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Living and residing: interpersonal relations of residents at therapeutic residential services/O viver e o morar: relacoes interpessoais de moradores dos servicos residenciais terapeuticos/El vivir y el morar: relaciones interpersonales de habitantes de los servicios terapeuticos residenciales.

INTRODUCAO

As transformacoes no contexto da assistencia psiquiatrica nos ultimos anos tem trazido importantes contribuicoes para repensar o cuidado psiquiatrico no contexto brasileiro. Com a reforma psiquiatrica, procura-se desconcentrar o olhar sobre a doenca, para dar enfase ao sujeito, suas expectativas, seus projetos de vida e suas relacoes sociais na comunidade.

A politica de saude mental cuidou de construir um novo paradigma de conhecimento. Uma evidencia dessa singularidade e o modelo de atencao em sau de me ntal que ve m resultando na criacao e implementacao de novas formas organizacionais, como os servicos residenciais terapeuticos (SRTs) (1).

Encontram-se, portanto, inseridos nesses servicos pessoas que apresentam ha muito tempo uma historia vivida na sociedade que os tem marcado por abandono, estigmas e diversas formas de sofrimento. Os SRTs foram criados com a proposta de melhorar essa condicao e oferecer maneiras de reinseri-los em sociedade. E preciso, pois, para a consolidacao desses servicos, buscar algumas respostas com aqueles que ali moram, tais como: Essa estrategia tem melhorado a vida dessas pessoas? Como ocorrem as relacoes com os novos espacos e novas pessoas?

O presente estudo busca, portanto, a partir da expressao dos proprios sujeitos, um conhecimento que forneca possibilidades de reflexoes sobre a cotidianidade desses moradores e, assim, contribuir para o planejamento de politicas publicas que assegurem atividades de melhoria de vida e reinsercao social. Emerge, assim, o objetivo deste estudo: analisar as relacoes que os moradores estabelecem interna e externamente nos SRTs.

REVISAO DE LITERATURA

Os SRTs sao moradias para as pessoas em condicao de alta e que se encontram com longos anos de internacao em hospitais psiquiatricos, por falta de um suporte apropriado na comunidade para recebelos de volta, e foram instituidos pela Portaria 106/ 2000 e podem servir para dar suporte nao so aos egressos de longas internacoes em hospitais psiquiatricos, mas tambem os de outros servicos de saude mental que nao tem suporte familiar e social suficiente que garantam uma moradia digna (2).

Como condicao de favorecer a vida nos SRTs existe o Programa de Volta para Casa, instituido pela Lei 10.708/2003 que garante um auxilio financeiro a cada morador no valor R$ 320,00 referente a 2011. Nos servicos os moradores nao estao sozinhos, eles sao acompanhados por cuidadores e profissionais da area de saude mental que orientam e ajudam na organizacao e funcionamento interno e externo. Ao profissional de nivel superior cabe a funcao de ser a referencia tecnica da casa, supervisionando diariamente as atividades e o processo de reabilitacao dos moradores, sem, no entanto, morar na casa. Por sua vez, os cuidadores auxiliam diretamente nas tarefas.

Essa conquista, no campo da reforma psiquiatrica, tem-se mostrado importante para a saude mental dessas pessoas, visto que o habitar, a nocao de lar, o estabelecimento de lacos, a criacao dos espacos de circulacao, a busca da autonomia, o respeito a individualidade, a estimulacao da reintegracao na comunidade, entre outras oportunidades, proporcionam qualidade de vida (3).

Entretanto, a reinsercao social por meio dos SRTs e complexa e engloba outros aspectos alem da simples transferencia do hospital para a nova casa. Existem acoes que precisam ser trabalhadas e acompanhadas para produzirem sentido e novos processos de subjetivacao, como o cotidiano nesse novo espaco, o circular pela cidade, o relacionar-se com pessoas desconhecidas e o aproximar-se de diferentes lugares (4).

