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Irrigation efficiency on native forest seedlings grown in recipient tubes/Eficiencia de sistemas de irrigacao em mudas de especies florestais nativas produzidas em tubetes.

INTRODUCAO

A demanda por produtos de origem florestal aumentou sensivelmente nas ultimas decadas, levando a silvicultura a buscar alternativas que pressupoem altas produtividades (BOLFE et al., 2004), como a melhoria da qualidade das mudas produzidas.

Uma das tecnicas utilizadas em viveiros para a producao de mudas e a irrigacao, que se destaca por permitir a producao durante todo o ano, que as sementes utilizem todo seu potencial genetico e por gerar homogeneidade na producao. Isto so e conseguido, entretanto, se o sistema for bem dimensionado e operado. A avaliacao de sistemas de irrigacao logo apos a implantacao em campo e importante para verificar se o desempenho esta de acordo com o estabelecido em projeto, possibilitando, quando necessario, a realizacao de ajustes para melhora-lo (SOCCOL et al., 2002).

A eficiencia de um sistema de irrigacao, definida como a relacao entre a quantidade de agua armazenada no sistema radicular e a quantidade total aplicada, representa a razao entre as quantidades de agua envolvidas no processo de irrigacao (FRIZZONE; DOURADO NETO, 2003). Trata-se de um dos parametros mais utilizados para avaliar a irrigacao. Essa relacao sempre sera menor que um, pois durante ou apos a atividade de irrigacao ocorrem perdas no processo de aplicacao e/ou por drenagem (STAMATO JUNIOR, 2007).

A irrigacao em viveiros emprega, em geral, sistemas de irrigacao por gotejamento, microaspersao ou microaspersao invertida, sendo o ultimo bastante utilizado. Porem, uma desvantagem significante desta ultima, e que a irrigacao sobre copa pode ser bastante ineficiente. Dumroese et al. (1995) citam que em um viveiro de reflorestamento, perde-se de 49% a 72% da agua aplicada.

Em funcao da producao em viveiros e casas de vegetacao usar maiores taxas de fertilizacao que em outros cultivos (MOLITOR, 1990), a agua perdida pode ter uma quantidade significativa de fertilizante nao utilizado (JUNTENEN et al., 2002; DUMROESE et al., 2005) e ser uma fonte potencial de poluicao da agua subsuperficial e superficial (DUMROESE et al., 2006) nas proximidades do viveiro.

Assim, a subirrigacao apresenta-se como solucao relevante no que se refere ao ganho em eficiencia de uso da agua. Quando a irrigacao e completada, a agua nao utilizada e drenada de volta ao reservatorio para posterior recirculacao pelo sistema (STRONG et al., 1997; DUMROESE et al., 2006). Ja que o sistema e fechado, uma reducao em 86% de uso da agua foi conseguida em subirrigacao comparado com irrigacao sobrecopa em culturas alimentares (AHMED; CRESSWELL; HAIGH, 2000), e a perda de fertilizantes para o solo e, praticamente, eliminada, ja que a agua lixiviada e recirculada, impedindo que fertilizantes e pesticidas atinjam os lencois superficiais e profundos. Podese ressaltar ainda a reducao no consumo de energia eletrica (CHANSEETIS et al. 2001; TOSHIAKI et al., 2004).

Em vista do exposto, o presente trabalho teve como objetivos avaliar a eficiencia de irrigacao de um sistema de irrigacao por microaspersao ja instalado em um viveiro de mudas de especies florestais e tambem avaliar a eficiencia de um sistema de subirrigacao de mudas florestais nativas cultivadas em tubetes.

MATERIAL E METODOS

Eficiencia da microaspersao

Na avaliacao de eficiencia em tubetes grandes (300 [cm.sup.3]), as especies avaliadas foram: araucaria (Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze.), jeriva (Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman) e cutieira (Joannesia princeps Vell.). Na avaliacao de tubetes pequenos (110 [cm.sup.3]) os tres niveis de especies foram: mutamba (Guazuma ulmifolia Lam.), peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron Muell.) e angico-vermelho (Anadenanthera macrocarpa Benth.). Os equipamentos de irrigacao testados foram os microaspersores MEC--PREC MA-20, Plastro Rondo e Antelco Inverted Rotor Spray, mostrados na Figura 1.

