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Jessica Mangaba: 'in the Album', a built memory/Jessica Mangaba: 'no Album', uma memoria construida.

Introducao

O artigo possui como objetivo refletir acerca da serie fotografica No Album II da jovem artista visual brasileira Jessica Mangaba (1988). Alem do desenvolvimento de trabalhos autorais, Mangaba trabalha como fotografa freelancer para o mercado editorial brasileiro (revistas impressas e online) e cobertura de eventos. Tais dados podem ser conferidos em seu site oficial: http://www.jessicamangaba.com.br/sp-arte-press/. A serie No Album II, objeto de reflexao deste artigo, e composta por 14 imagens que constroem/reconstroem, atraves de vestigios, lembrancas vividas e nao vividas de seu pai, criando, a partir dai, uma memoria construida e expandida no presente. De estetica propositalmente amadora, essas imagens tencionam as fronteiras entre o real da imagem e sua ficcao.

A serie teve inicio em 2008 e foi finalizada em 2009. Sua origem se deu dentro de sua monografia, Do Album--Memoria e Ficcao, para a obtencao do grau de Bacharel em Fotografia no Centro Universitario SENAC, Sao Paulo em 2009. A serie e fruto de todo um processo teorico e reflexivo sobre a questao da imagem documental e sua expansao ficcional, bem como do processo da memoria --caminhos e descaminhos que sofre a memoria a partir daquele que recorda; o ir e vir permanente entre passado e presente, um emaranhado que aos poucos perde a forma primitiva, em uma recriacao permanente. Nesse jogo, a memoria torna-se devir (Deleuze, 2007). Tal reflexao tornou possivel a artista flexibilizar o referente temporal e fotografar/criar, a partir de imagens mentais, o passado no presente. A serie No Album II teve grande repercussao, sendo exposta em diferentes Galerias de Arte no Brasil.

Informa-se que conceitos teoricos como o de Fotografia Expressao (Rouille, 2009), Fotografia Expandida (Fernandes, 2006), Imagem Cristal (Fatorelli, 2003), Memoria (Bergson, 2010) serao abordados por estarem presentes no trabalho desenvolvido por Mangaba. A tecnica empregada pela autora tambem sera abordada.

1. Mangaba e a Fotografia Expressao

A formacao universitaria de Mangaba na fotografia deu-se dentro daquilo que se estabelece como fotografia aplicada ao universo da Comunicacao (fotojornalismo, fotopublicidade e fotografia institucional), modos de fazer ligados a fotografia com carater documental (referencial) e que Mangaba considerou a epoca a escolha mais adequada para atuar no dia a dia do mercado como fotografa --apesar de existir o desejo de se dedicar de modo teorico e pratico a uma fotografia mais expressiva, onde questoes relacionadas ao fazer artistico estivessem envolvidas.

A relacao de Mangaba com a fotografia e anterior ao seu ingresso na Universidade. Essa relacao com a imagem vem de longa data. Segundo relato da artista, em entrevista dada a autora deste artigo por e-mail (em 2017), seu pai e sua mae se conheceram atraves de fotografias um do outro, trocadas atraves de cartas--a fotografia e a troca de telefonemas que se seguiu levaram ao desejo de se conhecerem e, posteriormente, se casarem. Quando soube dessa historia, Mangaba, com 14 anos na epoca, ficou muito empolgada com o poder de uma imagem "[...] com tudo que a imagem fotografica poderia movimentar, representar e significar. Foi um ponto de virada [...]" (Mangaba, comunicacao pessoal, 2017). A partir desse evento fundador, Mangaba teve na imagem seu ponto de foco, de inquietacoes e reflexoes. Sua sensibilidade a levou a perceber a imagem fotografica para alem da simples referencia e perceber o aspecto subjetivo e expressivo nela presente. Na mesma entrevista acima citada, a artista diz; "[...] entao, quando comecei a estudar fotografia eu so queria ir a fundo nisso tudo, nesse universo da imagem e as pontes que ela constroi". Atualmente, sem se importar se o que fazia (faz) era (e) documento ou arte, Mangaba esta mais preocupada em experimentar a linguagem fotografica, distendendo-a, questionando-a nos seus modos do "isso foi" Barthesiano (Barthes, 2006).

Pensa-se que a fotografia produzida por Mangaba pode ser classificada como Fotografia Expressao. Aquele tipo de imagem que, de acordo com Andre Rouille (2009), tenciona a fotografia em suas bases ao colocar a referencia em um segundo plano, tenso, um modo de fazer capaz de inventar novas visibilidades, de tornar visivel o que antes nao o era devido ao apego total ao referente exigido pelo documento. Marque-se que a Fotografia Expressao nao recusa de todo o documento, mas propoem novos caminhos, indiretos "[...] de acesso as coisas, aos fatos, aos acontecimentos [...]" (Rouille, 2009:161). Nesse modo de fazer a fotografia possui um autor, tem uma escrita que se traduz no uso da forma que produz sentido e se torna linguagem. E isso que Mangaba realiza em sua serie No Album II, onde a fotografia transforma-se em um jogo ludico que deixa correr livre a expressao.

1.1. A Fotografia Expandida

De modo consequente, a fotografia produzida pela artista e considerada uma Fotografia Expandida, no sentido de que, ao questionar o referente temporal e espacial na construcao fotografica das memorias relatadas de seu pai (imagens mentais), ela esgarca a linguagem fotografica, ampliando-a, tornando o referente em vestigio, indicio daquilo que foi (ou nao). Nesse modo de fazer a fotografia possui importante carater simbolico. Essa classificacao possui como ancora Fernandes Junior (2006), que assim define a Fotografia Expandida:

Denominamos essa producao contemporanea mais arrojada, livre das amarras da fotografia convencional, de fotografia expandida, onde a enfase esta na importancia do processo de criacao e nos procedimentos utilizados pelo artista, para indicar que a fotografia se expandiu em termos de flutuacao ao redor da triade peirciana [...] tem enfase no fazer, nos processos e procedimentos de trabalho cuja finalidade e a producao de imagens perturbadoras [...] (Fernandes Junior, 2016:11).

Ao subverter e desarticular as referencias, a Fotografia Expandida se torna desafiadora e provocadora. Para que isso se realize de modo eficaz, aquele que pratica tal fotografia deve conhecer profundamente o aparelho que utiliza (de modo a subverte-lo). Nessa fotografia o processo criativo do artista vai alem do momento da tomada fotografica; todo o processo esta predisposto a sofrer modificacoes antes, durante e depois da sua "revelacao". A Fotografia Expandida e uma forma de resistencia aos modos operativos das bulas e manuais dos instrumentos fotograficos e dos processamentos quimicos ou digitais para a sua revelacao. Mais do que tudo, esse modo de fazer e tambem etico e politico ao buscar retirar o observador interessado de seus automatismos e zonas de conforto, tornando-o parte essencial na realizacao e objetivos da obra.

As questoes acima citadas podem ser observadas na imagem a seguir (figura 1). Fruto da serie No Album II essa imagem faz parte da narrativa, sem cronologia, proposta pela artista, que atraves de indicios do real, fabulacoes e fantasias (processo semelhante que ocorre com a memoria ao se lembrar de algo) cria uma memoria construida sobre a vida de seu pai durante o periodo em que nao teve convivencia com ele. Para tanto, a artista "se valeu de invencoes fundidas entre o ocorrido, o imaginado e o idealizado" (Mangaba, 2012:30).

Nessa imagem (Figura 1) se observa o procedimento tecnico realizado por Mangaba, que para chegar a esse resultado experimentou varias coisas, como ela mesma diz; "[...] filme, polaroide, digital, e ver o que tinha mais a ver com a proposta. As minhas referencias eram as fotos antigas [...] quis deixar presente, seja na tonalidade ou no enquadramento, essa estetica caseira e crua" (Mantovanini, 2010). Alem disso, utiliza o desfocado, que pode ser tanto uma caracteristica atribuida a estetica amadora, bem como uma alusao a memoria, traduzida assim em imagem sem foco e fugidia. Essa imagem possui tambem caracteristicas de uma "cebola". E uma imagem com multiplas camadas, palimpsesto de diferentes niveis temporais. Fusao fugidia de passado, presente e futuros, imagem em devir, um cristal.

1.2. A Imagem Cristal

Completa os conceitos aqui explicitados, que recobrem o trabalho de Mangaba e se complementam o de Imagem Cristal. Tal conceito e utilizado para se referir, como evidencia Fatorelli (2003), aquelas imagens que possuem como caracteristica a nao subserviencia a referencia e nela nao se esgotam--quer dizer, sua relacao com o tempo e o espaco nao se da do mesmo modo como se danas imagens puramente documentais. Na Imagem Cristal, "[...] as imagens secretam realidades que ja nao se confundem com a referencia [...] situam-se num presente sempre renovado que desperta um passado e prenuncia um futuro igualmente abertos" (Fatorelli, 2003:33). Tais imagens entram em relacao direta com as imagens do sonho e da fantasia, onde, ainda de acordo com Fatorelli "[...] foram quebradas as condicoes habituais de reconhecimento e de acao que envolve a percepcao interessada e pragmatica [...]" (2003:33). Nessas imagens o que importa nao e o reconhecimento, mas sim o conhecimento que delas advem.

A configuracao plastica visual da imagem possui papel importante na construcao de seu aspecto e caracteristica cristalina. No caso especifico de Mangaba, o desfocado utilizado para apagar os tracos mais explicitos de um reconhecimento figurativo, trabalha no sentido de criar uma falha a ser preenchida por aquele que a observa, levando o observador interessado para suas proprias experiencias com a memoria. Enquadramento, ponto de vista e angulo de da tomada do fotografotrabalham na mesma direcao de abertura a um devir.

2. Memoria e Ficcao

Memoria e ficcao sao questoes fundamentais na serie No Album II. O questionamento sobre se a memoria e uma ficcao ou realidade pura ai se coloca. A reflexao leva a duvida: algumas lembrancas sao tao antigas que se perde a certeza de como alguma coisa realmente se deu. Parece que, ao lembrar, se esta sempre a recriar e, desse modo, ficcionando. Bergson (2010) em Materia e Memoria pondera que o cerebro nao arquiva memorias, ele as cria permanentemente a cada vez que lembrancas sao acionadas (bem como tudo que conhecemos e coberto pelo manto da memoria, seja real ou ficcionada). Em outras palavras, nao existe um reservatorio de memoria pura a ser acessado cada vez que se pensa no passado, a imagem conjurada e uma construcao do sujeito no presente. E como diz a pensadora e professora da Universidade de Amsterdam, Jose Van Dijck (2007), "[...] Memorias, efetivamente, sao reescritas a cada vez que sao ativadas; em vez de recordar uma memoria que tenha sido guardada algum tempo atras, o cerebro esta forjando tudo de novo em uma nova associacao [...]" (Dijck, 2007:32). Podese entao afirmar, utilizando Ranciere (2012), ao se pensar a imagem fotografica como repositorio de lembrancas, que "[...] a fotografia nao e o duplo de alguma coisa. E um jogo complexo de relacoes entre o visivel e o invisivel [...], o dito e o nao dito" (Ranciere, 2010:92). Possuidoras de camadas, como a memoria, a fotografia como suporte de lembrancas ficciona e cria mundos compossiveis.

Mangaba parte dessas ideias para afirmar que qualquer album de familia e tambem uma ficcao. A propria origem do album como criacao de uma memoria familiar afirmadora da posicao social de seus membros ja mostra sua seletividade daquilo que deve figurar em suas paginas. A crenca a epoca de que a fotografia era uma imagem maquina, objetiva ajuda a afirmar a "verdade" do que e retratado. Mangaba, na serie No Album II, parte dessa crenca para transformar o sentido de realismo da fotografia de familia, bem como a temporalidade que lhe e inerente: nela, passado e presente se misturam para construir uma realidade ficcional.

3. A serie Do Album II

Trata-se de um Album construido a partir de imagens da vida do pai da artista (periodos da vida dele que Mangaba desconhecia, visto os pais terem se separado quando ela era ainda uma crianca) dispersas em pequenos albuns familiares --desses entregues pelas lojas de revelacao em pequenos sacos plasticos. O trabalho, de acordo com a artista em entrevista dada a autora deste texto, "[...] foi desenvolvido em tres partes. Nasceu como uma pesquisa a partir de um conjunto de imagens [...] de um periodo muito especifico da vida do meu pai, e depois foi se tornando o trabalho No Album II" (Mangaba, comunicacao pessoal, 2017). Algumas das imagens presentes nos primeiros estudos para a confeccao da serie No Album II foram produzidas por seu pai ou mesmo outros familiares. As restantes foram construidas por Mangaba a partir de lacunas somadas a diferentes relatos advindos principalmente das narrativas de vida do pai por ele mesmo. Formam o trabalho No Album II, em sua versao mais atual, 14 imagens dispostas narrativamente em ordem nao cronologica--segundo a autora, e assim que a memoria se apresenta: de modo fragmentario e nao cronologico.

Pode-se observar na imagem a seguir (Figura 2), uma da serie No Album II. Trata-se de um retrato do pai da artista, produzido atraves do relato do mesmo sobre o desejo antigo de ser retratado dirigindo um caminhao, visto que quando dirigiu um nao foi fotografado. Mangaba materializa o passado numa imagem produzida no presente. Observa-se que nessa memoria em devir o foco esta ausente, visto que as atualizacoes da memoria se fazem de forma permanente tornando sua forma fugidia. Na serie, a artista tenciona a realidade temporal do referente fotografico, que, em seu trabalho, e flexibilizada ou mesmo abolida. Tal imagem aproxima-se daquilo que Fatorelli (2003), classifica de Imagem Cristal, como exposto anteriormente. Ha um transbordamento do tempo nesta imagem, uma fissura que possibilita um devir onde passado, presente e futuro entram em colisao propiciando incontaveis atualizacoes. Imagens potentes, subversivas e suplementares no seu movimento de construcao de um passado no presente, permitem/propiciam ao leitor interessado uma imersao em suas proprias memorias e imagens mentais.

Na imagem seguinte (Figura 3), o mesmo processo de producao do passado no presente se repete. Atraves da visualizacao de duas fotografias do pai tomando banho de rio em duas situacoes e lugares diferentes (Ceara e Bahia), Mangaba criou uma terceira imagem, que une as duas situacoes anteriormente vividas. O flou como procedimento de construcao com a finalidade de causar um estranhamento perceptivo esta presente Ficcionada, tal imagem torna-se lembranca real de vida.

Conclusao

Ao fotografar o passado no presente, Mangaba coloca em questao a veracidade/realidade da imagem fotografica, crenca que ainda vigora no senso comum. Indica que o passado e uma construcao revista no presente e que a fotografia, ao mesmo tempo em que certifica e autentica a presenca e existencia de algo, como afirma Dubois (2004) permite a presenca da subjetividade e da ficcao. As imagens fotograficas criadas pela artista na reconstrucao do passado de seu pai, do qual nao participou, indicam que a arte e o lugar onde os abismos interiores dos sujeitos podem ser preenchidos, mesmo que momentaneamente.

Referencias

Bergson, Henri (2010) Materia e Memoria. Sao Paulo: Martins Fontes. ISBN: 8578272528

Deleuze, Gilles (2007) A Imagem tempo. Sao Paulo, SP: Brasiliense. ISBN: 85-11-22028-3

Dijck, Jose Van (2007) Mediated memories in digital age. Stanford: Stanford University Press. ISBN: 9780804756242

Dubois, Philippe (2004) O ato fotografico. Sao Paulo: Papirus. ISBN: 8530802462

Barthes, Roland (2006) A Camara Clara. Lisboa: Edicoes 70. ISBN: ISBN: 972-2441349-7

Fatorelli, Antonio (2003) Fotografia e Viagem. Entre a Natureza e o Artificio. Rio de Janeiro: Relume Dumara: FAPERJ. ISBN: 85-7316-323-2

Fernandes Junior, Rubens (2006) Processos de criacao na fotografia: apontamentos para os entendimentos dos vetores e das variaveis da producao fotografica. Revista Facom--FAAP no. 16 (2 semestre 2006): 10-19. ISSN: 1676-8221. [Consult. 2017-11-15] Disponivel em URL: http://www. faap.br/revista_faap/revista_facom/ facom_16/rubens.pdf.

Mantovanini, Marina (2010) Entrevista a Marina Mantovanini. +Soma 18/jul-ago 2010 [Consult. 2017-11-02] Disponivel em URL: http://pt-br.facebook.com/notes/ soma/entrevista-j%C3%A9ssica-mangaba-por-marina-mantovanini/425510447746/

Mangaba, Jessica (2009) Do Album--Memoria e Ficcao. Trabalho de Conclusao de Curso--Centro Universitario SENAC --Unidade Lapa Scipiao, Sao Paulo.

Mangaba, Jessica (2012) Lapso. Fundacao Armando Penteado--FAAP-Pos Graduacao. Curso de Pos-Graduacao Latosensu em Fotografia, Sao Paulo.

Ranciere, Jacques (2010) O espectador Emancipado. Lisboa: Editora Orfeu Negro. ISBN: 9898327065

Rouille, Andre (2009) A fotografia entre o documento e arte contemporanea. Sao Paulo. ISBN: 978-85-7359-876-6

Artigo completo submetido a 30 de dezembro de 2017 e aprovado a 17 janeiro 2018

SANDRA MARIA LUCIA PEREIRA GONCALVES, Brasil, artista visual.

AFILIACAO: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Faculdade de Biblioteconomia e Comunicacao (FABICO), Departamento de Comunicacao. Rua Ramiro Barcelos, 2705, Santana, Porto Alegre-- RS, 90035-007, Brasil. E-mail: sandrapgon@terra.com.br

Caption: Figura 1. Jessica Mangaba. Sem titulo, Serie No Album, dimensoes variaveis, 2009. Imagem fornecida pela artista.

Caption: Figura 2. Jessica Mangaba. Sem titulo, Serie No Album, dimensoes variaveis, 2009. Imagem fornecida pela artista.

Caption: Figura 3. Jessica Mangaba. Sem titulo, Serie No Album, dimensoes variaveis, 2009. Imagem fornecida pela artista.
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Title Annotation:2. Original Articles/Artigos originais
Author:Goncalves, Sandra Maria Lucia Pereira
Publication:Estudio
Date:Oct 1, 2018
Words:2700
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