Assim, a volta ao convivio social e o inicio de um longo processo de reabilitacao que devera buscar a progressiva inclusao social dessas pessoas. Esses servicos, inovadores, propostos pela reforma psiquiatrica nao sao exatamente servicos de saude, mas espacos singulares de morar, que devem estar articulados a rede de atencao psicossocial para acompanhar e dar o suporte terapeutico necessario aos moradores (3).

Nessa perspectiva, cada moradia deve ser considerada unica, sendo organizada segundo as necessidades, gostos e habitos de seus moradores. As residencias devem ter seu cotidiano centrado no modelo humanista, visando oferecer experiencias que promovam maior capacidade para os individuos enfrentarem os desafios da vida e, assim, reconstruirem o que lhes foi privado durante anos em instituicoes psiquiatricas (5).

Alem disso, no trabalho de desinstitucionalizacao, e necessario encontrar respostas a necessidade de moradia dos individuos, que nao pode ser traduzida apenas como carencia de um lugar para morar, mas que sirva para a reabilitacao e a reinsercao de fato na sociedade. Por isso, com o surgimento desses servicos, e importante produzir relacoes que aumentem as possibilidades de trocas de recursos e de afetos e, desse modo, favorecam as formas de ser e estar no mundo (6).

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa realizado em tres SRTs do Piaui (duas na capital e um no interior do Estado). Moram nesses servicos 16 pessoas, ex-pacientes do hospital psiquiatrico estadual, escolhidos e distribuidos nas casas com base na avaliacao da equipe interdisciplinar, considerando o tempo de moradia no hospital, grau de dependencia e afinidades afetivas.

Participaram desta pesquisa nove moradores, que, apos serem informados sobre o estudo, aceitaram livremente participar e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. As entrevistas foram previamente agendadas, conforme a disponibilidade dos sujeitos, e realizadas no periodo de dezembro de 2010 a janeiro de 2011. O instrumento norteador compreendeu duas partes: a primeira buscou as caracteristicas do grupo pesquisado, que se constituiu de tres moradores do sexo feminino e seis do sexo masculino, com idade entre 36 e 65 anos e tempo de internacao em institui cao psiquiatrica de 10 a mais de 30 anos. Dos nove sujeitos, cinco sao de outros Estados da Federacao, um do interior do Piaui e tres da propria capital. Sobre familiares, seis informaram conhecer seus familiares, mas que nao recebiam visitas; os demais nao possuiam ou nao lembravam. Os diagnosticos medicos registraram um sujeito com transtorno depressivo e oito com esquizofrenia residual.

A segunda parte foi constituida por uma pergunta aberta sobre o seu modo de vida e as relacoes que se estabeleceram nesse novo espaco. Os dados produzidos nessa parte foram submetidos a analise de conteudo, utilizando a modalidade de analise tematica, por ser uma das tecnicas mais apropriadas para o tratamento de dados qualitativos. Essa tecnica de analise permite, por meio da descricao objetiva e sistematica do conteudo das mensagens, a inferencia de conhecimentos e sua interpretacao (7). Esse processo resultou em duas categorias: Divisao de tarefas, liberdade e melhoria da qualidade de vida; Relacoes externas insatisfatorias e estigmatizantes com os vizinhos.

O estudo atendeu aos procedimentos eticos para pesquisa envolvendo seres humanos, tendo sido autorizado pelos SRTs e pelo Comite de Etica em Pesquisa da Universidade Federal do Piaui sob o parecer no. 45/10 (CAAE n[degrees] 0252.0.045.000-10). Para preservacao do anonimato dos sujeitos, os mesmos foram designados por letras e numero (E1, E2 ...).

RESULTADOS E DISCUSSAO

Divisao de tarefas, liberdade e melhoria da qualidade de vida

A desinstitucionalizacao implica o resgate da cidadania como processo de valorizacao dos seres humanos, para que possam ser compreendidos como pessoas, com direitos a tomar decisoes, com oportunidades de se tornarem cidadaos e de terem a sua vontade e fala validadas. A cidadania dessas pessoas nao significa a simples restituicao de seus direitos formais, mas a construcao de seus direitos substanciais, construcoes vivenciadas no dia a dia, como realizar atividades sociais, culturais, o cuidado de si, entre outros (3).

Na busca desses direitos, este estudo, ao interpretar a linguagem como expressao do cotidiano dos sujeitos, encontra, com singularidade, como organizam os seus dias, o valor dado a pequenos detalhes, as suas decisoes e as construcoes afetivas que vao se tecendo com pessoas, objetos e sonhos. Elas compoem um encadeamento harmonioso, vivido a cada momento por pequenas alegrias.

Assistimos televisao, escutamos um som. Gosto de lavar minha roupa, eu me sinto bem, para fazer exercicio no corpo. Vou me interessar em estudar para ser ate um doutor ou entao um delegado ou advogado. Por que eu nao estudei nao. Mas tenho vontade ... (E1)

Aprendi a fazer varias coisas que eu nao sabia. Vou para o salao, diferente do hospital, por que la eles lambuzavam as unhas da gente e pegava muito era piolho. A gente vai para o zoobotanico, shopping, parque da cidade. Ja fui para pizzaria, ja viajei. No shopping a gente lancha, fica um pedaco, olha as coisas, as lojas, passeia. Frequento a Legiao de Maria, faco visita aos idosos. [...] me sinto util aqui. (E3)

Eu varro o quintal, faco cafe, lavo o banheiro, cuido de vez em quando dessas plantinhas, quando o sol esta quente jogo uma agua nelas. (E6)

As relacoes que se estabelecem no interior das SRTs sao tracadas pelos depoimentos, demonstrando comportamentos que se traduzem por um espaco repleto de atividades como limpar a casa, lavar roupa, cuidar de plantas, fazer cafe, ir ao supermercado, fazer caminhada, assistir televisao e estudar. Esses fazeres estimulam os sujeitos a construir de forma progressiva e gradual a sua autonomia e elevar a autoestima, perdidas em anos de internacao em instituicao psiquiatrica. Para os moradores, compreensivamente, essas acoes significam utilidade que os levam a se sentir bem e se caracterizam por autonomia.

Esses avancos sao compativeis e esperados com a proposta de viver em moradias assitidas para sujeitos egressos de instituicoes psiquiatricas. Essas pessoas, por conta da longa permanencia em manicomios, adquiriram muitos problemas relacionados a comunicacao, a iniciativa de conduzir acoes sozinhos, cuidar da apare ncia pe ssoal, higie ne e ate o sedentarismo e a falta de concentracao. Ha uma progressiva superacao desses problemas a medida que essas atividades sao realizadas com autonomia e bemestar. Dai a necessidade e a importancia desses servicos e dessas acoes cotidianas para que haja continuidade e fortalecimento da superacao dessas dificuldades. E preciso, pois, compreensao diferenciada sobre as novas acoes, como a criacao de espacos ferteis na conquista da reabilitacao em saude mental para o avanco e consolidacao desse novo modelo (8).

Outras atividades importantes relatadas pelos sujeitos foram o ato de atencao com animal de estimacao, fazer visita aos idosos, caminhada. Percebese aqui a importancia de cuidarem de si mesmos e de outrem. Estas acoes implicam certamente em autonomia, que aos poucos vai sendo construida para o alcance da responsabilidade no autocuidado.

Foi possivel constatar, pelos discursos, que alem da realizacao de todas essas atividades destacam--se a vontade e o sonho de estudar. Isso proporciona uma forma de reinsercao junto a sociedade e um estimulo a vida social desses moradores.

Todas essas acoes singulares tornam essas pessoas sujeitos de seus proprios processos de subjetivacao. Estes processos nao eram estimulados na antiga vida em regime tutelar. Hoje, nos SRTs, nao deve haver formas de controle de vida e nem tampouco formas disciplinares de coercao de atitudes. Os corpos nao mais sao aprisionados e sim postos em movimento e libertos para realizar acoes por si sos (4-6,8-11).

