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Intertextualidade e cultura material: um estudo de narrativa ficcional audiovisual contemporanea/Intertextuality and material culture: a study of a contemporary audiovisualfictional narrative/Intertextualidad y cultura material: un estudio de narrativa ficcional audiovisual contemporanea.

1. Introducao

O produto televisivo que corresponde a nosso objeto empirico de estudo consiste na serie ficcional televisiva norte-americana intitulada Once upon a time (2012). Desenvolvida na atualidade e ainda em andamento, chamou-nos a atencao porque, entendendo que delineia o imaginario de uma epoca, despertou-nos o questionamento: operando intertextualmente, que imaginario seria este? Afinal, a serie faz uso de inumeras referencias a diversos textos culturais, especialmente contos de fada, ao mesmo tempo em que mescla essas referencias introduzindo novas relacoes e explicacoes aos contos originais, e ainda propoe uma releitura e transposicao para o contexto real e atual.

Em breve mapeamento, percebemos atualmente muitas producoes no cinema trabalhando explicitamente com esse universo fantastico e propondo releituras dele. Uma vez que tem sido recorrentes essas recriacoes de obras preexistentes de contos maravilhosos, parece-nos que esses contos podem funcionar como um porto seguro para os atuais sujeitos que vivem na contemporaneidade, cujo passado foi "destruido" nos anos 1990 (1), aspecto situado pelo historiador britanico Eric Hobsbawm (1995) ao analisar o "Breve Seculo XX" e elencar as diferencas de seu final (1991) em relacao a seu inicio (1914). Nesses termos, concluimos a justificativa de pertinencia do estudo proposto. O estudo do discurso para entender a sociedade, seu tempo e lugar.

Nesse ponto, dialogamos com a perspectiva do materialismo cultural, formulada pelo teorico dos Estudos Culturais Raymond Williams (1979), que consiste em uma abordagem para se estudar a cultura, enxergando-a como significados e valores de uma sociedade e entendendo todas as formas culturais como produtoras e reprodutoras de significados e valores. E, antes, uma metodologia para se estudar a interrelacao entre obra e sociedade, segundo a qual as producoes culturais sao materializacoes dos valores de uma sociedade, formas de dar visibilidade ao que pensamos socialmente. Nesse sentido, tanto quanto descortinamos a obra na sociedade, descortinamo-la na obra. Sendo os produtos culturais formas de construcao da hegemonia, entende-los passa a ser fundamental para uma postura/acao critica a ela, argumento este que se mostra como mais uma validacao para a realizacao deste estudo. Ainda que nosso interesse esteja no produto em si, o transbordamento para esse olhar para a sociedade e inevitavel. E ao mesmo tempo fator movente de nossa pesquisa e sua razao de ser.

2. Sobre o objeto empirico de estudo

Conforme ja situado, nosso objeto empirico corresponde a serie ficcional televisiva norte-americana Once upon a time (2012) (ou OUAT na abreviacao usada por fas), que estreou na rede de televisao ABC em outubro de 2011 e esta atualmente (segundo semestre de 2017) em sua sexta temporada. Once upon a time e uma cocriacao de Adam Horowitz e Edward Kitsis, ambos escritores/roteiristas de series de TV norte-americanas e produtores de televisao. Trabalharam juntos como escritores em varias series de TV anteriores, com destaque para Lost (2004-2010), que foi a de maior repercussao e para a qual escreveram conjuntamente alguns episodios.

Assim como Lost, Once upon a time e construida a partir da insercao de informacoes vinculadas a outros textos culturais de forma intencional, promovendo um desafio para os espectadores embarcarem em um "jogo" de caca a pistas, vestigios e referencias entre os episodios. Nos primeiros posts publicados no site oficial da serie hospedado junto ao site da ABC e possivel ver o quanto a serie incita de fato aos espectadores para que vasculhem os episodios em busca de intertextos, referencias e citacoes/alusoes (2). Fato que, para nos, parece reforcar a pertinencia de nossa perspectiva sobre esse produto a partir da nocao de intertextualidade.

A narrativa da primeira temporada de Once upon a time (o recorte que compoe nosso corpus de analise) tem inicio no espaco-tempo do Reino Encantado, na ocasiao do casamento de Branca de Neve e Principe Encantado. A cerimonia e interrompida com a chegada da Rainha Ma e seu anuncio sobre uma grande maldicao que deslocara todos os personagens dos contos para uma nova terra, sem magia, em que nao teriam finais felizes e viveriam outras vidas, sem suas memorias enquanto protagonistas de historias fantasticas: o Mundo Real. Desse modo, a partir do momento em que a maldicao e lancada, os personagens estao todos em outro espaco-tempo, em uma cidade litoranea chamada Storybrooke--cidade ficticia do Maine, estado ao nordeste dos Estados Unidos de America.