As mudas se encontravam em fase final de viveiro, ou seja, em pre-plantio, com idade entre 9 e 12 meses. As especies araucaria, jeriva e cutieira possuiam area foliar de 233,36 [cm.sup.2], 54,59 [cm.sup.2] e 83,15 [cm.sup.2], respectivamente. Ja as especies mutamba, peroba-rosa e angico-vermelho possuiam 32,65[cm.sup.2], 54,61 [cm.sup.2] e 31,49 [cm.sup.2] de area foliar, respectivamente.

O enchimento dos tubetes com substrato foi feito de maneira manual. O substrato utilizado foi o Tropstrato Florestal[R] fabricado pela empresa Vida Verde, composto por fibra de coco, vermiculita, carvao vegetal e casca de pinus em proporcoes nao informadas pelo fabricante.

[FIGURE 1 OMITTED]

Dentro das areas ocupadas pelas especies avaliadas, foram selecionadas tres bandejas ao acaso, tanto para o tubete pequeno (bandeja de 0,263 [m.sup.2] com 108 espacos) quanto para o tubete grande (bandeja de 0,246 [m.sup.2] com 54 espacos). As bandejas encontravam-se preenchidas com metade da capacidade maxima de tubetes.

Nos tubetes das areas amostrais foram fixados sacos plasticos (0,24 m x 0,05 m) na sua parte inferior para a coleta do excedente de solucao percolada atraves do recipiente. No chao, abaixo de cada area amostrai, foram colocadas bandejas plasticas para coleta da agua que pudesse passar pelos espacos intersticiais das bandejas.

Apos a irrigacao, foi esperado o tempo de 30 minutos para que se assegurasse que toda a agua passivel de drenagem dos tubetes chegasse aos sacos plasticos. Para facilitar a operacao e minimizar a possibilidade de erros de leitura, uma amostra de trinta sacos plasticos foi pesada, sendo a media destes descontada do peso total do conjunto saco plastico e agua drenada. A massa de agua, em gramas, foi convertida em litros.

Assim, para determinacao da lamina perdida de agua na irrigacao, foi utilizada a Equacao 1. A avaliacao da eficiencia de aplicacao foi realizada segundo metodologia adaptada de Salvador (2010).

[L.sub.p] = ([Vp.sub.direto]/[A.sub.bandejacoletora] + [Vp.sub.percolacao]/[At.sub.tubetes]) (1)

Em que: [L.sub.p] = lamina perdida (mm); [Vp.sub.direto] = volume medio perdido diretamente, obtido pela media dos volumes coletados nas bandejas instaladas abaixo das tres areas amostrais (L); [A.sub.bandejacoletora] = area da bandeja coletora posicionada abaixo das areas amostrais ([m.sup.2]); [Vp.sub.percolacoa] = volume medio perdido por percolacao, obtido pela media dos volumes totais coletados nos sacos plasticos aderidos aos tubetes das tres areas amostrais (L); [At.sub.tubetes] = area do diametro superior do tubete, multiplicado pelo numero de tubetes de cada area amostral ([m.sup.2]).

A lamina aplicada foi obtida posicionandose, na mesma area em que foram coletadas as laminas perdidas, tanto por percolacao e quanto de maneira direta, uma bandeja de plastico sobre a bancada de mudas, recolhendo o volume irrigado sem nenhuma interferencia. A lamina aplicada, por area amostral, foi calculada pela Equacao 2.

[L.sub.a] = [V.sub.a]/[A.sub.bandejacol etora] (2)

Em que: [L.sub.a] = lamina aplicada por area amostrai (mm); [V.sub.a] = volume aplicado por area amostrai (L).

O tempo de irrigacao no setor com o emissor MA-20 foi de tres minutos, no setor com o microaspersor 1RS foi de quatro minutos e no setor com o microaspersor Rondo, seis minutos, estes estipulados pelo irrigante do viveiro em sua rotina normal de trabalho.

Para a determinacao da perda de agua na irrigacao, foi empregada a Equacao 3.

P = [L.sub.p]/[L.sub.a] x 100 (3)

Em que: P = perda total de agua (%).

