Printer Friendly

Investigation of maternal practices of breastfeeding and their relation with the infection of the upper airways and otitis media/Investigacao das praticas maternas sobre aleitamento materno e sua relacao com a infeccao de vias aereas superiores e otite media.

INTRODUCAO

As vantagens do aleitamento materno para a saude infantil sao amplamente reconhecidas e a recomendacao da Organizacao Mundial da Saude e de que o bebe receba o aleitamento materno exclusivo por seis meses e, de forma complementar, ate os dois anos de idade [1].

Um dos problemas mais comuns encontrado em servicos de atendimento pediatrico e a otite media. A otite media e considerada uma infeccao secundaria a infeccao de vias aereas superiores (IVAS). A IVAS resulta em uma morbidade significante em todo o mundo e e a causa de doenca mais comum de criancas atendidas com infeccao respiratoria aguda. A IVAS e definida como todo e qualquer processo infeccioso viral ou bacteriano que acomete a regiao nasal, seios da face, ouvido, faringe e laringe [2].

No contexto anatomico, o trato respiratorio superior consiste em um sistema de comunicacao que compreende as narinas anteriores, cavidade nasal, nasofaringe, seios, trompa de Eustaquio, cavidade do ouvido medio, cavidade oral, orofaringe e laringe, formando a interface entre o ambiente externo e o trato respiratorio inferior e trato gastrointestinal [3,4].

A cavidade nasal serve como o local de coleta de secrecoes dos seios frontal, maxilar, etmoidal e esfenoidal e constitui um continuo com a nasofaringe, que esta localizada mais posteriormente, e que se estende desde as coanas nasais (regiao anterior) ate a parede posterior (da nasofaringe) e e coberto com tecido da glandula adenoide. A parede lateral da nasofaringe contem o ostio faringeo da tuba auditiva, que liga a nasofaringe ao ouvido medio [4].

A otite media e uma inflamacao do ouvido medio de inicio rapido, apresentando na maioria das vezes sintomas locais (os dois mais comuns sao dor de ouvido e friccionamento da orelha afetada) e sistemicos (febre, irritabilidade e falta de sono) [5]. E causada principalmente por virus ou bacterias que muitas vezes interagem entre si [6]. Estes patogenos, originados da nasofaringe, ascendem a tuba de Eustaquio ate o espaco do ouvido medio, iniciando uma resposta inflamatoria e o acumulo de fluido, que causa abaulamento da membrana timpanica, dor, febre e possivel vermelhidao [7].

Geralmente, quando ocorre a otite media aguda, esta e precedida por uma infeccao viral do trato respiratorio superior. A inflamacao conduz a edemaciacao das cavidades nasais e nasofaringe, causando obstrucao funcional da tuba auditiva e o desenvolvimento de pressao negativa do ouvido medio, a partir da falta de equilibrio. Os microbios, contidos nas secrecoes da mucosa das vias aereas superiores, movem-se para o ouvido medio devido ao diferencial de pressao, onde ficam retidos [8].

Acredita-se que a incidencia de otite media nos lactentes esteja relacionada ao aleitamento artificial e a ausencia de propriedades imunologicas que sao encontradas no leite materno [9,10].

No lactente, a tuba auditiva apresenta uma posicao mais horizontalizada. Por este motivo, a orientacao habitualmente oferecida pelos profissionais de saude e a elevacao da cabeca do bebe durante a amamentacao, pois acredita-se que a posicao elevada esteja relacionada a uma acao preventiva de otite media [11]. A literatura denomina o termo "otite media posicionai" nos casos de bebes que sao amamentados na posicao deitada, por apresentam um maior risco de desenvolver a otite media [12,13].

Diante disso, questiona-se se tal orientacao tambem se refere a bebes que sao amamentados no seio materno. A principal imunoglobulina do leite materno e a IgA (Imunoglobulina A), a qual tem como principal funcao a ligacao a microrganismos e macromoleculas, impedindo que eles fiquem aderidos as superficies mucosas, prevenindo o contato de patogenos ao epitelio. Sendo assim, a mae secreta no leite a IgA, que protege a crianca de patogenos aos quais ela tenha se exposto durante toda a vida [14]. Ainda, segundo o Ministerio da Saude, a posicao de aleitamento deve ser a mais confortavel para a mae e o bebe, sentados ou deitados, desde que o corpo e a cabeca do bebe estejam de forma alinhada, isto e, a cabeca e a coluna em linha reta, no mesmo eixo [15].

