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Intelectuales y socialistas o la ciencia al servicio del arte de vivir.

Introducao

Um aspecto que sempre aguca a curiosidade dos estudiosos e o da abordagem da formacao intelectual de teoricos que marcaram uma diferenca na historia com teses e metodos que professaram sobre como solucionar os grandes dilemas da vida em sociedade. As buscas que fazemos geralmente quando nos inclinamos a isto, sao pelas matrizes originarias das concepcoes destes intelectuais, na tentativa da descoberta das origens de suas projecoes acerca daquilo que construimos e daquilo que podemos ainda realizar ou poderiamos ter feito. Nao se trata de uma curiosidade banal do tipo "como fulano chegou a isto?", apesar deste interesse me parecer igualmente legitimo, mas sempre ha algo mais ambicioso no fundo da nossa busca como nos inquirirmos sobre a propria constituicao de um saber novo a partir de algo ja conhecido, consolidado e em desuso.

A minha inquietacao particular com este artigo, vem com a investigacao dos embrioes que fizeram germinar o sansimonismo e o fourierismo como manifestacoes, que sao teoricas e praticas de socialismo no seculo XIX, na Europa e na America do sul. Esta busca se justifica como uma necessidade de trazer para primeiro plano uma imagem mais fiel do que teria sido esse socialismo, para alem das construcoes bizarras feitas sobre ele, no seu proprio tempo e ate mesmo hoje em dia. Em suma, o papel de uma intelectualidade progressista que soube captar as contradicoes sociais e a partir delas elaborar a sintese dos principios do socialismo como uma ciencia nova estruturante de uma nova realidade e da sua difusao, merece nossa atencao. Mais ainda o protagonismo daqueles cuja opcao por uma filosofia engajada ao movimento operario nascente contribuiu para conferir legitimidade as reivindicacoes por direitos e dignidade. Por estas razoes no presente artigo nao saberiamos como separar em instancias diferentes as trajetorias intelectuais de nossos personagens de suas historias de vida as quais se ligam inegavelmente.

A ironia cientifica como espelho da civilizacao

A iconografia do seculo XIX exemplifica a imagem difundida dos socialistas do periodo. Rica em caricaturas de militantes fourieristas e sansimoneanos, porem retratados como alienigenas, proferindo suas palestras num tom professoral e providos de uma longa cauda, membro que, segundo Charles Fourier, o homem adquiriria num novo mundo como sinal de seu progresso. Os sansimonianos nao escaparam desta gozacao ao serem retratados em seus redingotes extravagantes e afoitos no exercicio de tarefas domesticas, ou ainda, em atitudes libertinas com as mulheres na comunidade de Menilmontant, lugar onde havia sido estabelecido o grupo de discipulos de Saint Simon, dirigido por Enfintin, nos arredores de Paris. As mulheres proximas aos centros de discussao dos socialistas inclusive, que assumiam uma postura mais independente e mais abertamente politica, respondendo

ate as proposicoes dos socialistas sobre a liberdade da mulher, apareciam na imprensa, durante as barricadas de 1830 a 1848, retratadas como soldados impondo aos maridos desesperados os cuidados com o lar e com as criancas. (Nathan, 1981; Pilbean, 2000; Coilly e Regnier, 2006) Sem duvida, tudo isto e muito divertido, para nao dizer hilario, mas, ao mesmo tempo, desvia e encobre questoes mais importantes, serias, que talvez ontem e hoje evitemos discutir. De toda maneira, a situacao contribui para reforcar o fato de que, mesmo para a epoca, os diferentes projetos socialistas em circulacao pareciam andar muito a frente dos anseios mais progressistas do momento, afinal ou nao se compreendia a critica e a ironia contidas nas analogias e especulacoes daqueles intelectuais, ou as charges representavam uma forma deliberada de ignora-las e comprometer os socialistas.

O caso de Saint-Simon nos parece emblematico, pois antes que se possa tomalo como um filosofo reconhecido por ter aberto os caminhos para as doutrinas do seculo XIX, como o socialismo, o positivismo, o anarquismo, deve ser descrito como um homem de acao. (Musso in Coilly e Regnier, 2006, Benichou, 1984; Picon, 2002) De fato, a base sobre a qual estabeleceu suas reflexoes sociais emergiu de uma critica ao iluminismo e, em especial, a filosofia sensualista de Condillac, com a qual Saint Simon se debatia por discordar do elogio do filosofo a uma suposta imobilidade do homem diante da natureza. Saint Simon, ao contrario, havia feito a opcao por um homem outro, pleno de espontaneidade criativa, um microcosmo apto a se auto-organizar, ao inves de deixar-se conduzir passivamente por uma forca exterior. O homem em Saint Simon nao e um espectador, um ser contemplativo, mas um sujeito em sentido pleno, isto e, o individuo que so pode ser na dialetica e entrelacamento com o coletivo. Mas quando talvez esta percepcao se encontrasse nele em estado embrionario, teria se unido aos homens de La Fayette, e como oficial lutou na Revolucao Americana. Ao retornar a Franca aderiu a Revolucao Francesa e entusiasmado com uma possibilidade de transformacao iminente do velho mundo abdicou de seu titulo de nobreza por acreditar nao ser o nascimento um motivo de distincao aceitavel entre seres humanos e passou a condenacao explicita do sustentaculo do feudalismo: a nobreza, o direito a heranca, a Igreja. Para ele, a sociedade feudal era dominada pela forca conservada e executada por aquela classe e pelos militares, enquanto o clero controlava o poder espiritual pela disseminacao da supersticao e do medo.

A mudanca que se esperava com a Revolucao Francesa de fato nao aconteceu, e para Saint Simon a chave que permite interpretar o desfecho daquele processo estava no fato de ter permanecido restrita a uma mera substituicao dos homens no poder, sem pretender mexer com as estruturas capazes de acabar com a dominacao do homem pelo homem. Um bom governo deveria, segundo ele, esquecer-se das lutas politicas e preocupar-se com uma boa administracao fundada no merito e numa economia forte e organizada. Em suma, seria preciso construir um novo sistema fundado numa base racional, logica, com a aplicacao do conhecimento disponivel sobre as ciencias exatas para o social. Esta descoberta fez com que muitos o tomassem como o fundador das ciencias humanas e criador do status social de homem de ciencias, o intelectual, o sabio, que por meio da analise e da sintese seria capaz de avaliar uma situacao e ate mesmo prever seus resultados. Se nos parece verdadeiro que este status social ja existia desde a epoca renascentista na Europa, sob Saint Simon adquiriu indiscutivelmente uma nova conotacao. A ciencia de Saint Simon substituiria a religiao, pois os homens passariam a dispor, atraves dela e sob seu proprio controle, de instrumentos uteis e seguros, como a matematica e o calculo, para a avaliacao precisa da conjuntura e a previsao dos resultados esperados, antecipando ate a solucao de possiveis crises.

A passagem de Saint Simon da acao para a filosofia esta inscrita neste quadro de acontecimentos em que considera a revolucao em seu pais como um processo nao concluido, razao pela qual defendeu a crenca na necessidade de refundacao do conhecimento (revolucao cientifica) capaz de operar uma revolucao social, agora sem violencia. Ja no fim de sua vida, buscando um modo de vencer as contradicoes sociais imaginou que o principio de unidade capaz de levar a fraternidade universal pudesse estar em um Novo Cristianismo cuja missao fosse a da "melhoria o mais rapido possivel da sorte da classe a mais pobre" (Saint-Simon, 1966) Este projeto nao teve tempo para realizar, pois morreu em 1825, porem, a sua filosofia inovadora havia atraido uma juventude disposta, em plena monarquia restaurada, a mudanca revolucionaria. Esse grupo passou a divulgar a doutrina de Saint Simon pela imprensa e a publicar novos estudos a partir do legado deixado pelo mestre.

Intelectuais e operarios: conhecimento compartilhado

O publico visado por esta propaganda vinha do mundo do trabalho. Uma aproximacao com os operarios foi tentada inicialmente pelos jovens militantes com visitas de cunho caritativo, atraves das quais procuravam plantar a palavra de Saint Simon e o ensejo de emancipacao. O operariado desconfiava dos objetivos daquelas visitas em que recebia ajuda material, remedios e palavras de incentivo e consolo, auxilio vindo ainda das maos de membros da classe oponente. As duvidas sobre estas inesperadas atitudes benevolentes provocaram uma resistencia inicial a este contato, ademais a indumentaria sansimoneana, e preciso reconhecer, causava estranhamento. Os sansimoneanos sofriam tambem, com a concorrencia do grupo dos catolicos leigos ao redor de Ozanam que, igual aos sansimoneanos, buscaram adotar junto ao operariado uma postura de apostolos voltada para uma acao caritativa nos bairros operarios. Destes, os sansimoneanos buscaram se distinguir e uma ruptura entre os grupos teve inicio a partir da academia quando os primeiros passaram a exigir dos catolicos um posicionamento menos beneficente e mais politizado. O operariado, contudo possuia uma consciencia de classe e estava articulado a partir de suas proprias redes de sociabilidade, entretanto, na medida em que, os sansimoneanos foram pendendo para um discurso mais politizado e para uma acao mais pontual uma identidade foi sendo construida.

As pesquisas de Jacques Ranciere esclarecem sobre como houve uma articulacao interessante entre os intelectuais, apesar de tensa tambem, e os operarios. (Ranciere, 1985 e 2002) O ponto alto deste contato surgiu atraves da constatacao de que uma real emancipacao do operariado viria da instrucao, da capacidade em tomar a pena e fazer-se presente, visivel e ouvido em reivindicacoes proprias. Dai o surgimento e disseminacao de bibliotecas populares, universidades populares e circulos de leituras adaptados ao operariado, passo importante para um impulso da propaganda do movimento operario com a circulacao de uma imprensa propria. Acima da frustracao das altas expectativas dos intelectuais envolvidos nestas acoes educativas, uma vez que a transmissao do conhecimento dependia da sua aplicacao a experiencia imediata e a necessidade da clientela, o vanguardismo militante levava em consideracao o ganho politico e humano. O acesso a cultura escrita e a ciencia, mesmo obtido em nivel menos complexo, favoreceu tanto a circulacao de ideias, como uma articulacao politica mais eficiente, inclusive pela adesao de outros segmentos sociais solidarios as causas dos proletarios. Aqui fazia grande sucesso Jacotot, o pedagogo preceptor de Etienne Cabet no colegio de Dijon. A ele se devia a elaboracao de um metodo de autodidatismo dirigido principalmente para a classe operaria, um publico sem os meios e o tempo disponivel para dedicar-se a instrucao. O metodo de Jacotot, como todos logo viriam a se dar conta, nao se resumia a uma mera tecnica de aprendizado, isto porque viria como uma alternativa ao sistema publico de ensino, de base autoritaria e que visava a instrucao do povo. No lugar disto, Jacotot propunha a emancipacao do povo, dispensando ate mesmo a mediacao dos mestres no processo de aprendizagem. Um dos pontos chave da discussao sobre a instrucao publica na Franca ja com a Revolucao Francesa remete a capacidade da educacao em favorecer a ascensao social dos individuos o que talvez explique o interesse limitado dos Estados na materia. Afinal, como resolver o impasse gerado quando um povo instruido se recusasse a servir?

Nao seria sem proposito reforcar o papel desempenhado pela critica a sociedade feudal, a ociosidade e a ostentacao, aos privilegios, nas transformacoes operadas nas relacoes sociais analisadas aqui, alias, algo disseminado antes mesmo da Revolucao Francesa. A partir desta consciencia os sansimoneanos elegeram, como aponta Michele Riot-Sarcey, o trabalho como ponto central de suas preocupacoes, (Riot-Sarcey in Coilly e Regnier, 2006) mais propriamente os operarios, humilhados, explorados, desconhecidos. As suas acoes estavam permeadas pela consciencia das desigualdades sociais a ponto de provocar entre os jovens de elite o desprezo pelos bens materiais e pelo conforto e no operariado um estimulo para a continuidade de suas lutas por direitos. Agora compreendemos como as charges apresentam um esteriotipo do sansemoneano como figura estranha que lava pratos, engraxa sapatos, etc., no intuito de ironizar as capacidades na hierarquia de Saint Simon porque o grupo reunido na comunidade de Menilmontant, de fato, se recusava a uma vida ociosa e de servidao.

A recusa do sistema era encenada de forma simbolica na comunidade sansimoneana com a inversao de papeis: homens realizando tarefas naturalmente atribuidas as mulheres; senhores servindo a mesa seus antigos empregados, eram cenas do cotidiano da comunidade de Menilmontant. Os novos valores que pretendiam disseminar estavam embutidos ate mesmo no modelo de habito que os sansimonianos trajavam, isto e, propositalmente abotoado pelas costas exigia o auxilio de um irmao para que o outro pudesse se vestir, tudo isto como invocacao da amizade, da solidariedade e da abnegacao. Na comunidade o publico era bem variado representando diferentes segmentos sociais desde a boemia artistica, passando por burgueses, financistas, intelectuais e operarios que compartilhavam bens, uma vida e conhecimento. Apesar do alto nivel de abstracao das conferencias de Menilmontant, as praticas do cotidiano da comunidade ilustram uma compreensao por todos do lugar aonde se pretendia chegar com tudo aquilo, justamente porque o conhecimento era compartilhado nao apenas por meio de textos escritos, mas estava inscrito nas relacoes humanas e nos objetos que elas produzem (1). Malgrado todos os esforcos empreendidos, as acoes dos discipulos de Saint Simon nao foram levadas a serio, salvo pela policia que viu na reuniao de intelectuais com os operarios uma ameaca a restauracao.

Desde o inicio notamos que para os socialismos de epoca tornava-se primordial a adesao de intelectuais como forma de chancela de suas teses sobre economia e politica, por outro lado, os intelectuais jovens sentiam-se naturalmente atraidos pelas expectativas de mudanca que elas pudessem acarretar e entregavam-se de bom grado as tarefas de divulgacao da teoria e de aproximacao com diferentes segmentos da sociedade. De fato, seria um engano pensar que estes movimentos fossem formados apenas por intelectuais e classes medias, ao contrario, os arquivos disponiveis revelam tambem uma ampla adesao de operarios ao fourierismo e sansimonismo. Mas estes intelectuais estavam justamente embebidos do sonho de que a ciencia e a tecnologia viessem a provocar de forma rapida e permanente uma mudanca significativa em beneficio da "classe mais numerosa e menos favorecida".

Os engenheiros politecnicos se prestavam bem a isto e converteram-se numa categoria bem representada entre os socialistas do periodo. Segundo Konstantinos Chatzis (Chatzis in Poncioni e Pontual, 2010) os engenheiros formados pela Ecole Polithecnique entre os anos de 1820 e 1860, periodo de apice de excelencia da escola em formacao, podem ser considerados como figuras singulares e tipicas do contexto frances porque estavam associados a uma vez ao dominio das artes e das ciencias. Eram, segundo o autor, teoricos propensos a colocar os seus conhecimentos em pratica e treinados para esta finalidade, algo tipico da tradicao iluminista voltada para a aspiracao a uma ciencia aplicada. Mas o apelo a experimentacao acontecia tambem em outro sentido: o da aplicacao dos principios de uma ciencia em outra ciencia, como fez Descartes com a aplicacao da algebra a geometria.

A escola politecnica oferecia um curso de curta duracao, mas com uma formacao generica e dirigida para uma atuacao nos diferentes campos da engenharia. A base do sucesso de uma formacao a tao curto prazo e ainda, com uma eficiencia tecnica palpavel foi a descoberta da mecanica fisica adotada da sintese de Laplace sobre as teorias de Lagrange e aplicada aos fenomenos terrestres. Em suma, tratava-se de conceber os corpos naturais como um agrupamento de moleculas, centros de forca, mantidas a pequenas distancias gracas a forcas de atracao e repulsao. O uso da analogia favoreceu a transferencia dos conhecimentos cientificos e tecnologicos para a analise e aplicacao na sociedade. O objetivo seria organizar a sociedade e livrar a humanidade das crises e dos percalcos pela instauracao da justica social e do aprimoramento da sociedade. Fourieristas e sansimoneanos tinham chegado, cada um a seu modo, as formulas mais eficientes para uma mudanca.

Para Saint Simon, a necessidade primeira estava em dar a politica um carater positivo como esbocou nas Lettres d 'un habitant de Geneve, obra que apareceu em 1802, em que defende a formacao de um Conselho eleito, composto por sabios, entre cientistas, literatos e artistas a quem seria designada a gestao dos assuntos materiais e espirituais. A eles caberia a organizacao da producao e do trabalho no sentido da promocao do progresso sem desperdicio, com maior economia e eficiencia. A tecnologia dos transportes facilitaria a comunicacao em toda a Europa a tal ponto de provocar a unificacao de todo um sistema com vistas a uma tao almejada paz continental. As contradicoes sociais seriam dominadas com um modelo de hierarquia baseado em outro principio, que nao o do nascimento ou da fortuna, mas o do merito. Para Charles Fourier, que se tornou um critico mordaz daquilo que tomou por seita e patriarcado sansimoneano, a solucao para o impasse gerado com a revolucao francesa estaria na superacao da Civilizacao. Como Saint Simon, Fourier dirigiu uma critica contundente aos iluministas responsabilizandoos pelo desastre revolucionario em virtude do seu despreparo para solucionar os problemas economicos e politicos. Segundo Fourier, os filosofos, economistas nao conseguiram ultrapassar os limites do pensamento ocidental e que nenhum resultado positivo trouxe para levar a humanidade a um destino de harmonia e felicidade prognosticado. Para Fourier, acostumado ao ambiente liones totalmente permeado pelo iluminismo, a partir desta influencia encontrou um caminho proprio em que talvez possamos admitir um peso grande das teorias de Saint Martin e dos circulos maconicos. De qualquer maneira, a maior critica de Fourier ao iluminismo estaria na falha, na negligencia da comunicacao entre o imaginario e o real, ou em perceber a dimensao sensivel do homem e nada fazer para conciliar o desejo com a necessidade. Neste sentido, o iluminismo distanciou-se da razao para mergulhar num mundo do oculto, lugar de onde pretende, sem conseguir, enunciar uma verdade sobre o real. Esta falha Fourier atribuiu nao apenas ao iluminismo, mas a toda a biblioteca da humanidade, forjada em seculos de contradicoes para as quais os filosofos nao encontraram uma solucao. Em suma, no entendimento dele, a razao nada fez pela felicidade humana, porque nao buscou para "o homem social esta fortuna que e objeto de todos os desejos"; e Fourier entendia como " fortuna social, uma opulencia graduada que coloca ao abrigo da necessidade os homens os menos ricos, e que lhes assegure ao menos por minimum a sorte que denominamos mediocridade burguesa" (Fourier, 1967, p.82). Como o alcance das teorias vinha sendo limitado para esta conquista, Fourier as considerava como verborragias inuteis a servico do oprobio da razao.

Tanto em Fourier, como em Saint Simon persiste, como estamos vendo, a necessidade de demolicao de todo conhecimento adquirido e a criacao de um outro saber, inedito, para dar conta do estabelecimento de um tao necessario novo mundo, igualmente nunca visto antes. O recurso as imagens sobre um novo mundo amoroso, um novo mundo industrial, um novo mundo societario, e frequente na obra de Fourier, bem como a traducao disto em texto produzia, e ainda produz, uma sensacao de estranhamento como nos ocorre diante de narrativas ficcionais. (2) (Gallo, 2012) Este vies do pensamento do filosofo nos parece dos mais interessantes porque expoe a ironia dirigida ao status quo fundado na teologia e na filosofia iluminista. No seu manuscrito intitulado Livre Arbitre, por exemplo, rebaixou a teologia e a filosofia no mesmo patamar dos conhecimentos falsos, ja que ambas admitem o livre arbitrio como um atributo independente das circunstancias nas quais os sujeitos vivem. Para Fourier, falar em Livre Arbitrio na Civilizacao parecia um paradoxo, pois a unica liberdade de escolha facultada aos pobres naquele momento era a de morrer de fome ou por enforcamento. A liberdade verdadeira desconhece a liberdade individual defendida pelo liberalismo, pois o que a define em termos primordiais e o seu carater universal e a civilizacao caminha na direcao oposta desta definicao quando aceita o trabalho escravo, o comercio trapaceiro, a opressao das mulheres e das criancas, uma minoria de ricos e uma maioria de pobres famintos, e tambem, a falta de liberdade amorosa.

Como Saint Simon, Fourier participou da Revolucao Francesa, mas nao por vontade propria. Na verdade, teria sido recrutado a forca pelos revolucionarios e por pouco escapou com vida. Desde entao, sempre se manifestou contrario a todo tipo de violencia e a experiencia da revolucao fez dele, antes de mais nada, um propagandista do pacifismo. Ao que tudo indica, o pendor de Fourier para a defesa dos que sofrem era um traco de sua personalidade, talvez exacerbado depois de ter experimentado de dentro a violencia revolucionaria. Digo isto porque um episodio da vida de Fourier bastante conhecido e difundido por seus biografos, narra a reacao energica que esbocou em publico certa vez quando presenciou a cena de uma empregada sendo maltratada e humilhada pela patroa e num rompante interveio a favor da vitima. Tracos biograficos como estes nos ajudam a compreender a construcao de aspectos da sua obra, calcada na superacao de um mundo caotico pelo investimento em um futuro de harmonia universal. Este futuro, segundo Fourier, ja havia sido prognosticado para o homem por Deus (razao), mas por um desvio de rota (Civilizacao) tornou-se inacessivel.

Se e o destino do homem uma vida em harmonia com seu semelhante e com a natureza, entao basta que descubramos a chave de acesso aos codigos da mudanca. Para Fourier, esta chave e a analogia universal, isto e, o homem representa um microcosmo e contem em si mesmo cada parte do mundo visivel e invisivel, por esta razao o homem como pivot da criacao faz o ponto de interseccao entre os designios de Deus e a natureza, onde estao inscritos. Mas o desvendamento deste verdadeiro hieroglifo da natureza nao e tao simples assim, pois antes precisamos saber o que e analogo a que.

O procedimento analitico de Fourier passa inicialmente pela observacao dos fenomenos, como havia feito Newton, porem o fisico esqueceu-se de fazer algumas perguntas fundamentais que impediram a aplicacao da sua lei da atracao gravitacional para o terreno social. Negligenciou, por exemplo, a analogia universal, a influencia reciproca entre as coisas e permaneceu cego para a atracao passional como "interprete dos olhos de Deus sobre a ordem social". Fourier havia descoberto uma unidade do sistema de movimento entre o mundo material e o espiritual e a analogia como ciencia fixa aplicada ao movimento material, organico, animal e social, que combinada ao calculo matematico das paixoes humanas e dos animais, permitiria desvendar e projetar o movimento (mudanca). Assim, seria possivel acessar os movimentos passados, presentes e futuros, cujo ponto de partida e o movimento social, ou movimento tipo. (Fourier, 1967) A desorganizacao no social repercute no mundo fisico, nos astros (que sao seres vivos), nos elementos e no mundo espiritual, ao mesmo tempo em que os efeitos reversos retornam para o social de forma perversa. Mas os homens, como co-societarios de Deus na gestao do universo e conhecendo o mesmo que Deus conhece detem o poder para reverter o caos pela aplicacao da lei da analogia a organizacao social.

O sistema de Fourier se debruca sobre uma nova organizacao do trabalho pautada na atracao dos individuos pelo exercicio de diferentes tarefas, de propria escolha, em uma mesma jornada. Este sistema se opoe ao trabalho industrial conhecido em muitos sentidos: primeiro porque a escolha dos afazeres e livre e exercida em ambiente aprazivel e salubre, depois porque nao e monotono e ao ter a chance de contato com diferentes momentos de uma producao o trabalhador conhece e se apropria do processo produtivo; finalmente porque a remuneracao no novo sistema privilegia o maior esforco e a maior necessidade. O ponto a partir do qual se estrutura este sistema e a atracao apaixonada e aqui e preciso levar em consideracao a psicologia humana, os desejos de cada um. Isto implica fundamentalmente num rompimento com a moral burguesa estruturante da sociedade industrial. O mundo burgues e garantido pelas relacoes monogamicas pautadas na opressao das mulheres, fazendo dos casamentos relacoes de interesses materiais, das mulheres escravas arrematadas em mercados, sem direitos, sem vontades. Mas e um mundo hipocrita de relacoes que nao se sustentam, salvo pela opressao ou pela mentira e a mesma natureza dissimulada perpassa as demais relacoes entre patroes e empregados, entre mais velhos e mais novos e assim por diante. Por estas razoes um novo mundo so pode alcancar sua condicao de inedito como um novo mundo amoroso e societario de onde a repressao aos instintos seja banida e no qual as mulheres resgatem suas liberdades e a partir do fim do patriarcado se estabeleca uma real liberdade, igualdade e fraternidade entre homens e mulheres, jovens e mais velhos, animais e humanos, homem, Deus e o universo, mundo material e mundo espiritual. Assim como a historia e um processo em aberto, a ciencia nao pode ser um sistema fechado para dar conta do calculo dos desejos, imprevistos e mutantes. A representacao material deste sistema (o real possivel) esta nos falansterios como comunidades estabelecidas a partir da reuniao de pessoas diferentes em gosto e em inclinacoes, agrupadas espontaneamente para dividir trabalhos e vidas em cooperacao ou rivalidade, mas em harmonia e de forma apaixonada.

Intelectuais e operarios no Novo Mundo

Como para o caso de Saint Simon, as teorias de Fourier despertaram interesse do operariado e da intelectualidade. A medida em que o descontentamento crescia alimentado pela crise economica e politica entre os anos de 1830 e 1848 a escola fourierista na Franca, atraves da acao de militantes e da propaganda por imprensa propria, foi angariando adeptos. Apesar dos esforcos empreendidos para se manter uma unidade entre os seguidores de Fourier, o movimento dividiu-se em dissidencias, cada uma delas com uma interpretacao propria sobre o legado do mestre. Uma das vertentes desta dissidencia reuniu-se na mutual Societe Union Industrielle que congregava agricultores, operarios e artesao de diferentes oficios, bem como artistas e intelectuais, e rumaram para o Brasil para realizar uma comunidade fourierista. A lideranca deste grupo estava com o medico homeopata Jules-Benoit Mure e depois sobre a de Michel Marie Derrion, ambos militantes no movimento fourierista na Franca.

Frequentemente nos deparamos com o nome de Benoit Mure na bibliografia sobre os movimentos sociais nas Americas e as ideologias que os inspiravam, (Abramson, 1999; Illades, 2008; Rama 1959), entretanto, as fontes documentais nao sao abundantes a ponto de deixar evidente todos os detalhes desta presenca entre nos. Por isto a primeira pergunta que cabe e sobre quem foi Benoit Jules Mure? Este personagem hoje um tanto misterioso para nos levou, todavia uma vida muito movimentada e cheia de tribulacoes. Nascido de uma familia abastada de negociantes do ramo de tecidos que se estabeleceu na cidade de Lyon, na Franca, desde cedo foi atormentado por problemas de saude que quase o levaram a uma morte prematura. Mas no auge da sua juventude, quando os medicos ja o haviam desenganado, sua saude foi reestabelecida, segundo ele proprio afirma, pelo tratamento homeopatico. Esta circunstancia especial moldou a personalidade de Mure que a partir da cura desenvolveu um apego pela vida como se este acontecimento marcasse, na verdade o seu proprio nascimento. Em virtude disto, acreditamos que os aspectos mais impenetraveis da trajetoria intelectual de Mure tornam-se perfeitamente esclarecidos e acessiveis a partir da sua experiencia de vida e de morte. Com isto nao pretendo reduzir a experiencia ao nivel da compreensao individual e autonoma, mas apontar para esta dialetica entre as experiencias do cotidiano, o modo como atraves delas filtramos e interpretamos as relacoes humanas e os acontecimentos e finalmente, a forma como tudo isto retorna, agora com acrescimo de significados para o nosso interior e dai para o social, num movimento permanente. (Thompson, 1981, p.180-201) Vemos entao, que na luta pela sua saude e contra uma morte anunciada, conquistou a vitoria e decidiu-se pelo estudo da medicina, mas com a intencao de combater a alopatia, como forma de vinganca contra uma medicina, segundo ele, falsa, e em defesa da homeopatia. Talvez nas suas investigacoes a respeito dos principios da homeopatia tivesse constatado as implicacoes mais coletivas implicitas em similia similibus curantur e se dado conta da necessidade de curar tambem a sociedade de seus males. Aderiu entao, como muitos colegas medicos o fizeram na epoca (3) (Picon, 2002, p. 89-90; Guarneri, 1994, p. 87) ao grupo heterogeneo de adeptos de Saint Simon estabelecido em Lyon e, segundo alguns, chegou a casar-se com a filha de Bazar, um dos chefes do culto, mas sobre esta alianca nao encontramos as evidencias. Mas, o seu rompimento com o sansimonismo teve como ao menos um dos motivos a discordancia com a excessiva liberdade amorosa pretendida pelo culto, que na condicao de seguidor tambem do culto de Swedemborg nao podia conceber. Talvez esta questao nao fosse primordial porque, como veremos, em 1839 ja adere ao fourierismo e participa ativamente da dissidencia do movimento nascente. Como sabemos, Fourier foi um defensor ferrenho do fim da monogamia e incentivador das liberdades de escolha em orientacao sexual, concepcoes que expos no Nouveau Monde Amoureux. Mas esta obra em que Fourier vincula as liberdades individuais a construcao de uma comunidade verdadeiramente livre, teria sido publicada por seus discipulos com cortes significativos --uma versao mais completa teria sido publicada apenas nos anos de 1960 pelas maos de Simone Debout (Debout (org.), 1966-1968)--de tal forma que permanecemos sem saber ate que ponto houve nos anos de 1840 uma circulacao mais ampla, sobretudo entre os discipulos de Fourier--do conteudo dos manuscritos.

Entre a dissidencia fourierista era bem difundida a corrente swedenborguista, e a pratica de misturar as teorias de Fourier os conteudos de religioes diversas adicionados ainda, a ciencias nao chanceladas pela academia. Mure seria um exemplo tipico deste intelectual socialista avido pela descoberta de uma lei geral capaz de dar conta de uma solucao para a Civilizacao. Elegeu entao, uma serie de autores considerados por ele como genios da humanidade e buscou operar uma costura dos elementos aproximativos entre os diferentes campos. Nos dominios da religiao escolheu a revelacao de Swedenborg, com seu sistema de analogias e da comprovacao da existencia da alma. A isto relacionou o mesmerismo e o magnetismo com a inovacao sobre as vontades exercidas pela forca de energias invisiveis, em seguida a homeopatia que desvendava a linguagem da natureza e a comunicabilidade com a linguagem dos homens. Em seguida, incluiu a emancipacao intelectual e social proposta por Jacotot, cujo metodo inspirou a propria producao intelectual de Mure. Finalmente, Fourier inventor do falansterio como aplicacao no social dos principios que todos os outros haviam descoberto para dominios mais especificos. Fourier e Hahneman representavam para Mure, a unidade do conhecimento.

A busca frenetica de Mure foi pela realizacao de uma comunidade perfeita que avancasse com relacao a Fourier e a Hahneman. O falansterio do Sai, no Brasil, fundado nos anos de 1840, incluia a ideia de Fourier elementos totalmente novos como a homeopatia, a adesao a um modelo mais predominantemente industrial do que agricola. O modelo nao obteve sucesso e logo os falansterianos se dispersaram, mas Mure seguiu com a propaganda socialista no Rio de Janeiro. No contexto fora da Europa, adaptou os principios do socialismo as necessidades locais: tratamento homeopatico aos pobres e aos escravos, propaganda fourierista e hahnemaniana, incentivo a instrucao publica, fundacao de associacoes diversas e escolas de medicina homeopatica.

Ser intelectual socialista no periodo tratado aqui nao representa exatamente uma distincao social, mesmo quando consideramos o grande merito e responsabilidade que Saint Simon atribui aos sabios. Se esta distincao existe, entao os socialistas compreendiam que qualquer um poderia ter acesso a esta condicao. O operario poderia ser um intelectual e, de fato, teria sido tratado como um igual, apto a campartilhar as complicadas teorias dos mestres socialistas das quais conheciam as principais teses a eles passadas pelos intelectuais. Nos ateliers de trabalho, o operario letrado lia a seus companheiros trechos das obras dos teoricos socialistas e comentavam, concordando ou nao, com este ou aquele ponto. Esta comunicacao so pode ser estabelecida porque entre a teoria e a pratica havia um nexo, sendo uma o espelho da outra. Entao, entre o avesso do mundo, tal como em teoria a Civilizacao era retratada, e o mundo do possivel (o real virtual) os intelectuais e os operarios trabalharam para fazer da teoria uma praxis.

Recibido: febrero 15 de 2013 Aprobado: mayo 7 de 2013

Referencias bibliograficas

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(1) Aqui nos mencionamos o traje sansimoneano, as praticas de compartilhamento na comunidade de Menilmontant, mas ha um colar sansimoneano concebido por Enfintin e por Chevalier quando ambos encontravam-se presos em Sainte-Pelagie logo apos a repressao a comunidade. O colar, feito em metal, com varios elos em diferentes formas geometricas simbolizava o laco eterno entre os sansimoneanos, mesmo depois do cisma entre Enfintin e Bazard.

(2) Alguma comparacao se estabelece entre os dois generos como a apresentacao de uma resposta as mudancas subitas nas condicoes sociais; a tentativa de manter um elo com o real pelo efeito da analogia e da verossimilhanca, mas um real extrapolado (real possivel).

(3) Um inventario da correspondencia enviada ao jornal sansimoneano O Globo, e que consta do acervo da Bi- bliotheque de l'Arsenal, revela que algumas profissoes sao particularmente representadas entre adeptos e sim- patizantes da causa. Entre advogados, negociantes, professores e outras categorias os medicos estao em 2* lugar. Este mesmo padrao se repetiu entre os fourieristas na Franca e fora dela. Carl Guarneri levantou a participacao de medicos no movimento fourierista norte americano, mas ressaltou que a "homeopatia era particularmente apropriada para o Fourierismo porque ela era "a Medicina da Analogia".

Ivone Gallo **

* Articulo de Investigacion Cientifica Tipo 2: de reflexion, segun clasificacion de Colciencias.

** Doctora en Historia Social-Unicamp, Pos doctorado en Teoria Literaria IEL-Unicamp e Investigadora del Centro de Estudos de Utopias-U-Topos/IEL-Unicamp E-mail: ivone.gallo@gmail.com
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Author:Gallo, Ivone
Publication:Historia y espacio
Date:Feb 1, 2013
Words:6644
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