Finalmente, a eficiencia de aplicacao da irrigacao pode ser calculada pela Equacao 4.

Ea = 100 - P (4)

Em que: Ea = eficiencia de aplicacao (%).

Para fins de analise estatistica, os valores obtidos foram submetidos a transformacao arco seno da raiz quadrada, por se tratarem de dados de porcentagem. O experimento foi realizado em delineamento inteiramente casualizado em esquema de Parcelas Subdivididas, estando o equipamento de irrigacao na parcela (tres niveis: MEC--PREC MA-20, Plastro Rondo e Antelco Inverted Rotor Spray) e as especies florestais na subparcela. Tres repeticoes foram coletadas, representadas por areas amostrais sob um mesmo equipamento de irrigacao combinado a especie florestal.

[FIGURE 2 OMITTED]

Eficiencia da subirrigacao

A subirrigacao foi realizada utilizando dois tanques, um para bandejas de tubetes pequenos (110 [cm.sup.3]) e outro para bandejas de tubetes grandes (300 [cm.sup.3]), com dimensoes de 1,65 m x 2,55 m e 1,60 m x 2,50 m, respectivamente. Ambos os tanques possuiam 0,2 m de profundidade e altura total de 1,10 m, construidos de blocos de concreto (dimensoes de 0,40 m x 0,20 m x 0,15 m).

Encontram-se na Figura 2 os detalhes dos tanques de subirrigacao como: vista lateral (2A), tubulacao de entrada de agua com hidrometro (2B), tubulacao de saida de agua e reservatorios para bombeamento e armazenamento da agua drenada (2C) e vista lateral superior do tanque para tubetes pequenos (2D).

Em cada bandeja foram utilizadas dezoito plantas cultivadas em tubetes grandes e trinta e seis plantas em tubetes pequenos, utilizando-se as mesmas especies avaliadas na irrigacao por microaspersao.

O sistema de alimentacao dos tanques foi constituido por uma motobomba Schneider modelo BC--98 com potencia de 0,25 cv, que retirava a agua de duas caixas d'agua de 500 litros em fibra, cada uma destas ligada a um tanque de subirrigacao.

A lamina de agua aplicada por tanque foi de 0,05 m a partir da parte inferior do tubetes. O tempo de irrigacao de tubetes grandes era de 0,75 horas e de 0,5 horas para tubetes pequenos, tempos estes necessarios para que a frente de umidade vinda por ascensao capilar chegasse a camada superior de substrato.

Esses tempos de irrigacao representavam umidades de 0,55 [cm.sup.3] [cm.sup.-3] em tubetes grandes e 0,67 [cm.sup.3] [cm.sup.-3] em tubetes pequenos tendo o substrato 0,38 [cm.sup.3] [cm.sup.-3] de umidade inicial, correspondentes a tensoes de 2,34 kPa e 1,50 kPa, respectivamente, em tubetes contendo substrato sem plantas. A curva de retencao de agua pelo substrato foi obtida com software SWRC versao 3.0 da ESALQ/USP, utilizando-se o modelo de Van Genuchten (1980) e pode ser observada na Figura 3.

Segundo a nomenclatura sugerida por Lopez (2000) e destacada na Figura 3, a Porosidade Total do substrato utilizado era de 0,974 [cm.sup.3] [cm.sup.-3], Espaco de Aeracao de 0,170 [cm.sup.3] [cm.sup.-3], Agua Facilmente Disponivel de 0,362 [cm.sup.3] [cm.sup.-3], Agua de Reserva de 0,034 [cm.sup.3] [cm.sup.-3] e Agua Residual de 0,408 [cm.sup.3] [cm.sup.-3].

A agua bombeada para os tanques era retirada por meio da mesma motobomba utilizada para a alimentacao, retornando a sua caixa d'agua correspondente.

Tanto na entrada quanto na saida de cada tanque foram instalados hidrometros para monitoramento exato da quantidade de agua que entrou e saiu de cada unidade de subirrigacao.

[FIGURE 3 OMITTED]

Para reduzir a perda de substrato nos tubetes no momento da drenagem da agua, foram fixados na parte inferior de cada tubete, com auxilio de gomas elasticas, quadrados de aproximadamente 0,07 m de lado de Tule (manta tipo esponja). Esta medida foi tomada para que nao houvesse perda de substrato durante as avaliacoes, o que poderia ser confundido com uma possivel perda de agua.