Sendo assim, o objetivo da presente pesquisa foi investigar as praticas das maes com relacao ao posicionamento do bebe durante o aleitamento e sua relacao com a IVAS e otite media em lactentes.

METODOS

O projeto foi aprovado pelo Comite de Etica da Universidade Estadual do Centro Oeste--UNICENTRO, conforme parecer numero 358.809. Todas as participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

Trata-se de um estudo descritivo exploratorio que consiste na organizacao, apresentacao, analise e sintese de dados numericos da amostra. A coleta de dados foi realizada com as maes e bebes que compareceram ao servico do Teste da Orelhinha de uma Clinica Escola de Fonoaudiologia.

Foram realizadas entrevistas com 60 maes. O criterio de inclusao foi de que as maes estivessem em adequada condicao de saude geral para participarem da entrevista. Foram excluidas maes de bebes que apresentassem malformacoes congenitas, alteracoes respiratorias, cardiacas e neurologicas. Para coletar as informacoes referentes as praticas maternas e a presenca de IVAs e otites nos bebes, aplicou-se um roteiro de perguntas semiestruturado, as quais eram relacionadas quanto a exclusividade do aleitamento materno, a posicao do lactente durante a amamentacao e a ocorrencia de infeccao de vias aereas superiores e otites. As perguntas realizadas foram: "O bebe recebe aleitamento materno exclusivo?"; "O bebe costuma mamar durante a noite? Se sim, em qual posicao?"; "Qual posicao o bebe e amamentado?"; "O bebe ja teve alguma infeccao de vias aereas superiores, como resfriados ou gripes?"; "O bebe ja teve otite ou dor de ouvido?" e "Voce acredita que a posicao do bebe durante a mamada interfere na presenca do resfriado, da gripe ou da dor de ouvido?". Convem mencionar que nao foram realizados exames nos bebes para se verificar a presenca de IVAs, tao pouco se realizou coleta de dados em prontuarios. Tais dados foram obtidos a partir das respostas das maes. As respostas das entrevistas foram categorizadas e analisadas aplicando-se o teste exato de Fisher, com nivel de significancia de p<0,05, utilizando-se o software Statistica.

Com relacao a coleta de dados dos bebes, realizou-se meatoscopia em ambas as orelhas, assim como o exame de Emissoes Otoacusticas. Foram consideradas emissoes otoacusticas quando registradas pelo menos 6dB acima do ruido de fundo e exame normal quando presentes pelo menos tres das cinco frequencias testadas. Os bebes que participaram da pesquisa tinham de 4 a 180 dias, com uma media de idade de 40 dias, sendo que metade deles era do sexo feminino e a outra do sexo masculino. Todos os bebes apresentaram meatoscopia direita e esquerda sem impedimentos, no momento da entrevista. Os resultados das Emissoes Otoacusticas tambem foram normais em todos os bebes.

RESULTADOS

Dos 60 lactentes, 49 eram amamentados com leite materno exclusivo e 11 em aleitamento nao exclusivo. Com relacao a posicao, 20 das 60 maes relataram amamentar seus filhos na posicao sentada e 40 na posicao deitada.

A ocorrencia de IVAS relatada pelas maes foi de 10 bebes sendo que destes, 6 bebes mamavam na posicao deitada e 4 bebes na posicao sentada, como mostra a Tabela 1.

Quanto a ocorrencia de otite media, segundo as maes, 6 bebes apresentaram pelo menos um episodio de otite. Destes bebes, 2 eram amamentados sentados e 4 deitados, conforme Tabela 2.

Quanto ao tipo de aleitamento e a ocorrencia de IVAS, 6 dos 49 bebes amamentados com aleitamento exclusivo apresentaram IVAS e 4 dos 11 bebes que nao recebiam aleitamento materno exclusivo apresentaram IVAS, conforme apresentado na seguinte Tabela 3.

Do total de 60 lactentes, 6 relataram episodios de otite. Dos 49 bebes amamentados com aleitamento materno exclusivo, 3 apresentaram otite e dos 11 bebes que nao recebiam aleitamento materno exclusivo, 3 relataram episodio de otite, conforme mostra a Tabela 4.