A reabilitacao passa pela recuperacao de um espaco domestico e intimo, por sua reinvencao, nao mais regulado por regras rigidas. O convivio atual dos moradores dos SRTs e resultante de um trabalho de reorganizacao profunda da vida ate em seus gestos mais rotineiros e elementares. E no cotidiano que muitas das atividades relacionadas a reproducao dos individuos estao envolvidas no trabalho domestico, concre tizando por meio de acoe s rotine iras e repetitivas que possibilitam a recriacao e transformacao no dia a dia dessas pessoas (9,10).

Os sujeitos aos poucos estao redescobrindo como e viver novamente em sociedade e que esse fazer e parte do habitar em casa, em seus proprios lares. Os SRTs nada mais sao que lares para esses sujeitos. Uma vida regular e composta de atividades diarias e realizadas com prazer, desencadeando sentimentos de pertenca tao necessarios, e gracas a essas pequenas acoes que demonstram a intensidade da insercao desses sujeitos no ambiente social do domicilio sao arrajos de evitacao para o sofrer verdadeiramente.

Assim, ao sairem de uma instituicao psiquiatrica para morar em suas proprias casas, habitar um novo espaco, faz parte do desejo de cada um deles. Essa possibilidade nao e algo simples, mas esta intimamente relacionado ao sentimento, ao processo de existir como pessoas, como cidadaos, como seres sociais reconhecidamente (11).

Relacoes externas insatisfatorias e estigmatizantes com os vizinhos

Quando as pessoas saem do manicomio, deparam-se com a violencia, que costuma partir de um processo de invalidacao, de negacao das possibilidades, que nao e correto, mas e o que comumente ocorre. As residencias terapeuticas sao servicos para ajudar no desenvolvimento das potencialidades dos expacientes em um ambiente no qual haja respeito, liberdade e seguranca. Para tanto, o processo de reabilitacao deve buscar a insercao dessas pessoas na rede de servicos, organizacoes e comunidade, inserindoos realmente na sociedade e levando-os a resgatar toda uma vida perdida em manicomios (2,3).

Um aspecto importante e que nao pode ser esquecido diz respeito ao local onde estao os SRTs e seus moradores. Essa nova moradia encontra-se inserida no espaco urbano--o bairro, desconhecido por eles e da qual tambem fazem parte, trocando relacoes com outros seres sociais e representando, a partir de entao, os habitantes. Essa inscricao de habitante se traduz por sinais sociais, no geral, preexistentes para todos que ali habitam (os vizinhos, a configuracao dos lugares, as diversas formar culturais presentes). A vizinhanca e um saberviver-com (12). Isso para os moradores dos SRTs e novo e inexistente. Impoe-se, assim, um duplo trabalho: aprender a viver fora dos muros manicomiais e a criar vinculos sociais, urbanos e afetivos que possam fincar-se como raizes pre-existentes.

Na compreensao da linguagem expressa pelos sujeitos, ao contemplarem esse novo habitar, surge o preconceito dos vizinhos traduzido no silencio, isto e, ato de nao lhes dirigirem a palavra ou no pedido de favores, como pegar algum material e leva-lo para suas casas--nao sao vistos como cidadaos, mas como objetos, subordinados ao mando de outros.

Com os vizinhos eu nao falo, fico aqui na porta, mas o pessoal nao fala nao. Aqui, acola um bom dia. Quando eles precisam para fazer alguma coisa, pegar material, botar para dentro de casa ou as compras da feira, ai eu vou e ajudo.. (E1)

Falo pouco com os vizinhos. Porque eles nao querem muita conversa. Eles tem medo da gente, tem preconceito. (E2)

Quando chegamos aqui tinha uma vizinha que pegava muito no nosso pe , ate essa calcada ela reclamava. Voltei a estudar depois, mas no colegio tem muita molecagem. Tinha dia que eu tinha raiva. Passei ainda um ano, sai de ferias e nao fui mais por que eu me sentia mal. Diziam coisas [...] e eu nao aguentava, chamavam de doida.. Nao gostava, eram umas brincadeiras pesadas. (E3)

Os vizinhos nao visitam a casa. Ninguem diz nada, nao fala nada. [...] eles la e nos aqui. (E5)

Os vizinhos discriminam a gente, so o dessa casa aqui do lado que fala com a gente. O resto fala com a cuidadora, mas nao fala um bom dia para a gente. (E7)

Os sujeitos retratam como e essa convivencia com o outro--o vizinho. O dialogo, quando existe, e pouco. Existe o preconceito e, consequentemente, o medo de se relacionarem com ex-internos de hospitais psiquiatricos. Essas atitudes negativas tambem estao e continuam presentes em outros espacos que rodeiam os novos habitantes do bairro--a escola. O modo como sao tratados pelos colegas de escola, intitulando-os de doidos e com brincadeiras desconfortantes quando descobrem serem ex-internos de instituicao psiquiatrica, remete a contribuicao da propria psiquiatria ao interpretar sentidos que se tornaram representacoes sociais como perigosos; incompreensiveis e incapazes.

O viver--com para esses moradores e praticamente inexistente. Ha um nitido distanciamento, como se pode perceber na fala de um depoente quando relata que nao e visitado. Essa indiferenca em relacao ao cliente dificulta a luta pela tao sonhada reinsercao social, pois, para que esta aconteca deve haver um convivio salutar em sociedade, da qual a vizinhanca faz parte.

Essa atitude de inseguranca dos vizinhos e dos colegas de escola para aceitar e compartilhar o novo relacionamento, mais uma vez reafirma o velho paradigma da exclusao do convivio social de pessoas com transtorno mental, lastreada por decadas, e ainda tao presente na realidade social. Tal inseguranca em relacao ao egresso de instituicoes asilares e vivida por esses moradores e por muitos outros que retornam as suas familias apos periodos de internacao. A logica tutelar difundida ao longo da historia da psiquiatria impoe a essas pessoas um significado de periculosidade para si e para os outros. Por isso, ainda ocorre, no imaginario popular, a defesa de que elas devem permanecer presas em enfermarias, contidas e disciplinadas (4-6,8-12).

Com isso a segregacao que ocorria em um espaco fechado, intramuros, agora se manifesta tambem fora dos muros manicomiais, perpassando pela vizinhanca, pela escola e quica por tantos outros espacos sociais. Os moradores nao podem conversar com seus vizinhos por que eles nao lhes dao oportunidades e, de forma estigmatizante, os excluem de dialogos, obrigando-os, de certa forma, a se limitarem ao espaco residencial.

A sociedade parece nao estar pronta para receber essas pessoas. A substituicao de instituicoes asilares por servicos como os SRTs nao e vista pela populacao como uma alternativa viavel. A cultura do medo e da atribuicao de incapacidade sao preconceitos que precisam ser reelaborados. As politicas publicas devem voltar-se para formas alternativas de superacao coletiva do estigma que continua a rondar a vida dessas pessoas.

CONCLUSAO

As relacoes que se estabelecem no interior dos SRTs sao demonstrados pelos sujeitos como um processo de readaptacao nas suas vidas, aprendendo a dividir e realizar tarefas. Alem disso, eles estao adentrando-se novamente ao meio social, descobrindo e se identificando com alguns espacos comuns a todos como: igrejas, shopping, zoobotanico, restaurantes, praias, lojas, escolas e outros.

A acentuada melhoria de vida e evidente. Eles se sentem bem com seu novo lar, com a nova casa e a mudanca da rotina de vida. Fazem comparacoes entre o que e viver em um ambiente hospitalar e em uma residencia terapeutica. Entretanto, essa nova moradia se insere no espaco urbano, com signos, simbolos, disputas e preconceitos. Assim, sentem--se di retamente atingidos pelo preconceito e pelo estigma que ainda permeia o coletivo social.

Portanto, considera--se que o SRT representa o caminho direto para alcancar as metas estabelecidas de readaptacao e reinsercao dessas pessoas na sociedade, mas para isso e necessario contar com o envolvimento de gestores, profissionais da saude e, principalmente, com a sociedade para quebrar o distanciamento e a exclusao existente.

No que tange a enfermagem, devem os profissionais aproximar--se mais desses servicos, trabalhar mais diretamente com seus moradores e buscar quebrar essa cortina de vidro entre eles e a sociedade.

Recebido em: 24.01.2011 Aprovado em: 09.11.2012

REFERENCIAS

(1.) Campos RO, organizador. Pesquisa avaliativa em saude mental: desenho participativo e efeitos da narratividade. Sao Paulo: Hucitec; 2008.

(2.) Ministerio da Saude (Br). Secretaria de Atencao a saude. Residencias terapeuticas: o que sao, para que servem. Brasilia (DF): Editora MS; 2004.

(3.) Belini MG, Hirdes A. Projeto morada Sao Pedro: da institucionalizacao a desinstitucionalizacao em saude mental. Texto contexto--enferm. 2006; 15:562-9.

(4.) Wachs F, Jardim C, Paulon SM, Resende V. Processos de subjetivacao e territorios de vida: o trabalho de transicao do hospital psiquiatrico para servicos residenciais terapeuticos. Physis. 2010; 20:895-912.

(5.) Santos Junior HPO, Silveira MFA, Oliveira CC. Alem dos muros manicomiais: conhecendo a dinamica das residencias terapeuticas. Rev Bras Enferm. 2009; 62:187-93.

(6.) Mangia EF, Marques ALM. Desinstitucionalizacao e servicos residenciais terapeuticos: novas perspectivas para o campo da reabilitacao psicossocial. Rev Ter Ocup Univ Sao Paulo. 2004; 15:129-35.

(7.) Bardin L. Analise de conteudo. Traducao de Luis Antero Reto e Augusto Pinheiro. 3- ed. Lisboa (Por): Edicoes 70; 2004.

(8.) Prandoni RFS, Padilha MICS, Spricigo JS. A reforma psiquiatrica possivel e situada. Rev enferm UERJ. 2006; 14: 357-65.

(9.) Marcos CM. A reinvencao do cotidiano e a clinica possivel nos servicos residenciais terapeuticos. Psyche. 2004; 8(14):179-90.

(10.) Rosa LCS. Transtorno mental e o cuidado na familia. 2- ed. Sao Paulo: Cortez; 2008.

(11.) Sztajnberg TK, Cavalcanti MT A arte de morar... na Lua: a construcao de um novo espaco de morar frente a mudanca do dispositivo asilar para o servico residencial terapeutico. Rev Latino-am psicopatol fundam. 2010; 13:457-68.

(12.) Mayol P Morar. In: Certeau M, Giard L, Mayol P A invencao do cotidiano 2: morar, cozinhar. 9- ed. Petropolis (RJ): Vozes; 2009.

Claudete Ferreira de Souza Monteiro [I]

Taiane Soares Vieira [II]

Ivalda Silva Rodrigues [III]

Adriana da Cunha Meneses Parente [IV]

Marcia Astres Fernandes [V]

[I] Doutora em Enfermagem. Professora da Universidade Federal do Piaui. Grupo de Estudos sobre Enfermagem, Violencia e Saude Mental. Teresina, Piaui, Brasil. E-mail:claudetefmonteiro@hotmail.com

[II] Mestre em Enfermagem. Especialista em Unidade de Terapia Intensiva. Teresina,Piaui, Brasil. E-mail: supertai@hotmail.com

[III] Graduanda de enfermagem da Universidade Federal do Piaui. Teresina, Piaui, Brasil. E-mail: ivaldinha@hotmail.com

[IV] Mestre em Enfermagem Psiquiatrica. Professora da Universidade Federal do Piaui. Grupo de Estudos sobre Enfermagem, Violencia e Saude Mental. Teresina, Piaui, Brasil. E-mail: adriana.parente@uol.com.br

[V] Mestre em Enfermagem. Doutoranda em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirao Preto da Universidade de Sao Paulo. Professora da Universidade Federal do Piaui. E-mail: m.astres@bol.com.br
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Title Annotation:Original Research/Artigo de Pesquisa/Articulo de Investigacion
Author:Monteiro, Claudete Ferreira de Souza; Vieira, Taiane Soares; Rodrigues, Ivalda Silva; Parente, Adria
Publication:Enfermagem Uerj
Date:Dec 1, 2012
Words:3502
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