As bandejas de cada tanque foram pesadas, antes e apos cada irrigacao, obtendo-se pela diferenca, a massa de agua irrigada efetiva (Equacao 5), que pode ser convertida em volume irrigado efetivo (Equacao 6).

[M.sub.aad] = [M.sub.dirr] - [M.sub.airr] (5)

[V.sub.aad] = [M.sub.aad]/[[rho].sub.H2O] (6)

Em que: [M.sub.aad] = massa de agua adicionada a bandeja apos a irrigacao (kg); [M.sub.dirr] = massa da bandeja depois da irrigacao (kg); [M.sub.airr] = massa da bandeja antes da irrigacao (kg); [V.sub.aad] = volume irrigado efetivo ([m.sup.3]); [[rho].sub.H2O] = densidade da agua aplicada (valor assumido de 1000 kg [m.sup.-3]).

Em cada irrigacao foram monitorados os volumes de entrada (Ve) e saida (Vs) de agua dos tanques. A diferenca entre estes caracterizou o volume irrigado. Apos cada irrigacao, foram aguardados trinta minutos para que houvesse a drenagem da agua nao fortemente aderida ao substrato. O volume de agua perdido foi computado como sendo a soma da drenagem dos tubetes apos a irrigacao e o volume possivelmente evaporado dos tanques. O volume perdido foi obtido pela Equacao 7.

[V.sub.p] = ([V.sub.e] - [V.sub.s]) - [V.sub.aadt] (7)

Em que: [V.sub.p] = volume perdido por tanque ([m.sup.3]); [V.sub.e] = volume de entrada no tanque ([m.sup.3]); [V.sub.s] = volume de saida no tanque ([m.sup.3]); ([V.sub.e] - [V.sub.s]) = volume irrigado ([m.sup.3]); [V.sub.aadt] = volume de agua adicionado ao total de bandejas por tanque ([m.sup.3]).

A porcentagem de agua perdida por subirrigacao foi obtida pela Equacao 8.

[P.sub.sub] = [V.sub.p]/[[V.sub.e] - [V.sub.s]] x 100 (8)

Em que: [P.sub.sub] = perda de agua total (%).

A eficiencia de aplicacao da subirrigacao pode ser definida pela Equacao 9.

[Ea.sub.sub] = 100-[P.sub.sub] (9)

Em que: [Ea.sub.sub] = eficiencia de aplicacao da subirrigacao (%).

A massa de agua retida por bandeja foi obtida com balanca digital com precisao de 0,002 kg para massa ate 6 kg e 0,005 kg para massas superiores. Foram realizadas, neste experimento, tres repeticoes no tempo, representadas por irrigacoes subsequentes.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Eficiencia da microaspersao

O resumo da Analise de Variancia realizada nas avaliacoes das perdas diretas, perdas por percolacao e eficiencia de irrigacao das especies avaliadas cultivadas em tubetes grandes e apresentado na Tabela 1.

Os elevados valores de coeficiente de variacao obtidos nos ensaios se devem ao esquema estatistico utilizado e tambem a baixa uniformidade de irrigacao observada nos equipamentos. Segundo Pereira (2003), as medidas de uniformidade dependem somente do grau de dispersao com que a agua e aplicada, enquanto as medidas de eficiencia dependem tanto da uniformidade como da forma com que o sistema de irrigacao e operado, ou seja, quantificam fisicamente a qualidade da irrigacao.

Mesmo os valores de eficiencia de irrigacao sendo considerados iguais estatisticamente (Tabela 1), ha uma grande lacuna entre a maior eficiencia (61,51%, araucaria irrigada pelo microaspersor MA-20) e a menor (11,93%, microaspersor Rondo irrigando a especie jeriva), apresentadas na Tabela 2.

Na area do viveiro em que o microaspersor Rondo encontrava-se instalado, notou-se grande necessidade de manutencao deste, estando os emissores em sua maioria com incrustacoes de lodo e entupimento visivel, o que nao permitia que as pecas giratorias dos emissores realizassem seu movimento, concentrando o jato aspergido em um unico ponto.

