 3 mapas, na qual o primeiro representa a distribuicao das Atividades e Subunidades urbanas no municipio de Santos e o segundo corresponde a espacializacao da maior densidade de 6 Subunidades com maior predominancia. Por fim, o terceiro mapa demonstra quais foram os padroes tipologicos encontrados nas fachadas das edificacoes em 9 pontos da cidade.

Inicialmente foi organizada uma base cartografica, na qual foram utilizadas feicoes geometricas lineares das vias de circulacao do municipio. Essas feicoes foram adquiridas em cartas produzidas pela Agencia Metropolitana da Baixada Santista no ano de 2011. Os vetores das vias de circulacao foram sobrepostos em ortofotocartas digitais, em escala 1:25.000, do ano de 2002 e convertidos para a feicao poligonal. Esses poligonos foram corrigidos e ajustados conforme as feicoes expostas nas ortofotocartas em escala 1:2.000 (TAURA, et. al., 2010). Apos esses procedimentos foram gerados 1.674 poligonos para representar todas as quadras urbanas do municipio de Santos (CAMARA e CARVALHO, 2004). O arquivo com as quadras urbanas foi utilizado para a producao dos mapas gerados.

Na elaboracao do mapa de distribuicao das Atividades e Subunidades urbanas foi aplicada a metodologia de interpretacao visual (NOVO, 2008) das quadras urbanas. Como referencia para a classificacao foram realizadas 3 atividades empiricas (SANTOS, 1999) e utilizada a ferramenta Street View disponivel no software Google Earth 7.1- GOOGLE para visualizar os usos predominantes em cada quadra urbana de Santos.

A classificacao das quadras urbanas em Atividades e Subunidades foi realizada no software ArcGIS 10.2- ESRI e utilizou como base para a nomenclatura das classes, o Manual Tecnico de Uso da Terra (IBGE, 2013). O mesmo foi adaptado para a realidade do espaco intraurbano de Santos, nas quais foram encontradas 36 Atividades e 10 Subunidades (CANTADOR e MATIAS, 2017). O Fluxograma 2 detalha a maneira que essa classificacao foi organizada, enfatizando a diferenca de nivel de detalhamento utilizado.

Apos a elaboracao do primeiro mapa, os poligonos das quadras urbanas correspondentes as 6 Subunidades urbanas de maior ocorrencia foram convertidos para a feicao pontual. Essas Subunidades correspondem a 58,46% (23,66 [km.sup.2]) do espaco urbano de Santos e estao concentradas em quadras de ate 100 metros em cada um dos lados. Apos a conversao das mesmas para a feicao pontual aplicou-se o Estimador de Intensidade Kernel (BARNSLEY e BARR, 1996; CAMARA e CARVALHO, 2002) nas Subunidades Misto, Residencial, Servico, Espaco Livre, Comercial e Vazio Urbano. Dessa forma, foi elaborado um mapa que espacializa as areas da cidade que possuem a densidade mais alta dessas Subunidades.

Para a elaboracao desse mapa foi definida uma vizinhanca circular de 150 metros para cada um dos pontos gerados. Adotou-se o fato de que cada lado de uma quadra urbana de Santos possui aproximadamente 100 metros e, nesse caso, 150 metros expressa a intensidade de uma determinada Subunidade para alem da quadra que esta inserida, demonstrando a influencia que exerce no seu entorno. Essa influencia foi encontrada em cinco variacoes de intensidade pelo metodo de classificacao Natural Breaks: "Muito Baixa", "Baixa", "Media", "Media Alta" e "Alta" (FERREIRA e SANO, 2013). A primeira expressa as areas que praticamente nao possuem concentracao de uma determinada Subunidade e a ultima demonstra as areas com maior intensidade de ocorrencia, sendo essa classe denominada "Alta".

O estimador Kernel nao foi aplicado nas Subunidades Zona Portuaria, Vias de Circulacao e Industrial, pois as duas primeiras se concentram em grandes areas e em locais especificos, o que facilita a sua visualizacao no mapa, e, no caso da Subunidade Industrial, a mesma foi encontrada como atividade predominante em apenas uma quadra, o que corresponde a 0,26% (0,1 [km.sup.2]) do espaco urbano da cidade.

O mapa com a espacializacao das tipologias urbanas foi elaborado a partir de observacoes empiricas (FERREIRA et. al., 2002; FRANCA e SOARES, 2007) das fachadas ao longo do espaco intraurbano (VILLACA, 2012). Para a identificacao dos padroes tipologicos foi utilizada a ferramenta Street View do Google Earth 7.1-GOOGLE e foram realizadas 3 atividades de campo para percorrer a area urbana do municipio e identificar as suas possiveis variacoes. Dessa maneira estao distribuidos 9 padroes tipologicos das fachadas urbanas no mapa gerado (FERREIRA et. al., 2002; PEREIRA, 2006). Esses padroes estao representados cartograficamente por feicoes pontuais e expressam, aproximadamente, um raio de 200 metros contados a partir do seu centro e representam que o seu entorno possui um padrao tipologico semelhante.

