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LUZ E COTIDIANO: IDEIAS PREVIAS DE ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL SOB A PERSPECTIVA DA ALFABETIZACAO CIENTIFICA/LIGHT AND EVERY DAY: PREVIOUS IDEAS OF STUDENTS OF FUNDAMENTAL EDUCATION UNDER THE PERSPECTIVE OF SCIENTIFIC LITERACY/LUZ Y COTIDIANO: IDEAS PREVIAS DE ALUMNOS DE LA ENSENANZA FUNDAMENTAL BAJO LA PERSPECTIVA DE LA ALFABETIZACION CIENTIFICA.

Introducao

A atual sociedade esta sendo marcada por avancos cientificos e tecnologicos que estao influenciando a vida das pessoas nas mais diversas formas, implicando assim em novas caracteristicas na maneira de ser e de viver individual e coletivamente. Em vista disso, a educacao se torna um desafio e pontualmente, o ensino de ciencias nao vai responder as necessidades de uma alfabetizacao cientifica se restringir-se a apenas em explicar os conceitos cientificos ou relatar descobertas e teorias descritivas, pois a necessidade e para alem disso, uma vez o processo de ensinar tem funcao social de preparar os individuos a tomarem decisoes e intervirem na sociedade onde vivem (MOREIRA, 2006; SANTOS, SCHNETZLER, 2003; CARLETTO, LORENZETTI, VIECHENESKI, 2012; SASSERON, 2015).

Nesse contexto, planejar o ensino de ciencias carrega um papel especifico, o de contribuir para que os alunos construam conhecimentos de ciencias e avancem na autonomia no pensar e no agir, concebendo a relacao de ensino e a forma de aprendizagem como uma relacao entre sujeitos e, sobretudo, contribuir para que atinjam padroes mais elevados de alfabetizacao cientifica, dando outro formato nos questionamentos, proposicoes e tomadas de decisao (BRASIL, 1997, CARLETTO, LORENZETTI, VIECHENESKI, 2012).

A literatura especifica defende que nos primeiros anos da fase escolar e de suma importancia que seja dada a crianca oportunidades de envolver-se em situacoes, onde ela possa testar hipoteses, questionar, experimentar, expor suas ideias e debater com as de outros (ROSA, PEREZ, DRUM, 2007). Nesse sentido, o professor tem o papel de proporcionar um ambiente propicio a perguntas e reflexoes, instigando os alunos a levantarem ideias e elaborar conceitos sobre as mutualidades entre o ser humano, fenomenos naturais, o meio ambiente e as tecnologias (SOBRAL, TEIXEIRA, 2001). De acordo com ROSA, PEREZ, DRUM (2007 p. 362):
Ao ensinar ciencias as criancas, nao devemos nos preocupar com a
precisao e a sistematizacao do conhecimento em niveis da rigorosidade
do mundo cientifico, ja que essas criancas evoluirao de modo a
reconstruir seus conceitos e significados sobre os fenomenos estudados.
O fundamental no processo e a crianca estar em contato com a ciencia,
nao remetendo essa tarefa a niveis escolares mais adiantados.


Assim, defende-se um ensino de ciencias nos primeiros anos de escolaridade ressaltando processos que levem a iniciacao da alfabetizacao cientifica, proporcionando a elaboracao dos primeiros significados sobre os elementos de mundo, dando a eles a possibilidade de compreender e atuar ativamente na sociedade em que se encontram inseridos (FERRACIOLI, 1999; VITORASSO, 2010; CHAGAS, SOVIERZOSK, 2014).

1. Ideias Previas dosAlunos e aArgumentacao Cientifica no Ensino de Ciencias

Ideias previas dos alunos consistem em tudo aquilo que os aprendizes ja trazem ao chegar em sala de aula, ou seja, todo o conjunto de saberes/conhecimentos/informacoes que eles carregam em seus imaginarios e cognitivos, obtidos ao longo de suas vidas por meio de interacoes com o mundo natural e social, e que lhes servem como norteamento para a vida, bem como para situar-lhes no processo de aprendizagem escolar (CHAGAS, SOVIERZOSKI, 2014; MOREIRA, 2006; SOBRAL, TEXEIRA, 2001).

A autora ALEGRO (2008) ao comentar sobre o percurso do processo de aprendizagem dos alunos, exalta o conhecimento previo como o fator mais importante na determinacao dinamica do processo de ensino, pois este favorece e contribui para a valorizacao do conhecimento como individuo que aprende. CARLOS, SANTANA (2013) destacam ainda que quando os conhecimentos previos dos alunos sao tratados como parte do processo, a compreensao por parte dos mesmos se torna mais rapida e eficiente. Nesse sentido, entende-se que e preciso estabelecer uma relacao entre os conhecimentos previos dos alunos com a materia a ser implementada em sala de aula, sempre relacionando com os saberes ja existentes. CHAGAS, SOVIERZOSKI (2014) destacam ainda que colocar o conhecimento previo como ponto de partida para abordar um novo conhecimento, o professor contribui para o a construcao de novos saberes, bem como proporcionar a expansao do conhecimento adquirido anteriormente, na perspectiva de construcao de novos significados. Esse encaminhamento de ensino e de aprendizagem reflete o conceito de ancora, definido por Ausubel como uma compreensao especifica que se edifica na ordenacao cognitiva do individuo, permitindo-lhe dar sentido a novos conhecimentos que lhes sao apresentados ou descobertos por eles mesmos (MOREIRA, 2006).

Pesquisas tem revelado que o emprego ou associacao entre o que o individuo ja sabe e o tema apresentado na aula de ciencias das escolas do Ensino Fundamental ainda e, de maneira geral, uma pratica timida, logo simboliza uma potente barreira para a construcao de significados para os alunos por meio do no ensino de ciencias (HERNANDEZ, 1998; FERRACIOLI, 1999). Diante do exposto, defende-se que as vivencias e experiencias que o individuo traz consigo conseguem favorecer novas aprendizagens, portanto, e necessaria uma atualizacao nas abordagens e metodologias educacionais, no sentido de aprimorar o nivel de ensino aos alunos, ressaltando oportunidades para que expressem seus conhecimentos previos e a partir deles ampliem os conhecimentos recebidos na escola no caminho de perceber o mundo, pensar e argumentar cientificamente (MOTA, PEREIRA, 2002; VITORASSO, 2010). No tocante ao saber argumentar cientificamente entende-se que esse proceso so sera possivel quando os alunos estiverem constituidos de competencias que levem ao saber refletir, criticar, sugerir, assegurar, examinar e aprimorar ideias desenvolvidas dentro de um ambiente em que o discurso pedagogico de oportunidade para a construcao e reconstrucao das explicacoes vindas dos alunos, fazendo com que eles sejam capazer de defender suas conviccoes e tendo como suporte elementos advindos de constatacoes para alem daqueles inerentes do fazer ciencia empriricamente (COSTA, 2008; SANTOS, 2007; SASSERON, 2015).

Quando se pensa em desenvolver o ensinar ciencias na perspectiva de construir a capacidade de argumentar cientificamente significa adentrar em um universo que tem a clara necessidade de criar condicoes de aprendizagem em um discurso particular, mas voltado para um contexto geral, sabendo asimilar uma estrutura especifica com linguagem baseada em esquemas, formulas, tabelas, graficos, diagramas, etc (SANTOS, 2007, CHASSOT, 2003). Segundo COSTA (2008) preparar os alunos para que saibam desenvolver argumentos cientificos incorre na necessidede de demonstrar que "a construcao do conhecimento cientifico e um processo em transito no qual as ciencias sao questionadas, e, muitas vezes, mudadas ou revistas".

2. Indicadores de Alfabetizacao Cientifica em registros escritos e graficos de alunos

A escola tem a funcao de preparar o aluno para diversas situacoes da vida, por isso, deve delinear metodos de ensino mais significativos que despertem a autonomia dos estudantes e principalmente estimulem o interesse em aprender (SANTOS, SCHNETZLER, 2003; HERNANDEZ, 1998). No tocante ao conhecimento cientifico, a propria dinamica da construcao do saber cientifico ja demonstrou que nao existem leis e/ou teorias prontas e acabadas como verdades absolutas, e sim, a constante busca em relacionar os dados extraidos dos fenomenos da natureza para formular explicacoes e saberes, conformando-se em um movimento que envolve uma relacao entre as ideias significativas culturalmente e as ideias anteriores relevantes da estrutura cognitiva (MOREIRA, 2006). Dessa forma, a ciencia e o resultado desta construcao cognitiva, da reflexao e da conexao das relacoes e da observacao de causas, portanto, pode-se dizer que a construcao do conhecimento se da como uma constituicao intrinseca da sociedade e conhecimento, ou seja, estruturacao de saberes decorrentes de investigacao cientifica, ideologica e filosofica (WERNECK, 2006).

No campo do ensino de ciencias, a literatura especifica defende que o professor deve propor situacoes problematizadoras relacionando-as com o cotidiano dos alunos, em um movimento de proposta onde os estudantes explorem campos do saber dentro e fora da escola. Pontua-se tambem que os alunos devam aprender estimulados por diversas estrategias proprias do ensino de ciencias como a busca, a ordenacao, a analise, a interpretacao e representacao da informacao, entre outros elementos no sentido de propiciar uma valorizacao na relacao entre pratica e teoria, e assim, transformar o aluno como protagonista da construcao do seu conhecimento, bem como estimular a alfabetizacao cientifica (BRUM, SCHUHMACHER, 2014; HERNANDEZ, 1998).

O termo Alfabetizacao Cientifica e usado para expressar como ocorre a interacao dos alunos com uma cultura baseada em saberes cientificos, para uma nova forma de ler o mundo e seus desdobramentos, sob a luz de linguagem cientifica para o desenvolvimento de habilidades que expressem o saber e fazer cientifico (SASSERON, CARVALHO, 2010). SASSERON (2015) conceitua a Alfabetizacao Cientifica como sendo um processo continuo, pois ela nao finda em si mesma, assim como a propria ciencia, e ao mesmo tempo deve estar constantemente em desenvolvimento, na busca de novos resultados pela analise de novas situacoes, da mesma forma, sao esses patamares que pertubam os processos de construcao de percepcoes e de posicionamentos e decisoes, bem como salientam a necessaria relacao entre a sociedade e as distintas areas de saberes ampliando seus universos e seus olhares analiticos.

A promocao de alfabetizacao cientifica nos primeiros anos escolares proporciona a construcao das primeiras interpretacoes criticas sobre o mundo, portanto, auxilia para alem de ampliar os conhecimentos dos alunos, mas tambem sua possibilidade de compreensao de mundo, de ampliacao de cultura e participacao ativa no ciculo social do qual que se encontra inserido (CARLETTO, LORENZETTI, VIECHENESKI, 2012).

Com a finalidade de analizar nas diversas situacoes educacionais, como as habilidades e a alfabetizacao cientficia estao sendo implementadas em salas de aulas de ciencias desde as series iniciais do ensino fundamental, SASSERON, CARVALHO (2008) propoem indicadores que vislumbram o processo de desenvolvimento da Alfabetizacao Cientifica, no tocante a construcao da compreensao sobre tematicas em ciencias naturais que se processam em sala de aula e pontuam o papel participativo dos estudantes na dinamica da apropriacao dos conteudos curriculares propostos para as ciencias.

Os indicadores de AC, segundo as autoras mencionadas encaixam-se nos seguintes topicos: (a) do trabalho com os dados e com as informacoes disponiveis seja por meio da organizacao, da seriacao e da classificacao de informacoes; (b) do levantamento, classificacao das informacoes e ao teste de hipoteses construidas pelos estudantes; (c) do raciocinio proporcional ultrapassando a demonstracao da estrutura do pensamento, e estabelecimento de explicacoes sobre fenomenos em estudo, buscando justificativas para torna-las mais robustas e estabelecendo previsoes delas advindas; (d) ao uso do raciocinio logico que durante a investigacao trata-se da exposicao do pensamento de acordo com a forma como as ideias se desenvolvem, proporcionando a comunicacao de ideias em situacoes de ensino e aprendizagem.

