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Influencia de los gestores del Uso de la TI en la gobernanza de TI.

Influencia dos Direcionadores do Uso da TI na Governanca de TI

The Influence of Use Drivers in it Governance

1 INTRODUCAO

A tecnologia da informacao (TI) tem sido abordada sob diversos pontos de vista. Entretanto, duas visoes tem concentrado os maiores esforcos dos pesquisadores: uma visao funcional da TI em si e uma visao da TI no negocio. Assim, partindo da primeira visao, os estudos exploram os componentes, hardware, software, rede e conectividade, banco de dados, pessoas e procedimentos, nas suas relacoes de uso, eficiencia operacional e eficacia funcional. Do ponto de vista de negocio, as pesquisas tem referenciado vinculos a efetividade dos resultados e, consequentemente, ao desempenho organizacional, entendendo sua relacao com o contexto organizacional numa visao maior, englobando o ambiente externo, as caracteristicas setoriais de cada ramo e a organizacao interna.

A abordagem dada aTI na perspectiva dos negocios tem sido amplamente disseminada em todos os setores. Diferentes demandas de tecnologia nos negocios geram uma implementacao diversificada de solucoes e recursos tecnologicos (SORDI; MARINHO, 2007). Sua utilizacao macica pela maioria dos profissionais nas empresas, acaba por mesclar as iniciativas de TI com as iniciativas de negocios (BLOEM; VAN DOORN; MITTAL, 2006). Essa permeabilidade tem trazido varios desafios. Por exemplo, Hardy (2006) destaca que, em proporcao relativa, as decisoes com relacao aTI (politicas, responsabilidades, riscos, desempenho) interferirao na organizacao. Assim, problemas tecnicos, como invasao de sistemas, podem ter consequencias desastrosas para a imagem da empresa, ocasionando prejuizos financeiros. Uma boa razao para chamar a atencao dos estudiosos, transformando em objeto de pesquisa as questoes sobre avaliacao do valor da TI, bem como o impacto dos investimentos em TI nas organizacoes (BACON, 1992; DEHNING; DOW; STRATOPOULOS, 2004; FITZGERALD, 1998; LUNARDI; BECKER; MACADA, 2009MATLIN, 1979; WEILL; OLSON, 1989).

Alguns numeros tambem tem reforcado a preocupacao com a TI nas organizacoes. Considerando a 21a edicao da pesquisa sobre Administracao de Recursos de Informatica (MEIRELLES, 2010), as medias e grandes empresas privadas nacionais, em media, alocam 6,4% do faturamento liquido sobre os gastos e investimentos em informatica. Na mesma amostra, revelou-se um custo anual por teclado em media de US$ 10,8 mil, ou seja, todo gasto e investimento que esta por tras da unidade de teclado das empresas envolvendo todos os componentes que caracterizam a TI (MEIRELLES, 2010). Tambem, de acordo com o Relatorio de Status Global a& Governanca de TI de 2008 do Information Technology Governance Institute -- ITGI (2008), a tecnologia da informacao esta 70% regularmente ou sempre presente na agenda da direcao das empresas e 53% destas concordam fortemente que os investimentos nessa tem criado valor para suas organizacoes. Esses numeros revelam, nao apenas a atencao a ser dada a TI, mas o impacto que ela vem causando, envolvendo desde aspectos financeiros ate a influencia nos resultados organizacionais. Devaraj e Kohli (2002) argumentam que aspectos de custo e investimentos em TI impactam o desempenho empresarial. O uso da TI, seja como suporte ou processo produtivo embarcado nos produtos e servicos, e refletido no resultado da empresa, segundo os autores.

Alinhado as questoes de gastos e investimentos em TI, a literatura de sistemas de informacao tem discutido mais acentuadamente questoes sobre a governanca de TI a partir dos estudos de Weill (2004). Segundo Brown e Grant (2005), Weill apresentou uma consolidacao de duas correntes de estudos que separavam o foco da governanca de TI. A primeira delas tratava das estruturas de tomada de decisoes de TI pelas organizacoes, enquanto a segunda procurava entender a adequacao da governanca de TI as contingencias organizacionais. Se por um lado havia uma preocupacao focada apenas nos papeis decisorios, por outro, aspectos proprios do uso da TI, de acordo com fatores contingenciais da organizacao, tambem nao podiam ser desconsiderados. Assim, o entendimento da governanca de TI como a definicao de poder e autoridade quanto aos papeis e responsabilidades para o uso desejado da TI (WEILL, 2004) adquiriu relevancia nos estudos da area.

Dada a importancia, o valor desses resultados e a preocupacao com sua governanca, esse cenario configura-se desafiador para as empresas no tocante a que estrutura de papeis e responsabilidades pelas decisoes adotar, tal que conduza a um melhor desempenho do uso da TI pelas organizacoes. Assim, o estudo enfoca a tecnologia da informacao com a visao de negocio, entendendo as dimensoes do seu uso aplicadas ao contexto no qual a organizacao esta inserida. Nesse sentido, o uso da TI e influenciado por direcionadores e, a partir de sua administracao e governanca, oferta e entrega beneficios, visando a um melhor desempenho empresarial (ALBERTIN, A L.; ALBERTLN, R. M., 2005).

Embora a literatura traga estudos que procuram generalizar as praticas da governanca de TI e relaciona-las ao desempenho das organizacoes (DE HAES; VAN GREMBERGEN, 2009; LUNARDI; BECKER; MACADA, 2009; WEILL; ROSS, 2005, 2006), considerar que nao ha necessidade de estudos especificos dessas praticas confrontadas as caracteristicas proprias das organizacoes e considerar que todas sao iguais. O estudo apoia-se na necessidade do entendimento das praticas da governanca de TI considerando influencias da cultura e das politicas organizacionais, da adequacao as realidades contemporaneas distintas das organizacoes, e na verificacao das contribuicoes teoricas nessa area (BROWN; GRANT, 2005) como motivadores para sua realizacao. Nesse sentido, tais motivadores tambem constituem parte das contribuicoes do estudo.

O uso da TI em instituicoes de ensino apresenta diversos direcionamentos. Por exemplo, Gaspar et al. (2009) verificaram que as universidades publicas possuem um nivel melhor de maturidade que as instituicoes de ensino privado no tocante a disseminacao do conhecimento por meio de seus portais corporativos. Para tal fato, os autores atribuem que as universidades privadas utilizam desse recurso de TI para sua operacionalizacao interna das atividades, enquanto as publicas fazem uso para explicitar sua producao cientifica junto a comunidade academica e ao mercado. Isso revela o contexto pratico da influencia dos direcionadores do uso da TI em instituicoes de ensino e abre espaco para entender o que ocorreria em uma instituicao com regras de funcionamento publico, mas amparada pela iniciativa privada.

A partir da importancia dos estudos que relacionam os gastos e investimentos em TI, o seu uso pelas organizacoes e o desempenho alcancado, o trabalho procura entender como fatores que direcionam o uso da TI influenciam a estrutura decisoria de sua governanca, em uma instituicao de ensino profissional, do nivel tecnico a pos-graduacao. Assim, a pesquisa procura investigar como as caracteristicas de investimentos em TI, do ambiente externo e do contexto interno da organizacao sao influenciadas por direcionadores que orientam o uso da TI e, por conseguinte, impactam as principais decisoes sobre a governanca da TI, que inclui seus principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao, e aplicacoes de negocio (WEILL; ROSS, 2006).

O carater dessa investigacao procura contribuir com informacoes mais especificas por se tratar de uma instituicao de ensino profissionalizante, na qual a natureza do seu negocio tornaa um desafio a parte. A propria literatura aponta uma deficiencia de pesquisas nessa direcao sugerindo um espaco para melhor compreensao em varios setores, sendo um deles a educacao (XUE; LIANG; BOULTON, 2008).