Sendo assim, dos 49 bebes amamentados exclusivamente com leite materno, apenas 9 apresentaram ocorrencia de otite ou de IVAS. Dos 11 bebes sem aleitamento exclusivo, 7 apresentaram ocorrencia de otite ou IVAS. Com relacao aos valores de p apresentados na tabela 1 e 2, pode-se perceber que nao ha diferenca estatistica entre os grupos, ou seja, nao ha associacao entre a posicao do lactente durante a amamentacao e a ocorrencia de IVAS e otites, pois apresentam respectivamente p = 0,718 e p = 1.

Ja os valores de p observados nas tabelas 3 e 4 indicam que, embora nao haja diferenca estatistica entre os grupos, os valores de p sao limitrofes, pois apresentam respectivamente p = 0,074 e p = 0,068. E possivel que haja um erro estatistico do tipo II, ou seja, ao aumentar o valor da amostra ha uma probabilidade de que estes valores se tornarem estatisticamente significantes.

DISCUSSAO

Os relatos das praticas das maes participantes do estudo revelam que nao e possivel se estabelecer uma relacao direta entre o posicionamento praticado durante o aleitamento materno e a presenca de IVAS e otite media. Convem mencionar que, apesar da tuba auditiva apresentar uma posicao mais horizontalizada, a fisiologia da succao durante o aleitamento materno difere muito da succao que ocorre durante a mamadeira.

Durante a succao no seio materno, no ato da degluticao, ocorre anteriorizacao e abaixamento da regiao anterior do palato mole. Ao mesmo tempo, eleva-se sua parte vertical, o que permite o fechamento da orofaringe. Dessa forma, nao ha possibilidade de entrada do leite pela tuba auditiva, mesmo com o bebe na posicao deitada.

Ainda que haja a entrada do leite materno, vale a pena lembrar que o leite humano e especifico para a especie humana e apresenta um efeito protetor, devido a presenca das imunoglobulinas. Alem dos efeitos protetores, o aleitamento natural propicia um bom posicionamento do lactente durante a amamentacao devido ao apoio de sua cabeca no braco da mae em uma altura mais horizontalizada, evitando que o leite escorra pela tuba auditiva [9]. Portanto, a amamentacao exclusiva e segura, promove o desenvolvimento sensorial e cognitivo e contem anticorpos que protegem as criancas de doencas comuns da infancia [15].

Diferentemente, quando o bebe se alimenta com leite artificial por mamadeira, a contracao muscular e reduzida, com consequente flacidez da musculatura do palato mole. Desta forma, o leite entra pela orofaringe e atinge a tuba auditiva. O leite artificial, por sua vez, nao possui anticorpos como o leite materno, podendo favorecer a rapida proliferacao de bacterias, levando a otite media. Vale a pena mencionar que o musculo tensor do palato mole e o principal responsavel pela abertura da tuba auditiva. Por estar flacido e hipofuncionante nos bebes alimentados por mamadeira, a fraca atividade do musculo tensor do palato mole favorece a entrada de grandes volumes de leite no ouvido medio.

Os resultados do presente estudo estao de acordo com trabalhos que relacionam o aleitamento materno com a ocorrencia de IVAS e otite. A amamentacao prolongada foi associada a reducoes significantes de ambas infeccoes, do trato respiratorio superior e otite media aguda. Em comparacao com decadas anteriores, a incidencia de otite media aguda diminuiu em decorrencia de diversos fatores como o advento das vacinas pneumococicas conjugadas, o uso rotineiro de vacinas contra a gripe em lactentes e criancas, a diminuicao das taxas de tabagismo e o aumento das taxas de aleitamento materno [16].

Por reduzir as taxas de colonizacao nasofaringea, a Imunoglobulina A Secretora (IgA S) do leite humano pode proteger contra a otite media. Estudos mostram que a IgA S dificulta a aderencia do microrganismo na superficie da mucosa, reduzindo a colonizacao. E possivel que a IgA S, banhando a orofaringe durante a amamentacao, interaja com as mucinas e o glicocalice na nasofaringe, exercendo seu efeito protetor [17]. Estes anticorpos representam a classe predominante de imunoglobulina nas secrecoes externas e proporcionam uma protecao imunologica especifica em todas as superficies das mucosas, bloqueando a entrada de agentes patogenicos [18,19].

Ha muitas evidencias de que a amamentacao protege contra a otite media aguda ate aos 2 anos de idade, mas a protecao e maior para o aleitamento materno exclusivo e para amamentacao de longa duracao. O aleitamento materno exclusivo durante os primeiros 6 meses foi associado com uma reducao da otite media aguda em torno de 43% nos 2 primeiros anos de vida. Apos 2 anos de idade, nao ha nenhuma evidencia de que a amamentacao proteja contra a otite media aguda, no entanto, os estudos nessa faixa etaria sao escassos [20].

O papel protetor e preventivo do leite materno foi avaliado e relacionado com o tempo de permanencia hospitalar e/ou morbidade em estudo com 232 bebes menores de seis meses de idade. Ficaram evidenciados que o tempo de internacao e morbidade foram menores em bebes em aleitamento materno, com significancia nos casos de otite media, gastroenterite, broncopneumonia e doencas de pele [21].

Os resultados timpanometricos de um estudo realizado com lactentes de seis meses de idade demonstraram que o aleitamento materno atua como fator protetor contra alteracoes timpanometricas [21].

A influencia do tipo de amamentacao nas condicoes de orelha media de lactentes de zero a quatro meses foi analisada em um estudo com 60 criancas. Foi observado que os lactentes que receberam aleitamento materno exclusivo apresentaram menos alteracoes na avaliacao otorrinolaringologica e nas medidas de imitancia acustica, possibilitando desta forma que as emissoes otoacusticas fossem presentes. Alem disso, os lactentes que receberam aleitamento materno exclusivo apresentaram menos alteracoes da membrana timpanica, enquanto os lactentes que receberam mamadeira ou aleitamento misto exibiram maior numero de alteracao na avaliacao otorrinolaringologica [10].

Um estudo transversal correlacionou o tempo de aleitamento materno exclusivo com o numero de infeccoes dos sistemas respiratorios e gastrointestinais em criancas, nos primeiros dois anos de vida. Observou-se que a media do numero de infeccoes de vias aereas superiores, incluindo casos de otite media, nos dois primeiros anos de vida, foi maior no grupo amamentado com aleitamento exclusivo inferior a quatro meses [22].

Uma revisao de estudos epidemiologicos indica que a introducao da formula infantil nos primeiros 6 meses de vida esta associada ao aumento da incidencia de otite media aguda na primeira infancia, quando comparado com criancas que tiveram 6 meses de amamentacao exclusiva [23].

Com relacao a idade dos bebes participantes da presente pesquisa, observou-se a idade media de 40 dias, ou seja, a pouca idade pode ser um dos motivos da nao ocorrencia de IVAS e otite media. Por isso, aponta-se a necessidade de investigar as praticas maternas e os bebes por um periodo de tempo maior, de forma longitudinal e em uma amostra maior, em estudos futuros. Alem disso, aponta-se tambem a necessidade, em estudos futuros, de que as praticas maternas avaliadas de forma mais objetiva, numa filmagem por exemplo, para uma maior fidedignidade dos dados.

Salienta-se que ha outros fatores que contribuem para a otite media, entre eles os fatores de risco ambientais. Nestes fatores, incluem-se a estacao do ano, presenca de infeccao respiratoria viral (devido a superlotacao e disseminacao de aerossois no inverno), a exposicao a outras criancas ou a presenca de irmaos em idade escolar, a exposicao a fumaca ambiental do tabaco (que reduz da funcao mucociliar), depuracao reduzida do ar, falta de higiene e o uso de chupetas. Juntamente aos fatores ambientais, soma-se ainda, como fator de risco a otite media, a falta de aleitamento materno, idade precoce e sistema imunologico imaturo, e possiveis fatores geneticos [24,25]. A maioria destes fatores de risco aumenta as oportunidades de colonizacao do trato respiratorio superior e da nasofaringe por patogenos bacterianos [9]. Os fatores ambientais nao foram controlados no presente estudo e recomenda-se que sejam investigados em pesquisas futuras.

Quanto a posicao em que os bebes sao amamentados, percebeu-se que o numero de maes que amamenta na posicao deitada e o dobro das maes que referem amamentar seus filhos na posicao sentada. Isso mostra que, embora os profissionais orientem as maes a amamentar sentadas, na pratica, a maioria opta pela posicao mais confortavel para ela e o bebe, seguindo o que e preconizado pelo Ministerio da Saude [15].

Destaca-se que vivenciar a amamentacao significa experimentar momentos de cansaco, pois o ato de amamentar depende do estado fisico da mae, implicando em grande gasto de energia [26]. As mulheres relatam que a pratica da amamentacao envolve inseguranca, angustia, ansiedade, cansaco e preocupacao. Isso se deve principalmente pelos multiplos papeis exercidos pelas nutrizes e, muitas vezes, pela falta de ajuda e apoio familiar [27,28]. Chama a atencao o fato de que, apesar das orientacoes e experiencias previas recebidas pelas maes, nem sempre nota-se uma pratica adequada da amamentacao, pois outros fatores podem interferir nessa questao, tais como os socioeconomicos e culturais [29].

O presente estudo se atenta em mostrar que as praticas maternas no processo do aleitamento estao relacionadas nao somente aos aspectos da posicao na amamentacao, associados a orientacoes profissionais ou a presenca de IVAS e otite. Especialmente, quando se analisa a origem da justificativa de se posicionar o bebe mais verticalizado para se prevenir a otite media, verifica-se que tal justificativa esta ancorada em dois estudos, os quais denominam a "otite media posicionai" [11,12]. Vale se ressaltar que os dois estudos foram realizados em bebes alimentados na mamadeira e a alimentacao artificial possui uma serie de implicacoes para a saude infantil, como ja discutido anteriormente.

A orientacao de que o bebe deve estar posicionado de forma elevada faz sentido na alimentacao na mamadeira, como uma medida preventiva para a otite media, por dois principais motivos. O primeiro deles diz respeito a falta das substancias protetivas que inexistem no leite artificial. O segundo esta relacionado a diferenca fisiologica dos tipos de succao, sendo distintos no seio materno e na mamadeira, como ja mencionado anteriormente. Desta forma, os resultados da presente pesquisa direcionam e fundamentam que o bebe amamentado no seio materno fica protegido contra a IVAS e otite media, independente da posicao em que se encontra no colo da mae. Historicamente, os profissionais de saude fazem a recomendacao de que as maes devem amamentar seus bebes numa posicao mais verticalizada, a fim de prevenir a otite media. Desta forma, sugere-se que tal recomendacao seja repensada para os lactentes alimentados exclusivamente em seio materno.

Na presente pesquisa, a ocorrencia de IVAS e otite media foi verificada a partir de entrevistas realizadas com as maes. Embora esta metodologia tenha sido utilizada em estudos semelhantes [22,30], sugere-se que em estudos futuros a ocorrencia, tanto da IVAS quanto da otite, seja averiguada de forma objetiva ou clinica.

CONCLUSAO

No presente estudo verificou-se que as praticas das maes durante o aleitamento e o posicionamento do bebe durante o aleitar nao possuem relacao com a infeccao de via aerea superior e a otite media.

doi: 10.1590/1982-0216201719314916

REFERENCIAS

[1.] World Health Organization. Global strategy for infant and young child feeding. World Health Organization, Geneva, Switzerland, 2003.

[2.] Mocellin L. Infeccoes das vias aereas superiores. Revista Brasileira de Medicina. 2011;68(2):82-7.

[3.] Bentivegna D, Salvago P, Agrifoglio M, Ballacchino A, Ferrara S, Mucia M et al. The linkage between upper respiratory tract infection and otitis media: evidence of the 'united airways concept'. Acta Med Mediter. 2012;28:287-90.

[4.] Sahin-Yilmaz A, Naclerio RM. Anatomy and physiology of the upper airway. Proceedings of The American Thoracic Society. 2011;8(1):31-9.

[5.] Piters WAAS, Sanders AME, Bogaert D. The role of the local microbial ecosystem in respiratory health and disease. Philos Trans R Soe Lond B Biol Sci. 2015;370(1675):pii20140294.

[6.] Martines F, Bentivegna D, Maira E, Sciacca V, Martines E. Risk factors for otitis media with effusion: case-control study in Sicilian school children. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2011;75(6):754-9.

[7.] Bosch AATM, Biesbroek G, Trzcinsk IK, Sanders EA, Bogaert, D. Viral and bacterial interactions in the upper respiratory tract. Plos Pathogens. 2013; 9(1): e1003057.

[8.] Rettig E, Tunkel DE. Contemporary concepts in management of acute otitis media in children. Otolaryngol Clin North Am. 2014;47(5):651-72.

[9.] Wiertsema SP, Leach AJ. Theories of otitis media pathogenesis, with a focus on indigenous children. The Medical Journal of Australia. 2009; 191 (9): 50-4.

[10.] Garcia MV, Azevedo MF, Testa JRG, Luiz CBL. The influence of the type of breastfeeding on middle ear conditions in infants. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology. 2012;78(1):8-14.

[11.] Saarinen UM. Prolonged breast feeding as prophylaxis for recurrent otitis media. Acta Pediatr Scand. 1982;71(4):567-71.

[12.] Duncan RB. Positional otitis media. Arch Ototaryngol. 1960;72:454-63.

[13.] Beauregard RB. Positional otitis media. J Pediatr. 1971;79:294-6.

[14.] Grassi MS, Costa MTZ, Vaz FAC. Fatores imunologicos do leite humano. Jornal da Pediatria. 2001;23(3): 258-63.

[15.] BRASIL. Promovendo o Aleitamento Materno. Ministerio da Saude. 2^ed. Brasilia, 2007.

[16.] Gultie T, Sebsibie G. Determinants of suboptimal breastfeeding practice in Debre Berhan town, Ethiopia: a cross sectional study. International Breastfeeding Journal. 2016; 11 (5): 1-8.

[17.] Chonmaitree T, Trujillo R, Jennings K, Alvarez-Fernandez P, Patel JA, Loeffelholz MJ et al. Acute otitis media and other complications of viral respiratory infection. Pediatrics. 2016;137(4): pii, e20153555.

[18.] Bouskela MAL, Grisi S, Escobar AMU. Aspectos epidemiologicos da infeccao por Haemophilus influenzae tipo B. Revista Panamericana de Salud Publica. 2000;7(5):332-9.

[19.] Brandtzaeg P. Mucosal immunity: induction, dissemination, and effector functions. Scandinavian Journal of Immunology. 2009;70(6):505-15.

[20.] Bowatte G, Tham R, Allen K, Tan DJ, Lau MXZ, Dai X et al. Breastfeeding and childhood acute otitis media: a systematic review and meta-analysis. Acta Paed iatrica. 2015; 104(467) : 85-95.

[21.] Kaur A, Karnail S, Pannu MS, Singh P, Sehgal N, Kaur R. The effect of exclusive breastfeeding on hospital stay and morbidity due to various diseases in infants under 6 months of age: a prospective observational study. Int J Pediatr. 2016;17(2016): 7647054.

[22.] Melo JJ, Lewis DR, Marchiori LLM. Resultados timpanometricos: lactentes de seis meses de idade. Rev. CEFAC. 2008; 10(1):104-9.

[23.] Carvalho CF, SILVA MGF. Avaliacao do desmame precoce e suas implicacoes infecciosas nas criancas atendidas no ambulatorio de um hospital terciario. Arquivos de Ciencias da Saude. 2005; 12(3): 129-32.

[24.] Abrahams SW, Labbok MH. Breastfeeding and otitis media: a review of recent evidence. Curr Allergy Asthma Rep. 2011;11(6):508-12.

[25.] Lubianca Neto JF, Hemb L, Silva DB. Systematic literature review of modifiable risk factors for recurrent acute otitis media in childhood. J Pediatr. 2006 ;82 (2) : 87-96.

[26.] Arantes C I S. Amamentacao: visao das mulheres que amamentam. Jornal de Pediatria. 1995;71 (4):195-202.

[27.] Primo CC, Dutra PR, Lima E FA, Alvarenga SC, Leite, FMC. Redes sociais que apoiam a mulher durante a amamentacao. Cogitare Enfermagem. 2015;20(2):426-33.

[28.] Prates LA, Schmalfuss JM, Lipinski JM. Amamentacao: a influencia familiar e o papel dos profissionais de saude. Rev Enferm UFSM. 2014;4(2):359-67.

[29.] Medeiros AMC, Batista BG, Barreto IDC. Aleitamento materno e aspectos fonoaudiologicos: conhecimento e aceitacao das maes de uma maternidade. Audiology Communication Research. 2015;20(3): 183-90.

[30.] Lima-Gregio AM, Calais LL, Feniman MR. Otite media recorrente e habilidade de localizacao sonora em pre-escolares. Rev. CEFAC. 2010; 12(6): 1033-40.

Lais Fernanda Nadal (1)

Alcir Humberto Rodrigues (1)

Cintia da Conceicao Costa (1)

Vanessa Cristina de Godoi (1)

Diulia Gomes Klossowski (1)

Cristina Ide Fujinaga (1)

(1) Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), irati, Parana, Brasil.

Conflito de Interesses: Inexistente

Recebido em: 24/10/2016

Aceito em: 28/04/2017

Endereco para correspondencia:

Cristina Ide Fujinaga

Rua Joao Batista Anciuttl, 246

Iratl-PR

CEP: 84500-000

E-mail: cifujlnaga@gmail.com
Tabela 1. Distribuicao dos 60 lactentes segundo a
relacao entre a posicao durante a amamentacao e a
ocorrencia de Infeccao de Vias Aereas Superiores
(IVAS) relatadas pelas maes

Posicao do lactente     Presenca    %     Ausencia    %
durante a amamentacao   de IVAS           de IVAS

Sentado                    4        20       16       80
Deitado                    6        15       34       85
Total                      10      16,6      50      83,3

Posicao do lactente     Total    %     Valor de p
durante a amamentacao

Sentado                  20     33,3     0,718
Deitado                  40     66,7
Total                    60     100

Legenda: Teste exato de Fisher p<0,05

IVAS: Infeccao de vias aereas superiores

Tabela 2. Distribuicao dos 60 lactentes segundo a relacao
entre a posicao durante a amamentacao e a ocorrencia de
otite relatada pelas

Posicao do lactente     Presenca    %    Ausencia   %
durante a amamentacao   de otite         de otite

Sentado                    2       3,3      18      30
Deitado                    4       6,7      36      60
Total                      6       10       54      90

Posicao do lactente     Total    %     Valor de p
durante a amamentacao

Sentado                  20     33,3       1
Deitado                  40     66,7
Total                    60     100

Legenda: Teste exato de Fisher p<0,05

Tabela 3. Distribuicao dos 60 lactentes segundo a
relacao entre o tipo de aleitamento e ocorrencia
de Infeccao de Vias Aereas Superiores (IVAS)
relatada pelas maes

Tipo de aleitamento   Presenca    %     Ausencia    %
                      de IVAS           de IVAS

Exclusivo                6        10       43      71,7
Nao exclusivo            4       6,7       7       11,6
Total                    10      16,7      50      83,3

Tipo de aleitamento   Total    %     Valor de p

Exclusivo              49     81,7     0,074
Nao exclusivo          11     18,3
Total                  60     100

Legenda: Teste exato de Fisher p<0,05

IVAS: infeccao de vias aereas superiores

Tabela 4. Distribuicao dos 60 lactentes segundo a
relacao entre o tipo de aleitamento e a ocorrencia
de otite relatada pelas maes

Tipo de aleitamento   Presenca   %    Ausencia    %
                      de otite        de otite

Exclusivo                3       5       46      76,7
Nao exclusivo            3       5       8       13,3
Total                    6       10      54       90

Tipo de aleitamento   Total    %     Valor de p

Exclusivo              49     81,7      0,06
Nao exclusivo          11     18,3
Total                  60     100

Legenda: Teste exato de Fisher p<0,05

IVAS: infeccao de vias aereas superiores
COPYRIGHT 2017 CEFAC - Associacao Institucional em Saude e Educacao
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2017 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Nadal, Lais Fernanda; Rodrigues, Alcir Humberto; Costa, Cintia da Conceicao; de Godoi, Vanessa Crist
Publication:Revista CEFAC: Atualizacao Cientifica em Fonoaudiologia e Educacao
Article Type:Ensayo
Date:May 1, 2017
Words:4220
Previous Article:Association between continuous use drugs and dizziness in institutionalized elderly people/Associacao entre medicamentos de uso continuo e tontura em...
Next Article:Main difficulties and obstacles faced by the deaf community in health access: an integrative literature review/Principais dificuldades e obstaculos...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2018 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters