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Influence of the general and specific warm-ups on the upper body strength/Influencia dos aquecimentos geral e especifico na forca de membros superiores.

INTRODUCAO

Atividades de aquecimento sao amplamente utilizadas como uma forma de preparacao para a realizacao de exercicios mais extenuantes. Entre os beneficios associados a esta pratica, pode-se destacar o aumento do fluxo sanguineo local, melhora da difusao do oxigenio disponivel nos musculos, aumento da velocidade de transmissao do impulso nervoso, diminuicao do tempo de relaxamento muscular apos contracao, aumento da velocidade e forca de contracao muscular, melhora na coordenacao, e aumento da capacidade das articulacoes em suportar carga (Shellock e Prentice, 1985; Batista, 2003; Bishop, 2003).

A maioria destes beneficios e relacionada a processos fisiologicos dependentes da temperatura, o que leva as tecnicas de aquecimento a serem utilizadas principalmente para o aumento da temperatura corporal. Estas tecnicas sao classificadas em tres categorias principais: aquecimento passivo (por promover aumentos da temperatura atraves de influencia externa); aquecimento geral (por promover aumentos da temperatura atraves de movimentos globais); e aquecimento especifico (por promover aumentos da temperatura atraves de movimentos semelhantes aos utilizados na atividade subsequente) (Shellock e Prentice, 1985).

Especificamente no treinamento de forca, o aquecimento geral e comumente realizado em esteira ou bicicleta ergometrica, enquanto o aquecimento especifico se concentra nos musculos ou exercicios que serao utilizados na sessao de treinamento. Estes diferentes tipos de aquecimento sao realizados sem maiores evidencias cientificas, pois alguns estudos demonstram que o desempenho de forca nao sofre qualquer alteracao ou ate mesmo pode ser comprometido pelo tipo de aquecimento realizado (Fermino e colaboradores, 2005).

Sabendo que a influencia dos diferentes tipos de aquecimento sobre a forca muscular desenvolvida, em especial para exercicios envolvendo membros superiores foi pouco investigada.

Portanto o objetivo do presente estudo e verificar o comportamento da forca muscular em um exercicio de membros superiores, apos aquecimento geral e especifico.

MATERIAIS E METODOS

Amostra

Participaram do estudo nove homens (23,6 [+ or -] 2,2 anos; 77,7 [+ or -] 6,6 kg; 170 [+ or -] 10 cm), fisicamente ativos, experientes em treinamento de forca ha pelo menos seis meses, aparentemente saudaveis e voluntarios. Antes de iniciarmos a coleta de dados, todos os participantes responderam ao questionario PAR-Q (Shepard, 1988) e assinaram o termo de consentimento, conforme a resolucao do Conselho Nacional de Saude (196/96), onde foi informado para os mesmos os procedimentos que seriam realizados no trabalho. Foram excluidos do experimento individuos usuarios de medicamentos sejam estes em prol da saude ou em beneficio do desempenho (recursos ergogenicos) e individuos que apresentaram qualquer tipo de limitacao articular ou problemas osteomioarticulares que pudessem influenciar a realizacao do exercicio proposto.

Coleta de dados

Os individuos foram submetidos a quatro sessoes de coleta de dados, sendo duas delas destinadas a determinacao da carga para oito repeticoes maximas (8RM) (Miranda e colaboradores, 2007) no exercicio supino horizontal em teste e reteste, e duas para aplicacao dos protocolos de treinamento e coleta dos numeros de repeticoes maximas por serie. As quatro sessoes de coleta de dados foram realizadas em quatro dias nao consecutivos com intervalos de 48 a 72 horas. Na primeira sessao, foi realizado o teste de 8RM, na segunda o reteste e na terceira e quarta sessoes foram aplicados os protocolos de treinamento que consistiram na realizacao do aquecimento geral ou especifico e a posterior realizacao de tres series no exercicio supino horizontal.

Teste de 8RM

O teste de 8RM recebeu a seguinte determinacao: Aquecimento especifico (12 repeticoes com cargas leves). Visando reduzir a margem de erro no teste de 8RM, foram adotadas as seguintes estrategias:

a) instrucoes padronizadas e familiarizacao antes do teste, de modo que todo o avaliado estivesse ciente de toda a rotina que envolve a coleta de dados;

b) o avaliado foi instruido sobre tecnicas de execucao do exercicio;

c) o avaliador estava atento quanto a posicao adotada pelo praticante no momento da medida, pois pequenas variacoes do posicionamento das articulacoes envolvidas no movimento podem acionar outros musculos, levando as interpretacoes erroneas dos escores obtidos;

d) estimulos verbais foram utilizados a fim de manter alto o nivel de estimulacao;

e) os pesos adicionais utilizados foram previamente aferidos em balanca de precisao.

Os avaliados executaram o maximo de tres tentativas por exercicio, e o intervalo entre as tentativas durante o teste foi fixado em cinco minutos.

Para melhor discriminar a realizacao do exercicio, foram estabelecidas a posicao inicial, fase concentrica e fase excentrica como etapas de execucao. A descricao detalhada da posicao inicial e fase concentrica do supino horizontal e apresentada a seguir, sendo a fase excentrica realizada a partir do final da fase concentrica ate a posicao inicial.

Supino horizontal: Posicao inicial--Individuo deitado na posicao supina em banco horizontal, pes fixos na plataforma e maos no halter barra longa com ombros abduzidos em aproximadamente 90[degrees] e cotovelos flexionados a aproximadamente 90[degrees]; Fase concentrica--A partir da posicao inicial realiza-se a extensao completa dos cotovelos simultaneamente a aducao horizontal dos ombros. Foram utilizadas anilhas (Weider) e da barra de 10 kg (Vitally).

Sessoes de treinamento

O protocolo de treinamento consistiu de duas sessoes para cada voluntario, com 48 a 72 horas de intervalo entre sessoes. Os voluntarios foram divididos alternadamente em dois grupos que realizaram os dois protocolos em dias diferentes. O grupo 1 na primeira sessao de treinamento realizou o aquecimento geral atraves de uma atividade aerobia na esteira eletrica (Moviment LX 160) durante 10 minutos, com intensidade correspondente a 70% da frequencia cardiaca (FC) de reserva e posteriormente realizou tres series com cargas para 8RM e intervalo de 90 segundos de recuperacao entre series no exercicio supino horizontal. O grupo 2 na primeira sessao realizou um aquecimento especifico no proprio exercicio atraves de 15 repeticoes a 50% da carga de 8RM, e posteriormente realizou tres series com cargas para 8RM e intervalo de 90 segundos de recuperacao entre series no exercicio supino horizontal. Na segunda sessao ambos os grupos realizaram o protocolo envolvendo o outro tipo de aquecimento diferente do utilizado na primeira sessao. Em todos os casos, os sujeitos descansaram 90 segundos entre o termino do aquecimento e o inicio dos exercicios.

[FIGURE 1 OMITTED]

Tratamento estatistico

Para verificar se houve diferenca entre os numeros de repeticoes maximas por serie intra e inter sessoes, foi utilizado um ANOVA de duas entradas para medidas repetidas, seguido do teste post hoc Fisher LSD quando necessario, e para verificar as diferencas nos volumes totais de repeticoes maximas produzidos foi utilizado o test-t de Student. Tambem foi utilizado o teste-t de Student para verificar a reprodutibilidade dos testes em 8RM, bem como o Coeficiente de Correlacao Intra-classe (p<0,05). Os dados foram tratados no software Statistica 5.5 (Statsoft, USA).

RESULTADOS e DISCUSSAO

Nao foram observadas diferencas significativas entre as formas de aquecimento. Porem, no aquecimento geral, foi identificada diferenca significativa apenas entre a 1a e a 3a serie, enquanto no aquecimento especifico, foram encontradas diferencas entre a 1a e a 2a serie e entre a 1a e a 3a serie (Figura 1).

Nossos principais resultados demonstraram que nao houve diferenca no desempenho de forca apos os diferentes tipos de aquecimento observados. No estudo realizado por Simao e colaboradores (2004) resultados similares foram encontrados quando comparada a influencia de tres diferentes protocolos de aquecimento na capacidade de gerar carga maxima no exercicio leg press. Os aquecimentos realizados foram:

a) aquecimento geral ou aerobio, com 10 minutos de duracao e intensidade variando entre 60-80% frequencia cardiaca maxima em bicicleta ergometrica.

b) aquecimento especifico, que constou de 20 repeticoes com carga confortavel e

c) aquecimento com seis exercicios de alongamento, que constou de um exercicio para cada grupamento muscular envolvido no movimento do teste com 10 segundos de duracao ate o limiar de dor.

Os resultados mostraram que nao houve diferenca significativa entre os diferentes tipos de aquecimento. Contudo, os autores relatam que em 60% dos individuos, o aquecimento especifico possibilitou a maior mobilizacao de carga maxima.

Apesar disso, ao analisarmos os resultados obtidos intra-sessoes em nosso estudo, podemos notar que no aquecimento geral, foi identificada diferenca significativa apenas entre a 1a e a 3a serie, enquanto no aquecimento especifico, foram encontradas diferencas entre a 1a e a 2a serie e entre a 1a e a 3a serie. Isso pode ter ocorrido devido ao exercicio utilizado em nosso estudo envolver membros superiores. Como o aquecimento geral foi efetivado atraves de uma esteira ergometrica, que envolve predominantemente o trabalho dos membros inferiores, este tipo de aquecimento pode nao ter influenciado negativamente o desempenho em series subsequentes no supino horizontal como foi observado apos o aquecimento especifico.

No estudo de Simao e colaboradores (2003) ao compararem a influencia do alongamento e do aquecimento especifico no teste de 1RM no exercicio supino horizontal tambem nao foram observadas diferencas. Neste estudo foi utilizado o aquecimento especifico e o metodo de alongamento de facilitacao neuromuscular proprioceptiva (FNP) na articulacao escapulo-umeral. De forma geral, os resultados obtidos indicaram nao haver influencia significativa do tipo de aquecimento nas cargas maximas, talvez devido ao fato de ambos envolverem o seguimento posteriormente exercitado. Em conclusao a esse estudo, os autores concordam em propor que quando o aquecimento previo possui um baixo volume, parece nao haver diferenciacao significativa entre as diferentes formas nos testes e cargas maximas.

Por outro lado, o desempenho de forca pode ser prejudicado se o protocolo de aquecimento e muito intenso ou nao permite recuperacao suficiente (Bishop, 2003). Neste caso, o aquecimento realizado em elevado volume poderia diminuir o desempenho, provavelmente devido ao acumulo de metabolitos e ao desgaste energetico da musculatura exercitada resultando em um menor numero de repeticoes realizadas ou em menor carga mobilizada durante o treinamento de forca (Tricoli e Paulo, 2002).

Resultados obtidos por Fermino e colaboradores (2005) em exercicios para membros inferiores demonstram que o aquecimento parece ter pouca influencia no treinamento de forca, mesmo quando considerados maiores volumes e intensidades. Fermino e colaboradores (2005) compararam a influencia do aquecimento especifico e geral no desempenho da forca muscular em tres exercicios para membros inferiores. O aquecimento aerobio consistiu de 20 minutos de corrida na esteira ergometrica a 70% da frequencia cardiaca de reserva. Ja para o aquecimento especifico foram realizadas duas series de 20 repeticoes com 50% de 1 RM. Os resultados demonstram que mesmo o volume e a intensidade dos aquecimentos sendo superiores ao nosso estudo e ao estudo realizado por Simao e colaboradores (2004), nao houve diferenca significativa entre os protocolos propostos.

Desta forma, tanto o aquecimento especifico como o geral ou aerobico, parecem repercutir de forma similar sobre o desempenho de forca. Kato e colaboradores (2000) ao investigarem os efeitos do aquecimento especifico em varias intensidades sobre o metabolismo energetico durante flexoes de punho, demonstraram que este tipo de aquecimento, quando realizado em intensidade moderada, pode inibir o desenvolvimento da acidose intracelular durante o exercicio intenso subsequente, melhorando assim o seu desempenho em relacao ao desempenho sem a realizacao de qualquer aquecimento previo.

Nossos dados, assim como os de outros estudos apresentados, indicam que o aquecimento especifico nao apresentou vantagens em relacao aos outros metodos de aquecimento investigados. Entretanto, devido ao fato de nao ter sido observado o desempenho de forca sem a realizacao de aquecimento previo, ambos os protocolos podem ter influenciado os resultados de forma negativa, positiva, ou ate mesmo nao influenciado.

CONCLUSAO

Pode-se concluir com base em nossos resultados, que nao existem diferencas estatisticamente significativas no desempenho da forca muscular para tres series com cargas para 8RM no exercicio supino horizontal, com a aplicacao dos diferentes tipos de aquecimentos. Desta forma, as duas tecnicas de aquecimento, geral e especifico, podem ser utilizadas. No entanto, novos estudos devem ser conduzidos analisando os beneficios destes tipos de aquecimento em longo prazo.

REFERENCIAS

(1-) Batista, D. A Importancia do Aquecimento na Atividade Fisica. Revista Virtual EF Artigos. Vol. 1. Num. 6. 2003.

(2-) Bishop, D. Warm Up II: Performance changes following active warm-up and how to structure the warm-up. Sports Medicine. Num. 33. 2003. p. 483-498.

(3-) Fermino, R.C.; Winiarski, Z.H.; Da Rosa, R.J.; Lorenci, L.G.; Buso, S.; Simao, R. Influencia do aquecimento especifico e de alongamento no desempenho da forca muscular em 10 repeticoes maximas. Revista Brasileira de Ciencia e Movimento. Vol. 13. Num.1.2005. p. 25-32.

(4-) Kato, Y.; Ikata, T.; Takai, H.; Takata, S.; Sairyo, K.; Iwanaga, K. Effects of specific warm-up at various intensities on energy metabolism during subsequent exercise. Journal of Sports Medicine and Physical Fitness. Num. 40. 2000. p. 126-130.

(5-) Miranda H.; Fleck S.J.; Simao R.; Barreto A.C.; Dantas E.; Novaes J.S. Effect of two different rest period lengths on the number of repetitions performed during resistance training. Journal of Strength and Conditioning Research. Vol. 21. Num. 4. 2007. p. 1032-1036.

(6-) Shellock, F.G.; Prentice, W.E. Warming-up and stretching for improved physical performance and prevention of sports-related injuries. Sports Medicine. Num. 2. 1985. p. 267-278.

(7-) Shephard, R.J. PAR-Q, Canadian home fitness test and exercise screening alternatives. Sports Medicine. Num. 5. 1998. p. 185-195.

(8-) Simao, R.; Giacomini, M.B.; Dornelles, T.S.; Marramom, M.G.F.; Viveiros, L.F. Influencia do aquecimento especifico e da flexibilidade no teste de 1RM. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercicio. Vol. 2. 2003. p. 134-140.

(9-) Simao, R.; Senna, G.W.; Nassif, L.; Leitao, N.; Arruda, R.; Priore, M.; Maior, A.S.; Polito, M.D. Influencia dos diferentes protocolos de aquecimento na capacidade de desenvolver carga maxima no teste de 1RM. Fitness & Performance Journal. Vol. 3. Num. 5. 2004. p. 261-265.

(10-) Tricoli, V; Paulo, A.C. Efeito Agudo dos exercicios de alongamento sobre o desempenho de forca maxima. Revista Brasileira de Atividade Fisica e Saude. Vol. 7. Num. 1.2002. p. 6-13.

Recebido para publicacao em 16/06/2009

Aceito em 26/08/2009

Adriano Neves Nadera [1], Andrey Murilo Galdino da Silva [1], Helder Novais Barreto da Rocha [1], Christianne Pereira Giesbrecht Chaves [1,2,3,4], Humberto Miranda [1,5], Roberto Simao [6], Belmiro Freitas de Salles [1]

[1-] Pos-Graduacao em Musculacao e Treinamento de Forca--UGF--RS--BRASIL.

[2-] UTAD--Universidade de Tras os Montes e Alto Douro--Portugal

[3-] UNIBENNETT--Metodista do Rio

[4-] IBMR--Centro Universitario Herminio da Silveira

[5-] Universidade do Vale do Paraiba--UNIVAP. Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento--Sao Jose dos Campos.

[6-] Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escola de Educacao Fisica e Desportos-UFRJ.

Endereco para Correspondencia:

Belmiro Salles

Rua conselheiro Lafaiete 96 502

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Author:Nader, Adriano Neves; da Silva, Andrey Murilo Galdino; da Rocha, Helder Novais Barreto; Chaves, Chri
Publication:Revista Brasileira de Prescricao e Fisiologia do Exercicio
Date:Nov 1, 2009
Words:2371
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