Com a concretizacao do feitico, todos os personagens sao entao transportados para Storybrooke, perdendo suas memorias e identidades de personagens de contos de fada. Com excecao de Emma, recem-nascida, filha de Branca de Neve e Principe Encantado, que foi colocada em um armario magico que a conduziu ao Mundo Real antes da maldicao, protegendo-a. Emma, portanto, hoje, 28 anos depois, e a unica que pode quebrar o encanto e restaurar lembrancas e identidades de todos e, ainda, liberta-los, pois, eles nao percebem, mas estao presos na cidade; sempre que algum deles tenta sair, algo acontece para impedir.

Sem saber de nada disso, contudo, Emma mora em Boston e, no dia de seu aniversario de 28 anos, recebe a visita de Henry Mills, seu filho biologico que ela deu para adocao logo apos o nascimento. O menino, de 10 anos, desconfia de toda essa maldicao--lancada pela Rainha Ma, que e Regina Mills, mae adotiva de Henry no Mundo Real da serie--, e possui um livro de historias (Once upon a time) que acredita conter a chave para quebra-la. Por isso, apareceu para pedir a ajuda de Emma, pois cre que ela seja a filha de Branca de Neve destinada a dar um fim a esse feitico. Emma conduz Henry de volta a Storybrooke, fica intrigada com a relacao dele com Regina e permanece na cidade. O menino, entao, passa a temporada tentando convencer Emma sobre toda essa historia de feitico e o importante papel dela como grande salvadora dos personagens; ate que, finalmente, ela acredita e da fim ao encanto no ultimo episodio da temporada.

O grande foco esta no Mundo Real e na quebra da maldicao, mas, em verdade, a narrativa da serie avanca alternando-se entre os textos das duas dimensoes espaco-temporais. Na quase totalidade dos episodios ha dois enredos paralelos que se intercalam na tela: um que se passa em Storybrooke (o Mundo Real da serie), geralmente no tempo presente seguindo o enredo exposto, e outro que se passa, em flashback, no Reino Encantado da serie, comumente com um foco central em um conto de fadas e em um momento passado da vida de um personagem antes da maldicao.

3. Procedimentos metodologicos

Para a nossa investigacao como um todo (que resumimos aqui), em termos de procedimentos metodologicos, a fim de alcancarmos o objetivo proposto (entender os modos como a narrativa televisual contemporanea se constitui atraves da estrategia de intertextualidade), apostamos em uma metodologia combinada, que associa mais de uma tecnica de aproximacao ao corpus da pesquisa. Metodologicamente, nossa analise do corpus se desdobra em dois planos que nos sao centrais: o plano do discurso (na esfera do verbal) e o plano da imagem.

No plano do discurso, assumimos o conceito de intertextualidade (Kristeva, 2012; Fiorin, 2003) como instrumental para a desconstrucao da narrativa e do discurso, uma vez que a serie se constroi retrabalhando textos de classicos contos de fada e de outros produtos culturais. Desse modo, nos desconstruimos a serie, levantando os contos com os quais ela trabalha, identificando os sentidos (novos ou nao) que os contos ganham no Reino Encantado da serie e em seu Mundo Real e assinalando o modo de construcao narrativa da serie a partir dos contos mobilizados.

Em seguida, partimos para o segundo plano da analise, o imagetico. Aqui, inspiramo-nos em metodo de analise audiovisual proposto por Sarah Pink (2008), pesquisadora inglesa, cuja analise da imagem de um texto cultural compreende tres etapas. Primeiro, entender o objetivo e a origem do texto cultural em questao. Segundo, identificar o contexto sociocultural mais amplo em que as imagens do texto sao produzidas--compreende identificar conexoes entre as praticas representadas no texto e o macrocontexto em que emergem essas praticas. Terceiro, analisar os significados das imagens do texto.

Empreendemos, portanto, tal trajeto sugerido por Pink (2008) e, mais especificamente, fazemos um mapeamento de cenas de Once upon a time para apresentar como elas se constroem intertextualmente. Tendo identificado que, alem dos personagens, sao determinados objetos que promovem a intertextualidade imagetica da serie, partimos para um garimpo antropologico pela narrativa, buscando os objetos articuladores das relacoes intertextuais internas e externas.

Com tal combinacao metodologica, acreditamos dar conta do estudo a que nos propomos de exploracao da intertextualidade de uma narrativa complexa. Ainda que nao fosse nossa pretensao, a certo modo, cremos ter construido um percurso metodologico que tem potencial para ser replicado para outros objetos empiricos de estudo no campo do televisual. De todo esse caminho metodologico percorrido, apresentamos agora os principais resultados alcancados; primeiro no plano discursivo e, na sequencia, no plano imagetico.

4. Intertextualidade no plano discursivo

Kristeva (2012), discutindo o conceito de dialogismo de Bakhtin (2011), alcanca o conceito de intertextualidade; que estaria para o texto assim como o dialogismo para o enunciado. Segundo a nocao de intertextualidade em Kristeva, "[...] a palavra (o texto) e um cruzamento de palavras (de textos) onde se le, pelo menos, uma outra palavra (texto)" (Kristeva, 2012: 141). Ou, nas palavras de Fiorin, "a intertextualidade e o processo de incorporacao de um texto em outro, seja para reproduzir o sentido incorporado, seja para transforma-lo" (Fiorin, 2003, p. 30).

Com base no exposto, o mesmo autor classifica o que chama de tres processos de intertextualidade (Fiorin, 2003: 30): citacao, alusao e estilizacao. Na citacao, um texto faz referencia o outro confirmando ou nao o sentido do texto citado, geralmente fazendo uso das mesmas palavras. Ja na alusao, nao sao citadas literalmente as mesmas palavras do texto, mas ocorre uma reproducao do tema figurativizado de outra forma, mantendo o mesmo sentido (relacao contratual) ou construindo um novo sentido (relacao polemica). Por fim, na estilizacao, ha a reproducao do estilo do discurso alheio.

A partir do quadro teorico apresentado em torno da nocao de intertextualidade, vemos nitidamente em Once upon a time o seu emprego enquanto tecnica de construcao da narrativa. Percebemos que ela opera essa intertextualidade de diversas formas, em momentos distintos, usando de diferentes tipos de textos-fonte. Em uma primeira camada, percebemos que ha uma intertextualidade com textos-fonte externos a serie, que chamamos de intertextualidade externa: (1) quando faz referencia a contos de fada classicos no Reino Encantado de Once upon a time; (2) quando faz referencia a estes mesmos contos de fada classicos no Mundo Real de Once upon a time; e (3) quando faz referencia a outros textos culturais diversos, geralmente textos midiaticos em ambos os mundos da serie. Ja em uma segunda camada, identificamos que ha ainda um trabalho intertextual com textos-fonte internos a serie, o qual chamamos de intertextualidade interna. Ou seja, o texto de um dos universos da serie faz referencia ao texto do outro universo da serie. Tal referencia ocorre no plano verbal, como mostramos ao longo deste topico, e ocorre tambem no plano imagetico, quando objetos do Reino Encantado figuram no Mundo Real, como anunciamos em topicos mais adiante.

As situacoes de intertextualidade que trabalham com a incorporacao dos contos fantasticos e com as mencoes de um mundo da serie no seu outro mundo sao as que nos interessam mais de perto. Atemos, portanto, nossa analise a elas, mas sempre sinalizando, quando pertinente, a intertextualidade construida a partir de outros textos que nao os contos de fada.

Outra notacao importante a fazermos ainda diz respeito aos contos de fada enquanto textos-fonte da intertextualidade, mas se refere a forma como a serie os insere em seu texto. Notamos que, primordialmente, cada episodio de Once upon a time individualmente incorpora elementos de apenas um conto de fadas central em particular. Contudo, enxergamos que, em meio ao trabalho com o conto central em questao, a serie introduz referencias a outros contos nesse mesmo episodio.

Enfim, retomando e ratificando, no que concerne a intertextualidade discursiva, em sintese, identificamos diversos tipos de textos-fonte (internos e externos), dois momentos em que ela acontece e dois modos como que ela se da. Em relacao aos tipos de texto-fonte a que Once upon a time faz referencia, de maneira ampla, ha os textos externos e os textos internos a serie. Detalhando um pouco mais, ha os contos de fada (intertextualidade externa), ha outros textos culturais que nao os contos de fada (intertextualidade externa) e ha o texto interno da propria serie (intertextualidade interna). Em relacao aos momentos em que essa intertextualidade acontece, podemos dizer que ocorre em dois tempos distintos: no Reino Encantado e no Mundo Real da serie. Ja quanto ao modo como a serie trabalha os textos externos (contos de fada), pode ser individualmente em um episodio especifico dando novos sentidos (ou nao) a cada um dos contos, ou mesclando dentro do trabalho central com um conto citacoes a outros contos.

Em virtude de espaco, vamos ilustrar com apenas uma amostra representativa como se da toda essa construcao intertextual no plano discursivo da serie, evidenciando o entrelacamento de variados textos. Apresentamos, pois, duas situacoes. Primeiro, o trabalho individual com um conto de fadas em particular que a serie referencia, ilustrando com a historia de Cinderela/A Gata Borralheira. Segundo, o complexo entrelacamento de referencias que combinam textos (contos de fada e demais producoes culturais) no texto da serie em um mesmo episodio, o 4 episodio, que trabalha de forma central a historia de Cinderela/A Gata Borralheira, mas vai mesclando e inserindo outras referencias.

5. Ilustracao do trabalho intertextual com um conto: Cinderela/A Gata Borralheira

Cinderela e, originalmente, obra do escritor frances Charles Perrault (A Gata Borralheira), datada de 1697 (Perrault, 2013, p. 44-59). No Reino Encantado de Once upon a time, a historia construida a partir do texto de Cinderela inicia com Cinderela trabalhando como servical e recebendo a visita de sua Fada Madrinha que esta prestes a ajudar a moca a ir ao baile e mudar a sua vida. Porem, Rumpelstiltskin aparece e mata a Fada antes que ela faca a magia. A moca, entao, suplica para que Rumpelstiltskin a ajude a sair de sua triste e pobre condicao. Ele a ouve e alerta que ela ficara devendo um favor a ele. Ela, imaginando que o favor se refere a joias ou algo semelhante, aceita o acordo. Avancando na narrativa, Cinderela se casa com o Principe Thomas e, no dia do casamento, Rumpelstiltskin aparece e revela que o trato consiste em ela entregar a ele o seu primogenito. Passado um tempo, Cinderela, gravida, relata a seu marido todo esse acordo, e o Principe afirma que propora um novo trato a Rumpelstiltskin. O casal segue as minas, ao encontro do Anao Zangado e de Principe Encantado, que explicam os detalhes de como Cinderela deve proceder para que prendam Rumpelstiltskin. E assim ela o faz: Cinderela, mentindo, declara a Rumpelstiltskin que o anao Mestre ouviu dois coracoes, ou seja, ela esta gravida de gemeos e, alegando a pobreza do Reino para sustentar uma crianca, deseja dar tambem o segundo bebe a Rumpelstiltskin em troca de ele deixar as terras do Reino ferteis novamente. Para tanto, bastaria Rumpelstiltskin assinar o contrato, com a pena que Fada Azul enfeiticou, capaz de congelar e retirar a magia de quem a usa. Ele assim o faz: assina, congela e e preso. Mas a felicidade de Cinderela dura poucos instantes: ela sente-se tonta, o Principe Thomas busca agua para ela e nao retorna. A moca questiona Rumpelstiltskin sobre o que ele fez; ao que ele responde: " Voces nao o acharao [Principe Thomas] ate a divida ser paga, ate o bebe ser meu. Ficarei com seu bebe nesta vida ou em outra".

Ja no Mundo Real da serie, a historia construida a partir do texto de Cinderela inicia com Emma encontrando a personagem que estaria na funcao de "gata borralheira", Ashley, que esta gravida e trabalhando na lavanderia da hospedaria da Vovo. Apos conversa com Emma sobre todos terem a possibilidade de mudar suas vidas, Ashley foge. Na sequencia, Sr. Gold procura Emma porque tem uma proposta para fazer a ela: quer a ajuda dela para encontrar Ashley, pois, segundo ele, a menina o roubou. Investigando, na busca pelo ex-namorado de Ashley, Sean Herman, que a abandonou ao saber que estava gravida, Emma encontra o pai do garoto, o qual revela que fechou um acordo com Sr. Gold: Ashley dara a crianca ao Sr. Gold em troca de dinheiro. Emma, enfim, encontra Ashley, a beira da estrada, ja em trabalho de parto, afirmando que quer ficar com o bebe. Emma leva a moca ao hospital, onde Ashley da a luz uma menina. Quando Sr. Gold chega ao hospital em busca da crianca, Emma o interpela afirmando que ela ficara com a mae. Ele retruca dizendo que Emma lhe devera um favor por essa troca. Ao final, Sean visita Ashley no hospital, e eles retomam o romance.

6. Ilustracao do entrelacamento de textos em um mesmo episodio: 4 episodio

Nesse momento, para evidenciarmos de fato a grande estrategia intertextual adotada por Once upon a time no plano discursivo, apresentamos o trabalho intertextual de cruzamento de diversos textos (contos de fada e outros) em um mesmo episodio, o quarto da primeira temporada (The price of gold). Vamos indicando quais os textos com que a serie interage, de que modo e com que tipo de relacao intertextual.

No episodio em questao, a cena em que, no Reino Encantado da serie, Rumpelstiltskin usa de magia para ajudar Cinderela a ir ao baile e melhorar de vida remete ao original Cinderela/A Gata Borralheira (Grimm, 2005, p. 55-61), em que a Fada Madrinha tambem melhora as condicoes de vida da mocinha. Nessa mesma ocasiao, ele e questionado pela menina sobre os sapatos serem de cristal, consistindo novamente numa relacao intertextual de alusao aos sapatos de cristal da historia original de Cinderela/A Gata Borralheira. Alias, Rumpelstiltskin ajudar Cinderela a mudar sua condicao de oprimida e exigir um pagamento em troca e uma alusao ao conto original homonimo do duende Rumpelstiltskin (Grimm, 2005, p. 297-299). Por sua vez, como tanto no Reino Encantado quanto no Mundo Real o pagamento que Rumpelstiltskin/Sr. Gold pede em troca de favor e a entrega do bebe de Cinderela/Ashley, aqui ha uma relacao intertextual interna entre os espacos-tempos da serie. E assim como ele nao consegue o que quer ao final da trama do quarto episodio na dimensao do Reino Encantado, Sr. Gold tambem nao logra ao final no Mundo Real. Essa questao da divida com o bebe que Cinderela nao entregou a Rumpelstiltskin no Reino Encantado ser deslocada para o outro espaco-tempo e confirmada por dois discursos de Rumpelstiltskin nesse mesmo episodio: " Ninguem desfaz meus acordos, queridinha. Ninguem. Nao importa onde esteja, nao importa em que terra se encontre, garanto que terei seu bebe" e " Neste mundo ou no outro, Cinderela, ficarei com seu bebe!"

Ainda, um texto que sofre recorrencia intertextual constante na serie e o jargao cunhado por Rumpelstiltskin: "toda magia tem um preco". Uma das primeiras vezes que aparece e na fala deste mesmo personagem antes de conceber o desejo de Cinderela no Reino Encantado no quarto episodio. Depois, e citado em muitos outros momentos ao longo da temporada. Ainda no mesmo quarto episodio, e citado: (1) por Cinderela no Reino Encantado: " Mas deveriamos usar magia? Ela e a causa dos nossos problemas. E se esta magia tiver um preco?" ; e (2) por Rumpelstiltskin novamente: " Porque ambos sabemos que toda magia tem seu preco. E se fosse usa-la para, digamos, me aprisionar, sua divida ficaria maior ainda". Seguindo, no oitavo episodio (Desperate souls) o velho mendigo (agora revelado como Zoso) diz a Rumpelstiltskin apos este roubar a adaga daquele: "A magia sempre tem um preco. E agora e a sua vez de pagar". Ja mais ao final da temporada, no 21 episodio (An apple red as blood), Sr. Gold alerta Regina: " Fez magia com magia? Sei que nao preciso lembra-la que toda magia tem seu preco". Portanto, enquadra-se como intertextualidade interna a serie, tanto no mesmo mundo quanto de um mundo a outro.

Por fim, ainda no quarto episodio, no espaco-tempo de Storybrooke, Regina menciona que Emma morou dois anos em Tallahasse; trata-se de uma referencia ao episodio The man from Tallahassee, de Lost (Dove, 2011a), intertextualidade externa de um texto cultural que nao e conto de fada.

7. Intertextualidade no plano imagetico: a composicao de cenas

Procuramos apresentar agora como a intertextualidade aparece em Once upon a time tambem atraves da imagem. A imagem, defendemos, e mais uma esfera em que a intertextualidade se deixa perceber. Ou, em outros termos, da perspectiva da producao desse produto cultural, tambem o campo imagetico e construido intertextualmente. Tal construcao, mais uma vez, ocorre por meio de citacao/alusao de um universo a outro e/ou de um texto externo a serie.

Once upon a time nao pode ser considerada imediatamente uma obra que obedece a estetica da intervencao (com sua respectiva intertextualidade posmodernista) aos moldes literais com que propoe Araujo (2007). Contudo, defendemos que ha, sim, um trabalho intertextual em seu plano imagetico. Porem, ele nao se da via estilizacao, e, sim, via citacao ou alusao de outras imagens (Fiorin, 2003). Ou melhor, a construcao de suas imagens se da a partir da citacao ou alusao de imagem-base anterior.

Assim, identificamos multiplas intertextualidades imageticas na serie em estudo, das quais selecionamos algumas centrais para esta amostra. Na ordem das citacoes, em uma primeira camada, vemos a serie citando a construcao imagetica da cena do conto original (ou da versao em filme do conto) e, em uma segunda camada, vemos o Mundo Real da serie citando a construcao imagetica de seu Reino Encantado. Ilustramos essa urdidura intertextual da imagem com o conjunto de figuras a seguir (Figura 1, Figura 2 e Figura 3) que fazem todas referencias ao desmaio de Branca de Neve apos comer a maca.

Agora, sobre o caminho intertextual no plano imagetico interno a serie, conseguimos notar seu Mundo Real citar a construcao imagetica de seu Reino Encantado. Num primeiro momento, essa citacao se da sobretudo para marcar a transicao de cena que vai de um espaco-tempo a outro. Por esse motivo, um primeiro tipo de citacao direta e literal acontece com o livro de historias de Henry, no espaco-tempo de Storybrooke, mostrando ilustracao de evento do universo paralelo dos contos de fada. Como nas imagens: Figura 4 e Figura 5.

Ainda na camada intertextual interna de um universo ficcional a outro da narrativa da serie, mas a parte desse tipo de citacao literal apresentada, ha tambem as alusoes imageticas. Elas acontecem quando as imagens nao referenciam exatamente o mesmo personagem e a mesma cena, mas, sim, suas contrapartes em construcao de cena proxima a da outra no outro mundo que e aludido. Por exemplo, na seguinte dupla de imagens: Rainha Ma apertando coracao de Cacador no Reino Encantado (Figura 6) e sua alusao em cena de Regina esmagando coracao de Graham no Mundo Real (Figura 7).

Em todos esses conjuntos de imagens internas a serie conseguimos perceber a esfera imagetica ratificando a conexao entre um texto-mundo e o outro texto-mundo da serie, a partir da construcao de cenas proximas umas as outras, produzidas em planos e enquadramentos semelhantes, ou, ainda, que trabalham com posicoes e gestos similares dos personagens envolvidos.

Agora, no que concerne a relacoes intertextuais imageticas externas a parte dos contos de fada, localizamos algumas alusoes a serie Lost: (1) antes de Emma decidir ficar em Storybrooke, o relogio na torre da cidade estava parado as 8h15 (Figura 8), em alusao ao 815, numero do voo cujo acidente aereo marcou todo o enredo de Lost (Dove, 2011b); e (2) o carro de Emma tem, no canto inferior esquerdo do vidro traseiro, um adesivo da banda Geronimo Jackson (Figura 9), referencia a banda ficticia cujo hit Dharma Lady foi destaque em Lost (Dove, 2011b).

Continuando, Mary Margaret tem uma estatueta de um passaro azul em ceramica ao lado de sua cama (Figura 10), em referencia aos passaros azuis vistos na versao classica da Disney de A Branca de Neve e os sete anoes (1937), visto que a professora e a personagem equivalente a Branca de Neve (Dove, 2011d). Por sua vez, Ruby tem um pingente de um lobo pendurado no espelho de seu carro (Figura 11), correspondendo a uma referencia ao Lobo Mau da historia de Chapeuzinho Vermelho (Grimm, 2005, p. 283-286), personagem que Ruby encarna no Reino Encantado da serie (Dove, 2011a).

Nesses ultimos casos, podemos notar que o arranjo intertextual imagetico acontece atraves da insercao de objetos. Justamente sobre esses objetos e que nos atemos a partir de agora.

8. Intertextualidade no plano imagetico: agenciamento/mediacao de objetos

Visto que identificamos que muitos dos casos de relacoes intertextuais imageticas na serie ocorrem com a citacao de objetos de uma textualidade na outra (seja interna ou seja externa a serie), procuramos um referencial que pudesse nos dar sustentacao para pensar a respeito. Encontramos na antropologia como um todo e na corrente da cultura material em particular um dialogo possivel. Portanto, neste momento, a base conceitual com a qual dialogamos vem dos estudos desse campo. Entendemos que a cultura material e um locus notavel de observacao das praticas dos atores sociais e seus sentidos porque estao materializados, solidificados nos objetos. Um olhar que da luz ao que que queremos defender com a articulacao entre narrativas e materialidades se encontra em Miller (2013), antropologo ingles que, procurando desenvolver uma teoria da cultura material, uma teoria das coisas, afirma que "[...] os objetos nos fazem como parte do processo pelo qual os fazemos" (Miller, 2013, p. 92).

Nesse sentido, acreditamos que introduzir perspectivas e abordagens teoricas que focam na agencia de objetos pode nos ajudar a pensar essas questoes que nos interessam. O antropologo britanico Alfred Gell (1998), estudando objetos de arte, aproxima as nocoes de sujeito e de objeto, defendendo que os objetos agregam funcoes que seriam humanas; os objetos tem agencia. Em outras palavras, o objetos sao agentes, e essa concepcao de agente envolve entender o objeto como origem de um encadeamento de acoes. Significa dizer que o objeto impulsiona e potencializa uma acao, sim, mas que ha uma agencia do sujeito acionando este objeto tambem.

Alguns dos objetos em Once upon a time estao mesmo na posicao de ferramentas com os quais os personagens efetuam alguma acao. Para essas situacoes, portanto, a proposicao de agencia dos objetos, de Gell (1998), da conta. Contudo, em outros momentos, o objeto e mediador efetivo da acao. O objeto faz a acao acontecer, ou o objeto e responsavel por fazer o sujeito empreender determinada acao. Para essas circunstancias, retomamos o campo mais amplo da antropologia, e nao estritamente os estudos da cultura material. Referimonos a teoria de Bruno Latour (2012), antropologo frances, que parece resolver melhor o posicionamento dos objetos em alguns eventos na narrativa de nosso produto cultural investigado. O termo que o teorico adota e a juncao "atorrede", justamente porque as relacoes podem ser mediadas por objetos; entao, as acoes se dao sempre em rede, e por isso o ator e sempre por si so tambem rede: ator-rede.

Mantendo todo esse repertorio teorico em nosso horizonte, ilustramos nossa tese com um importante objeto que agencia/medeia eventos significantes na textualidade de Once upon a time. A maca, em alusao a maca envenenada do original Branca de Neve (Grimm, 2005: 33-41), e um dos objetos que mais marcam a intertextualidade operada por objetos. A maca envenenada tem toda uma trajetoria propria bastante intensa e central em Once upon a time. Uma narrativa exclusiva, com deslocamento temporal, mudanca de estados e peripecia, como uma verdadeira "jornada" (Campbell, 2007). Em um primeiro momento, no espaco-tempo do Reino Encantado, a Rainha negocia com Malevola a Maldicao do Sono e envenena a maca com esse feitico. Tudo isso nao e mostrado, mas fica implicito no discurso dos personagens (2 episodio, The thing you love most). Algo acontece, e a Bruxa Cega rouba a maca envenenada da Rainha Ma, fato que tambem nao e mostrado, mas de que tomamos conhecimento quando Joao e Maria recuperam a maca para a Rainha (9 episodio, True north) (Figura 12). Com a maca em maos e com a intencao de evitar a felicidade de Branca de Neve, a Rainha chantageia a enteada para que coma a maca (Figura 13) (21 episodio, A apple red as blood), fazendo-a imergir em sono profundo. Depois, no outro espaco-tempo, Jefferson, em acordo com Regina, usa sua cartola para trazer ao Mundo Real a mesma maca envenenada mordida por Branca de Neve nos tempos de outrora (21 episodio, A apple red as blood). De posse da maca, Regina a usa como ingrediente principal para uma torta (Figura 14) que presenteia a Emma, com a intencao de que a xerife coma e adormeca eternamente, saindo da vida do filho Henry. Porem, quem acaba comendo a torta e o proprio Henry, e esse fato da toda uma reviravolta no final da historia, que culmina na quebra da maldicao. Assim, como conseguimos perceber, a maca envenenada e transferida de um espaco-tempo a outro da serie e e componente importante para o impulso de acoes da narrativa. Indo alem, a maca e, de certo modo, a materializacao do mal, da maldade.

9. Consideracoes finais

Enxergamos que, dentro das duas textualidades/mundos em que corre o grande texto da producao cultural em analise, ha duas grandes camadas de relacoes intertextuais que se constroem e se cruzam de maneira mais complexa do que a pressuposta inicialmente. Em uma primeira camada, acontecem referencias a textos externos a sua narrativa, em sua maioria contos de fada, mas tambem textos culturais outros. Eles podem estar referenciados em uma textualidade/mundo ou em outra, ou em ambas. Ja na segunda camada de relacoes intertextuais, acontecem as mencoes internas a narrativa nela mesma: de uma textualidade/mundo a sua outra textualidade/mundo. Elas, por sua vez, se dao especialmente localizadas em um mesmo episodio, com um espaco-tempo mencionando dado ou enunciado originario do outro espaco-tempo no mesmo episodio, mas ocorrem tambem com mencoes mais expandidas entrelacando os episodios. Em todos esses casos, a intertextualidade se da por citacao ou por alusao, conforme classificacoes de Fiorin (2003).

No que tange especificamente aos contos de fada como textos-fonte externos, confirmamos que ganham, de fato, dois graus de significacao dentro da narrativa da serie em estudo, Once upon a time; uma em cada textualidade/mundo. A ressignificacao do conto original pode acontecer ja no deslocamento do original para a primeira textualidade/mundo (o Reino Encantado da serie), correspondendo ao primeiro grau de significacao, ou apenas na passagem desta para a segunda textualidade/mundo (o Mundo Real da serie, que seria o segundo grau de significacao). Ou, ainda, a ressignificacao pode nao acontecer.

Identificamos que as relacoes intertextuais nao estao limitadas ao plano discursivo nesse equacionamento a que chegamos. Ampliam-se tambem ao plano imagetico, mais ou menos com os mesmos contornos do operado no discursivo, mas de outra ordem. Concluimos que varias cenas sao construidas de maneira intertextual, seja citando a composicao de cenas-fonte externas e internas, seja aludindo a imagens externas ou internas via insercao de elementos imageticos na cena. Desses elementos imageticos, destacamos alguns objetos em particular que articulam a intertextualidade imagetica por estarem presentes em ambas as textualidades/mundos da narrativa. Desse modo, assumem outras propriedades importantes dentro desse universo ficcional, entre elas os papeis de agentes (Gell, 1998) ou mediadores (Latour, 2012) das acoes dos personagens.

A intertextualidade imagetica referente a construcao da cena ora marca a passagem de um espaco-tempo a outro, ora evidencia a relacao entre eles. Ja os objetos, no plano imagetico, alem de tambem revelarem as conexoes entre os textos, ganham outros atributos. O primeiro deles seria que os objetos sublinham o transcurso temporal da narrativa--proprio de toda narrativa (Aristoteles, 2011)--, articulando as variadas acoes de uma historia e mesmo passando por estados distintos do inicio ao final de sua peripecia. Seria como se os objetos tivessem uma jornada (Campbell, 2007) propria sua a percorrer, atravessando e quebrando barreiras espaco-temporais para estarem presentes nos dois universos ficcionais da serie.

O segundo atributo dos objetos consiste na sustentacao de uma narrativa e um discurso seus, particulares. Ou seja, um objeto tem uma esfera simbolica, imaterial que corresponde aos sentidos que emergem dele, construidos socioculturalmente. Esses sentidos podem contribuir para potencializar sentidos de eventos dentro da narrativa mais ampla em que o objeto esta inserido. Indo alem, visto que os objetos encarnam esses sentimentos, em verdade, podemos dizer que os objetos materializam esses sentimentos (como maldade, esperanca e amor verdadeiro). Afinal, a cultura material expressa significados (McCracken, 2003).

Defendemos, enfim, que a intertextualidade verbal-discursiva acoplada a intertextualidade imagetica (articulada ou nao por objetos) faz ampliar a potencia dessa estrategia de construcao narrativa que e a intertextualidade.

Referencias

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Universidad de Oviedo / heviaisabel@uniovi.es

(1) "No fim deste seculo [XX], pela primeiravez, tornou-se possivel ver como pode ser um mundo em que o passado, inclusive o passado no presente, perdeu seu papel, em que velhos mapas e cartas que guiavam os seres humanos pela vida individual e coletiva nao mais representam a paisagem qual nos movemos, o mar em que navegamos. Em que nao sabemos aonde nos leva, ou mesmo aonde deve levar-nos, nossa viagem." (Hobsbawm, 1995, p.25).

(2) Ver exemplo representativo em: Dove, S.(5 dez.2011c). Storybrooke Secrets: The Shepherd. Recuperado de http://abc.go.com/shows/once-upon-a-time/news/storybrooke-secrets/secrets-episode-106-the-shepherd.

Recibido: 07-07-2017 / Aprobado: 10-06-2019
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Author:Budag, Fernanda Elouise
Publication:Chasqui: Revista Latinoamericana de Comunicacion
Date:Apr 1, 2019
Words:6622
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