O resumo da Analise de Variancia realizada para as avaliacoes das perdas diretas, por percolacao da lamina irrigada e a eficiencia de irrigacao nas especies irrigadas cultivadas em tubetes pequenos, e apresentado na Tabela 3.

As perdas diretas medias, caracterizada pela agua perdida sem mesmo haver o contato com o substrato, obtidas nos equipamentos de irrigacao sao apresentadas na Tabela 4. Nesta, os emissores IRS e Rondo apresentam maior perda direta media e o MA-20 tendo a menor porcentagem de perda direta da lamina aplicada.

A partir de determinada fase de desenvolvimento, a densidade das mudas deve diminuir, sendo estas posicionadas de maneira intercalada nas bandejas que acomodam os tubetes. Esta tecnica agrega qualidade as mudas, pois reduz a competicao por luz, produzindo mudas com maior diametro do cauliculo, mas resulta em menor eficiencia de aplicacao de agua, por ocasionar perdas diretas.

As perdas por percolacao medias por equipamento de irrigacao em tubetes pequenos sao apresentadas na Tabela 5. Nos emissores MA-20 e IRS foram obtidas as menores porcentagens de perda por percolacao, com o microaspersor Rondo tendo quantidade superior aos demais, resultado explicado pelo excesso de lamina aplicada por este em pontos isolados das bandejas irrigadas.

Avaliando-se as especies cultivadas em tubetes pequenos, a especie peroba-rosa apresentou maior perda por percolacao media, como apresentado na Tabela 6.

Fica evidenciada na Tabela 7 a maior eficiencia de irrigacao nos emissores MA-20, seguido pelo IRS, na aplicacao de agua nas especies cultivadas em tubetes pequenos. A eficiencia media para o microaspersor Rondo foi 29,65%.

As combinacoes dos tratamentos nao influenciaram nas eficiencias de aplicacao para as especies cultivadas em tubetes pequenos (Tabela 3). Porem, avaliando os resultados obtidos sem levar em consideracao a inferencia estatistica, nota-se maior eficiencia nas aplicacoes dos emissores MA-20 e IRS, tendo a area com o emissor Rondo uma eficiencia de uso da agua muito baixa (Tabela 8).

Santiago et al. (2004) avaliaram a eficiencia de aplicacao em sistema de microaspersao instalado no solo na cultura do repolho, e obtiveram uma media por setor de 85,82%, maior que o obtido em todos os tratamentos.

Salvador (2010), avaliando a eficiencia de irrigacao em viveiros para producao de porta enxertos em citrus, encontrou eficiencias medias de irrigacao variando entre 40% a 74% na fase de sementeira.

As baixas eficiencias de irrigacao em todos os tratamentos avaliados (Tabelas 2 e 8) podem ser explicadas pelo manejo de irrigacao adotado pelo viveiro, pelo sistema produtivo de mudas em tubetes, em funcao dos espacos vazios nas bandejas susceptiveis a perda de agua e pelos baixos valores de uniformidade de aplicacao de agua, o que gera areas do viveiro com deficit de irrigacao e outras superirrigadas, provocando grandes perdas por percolacao.

Eficiencia da subirrigacao

Ambos os tanques de subirrigacao apresentaram grande eficiencia de irrigacao, como pode ser visto na Tabela 9. Assim como no caso da uniformidade, a eficiencia no tanque de tubetes pequenos foi superior a avaliada em tubetes grandes.

Apesar de um grande volume de entrada de agua por tanque em cada irrigacao (aproximadamente 0,210 [m.sup.3] para tanque de tubetes pequenos e 0,200 [m.sup.3] para o tanque de tubetes grandes), os volumes irrigados medios foram de 0,51% (tubetes grandes) e 0,63% (tubetes pequenos) do total de entrada.

Durante o esvaziamento dos tanques, assim que os tubetes deixavam de estar submersos, era iniciada a drenagem do substrato. Uma parte da agua drenada voltava para os reservatorios ao inves de ser considerada uma perda, fato que garante maior eficiencia ao sistema.

Mesmo observando-se uma porcentagem muito pequena de perdas, havera menores perdas por evaporacao, quanto maior for a densidade de plantas nos tanques, por haver maior cobertura pelas folhas das plantas da lamina de agua aplicada. Outro fator que reduz as perdas por evaporacao sao as condicoes climaticas do local no momento da irrigacao.

Pode-se inferir que as perdas por drenagem nos tubetes grandes sao maiores que nos tubetes pequenos, pela presenca de um maior gradiente de potencial gravitacional entre o topo do tubete e seu fundo, ja que o tubete grande possui 0,16 m de altura, enquanto o menor possui 0,10 m, o que gera menor eficiencia de irrigacao no tanque de tubetes grandes.

As eficiencias de irrigacao avaliadas nos tanques de subirrigacao foram superiores as encontradas no viveiro de mudas florestais nativas em Itutinga--MG, em microaspersores na posicao invertida e por Santiago et al. (2004) em avaliacao de microaspersao no cultivo do repolho.

Salvador (2010) avaliou um equipamento de irrigacao por capilaridade sem recirculacao de agua, desenvolvido para producao de porta-enxertos de mudas citricas, em que para 54 mudas, houve uma aplicacao de 7,63 litros de agua e perdas por percolacao de 6,30 litros, o que representa uma eficiencia de 17,44%.

CONCLUSOES

A eficiencia de irrigacao dos sistemas de microaspersao avaliados no viveiro de mudas florestais de Itutinga e afetada pela uniformidade de aplicacao de agua, manutencao deficitaria e pelo sistema produtivo de mudas de especies florestais em tubetes.

Os tanques de subirrigacao mostraram-se como uma alternativa interessante para irrigacao de mudas de especies florestais, apresentando alta eficiencia para os dois tamanhos de tubetes avaliados.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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Michael Silveira Thebaldi (1) Luiz Antonio Lima (2) Antonio Carlos da Silva (3) Matheus de Figueiredo Braga Colares (4) Pedro Luiz Terra Lima (5)

(1) Engenheiro Agricola, DSc., Professor Titular, Centro Universitario de Formiga--MG, Avenida Doutor Arnaldo de Senna, 328, Agua Vermelha, CEP 35570-000, Formiga (MG), Brasil. msthebaldi@uniformg.edu.br

(2) Engenheiro Agricola, Ph.D., Professor Associado, Universidade Federal de Lavras, Campus Universitario, Caixa Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras (MG), Brasil. lalima@deg.ufla.br

(3) Engenheiro Agricola, DSc., Professor, Universidade Jose do Rosario Vellano, Rodovia MG 179, km 0, Campus Universitario CEP 37130-000, Alfenas (MG), Brasil. engcarlinhos@hotmail.com

(4) Agronomo, DSc., Professor Substituto, Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, Fazenda Sao Geraldo s/n, Bom Jardim, Januaria (MG) CEP 39480-000, Brasil. matheus-colares@hotmail.com

(5) Engenheiro Agricola, DSc., Professor, Centro Universitario de Lavras, Rua Padre Jose Poggel, 506, Centenario, CEP 37200-000, Lavras (MG), Brasil. pedroterralima@yahoo.com.br
TABELA 1: Resumo da ANOVA realizada nas avaliacoes das
perdas diretas, perdas por percolacao e eficiencia de
irrigacao em tubetes grandes.

TABLE 1: Summary of ANOVA performed on the assessments of
direct losses, percolation losses and irrigation efficiency
in large tubes.

Causas da       GL   Quadrado Medio e significancia de F
variacao
                        Perdas        Perdas por      Eficiencia
                        diretas        ercolacao

Microaspersor   2    505,4024 (ns)   111,2337 (ns)   588,6409 (ns)
  (M)
Erro a          6      106,2888        215,6918        181,3407
Especie (E)     2    238,3660 (ns)   229,5855 (ns)   475,4714 (ns)
M x E           4    66,6083 (ns)    60,6891 (ns)    71,6307 (ns)
Erro b          12     173,1522        132,1791        137,3785
cv a                     29,39           58,60           32,07
cv b                     37,51           45,87           27,91

Em que: ns = nao significativo; * = significativo ao teste de
F a 5% de probabilidade; cv = coeficiente de variacao.

TABELA 2: Eficiencia de irrigacao obtida nas especies
cultivadas em tubetes grandes em cada equipamento
de irrigacao.

TABLE 2: Irrigation efficiency obtained in the species
cultivated in large tubes for each irrigation equipment.

Especie     Eficiencia de irrigacao (%)

            MA-20    IRS    Rondo

Araucaria   61,51   46,17   34,08
Jeriva      47,34   40,28   11,93
Cutieira    58,32   62,62   46,91

TABELA 3: Resumo da ANOVA realizada nas avaliacoes de perda
direta, perda por percolacao e eficiencia de irrigacao em
tubetes pequenos.

TABLE 3: Summary of ANOVA performed on the assessments of
direct losses, percolation losses and irrigation efficiency
in small tubes.

Causas da       GL        Quadrado Medio e significancia de F
variacao

                        Perda        Perda por      Eficiencia
                        direta       percolacao

Microaspersor   2     289,3162 *    1394,1808 *     1980,4118 *
  (M)
Erro a          6      41,0312        117,7054        81,6197
Especie (E)     2    4,9036 (ns)     122,7862 *    59,9314 (ns)
M x E           4    40,6725 (ns)   56,1367 (ns)   105,2343 (ns)
Erro b          12     41,3506        27,4301         58,6429
cv a                    21,81          44,28           18,78
cv b                    21,90          21,38           15,92

Em que: ns = nao significativo; * = significativo ao teste
de F a 5% de probabilidade; cv = coeficiente de variacao.

TABELA 4: Perdas diretas medias encontradas
por equipamento de irrigacao em tubetes
pequenos.

TABLE 4: Average direct losses by irrigation
equipment obtained in small tubes.

Equipamento   Perda direta (%)

MA-20             15,57 b
IRS               27,56 a
Rondo             31,49 a

Em que: Medias seguidas de mesma letra nao
diferem estatisticamente ao teste de
Scott-Knott a 5% de probabilidade.

TABELA 5: Perdas medias por percolacao
encontradas por equipamento de
irrigacao em tubetes pequenos.

TABLE 5: Average percolation losses by
irrigation obtained equipment in small
tubes.

Equipamento     Perda por
              percolacao (%)

MA-20             6,61 b
IRS              14,44 b
Rondo            38,86 a

Em que: Medias seguidas de mesma letra
nao diferem estatisticamente ao teste
de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

TABELA 6: Perdas medias por percolacao
encontradas por especie em tubetes
pequenos.

TABLE 6: Average percolation losses by
species obtained in small tubes.

Equipamento         Perda por
                  percolacao (%)

Mutamba              16,68 a
Angico-vermelho      18,05 a
Peroba-rosa          25,19 b

Em que: Medias seguidas de mesma letra
nao diferem estatisticamente ao teste
de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

TABELA 7: Eficiencias medias encontradas por
equipamento de irrigacao em tubetes pequenos.

TABLE 7: Average efficiencies by irrigation
equipment at small tubes.

        Equipamento   Eficiencia (%)

MA-20                    77,82 a
IRS                      58,00 b
Rondo                    29,65 c

Em que: Medias seguidas de mesma letra nao
diferem estatisticamente ao teste de
Scott-Knott a 5% de probabilidade.

TABELA 8: Eficiencia de irrigacao obtida nas
especies cultivadas em tubetes pequenos em
cada equipamento de irrigacao.

TABLE 8: Irrigation efficiency obtained in the
species cultivated in small tubes in each irrigation
equipment.

Especie               Equipamento

                  MA-20    IRS    Rondo

Mutamba           77,12   66,84   32,47
Angico-vermelho   81,03   65,02   21,86
Peroba-rosa       75,29   42,15   34,62

TABELA 9: Volume irrigado, volume irrigado efetivo e
eficiencia de irrigacao dos tanques de subirrigacao.

TABLE 9: Irrigated volume, effective irrigated volume
and irrigation efficiency of sub-irrigation tanks.

Tanque                Volume      Volume irrigado   Eficiencia (%)
                   irrigado (L)     efetivo (L)

Tubetes grandes       1,023            0,925            90,42
Tubetes pequenos      1,315            1,212            92,17
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Thebaldi, Michael Silveira; Lima, Luiz Antonio; da Silva, Antonio Carlos; Colares, Matheus de Figuei
Publication:Ciencia Florestal
Date:Apr 1, 2016
Words:4603
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