5. RESULTADOS E DISCUSSAO

No mapa de uso da terra urbana em Santos (Figura 2) fica evidente o quao o municipio e adensado e carece de espacos para o crescimento horizontal. A analise da area ocupada por cada uma das 36 classes revelou uma diversidade de caracteristicas nos 39,15 [km.sup.2] do espaco urbano santista e os dados de area e de porcentagem que cada uma dessas atividades ocupa e exposta na Tabela 1.

A localizacao da Atividade Habitacoes Precarias (1,22%) no lado oposto das zonas que localizam as demais Subunidades Residenciais e justificada pela sua distancia com a orla maritima e as suas proximidades. E na zona noroeste de Santos que a maior escassez de equipamentos urbanos e ocorrente e o acesso as areas centrais fica mais restrito devido a presenca de morros que naturalmente a separa das demais areas da cidade. Ambos os fatores justificam a desvalorizacao do preco da terra urbana nessas areas, pois quanto menor a acumulacao de forca de trabalho para melhorias de infraestrutura e acessibilidade, menor sera a sua valorizacao (VILLACA, 2012).

A ausencia de espacos para o crescimento horizontal da cidade pode ser exemplificada pela pequena area ocupada pelas Subunidades Vazio Urbano e Espaco Livre. Ambas representam apenas 2,52% da area urbana total. Isso sustenta a justificativa para a necessidade de verticalizacao dos lotes urbanos (SEABRA, 1979; AFONSO, 2006) e, embora essas edificacoes sejam representadas de maneira exclusiva pela Atividade Residencial Vertical (5,19%), as mesmas tambem sao encontradas nas Atividades Residencial Vertical + Comercial (1,34%), Residencial Vertical + Servico (1,35%) e nas Atividades Misto Outros (15,05%). Essa ultima atividade e a que possui a maior area de ocorrencia em Santos e se estende com alta concentracao em varias zonas do espaco urbano. Sao nessas quadras que se concentram diversos tipos de atividades, principalmente a Residencial Vertical.

Em face dessas constatacoes, a predominancia das Atividades Mistas evidencia para alem das caracteristicas de adensamento urbano, pois expressa a dificuldade de definir quadras especificas de um determinado uso. A pequena ocorrencia das Subunidades Comercial (1,35%) e Servico (6,14%) comprovam como esses tipos de uso estao atrelados as Subunidades Mistas (24,36%), assim como ha carencia de zonas estritamente definidas para Atividades Comerciais e de Servico.

No mapa de distribuicao da maior intensidade de ocorrencia das Subunidades Comercial, Espaco livre, Misto, Residencial, Servico e Vazio urbano, e possivel visualizar a distribuicao desses usos nas zonas do espaco urbano do municipio (Figura 3).

A Subunidade Comercial esta concentrada no centro historico. E nessa zona que se iniciou a ocupacao do municipio e, portanto, e o local onde foram instalados os primeiros equipamentos urbanos de prestacao de servicos a populacao civil e ao setor portuario. Nessa area estao localizados a Prefeitura Municipal, o Forum e a Alfandega, por exemplo.

A Subunidade Residencial e predominante na zona noroeste. Uma das justificativas para essa ocorrencia e que essa area foi destinada nos anos de 1970 para os programas de moradia para familias de baixa renda (MARTINS, 2014). Esses programas foram implantados nas areas mais distantes das zonas mais valorizadas da cidade, como a orla, por exemplo. Embora esses programas tenham sido implantados ha mais de tres decadas, e ainda nessa zona que se concentram os usos estritamente residenciais, como as habitacoes precarias de palafitas na zona da Radio Clube, que estao identificadas no mapa de Uso da Terra Urbana.

A analise dos produtos cartograficos, sua conferencia em atividade de campo e, tambem, pela ferramenta StreetView, possibilitou a visualizacao dos padroes de ocupacao residencial nas zonas do espaco urbano do municipio (SANCHEZ, 2014). Observou-se a diferenca tipologica (FERREIRA, et. al., 2002; PEREIRA, 2006; ARAGAO, 2006) entre as moradias das quadras urbanas e quais zonas possuem padroes especificos. Essas tipologias sao entendidas aqui como "Signos da propriedade privada" e demonstram o paradoxo da relacao "dentrofora" a partir das fachadas (LEFEBVRE, 2008 [1970]a). Os tipos de edificacao, o seu estado de conservacao e a contextualizacao com o seu entorno podem expressar o poder de compra de quem o ocupa e podem representar, tambem, a diferenca de preco dos lotes urbanos.

