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Local ethno-botanical knowledge about medicinal plants: an appraisal of quantitative indexes/Conocimento etnobotanico local acerca de plantas medicinales: una evaluacion de indices cuantitativos/Conhecimento etnobotanico local sobre plantas medicinais: uma avaliacao de indices quantitativos.

Especies vegetais com potencial medicinal sao utilizadas pelo ser humano desde os primordios das civilizacoes e este conhecimento esta fundamentado no repasse e acumulo de informacoes atraves das geracoes (Franco e Barros, 2005). Ao longo dos seculos, os produtos de origem vegetal com principios medicinais se tornaram uma importante base para o tratamento de diferentes doencas no mundo e na manutencao da saude (Phillips e Gentry, 1993). Esta complexa relacao entre o homem e a flora pode ser considerada a partir de varias perspectivas, sendo uma delas, talvez a mais aparente, a dependencia direta ou indireta das plantas para a sobrevivencia do homem (Amorozo, 2002).

E cada vez mais frequente ver a perda do conhecimento sobre usos e aplicacoes das especies vegetais em comunidades locais devido as mudancas economicas, tecnologicas e industriais que estao ocorrendo rapidamente, sendo esses os novos valores e costumes que tem levado as geracoes mais novas a nao usufruirem das plantas medicinais da mesma forma que seus ancestrais (Silveira e Farias, 2009). Considerada por Silva et al. (2009) como mediadora entre o discurso cientifico e o saber tradicional, a etnobotanica surge nesse momento trazendo contribuicoes para o melhor entendimento dos diferentes aspectos do comportamento humano, como sobrevivencia, adaptacao e conservacao dos recursos naturais (Silveira e Farias, 2009), assim como pode contribuir para uma melhor compreensao do conhecimento especifico sobre o uso das plantas medicinais, bem como resgatar e registrar esse saber antes que o mesmo se perca frente as mudancas.

Com o tempo, a pesquisa etnobotanica acabou incorporando e desenvolvendo diversos instrumentos de analise quantitativa, usados, principalmente, para estimar a relacao entre a diversidade cultural e biologica e a importancia desses recursos para as populacoes locais (Medeiros et al., 2011). O principal desafio das pesquisas quantitativas aplicadas a etnobotanica, uma vez que fazem uso de hipoteses testaveis, medidas estatisticas e outros, e produzir valores confiaveis a partir de dados qualitativos (Holffman e Gallaher, 2007). Para Rossato et al. (1999), dois aspectos precisam ser considerados nas pesquisas etnobotanicas atuais: a necessidade de quantificar os estudos e a de conservar a diversidade biologica.

O interesse na abordagem quantitativa em pesquisas etnobiologicas tem crescido nas ultimas decadas, com um bom numero de trabalhos adotando esta forma de analise de dados na etnobotanica brasileira (Albuquerque e Andrade, 2002; Begossi et al., 2002; Amorozo, 2004; Albuquerque et al., 2006; Lucena et al., 2013), o que tem melhorado as ferramentas para interpretacao dos dados e a compreensao a respeito da relacao entre comunidades locais e o meio ambiente.

A etnobotanica quantitativa pode ser usada com diversos objetivos: avaliar a importancia das plantas para um dado grupo etnico, comparar usos ou comunidades vegetais entre diferentes populacoes, estabelecer ou comparar a importancia relativa das especies e estimar seu valor de uso (Phillips e Gentry, 1993). Os dados quantitativos se tornam importantes para a conservacao das especies vegetais e do conhecimento popular por serem capazes de fornecer informacoes sobre as especies mais utilizadas para diversos fins (Vedruscolo et al., 2006). Este tipo de pesquisa quantitativa tem origem na interacao entre culturas e recursos naturais, o que implica dizer que ela nao esta restrita aos povos tradicionais, como indios e quilombolas, mas podem ser desenvolvidas com outros grupos, como os trabalhadores rurais (Reyes-Garcia et al., 2007). No nordeste brasileiro e em outras partes do mundo, pesquisas com este enfoque resultaram na maior atencao para a potencial perda de biodiversidade e na percepcao da necessidade de assegurar o uso sustentavel dos recursos naturais (Albuquerque et al., 2007).

Dois indices quantitativos de grande importancia e que sao bastante utilizados na pesquisa etnobotanica sao o Valor de Uso (VU) e a Importancia Relativa (IR). O primeiro, proposto por Phillips e Gentry (1993), permite avaliar quais sao as especies ou familias mais importantes para a populacao estudada e seu principal criterio de avaliacao e o uso de uma determinada especie pelos informantes. Quanto mais usos forem mencionados, maior sua importancia para a comunidade. Ja a Importancia Relativa, proposta por Bennet e Prance (2000), e usada para medir, principalmente, a utilidade das plantas medicinais. Seu valor e obtido a partir do numero de indicacoes de uma especie e do numero de doencas que elas podem tratar. Ambas as tecnicas consideram o numero de usos, porem a primeira inclui o numero de pessoas que citaram a informacao (Albuquerque et al., 2006).

Diante do exposto, o objetivo do presente estudo e avaliar e comparar os resultados obtidos a partir da aplicacao dos indices VU e IR das especies medicinais citadas pelos moradores do assentamento Nova Vida, no municipio de Pitimbu, litoral Sul da Paraiba, Nordeste do Brasil. Os resultados serao discutidos segundo a importancia de cada indice, suas interpretacoes e indicacoes de uso.

Materiais e metodos

Area de estudo

O municipio de Pitimbu, no litoral Sul do estado da Paraiba, a cerca de 60km da capital Joao Pessoa, possui uma populacao estimada em 18.148 habitantes e uma area de 136 [km.sup.2] (IBGE, 2013). As principais fontes de renda sao a pesca, agricultura e turismo. Sua populacao e formada principalmente por agricultores concentrados em assentamentos rurais, onde se destaca a producao de batata doce (Ipomoea sp.), inhame (Dioscorea sp.), macaxeira (Manihot sp.) e coco (Cocos sp.).