O objetivo geral deste estudo e analisar a influencia dos direcionadores de mercado, organizacionais, do individuo e da propria TI, na estruturacao da governanca de TI (GTI), em uma instituicao com uso intenso de tecnologia. Os objetivos especificos sao: identificar os principais elementos que impactam a GTI; analisar como os direcionadores influenciam nas principais decisoes; e descrever como a GTI encontra-se estruturada na instituicao em estudo, por meio dos direcionadores.

2 REVISAO DA LITERATURA ESPECIFICA

A revisao da literatura para a elaboracao do quadro teorico relaciona dois blocos principais: as dimensoes do uso da TI e sua governanca.

2.1 Dimensoes influentes no uso da tecnologia da informacao

O uso da TI, conforme Albertin, A. L. e Albertin, R. M. (2005), apresenta algumas dimensoes que podem ser observadas a partir de quatro aspectos: (1) mercadologicos, (2) organizacionais, (3) do individuo e (4) da propria tecnologia da informacao. Esses aspectos sao chamados pelos autores de direcionadores do uso da TI.

O direcionador de mercado esta relacionado, num sentido, as pressoes de negocio exercidas sobre a organizacao e, em outro sentido, as respostas a tais pressoes. Por exemplo, as organizacoes estao envolvidas por aspectos eticos, competicao global por mercado de trabalho, excesso de informacao, inovacao e obsolescencia tecnologica, mudanca na forca de trabalho, necessidade de operacoes em tempo real, regulamentacao governamental, orientacao a cliente e responsabilidade social, entre outros, que imprimem uma pressao as suas estruturas. Em resposta, existe um movimento organizacional de reacao a essas pressoes por meio de aliancas de negocios, comercio eletronico, esforcos de melhoria continua, estruturas de equipes, foco e servico a clientes, mudancas de processos de negocio e sistemas estrategicos, em linhas gerais.

O direcionador organizacional aborda a cadeia de processos de negocios da organizacao de ponta a ponta, isto e, o desenvolvimento de produtos e servicos, a cadeia de suprimentos, manufatura e o atendimento a cliente, com todos os recursos envolvidos em cada um deles.

Aspectos relacionados ao individuo envolvem os atores internos e externos aos processos da organizacao, como: clientes, colaboradores, funcionarios, usuarios, terceiros e todos aqueles com alguma forma de relacao com a organizacao, incluindo elementos caracteristicos das pessoas, ou seja, suas particularidades individuais que sao trazidas para o ambiente organizacional, interagindo.

Aspectos intrinsecos aTI, isto e, o direcionador da tecnologia da informacao, envolvem todos os seus componentes desenvolvidos para solucionar os problemas e desafios das organizacoes em respostas as ameacas, oportunidades, forcas e fraquezas, inclusive, por exemplo, inovacao para geracao de oportunidades de novos negocios.

O valor que a TI podera agregar a organizacao esta diretamente relacionado com a qualidade do estudo desses direcionadores (AMOR, 2000; HACKETT, 1990; KANTER, 2001). Eles sao os condutores do uso da TI para ofertar e entregar beneficios a organizacao refletindo no seu desempenho. Para que isso ocorra, deve haver planejamento, organizacao, direcao e controle gerenciados por papeis e responsabilidades e direitos de decisao sobre sua pratica e utilizacao. A Figura 1 mostra o contexto das dimensoes envolvidas.

[FIGURA 1 OMITIR]

2.2 Consideracoes para estruturacao de papeis e responsabilidades nas decisoes da TI

A estrutura e a dinamica de utilizacao da TI impactam interna e externamente as organizacoes, influenciando seus direcionadores e o proprio contexto, enquanto os alteram e sao por eles alterados. Para gerenciar essa dinamica, devem ser definidos papeis e responsabilidades, bem como direitos de decisao para estimular comportamentos desejaveis quanto ao uso da TI, de acordo com Weill (2004), definindo sua governanca. Essa requer uma configuracao da organizacao baseando-se em cinco principais decisoes criticas resumidas no Quadro 1 (WEILL; ROSS, 2006).

A configuracao da organizacao pode ser vista como arquetipos, ou seja, formacoes individuais ou coletivas envolvendo pessoas de tecnologia ou de negocio, analogos as estruturas de governo. Por meio do cruzamento entre as principais decisoes e os arquetipos, pode-se estabelecer a chamada matriz de governanca de TI (WEILL; ROSS, 2006). Na matriz fica configurada toda estrutura de GTI da organizacao. Os ajustes da matriz, confrontados com o ambiente competitivo, refletem no desempenho da organizacao.

Com base nessas principais decisoes sobre governanca de TI, levantam-se indagacoes para descrever melhor cada uma delas. Pode-se ter, por exemplo, para os principios as seguintes perguntas: como se traduzem os principios de negocio para os principios de TI que guiam suas decisoes? Ou, como sera financiada? Ou, quais sao os comportamentos desejaveis desta? O mesmo procedimento e feito para cada uma das outras decisoes criticas, respeitando-se e restringindo-se a seus escopos. O resultado e relacionado aos mecanismos de gerenciamento das decisoes, ou seja, mapeados aos arquetipos, a saber: monarquia de TI, monarquia de negocio, federalismo, feudalismo e duopolio de TI. Consequentemente, tracase uma matriz que projeta sua estrutura para a organizacao nos seus processos de decisao em tecnologia de informacao (WEILL; ROSS, 2005).

O comportamento desejavel do uso da TI esta relacionado a sua governanca, mas tambem sera determinado pela visao e valor que representa para a empresa, assim como pelas varias aplicacoes disponiveis (WEILL; BROAD LENT, 1998). Nesse sentido, a utilizacao da TI pode contribuir para a criacao de novos modelos organizacionais (MEANS; SCHNEIDER, 2000; MURPHY, 2002; SAMPLER, 1998; WEILL; VITALE, 2001;), a partir de arranjos interativos com a estrategia de negocio (VENKATRAMAN, 1991), reconfigurando niveis diferentes, de acordo com a necessidade definida pelos direcionadores.

Entretanto, pouca literatura tem explorado uma visao baseada em estagios dos processos de decisao de TI. Essa perspectiva e apresentada como uma proposta de tres fatores que podem impactar a sua governanca: (1) as caracteristicas dos investimentos feitos nessa area, (2) o ambiente externo e (3) o contexto interno (XUE; LIANG; BOULTON, 2008). O sumario desses fatores influentes pode ser visto no Quadro 2.

As caracteristicas dos investimentos em TI, alem de ser comumente baseadas no grau de sua complexidade ou impacto nos negocios, podem ser caracterizadas em quatro niveis organizacionais: departamental, interdepartamental, organizacional e interorganizacional. Cada nivel envolve um conjunto diferente de atores e requisitos e demandando capacidades proprias. O ambiente externo impacta os processos de tomada de decisoes de TI nas organizacoes. Envolve clientes, fornecedores, concorrencia, governo, associacoes industriais e demais forcas economicas e sociais. Assim, o ambiente externo e limitado as pressoes competitivas, institucionais e acesso a recursos externos que impactam padroes de governanca baseados nos requisitos de recursos e capacidades que impoe a organizacao. O contexto interno trata do poder da funcao de TI sobre a organizacao e como a governanca esta relacionada com o poder de decisao. Esse contexto imprime uma dependencia organizacional nos processos de decisao sobre investimentos nessa area.

2.3 Quadro integrativo das dimensoes do uso da TI na estruturacao de sua governanca

A abordagem apresentada destaca a importancia de uma leitura mais ampla da influencia que envolve todos os aspectos da organizacao para, entao, estruturar a governanca de TI. Porem, a visao de um modelo ou outro parece nao atender a aspectos cuja classificacao iria alem das apresentadas. Esse ponto revela a necessidade de uma abordagem que contemple elementos influentes maiores, no entendimento do contexto organizacional, ao mesmo tempo que especificos, para que se possa configurar com mais clareza a influencia no delineamento dos papeis e responsabilidades decisorios.

Assim, o estudo procura investigar como as caracteristicas de investimentos em TI, o ambiente externo e o contexto interno da organizacao sao influenciadas por direcionadores que orientam o uso da TI e impactam as principais decisoes sobre sua governanca de TI. Em outras palavras, argumentamos que direcionadores de mercado, da organizacao, do individuo e da propria TI sao constituidos por elementos maiores em relacao ao ambiente organizacional. Eles, portanto, norteiam o uso da TI e influenciam a estruturacao de sua governanca. Essa influencia se dara pelo grau em que os direcionadores especificam fatores relacionados a investimentos, ao ambiente externo e ao contexto interno da organizacao.

Os fatores podem ser determinantes na formacao do quadro decisorio, permeando questoes relacionadas aos principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao, e aplicacoes de negocio. Dessa forma, a estrutura de governanca da TI fica estabelecida pelo seu uso na organizacao. Esse uso especifica fatores determinantes que impactam o quadro de papeis e responsabilidades em relacao aTI.

A partir das consideracoes feitas, o quadro teorico da pesquisa e apresentado na figura 2. Procurou-se extrair, a partir dos direcionadores do uso da TI, cada um dos fatores especificos que impactam na estruturacao da sua governanca. A figura 2 ilustra duas ligacoes: (1) os direcionadores do uso da TI com os fatores que impactam sua governanca; e (2) esses fatores com a estrutura de governanca da TI. O quadro revela, tambem, o funcionamento dos fatores como uma linguagem de comunicacao que especifica os elementos principais do contexto dos direcionadores, que impactam determinantemente o quadro decisorio sobre o uso da TI.

[FIGURA 2 OMITIR]

Desse modo, o estudo procurou investigar as seguintes proposicoes:

Proposicao 1:

As caracteristicas de investimentos em TI influenciam os principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao de TI, e aplicacoes de negocio por meio dos direcionadores do seu uso pela instituicao.

Proposicao 2:

As caracteristicas do ambiente externo influenciam os principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao de TI, e aplicacoes de negocio por meio dos direcionadores do seu uso pela instituicao.

Proposicao 3:

As caracteristicas do contexto interno influenciam os principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao de TI, e aplicacoes de negocio por meio dos direcionadores do seu uso pela instituicao.

Proposicao 4:

A estrutura de governanca de TI e seus arquetipos sao mais bem definidos pelos fatores influentes que caracterizam o seu uso na instituicao.

Como resultado desse quadro teorico adotado na pesquisa, procurou-se estruturar uma matriz que reflita os relacionamentos das tres colunas por meio do cruzamento de seus componentes.

3 ASPECTOS METODOLOGICOS

Os metodos denominados qualitativos ou nao estruturados parecem melhor adaptar-se ao problema proposto. Alinhada ao que se propoe o estudo, a possibilidade de estudar sistemas de informacao no ambiente natural, buscando na pratica contribuicoes no campo da teoria, tambem respondendo a perguntas, tais como: como? e por que?, ou seja, compreendendo a natureza e a complexidade do processo em jogo e a possibilidade de pesquisar uma area na qual poucos estudos previos tenham sido realizados justificam a escolha do estudo de caso como estrategia para esta abordagem qualitativa (BENBASAT; GOLDSTEIN; MEAD, 1987).

As teorias desenvolvidas, a partir de estudos de caso, podem ser muito especificas e aplicaveis a apenas um determinado fenomeno. Entretanto, Eisenhardt (1989) ressalta que os estudos de caso permitem o desenvolvimento de novas teorias, vinculadas a outros assuntos mais amplos de pesquisa. E, ainda, a construcao e a expansao de teorias a partir de um ou mais estudos de caso sao apropriadas quando ha a necessidade de oferecer novas perspectivas a assuntos ja pesquisados anteriormente. De fato, o objetivo dessa pesquisa nao e enumerar frequencias para generalizacoes aplicaveis a populacoes ou universos, mas ampliar a discussao sobre as proposicoes teoricas existentes, a partir de uma realidade especifica e conhecida.

3.1 Caso unico

A utilizacao de um unico caso e apropriada em algumas circunstancias: quando se utiliza o caso para se determinar se as proposicoes de uma teoria sao corretas; quando o caso sob estudo e raro ou extremo, ou seja, nao existem muitas situacoes semelhantes para que sejam feitos outros estudos comparativos; quando o caso e revelador, ou seja, quando permite o acesso a informacoes nao facilmente disponiveis (STAKE, 2001).

Neste estudo, o caso auxiliara na validacao das proposicoes, alem de ser revelador, uma vez que possibilita a obtencao de dados de uma empresa de grande porte, nem sempre disponiveis aos pesquisadores.

Ressalta-se, entretanto, que estudos de caso unico devem ser feitos com cautela, principalmente no tocante as generalizacoes elaboradas a partir dos mesmos estudos. Alem disso, pode-se verificar, ao longo da analise, que o caso nao tem adesao a teoria inicialmente proposta (YIN, 2005).

Um dos limites mais destacados dessa metodologia tem sido a falta de regras definidas para a inferencia de generalizacao dos dados obtidos (DONMOYER, 2000; KENNEDY, 1979; YIN, 2005).

Para Stake eTrumbull (1982), o estudo de caso nao precisa necessariamente gerar generalizacoes de suas conclusoes; assim, o fundamental torna-se o uso que outros pesquisadores farao do caso, realizando o que e chamado de "generalizacao naturalista". A ideia de Stake e Trumbull (1982) e atraente por varios motivos, principalmente por defender que a responsabilidade de generalizar fica a cargo do leitor (GOMM; HAMMERSLEY; FOSTER, 2000; STAKE, 1983). A ideia de "generalizacao naturalista" sustenta a nocao de generalizacao como transferibilidade, de Lincoln e Guba (2000). Por transferibilidade deve-se entender nao a reproducao dos resultados encontrados (generalizacao) sob as mesmas condicoes mantidas em estudos anteriores, mas a possibilidade de utilizacao dos procedimentos e resultados encontrados em situacoes semelhantes, respeitadas as peculiaridades dos novos contextos.

Para Lincoln e Guba (1985; 2000), a responsabilidade do pesquisador e a de proporcionar informacao contextual suficiente para facilitar o julgamento do leitor quanto ao fato de um determinado caso poder ser transferido para um campo especifico de pratica.

Para Stake eTrumbull (1982), o que e exigido dos pesquisadores do estudo de caso e que ilustrem o caso de forma adequada, captando suas caracteristicas unicas.

Dessa forma, procurou-se fornecer o maximo de informacoes sobre o caso, deixando a transferencia das descobertas a cargo do leitor, buscando semelhancas entre os contextos.

Kennedy (1979) propoe uma serie de regras que podem servir de base para um bom caso unico: analisar uma grande variedade de atributos da amostra; utilizar muitos atributos comuns entre a amostra e a populacao de interesse; poucos atributos unicos na amostra e escolher atributos relevantes. O fato de a organizacao ser de grande porte, lider no seu setor, e apresentar uso significativo de TI como parte essencial de sua atividade, faz com que seja uma empresa modelo para outras do setor, aumentando assim a quantidade de atributos entre amostra e populacao, alem de diminuir os atributos unicos do caso.

3.2 Coleta dos dados

Foram realizadas entrevistas nao estruturadas, observacao nao participativa e analise de documentos. Por meio da triangulacao dos dados permitiu-se uma comparacao continua das diferentes fontes para a sua validacao (EISENHARDT, 1989; YIN, 2005). As entrevistas e as observacoes representaram as principais fontes de informacao.

No intuito de otimizar a confiabilidade do estudo de caso e orientar o pesquisador na coleta dos dados, elaborou-se um protocolo de estudo de caso (YIN, 2005).

No presente estudo, o procedimento de campo teve a seguinte sequencia: buscar autorizacao para realizar a pesquisa na organizacao e contatar os possiveis entrevistados. A permissao oficial para realizacao da pesquisa foi concedida pelo Superintendente Administrativo da organizacao; coletar os dados com a aplicacao das entrevistas semiestruturadas aos entrevistados escolhidos, investigacao dos sites e analise de documentos; validar o material coletado com os entrevistados.

O protocolo de pesquisa do caso foi elaborado com base na revisao bibliografica.

O roteiro de entrevista adotado no estudo procurou entender aspectos gerais e especificos, utilizando-se de uma orientacao aberta para que o respondente pudesse se sentir a vontade para abordar elementos alem das questoes, mas que fossem relevantes para o entendimento da pratica realizada na organizacao. O roteiro foi orientado por quatro grandes blocos de perguntas que procuraram: (1) caracterizar a organizacao: informacoes gerais sobre a empresa e o respondente incluindo as principais responsabilidades e papeis desempenhados; (2) descrever o papel e alinhamento da TI: evolucao do posicionamento cronologico da TI, o relacionamento entre as areas, a adequacao da TI as necessidades de negocio, as atitudes da direcao em relacao ao papel da TI e a integracao da TI na governanca corporativa; (3) descrever a pratica da governanca da TI: estrutura de governanca da TI envolvendo o grau de conhecimento e a pratica na organizacao, a pratica dos processos decisorios sobre os investimentos em TI e a definicao de papeis e responsabilidades sobre as decisoes; (4) entender o processo de monitoramento e controle da governanca da TI: tratamento dado a incidentes e problemas na area de TI, e as ferramentas para controle e monitoramento do cumprimento das metas estrategicas da empresa e o alinhamento a governanca de TI praticada.

As informacoes foram coletadas para avaliar as proposicoes formuladas por meios de entrevistas feitas com tres executivos, o superintendente administrativo, o gerente de sistemas e o gerente de financas. Esse conjunto de informantes sao os responsaveis diretos pelas decisoes na empresa relativamente ao que se deseja com esse estudo.

Cada encontro teve aproximadamente uma hora de duracao. As entrevistas realizadas nos escritorios dos executivos ocorreram entre os meses de janeiro e maio de 2009, e tiveram como objetivo ampliar o entendimento sobre como a governanca de TI e exercida na organizacao.

O superintendente administrativo esclareceu as questoes relativas aos principios, ou seja, como os principios da organizacao traduzem os principios de TI que guiam as tomadas de decisoes sobre esta, qual o seu papel no negocio, quais sao os comportamentos desejaveis e como a tecnologia e financiada.

O gerente de financas tratou das prioridades de investimentos na area, tais como: que processos de mudancas ou melhorias sao estrategicamente mais importantes para a organizacao, como e a distribuicao do orcamento atual para a tecnologia da informacao, se essa distribuicao esta coerente com o orcamento da empresa, qual e o valor de negocio dos projetos de TI determinados apos a sua implementacao.

A entrevista com o gerente de sistemas foi a que nos proporcionou uma visao mais abrangente da insercao da TI na organizacao, proporcionando melhor entendimento sobre sua arquitetura (quais sao os principais processos de negocio da organizacao, como eles estao relacionados, que informacoes conduzem tais processos, como esses dados devem ser integrados e quais opcoes de tecnologia vao orientar a abordagem da empresa para as iniciativas relacionadas), as estrategias de sua infraestrutura (que servicos de infraestrutura sao mais criticos para a consecucao dos objetivos estrategicos da empresa, quais devem ser implementados e quais os niveis de necessidades desses servicos, a quem pertencerao os resultados de cada projeto e a quem cabe instituir mudancas organizacionais para garantir o valor) e as demandas de aplicativos gerenciais (qual e o mercado e quais sao as oportunidades de processos de negocios em novas aplicacoes empresariais, como os experimentos estrategicos sao delineados para avaliar o sucesso, como as necessidades da empresa sao abordadas nos padroes arquitetonicos de TI).

Os documentos disponiveis para analise consistiram nos relatorios anuais dos ultimos cinco anos, com receita, despesa, resultado economico, patrimonio liquido, indices de liquidez, balanco financeiro, balanco patrimonial, entre outros.

A observacao nao participativa deu-se pela presenca do pesquisador em reunioes internas dos executivos e de tecnicos especializados sobre assuntos relacionados a tecnologia.

As respostas foram orientadas pelas questoes do estudo e extraidas das proposicoes, procurando estabelecer uma forte ligacao entre os dados e as proposicoes, e reforcando a validade interna da investigacao.

3.3 Analise dos dados

A analise dos dados realizada pelo pesquisador fundamentou-se, parcialmente, na tecnica de analise de conteudo, para identificar a presenca alta, parcial ou baixa do alinhamento em cada variavel.

Os procedimentos adotados para a analise de conteudo tiveram como referencia Reich e Benbasat (1996) e Chan (1999), de cujas obras foram extraidas as seguintes etapas para a referida pesquisa: (1) interpretacao e avaliacao inicial do conjunto de dados coletados nos documentos escritos para familiarizacao com o jargao e com os modelos de planejamento utilizados pelos executivos das empresas; (2) transcricao e analise das entrevistas gravadas e das anotacoes; (3) adequacao da terminologia a teoria, classificando os dados coletados segundo as variaveis delineadas (uniformizacao); e (4) observacao e analise critica do conteudo com relacao aos efeitos nao esperados a priori.

Para a analise dos dados, Dube e Parre (2003) propoem atributos importantes, visando a tornar a pesquisa qualitativa mais robusta e menos questionavel. Tais atributos constaram de: notas de campo: informacoes verbais, descricoes e comunicacoes nao verbais do contexto da conversacao; codificacao: ferramentas utilizadas para reduzir dados e apresentar um esquema codificado que facilite a replicacao ou extensao da pesquisa, alem de facilitar o link entre a teoria e os codigos; displays de dados: conexoes entre segmentos codificados, que permitem transmitir informacoes sintetizadas, que levam a cadeia de evidencias; cadeia logica de evidencias: permitir que um pesquisador externo possa seguir a derivacao de qualquer evidencia da questao de pesquisa ate os resultados finais; citacoes: a palavra do participante no estudo; revisoes de projetos: o pesquisador solicita comentarios dos participantes sobre as interpretacoes e resultados obtidos; comparacao com literatura conflitante: garantir confianca e forcar o pesquisador a ser mais criativo; comparacao com literatura similar: alinhar similaridades de fenomenos normalmente nao associados.

Para este estudo, foram utilizados os seguintes atributos: notas de campo, codificacao, revisoes de projeto e comparacao com literatura similar.

3.4 O caso estudado

O estudo foi realizado em uma instituicao de educacao profissional caracterizada como uma organizacao sem fins lucrativos, de natureza privada, mas com parte de seus recursos oriunda de contribuicao compulsoria criada por lei.

O portfolio de produtos e servicos educacionais acompanha o ritmo acelerado das tendencias da sociedade e e distribuido por meio de uma estrutura composta, atualmente, por um centro universitario, mais 53 unidades educacionais distribuidas pela Grande Sao Paulo e interior do Estado.

O esforco estrategico da instituicao esta orientado por 12 objetivos para a decada, agrupados segundo as dimensoes relacionadas a oferta de cursos e servicos, ao desempenho institucional e ao desenvolvimento de suas competencias internas.

Dentre suas macroestrategias destaca-se a Tecnologia da Informacao, cujos investimentos, considerando hardware, projetos para novos aplicativos, melhorias em sistemas e desenvolvimento de tecnologias educacionais somaram, em 2007, R$ 1,8 milhoes com uma estimativa de crescimento de 20% para 2008, frente a uma receita de R$ 550 milhoes, aproximadamente, em 2007. Nessa conta nao se incluem os gastos com atividades regulares de TI (link, licencas de software, equipes de tecnologia entre outras), nem as despesas com operacao dos cursos que utilizam TI e seus insumos (manutencao de equipamentos, treinamento de docentes e funcionarios etc.)

Nos ultimos anos, as diretrizes de planejamento anual da instituicao tiveram, como um de seus principais desafios, o de aprofundar o uso de tecnologia da informacao, privilegiando iniciativas destinadas a introducao da tecnologia digital em areas que ainda nao a incorporaram e o aprimoramento da infraestrutura (dispositivos de hardware, software, linhas de comunicacao, sistemas especialistas e outros), tanto para o suporte as operacoes e processos administrativos, quanto para as operacoes e atividades de natureza educacional, especialmente aquelas tipificadas como recurso pedagogico ou instrucional.

4 APRESENTACAO DOS RESULTADOS

Por se tratar da governanca de TI da instituicao, as decisoes estrategicas da instituicao sao todas tomadas pelo grupo que engloba o diretor regional e os superintendentes, e ratificadas pelo conselho regional e seu presidente. Os demais gestores sao ouvidos e, eventualmente, participam de grupos para apresentar propostas para a decisao.

No campo de atuacao de cada gestor, ha autonomia decisoria, balizada pelo planejamento estrategico e pelo planejamento anual devidamente aprovado.

Proposicao 1

P1: As caracteristicas de investimentos em TI influenciam os principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao de TI, e aplicacoes de negocio por meio dos direcionadores do seu uso pela instituicao.

Analise P1

Os investimentos em informatica sao decididos pelo conjunto formado pelo Diretor Regional, Superintendentes e a participacao do Gerente de Sistemas e dos Gerentes Usuarios mais impactados. Essa estrutura enquadra a empresa nas caracteristicas dos investimentos na area, que em niveis diferentes, tendo um escopo funcional diferente e requisitos de alcance limitados, requerem diferentes atores organizacionais nas tomadas de decisao (XUE; LIANG; BOULTON, 2008).

O planejamento dos investimentos que ultrapassam um ano civil se encaixa num conceito interno denominado estrategico, especialmente quando envolve valores elevados. Os projetos que comecam e terminam no mesmo ano sao aprovados junto ao orcamento geral do planejamento anual. Algumas vezes sao incluidos na rubrica da gerencia de sistemas, outras vezes sao previstos nas unidades usuarias, de acordo com as respectivas prioridades. Esse e um dos principais focos de paralelismos, duplicidades e eventuais conflitos. Nesse planejamento, as mudancas sao rotineiras, alem de inexistir controle institucional sobre os resultados globais das despesas.

Quando se trata de investimentos em TI que se voltam a contratacao de pessoal, pode-se observar que a necessidade legal de licitacoes formais para qualquer contratacao e um complicador adicional para a garantia de continuidade e consistencia das atividades na area.

Discussao P1

A estrutura de formacao para decisoes de investimentos em TI parece dar sentido as declaracoes de alto nivel sobre o seu uso na empresa; o mesmo fator e percebido com relacao as decisoes de arquitetura e infraestrutura. As decisoes sobre quanto e onde investir ficam a cargo de um comite formado pelos executivos de negocio e de TI; entretanto, aponta conflitos e problemas oriundos da propria estrutura organizacional, devido as determinacoes de procedimentos internos. Por fim, essa caracteristica conflituosa tambem e estendida quando da especificacao da necessidade de aplicacoes ou desenvolvimento interno, por refletir diretamente na contratacao de pessoal.

As decisoes sobre arquitetura, que sao as aplicacoes definidas a partir de um conjunto de politicas, relacionamentos e opcoes que sao utilizadas para padronizar e integrar tecnicas de negocio desejadas (em quais processos investir), e as decisoes sobre infraestrutura, que sao os servicos de TI, coordenados de maneira centralizada e compartilhado (as funcoes comuns), tambem sao atribuidas a formacao de uma monarquia de negocios.

Ja as decisoes sobre aplicacoes de negocio, que podem ser desenvolvidas pela empresa ou compradas no mercado, sao atribuidas a uma dupla, quais sejam, o gerente de sistemas juntamente com o superintendente da area e os usuarios mais impactados.

Para tomar essas decisoes, o diretor e os superintendentes levam em conta o que os concorrentes estao utilizando, como eles se estruturam, as opcoes de tecnologia disponiveis no mercado e as necessidades da empresa e dos usuarios, ou seja, os direcionadores do uso de TI.

Para efeito dessa configuracao, os direcionadores de mercado, da organizacao, do individuo e da propria TI imprimem consideravel influencia nas decisoes de investimentos em TI.

Em suma, pode-se atribuir uma influencia positiva aos principios de TI, bem como sua arquitetura, mas uma contribuicao em parte positiva e em parte negativa referente a infraestrutura. O mesmo fator pode ser afirmado quanto a influencia sobre os investimentos e priorizacao. E assume uma influencia positiva com relacao as aplicacoes de negocio.

Sendo assim, a proposicao 1 e aceita, pois as caracteristicas de investimentos em TI influenciam sim os principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao de TI, e aplicacoes de negocios por meio de todos os direcionadores do uso de TI pela instituicao.

Proposicao 2

P2: As caracteristicas do ambiente externo influenciam os principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao de TI, e aplicacoes de negocio por meio dos direcionadores do seu uso pela instituicao.

Analise P2

O ambiente externo e configurado por tres aspectos. No primeiro deles, os autores sugerem que pressoes competitivas forcam organizacoes a tomar rapidas decisoes para alocar os recursos de TI para as areas de negocio que registram competicao intensa (XUE; LIANG; BOULTON, 2008).

No caso da instituicao analisada, o atual estagio de infraestrutura tecnologica e conhecimento organizacional permitem algumas vantagens competitivas em relacao aos principais concorrentes em diversos segmentos de atuacao. Adicionalmente, os custos de entrada no segmento de educacao a distancia, por exemplo, sao bem maiores para as organizacoes educacionais que nao tem o mesmo tempo de experiencia e de sistematizacao da oferta educacional com base em TI.

Porem, no passado, quando a utilizacao de TI surgiu de forma mais intensa, e concorrentes adquiriram ferramentas tecnologicas que auxiliavam a gestao e forneciam facilidades aos alunos, os gestores rapidamente alocaram recursos para a implementacao de um sistema computadorizado.

Na area da educacao, os recursos tecnologicos sao diferenciais imprescindiveis; portanto, quando surge uma nova ferramenta, a maioria dos concorrentes procura se orientar a respeito do seu potencial e, quando possivel, utiliza-la.

O segundo aspecto do ambiente externo sugere que forcas institucionais, tais como: coercao, mimetica e pressoes normativas obrigam organizacoes a investirem em conhecer sistemas de informacao que requerem pouco envolvimento do departamento de TI.

Devido ao facil acesso as informacoes nos dias atuais, as operacoes acontecem, cada vez mais, em tempo real, ocorrendo tambem na area de educacao.

O cliente que deseja informacoes sobre um curso quer acessar o site da instituicao, obter todas as informacoes necessarias sobre o curso, efetivar sua inscricao on line e receber uma resposta rapida a possiveis duvidas, ou ate mesmo realizar o curso pela internet.

Os alunos ja matriculados querem, cada vez mais, acessar on line os horarios de aulas, os resultados de avaliacao e os materiais didaticos. Isso ja e realidade em algumas escolas de primeira classe e passa a ser demandado tambem para a instituicao.

Os agentes reguladores da educacao superior e profissional de nivel tecnico -- MEC e Conselho Estadual de Educacao -- tambem demandam cadastros e informacoes constantes e atualizadas para seus processos de autorizacao, aprovacao e reconhecimento de cursos e unidades educacionais.