Por este modo, uma Atividade urbana pode possuir a mesma funcao, como e o caso da Residencial, mas a variacao do preco da terra e as caracteristicas do imovel revelam como o seu preco pode ser maior ou menor no interior do espaco urbano (SANTOS, 2002) (Figura 4). Alguns exemplos de apropriacao do espaco por um grupo mais abastado sao encontrados em algumas localidades especificas da orla, como a area no centro da faixa de praia, na Avenida Dona Ana Costa (C). Essa e a zona que possui as melhores infraestruturas urbanas viarias e de lazer.

O contraponto de padrao residencial com o encontrado no entorno da Avenida Dona Ana Costa e representado pelas habitacoes precarias no estuario da Radio Clube (letra G no mapa), localizado na zona noroeste. Essa zona e separada naturalmente das demais areas da cidade por morros e possuiu as maiores limitacoes de deslocamento urbano, em virtude de poucos acessos viarios. A ausencia de saneamento basico e de equipamentos de lazer esta entre os grandes problemas encontrados nessa area. Esse mesmo padrao residencial de baixa renda e notado nas encostas dos morros. A figura 5 ilustra esses dois paralelos de ocupacao residencial na orla e na zona noroeste.

No Centro Historico (E), a tipologia residencial encontrada sao de edificacoes com prevalencia de fachadas de padrao mediano e de corticos, na qual muitos predios historicos foram ocupados por familias de baixa renda, que refuncionalizaram essas localidades. O processo de ocupacao desses predios iniciou nos ultimos anos no seculo XIX e nas decadas de 1960-1970 a ocupacao por familias de baixa renda se intensificou. A proximidade com o trabalho e a ausencia de renda para a compra ou locacao legal de um imovel influenciam diretamente a permanencia dessas familias nessas edificacoes, mesmo que implique em morar em locais insalubres e com problemas estruturais (SANTOS, 2011).

Existem outras zonas da cidade que ocorre o padrao tipologico de residencias de baixa renda, como e o caso das habitacoes nas encostas dos morros. No mapa, essas edificacoes estao representadas pela letra (F). O monte Serrat, nas proximidades com o centro historico, e um exemplo desse tipo de ocupacao. Sao nessas areas que ocorrem os maiores riscos ambientais de ocupacao, como os deslizamentos de terra, que sao ocasionados devido ao alto grau de inclinacao das encostas do morro

As politicas habitacionais do municipio (MAZIVIERO, 2016) possuem programas que visam proporcionar melhor qualidade de habitacao para a populacao que vive em locais insalubres e com risco ambiental, mas os atrasos na construcao de moradias populares demonstram que a questao habitacional nao e prioritaria em Santos. A producao de moradias populares em toda a Regiao Metropolitana da Baixada Santista esta relacionada de maneira mais intrinseca com a viabilidade economica, do que com a demanda por moradia (KLINTOWITZ e RUFINO, 2014).

Alem da questao de producao de moradias populares, os processos de revitalizacao que estao ocorrendo nas areas centrais da cidade segregaram ainda mais a populacao, pois a refuncionalizacao das localidades influencia na valorizacao e

Em relacao as areas da zona central, no mapa, A letra (I) representa uma uniao entre o padrao de predios de ate quatro andares localizadas no Canal 1, com um padrao mais misto, na qual existem residencias horizontais e verticais com apenas tres andares. Essa area mistura padroes tipologicos das edificacoes com aqueles que se classificam entre o mediano e o observado nas moradias populares. Essas feicoes se estendem como que numa linha reta imaginaria a nordeste, onde se finaliza no centro historico e, a leste, onde se encontra com as areas de cortico e os armazens portuarios, representados pela letra (D) "Bairros Porto Macuco, Macuco e Estuario".

No Canal 1, nas proximidades com a orla, representado no mapa pela letra (B), foram identificadas residencias de padrao medio e sao caracterizadas pela predominancia de predios residenciais de ate quatro andares. No lado oeste dessa localidade esta localizado o Morro Jose Menino, onde predominam residencias horizontais de alto padrao, que compartilham o morro com residencias originarias de processo de ocupacao e com padrao tipologico de familias de baixa renda.

Por conseguinte, as letras (H) e (C) se referem a concentracao das areas com os maiores precos da terra urbana. Ambas localizadas na orla e nas suas proximidades, sao nelas que se encontra o padrao tipologico de edificios verticais de alto padrao. E evidente que sao essas localidades que recebem os maiores investimentos imobiliarios e de infraestruturas urbanas. O calcadao presente em toda a extensao da orla evidencia a atuacao do poder publico em manter algo semelhante a uma vitrine de valorizacao do espaco urbano, com a uniao da paisagem cenica proporcionada pelo mar, juntamente com a extensa area verde dessa localidade.