O clima local, segundo Koppen, e do tipo As' (quente-umido), com temperaturas medias entre 22[degrees] e 26[degrees]C, apresenta altitude media entre 50 a 100m, e sua cobertura vegetal esta estabelecida sobre a unidade geomorfologica dos Tabuleiros Costeiros, sendo constituida por formacoes florestais e savanas, possuindo flora e solo caracteristicos (Almeida, 2006).

A partir de 1992 iniciou-se, apos muitos conflitos, a instalacao de assentamentos rurais na regiao e, hoje o municipio possui oito assentamentos estabelecidos e reconhecidos pelo Instituto Nacional de Colonizacao e Reforma Agraria (INCRA). Nessa mesma area, em 25/03/2002, por meio do Decreto Estadual no. 22.882, foi criada a Area de Protecao Ambiental (APA) Tambaba, hoje com 11.500ha. Distribuida entre os municipios do Conde, Pitimbu e Alhandra, a APA foi projetada como 'unidade de conservacao de uso sustentavel' com a finalidade de garantir a integridade dos ecossistemas terrestres e aquaticos da regiao, e disciplinar a ocupacao da area. Toda essa ocupacao da area gera um conflito socio-ambiental e dificulta a gestao dessa unidade de conservacao (SUDEMA, 2013).

O segundo maior assentamento reconhecido da area e o assentamento Nova Vida, criado em 25/07/1993, o qual possui atualmente 135 familias assentadas, ocupando 906ha (Figura 1). Cada familia legalmente assentada pelo INCRA recebeu uma casa e um terreno de 5ha. O assentamento e gerenciado por uma associacao local composta por uma diretoria eleita a cada dois anos para coordenar as atividades de interesse comunitario. As familias que formam o assentamento se deslocaram a partir de outros assentamentos ou das zonas rurais dos municipios proximos, como Sape, Alhandra e Cajazeiras. Algumas familias sao oriundas de algumas cidades do estado vizinho, Pernambuco. Todos os moradores ja trabalhavam na agricultura antes de chegarem a regiao e serem oficialmente assentados.

Coleta de dados

Os dados foram coletados entre agosto 2012 e janeiro 2013. Antes de se obter as informacoes etnobotanicas, foi realizado um esclarecimento a cada informante sobre o objetivo do estudo, e estes em acordo, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, que e solicitado pelo Conselho Nacional de Saude por meio do Comite de Etica em Pesquisa (Resolucao 196/96). O presente estudo foi aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) do Centro de Ciencias da Saude da Universidade Federal da Paraiba, registrado com protocolo CAAE 03611812.6.0000.5188.

Foram selecionados 20 informantes-chave, identificados a partir do metodo 'Bola de Neve' (Bernard, 1995), sendo 18 mulheres e 2 homens, com idades entre 33 e 83 anos. As entrevistas semiestruturadas foram realizadas objetivando conhecer quais as especies locais utilizadas para fins medicinais, alem das doencas para as quais sao indicadas. As entrevistas foram realizadas apenas na presenca do entrevistado para que suas respostas nao fossem influenciadas e alteradas.

As doencas listadas foram enquadradas em categorias de acordo com a classificacao estatistica internacional de doencas do CID-10 (OMS, 2008) e o material botanico foi coletado durante as entrevistas ou em outros momentos por meio de 'Turne Guiada' (Albuquerque et al, 2010). As amostras coletadas foram herborizadas e incorporadas ao Herbario Lauro Pires Xavier (JPB/UFPB).

Analise dos dados

Os dados foram analisados qualitativa e quantitativamente e a importancia das especies locais foi estimada utilizando os indices de Valor de Uso (VU) e Importancia Relativa (IR).

Para cada especie foi calculado o VU adaptado por Rossato et al. (1999), onde o somatorio do numero de usos dado pelo informante (U) e dividido pelo numero total de informantes (n), assim obtido pela seguinte formula VU = ([summation]U)/m

O indice IR foi estimado utilizando a formula IR = NSC+NP (Bennett e Prance, 2000), onde NSC: numero de sistemas corporais, e NP: numero de propriedades. Estes dois fatores sao calculados da formula NSC = NSCE/ NSCEV e NP = NPE/NPEV, onde NSCE: numero de sistemas corporais tratados por uma determinada especie, NSCEV: numero total de sistemas corporais tratados pela especie mais versatil, NPE: numero de propriedades atribuidas a determinada especie, e NPEV: numero total de propriedades atribuidas a especie mais versatil.

Para avaliar e compreender a relacao entre os valores encontrados em cada um dos indices aplicados e reconhecer suas semelhancas, foi feito o teste de correlacao de Spearman, usando o programa Statitica 8.0.

Resultados e Discussao

Informacoes gerais sobre as especies utilizadas pela comunidade

Foram registradas 53 especies distribuidas em 35 familias e 48 generos (Tabela I). A familia Lamiaceae foi a mais representada, aparecendo com 8 especies, seguida por Fabaceae (6), Asteraceae, Euphorbiacae e Myrtaceae (3 cada). Estas familias se destacaram tambem nos trabalhos de Cunha e Bortolloto (2011), Pasa (2011), Carvalho et al. (2013) e Souza e Pasa (2013).

Os moradores mantem o habito de cultivar algumas especies em seus jardins e quintais, bem como preservar alguns individuos em seus terrenos. Estas especies utilizadas sao reconhecidas por sua eficacia nos tratamentos de saude. O cultivo pode estar ligado ao habito das especies que, predominantemente, foi o herbaceo (38,7%). Outros habitos representados foram o arboreo (32,2%), subarbustivo (14,5%), arbustivo (12,9%) e trepadeira (1,6%). Quando consideramos a origem das principais especies citadas podemos perceber que todas elas sao facilmente cultivadas e muitas vezes encontradas nos arredores do assentamento, dos jardins e quintais das casas, a excecao do caju roxo (Anachordium occidentale) e do babatenom (Abarema cochliacarpos) que sao especies nativas da Mata Atantica e nao sao cultivadas pelos moradores. Das 14 especies que se destacaram por obter maiores valores nos indices aplicados a este trabalho, seis sao especies nativas, sete sao naturalizadas e apenas uma e exotica.

Quanto as partes mais utilizadas se destacaram a folha (53,5%), caule e casca (15% cada), raiz (11,6%) e flor (8%); demais partes, como frutos, sementes, latex e planta inteira, corresponderam a 11,5% do total. A forma de preparo predominante foi o cha (53,7%), lambedor (13,8%) e molho no alcool (9,7%); demais formas de preparo, sendo molho em agua ou vinho, folhas masseradas, suco, in natura, banho, garrafada e folhas torradas, corresponderam a 22,8%. Estes dados sao semelhantes aos encontrados por outros trabalhos realizados em todo o pais, colocando as ervas como o habito mais comum entre as especies medicinais mais conhecidas e as folhas como a parte mais utilizada (Silva e Andrade, 2005; Pinto et al., 2006; Borges e Peixoto, 2009), e tambem o cha como o modo de preparo preferido (Pinto et al., 2006; Cunha e Bortolotto, 2011; Carvalho et al., 2013).

Dentre os sistemas corporais listados neste estudo, aquele que mais recebeu citacoes na comunidade foi o que corresponde ao agrupamento de sintomas comuns e enfermidades do cotidiano (Tabela II), como febre, dores no corpo, infeccoes e cicatrizacao de ferimentos, correspondendo a categoria 'outras indicacoes'. Transtornos do sistema respiratorio aparece como a segunda categoria mais citada. Em geral, esses sao sintomas ou pequenas enfermidades muitas vezes associadas a mudanca de temperatura, a ma nutricao e as precarias condicoes de trabalho e que facilmente podem ser amenizados atraves do uso dos chas enquanto tratamentos caseiros e rapidos. Essa pratica pode estar ligada ao fato da comunidade nao possuir uma unidade de atendimento basico a saude, assim o acesso ao atendimento medico e dificil e demanda gastos e locomocao. Dessa forma, sempre que possivel, os moradores recorrem as ervas medicinais para tratar ou amenizar sintomas destas doencas mais comuns.

Valor de uso e importancia relativa local

Destacou-se neste estudo um grupo de especies (Mentha sp., Schinus terebinthfolia, Aeollanthus suaveolens, Punica granatum, Plectranthus amboinicus, Chenopodium ambrisioides, Alpinia zerumbet, Sambucus australis e Rosmarinus officinalis) por apresentar um alto numero de citacoes, sendo indicadas para diversas enfermidades e de diferentes sistemas corporais. Estas observacoes sao corroboradas pelos resultados obtidos a partir da aplicacao do indice VU, que variou de 0,05 a 1,30 (Tabela I), sendo as especies identificadas para o tratamento de diversas doencas as que alcancaram os valores mais altos, e, por isso, consideradas como as de maior importancia para a comunidade, pois apresentam uma ampla aplicacao.

Entre as especies mais importantes estao o babatenom (A. cochliacarpos), que e uma arvore nativa e endemica da Mata Atlantica, facilmente encontrada nas matas do entorno da comunidade e que possui propriedades antinflamatorias, antisepticas e cicatrizantes (Silva et al., 2009, 2010); e o caju roxo (A. occidentale), especie nativa e amplamente distribuida e cultivada em territorio brasileiro e aqui, indicada como cicatrizante. Por outro lado, as especies colonia (A. zerumbet), hortela grande (P. amboinicus), hortela miudo (Mentha sp.), mastruz (C. ambrosioides) e sabugo (S. australis) foram as que receberam as indicacoes de uso mais variadas, podendo ser aplicadas para tratamento de disturbios do sistema respiratorio, digestorio, circulatorio e nervoso, doencas parasitarias, dores, febre e doencas contagiosas.

P. amboinicus e uma especie aromatica, bastante cultivada e que recebeu indicacoes para o tratamento de doencas do sistema digestorio, respiratorio, inflamacao, cicatrizacao e dor. Em outros trabalhos tambem e indicado para o tratamento de doencas respiratorias e de pele (Lukhoba et al., 2006; Rice et al., 2011). Ja o hortela miudo (Mentha sp.) e uma erva aromatica, amplamente utilizada pela industria farmaceutica e que recebeu indicacoes para o tratamento de problemas relacionados ao coracao, sistema nervoso, dor, inflamacao, sistema digestorio e, principalmente, verminoses, resultado similar ao registrado por Macedo et al. (2012). No assentamento Nova Vida, ela tambem foi indicada com propriedades inseticidas, como tambem registraram Kumar et al. (2011).

A especie A. zerumbet e uma erva bastante usada na medicina popular em infusoes e no tratamento de problemas do aparelho digestorio e cardiovasculares, incluindo hipertensao (Leal-Cardoso, 2003; Macedo et al., 2012), como observado neste estudo, em que foi indicada para o tratamento de doencas relacionadas ao sistema respiratorio, circulatorio, inflamacao, febre e dor.

O mastruz (C. ambrosioides) e uma erva de pequeno porte que recebeu nesta comunidade indicacoes para problemas relacionados ao sistema respiratorio, cicatrizacao, digestorio e tratamento de doencas parasitarias, como tambem ocorre em outros trabalhos (Amorozo e Gely 1988; Pinto et al., 2006; Melo et al., 2008). Jimenez-Osornio et al. (1996) registram o uso do mastruz em San Andres, Mexico, por agricultores locais como herbicida natural, uma vez que sua presenca inibe o crescimento de outras especies.

Outras especies reconhecidas como importantes para a comunidade foram S. australis, conhecido para o tratamento de sarampo, doencas cardiacas e diabetes (Gray et al., 2000; Pires et al., 2013), mas que neste estudo foi indicado para doencas do aparelho digesto rio e respiratorio, e B. verticillata, que alem das indicacoes para tosse, diabetes, inflamacao, pneumonia, infeccao urinaria, tambem pode ser utilizada, no tratamento de hemorroidas, vermes, corrimento vaginal, impotencia, magico-religiosa, coceira, lesoes de pele (Souza et al, 2013).

A. suaveolens e uma erva aromatica com propriedade antinflamatoria, hipotensora, analgesica e calmante e Ocimum basilicum e uma erva cujo os oleos essenciais apresentam acao antioxidante e outros efeitos beneficos como antiviral, anticancerigeno, antiinflamatorio e antioxidante (Carvalho, 2012). Para esta pesquisa, ambos foram indicados para amenizar a dor, tratamento da hipertensao, febre, cicatrizacao e problemas do sistema respiratorio e circulatorio.

Este mesmo grupo de plantas compartilhou os maiores valores tanto para o indice VU quanto para IR, sendo que este ultimo obteve valores entre 0,23 e 2 (Tabela I). Outras duas especies, A. suaveolens (R = 1,33) e B. verticillata (R = 1,23) se destacaram com valores de IR > 1,0. Resultados semelhantes a estes, onde um pequeno grupo de especies se destacou com altos valores em relacao as demais foram obtidos por Galeano (2000), Albuquerque et al. (2005) e Feraz et al. (2006). O conhecimento e o uso continuo de uma determinada especie podem contribuir para a formacao desses grupos especificos. Assim, quanto mais elas sao utilizadas e apresentam resultados eficazes, maiores as chances de serem indicadas e incluidas nas especies preferenciais de cada informante.

A tecnica de Valor de Uso e considerada limitada, pois se trata de uma medida do conhecimento sobre o uso e ha a possibilidade de nao haver uma relacao direta deste conhecimento com o uso real da planta (Albuquerque et al., 2006). Alem disso, este indice pode ser superestimado no caso de apenas um informante conhecer muitos usos para uma mesma especie (Silva e Albuquerque, 2004; Albuquerque et al., 2006). Assim, outros aspectos precisam ser levados em consideracao na identificacao das especies mais importantes para uma comunidade, neste caso, a aplicacao do indice IR pode ser uma ferramenta adicional.

Comparacao entre os indices

O objetivo da aplicacao do Valor de Uso ou de outros indices pode ser bastante variavel. E possivel encontrar pesquisas em que estes indices buscam saber quais especies sao mais importantes para uma dada populacao (Vendruscolo e Mentz, 2006), quais estao sendo mais pressionadas quanto ao uso (Galeano, 2000) ou mesmo na determinacao da importancia cultural das categorias de uso vegetal (Soldati et al., 2011). Para Lucena et al. (2007), as especies que aparecem como as mais dominantes e mais frequentes numa dada regiao e que podem apresentar altos valores de uso, nao sao, necessariamente, as mais utilizadas, podem ser apenas as mais acessiveis naquelas circunstancias.

Para os informantes do assentamento Nova Vida existe um grupo de plantas que sao mais comumente utilizados e e este grupo que apresenta maiores valores de IR e VU. A ordenacao das dez especies com os maiores valores para os dois indices mostrou que seis delas sao comuns as duas listas, inclusive mostrando a repeticao na posicao de P. amboinicus e R. officinalis (Tabela III). A quantificacao dos dados na etnobotanica ajuda a visualizar a forma e quanto determinadas especies vegetais tem sido usada por uma comunidade, e os indices VU e IR permitem essa observacao.

Os indices permitiram isolar um grupo de especies que se mostrou mais importante para a comunidade estudada. As cinco especies de maior VU tem em comum indicacoes para tratar o sistema corporal mais citado, o de transtornos do sistema respiratorio. Alem dos sintomas e doencas deste sistema, algumas das especies listadas, como C. ambrosioides e Mentha sp. tambem sao indicadas para o tratamento de problemas causados por doencas infecciosas e parasitarias e transtornos do sistema gastrointestinal (Tabela III).

Outras especies se destacam aparecendo como relevantes apenas para o VU, como S. terebinthifolia, A. cochliacarpos, C. citratus e P. granatum (Tabela III). Considerando que este indice utiliza apenas os informantes e o numero de citacoes, seu resultado expressa o consenso de quais especies sao mais importante, sem considerar o sistema corporal para o qual foi indicado, como e o caso do A. cochliacarpus e S. terebinthifolia que sao quase que unicamente, indicados como cicatrizantes.

Quando sao escolhidas as cinco especies com maior valor de IR o resultado e diferente do observado para o VU, pois este indice mostra os sistemas corporais com maior numero de indicacoes, que e o de transtornos do sistema gastrointestinal, seguido de dores nao definidas e transtornos do sistema respiratorio. Este resultado pode ser justificado pelo fato deste indice utilizar o numero de propriedades e de sistemas corporais tratados por cada especie, assim, ele tende a identificar as especies mais versateis utilizadas pela comunidade.

No uso da IR destacam-se tambem A. suaveolens, B. verticillata, O. basilicum e L. alba. Todas estas especies apresentaram uma grande diversidade de uso, recebendo indicacoes para mais de quatro sistemas corporais. Para Anklin (1999) a IR e o indice apropriado para identificar plantas medicinais e seus usos com potenciais farmaceuticos. Lucena et al. (2007) afirmam que as plantas mais abundantes sao aquelas que tendem a ter maiores valores de IR.

Grande parte das especies e conhecida dos informantes gracas a sua variedade de usos no tratamento de diversas doencas. Mesmo com o conhecimento sobre seus usos e aplicacoes, elas nao sao comercializadas na regiao, sendo facilmente encontradas nos jardins e quintais, ou extraidas da vegetacao local. Segundo Phillips e Gentry (1993), uma determinada especie, mais comum numa regiao, e aquela que mais frequentemente as pessoas tem oportunidade de experimentar e aprender sobre seus usos, alem de ser a especie mais acessivel. Para estes autores, o uso desta especie persiste gracas ao aprendizado e sua transmissao atraves da cultura. Ainda seguindo seu pensamento, sao justamente as populacoes com maior quantidade de plantas lenhosas e de rapido crescimento que apresentam maior probabilidade de serem uteis e, assim, tem maiores chances de serem utilizadas em algum momento.

Os valores de uso (0,23 [+ or -] 0,274; min = 0,05; max = 1,3) e o indice de importancia relativa (0,468 [+ or -] 0,325; min = 0,23; max = 2,0) estao correlacionados (r = 0,788; p < 0,05). Albuquerque et al. (2006), trabalhando com a aplicacao destes mesmos indices numa comunidade rural do interior de Pernambuco encontraram um resultando semelhante, ou seja, uma alta correlacao entre os resultados obtidos para VU e IR. Este resultado mostra que a importancia de uma planta nao e exclusivamente determinada por seu numero de utilizacoes, mas por quao conhecida ela e. Os resultados obtidos aqui reforcam esta ideia, uma vez que, atraves da aplicacao de indices distintos que analisam fatores diferentes, como numero de citacoes de especies por informantes para VU, e numero de propriedades e de sistemas corporais para IR, obteve um grupo de especies que se destacou para ambos os indices (Tabela III), mostrando que algumas especies apresentam grande versatilidade de uso.

O resultado gerado pela aplicacao destes indices pode ser util na identificacao das principais especies locais e seus usos. Com o indice VU e possivel conhecer qual especie e preferencialmente utilizada, independente de para qual sistema corporal ela seja indicada. Como sao usados os numeros de citacoes por especie para cada informante, e possivel que os resultados reflitam muito diretamente o conhecimento do participante e nao aquele compartilhado por toda a comunidade. Este indice fornece informacoes uteis sobre as especies mais importantes, apesar de suas limitacoes quanto a distincao entre uso e conhecimento A IR, por sua vez, faz uso das categorias em que se enquadram as especies, neste caso, dos sistemas corporais, e das suas propriedades, nao sendo o participante considerado na analise. Assim, os resultados obtidos por meio deste indice refletem mais especificamente os usos da especie medicinal, ja que se concentra em suas propriedades (Lucena et al., 2012).

Assim, mesmo fazendo uso de diferentes fatores, a aplicacao dos indices VU e IR contribuem para a identificacao das especies mais relevantes e cujo conhecimento sobre uso tem, de fato, se propagado e se estabelecido dentro da cultura de uma comunidade.

Conclusao

As plantas possuem uma posicao significativa para os moradores do assentamento Nova Vida, uma vez que eles demonstraram um amplo conhecimento sobre seu uso. Atraves dos resultados obtidos pela aplicacao dos indices VU e IR e possivel observar que as especies com os valores mais altos para estes dois indices formam um grupo de maior importancia para a comunidade e que, continuamente, e utilizado para o tratamento das mais diversas enfermidades. A aceitacao e o uso de uma determinada especie vegetal por uma comunidade implicam em maior confianca quanto a sua eficacia, uma vez que ela e utilizada por grande parte da populacao.

Os indices VU e IR, apesar de estarem fundamentados em diferentes parametros, como numero de informantes, propriedades de uso e sistemas corporais, apresentam resultados positivos quando aplicados na intencao de se conhecer quais especies sao as mais importantes para a comunidade de uma forma geral. Para este estudo, o indice VU se mostrou mais interessante quando aplicado no intuito de conhecer quais especies sao, de fato, mais conhecidas e utilizadas pela comunidade, atendendo ao objetivo para o qual foi proposto. O indice IR, por sua vez, mostrou quais especies sao mais versateis quanto ao uso, trazendo um resultado diferente do obtido pelo valor de uso. Assim, o indice VU se adequa melhor a necessidade de um trabalho, cujo objetivo seja conhecer quais as especies sao, reconhecidamente, mais utilizadas por uma comunidade.

Diante dos resultados, fica clara a necessidade de maior atencao ao saber popular local e de suas particularidades. Novas pesquisas devem ser motivadas para garantir o uso com maior eficiencia dos recursos naturais pelas populacoes dependentes deles. Este trabalho, portanto, pode servir de referencia para futuras pesquisas envolvendo especies com potencial medicinal.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem aos moradores do assentamento Nova Vida que aceitaram contribuir com a construcao deste estudo, ao seu Carlao, lider do assentamento que permitiu e colaborou com a pesquisa, e a Coordenadoria de Aperfeicoa-mento de Pessoal de Nivel Superior (CAPES), pela concessao de bolsa de estudos ao primeiro autor.

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Recebido: 21/04/2014. Modificado: 13/02/2015. Aceito: 16/02/2015.

Michele Fernanda Marques de Brito. Biologa e Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, PRODEMA/Universidade Federal da Paraiba (UFPB). e-mail: micheleg7@gmail.com

Reinaldo Farias Paiva de Lucena. Doutor em Ciencias Biologicas, UFPB, Brasil. Professor, Centro de Ciencias Agrarias, Laboratorio de Etnoecologia, UFPB, Brasil.

Denise Dias da Cruz. Doutora em Ciencias Biologicas em Ecologia, UFPB, Brasil. Professora, Departamento de Sistematica e Ecologia DSE/CCEN/UFPB, Brasil.

TABELA I

ESPECIES MEDICINAIS, SEU HABITO E NUMERO DE CITACOES FEITAS
POR INFORMANTES DO ASSENTAMENTO NOVA VIDA, PB, BRASIL

Familia/Especie                   Nome popular        Hab.

Acanthaceae
  Justicia pectoralis Jacq.       Chachamba           Er
  Justicia sp.                    Anador              Er
Adoxaceae
  Sambucus australis              Sabugo              Arb
    Cham. & Schltdl.
Amaranthaceae
  Chenopodium ambrosioides L.     Mastruz             Er
Anacardeaceae
  Anacardium occidentale L.       Caju roxo           Ar
  Schinus terebinthifolia         Aroeira             Ar
    Raddi
Apiaceae
  Eryngium foetidum L.            Coentro maranhao    Er
  Pimpinella anisum L             Erva doce           Er
Apocynaceae
  Hancornia speciosa Gomes        Mangaba             Ar
Asteraceae
  Acanthospermum hispidum DC.     Espinho de cigano   Er
  Vernonia condensata Baker       Alcachofra          Arb
Capparaceae
  Tarenaya spinosa (Jacq.) Raf.   Mucambe             Arb
Chrysobalanaceae
  Chrysobalanus icaco L.          Guajiru             Arb
Crassulaceae
  Kalanchoe pinnata               Saiao               Er
    (Lam.) Pers.
Euphorbiaceae
  Jatropha gossypiifolia L.       Pinhao roxo         Arb
  Ricinus sp.                     Carrapateira        Arb.
Fabaceae--Caes
  Senna occidentalis              Mangirioba          Arb
    (L.) Link
  Tamarindus indica L.            Tamarindo           Ar
Fabaceae--Fab
  Periandra mediterranea          Alcancu             Er
    (Vell.) Taub.
Fabaceae--Mim
  Abarema cochliacarpos           Babatenon           Ar
    (Gomes) Barneby &
    J.W. Grimes
Iridaceae
  Cipura sp.                      Alho do mato        Er
Lamiaceae
  Aeollanthus suaveolens          Macassa             Er
    Mart. ex Spreng
  Mentha sp1.                     Hortela miudo       Er
  Mentha sp2.                     Vick                Er
  Ocimum basilicum L.             Manjericao          Er
  Ocimum gratissimum L.           Alfavaca            Er
  Plectranthus sp.                Hortela de homem    Er
  Plectranthus amboinicus         Hortela grande      Er
    (Lour.) Spreng
  Rosmarinus                      Alecrim             Er
    officinalis L.
Lecythydaceae
  Eschweilera ovata               Embiriba            Ar
    (Cambess.) Miers
Lythraceae
  Punica granatum L.              Roma                Ar
Malpighiaceae
  Malpighia                       Acerola             Ar
    emarginata DC.
Malvaceae
  Gossypium sp.                   Algodao preto       Ar
  Urena lobata L.                 Malva rosa          Arb
Moraceae
  Morus sp.                       Amora               Arb
Myrtaceae
  Eucalyptus                      Eucalipto           Ar
    globulus Labill.
  Psidium cattleianum             Araca               Ar
    Sabine
  Psidium guajava L.              Goiaba              Ar
Nyctaginaceae
  Boerhavia sp                    Pega-pinto          Er
OLEACEAE
  Ximenia americana L.            Ameixa              Arb
Phyllanthaceae
  Phyllanthus amarus              Quebra-pedra        Er
    Schumach. & Thonn
Phytolacaceae
  Petiveria alliacea L.           Tipi                Er
Poaceae
  Cymbopogon citratus             Capim santo         Er
    (DC.) Stapf
Polygalaceae
  Polygala sp.                    Esquentai           Er
Rubiaceae
  Borreria verticillata           Vassoura de botao   Er
    (L.) G.Mey.
Rutaceae
  Ruta graveolens L.              Arruda              Er
Sapindaceae
  Cupania revoluta Radlk.         Cabata de rego      Ar
Smilacaceae
  Smilax japicanga Griseb.        Japeganga branca    Ar
Solanaceae
  Solanum paniculatum L.          Jurubeba            Arb
Turneraceae
  Turnera subulata Smith.         Chanana             Er
Urticaceae
  Cecropia palmata Willd.         Embauba             Ar
Verbenaceae
  Lippia alba (Mill.) N.E.Br.     Cidreira            Arb
Zingiberacaea
  Alpinia zerumbet (Pers.)        Colonia             Arb
  B.L. Burtt & R.M. Sm.

Familia/Especie                     No.      Voucher   VU     IR
                                  citacoes

Acanthaceae
  Justicia pectoralis Jacq.          11      52455     0.35   0.55
  Justicia sp.                       9       52464     0.2    0.45
Adoxaceae
  Sambucus australis                 45      52461     1.0    1.10
    Cham. & Schltdl.
Amaranthaceae
  Chenopodium ambrosioides L.        77      51083     1.3    1.20
Anacardeaceae
  Anacardium occidentale L.          25      51082     0.6    0.68
  Schinus terebinthifolia            41      51089     0.9    0.33
    Raddi
Apiaceae
  Eryngium foetidum L.               2       53247     0.05   0.23
  Pimpinella anisum L                22      52460     0.25   0.78
Apocynaceae
  Hancornia speciosa Gomes           14      51093     0.35   0.90
Asteraceae
  Acanthospermum hispidum DC.        16      53237     0.3    0.43
  Vernonia condensata Baker          10      53245     0.25   0.45
Capparaceae
  Tarenaya spinosa (Jacq.) Raf.      4       52467     0.1    0.23
Chrysobalanaceae
  Chrysobalanus icaco L.             4       41324     0.15   0.23
Crassulaceae
  Kalanchoe pinnata                  15      53248     0.1    0.45
    (Lam.) Pers.
Euphorbiaceae
  Jatropha gossypiifolia L.          3       51091     0.15   0.45
  Ricinus sp.                        1       53244     0.1    0.33
Fabaceae--Caes
  Senna occidentalis                 13      53235     0.4    1.10
    (L.) Link
  Tamarindus indica L.               2       52462     0.1    0.23
Fabaceae--Fab
  Periandra mediterranea             5       51081     0.1    0.23
    (Vell.) Taub.
Fabaceae--Mim
  Abarema cochliacarpos              45      51090     0.85   0.23
    (Gomes) Barneby &
    J.W. Grimes
Iridaceae
  Cipura sp.                         1       42928     0.05   0.23
Lamiaceae
  Aeollanthus suaveolens             22      52459     0.6    1.33
    Mart. ex Spreng
  Mentha sp1.                        62      51086     1.25   2.00
  Mentha sp2.                        4       52469     0.15   0.55
  Ocimum basilicum L.                17      52458     0.25   1.13
  Ocimum gratissimum L.              11      52459     0.4    0.98
  Plectranthus sp.                   12      52458     0.2    0.55
  Plectranthus amboinicus            58      53242     1.05   1.30
    (Lour.) Spreng
  Rosmarinus                         32      42941     0.6    0.98
    officinalis L.
Lecythydaceae
  Eschweilera ovata                  4       51094     0.05   0.23
    (Cambess.) Miers
Lythraceae
  Punica granatum L.                 51      51087     0.9    0.78
Malpighiaceae
  Malpighia                          8       42215     0.25   0.33
    emarginata DC.
Malvaceae
  Gossypium sp.                      1       53238     0.05   0.23
  Urena lobata L.                    8       42873     0.15   0.68
Moraceae
  Morus sp.                          2       53243     0.1    0.23
Myrtaceae
  Eucalyptus                         34      51085     0.5    0.78
    globulus Labill.
  Psidium cattleianum                3       53387     0.05   0.23
    Sabine
  Psidium guajava L.                 18      51875     0.3    0.23
Nyctaginaceae
  Boerhavia sp                       9       53236     0.15   0.55
OLEACEAE
  Ximenia americana L.               7       53240     0.2    0.23
Phyllanthaceae
  Phyllanthus amarus                 10      53241     0.25   0.33
    Schumach. & Thonn
Phytolacaceae
  Petiveria alliacea L.              5       52465     0.25   0.45
Poaceae
  Cymbopogon citratus                41      53233     0.95   0.88
    (DC.) Stapf
Polygalaceae
  Polygala sp.                       1       53234     0.05   0.23
Rubiaceae
  Borreria verticillata              13      42954     0.4    1.23
    (L.) G.Mey.
Rutaceae
  Ruta graveolens L.                 22      53385     0.35   0.98
Sapindaceae
  Cupania revoluta Radlk.            6       41319     0.1    0.23
Smilacaceae
  Smilax japicanga Griseb.           3       41305     0.15   0.45
Solanaceae
  Solanum paniculatum L.             3       52454     0.1    0.23
Turneraceae
  Turnera subulata Smith.            5       51078     0.2    0.55
Urticaceae
  Cecropia palmata Willd.            4       53390     0.05   0.23
Verbenaceae
  Lippia alba (Mill.) N.E.Br.        35      52452     0.7    1.00
Zingiberacaea
  Alpinia zerumbet (Pers.)           68      51079     1.15   1.08
  B.L. Burtt & R.M. Sm.

Er: erva, Arb: arbusto, Ar: arvore, VU: valor
de uso, IR: importancia relativa.

TABELA II

CATEGORIAS DE DOENCAS E INDICACOES TERAPEUTICAS
DE PLANTAS MEDICINAIS PARA O ASSENTAMENTO NOVA
VIDA, PITIMBU-PB, BRASIL

Sistema corporal         Forma de uso

Transtornos do sistema   C, L, T, S, MA, N, TR
  gastrointestinal

Transtornos do sistema   C, I, L, TR, MA, MO, N,
  respiratorio           S, B, MA,

Transtornos do sistema   C, MA, N, S, TR
  nervoso

Doencas endocrinas,      C, MA, S, TR
  nutricionais e
  metabolicas
Doencas infecciosas e    C, MA, B, N, L
  parasitarias
Transtornos do sistema   C, MA, TR, S,
  circulatorio

Transtorno do sistema    C, G, MA, N, TR
  genitourinario

Doencas do sistema       MO, N, C, TR, G, L
  osteomuscular

Neoplasias               C, MO, MV, MA
Dores nao definidas      C, N, B, MA

Outras indicacoes        C, N, MA, TR, MO, B,
                         G, L, I, MV, S

Sistema corporal         Doencas locais citadas

Transtornos do sistema   Diarreia, barriga inchada,
  gastrointestinal         gases, dor de barriga,
                           prisao de ventre, queimor.

Transtornos do sistema   Cansaco, catarro, dor de
  respiratorio             garganta, gripe,
                           rouquidao, tosse.
Transtornos do sistema   Epilepsia, nervoso,
  nervoso                  trombose, insonia.

Doencas endocrinas,      Colesterol, acucar no
  nutricionais e           sangue, fraqueza,
  metabolicas              diabetes, anemia.
Doencas infecciosas e    Vermes, coceira na
  parasitarias             pele, bexiga.
Transtornos do sistema   Pressao alta, sangramento,
  circulatorio             coracao

Transtorno do sistema    Velhice na mulher,
  genitourinario           menstruacao, ardor ao
                           urinar, pedra nos rins

Doencas do sistema       Dor nas juntas, osso
  osteomuscular            quebrado, artrite, dor
                           na coluna

Neoplasias               Cancer
Dores nao definidas      Dor de ouvido, dor de
                           cabeca, dor de barriga,
                           dor de dente
Outras indicacoes        Cicatrizacao, febre, figado,
                           hemorroidas, inflamacao,
                           infeccao, sinusite.

Sistema corporal         Indicacoes                No. de
                                                   citacoes

Transtornos do sistema   Refluxo, diarreia, ma     43
  gastrointestinal         digestao, gastrite,
                           ulcera, nausea,
                           vomito, gases, colica.
Transtornos do sistema   Cansaco, catarro,         95
  respiratorio             gripe, pneumonia,
                           tosse, garganta.
Transtornos do sistema   Calmante, AVC,            28
  nervoso                  convulsao, trombose,
                           insonia.
Doencas endocrinas,      Colesterol, diabetes,
  nutricionais e           glicose alta,           22
  metabolicas              emagrecer, vitaminas.
Doencas infecciosas e    Vermes, ameba, catapora,
  parasitarias             micose, coceira.        33
Transtornos do sistema   Hipertensao, coracao,     27
  circulatorio             ma circulacao,
                           hemorragia.
Transtorno do sistema    Infeccao urinaria,
  genitourinario           pedra nos rins,         16
                           menopausa, colica
                           menstrual,
                           incontinencia
                           urinaria.
Doencas do sistema       Dor nas articulacoes,     03
  osteomuscular            fratura, artrite,
                           contusao, dor na
                           coluna.
Neoplasias               Cancer                    1
Dores nao definidas      Dor, dores de ouvido,     42
                           dor de dente, dor de
                           cabeca, colica.
Outras indicacoes        Inflamacao,
                           cicatrizante,           112
                           infeccao, febre,
                           sinusite, nodulos,
                           cisto, figado.

C: cha, L: lambedor, B: banho, G: garrafada, I: infusao,
N: in natura, S: suco, MA: molho em agua, MO: molho em
alcool, MV: molho em vinho, TR: triturada, T: torrada.

TABELLA III

ORDENACAO DAS ESPECIES COM MAIORES VALORES PARA IMPORTANCIA RELATIVA
(IR) E VALOR DE USO (VU) CITADAS PELOS MORADORES DO ASSENTAMENTO
NOVA VIDA, PITIMBU, PB, BRASIL

Especie            Parte       Origem         Indicacao       VU   IR
                   utilizada

Mentha sp.         Folhas      Naturalizada   Ameba,          2    1
(hortela miudo)                               vermes,
                                              diarreia,
                                              colica,
                                              coracao,
                                              anemia,
                                              gastrite,
                                              calmante

Schinus            Casca       Nativa         Cicatrizante,   8    --
terebinthifolia                               inflamacao.
Raddi (Aroeira)

Aeollanthus        Folhas      Exotica        Colica, dor     --   2
suaveolens                                    de ouvido,
(macassa)                                     hipertensao,
                                              febre,
                                              garganta,
                                              coracao

Punica granatum    Fruto       Naturalizada   Garganta,       7    --
L. (roma)                                     gripe,
                                              cicatrizante,
                                              inflamacao,
                                              diarreia.

Abarema            Casca       Nativa         Cicatrizante    9    --
cochliacarpos
(Gomes)

Barneby & J.W.
Grimes
(babatenon)

Cymbopogon         Folhas      Naturalizada   Calmante,       6    --
citratus (DC.)                                hipertensao,
                                              ma digestao,
Stapf (capim                                  colica.
santo)

Plectranthus       Folhas      Naturalizada   Tosse,          4    4
amboinicus                                    inflamacao,
(hortela grande)                              catarro,
                                              cicatrizante,
                                              ma digestao,
                                              dor de ouvido

Borreria           Inteira     Nativa         Tosse,          --   5
verticillata                                  diabetes,
(vassoura de                                  inflamacao,
botao)                                        pneumonia,
                                              infeccao
                                              urinaria

Chenopodium        Folha,      Nativa         Verminoses,     1    6
ambrosioides       inteira                    tosse,
(mastruz)                                     catarro,
                                              febre,
                                              diarreia,
                                              cicatrizante

Alpinia zerumbet   Folhas e    Naturalizada   Gripe, dor de   3    8
(colonia)          flores                     cabeca,
                                              catarro,
                                              tosse,
                                              sinusite,
                                              hipertensao

Sambucus           Flores      Nativa         Tosse,          5    7
australis                                     hipertensao,
(sabugo)                                      catarro,
                                              febre,
                                              catapora,
                                              coracao.

Ocimum basilicum   Folhas      Naturalizada   Calmante,       --   3
(manjericao)                                  ouvido,
                                              cicatrizante,
                                              colica

Rosmarinus         Folhas      Naturalizada   Coracao,        10   10
officinalis                                   hipertensao,
(alecrim)                                     tosse,
                                              calmante,
                                              trombose,
                                              convulsao

Lippia alba        Folhas      Nativa         Calmante,       --   9
(cidreira)                                    anemia,
                                              hipertensao,
                                              diarreia

VU: valor de uso, IR: importancia relativa.
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:de Brito, Michele Fernanda Marques; de Lucena, Reinaldo Farias Paiva; da Cruz, Denise Dias
Publication:Interciencia
Date:Mar 1, 2015
Words:7121
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