Os agentes fiscalizadores do orcamento -- Controladoria Geral da Uniao e Tribunal de Contas da Uniao -- tambem demandam cada vez mais informacoes detalhadas e atualizadas sobre a origem e a aplicacao dos recursos. Ha ainda demandas complementares do Conselho Fiscal e de outros agentes publicos como o Ministerio do Trabalho, Previdencia Social, Receita Federal, Governo Estadual e Prefeituras.

A instituicao esta dia-a-dia adequando-se para essa realidade. Com a maioria de seus processos internos e externos informatizados, a velocidade das operacoes aumenta e o atendimento aos clientes tem se tornado mais eficiente.

O terceiro aspecto sugere que recursos externos fortalecem o poder dos beneficiarios dentro da organizacao e encorajam-nos a participar nos processos de decisao de investimento.

Os estudos e procedimentos para alinhar macroestrategias, objetivos e processos, com vistas a implantacao de sistemas mais integrados de TI, levaram a organizacao a um periodo de acelerado crescimento e envolvimento dos funcionarios. Houve muitas oportunidades de reunioes, diversos seminarios e cursos, tanto para compreensao dos modelos de mapeamento de atividades, quanto para maior clareza sobre o planejamento estrategico e sobre a propria atividade de educacao profissional.

Normalmente, os funcionarios de determinada area sao os primeiros a conhecer algum novo software ou hardware que possa auxilialos no dia-a-dia de trabalho, seja por noticias dos concorrentes ou por propagandas que recebam de algum fornecedor.

Tendo em vista que, ninguem melhor do que eles para saber das necessidades diarias de cada setor, cada vez mais esses beneficiarios sao encorajados a opinar a respeito dos investimentos do proprio setor na instituicao.

Discussao P2

Analisando-se as caracteristicas do ambiente externo, por meio dos direcionadores, essas nao parecem influenciar os principios de TI, mas influenciam positivamente sua arquitetura, pois mantem a organizacao sempre atualizada quanto as inovacoes e possiveis melhorias, obtendo uma padronizacao e integracao tecnica melhor, tambem por permitir a integracao das opinioes de varios colaboradores de areas distintas, gerando um ambiente de trabalho favoravel e um nivel de satisfacao maior. E percebida uma influencia positiva quanto a infraestrutura, pois geram maiores informacoes para se saber das necessidades de cada setor, facilitando nas escolhas de quais servicos de TI devem ser coordenados de maneira centralizada e compartilhados. A mesma relacao positiva e observada analisando-se investimentos e priorizacao na area, sendo possivel ter maior certeza na hora da definicao de onde e quanto gastar em cada setor. Por fim, o ambiente externo impacta positivamente nas aplicacoes de negocio, pois tendo uma comparacao externa e sabendo a opiniao de seus colaboradores melhora a especificacao das necessidades de aplicacoes de tecnologia da informacao na instituicao.

Assim, pode-se inferir que os direcionadores do uso da TI estao tambem presentes nos fatores externos que impactam nas principais decisoes criticas sobre sua governanca. E, portanto, e aceita em parte a proposicao 2 como satisfatoria nas suas condicoes analisadas, exceto as relacionadas aos principios de TI, sobre os quais nao se observou uma relacao clara e direta da influencia.

Proposicao 3

P3: As caracteristicas do contexto interno influenciam os principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao de TI, e aplicacoes de negocio por meio dos direcionadores do seu uso pela instituicao.

Analise P3

Num primeiro aspecto, o contexto interno sugere que a centralizacao organizacional que especifica o nivel de concentracao nos direitos de decisao e reflete o padrao interno das relacoes, autoridades e comunicacoes, inevitavelmente impacta processos de decisao de investimentos em TI (XUE; LIANG; BOULTON, 2008).

Periodicamente, ha esforcos organizacionais para centralizar as decisoes e os processos que envolvem a tecnologia da informacao. Entretanto, como a disseminacao de microcomputadores em todas as unidades, com redes locais apoiadas por servidores que realizam processamentos parciais, frequentemente os gestores locais desenvolvem e utilizam solucoes pontuais, especificas, para demandas nao atendidas satisfatoriamente ou em tempo habil pela Gerencia de Sistemas. Este fenomeno tem sido facilitado e praticado por colaboradores, especificamente docentes de informatica da instituicao que, por atuarem tambem em outras empresas como gestores nessa area, possuem competencias para apoiar desenvolvimento de solucoes especificas baseadas em programacao simplificada, como: Office, Access, Visual Basic, entre outras.

Decorrido algum tempo, essas "solucoes" locais se transformam num problema e a administracao central interfere, proibindo a utilizacao desse excesso de solucoes locais e implanta apenas uma solucao central, por vezes baseada em alguma dessas opcoes especificas, desenvolvidas anteriormente. Essa alternancia de centralizacao e descentralizacao tem gerado alguns conflitos e amplia a insatisfacao dos usuarios com a area de TI.

Centralizacao e descentralizacao tem sido opcoes que, ao longo do tempo, se apresentaram a instituicao como um dilema de dificil solucao. A gerencia de sistemas tem sido vitima e algoz desse conflito. Isso tem afetado a propria estrutura das relacoes e autoridades, alem de gerar interferencias entre as partes envolvidas pela decisao e internamente a instituicao. Alguns gestores da organizacao foram penalizados por exageros nas duas pontas do fluxo. E, inevitavelmente, os investimentos em TI tem sofrido com exageros, desperdicios, falta de priorizacao e foco, falta de direcionamento para melhoria e conflitos diversos na area. Alem de impactar processos decisorios com relacao aos investimentos nessa area.

O outro aspecto do contexto interno aponta que a forca da funcao de TI confere ao departamento a capacidade de influenciar outras unidades da organizacao, por meio de sua posicao hierarquica, informacao e especialidade. Tambem assume que departamentos dessa area, poderosos, estao frequentemente participando nos processos de decisao sobre investimentos.

As atividades mais antigas sao atualmente bem controladas e geram poucas criticas internas. Os aplicativos desenvolvidos nos ultimos anos pela gerencia de sistemas ou por terceiros atendem aos parametros tecnicos de documentacao recomendados. Da mesma forma, ha estatisticas de uso, falhas, acessos e diversas outras variaveis de controle. Os sistemas de backup tambem atendem as especificacoes tecnicas para o perfil de negocios da instituicao.

Nas atividades mais recentes, como e o caso das demandas de atendimento ao cliente por CRM e, especialmente, as demandas de informatizacao do Centro Universitario, tanto o controle quanto os resultados tem sido bem menos promissores, gerando insatisfacao e criticas. Tambem sao dificilmente controlaveis as "solucoes" locais de TI, que resolvem demandas pontuais e se disseminam entre as unidades. Essas "solucoes" sao quase sempre informais e tambem dificultam a implantacao de projetos corporativos que integram sistemas, mas que nao abarcam algumas das variaveis que os aplicativos locais aparentemente ja tinham resolvido.

Esses aspectos revelam credibilidade pela funcao de TI, mas nao necessariamente conferem poder ou capacidade de influencia do departamento de TI sobre outras unidades da organizacao.

Discussao P3

Como visto, a instituicao sofre com a centralizacao e descentralizacao no governo das decisoes em TI. Tal dilema, aos olhos dos direcionadores do seu uso, pode ser explicado pelo fato das escolas convencionais, ensino no formato tradicional, ainda nao contemplarem uma formacao mais direcionada ao mercado de trabalho, ficando essa tarefa para as escolas profissionalizantes. Ao mesmo tempo, esse tipo de escola vem sofrendo com a pressao da concorrencia e, procurando acompanhar as necessidades do mercado, busca profissionais colaboradores altamente qualificados o que estimula a discussao que origina solucoes pontuais em resposta ao mercado, descentralizacao das acoes, retomada da centralizacao pela hierarquia institucional e, consequentemente, uma reatroalimentacao do conflito.

Tambem os agentes internos reforcam essa questao pela qualificacao dos seus colaboradores. Na pratica, a maioria dos funcionarios administrativos tem curso superior e a maioria dos docentes tem pos-graduacao no caso dos cursos tecnicos, e mestrado ou doutorado quando se trata dos cursos do Centro Universitario. Dessa forma, o cliente interno, colaborador possui um maior grau de adocao e uso da tecnologia e, por conseguinte, maior exigencia do nivel dessa mesma tecnologia, ampliando a necessidade de respostas rapidas as demandas tanto internas como externas.

Com relacao a capacidade de influencia do departamento de TI sobre as unidades da organizacao, a instituicao procurou a combinacao de ambientes versateis tanto internamente em suas operacoes administrativas, quanto aos servicos que oferece com metodologias educacionais focadas em estudo do meio e vivencias praticas em empresas lideres, assim como parcerias com empresas e associacoes para manutencao de ambientes que usem as tecnologias mais avancadas das areas de atuacao institucional.

Em resumo, pode-se extrair que as caracteristicas do contexto interno influenciam, por meio de direcionadores do seu uso na instituicao, negativamente os principios de TI, por causa dos conflitos e indefinicoes que levam a uma ausencia de declaracao de alto nivel sobre o referido contexto; influenciam negativamente sua arquitetura, pela presencao de indefinicao de um conjunto de politicas e relacionamentos que levem a padronizacao e integracao institucional; influenciam positivamente sua infraestrutura, pela coordenacao compartilhada que da a base para a capacidade de TI da instituicao; influenciam negativamente os investimentos e priorizacao na area, por causa do dilema da centralizacao e descentralizacao que favorece conflitos e confusoes de papeis e responsabilidades; e influenciam positivamente as aplicacoes de negocio, pelo fato de que a versatilizacao praticada no ambiente de tecnologia da informacao buscar sempre o alinhamento com as necessidades de negocio.

Dessa forma, a proposicao 3 pode ser aceita em parte, pois o contexto interno nao influencia diretamente a totalidade dos aspectos das decisoes sobre a governanca de TI, como observou-se, por exemplo, em relacao aos principios. Essa analise revela que o seu uso nao estrutura sua governanca, mas esta e instituida pela estrutura organizacional previamente estabelecida.

O resumo dos resultados das proposicoes 1, 2 e 3, pode ser visualizado no Quadro 3.

Proposicao 4

P4: A estrutura de governanca de TI e seus arquetipos sao mais bem definidos pelos fatores influentes que caracterizam o seu uso na instituicao.

Analise P4

Como anteriormente abordado, o principal grupo executivo decide o que e mais relevante sobre investimentos em TI na instituicao. A informacao para as decisoes normalmente e preparada pela equipe da gerencia de sistemas, com apoio dos gestores das areas usuarias. Quando ha conflitos de prioridades, fato que se mostra cada vez mais comum, sao definidos comites ou grupos de trabalho para ordena-las por criterios estabelecidos pela direcao geral. Atualmente, apos mudanca do superintendente administrativo, julho de 2006, e do gerente de sistemas, final de 2007, esta sendo desenvolvido um plano formal de governanca corporativa para a TI institucional.

O principal executivo de informatica da instituicao e o gerente de sistemas, que esta subordinado ao superintendente administrativo e no mesmo nivel hierarquico dos demais gerentes funcionais: financas, pessoal, comunicacao, planejamento e gestao, materiais, engenharia e juridico. Isso significa que o gerente de sistemas e prestador de servicos para todos os seus pares de mesmo nivel na area funcional, alem de atender a todas as unidades operacionais e tambem as demandas das gerencias de desenvolvimento.

Alem de uma equipe interna com cerca de 120 funcionarios, a gerencia de sistemas utiliza terceirizacao para suprir deficiencias de recursos ou desempenho. A necessidade legal de licitacoes formais para qualquer contratacao e um complicador adicional para a garantia de continuidade e consistencia das atividades de TI.

Como visto na analise da proposicao 1, o planejamento dos investimentos e projetos, que comecam e terminam no mesmo ano, possuem procedimentos de tratamentos especificos, algumas vezes incluidos na rubrica da gerencia de sistemas; outras vezes sao previstos nas unidades usuarias, de acordo com as respectivas prioridades, gerando eventuais problemas e conflitos que se acentuam com o fato de inexistir controle institucional sobre os resultados globais das despesas.

Dessa forma, pode-se observar que a estrutura de arquetipos de governanca de TI relacionadas as questoes sobre quanto gastar, em quais processos, funcoes comuns e responsabilidade por fracassos e atribuida ao papel de monarquia de negocio, ou seja, os altos executivos de negocio, diretor regional e superintendente administrativo, tomam decisoes nessa area que afetam toda a organizacao. Ja com relacao aos niveis de servicos, constatou-se o duopolio de TI, isto e, um arranjo entre duas partes por meio de um consenso bilateral: de um lado, a gerencia de sistemas e do outro, seus pares que sao mais impactados pela decisao. Por fim, as questoes de seguranca e privacidade sao estruturadas numa monarquia de TI onde suas decisoes sao tomadas unicamente por profissionais da propria area (ALBERTIN, A. L.; ALBERTIN, R. M., 2005; WEILL; ROSS, 2005).

Discussao P4

Como se pode perceber, a estrutura hierarquica da instituicao e mais preponderante e forte o suficiente para direcionar o uso da TI pelo poder da hierarquia, formalizando sua estrutura de arquetipos de sua governanca com base na estrutura hierarquica organizacional, e nao o contrario.

E perceptivel a concentracao das decisoes pelos executivos de negocio, cabendo exclusivamente aos profissionais de TI questoes de seguranca e privacidade. Cabe uma reflexao sobre o reves dessa situacao, ou seja, questoes sobre quanto gastar, em quais processos, funcoes comuns e responsabilidade por fracassos deveriam ter a participacao tambem da area de tecnologia da informacao? E a questao da seguranca e privacidade deveria ter a participacao dos executivos de negocio?

Como pode ser percebido na proposicao 1, 2 e 3, a aceitacao no todo ou em parte revela a forca que o uso da TI tem sobre a organizacao. Entretanto, ela nao e vista como capaz de estruturar os arquetipos de sua governanca que ficam definidos pela hieraquia organizacional por meio do organograma funcional da instituicao, rejeitando a proposicao 4 em parte e aceitando-a quando se trata das decisoes estrategicas de alto nivel, que definem a monarquia de negocio.

5 CONSIDERACOES FINAIS

O estudo procurou analisar como os direcionadores de mercado, organizacionais, do individuo e da propria TI influenciam na estruturacao de sua governanca, em uma instituicao de educacao profissional. Para isso, buscou identificar os principais elementos influentes que impactam sua governanca, analisar como os direcionadores influenciam nas principais decisoes sobre essa e descrever como aqueles a estruturam na instituicao em estudo.

Para tanto, tratou de responder quais os principais elementos que influenciam para a composicao da estrutura de governanca de TI da instituicao, nas principais decisoes sobre a mesma, ou seja, seus principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao, e aplicacoes de negocios e como se relacionam essas influencias, resultando numa estrutura de papeis e responsabilidades para um melhor desempenho organizacional do uso da tecnologia da informacao.

Obteve-se, como resposta, que as caracteristicas de investimentos em TI influenciam positivamente em sua totalidade os principios, arquitetura, infraestrutura, investimentos e priorizacao, e aplicacoes de negocios, por meio de todos os direcionadores do seu uso que envolvem a instituicao. Percebeuse tambem que os direcionadores estao presentes nos fatores externos que impactam as principais decisoes criticas sobre a governanca, influenciando-a, salvo as relacionadas aos principios onde nao se conseguiu uma relacao clara e direta dessa influencia.

Pode-se entender que o contexto interno nao influencia diretamente todos os aspectos das decisoes, falhando, por exemplo, quanto aos principios. Essa analise revela que o uso da TI nao estrutura sua governanca, mas esta e instituida pela estrutura organizacional previamente estabelecida. E, por fim, pode ser percebido que a tecnologia da informacao nao e vista como capaz de estruturar os arquetipos de governanca que ficam definidos pela hierarquia organizacional da instituicao. Em contrapartida, as decisoes estrategicas de alto nivel concentram no arquetipo de monarquia de negocio que, coincidentemente, colabora positivamente para as decisoes sobre a governanca de TI.

O presente estudo conseguiu atingir os propositos de sua investigacao, mas devem ser consideradas algumas limitacoes desses mesmos propositos. A pesquisa traria uma maior contribuicao, se pudesse ser avaliada a instituicao em nivel nacional, comparando suas regionais, para verificar questoes de alinhamento como um todo ou casos de regionais nas quais sua governanca e vista como melhor definida. Outro ponto e que a governanca de TI ainda e mensurada como um processo de avaliacao de metricas puramente e nao como estruturacao de papeis, responsabilidades e direitos de decisao sobre o uso da TI, sem esquecer as metricas, mas com uma visao maior abrangencia.

A questao da generalizacao, que nesse caso, deixou-se a cargo do leitor determinar se as ideias do caso sao aplicadas a uma outra situacao, como na ideia de generalizacao naturalistica de Stake e Trumbull (1982) e na generalizacao como transferibilidade de Lincoln e Guba (2000), bem como o fato de ser um caso unico, proporcionando menos informacao contextual, para facilitar o julgamento do leitor tambem sao outras limitacoes relevantes a se considerar.

Entretanto, o estudo trouxe a percepcao da influencia da visao de estagios de processos de decisao sobre a governanca que pode ser considerada para uma formulacao mais adequada da mesma na utilizacao desejada da tecnologia da informacao buscando um melhor desempenho organizacional. Tambem abre novas frentes de estudo em instituicoes de ensino, para mapear o segmento e o comportamento das mesmas nas decisoes do uso da TI, inclusive a comparacao para avaliar estruturas de governanca que resultam um melhor desempenho nesse ramo de negocio.

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Brivaldo Andre Marinho da Silva [1]

Gustavo Herminio Salati Marcondes de Moraes [2]

[1.] Doutorando em Administracao na Fundacao Getulio Vargas, Escola de Administracao de Empresas de Sao Paulo -- EAESP/ FGV. [brivaldomarinlio@gvmail.br]

Endereco do autor: Av. 9 de Julho, 2029 -- Bela Vista, Sao Paulo -- SP Cep. 01313-902 Brasil

[2.] Doutorando em Administracao na Fundacao Getulio Vargas, Escola de Administracao de Empresas de Sao Paulo -- EAESP/ FGV. Professor do Centro Universitario FECAP. [gustavo.moraes@gvmail.br]

Endereco do autor: Av. da Liberdade, 532, Sao Paulo -- SP Cep. 01502-001 -- Brasil

Recebido em 01 de abril de 2010 / Aprovado em 23 de marco de 2011

Editor responsavel: Joao Mauricio Gama Boaventura, Dr.

Processo de Avaliacao: Double Blind Review
Quadro 1 -- Decisoes criticas de tecnologia da informacao.

Principais decisoes sobre governancas de TI

Principios de TI      Declaracoes de alto nivel sobre como a TI e
                      utilizada no negocio

Arquitetura de TI     Organizacao logica de dados, aplicacoes e
                      infra-estruturas, definida a partir de um
                      conjunto de politicas, relacionamentos e opcoes
                      tecnicas adotadas para obter a padronizacao e a
                      integracao tecnicas e de negocio desejadas.

Infra-estrutura       Servicos de TI coordenados de maneira
de TI                 centralizada e compartilhados, que provem a
                      base para a capacidade de TI da empresa.

Investimentos         Decisoes sobre quanto e onde investir em TI,
e priorizacao de TI   incluindo a aprovacao de projetos e as tecnicas
                      de justificacao.

Aplicacoes            Especificacao da necessidade de negocio de
de negocio            aplicacoes de TI adquiridas no mercado ou
                      desenvolvidas internamente.

Fonte: Adaptado de Weill e Ross, 2006.

Quadro 2 -- Fatores influentes que impactam na governanca de TI.

Fatores influentes    Impacto na governanca de TI

Caracteristicas dos   Em vista dos investimentos de TI em niveis
investimentos de TI   deferentes terem escopo funcional diferente e
                      requisitos de alcance limitados, eles irao
                      requerer diferentes atores organizacionais para
                      governar os processos decisorios.

Ambiente externo      (1) Pressoes competitivas forcam organizacoes a
                      tomar rapidas decisoes para alocar os recursos
                      de TI para areas de negocio onde surgem
                      competicao intensa.
                      (2) Forcas institucionais tais como coercao,
                      mimetica e pressoes normativas obrigam
                      organizacoes a investir em conhecer sistemas de
                      informacao que requerem pouco envolvimento do
                      departamento de TI.
                      (3) Recursos externos fortalecem o poder dos
                      beneficiarios dentro da organizacao e
                      encorajam-nos a participar nos processos de
                      decisao de investimento.

Contexto interno      (1) Centralizacao organizacional que especifica
                      o nivel de concentracao nos direitos de decisao
                      e reflete o padrao interno das relacoes,
                      autoridades e comunicacoes inevitavelmente
                      impacta processos de decisao de investimentos
                      de TI.
                      A forca da funcao de TI confere ao departamento
                      de TI a capacidade de influenciar outras
                      unidades da organizacao atraves de sua posicao
                      hierarquica, informacao e expertise.
                      Departamentos de TI poderosos estao
                      frequentemente participando nos processos de
                      decisao de investimentos em TI.

Fonte: Adaptado de Xue, Liang e Boulton, 2008.

Quadro 3 -- Resumo da analise dos resultados.

Fatores               Impacto dos direcionadores do uso da TI
influentes               na estruturacao de sua governanca

                   Mercado   Organizacional     TI      Individuo

Caracteristicas    [marca]      [marca]       [marca]    [marca]
investimentos      [marca]      [marca]       [marca]    [marca]
em TI              [marca]      [marca]       [marca]    [marca]
                   [marca]      [marca]       [marca]    [marca]
                   [marca]      [marca]       [marca]    [marca]

Ambiente externo      x            x             x          x
                   [marca]      [marca]       [marca]    [marca]
                   [marca]      [marca]       [marca]    [marca]
                   [marca]      [marca]       [marca]    [marca]
                   [marca]      [marca]       [marca]    [marca]

Contexto interno      x            x             x          x
                      x            x             x          x
                   [marca]      [marca]       [marca]    [marca]
                      x            x             x          x
                   [marca]      [marca]       [marca]    [marca]

Fatores                    Principais
influentes                  decisoes

Caracteristicas    Principios
investimentos      Arquitetura
em TI              Infra-estrutura
                   Investimentos e priorizacao
                   Aplicacoes de negocio

Ambiente externo   Principios
                   Arquitetura
                   Infra-estrutura
                   Investimentos e priorizacao
                   Aplicacoes de negocio

Contexto interno   Principios
                   Arquitetura
                   Infra-estrutura
                   Investimentos e priorizacao
                   Aplicacoes de negocio
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Title Annotation:Area Tematica: Administracao de Ciencia, Tecnologia e Informacao
Author:da Silva, Brivaldo Andre Marinho; de Moraes, Gustavo Herminio Salati Marcondes
Publication:Revista Brasileira de Gestao de Negocios (Brazilian Journal of Business Management)
Article Type:Report
Date:Mar 1, 2012
Words:11738
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