Outra evidencia da valorizacao dessa localidade e a presenca de um comercio local destinado a populacao com um maior poder de consumo, como moradores locais e a populacao desvalorizacao dos imoveis (SANTOS, 2011; MAZIVIERO, 2016).

Flutuante que frequenta a cidade no periodo do verao. E nessa area que se concentram os principais shoppings center da cidade, como o Praiamar Shopping Center, Miramar Shopping e o Shopping Patio Iporanga.

Uma clara situacao que se evidenciou apos as analises das diversidades tipologicas existentes em Santos, foi o fato que as principais vias de circulacao sao imperativas na definicao dos padroes de distribuicao das Atividades urbanas (PEREIRA, 2015). Existem seis grandes vias principais que foram tracadas a partir da canalizacao de cursos d'agua que entrecortam a cidade no sentido Norte-Sul. Embora em cada uma delas tenha uma diferenca de padroes tipologicos de fachadas, a distribuicao das Atividades no espaco urbano, segue um padrao semelhante na sua via principal, na qual predominam as quadras com Atividades Mistas, representadas por comercio local, comercio de alto padrao, setores de servico, espaco livre e residenciais. Conforme as quadras urbanas se distanciam das vias principais, e mais comum identificar quadras que possuem uma Atividade predominante, como no caso das Residenciais.

As variacoes tipologicas ao longo do espaco urbano de Santos demonstram um contraste entre as infraestruturas das areas centrais, com a precariedade das zonas perifericas. O IBGE (2017b) analisou a diversidade espacial intraurbana em 435 municipios do Brasil e o padrao de distribuicao das formas urbanas encontrado em Santos assemelha-se com os padroes das cidades litoraneas analisadas no estudo. Nas cidades analisadas foi encontrada uma concentracao de renda nas areas centrais, onde as infraestruturas urbanas sao mais estruturadas, enquanto que as menores rendas se encontram nas periferias, onde as infraestruturas sao mais precarias.

A diferenciacao da qualidade das infraestruturas urbanas entre a periferia e o centro, evidencia o que Santos (2002) e Villaca (2012) enfatizaram ao analisar que os processos que estruturam as cidades se refletem nas formas urbanas existentes. Essa diferenciacao das formas entre centro e periferia enfatiza o que Castells (2000, p. 182) analisou sobre o processo de estruturacao do espaco urbano, ao escrever que o mesmo "e estruturado, quer dizer ele nao esta organizado ao acaso, e os processos sociais que se ligam a ele exprimem, ao especifica-los os determinismos de cada tipo e de cada periodo da organizacao social". Na compreensao do autor, o espaco urbano e produzido conforme o interesse de agentes produtores do espaco, que agem com o intuito de atender aos seus interesses.

Lefebvre (2008b) analisou o processo de producao do espaco urbano como uma relacao direta com a reproducao do capital, na qual os agentes produtores do espaco atuam em conjunto com o Estado na producao de moradias, na criacao de infraestruturas e nos processos regulamentadores do espaco urbano. Para Harvey (2005), esse processo cria espacos de segregacao, onde o interesse de valorizacao de determinadas areas modela e remodela determinadas zonas da cidade e acentuam as desigualdades.

6. CONSIDERACOES FINAIS

O nivel de detalhamento espacializado nas producoes cartograficas proporcionou uma interpretacao de como o espaco urbano e estruturado. A partir da espacializacao e da intensidade de ocorrencia das Subunidades e Atividades urbanas, foi possivel verificar o padrao de ocupacao de cada zona da cidade e o entendimento que o espaco urbano santista e estruturado conforme as areas que possuem os precos da terra urbana mais elevados. Isso diferencia o padrao de edificacoes das areas que sao ocupadas por familias de baixa renda, daquelas localidades que sao mais valorizadas, como algumas areas nas proximidades com a orla.

Essa interpretacao foi realizada em conjunto com a analise dos padroes tipologicos das fachadas das edificacoes, na qual se constatou que embora alguns usos sejam encontrados no espaco urbano como um todo, a variacao do preco da terra urbana reflete diretamente na estetica das fachadas das edificacoes. A exemplo disso esta o uso Residencial, que varia consideravelmente de padrao conforme a zona que esta inserido na cidade.

Os resultados obtidos sao a expressao das contradicoes do espaco urbano em Santos, no qual toda a populacao nao se beneficia de maneira igualitaria dos padroes de qualidade de vida que o municipio oferta de infraestrutura e de moradia e isso qualifica a cidade com uma caracteristica de segregacao e com uma distribuicao desigual dos servicos publicos de planejamento urbano.

Tendo em vista que o municipio carece de espacos livres para a sua expansao, o processo de refuncionalizacao urbana e ocorrente e favorece a uma pequena parcela da populacao mais abastada. Essas constatacoes trouxeram a tona que embora um dos principios basicos do "Plano Diretor de Desenvolvimento e Expansao Urbana" seja o controle do parcelamento do uso da terra urbana, zoneamento ambiental e a realizacao de planos de desenvolvimento sustentavel, algumas localidades carecem de infraestrutura urbana essenciais, como saneamento basico e estruturas viarias de acesso a zonas da cidade com melhores infraestruturas urbanas. Nesse sentido, o artigo pode contribuir nos processos de revisao do plano diretor urbano, ao apontar os padroes de ocupacao e de tipologias das zonas e as areas que necessitam de investimentos em politicas publicas urbanas.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado de Sao Paulo (FAPESP), pela bolsa de mestrado concedida para a primeira autora.

REFERENCIAS

AFONSO, C. M. A paisagem da baixada santista: Urbanizacao, Transformacao e Conservacao. Sao Paulo: Editora da Universidade de Sao Paulo, FAPESP, 2006.

ALVES, C. D.; PEREIRA, M. N.; FLORENZANO, T. G.; SOUZA, I. M. Analise orientada a objeto no mapeamento de areas urbanas com imagens LANDSAT. Boletim de Ciencias Geodesicas, Curitiba, v. 15, n. 1. p. 120- 141, 2009.

ANDRADE, W. T. F. D. O discurso do progresso: A evolucao urabana de Santos 1870-1930. 1989. Tese de Doutorado. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas da Universidade de Sao Paulo. Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo.

ARAGAO, S. O estudo dos tipos-interfaces entre tipologia e morfologia. Geosul, Florianopolis, v. 21, n. 42, p. 29-43, 2006.

BARNSLEY, M. J.; BARR, S. L. Inferring Urban Land Use from Satellite Sensor Images Using Kernel-Based Spatial Reclassification. Photogrammetric Engineering & Remote Sensing, v. 62, n.8, p. 949-958, 1996.

BEVEDER, M. B. Consideracoes sobre a Reproducao das Relacoes Sociais e a Producao do Espaco no Pensamento de Henri Lefebvre. Marx e o Marxismo, v.2, n.3, p. 335-356, 2014.

BOLFE, E.L.; FERREIRA, M. C.; MATIAS, L. F. et al. Sistemas de informacao geografica: uma abordagem contextualizada na historia. Geografia, Rio Claro, v. 33, n.1, p.69-78, 2008.

CAMARA, G.; CARVALHO, M. S. Analise de Eventos Pontuais. In: CAMARA, G (Org.). Analise Espacial de Dados Geograficos. Brasilia: EMBRAPA, 2004, 1, p. 2-15.

CAMARA, G.; CARVALHO. Analise de processos pontuais. Sao Jose dos Campos: INPE, 2002. Disponivel em <http://mtc m12.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/sergio/2004/10.0 7.14.53/doc/cap2-eventos.pdf. Acesso em: 6/10/2017.

CANTADOR, D. C.; MATIAS, L. F. Aplicabilidade de geotecnologias para subsidiar a gestao dos recursos hidricos em Americana (SP). Sociedade e Natureza, Uberlandia, v. 29, n. 1, p. 155-171, 2017.

CASTELLS, M. A questao urbana. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

CORREA, R. L. Sobre agentes sociais, escala e producao do espaco: Um texto para discussao. In: CARLOS, A. F. C., SOUZA, M. L., SPOSITO, M. E. B. (Org.). A producao do espaco urbano. Agentes e processos, escalas e desafios. Sao Paulo: Contexto, 2012. p. 41-51.

COSTA, E. B.; OLIVEIRA, R. F.; BOSCARIOL, R. A.; SOUZA, C. S.; RUBIO, R. P. et al. Logica formal, logica dialetica: Questao de metodo em geografia. Geo UERJ, Rio de Janeiro, v. 1, n. 25, p. 276-285, 2014.

FERREIRA, V. M., CASTRO, A., SEIXAS, J., SILVA, I. P. LOPES, E. Morfologias urbanas e espacos publicos na metropole de Lisboa: Uma aproximacao instrumental e metodologica no quadro de uma investigacao. Cidades Comunidades e territorios, n. 5, p. 81-97, 2002.

FERREIRA, G. P; SANO, E. E. Mapa de densidade de Kernel como indicador de desmatamento futuro na Amazonia Legal. In: SIMPOSIO

BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO SBSR, 16, 2013, Foz do Iguacu, INPE, 2013, p. 4404-4410.

FRANCA, I. S. e SOARES, B. R. O espaco intraurbano de uma cidade media e suas centralidades: Uma analise de Montes Claros no norte de Minas Gerais. Caminhos de Geografia, Uberlandia, v. 8, n. 24, p. 75- 94, 2007.

HARVEY, D. A justica social e a cidade. Sao Paulo: Hucitec, 1980.

HARVEY, D. A producao capitalista do espaco. Sao Paulo: Anablume, 2005.

HU, T; YANG, J.; LI, X.; GONG, P. Mapping Urban Land Use by Using Landsat Images and Open Social Data. Remote Sensing, v. 8, n. 151, p. 1-18, 2016.

IBGE--Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica. Cidade. Disponivel em <http://www.ibge.gov.br> Acesso em: 22/03/2017a.

IBGE. Tipologia intraurbana : espacos de diferenciacao socioeconomica nas concentracoes urbanas do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2017b.

IBGE--Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica. Manual Tecnico de uso da terra. Manuais em geociencias. Rio de Janeiro, IBGE, v. n. 7, 2013.

JAKOB, A. A. E. Vetores de expansao urbana e fluxos migratorios na Baixada Santista. In: VAZQUEZ, D. A. (Org.). A questao urbana na baixada santista: Politicas, vulnerabilidades e desafios para o desenvolvimento. Santos: Editora Universitaria Leopoldianum, 2012, p. 35-62.

KLINTOWITZ, D. C. e RUFINO, M. B. C. A producao do programa Minha Casa Minha Vida na Regiao Metropolitana da Baixada Santista: Reafirmacao da configuracao metropolitana e exclusao sociotteritorial, Revista Pensamento e Realidade, v. 29, n. 3, 2014.

KONTOES, C. C.; RAPTIS V.; LAUTNER M.; OBERSTADLER R. The potential of kernel classification techniques for land use mapping in urban areas using 5m-spatial resolution IRS-1C imagery, International Journal of Remote Sensing, v. 21, n. 16, p. 3145-3151, 2010.

LEFEBVRE, H. A revolucao urbana. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008a.

LEFEBVRE, H. Espaco e politica. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008b.

LEITE, M. E.; BRITO, J. L. S. Sensoriamento remoto aplicado ao mapeamento do uso do solo urbano e de assentamentos ilegais em Montes Claros MG, Geosul, Florianopolis, v. 26, n. 52, p. 99-128, 2011.

MAGUIRE, D. J.; LONGLEY, P. A.; RHIND, D. W.; GOODCHILD, M. F. Sistemas e ciencia da informacao geografica. Porto Alegre: Bookman, 2013.

MARTINS, M. I. F. P. O. Estudo do processo de urbanizacao e das transformacoes do uso da terra urbana em Santos (SP) com uso de geotecnologias. 2014. Dissertacao. Mestrado em Geografia. Departamento de Geografia. Instituto de Geociencias da Universidade Estadual de Campinas. Universidade Estadual de Campinas. Campinas-SP.

MATIAS, L. F. Por uma economia politica das geotecnologias. Scripta Nova, Barcelona, v. 18, n. 170, p. 52, 2004.

MAZIVIERO, M. C. Entre a recuperacao patrimonial e a questao da moradia: projetos de renovacao urbana para o centro de Santos. Revista Brasileira de Gestao Urbana, v. 8, n. 2, p. 181-196, 2016.

MOREL, G., LIMA, F. R., MARTELL-FLORES, H. HISSEL, F. Tools for an integrated systems approach to sustainable port city planning. Revista Brasileira de Gestao Urbana (Brazilian Journal of Urban Management), v. 5, n. 2, p. 39-49, 2013.

MUCSI, L.; LISKA, C. S; HENITS, L; TOBAK, Z.; CSENDES, B.; NAGY, L. The evaluation and application of an urban land cover map with image data fusion and laboratory measurements. Hungarian Geographical Bulletin, v. 66, n. 2, p. 145-156, 2017.

NOVO, E. M. L. M. Sensoriamento remoto: Principios e aplicacoes. Sao Paulo: Bulcher, 2008. NUNES, M. B. Cartografia e paisagem: o mapa como objeto de estudo. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, n. 65, p. 96-119, 2016.

PEREIRA, A. G. Redes e fluxos em geografia: Uma abordagem teorica. Revista Tocantinense de Geografia, Araguaina (TO), Ano 04, n. 01, 2015. PEREIRA, F. A. Estudo tipologico sobre a forma urbana: Conceitos e aplicacoes. Paisagem e ambiente: Ensaios, Sao Paulo, n. 22, p.61-73, 2006.

SANCHEZ, J. M. P. Reuse and musealization of port infrastructure in urban waterfronts. The Lisbon Case. In: COLLOQUIUM ON MEDITERRANEAN URBAN STUDIES: THE TRANSFORMATION OF MEDITERRANEAN PORT CITIES: 19TH AND 20TH CENTURIES, 2014. Mersin--Turkey, 2014.

SANTOS, A. R. Habitacao precaria e os corticos da area central de Santos. Cadernos Metropole, Sao Paulo, v. 13, n. 26. p. 549-571, 2011.

SANTOS, R. J. Pesquisa Empirica e trabalho de campo: Algumas questoes acerca do conhecimento geografico. Sociedade e Natureza, Uberlandia, v. 11, n. 21 e 22. p. 111-125, 1999.

SANTOS, J. Estruturacao e estrutura urbana: Reflexoes para a analise geografica. Terra Livre, n. 30, v. 1, p. 59-82, 2008

SANTOS, M. A natureza do espaco. Tecnica e tempo. Razao e emocao. Sao Paulo: Edusp, 2002. SEABRA, O. C. D. L. A muralha que cerca o mar: Uma mobilidade de uso do solo urbano. 1979. Dissertacao. Mestrado. Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo.

SEADE--Fundacao Sistema Estadual de Analise de Dados. Disponivel em <http://www.seade.gov.br/produtos/perfil/perfil MunEstado.php> Acesso em: 06/01/2018.

SILVA, L. F.; BACANI, V. M. Analise da Fragilidade Ambiental e das Areas de Preservacao Permanente da Bacia Hidrografica do Corrego Fundo, Municipio de Aquidauana-MS. Caderno de Geografia, v.27, n.49, 2017.

TAURA, T. A. et. al. Generalizacao cartografica das cartas do mapeamento urbano nas escalas 1:2.000, 1:5.000 e 1:10.000. Boletim de Ciencias Geodesicas, vol. 16, n. 3. p. 386- 402, 2010.

VAZQUEZ, D. A.; ALVES, H. P. D. F. Perfil populacional e dinamica intraurbana no municipio de Santos. In: VAZQUEZ, D. A. (Org.). A questao urbana na Baixada Santista: Politicas, vulnerabilidades e desafios para o desenvolvimento. Santos: Editora Universitario Leopoldianum, 2012. p. 289-311.

VILLACA, F. Espaco intra-urbano no Brasil. Sao Paulo: Estudio Nobel, 2012.

YOUNG, F. A. Transformacoes Socioespaciais da Baixada Santista: identificacao das desigualdades e vulnerabilidades socioambientais atraves do uso de geotecnologias. Campinas: Editora dos textos NEPO- Nucleo de Estudos Populacionais, 2008.

Maria Isabel Figueiredo Pereira de Oliveira Martins (1), Lindon Fonseca Matias (2)

Recebido em: 24/04/2018

Aceito em: 12/12/2018

(1) Instituto de Desenvolvimento Sustentavel Mamiraua, Manaus/AM, email:misabel.oliveiramartins@gmail.com

(2) Universidade Estadual de Campinas, Campinas/SP, email: lindon@ige.unicamp.br

Leyenda: Figura 1--Localizacao do municipio de Santos no contexto da Regiao Metropolitana da Baixada Santista Fonte- Dos autores (2018)

Leyenda: Figura 2--Mapa de distribuicao das Atividades e das Subunidades urbanas em Santos (SP) Fonte- Dos autores (2018)

Leyenda: Figura 3--Distribuicao da maior intensidade de ocorrencia das Subunidades. Fonte- Dos autores (2018)

Leyenda: Figura 4--Padroes tipologicos encontrados no espaco urbano santista. Fonte- Dos autores (2018)

Leyenda: Figura 5--Tipologias residenciais em Santos Legenda: A. Orla maritima: Condominio residencial vertical "Prime Plaza Residence" da Construtora Miramar--Grupo Mendes; B. Habitacoes precarias de palafitas na Zona Noroeste. Fonte- Dos autores (2014)

Leyenda: Fluxograma 1--Sistematizacao das etapas dos procedimentos cartograficos Fonte- Dos autores (2018)

Leyenda: Fluxograma 2--Detalhamento das classes de uso da terra. Adaptado de IBGE (2013) Fonte- Dos autores (2018)
Tabela 1--Area ocupada por cada uso no espaco urbano de Santos em
([km.sup.2]) e em porcentagem (%) Fonte- Dos autores (2018)

NIVEL DE                             NIVEL DE DETALHAMENTO II
DETLAHAMENTO I

UNIDAD E         AREA         AREA                    ARE
                 [km.sup.2]   %      SUBUNIDADE       A
                                                      [km.sup.2]2

                                     Misto            9,55

                                     Residencial      9,43

                                     Vegetacao        6,22

                                     Zona Portuaria   5,02

                                     Vias de          4,92
Cidade           39,15        100    Circulacao

                                     Servico          2,40

                                     Espaco livre     0,68

                                     Comercial        0,53

                                     Vazio Urbano     0,30

                                     Industrial       0,1
Totais gerais                                         39,1
                                                      5
NIVEL DE
DETLAHAMENTO I

UNIDAD E         AREA         AREA   ARE
                 [km.sup.2]   %      A %

                                     24,3
                                     6

                                     24,0
                                     9

                                     15,8
                                     9

                                     12,8
                                     3
                                     12,5
Cidade           39,15        100    7

                                     6,14

                                     1,75

                                     1,35

                                     0,77

                                     0,26
Totais gerais
                                     100

NIVEL DE
DETLAHAMENTO I                       NIVEL DE DETALHAMENTO III

UNIDAD E         AREA         AREA
                 [km.sup.2]   %      ATIVIDADE

                                     Residencial + Comercial
                                     Residencial + Servico
                                     Residencial Vertical + Comercial
                                     Residencial Vertical + Servico

                                     Comercial + Servico
                                     Outros (Residencial + Servico +
                                     Comercio etc)
                                     Horizontal (casas/sobrados)
                                     Vertical (predios)
                                     Horizontal + Vertical
                                     Conjunto habitacional vertical
                                     Habitacoes precarias
                                     Campo
                                     Mata
                                     Mangue
                                     --

                                     --
Cidade           39,15        100

                                     Educacao (escolas, faculdades,
                                     universidades etc.)
                                     Saude (clinicas, postos,
                                     hospitais etc.)
                                     Esporte, Lazer (clubes, centros
                                     esportivos, museus etc.)
                                     Seguranca (delegacias, quarteis,
                                     presidios etc.)
                                     Institucional (Executivo,
                                     Judiciario, Legislativo)
                                     Hotelaria (hoteis, pensoes etc.)
                                     Religioso (igrejas, templos etc.)
                                     Transporte (rodoviaria, estacao,
                                     terminal de carga, transportadora
                                     etc.)
                                     Cemiterio
                                     Misto
                                     Outros
                                     Praca
                                     Parque
                                     Outros
                                     Comercio varejista (lojas, bares,
                                     supermercados, farmacias etc.)
                                     Comercio atacadista (depositos
                                     etc.)
                                     Shopping
                                     Lote desocupado
                                     Outros

Totais gerais

NIVEL DE
DETLAHAMENTO I

UNIDAD E         AREA         AREA   ARE          ARE
                 [km.sup.2]   %      A            A %
                                     [km.sup.2]

                                     0,97         2,47
                                     0,69         1,75
                                     0,53         1,34
                                     0,53         1,35

                                     0,94         2,3
                                     5,89         15,05

                                     4,86         12,42
                                     2,03         5,19
                                     2,02         5,16
                                     0,04         0,11
                                     0,48         1,22
                                     3,56         9,11
                                     1,89         4,84
                                     0,76         1,95
                                                  12,8
                                     5,02         3
                                                  12,5
Cidade           39,15        100    4,92         7

                                     0,31         0,79

                                     0,06         0,14

                                     0,30         0,76

                                     0,07         0,19

                                     0,02         0,05

                                     0,00         0,01
                                     0,02         0,06
                                     0,80         2,04

                                     0,12         0,3
                                     0,56         1,41
                                     0,14         0,37
                                     0,41         1,04
                                     0,03         0,07
                                     0,25         0,65
                                     0,47         1,3

                                     0,02         0,05
                                     0,04         0,1
                                     0,29         0,74
                                     0,01         0,04
                                     0,10         0,25
Totais gerais                        39,1
                                     5            100
COPYRIGHT 2019 Editora da UFPR
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2019 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:texto en portugues
Author:Pereira de Oliveira Martins, Maria Isabel Figueiredo; Fonseca Matias, Lindon
Publication:Ra'e Ga
Article Type:Ensayo
Date:Mar 1, 2019
Words:7734
Previous Article:A GEOGRAFIA E A ARTE NO PROCESSO DE AUTOCONSCIENCIA DA HUMANIDADE: PRINCIPIOS METODOLOGICOS PARA A CONSTRUCAO DAS INSTALACOES GEOGRAFICAS.
Next Article:FATORES DE PERTURBACAO IDENTIFICADOS EM AREA DE PROTECAO AMBIENTAL CORUMBATAI-BOTUCATU-TEJUPA, PERIMETRO BOTUCATU, ESTADO DE SAO PAULO.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters