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Inteligencia emocional no Brasil: um panorama da pesquisa cientifica.

Emotional Intelligence in Brazil: An Overview from Scientific Research

O conceito de Inteligencia Emocional--IE foi apresentado a comunidade cientifica pelos psicologos Salovey e Mayer (1990, p. 189), em um artigo teorico, sendo definido como "a capacidade do individuo monitorar os sentimentos e as emocoes dos outros e os seus, de discrimina-los e de utilizar essa informacao para guiar o proprio pensamento e as acoes". Desde entao, um grande numero de publicacoes cientificas surgiu para ampliar a conceituacao relacionada ao tema, modificar pressupostos existentes ou contextualizar a IE em outras interfaces psicologicas. Compreender as diferentes concepcoes teoricas do tema torna-se relevante para avaliar as propostas de pesquisa cientifica no campo da IE. Por essa razao, a introducao deste artigo se propoe a discorrer um breve historico da conceituacao da IE, do ponto de vista de seus principais teoricos.

O objetivo deste artigo foi o de fazer um levantamento de estudos cientificos sobre a Inteligencia Emocional publicados em revistas cientificas nacionais, classificando esses estudos em artigos teoricos ou pesquisas empiricas (quantitativas e qualitativas) e destacar quais destas publicacoes se utilizam do modelo quadrifatorial de IE e do Mayer-Salovey-Caruso Emotional Intelligence Test (MSCEIT). Para tanto, realizou-se um levantamento bibliografico, no periodo de 1996 a 2009, a partir do levantamento de artigos divulgados nas bases de dados INDEX PSI, LILACS, PEPSIC e SCIELO.

A Inteligencia Emocional

Bar-On (2002) interpretou que o conceito inicial de IE proposto por Salovey e Mayer envolvia a autopercepcao e a empatia e referia-se a capacidade de utilizar informacoes emocionais para guiar a cognicao e o comportamento. O autor considera que o conceito de inteligencia emocional origina-se das contribuicoes de Gardner (1994), as quais teorizavam sobre o acesso a vida emocional internalizada, feita pelo proprio individuo e concebiam que a classificacao e diferenciacao dos sentimentos em "codigos simbolicos" forneciam elementos para guiar o comportamento.

A relacao entre as inteligencias intrapessoal e--exame e conhecimento do proprio sentimento--interpessoal--capacidade de ler humores intencoes e desejos dos outros (Bar-On, 2002)--e explorada por diversos pesquisadores. Para Solms (conforme citado em Taylor & Bagby, 2000), as duas inteligencias estao intimamente relacionadas, pois estando atento aos proprios sentimentos e possivel estar sintonizado aos sentimentos alheios, fazendo-se uso de uma especie de "sexto sentido".

Em uma revisao do conceito, Mayer e Salovey (1997) identificaram quatro habilidades centrais da IE: percepcao das emocoes, facilitacao ao pensamento (integracao), entendimento do conteudo emocional e administracao emocional para promover o crescimento pessoal. Nesse estudo, Mayer e Salovey nao fizeram referencia a inteligencia interpessoal ou a habilidade e qualidade de relacionamentos, a partir do entendimento das emocoes. Em outra revisao, Mayer, Salovey e Caruso (2002) consideraram que o termo inteligencia emocional ja vinha sendo empregado com muitos outros significados alem do proposto pelo modelo das quatro habilidades e, repetidas vezes, vinha sendo utilizado para justificar a necessidade de uma "rebeliao emocional" em direcao oposta ao racionalismo vigente nas relacoes humanas.

As diferentes percepcoes do construto Inteligencia Emocional nao diminuem a importancia das pesquisas realizadas sobre o tema. Se por um lado Goleman (1999, p. 39) afirma que "as capacidades implicitas da inteligencia emocional sao vitais para que as pessoas adquiram com exito as competencias necessarias para ter sucesso no trabalho", ha pesquisadores que procuram nao vincular a inteligencia emocional a uma lista de qualidades desejaveis--como autoconfianca, dedicacao, inovacao, influencia, entre outras "competencias emocionais". O modelo de Goleman e tambem de pesquisadores que consideram capacidades nao-cognitivas como formadoras da IE, ou das "competencias emocionais" (Boyatzis, Goleman & Rhee, 2002), vao de encontro ao conceito de IE como uma aptidao mental, esse ultimo defendido por Mayer, Salovey e Caruso (2002, p. 95), que compreendem estar a IE alocada "dentro da personalidade", mais especificamente, compondo as habilidades de processamento e de entendimento das emocoes.

A proposta de que o ser humano e capaz de crescer com o aprendizado e com a analise de seus conteudos emocionais (e subjetivos)--alavancada pelo modelo de Mayer e Salovey (1997)--e bastante alinhada com a psicologia humanista de Rogers. A pessoa total e, para Rogers (1997), aquela que esta aberta a suas experimentacoes internas e aos dados da experiencia do mundo externo. Essas questoes intrinsecas relacionadas a leitura pessoal dos individuos de seus conteudos emocionais tornaram-se inspiracao para alguns trabalhos considerados nesse artigo, em especial estudos de caso.

E qual seria a relacao entre a inteligencia emocional e a personalidade? Seria ela sinonimo de um determinado tipo de personalidade? Em seus estudos sobre elementos da personalidade, Mayer (1999) considera que as emocoes abrangem apenas uma das quatro bases da personalidade, sendo as outras tres: motivacao, a cognicao e a consciencia, todas separadas da base emocional. Analisando o proprio modelo de personalidade, Mayer, Salovey e Caruso (2002, p. 36) compreenderam que a inteligencia emocional "emprega mecanismos cognitivos e emocionais para processar aspectos emocionais do Eu, do mundo e do Eu no mundo, assim como para processar qualquer conhecimento puramente especializado da emocao". Outras propostas de pesquisa aqui consideradas acabam por relacionar a Inteligencia Emocional a atributos de personalidade, algumas inclusive fazendo correlacoes com testes de personalidade.

A escala de medicao do Mayer-Salovey-Caruso Emotional Intelligence Teste (MSCEIT)

Uma grande divisao de trabalhos relacionados a IE diz respeito ao conjunto adequado de escalas para sua medicao, seja em testes ja validados ou em novas propostas de medicao. Em sua ultima revisao do tema, Bar-On (1997, p.14), caracteriza a inteligencia emocional como "uma gama de aptidoes, competencias e habilidades nao-cognitivas que influenciam a capacidade do individuo de lidar com as demandas e pressoes do ambiente".

Em 1997, Mayer e Salovey construiram a primeira escala de Inteligencia Emocional para medicao do desempenho individual em tarefas de situacoes emocionais, por meio do teste Multifactor Emotional Intelligence Scale--MEIS. Mais recentemente, Mayer, Salovey e Caruso (2002) revisitaram o modelo das quatro habilidades de IE proposto pelo MEIS, salientando que cada uma delas pode ser separada, medida, aprendida e desenvolvida isoladamente. Os autores fizeram algumas modificacoes no modelo inicial e propuseram o teste MSCEIT (Mayer Salovey Caruso Emotional Intelligence Test). O construto IE avaliado pelo teste consiste na capacidade de perceber, entender e usar as emocoes para facilitar o pensamento, assim como administrar as emocoes para facilitar os processos cognitivos e promover o crescimento pessoal e intelectual, de uma forma bem semelhante ao modelo do teste MEIS de 1997. Nessa revisao para formar o instrumento MSCEIT, os autores passaram a considerar que o uso inteligente das emocoes e seu impacto no pensamento se dao a partir dos conteudos proprios (intrapessoais) e da leitura de emocoes alheias (interpessoal).

A Tabela 1 resume as escalas do teste MSCEIT. As secoes A (faces) e E (figuras) avaliam, respectivamente, a capacidade de perceber emocoes em faces e ilustracoes variadas. As secoes B (facilitacao) e F (sensacoes) sao compostas por tarefas relacionadas a utilizacao da emocao para facilitacao do pensamento. O entendimento das emocoes e medido pelas tarefas das secoes C (mudancas) e G (combinacoes). A administracao das emocoes e avaliada por meio das tarefas das secoes D (gerenciamento) e H (relacionamentos). Para responder o instrumento sao necessarios aproximadamente 40 minutos.

Metodo

Apos a identificacao dos estudos de IE publicados em revistas cientificas nacionais, cadastrados no periodo de 1996 a 2009 nas bases de dados INDEX PSI, LILACS, PEPSIC e SCIELO, por meio de pesquisa a Biblioteca Virtual de Psicologia (BVS), os artigos encontrados foram separados em teoricos e empiricos. Os artigos empiricos foram divididos pelo tipo de pesquisa utilizada--qualitativa ou quantitativa. De uma forma geral, foram tambem destacados os estudos que consideraram a metodologia quadrifatorial de IE, seja por sua aplicacao ou por analise do metodo, utilizando-se o teste MSCEIT ou a versao anterior, o MEIS.

A base BVS tambem tem uma divisao de busca para teses nacionais academicas (mestrado e doutorado), nao contabilizados nessa pesquisa, ja que muitos artigos sao procedentes dos mesmos estudos dessas teses e dissertacoes. E o caso do artigo de Dantas e Noronha (2006), cujo grupo amostral tambem compos a dissertacao de Dantas (2004).

Para que a busca de artigos relacionados ao tema da Inteligencia Emocional pudesse ser feita inicialmente da forma mais abrangente possivel nao foi feito nenhum tipo de refinamento no descritor da busca e nas bases de dados nacionais. Porem, o conjunto de 105 trabalhos identificados primeiramente entre bases de dados bibliograficas e dados de texto completo nao corresponde a somatoria geral de publicacoes de IE, ja que a busca ate entao e redundante entre bases de dados, o que justificou a divisao das publicacoes e a definicao de categorias de estudo.

Divisoes de Publicacoes e Categorias de Estudo

A partir das bases de dados cobertas pela BVS foram propostas algumas divisoes das publicacoes pesquisadas. Primeiramente, foram selecionados os artigos teoricos, ou seja, que envolveram apenas pesquisa bibliografica, sem pesquisa aplicada. Em seguida, foram separados e classificados os artigos empiricos, em pesquisas qualitativas ou quantitativas, a partir da abordagem utilizada na analise dos dados.

Cozby (2006) compreende que existem dois metodos basicos em pesquisas para descrever e estudar o comportamento humano: qualitativo e quantitativo. A abordagem qualitativa e aquela expressa em termos nao-numericos, usando linguagem e imagens. Ja a abordagem quantitativa enfatiza os dados estatisticos e utiliza os numeros obtidos como forma de compreender os fenomenos e variaveis estudadas.

No grupo de artigos qualitativos, foram computados aqueles relacionados a estudos de caso e pesquisa-acao. No grupo de artigos quantitativos, computaram-se estudos relacionados a validacao de testes e instrumentos psicologicos e estudos correlacionais.

Considerando-se as pesquisas nacionais no campo da Inteligencia Emocional divulgadas por meio das bases de dados pesquisadas no presente estudo, verificou-se que ha maior concentracao de estudos para mensuracao de atributos de Inteligencia Emocional, algumas vezes fazendo-se correlacoes entre variaveis de IE e outras variaveis psicossociais, de forma a verificar que tipo de influencia a percepcao e administracao das emocoes tem nas atividades sociais dos individuos e em suas condicoes psicologicas. Esses estudos quantitativos sao os mais comumente encontrados em publicacoes cientificas, havendo um pequeno numero de trabalhos dedicados a consideracoes empiricas e revisoes bibliograficas que se dediquem ao estudo da IE.

Os estudos teoricos tratam de pesquisas bibliograficas que analisam o construto de IE ou, como mais comumente encontrado, as emocoes. Considerando entao as linhas de pesquisa empirica, realizou-se a divisao de artigos de IE no Brasil nas seguintes categorias de estudo:

Pesquisas qualitativas, geralmente envolvendo estudo de caso de individuos ou grupos para analise de determinada variavel psicologica, no caso da IE, envolvendo as emocoes. Em alguns casos, o pesquisador busca comparar comportamentos entre dois grupos distintos, fazendo uso de analise de discurso ou comparando instrumentos psicologicos utilizados. A discussao foca-se nos desafios clinicos e terapeuticos.

Pesquisas quantitativas, envolvem investigacao de individuos por meio de instrumentos psicologicos, com avaliacao estatistica dos dados. No caso do construto de Inteligencia Emocional, verificou-se que sao basicamente de dois tipos: (a) validacoes, quando o foco da pesquisa envolve a validacao de alguma escala ou subescala de medicao de IE. Os contextos de pesquisa sao variados, geralmente estes foram desenvolvidos em espacos organizacionais ou educacionais; (b) correlacoes, quando e feita alguma correlacao entre atributos ou habilidades de IE e outras variaveis psicologicas, havendo uso de testes correlacionais e analise estatistica dos dados ou nao. Sao exemplos de variaveis utilizadas para a comparacao com a IE: bem-estar psicologico, sofrimento psiquico e stress. Estas pesquisas tambem sao quantitativas e investigativas.

Resultados e Discussao

Os estudos teoricos envolvendo a Inteligencia Emocional totalizam 13 publicacoes, apresentadas na Tabela 2. Esses artigos variam muito na abordagem teorica empregada, desde a psicanalitica (Souza, 2003) ate discussoes que abordam o ambito da saude publica e enfermagem (Leitao & Arruda, 2004; Lopes Neto, 2000; Santos, Almeida & Lemos, 1999), as quais buscam inserir as emocoes no campo de estudo, mas nao necessariamente o construto de inteligencia emocional. No estudo de Souza (2003), a pesquisadora procurou promover uma reflexao psicanalitica sobre a importancia dos aspectos emocionais no desenvolvimento da capacidade de pensar e sua contribuicao na forma de solucionar problemas.

A linha teorica do teste MEIS foi explorada nos artigos de Primi (2003) e Cobero (2003). O artigo de Cobero analisa o livro "Manual de Inteligencia Emocional" (Bar-On, 2002) e comenta os estudos do MSCEIT no contexto dos metodos de avaliacao de IE. Para Primi (2003), os pesquisadores Peter Salovey, John Mayer e David Caruso foram os criadores do conceito de inteligencia emocional e nao o jornalista cientifico Daniel Goleman, popularizado por sustentar que a inteligencia emocional e mais importante do que o QI. No modelo de Goleman, a inteligencia emocional inclui uma serie de caracteristicas de personalidade, diferentemente do modelo por habilidades do MSCEIT. "E fundamental ficar claro que ha uma serie de pesquisas serias com resultados importantes que contribuem para a expansao de nosso entendimento da inteligencia. Essas ideias sao bem diferentes da visao que acabou se popularizando por meio do livro de Goleman" (Primi, 2003, pg.72).

O artigo de Roberts, Flores-Mendoza e Nascimento (2002) questiona a validade da inteligencia emocional como um construto cientifico ja que, segundo os autores, nao ha validade psicometrica para sustenta-la como um tipo distinto de inteligencia. No entanto, esta afirmacao e questionavel, ja que desde a decada de 1990 ha consenso na comunidade cientifica de que a inteligencia emocional e um construto isolado. Em uma revisao de bibliografia cientifica, Salovey e Mayer (1990) analisaram estudos aparentemente nao relacionados, sobre neurobiologia, medicao de inteligencias e Psicologia Clinica, e concluiram que todos estavam relacionados ao mesmo fenomeno: uma inteligencia subjacente, que nao era a mesma dos testes de Quoeficiente de Inteligencia (QI), e dizia respeito as habilidades emocionais, tanto nos dialogos internos dos individuos como em seus relacionamentos. A expressao Inteligencia Emocional foi entao estabelecida, dando inicio a centenas de pesquisas associadas.

Considerando que esse artigo foi publicado em 2002, deve-se ponderar que desde entao avancos significativos ocorreram na pesquisa de Inteligencia Emocional, mesmo no Brasil. Atualmente, ha uma comunidade cientifica em torno da Inteligencia Emocional, que discute, utiliza e atualiza diferentes testes e modelos associados ao construto e promove congressos internacionais unicamente para apresentacao de estudos cientificos sobre a Inteligencia Emocional. (2) Para Woyciekoski e Hutz (2009), nao se deve estranhar que questoes especificas da pesquisa em IE ainda necessitam ser mais discutidas pela comunidade cientifica, o que nao invalida o merito de pesquisadores que desenvolveram iniciativas sofisticadas para definir e medir o que se entende por emocionalmente inteligente--e nesse ponto os autores referiam-se especificamente aos pesquisadores Mayer e Salovey e a metodologia quadrifatorial de IE.

O artigo de Woyciekoski e Hutz (2009) destaca-se pelo aprofundado resumo das diferentes teorias envolvendo o construto da Inteligencia Emocional, bem como das escalas de medicao propostas nos ultimos anos. Os autores concluiram que os testes mais promissores sao as escalas baseadas em desempenho, as quais podem predizer alguns comportamentos importantes salientando, porem, que mesmo estas precisam ser mais bem investigadas.

Os artigos empiricos encontrados foram divididos entre pesquisas qualitativas e quantitativas, totalizando 25 estudos. A contagem total de artigos qualitativos publicados em periodicos tecnico-cientificos dessa amostragem e seis (Tabela 3) e o numero total de artigos quantitativos e 19 (Tabela 4). Apos essa selecao, alguns trabalhos qualitativos que discutem o modelo de inteligencia emocional por Mayer, Salovey e Caruso (2002) foram selecionados para comentarios, assim como alguns trabalhos quantitativos envolvendo o modelo quadrifatorial.

Entre as pesquisas qualitativas, destaca-se a discussao sobre o tema da inteligencia emocional realizada pelos pesquisadores Neta, Garcia e Gargallo (2008), que revisaram resumos de teses e dissertacoes em Psicologia sobre o tema, abarcando o periodo de 1990 a 2006, e conduziram um estudo exploratorio associado. Os autores concluiram que ha um "descontinuo interesse" pelo novo construto nos cursos de Pos-Graduacao de Psicologia brasileiros.

A importancia da educacao emocional foi tratada na pesquisa-acao de Rego, Brunelli e Rocha (2009), que analisou o tema por meio de 15 oficinas envolvendo 14 docentes, um coordenador e uma pesquisadora. A Inteligencia Emocional foi abordada nesse estudo seguindo-se a linha de estudo proposta por Goleman, Boyatzis e McKee (2002, conforme citado em Rego, Brunelli & Rocha, 2009), sendo dividida em "competencias emocionais": autoconsciencia, autogestao, consciencia social e administracao de relacionamentos. As conclusoes da pesquisa apontam que essas competencias da inteligencia emocional podem contribuir para a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, conduzindo o ser humano ao equilibrio da razao e emocao.

Dos 18 estudos quantitativos, 12 utilizaram escalas do teste MEIS (Mayer e Salovey, 1997) e do MSCEIT (Mayer Salovey & Caruso, 2002), sendo que a totalidade desses estudos foi realizada por pesquisadores da Universidade Sao Francisco (SP), mais especificamente da linha de estudo de Construcao, Validacao e Padronizacao de Instrumentos de Medida, conforme Tabela 4.

Destes estudos quantitativos envolvendo o modelo quadrifatorial, cinco foram exploratorios, realizados com o objetivo de verificar a validade psicometrica da totalidade ou de parte dos testes MEIS ou MSCEIT, sem compara-lo com nenhum outro instrumento (Bueno, Santana, Zerbini & Ramalho, 2006; Dantas & Noronha, 2005; Muniz & Primi, 2007; Noronha, Primi, Freitas & Dantas, 2007; Jesus Junior & Noronha, 2008). Os demais estudos de validade psicometrica--tambem da categoria de estudo "validacao" na Tabela 4--envolveram outras escalas de medicao das emocoes, especificamente o teste de Zulliger (Candiani, 2004) e a Medida de Inteligencia Emocional--MIE (Siqueira, Barbosa & Alves, 1999).

Alguns estudos trataram as emocoes de uma forma ampla, sem considerar o construto da Inteligencia Emocional (Rueda, Bartholomeu & Sisto, 2004; Candiani, 2004; D'Avila-Bacarji, Garcia, Edna, & Elias, 2005; Linhares et al, 2005). O estudo quantitativo de D'Avila-Bacarji, Garcia, Edna e Elias (2005) considerou o suporte parental no dominio emocional de criancas de sete a onze anos, pacientes de uma clinica de Psicologia, assim como os dominios academico e desenvolvimental. As criancas foram avaliadas no nivel de inteligencia, desempenho escolar e problemas de comportamento. Os autores concluiram que criancas que vivem em ambientes pouco apoiadores necessitam de mais cuidados de saude mental.

A utilizacao parcial de escalas do MSCEIT tambem foi encontrada. O estudo de Noronha, Primi, Freitas e Dantas (2007) usou apenas a metade das medicoes oferecidas pelo MSCEIT, mais especificamente as habilidades de Entendimento e Gerenciamento das emocoes, que formam a Area Estrategica, em uma amostra de 522 trabalhadores e estudantes universitarios, com o objetivo de avaliar a consistencia interna dos itens do teste. Os resultados indicaram que no geral, os sub-testes apresentaram niveis de consistencia interna aceitaveis considerando os padroes estabelecidos pelo Conselho Federal de Psicologia.

No estudo de Muniz, Primi e Miguel (2007), verificou-se correlacoes positivas entre tarefas do teste MSCEIT (Sensacoes e Relacionamentos) e o Inventario de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), em uma amostra de 24 guardas municipais, de forma que os autores concluiram que individuos estressados sao mais suscetiveis a experimentar emocoes com menos interferencia do raciocinio.

Consideracoes Finais

O campo de estudo pesquisado nessa revisao bibliografica e multidisciplinar, compreendendo as areas de Psicologia, Sociologia, Comunicacao Social, Administracao, Medicina, Biologia e Educacao, citando-se aqui apenas as areas mais recorrentes em pesquisas relacionadas a inteligencia emocional. Para enfocar o construto da IE em pesquisas nacionais, recorreu-se as bases de dados INDEXPSI, LILACS, PEPSIC e SCIELO, por meio de consulta a BVS Psicologia, que faz a indexacao dessas bases. A formatacao da busca pode ter limitado o campo de pesquisa. Ainda assim, essa revisao bibliografica pode considerar estudos direcionados as mais variadas linhas teoricas e grupos de investigacao. Considerando o conjunto de artigos encontrados nessa revisao e possivel fazer algumas reflexoes sobre publicacoes cientificas em Inteligencia Emocional no Brasil.

Ha uma quantidade pequena de publicacoes de producao nacional referentes ao tema da IE, considerando-se que ja existem centros de pesquisa no mundo dedicados ao assunto. Foram apenas 38, sendo a pesquisa nacional mais antiga datada de 1996, ou seja, essa quantidade e referente ao total de estudos realizados nos ultimos 13 anos, incluindo-se 13 artigos teoricos encontrados;

Os estudos teoricos em IE tem enfoques bastante variados, mas e possivel perceber o aprimoramento dos artigos. Dos 13 artigos teoricos encontrados, apenas tres consideravam a inteligencia emocional como um construto psicologico (Woyciekoski & Hutz, 2009; Cobero, 2003; Primi, 2003), sendo que o restante discute o assunto de forma mais abrangente, sem necessariamente falar da inteligencia emocional. Ha um artigo questionando a IE como construto psicologico, sustentando que nao ha validade psicometrica para que possamos considera-la um tipo de inteligencia (Roberts, Flores-Mendoza & Nascimento, 2002). O artigo de Woyciekoski e Hutz (2009) representa, no entanto, a chegada em um novo patamar de entendimento do construto IE no Brasil, ja que resume boa parte das indagacoes atuais da comunidade cientifica internacional em relacao ao tema;

Muitos artigos nao necessariamente tratam do construto psicologico "inteligencia emocional", mas sim consideram as emocoes humanas de uma forma mais ampla em suas investigacoes. Entre os seis artigos qualitativos encontrados, a unica excecao e o estudo de Neta, Garcia e Gargallo (2008), que faz uma apreciacao do construto de IE em estudos brasileiros. Nos estudos quantitativos, com excecao dos artigos que utilizaram escalas ou subescalas do teste MEIS, do teste MSCEIT ou a escala da Medida de Inteligencia Emocional (MIE), os demais compreendem as emocoes em seus grupos amostrais tendo por base outras linhas teoricas, sem considerar o construto IE (Rueda, Bartholomeu & Sisto, 2004; Candiani, 2004, Linhares et al, 2005; D'Avila-Bacarji, Garcia, Edna, & Elias, 2005);

Grande parte da pesquisa quantitativa de IE no Brasil e dedicada a validar ou aplicar testes de IE ou subescalas associadas. Dos 19 estudos quantitativos, sete foram para validacao de escalas de medicao de inteligencia emocional, sem correlacao com outros construtos, o que sugere que estes estudos ainda nao avancaram na aplicacao do conceito;

O assunto da IE ja e reconhecido internacionalmente. O teste MSCEIT, dos pesquisadores Mayer, Salovey e Caruso ja foi aplicado em centenas de pesquisas no mundo inteiro e a ultima revisao do instrumento e de 2002. No Brasil, as escalas do MSCEIT ja foram discutidas em dois artigos teoricos (Woyciekoski & Hutz, 2009; Primi, 2003), sendo que foram encontradas evidencias de validade para o instrumento MEIS (Bueno & Primi, 2003) e realizados estudos psicometricos tambem com o MSCEIT (Freitas & Noronha, 2006; Noronha & Primi, 2007). Um dos objetivos desse artigo foi o de examinar a utilizacao do teste MSCEIT em artigos publicados no Brasil. Verificou-se que das 18 pesquisas quantitativas encontradas, 11 utilizaram o teste MSCEIT, atestando a preferencia nesse instrumento para medicao de inteligencia emocional entre os testes escolhidos por pesquisadores nacionais. Entre as vantagens de uso do MSCEIT estao sua aplicacao em diferentes publicos, ja realizada em estudos nos cinco continentes, assim como sua escala de medicao por habilidades, que diferencia-se das demais escalas de auto-avaliacao. No entanto, estudos complementares e a validacao da versao MSCEIT para o Brasil, incluindo traducao e adaptacoes pertinentes, ainda sao necessarios, de forma a avancar no conhecimento e na conducao de estudos correlacionais, disseminando os estudos em IE no Brasil;

O passo seguinte ao processo de mensuracao de um conceito e seu desenvolvimento aplicado. Ha alguns anos, ja existem estudos de desenvolvimento da IE na forma de intervencoes clinicas ou estudos experimentais em empresas (Jennings & Palmer, 2007; Law, Wong, Huang & Li, 2008; Nelis, Quoidback, Mikolajczak & Hansenne, 2009). A pesquisa cientifica no Brasil ainda nao chegou neste estagio.

A analise aqui conduzida remete a necessidade da realizacao de mais pesquisas cientificas sobre o tema no Brasil, tanto quantitativas quanto qualitativas, principalmente visando a aplicacao da Inteligencia Emocional em contextos organizacionais, educacionais e sociais, dada a importancia do entendimento e utilizacao positiva das emocoes nas relacoes inter e intrapessoais dos individuos.

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Muniz, M., & Primi, R. (2007). Inteligencia emocional e desempenho em policiais militares: Validade de criterio do MSCEIT. Revista Aletheia, 25, 66-81.

Muniz, M., Primi, R., & Miguel, F. K. (2007). Investigacao da inteligencia emocional como fator de controle do stress em guardas municipais. Psicologia: Teoria e Pratica, 9(1), 27-41.

Neta, N. F. A., Garcia, E., & Gargallo, I. S. (2008). A inteligencia emocional no ambito academico: Uma aproximacao teorica e empirica. Psicologia Argumento, 26 (52), 11-22.

Noronha, A. P. P., Primi, R., Freitas, F. A., & Dantas, M. A. (2007). Analise dos itens do Mayer-Salovey-Caruso Emotional Intelligence Test: Escalas da area estrategica. Revista Psicologia em Estudo, 12(2), 415-422.

Paulo, M. S. L, Perez-Ramos, A. M. Q. (1996). Disturbios emocionais em criancas com dificuldades de aprendizagem escolar. Interacoes: Estudo e Pesquisa em Psicologia, 1(2), 127-138.

Primi, R. (2003). Inteligencia: Avancos dos modelos teoricos e nos instrumentos de medida. Avaliacao Psicologica, 1(2), 67-77.

Primi, R., Bueno, J. M. H., & Muniz, M. (2006). Inteligencia emocional: Validade convergente e discriminante do MSCEIT com a BPR-5 e o 16 PF. Psicologia Ciencia e Profissao, 26(1), 26-45.

Queroz, N.C.& Neri, A.L.. (2005). Bem-estar psicologico e inteligencia emocional entre homens e mulheres na meia-idade e na velhice. Psicologia, Reflexao e Critica, 18 (2), 292-299.

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Roberts, R. D., Flores-Mendoza, C. E., & Nascimento, E. (2002). Inteligencia emocional: Um construto cientifico? Paideia,, 12(23), 77-92.

Rogers, C. (1997). Tornar-se pessoa (5a ed.) (Manoel Carmo Ferreira, Trad.). Sao Paulo: Martins Fontes. (Obra original publicado em 1961).

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Silva Junior, A., Amaral, G. B., & Cezar Neto, H. C. (1999). Psicodrama e inteligencia emocional. Revista Brasileira de Psicodrama, 7(1), 107-112.

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Souza, A. S. L. (2003). O pensamento como aquisicao do desenvolvimento psiquico: reflexoes sobre os aspectos emocionais da inteligencia. Boletim de Psicologia, 53(118), 1-12.

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Woyciekosky, C. & Hutz, C. S. (2009). Inteligencia emocional: teoria, pesquisa, medida, aplicacoes e controversias. Psicologia, Reflexao e Critica, 22 (1), 1-11.

Recebido em 15.09.2009

Primeira decisao editorial em 26.01.2010

Versao final em 22.02.2010

Aceito em 21.06.2010

Alessandra Rodrigues Gonzaga (1)

Janine Kieling Monteiro

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

(1) Endereco para correspondencia: EIL--Rua Gen. Couto de Magalhaes, 1155 / 501, Higienopolis--Porto Alegre, RS. CEP: 90540-030. Fone: 3307.8791. E-mail: janinekm@terra.com.br; ale.gonzaga@uol.com.br.

(2) Como exemplo, cite-se o Consortium for Research on Emotional Intelligence in Organizations (www.eiconsortium.org), que organiza e divulga publicacoes cientificas em torno da IE no ambiente organizacional.
Tabela 1. Escalas do Teste MSCEIT

Escala         Habilidades       Tarefas           Secao
geral
MSCEIT

Inteligencia   Percepcao das     Faces               A
Emocional      emocoes
                                 Figuras             E
               Uso das emocoes   Facilitacao         B

                                 Sensacoes           F
               Entendimento      Mudancas            C
               das emocoes
                                 Combinacoes         G
               Administracao     Gerenciamento       D
               de emocoes
                                 Relacionamentos     H

Tabela 2. Artigos Teoricos que abordam IE ou emocao

Ref   Ano    Autores          Periodico      INDEX PSI   LILACS

1     2009   Woyciekosky      Psicol.        x
             & Hutz           reflex.crit.
2     2004   Ferreira         Conscientia    x
3     2004   Leitao           Mundo saude    x           x
             & Arruda
4     2004   Santos           Sociologias
5     2003   Souza            Bol. Psicol.   x
6     2003   Primi            Aval.psicol    x
7     2003   Cobero           PsicoUSF
8     2002   Roberts,         Paideia        x           x
             Flores-Mendoza
             & Nascimento
9     2000   Lopes Neto       Nursing SP                 x
10    1999   Silva Junior,    Rev.Bras.      x
             Amaral &         Psicodrama
             Cezar Neto
11    1999   Santos,          Rev.Bras.                  x
             Almeida.         Enferm
             & Lemos
12    1997   Correia          Estud.
                              psicol.
13    1996   Laks,            Rev.Bras.                  x
             Rozenthal        Neurol.
             & Engelhardt

Ref   PEPSIC   SCIELO

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Tabela 3. Pesquisas Qualitativas sobre IE

Ref   Ano    Autores         Periodico        INDEX PSI   LILACS

1     2009   Rego,           Ensaio: Aval.,   x
             Brunelli        Pol. Publ.Ed
             & Rocha
2     2008   Neta            Psicol. Argum.   x
             Garcia
             & Gargallo
3     2002   Merlo &         Psicol.soc.                  x
             Barbarini
4     2001   Chaves          Psicol.soc.      x           x
5     2000   Estima          Texto & Cont.                x
             & Silva         Enferm
6     1996   Paulo           Int.est.pesq.    x
             & Perez-Ramos   psico

Ref   PEPSIC   SCIELO

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Tabela 4. Pesquisas Quantitativas sobre IE

Ref   Ano    Autores         Periodico      Categoria
                                            estudo

1     2008   Jesus Junior    Psic.          Validacao
             & Noronha
2     2007   Muniz, Primi    Psicol.teor    Correlacao
             & Miguel
3     2007   Noronha,        Psicol.        Validacao
             Primi,          Estud
             Freitas,
             & Dantas
4     2007   Muniz &         Aletheia       Validacao
             Primi
5     2007   Jesus Junior    Psicol.        Correlacao
             & Noronha       reflex.
                             crit.
6     2006   Bueno,          Psicol.teor    Validacao
             Santana,        .prat.
             Zerbini
             & Ramalho.
7     2006   Cobero, Primi   Paideia        Correlacao
             & Muniz
8     2006   Dantas &        Paideia        Correlacao
             Noronha
9     2006   Freitas &       Psicol.teor    Correlacao
             Noronha         .prat.
10    2006   Primi, Bueno    Psicol.        Correlacao
             & Muniz         cienc.prof
11    2005   Almeida         Rev. Adm       Correlacao
                             Con-temp.
11    2005   Queroz & Neri   Psicol.        Correlacao
                             reflex.
12    2005   Dantas,         Estud.pesq     Validacao
             Noronha         .psicol.
13    2005   D'Avila-        Psicol.em      Correlacao
             Bacarji,
             Garcia, Edna
             & Elias
14    2005   Linhares        Psicol.        Correlacao
             et AL           reflex.crit.
15    2004   Rueda,          Psicol.Argum   Correlacao
             Bartholo-meu
             & Almeida
16    2004   Candiani        Psic.          Validacao

17    2003   Bueno &         Psicol.        Correlacao
             Primi           reflex.
U                            critica
18    1999   Siqueira,       Psicol.teor    Validacao
             Barbosa &       .prat.
             Alves

Ref   Instrumentos       Grupo amostrai   N     INDEX   LILACS
                                                PSI

1     MSCEIT             universitarios   191   x       x

2     MSCEIT e ISSL      guardas          24    x       x
                         municipais
3     MSCEIT             estudantes e     522   x
                         trabalhadores

4     MSCEIT             policiais        80    x
                         militares
5     MSCEIT, BPR-5      universitarios   191           x

6     MSCEIT             universitarios   334   x       x

7     MSCEIT, BPR-5,     trabalhadores    119   x       x
      16PF               empresas
8     MSCEIT, 16 PF      universitarios   270   x

9     MSCEIT,            universitarios   83    x       x
      quest.proprio      Psicologia
10    MSCEIT, BPR-5,     trabalhadores    107   x       x
      16PF               empresas
11    Questionario       gerentes         500
      proprio            portugueses
11    MIE, EDEP          mulheres acima   120   x       x
                         45 anos
12    MSCEIT             universitarios   270   x       x

13    TDE, CBCL, EB,     criancas 7 a     60
      RAF                11 anos

14    Raven, DFH e       criancas 8 a     40
      Escala CI          10 anos
15    Teste de Bender,   criancas         312   x
      Desenho FH

16    Teste de           universitarios   50
      Zulliger           Psicologia
17    Subescala MEIS,    universitarios   76    x       x
      16PF, BPR-5        Psicologia
U
18    MIE                aleatoria        972   x

Ref   PEPSIC   SCIELO

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17             x

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Legenda dos instrumentos: MEIS--Multifactor Emotional
Intelligence Scale; MSCEIT--Mayer, Salovey e Caruso
Emotional Intelligence Test; ISSL--Inventario de
Sintomas de Stress para Adultos de Lipp ; 16PF--Inventario
de 16 Fatores de Personalidade; EDEP--Escala de
Desenvolvimento Pessoal, BPR-5--Bateria
de Provas de Raciocinio; DSF--Desenho da Figura
Humana, Escala CI--Escala Comportamental Infantil.
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Article Details
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Author:Rodrigues Gonzaga, Alessandra
Publication:Psicologia: Teoria e Pesquisa
Article Type:Report
Date:Apr 1, 2011
Words:6493
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