3. Ensino de ciencias nas series iniciais e os conceitos sobre fenomenos naturais

Segundo os documentos legais que regem a educacao nacional, o ensino de ciencias nas series iniciais deve fazer sentido para o aluno e assisti-lo no ressignificar o mundo fisico, alem de contribuir a reconhecer o seu papel ativo como sujeito nas decisoes individuais e coletivas (BRASIL, 1997). Esse ensino deve entao, apresentar-se para alem do desenvolvimento do raciocinio logico e racional do aluno, proporcionando a participacao ativa do aluno no processo de aprendizagem pela compreensao dos fatos do cotidiano e entao leva-lo a resolucao de problemas praticos (SANTOS, 2007).

Dessa forma, faz-se necessario que o ambiente de ensino apresente um espaco favoravel a perguntas, a reflexoes e a investigacao cientifica, dando aos alunos oportunidades para levantar conjecturas e construir conceitos sobre os fenomenos naturais, sobre os seres vivos e sobre as inter-relacoes entre o homem, o ambiente e desenvolvimento/uso de tecnologias (ROSA, PEREZ, DRUM, 2007). Ao estudar os fenomenos naturais da-se aos alunos a possibilidade de relacionar os conhecimentos cientificos ja existentes a percepcao do que acontece na natureza e ao seu redor. Diante disso, podem discutir suas observacoes pelo vies de explicacoes cientificas, elaborar questionamentos, analisar sua relacao com a natureza, a sociedade, a qualidade de vida, e comparar com os outros tipos de conhecimentos ja presentes em suas ideias previas (MARQUEZ, IZQUIERDO, ESPINET, 2003).

Entende-se, portanto, que ao se tratar o curriculo de ciencias priorizando o estudo de fenomenos naturais que ocorrem no espaco de vivencia dos estudantes, como por exemplos, a chuva, as variacoes das mares, as ventanias, a emissao de luz entre outros temas, se cria oportunidades em potencial para aprendizado significativo como ponto de partida para que eles comecem a pensar na relacao do homem com a natureza. O reconhecimento dos elementos da natureza e a correlacao da acao do homem sobre eles contribuem para a formacao de aspectos importantes na formacao do individuo, assim, os fenomenos naturais pontuais devem ser verificados pelos estudantes para fazer com que elas identifiquem as relacoes com os fenomenos naturais do mundo (SANMARTI, 2014).

Baseado nessas discussoes, acredita-se que o tema luz e suas propriedades e um conteudo pouco abordado em salas de aulas de ciencias nas series iniciais das escolas brasileiras. A literatura relata uma maior incidencia de abordagem deste tema presente no Ensino Medio (EM), e quando se trata da natureza da luz trabalhado no Ensino Fundamental, pesquisas divulgadas mostram que se resumem a exemplos utilizados no dia a dia dos estudantes que geralmente limitam-se a explicacoes no alcance do senso comum, utilizando pouco ou nada de conceitos fisicos, quimicos ou matematicos. E neste sentido que a questao norteadora desta investigacao se configura no sentido de entender: O que alunos do nivel de Ensino Fundamental sabem sobre a luz que utilizam no seu cotidiano? Ressalta-se que a curiosidade dos estudantes da faixa etaria da fase regular deste nivel de ensino (09 a 11 anos) e propulsante para as diversas formas de examinar e resolver situacoes problemas, e assim, favorece ao processo de alfabetizacao cientifica. Portanto, as atividades no ensino de ciencias que estimulem indagacoes e interesses pelas explicacoes podem vir a ser fator de motivacao para o trabalho tanto do professor como para o sucesso da apropriacao de linguagem cientifica dos alunos.

4. Percurso metodologico

O presente trabalho seguiu a perspectiva da pesquisa qualitativa, uma vez que se direcionou para verificacao da construcao do conhecimento de estudantes do Ensino Fundamental, interessando-se pontualmente nas interpretacoes dos participantes sobre o conceito e utilidade da luz em seus cotidianos. Ressaltamos que o trabalho teve como objetivo central levar os alunos a pensarem e nos revelarem o que entendem sobre a luz como fenomenos da natureza em seu cotidiano. Sob essa otica, os aspectos dos procedimentos tecnicos da pesquisa qualitativa consideram a influencia interpretativa de crencas e valores sobre uma teoria, sobre um metodo e sobre a interpretacao de resultados. (GUNTHER, 2010; LUDKE, ANDRE, 2015; STRAUS, CORBIN, 2008).

Neste sentido, a pesquisa adentra nos preceitos de um estudo de caso, com o objetivo de identificar indicadores de alfabetizacao cientifica (IAC) no processo de aprendizagem durante as aulas de ciencias, promovidas em escolas da cidade de Codo/Maranhao. Ressalta-se que o municipio de Codo se encontra localizado ao leste do estado do Maranhao em uma area conhecida e denominada como regiao dos cocais maranhenses, por conta de suas caracteristicas ambientais peculiares. A cidade possui populacao estimada para 2018 de 122.597 habitantes, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE). O campo pontual da pesquisa constituiu-se por um grupo de estudantes do 5 ano do Ensino Fundamental de uma escola situada na zona urbana da cidade de Codo-Maranhao.

Para coleta de dados, foi utilizado questionario semiestruturado para registro escrito e grafico (desenhos) elaborados pelos sujeitos da pesquisa, aplicado em uma sequencia didatica sob a tematica luz e cotidiano. Segundo GIL (2010) o questionario e um instrumento de investigacao em que os sujeitos de pesquisa podem se expressar por meio de respostas abertas ou desenhos, sendo possivel conhecer suas crencas e valores, opinioes, sentimentos e expectativas. Nessa otica, a intencao do questionario desta pesquisa foi no sentido de verificar o processo de estruturacao dos argumentos vindos das explicacoes dos estudantes a partir das ideias previas sobre fenomenos da natureza, apontando indicadores de alfabetizacao cientifica (SASSERON, 2015). Ressalta-se que o tema luz no cotidiano foi escolhido por estar presente no rol de conteudos dos programas curriculares dos alunos desse nivel de ensino e ser normalmente trabalhado superficialmente. Pontualmente, intencionou-se verificar elementos, no tocante a indicadores de alfabetizacao cientifica em respostas que se direcionassem para abordagem de conceitos sobre conhecimento/uso e/ou sua funcao no cotidiano das pessoas.

Para analise dos dados e identificacao IAC foi escolhida a tecnica de extracao dos significados explicitos e implicitos por analise de conteudo das respostas apresentadas pelos estudantes, dando atencao as interacoes estabelecidas em situacao de aprendizagem (BARDIN, 2002; FRANCO, 2008). A analise de conteudo constitui-se em uma tecnica prevista nos procedimentos de pesquisa qualitativa usada para retratar interpretativamente o conteudo de todas variedades de documentos e textos, por retirada de unidades de significados dos conteudos analisados (signos), estruturando uma descricao sistematica nos aspectos quanti e qualitativamente, levando a uma releitura das mensagens para alem de uma leitura comum.

Portanto, a analise das respostas dos alunos seguiu-se por extracao dos signos mais recorrentes que representassem as questoes levantadas e estes foram agrupados em um sistema de categorias a partir de eixos de interesse de discussao e organizados em blocos de analise para verificacao de presenca de indicadores de alfabetizacao cientifica e a partir destes, buscou-se responder a questao de interesse desta pesquisa (SANMARTI, 2014; PIPETONE, 2012). Os blocos norteadores da analise dos dados basearam-se na perspectiva de temas que foram nomeados de: (i) Definicao de luz; (ii) Importancia da luz para o cotidiano. No quadro 01, demonstram-se os blocos criados nesta pesquisa e as perguntas que nortearam as respectivas discussoes.

Como aporte para analise dos registros escritos dos alunos considerou-se a proposicao de um dos eixos estruturantes das aulas de ciencias para construcao de AC, denominado por SASSERON (2015) como "compreensao basica de termos, conhecimentos e conceitos cientificos fundamentais". Sob esta otica, fez-se uso de cinco indicadores de alfabetizacao cientifica, para verificar quais habilidades estao mais desenvolvidas nos alunos do EF, a saber: (i) raciocinio logico; (ii) raciocinio proporcional, (iii) justificativa, (iv) previsao, (v) explicacao. Segundo as autoras o raciocinio logico corresponde ao modo como as ideias sao expandidas e esta intimamente relacionada a forma de sua exposicao. Ja para o raciocinio proporcional compreende-se a estrutura de organizacao do pensamento a partir de variaveis e interdependencias demonstradas entre elas. A justificativa aparece quando o aluno usa uma afirmacao assegurada em uma garantia para o que e proposto. Ja a previsao e explicitada quando se afirma uma acao e/ou fenomeno que decorre de alguns acontecimentos e, por fim, a explicacao e advinda quando o aluno lanca mao de informacoes e hipoteses ja levantadas.

No que se refere aos registros graficos, buscou-se considerar dois elementos como parametros para referencia no encaminhamento da especificacao dos indicadores de alfabetizacao cientifica, a saber: cooperacao e especializacao (MARQUEZ, IZQUIERDO, ESPINET, 2003). Estes elementos nortearam a verificacao da interdependencia entre as duas formas de comunicacao proposto aos alunos, escrita e desenho, entendendo-se que o desenho e mais uma forma de comunicacao para construcao de significados e explicacao de fenomenos em que os alunos ao refletirem sobre luz podem demonstrar suas ideias extraidas dos meios em que vivem e frutos de escola, por isso, pode-se identificar outros indicadores alem dos que ja foram mencionados. A categoria cooperacao manifesta--se quando um desenho reitera o que ja foi dito de forma escrita, sem nenhuma informacao adicional, portanto, apresentando a mesma funcao. Ja a categoria especializacao concerne para a apresentacao de informacoes adicionais nao demonstradas na parte escrita, complementando e melhorando o discurso escrito.

5. Resultados e discussoes

Os resultados serao apresentados em duas secoes. A primeira deleas trara a analise do conteudo das respostas escritas dos alunos e a segunda concentrara na analise dos desenhos elaborados por estes. Partiremos da caracterizacao dos sujeitos que buscou identificar as principais peculiaridades dos personagens desta pesquisa.

5.1 Caracterizacao dos Sujeitos

A pesquisa foi realizada no periodo de marco a dezembro de 201 7, tendo como participantes 17 alunos com idade entre 09 e 10 anos de uma turma do 5 ano do Ensino Fundamental da cidade de Codo/Maranhao. O tema luz no cotidiano das pessoas foi escolhido por que se tratar de um dos conteudos que esta presente no curriculo da area de ciencias e por muitas vezes trabalhados de forma superficial e pouco explorado, embora seja fenomeno diario na vida das pessoas.

Com o conhecimento e permissao da escola, os alunos-sujeitos desta pesquisa foram convidados a participar do trabalho, porem, ressalta-se que nao houve nenhuma modificacao na dinamica de rotina de aulas dos alunos. Os dados desta pesquisa sao oriundos de respostas de um questionario destinado a esses alunos contendo 03 questoes, todas abertas, aplicadas apos uma sequencia didatica desenvolvida em 12 aulas, com duracao de 04 semanas, dentro da unidade didatica denominada de "Terrestre: Producao do Ecossistema". Pontua-se que os sujeitos desta pesquisa serao mencionados por letras do alfabeto portugues, seguidos de numeracao por definicao de grupo pelas analises.

Iniciou-se o trabalho apresentando a tematica e lancando um questionamento-chave para as discussoes intitulado de: Luz e energia? A metodologia aplicada para o inicio dos trabalhos foi por meio de discussoes abertas e de uso de documentario como recurso audiovisual para que os alunos fossem incitados a refletirem sobre a tematica de uma maneira geral. Ainda na primeira semana de trabalho foi discutido em sala de aula, as formas de energias para que os alunos compreendessem sobre a energia luminosa, energia no dia a dia e as transformacoes de energia. Nessa etapa, foi aplicada a primeira sessao de perguntas que corresponde ao primeiro bloco de analise. Na segunda semana de aula, solicitamos aos alunos que respondessem ao questionamento correspondente ao segundo bloco de analise e logo apos abordamos os temas luz e visao, luz e sombras, energia termica e calor. Na terceira e quarta semana, os conteudos trabalhados foram: efeitos do calor, condutores de calor, eletricidade e magnetismo e da mesma forma, iniciamos os trabalhos apos os alunos terminarem a atividade proposta no segundo bloco de analise. Toda a sequencia didatica foi planejada pela equipe da pesquisa, com consentimento da professora da sala e sendo aplicada pela propria pesquisadora. Para este trabalho, foram analisados somente dados advindos das respostas escritas e grafica dos alunos.

5.2 Analise dos Registros Escritos: Perguntas Norteadoras de Reflexao

Em relacao a pergunta norteadora do bloco I e II para registro escrito, e importante esclarecer que a intencao principal destes blocos de analise foi verificar o nivel argumentativo dos alunos presentes em suas informacoes pelas percepcoes sobre a luz utilizada no seu cotidiano associada a sua composicao e funcoes. Tem-se ciencia de que existem diferentes formas de se pensar sobre os fenomenos da natureza que estao presentes diariamente ao nosso redor e que alguns deles passam despercebidos por estarem naturalizados pelas pessoas e, portanto, nao sao fontes de questionamentos, como por exemplo, indagar-se do que e feito, ou ainda porque do existir e/ou para que existir. Esse panorama e corroborado por nao se ter a cultura de associar o cotidiano e os fenomenos da natureza em aulas de ciencias, conforme salienta muitas pesquisas da area de ensino de ciencias.

Assim, verificou-se pela analise das respostas do bloco I--definicao de luz: composicao e fonte--que os alunos ao serem instigados para reflexao sobre a definicao de luz e do que ela e feita, as suas respostas apontaram resultados em tres direcoes, classificados em segmentos, a saber: (i) Luz com fonte natural sendo definida de "claridade" (48%), (ii) Luz com fonte artificial sendo nomeada de energia eletrica (10%), (iii) Respostas evasivas (42%). Os signos que remeteram a luz natural, os alunos e alunas explicaram que essa luz e uma especie de "fenomeno" que gera uma "claridade", portanto e uma luz "natural que tem como fonte a natureza", por que pode ser vinda do sol (22%) ou vinda de outros caminhos como por exemplo, razoes de cunho religioso (26%). Ja sobre a luz artificial, a definicao dada pelos estudantes, um pouco menos comentada, porem, explica que essa luz "ilumina", e que e uma fonte artificial advinda de tecnologia gerada pelo homem (10%).

E importante ressaltar que houve tambem uma quantidade significativa de respostas consideradas pela analise das autoras como evasivas no primeiro bloco de perguntas, tendo um percentual de 42%. Chamou-se de respostas evasivas aquelas que nao fazem referencia ou sentido significativo perante as perguntas feitas, ou seja, foram incoerentes ou distantes de entendimento minimo e basico dos fenomenos investigados. Este fato nos remete a pensar que os alunos chegados no nivel do ensino fundamental nao sao instigados a pensar criticamente sobre assuntos que envolvem ciencias presente nos seus cotidianos, portanto, nunca tiveram reflexoes sobre o tema em questao (e outros), mesmo tendo um leque de alternativas bem visiveis ao seu redor. Este e uma percepcao preocupante, pois denota a falta de correcao entre o que se estuda em ciencias desde cedo e o conhecimento que se aplica no cotidiano do sujeito em formacao.

Em relacao ao segundo bloco II - a importancia da luz para a vida - os alunos responderam ao questionamento fazendo referencia a funcao da luz a partir da ideia apontada sobre a concepcao de definicao de luz (mostrada no primeiro bloco), e dai, organizaram seus discursos na direcao dos segmentos luz natural e luz artificial. Dessa forma, foi detectado como signo mais recorrente citado por todos os alunos e toda as alunas que a luz natural que e a luz solar tem sua importancia baseada na funcao de diferenciar o dia da noite (52%) e de possibilitar atividades como brincar (44%), enxergar (22%), estudar (16%), passear (10%), dar vida a plantas (8%). Ja a Luz Artificial (luz eletrica) tem sua importancia marcada por ajudar o homem (48%), ser uma necessidade do homem como motivo maior de sua existencia e como a luz natural possibilita as mesmas atividades exceto dar vida para plantas, pois essa seria exclusiva para luz natural.

Outros pontos marcantes que foram identificados nas citacoes dos estudantes e que eles e elas entendem que a energia eletrica foi feita pelo homem decorrente de estudos e de avancos cientificos (12%) e que esta presente em toda as casas e locais de convivencia humana (89%). Nesse ultimo ponto, 11% dos alunos indicaram que algumas residencias nao tem este tipo de energia, mas nao souberam explicar o porque. De uma maneira geral, nao foi mencionado por nenhum aluno e nenhuma aluna a composicao, origem e formas de recepcao deste tipo de luz.

Compreendeu-se que a percepcao de luz artificial dos alunos tem relacao direta com a perspectiva da ciencia, tecnologia e sociedade, uma vez que os registros escritos revelam a luz fazendo parte de um contexto autentico e dinamico como o homem numa inter-relacao que mostra compreensao natural de mundo e a tecnologia aplicada ao meio social, portanto a funcao da luz eletrica ultrapassa a funcao de "iluminar/clarear" algum ambiente. Segundo CARMO (2017) viver em um ambiente onde nao existem lampadas, portas, janelas e nada que de acesso ao universo exterior, seria assim caracterizado como um lugar triste e obscuro. No que tange a construcao social e cientifica do conhecimento dos estudantes sobre o conteudo de luz, de uma maneira geral, entendeu-se que o discurso se trata de uma percepcao ainda rasa e mais concentrada no senso comum.

Pontua-se ainda que os instrumentos/recursos didaticos utilizados na escola, como por exemplo, os livros de ciencias das series iniciais definem de maneira geral que o sol e a principal fonte de energia da terra, alem de fornecer luz e calor para o planeta. Segundo FRACALANZA, NETO (2006) os livros didaticos trabalham em seus textos e figuras questoes importantes para a construcao de conceitos e explicacoes sobre fenomenos naturais como formacao de padroes climaticos, o aquecimento dos mares, a formacao de correntes oceanicas e o movimento da atmosfera, logo, e compreensivel o entendimento dos alunos ao associarem principalmente a luz como algo que venha da natureza e que proporciona vida e beneficios aos seres vivos (animais, vegetais e seres humanos). A tabela 1 demonstra os indicadores sistematizados na interpretacao dos argumentos contidos nas falas dos alunos.

5.2.1 Analise dos Desenhos Elaborados pelos Alunos e Correlacao com o Discurso Escrito

No que diz respeito aos desenhos solicitados aos alunos buscou-se identificar as informacoes acrescidas as respostas para se ter um panorama mais completo da construcao dos seus argumentos sobre o tema em questao, adotando dois tipos de relacao entre os modos semioticos de discurso: a cooperacao e a especializacao (MARQUEZ, IZQUIERDO, ESPINET, 2003). Assim, nesta sessao analisar-se-a as respostas dos alunos fazendo alusao a forma de comunicacao por desenhos, ou seja, alem da resposta escrita, atentou-se para o que as imagens estruturadas nos desenhos dos alunos adicionavam as suas respostas escritas, pelo vies da cooperacao ou da especializacao. Varios autores defendem o uso de variadas estrategias de esnino para auxiliar no proceso de aprendizagem, inclusindo nesse universo o uso de desenhos como esquema para clarificar ideias e/ou complementar entendimento sobre informacoes que se pretende apresentar, uma vez que fazer uso somente da escrita e mais efetivo quando os alunos ja tem uma ideia organizada sobre o assunto em desenvolvimento (SANMARTI, 2014; MARQUEZ, IZQUIERDO, ESPINET, 2003).

O bloco I, que tratou da definicao de luz, os resultados observados pelos desenhos dos alunos enquadram-se nos mesmos segmentos de definicao relatados no discurso escrito, referindo-se a luz natural e luz artificial, numa proporcao de 94% e 64%, respectivamente. Em relacao a luz natural, os desenhos apresentam-se integralmente no modo da categoria denominada de cooperacao, uma vez que retratam unicamente o sol, como promotor da luz solar, conforme comentado no discurso escrito, nao sendo acrescido nenhuma outra informacao complementar (Figura 1).

No que se refere a luz artificial, alguns desenhos se apresentam nas duas categorias de analise, da seguinte forma: 58% cooperacao, 17% especializacao. No campo da especializacao, assinala-se, por exemplo, os desenhos dos alunos A1, A2 e A3 que especializam os discursos propostos no texto escrito quando colocam nos desenhos os aparelhos domesticos em funcionamento, em ambientes definidos nas residencias, ressaltando expressoes de felicidade dos usuarios e sendo utilizada mesmo na presenca da luz natural (Figura 2). Ressalta-se ainda que, alguns alunos nao se expressaram por meio de desenhos, ou seja, nao apresentarem os desenhos solicitados, portanto nao se encaixaram no contexto dessas discussoes.

No que se refere ao Bloco II, os resultados obtidos pelas analises dos desenhos revelaram tres encaminhamentos nas respostas dos alunos em relacao ao entendimento da importancia da luz, inseridos nas mesmas categorias advindas dos registros escritos: luz natural e de luz artificial. Nesse sentido, subcategorizou-se os signos mais recorrentes em tres grupos, conceituando-os por grupo A, grupo B e grupo C, em uma dimensao analitica denominada de para quem e a importancia da luz. Sendo assim, 41% (7) dos desenhos fizeram mencao a importancia da luz para as atividades cotidianas do homem - Grupo A (figura 3), 36% (6) apontaram para a necessidade das plantas - Grupo B (figura 4) e 23% (4) direcionadas aos animais - Grupo C (figura 5). Para retratar as discussoes, selecionamos os desenhos de 03 alunos, sendo um de cada grupo ja referido, conforme mostra a figura 3.

O grupo A que teve 41% dos desenhos com alusao ao homem, salientou proporcao quantitativa relacionada as definicoes de luz da seguinte forma: natural (23%) e artificial (76%). Nos que se referem a luz natural, todos foram considerados como desenhos de cooperacao uma vez que, assim como revelaram os registros escritos, a luz natural aparece no convivio com a natureza, nos momentos de lazer e para diferenciacao entre o dia e noite. Ja os que fizeram alusao a luz artificial, apenas dois desenhos especializaram as informacoes escritas, como no caso do desenho pertencente ao aluno A1 que representa essa importancia da luz eletrica retratando as atividades diarias e o conforto proporcionada pela presenca da luz. No registro deste aluno percebe-se a clara intensao de demonstrar a iluminacao por energia artificial para usufruir de comodidade e dos aparatos tecnologicos de funcoes domesticas, como a iluminacao de interior de casa, assistencia a televisao e congelamento de alimentos.

Ja no grupo B, pontua-se que nao foi observado relato grafico que remetesse a luz artificial, logo os desenhos centraram-se por retratar a importancia da luz natural para a vida das plantas, representando 36% das citacoes dos alunos. O desenho do aluno B3, por exemplo, evidencia a luz solar atuando ou favorecendo no crescimento e desenvolvimento das arvores, flores e gramas. Entendeu-se que o aluno associou este fato pelos estudos ja desenvolvidos em series anteriores que assinalaram a intervencao da luz para crescimento e presenca de tipos de vida, como a germinacao da semente, por exemplo. Os detalhes presentes nesse desenho revelaram que o aluno foi minucioso ao representar outros fatores ambientais favoraveis ao desenvolvimento das plantas para alem da luz, como agua, solo e ar, portanto, o aluno especializa o desenho somando a informacao escrita. Os desenhos, de modo geral, podem ser considerados como uma descricao de inter-relacao da natureza com elementos em que a luz promove vida e que compoem um ambiente agradavel pela presenca de outros seres vivos, como por exemplo, borboletas e passaros. Em relacao a proporcao das categorias de analise, considerou-se que somente o desenho do aluno B3 foi considerado na categoria de especializacao e os outros foram entendidos como de cooperacao.

E por fim, o grupo C, que se configurou pelos desenhos que associaram a importancia da luz aos animais, com 23% das mencoes graficas. Percebeu-se que assim como no grupo B, os desenhos somente fizeram alusao a luz natural quando se referenciam a importancia da luz para os animais. A analise revelou que todos desenhos se enquadraram na categoria de especializacao, uma vez que os desenhos foram alem do que que os registros escritos detalharam sobre a luz natural para os animais. Dessas especificidades, a que ganhou destaque foi a que fez referencia a alimentacao dos animais sob a luz natural ou devido a presenca da luz natural, ou seja, os alunos perceberam que a incidencia da luz no cotidiano dos animais possibilita uma dinamica na natureza que em consequencia fornece alimentos aos animais atraves do consumo das plantas, que sao elementos necessarios a sua sobrevivencia, como e representado pelo desenho do aluno C4.

Sobre a correlacao entre as categorias de analise trabalhadas nas duas formas de registros dos alunos, escrita e desenho, a tabela 1 revela a observacao que aflorou da perspectiva de busca de um olhar que relacionasse os indicadores de alfabetizacao cientifica constatados nos textos escritos e os utilizados para classificar os desenhos elaborados por eles sob a otica de uma semiotica social (MARQUEZ, IZQUEIRDO, ESPINET, 2003). Nesse contexto, dentre os indicadores cientificos identificados nos textos dos alunos, aquele denominado de Explicacao foi o que mais se mostrou presente nos registros escritos dos alunos, com 29% de frequencia nos textos dos estudantes, seguidos por Previsao (28%), Raciocinio Logico (24%) e Justificativa (1 8%). Percebeu-se que os registros dos alunos seguiram, de uma maneira geral, uma mesma linha qualitativa, com pouca variacao entre eles, em relacao a profundidade e complexidade na estruturacao dos textos e onde a percepcao cotidiana sobre luz caminhou mais no sentido do senso comum, com revelacao do reconhecimento de necessidade de luz para a vida ou como artefato tecnologico usado pelo homem, mais sem citar a luz como feito pelo homem. Entendeu-se que o discurso carente em saberes cientificos pode estar atrelado a pouca idade dos alunos e na falta de costume em expressar reflexoes advindas de outros metodos de ensino de ciencias, bem como a escassez de estimulos de discussao de cunho cientifico. SASSERON, CARVALHO (2010) perceberam em analise de textos dos alunos do Ensino fundamental - 1a Etapa apos uma sequencia didatica monitorada que os registros escritos dos alunos sao ainda pouco desenvolvidos em seus argumentos, devido a idade e consequentemente pouca familiaridade com a lingua escrita e assim, menos da metade dos textos analisados por elas, apresentou de dois ou tres indicadores de alfabetizacao cientifica.

Ressalta-se que os dados analisados demonstraram que foi na parte de textos escritos dos alunos que se identificou o indicador de maior expressao--o de Explicacao. Outro ponto a ser levado em consideracao e que se constatou desenhos tanto na vertente Cooperativa (92%) como de Especializacao (8%). Os demais grupos centraram-se somente na perspectiva de desenhos de cunho Cooperativo, como mostra a Tabela 1 A analise quantitativa demonstra que embora os desenhos construidos pelos alunos tenham apontado exemplificacoes e informacoes mais claras do pensamento deles sobre o assunto em questao, mas as informacoes classificadas como especializadas ainda sao rasas quando se espera mais dados em uma outra forma de comunicacao, ou seja, a comunicacao grafica complementa pontos que a linguagem escrita nao alcanca, so que nao vai muito alem do que o discurso escrito ja antecipa.

Essa e uma questao que merece atencao quando se pensa que as formas de comunicacao dos alunos retratam seus niveis argumentativos, e quando nao se tem muita diferenciacao entre elas, logo remete-se que os alunos podem nao estar tendo nos seus processos educativos praticas reflexivas que ultrapassem a assimilacao e reproducao mecanica de conceitos e suscitem criticidade sobre eventos naturais e, muito menos fazendo correlacao com no momento de aquisicao de conhecimento cientifico. Lembrando ainda que o proprio conceito de alfabetizacao cientifica converge para uma busca de extracao de significados para proveito dos conhecimentos cientificos, extrapolando o costume das memorizacoes e reproducoes de conceitos cientificos, aleatorios e sem sentido para os alunos, entende-se que os alunos mostram potencial para assimilar conhecimentos, mas ainda nao satisfazem os preceitos de inclusao em um processo de alfabetizacao cientifica propriamente dita.

6. Consideracoes finais

Tendo em vista que a intencao desta pesquisa foi fazer uma verificacao panoramica dos argumentos dos alunos advindos de suas ideias previas e potencializados com estrategia didatico pedagogica que ressaltem reflexoes e discussoes na sala de aula para identificacao de indicios de alfabetizacao cientifica, defende-se que a aula de ciencias, enquanto componente que tem a funcao de trabalhar a apropriacao de conteudo cientifico tem um rico campo de possibilidade de fazer com que os alunos de idades dentro da pre-adolescencia adentrem num universo de estudos cientificos com a identificacao e interpretacao do mesmo, aproximando a visao critica do saber cientifico com os acontecimentos do dia a dia que envolvem ciencia, tecnologia e sociedade.

Quando se propoe estudo sobre luz no cotidiano para aprendizes do 5 ano do Ensino Fundamental, nao se espera que os alunos construam conceitos de alto grau de complexidade, ou criem intimidade com formulas e equacoes fisicas de eletricidade ou ainda saibam identificar o fenomeno no seu contexto tecnologico, porem, saber discernir e organizar seus resultados com vistas para alem do senso comum e fazer correlacoes com a sociedade a partir de observacoes analiticas sao oportunidades que trabalham habilidades contribuirao para os estudos subsequentes. Nesse sentido, concorda-se com SANTOS, SCHNETZLER (2003) quando sugerem que o ensino de ciencia deva ser aquele que se volte para "[...] uma organizacao conceitual centrada em temas sociais, pelo desenvolvimento de atitudes de julgamento, por uma concepcao de ciencias voltada o interesse social, visando compreender as implicacoes sociais do conhecimento cientifico".

Diante disso, a analise da qualidade dos argumentos dos alunos baseado na metodologia proposta por SASSERON, CARVALHO (2010), tendo os indicadores de alfabetizacao cientifica em uma perspectiva de correlacao entre duas perspectivas de comunicacao: a escrita e a grafica, podem alem de ajudar no trabalho do professor na busca de seus objetivos de ensino, principalmente, levam o aluno a gerenciar suas formas de organizar a compreensao nas questoes que envolevm ciencia e o mundo que o cercam. SASSERON, CARVALHO (2010) afirmam que a utilizacao dessas duas formas de discurso no trabalho de desenvolvimento de argumentacao cientifica com alunos que ainda nao sabem expor suas ideias por outras formas de comuicacao, atuam como forma de auxiliar na exposicao e compreensao dos significados reforcando e complementando o entendimento sobre os enunciados.

Os resultados mostraram que os alunos identificaram e diferenciam os tipos de luz que eles convivem e estao presente nos seu dia a dia, e por isso entendem que sem a luz natural e/ou artificial nao ha ser vivo, justificando-as, principalmente pela identificacao das relacoes mutuas entre a luz natural como a luz artificial com os seres vivos que, direta ou indiretamente, e necessaria para sobreviverem. Ressalta-se que as ideias argumentadas pelos alunos, mostrou-se pela proximidade das porcentagens dos indicadores de alfabetizacao cientifica, a explicacao (29%) e previsao (28%) que as estruturas de dialogo deles podem ter um potencial a ser desenvolvido, sabendo-se fazer de forma eficiente a aproximacao com os saberes e habilidades peculiares do universo cientifico.

Desta maneira, suscitar discussoes sobre o trato do desenvolvimento argumentativo dentro de sala de aula por meio de acoes que trabalhem com os alunos elementos que associam fenomenos naturais e/ou cientificos com aqueles que estao presentes no cotidiano das pessoas e estimular as varias forma de comunicacao podem promover estudos sobre o desenvolvimento intelectual dos estudantes, alem do que pesquisas desenvolvidas nessa area podem auxiliar o professor de ciencias a direcionar seus trabalhos docentes no sentido de melhorias em metodologias do ensino de ciencias desde as series iniciais.

7. Referencias Bibliograficas

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Clara Virginia Vieira Carvalho Oliveira Marques (*), Deusalice Cardoso Fernandes (**)

Como citar este articulo: Carvalho Oliveira Marques, C.V.V. y Cardoso Fernandes, D. (2019). Luz e cotidiano: ideias previas de alunos do ensino fundamental sob a perspectiva da alfabetizacao cientifica. Gondola, Ensenanza y Aprendizaje de las Ciencias, 14(2), 268-285. DOI: http://doi.org/10.14483/23464712.13704

Recibido: 18 de julio de 2018; aprobado: 09 de noviembre de 2018

(*) Professora e orientadora do Programa de Pos-Graduacao em Ensino de Ciencias e Matematica--PPECEM e do Programa de Pos-Graduacao em Gestao do Ensino da Educacao Basica--PPGEEB. Universidade Federal do Maranhao--UFMA. Sao Luis, MA--Brasil. Professora Adjunta da Coordenacao do Curso de Licenciatura em Ciencias Naturais da mesma instituicao, campus VII--Cidade de Codo/MA. Correio eletronico: clara. marques@ufma.br--ORCID: http://orcid.org/0000-0002-1550-2252

(**) Graduanda do Curso de Licenciatura em Ciencias Naturais da Universidade Federal do Maranhao--UFMA. Campus VII--cidade de Codo--Maranhao. Correio eletronico: alice_plinxesinha@hotmail.com--ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7105-129X
Quadro 1. Blocos de discussoes propostos para a discussao do tema.

BLOCOS                 I                         II

TEMA DE DISCUSSAO      Definicao de              Importancia da luz para
                       luz: composicao e fonte   a vida
PERGUNTAS              O que e a luz? Faca um    Qual a importancia da
NORTEADORAS            desen-ho justificando     luz na vida das
                       sua resposta.             pessoas, dos animais e
                                                 das plantas?
                                                 Faca um desenho
                                                 justificando sua
                                                 resposta.

Fonte: autoras.

Tabela 1. Relacoes dos indicadores de alfabetizacao cientifica
presentes nas producoes escritas e graficas dos alunos.

Indicador de AC   Frequencia do   Relacao Escrita   Citacao dos textos
                  Indicador       e Desenho         analisados

Justificativa     18%             Cooperacao        "E uma fonte de
                                  (98%)             energia que Deus
                                                    criou". (Aluno B1)
Raciocinio        24%             Cooperacao        "A luz serve para
Logico                            (100%)            iluminar os lugares
                                                    .... porque sem
                                                    a luz nos ficaremos
                                                    sem ver as coisas".
                                                    (Aluno R2)
Previsao          28%             Cooperacao        "Sem a luz, as
                                  (70%)             plantas nao crescem
                                                    e os animais ficam
                                                    sem alimento".
                                                    (Aluno E1)
Explicacao        29%             Cooperacao        "O Sol serve para
                                  (92%) e           clarear o dia e
                                  Especializacao    diferenciar dia
                                  (8%)              de noite" (Aluno E1)
                                                    "A luz e um objeto
                                                    que serve para
                                                    iluminar as coisas".
                                                    (Aluno P3)

Fonte: autoras.
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Title Annotation:Resultado de investigacion
Author:Marques, Clara Virginia Vieira Carvalho Oliveira; Fernandes, Deusalice Cardoso
Publication:Gondola, ensenanza y aprendizaje de las ciencias
Date:Jul 1, 2019
Words:9008
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