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Incidence of musculoskeletal pain among university teachers/Incidencia de dor musculoesqueletica em docentes do ensino superior.

INTRODUCAO

O trabalho e fundamental na vida de homens e mulheres, contudo, quando realizado de maneira inadequada, pode transformar-se em fator prejudicial a saude humana. Alguns grupos de trabalhadores, por suas caracteristicas ocupacionais, tornam-se mais propensos ao surgimento de dores musculoesqueleticas relacionadas ao trabalho (1). Dentre estes grupos, destacam-se os professores. Por vezes, o trabalho docente e exercido sob situacoes desfavoraveis, nas quais os docentes movimentam as suas capacidades fisicas, cognitivas e afetivas para atingir os objetivos da obra escolar, gerando com isso sobre-esforco ou hipersolicitacao de suas funcoes psicofisiologicas (2).

A vida social do professor envolve as habilidades de relacionamento, responsabilidades, compromissos, conflitos e tensoes deixando esse profissional susceptivel ao estresse (3). O estresse ocorre devido a tensao no exercicio do trabalho docente, os no qual podem sofrer violencia nas salas de aula, terem esgotamento fisico, deficiencias nas condicoes de trabalho e escassez de recursos materiais associados ao aumento das responsabilidades (4).

Quanto a formacao de professores, o profissional de ensino muitas vezes exerce a funcao de saberes e competencias reagrupadas em referenciais (ou em uma base de conhecimento) tiradas da analise da pratica pedagogica ou nao (5).

De acordo com Ribeiro (2) e demonstrado que entre os fatores de riscos ocupacionais para o acometimento do sistema musculoesqueletico em docentes ha grande destaque para o tempo de trabalho como professor maior que quinze anos, lecionar em mais de uma escola com elevada carga horaria semanal; pouco ou nenhum tempo de repouso entre as aulas; falta de local especifico para descanso, ma remuneracao; numero elevado de alunos em sala de aula; posicionamento corporal inadequado; desvalorizacao profissional; insatisfacao com o emprego; posturas fatigantes por muito tempo; volume elevado de trabalho; muito esforco fisico; mobiliario inadequado; falta de equipamentos; distancia entre sua casa e a escola; conflitos com os alunos.

Para Dutra et al. (6), um dos maiores fatores de risco aos docentes e o ato destes passarem longos periodos com o membro superior abduzido acima de 90[degrees], apresentando alteracoes acompanhadas de dores nos ombros.

Movimentos repetitivos de escrever e apagar a lousa e o contato direto com a poeira do giz, andar pela sala de aula, permanecer longos periodos na posicao ortostatica, acrescido de algumas tarefas repetitivas, como corrigir provas, exercicios dos alunos e o uso diario do computador podem gerar dores musculoesqueleticas em regiao de coluna cervical, lombar, membros superiores e inferiores, seguidas de cefaleia (7,8).

Observaram-se nos professores movimentos de prensa digital, manutencao de postura fixa e em desvio, flexao e extensao de segmentos, movimentos repetitivos e rotacao e abducao dos ombros (2). As atividades que utilizam o membro superior, em especial o ombro em movimentos repetitivos de abducao e rotacao externa, como a posicao de trabalho dos professores, predispoem a compressao do manguito rotador e ao aparecimento de sintomas relacionados a sindrome do impacto (6).

As mas condicoes de trabalho do professor universitario sao evidenciadas pela desvalorizacao da imagem do professor, baixos salarios, intensidade de exposicao a agentes de risco, carencia de recursos materiais e humanos, aumento do ritmo e intensidade do trabalho. Todas essas situacoes conformam fatores psicossociais do trabalho que podem provocar sobrecargas de trabalho fisicas e mentais que trazem consequencias para a satisfacao, saude e bem-estar dos trabalhadores (9).

A realizacao das atividades, intra ou extraclasse tambem e outro fator que exige do professor condicoes fisicas e psicologicas, pois geram esforco fisico (necessidade de forca e resistencia muscular para a busca de informacoes atualizadas, transportando livros e materiais, ficar sentado ou em pe por tempo prolongado, escrevendo ou desenhando) e esforco mental (para as exigencias cognitivas e psiquicas) (10).

Se nao ha tempo para a recuperacao, sao desencadeados ou precipitados os sintomas algicos que explicariam os elevados indices de afastamento do trabalho por problemas de saude neste grupo de trabalhadores. Assim, o trabalho docente e uma atividade que promove estresse, com repercussoes sobre a saude fisica e mental e com consequencias no desempenho profissional (1).

A respeito da carga horaria de trabalho com media de 40 horas semanais, muitos professores acabam levando para casa atividades que deveriam ser executadas dentro das horas ja mencionadas--o que gera problemas de saude, e podendo interferir em seu lazer e na sua vida social. Esse trabalho excessivo e pouco remunerado favorece o aparecimento de sintomas osteomusculares (11).

As dores musculoesqueleticas tambem podem acontecer devido a didatica utilizada por esses professores em sala de aula, apesar de todos os avancos tecnologicos, o livro didatico ainda continua sendo o material mais util e difundido. Ele tem a grande vantagem de ser relativamente barato, ser facilmente transportado e armazenado e nao precisa de nenhum equipamento especial ou de energia externa para ser utilizado. No entanto, exige-se mais dos professores, que irao utilizar recursos como quadro ou branco para ministrar suas aulas, o que podera afetar o seu sistema osteomuscular (12).

A adequacao dos mobiliarios, salas de aula, bibliotecas, laboratorios e outros meios de apoio didatico podem influenciar no desempenho dos professores e alunos. Nas salas de aula e importante cuidar do posicionamento correto do quadro negro/branco, utilizar janelas que nao provoquem brilhos ou ofuscamentos, e assim por diante. O ambiente fisico, a iluminacao, ruidos, temperatura, ventilacao e uso de cores implicam no conforto fisico e psicologico e, portanto, no rendimento do ensino (12,13).

Diferentes estudos, na ultima decada, descreveram os problemas de saude mais prevalentes entre os professores, com destaque para as desordens musculoesqueleticas, problemas vocais e disturbios psiquicos (1). Os diagnosticados como portadores de disturbios osteomusculares desenvolvem dor cronica e sofrem alguma limitacao, ou mesmo incapacidade, representando um grande desafio para pacientes e medicos, e um alto custo social e economico para o pais (14).

Para identificar as possiveis doencas ocupacionais decorrentes de postos de trabalhos inadequados, e indicada a utilizacao do Questionario Nordico (Nordic Musculoskeletal Questionnaire--NMQ) que foi elaborado com a proposta de unificar a mensuracao de relato de sintomas osteomusculares e, desse modo, facilitar a comparacao dos resultados entre os estudos. Os autores desse questionario nao o recomendam como base para diagnostico clinico, mas para a identificacao de disturbios osteomusculares e, como tal, pode constituir importante utensilio de diagnostico do ambiente ou do posto de trabalho. Ha tres formas do NMQ: uma forma universal, compreendendo todas as areas anatomicas, e outras duas especificas para as regioes lombares e de pescoco e ombros (15).

O NMQ foi adaptado para a Lingua Portuguesa por Barros e Alexandre, em 2003, proporcionando uma confiabilidade variando de 0,88 a 1, segundo o coeficiente de Kappa. O NMQ apresenta uma figura humana repartida em nove regioes anatomicas. Compreende tambem, questoes relacionadas a presenca de dores musculoesqueleticas anuais e semanais e tambem se houve incapacidade funcional e procura por algum profissional da area da saude nos ultimos 12 meses (16,17).

A variante brasileira foi chamada Questionario Nordico de Sintomas Osteomusculares (QNSO), na qual foi incluida uma parte para permitir a medida das variaveis demograficas (genero, idade, peso, altura, numero de dependentes menores, estado civil, preferencia manual), ocupacionais (funcao, tempo de exercicio da atividade, duracao da jornada de trabalho) e habitos e estilo de vida (tabagismo, exercicio de atividade fisica, exercicio de outra atividade profissional) (15).

Com esse instrumento, busca-se investigar outra questao: a percepcao do sujeito quanto a associacao entre os sintomas e o exercicio da atividade profissional. Um indice de severidade de sintomas foi criado para cada regiao anatomica, variando entre 0 e 4, em que 0 representou a falta de sintomas. O indice 1 foi atribuido para quem relatou sintomas nos 12 meses antecedentes ou nos sete dias anteriores; indice 2, para relatos de sintomas nos 12 meses e nos sete dias anteriores; indice 3, quando houve relato de sintomas nos sete dias ou nos 12 meses precedentes e afastamento das atividades; indice 4, para os registros de sintomas nos 12 meses e nos sete dias anteriores e afastamento das atividades. As regioes de quadris/coxas, joelhos, tornozelos/pes foram combinadas em uma unica regiao anatomica, denominada membros inferiores (18).

Com base em busca bibliografica e na relevancia dos sintomas musculoesqueleticos em professores, o objetivo deste estudo foi verificar a incidencia de dores musculoesqueleticas em docentes do ensino superior.

METODOS

Este estudo se trata de uma abordagem descritiva exploratoria quantitativa. A pesquisa foi realizada na UniRV, localizada na cidade de Rio Verde (GO). A amostra foi composta por de 36 professores universitarios, com idade entre 20 e 60 anos. Foram incluidos na pesquisa individuos do sexo masculino e feminino, professores da instituicao de ensino superior UniRV, que conseguissem manter a postura ortostatica voluntariamente, que nao possuissem alteracoes neurologicas que afetem o sistema musculoesqueletico, que nao apresentem algias traumaticas na coluna e membros superiores que limitem a coleta de dados. A partir do momento que os professores preenchiam todos os itens dos criterios de inclusao acima mencionados, os mesmos assinavam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, aceitando participar do estudo e estando cientes da pesquisa.

Deixaram de participar do estudo os professores que tinham sofrido traumatismos recentes, tais como contusoes e fraturas, individuos cadeirantes, professores que nao tiveram tempo disponivel para responder aos questionamentos, os que estavam afastados da atuacao docente, e professores que realizassem exclusivamente atividades administrativas. Este estudo foi submetido e aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa (CEP) da UniRV, protocolo 022/2012.

Assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelo professor-voluntario, iniciava-se a segunda parte da abordagem, a qual constava em uma entrevista contendo dados pessoais do professor e itens concernentes a possiveis articulacoes acometidas ou algicas, presenca de doencas musculoesqueleticas ocupacionais previamente diagnosticadas (LER/DORT), jornada e tempo de trabalho. Finalizada a entrevista inicial, procedia-se a terceira parte metodologica do estudo, preenchimento do NMQ, que tambem foi realizado em forma de entrevista. Importante salientar que tais entrevistas foram realizadas pelos proprios autores do estudo. Durante a entrevista, caso o professor voluntario nao compreendesse o questionamento, ele era refeito de maneira explicativa com palavras usuais, sem contanto induzir a resposta.

Finalizado o preenchimento do NMQ, iniciava-se a quarta e ultima etapa metodologica, constituida pela a mensuracao da altura dos professores. Para tanto, eles foram orientados a retirar seus calcados e a se posicionarem de costas para a parede, mantendo sempre as plantas dos pes totalmente apoiadas no chao. Depois de posicionados, o avaliador realizava a mensuracao da altura, utilizando-se de uma trena. Tal procedimento foi repetido tres vezes em cada voluntario com o objetivo de minimizar erros na medida. Todas as mensuracoes da altura foram realizadas em um laboratorio da universidade em local pre-demarcado no solo.

Para analise estatistica, utilizou-se a estatistica descritiva e o Coeficiente de Correlacao por Postos de Pearson.

RESULTADOS

A populacao deste estudo foi composta por 36 professores universitarios, com idade entre 20 e 60 anos (34,89 [+ or -] 7,23 anos) e alturas variando de 1,57 a 1,82 metros (1,69 [+ or -] 0,06 cm). O tempo de trabalho variou de seis meses a 37 anos de profissao (9,75 [+ or -] 8,69), e jornadas de trabalho de 25 a 60 horas semanais (44,43 [+ or -] 10,40) (Tabela 1).

Foi apurado tambem qual o recurso didatico utilizado para ministrar aula: quadro-negro (QN), quadro branco (QB), datashow (DS) e retroprojetor (RP). Apurou-se que 29 individuos utilizavam DS, 23 QN, 24 QB e dois RP, conforme mostra a Figura 1.

De 36 entrevistados, 11 realizavam outra atividade, alem de professor universitario, e o restante nao relatou realizar outra atividade profissional.

Utilizando o Coeficiente de Correlacao de Pearson, constatou-se nao haver correlacao significativa entre o tempo de trabalho e a presenca de dor em regiao anatomica, com o valor da correlacao de r=0,32. Da mesma forma, nao houve correlacao entre jornada de trabalho e presenca de dor (r=-0,03), idade dos voluntarios e presenca de dor (r=0,25) e altura com a presenca de dor (r=-0,04).

Com relacao a prevalencia da sintomatologia osteomuscular no ultimo ano, foram obtidos os seguintes resultados, conforme mostra a Tabela 2 e Figura 2. De acordo com o NMQ, no qual zero indica a ausencia de dor, "1" dor raramente presente, "2" dor presente com frequencia e "3" dor sempre presente.

Na Tabela 2, na regiao cervical e pescoco, houve oito relatos de indice 0 (zero) de dor, 10 relatos de indice 1 (um) de dor, 14 para 2 (dois) de dor e 4 relatos para 3 (tres) de dor. Em ombros, obteve dez relatos para indice 0 de dor, 13 para 1 de dor, 11 para 2 de dor e dois com indice 3 de dor. Em regiao de bracos, houve 22 com indice 0 de dor, 11 com 1 de dor, tres com 2 de dor e nenhum com indice 3 de dor. Nos cotovelos, houve 29 com indice 0 de dor, cinco com 1 de dor, um com indice 2 de dor e um com 3 de dor. Em antebraco, 28 com 0 de dor, seis com 1 de dor, dois com 2 de dor e nenhum com 3 de dor. Em regiao de punhos/ maos/dedos, 12 com indice 0 de dor, 14 com 1 de dor, oito com 2 de dor e dois com 3 de dor. Na regiao dorsal, dez relatos com 0 de dor, 12 com 1 de dor, sete com 2 de dor e seis com 3 de dor. Em regiao lombar, houve sete com 0 de dor, 15 com 1 de dor, 12 com 2 de dor e dois com 3 de dor. Regiao de quadril e membros inferiores teve 12 relatos de 0 de dor, 12 com 1 de dor, nove com 2 de dor e tres com indice 3 de dor.

Para determinar quais as regioes anatomicas com maior numero de queixas dolorosas, fez-se a somatoria dos dados obtidos no questionario de 1 a 3 de dor de cada regiao, visto que quando os voluntarios assinalavam "0", indicava a "ausencia de"; sendo assim, obtiveram-se os seguintes resultados: pescoco e regiao cervical, 28; ombros, 26; bracos, 14; cotovelos, 7; antebraco, 8; punhos/maos/dedos, 24; regiao dorsal, 25; regiao lombar, 29; e quadril/membros inferiores, 24.

Quanto a porcentagem de dor osteomuscular de acordo com as nove regioes anatomicas investigadas, obtiveram-se os seguintes resultados: 77,78% em pescoco e regiao cervical; 72,22% em ombros; 38,89% em bracos; 19,44% em cotovelos; 22,22% em antebraco; 66,67% em punhos/maos/dedos; 69,44% na regiao dorsal; 80,56% na regiao lombar; 66,67% em quadril; e membros inferiores, conforme mostram a Tabela 3 e Figura 3.

DISCUSSAO

Propos-se por meio deste estudo evidenciar as dores musculoesqueleticas em professores universitarios mediante a aplicacao do NMQ. No estudo de Carvalho e Alexandre (3), nos ultimos 12 meses os professores tiveram ocorrencia maior de sintomas osteomusculares nas seguintes regioes: lombar (63,1%), toracica (62,4%), cervical (59,2%), ombros (58,0%) e punhos e maos (43,9%). Houve queixas quanto a incapacidade funcional nas regioes: lombar (20,4%), toracica (16,6%), cervical (14,6%), ombros (10,8%) e tornozelos e pes (9,6%). Em relacao as regioes mais citadas quanto a procura por algum profissional da area da saude nos ultimos 12 meses, destacaram-se a regiao lombar e toracica respectivamente (24,8%), cervical (20,4%), ombros (15,9%), punhos e maos (12,1%).

Quanto aos porcentuais do presente estudo, encontrou-se os seguintes valores: 77,78% em pescoco e regiao cervical, 72,22% em ombros, 38,89% em bracos, 19,44% em cotovelos, 22,22% em antebraco, 66,67% em punhos/maos/dedos, 69,44% na regiao dorsal, 80,56% na regiao lombar, 66,67% em quadril e membros inferiores. Tais resultados apresentaram algumas semelhancas com o estudo de Carvalho e Alexandre (3), como a alta porcentagem em regioes lombar, toracica e ombros, certificando que sao as regioes mais sobrecarregadas nos professores e, portanto, merecem atencao especial em possiveis projetos de Fisioterapia preventiva ocupacional.

Dutra et al. (6), observaram em seus estudos que a maioria dos professores entrevistados (76%) relatou dor em ombro, pois ficam com o membro superior elevado em mais de 90[degrees], ocasionando compressao dos tecidos moles, tais como a bursa subacromial, o tendao do supraespinhoso e o tendao da cabeca longa do biceps braquial.

Valente, Mejia e Azevedo (19) relatam que, ao se trabalhar com os bracos acima de 90[degrees], ocorre contracao estatica e ausencia de vascularizacao nos musculos do manguito rotador, havendo, entao, compressao do tendao do musculo supraespinhoso, o que ocasiona dores decorrentes das tendinites e bursite. Teodoroski, Koppe e Merino (20) complementam relatando que o desenvolvimento da maioria dos transtornos musculoesqueleticos e multifatorial, ao contrario de muitas doencas ocupacionais que surgem por causa da exposicao a um agente perigoso.

De acordo com Branco et al. (11), a alta prevalencia encontrada no atual estudo em ombro e dorso (regiao toracica, cervical e lombar) pode estar associada a diversos fatores do dia a dia de trabalho, destacando-se o fato de trabalhar muitas horas com o membro superior elevado associado a rotacao de tronco com o pescoco levemente inclinado; resultando a musculatura cervical, escapular e toracolombar desenvolver sintomas dolorosos. Alem do que, a pouca movimentacao no ambiente de trabalho propicia a execucao do trabalho na posicao estatica, que pode nao ser tao intensa, mas, se prolongada, pode gerar fadiga muscular.

Maehler (7) explica que os relatos de dor no dorso e regiao lombar sao comuns quando se utiliza, por longos periodos, a postura ortostatica, pois nessa postura ocorre mais atividade nos eretores da espinha, o que gera fadiga muscular e consequente dor; outra consequencia a fadiga dos musculos posturais e a ma postura que sobrecarrega ligamentos e capsulas e aumenta o estresse sobre os discos vertebrais.

Para Cardoso et al. (1) a prevalencia de dor musculoesqueletica foi de 41,1% para membros inferiores, 41,1% para o dorso e 23,7% para os membros superiores. No atual, estudo houve maior incidencia de dor musculoesqueletica em regiao cervical, pescoco, regiao lombar e membros superiores.

Neste estudo verificou-se 66,67% de relatos de dor no quadril e nos membros inferiores. Segundo Maehler (7) e Kroemer (21), permanecer de pe estabelece um trabalho estatico e imobilizacao prolongada das articulacoes dos pes, joelhos e quadris, a forca presente nao e grande e esta certamente abaixo do limite critico de 15% da forca maxima. Alem disso, a posicao ortostatica por tempo prolongado e dolorosa e estressante aos tecidos musculares, nao so devido ao esforco muscular estatico, mas tambem pelo grande aumento da pressao hidrostatica do sangue nas veias dos membros inferiores e a restricao geral da circulacao linfatica nas extremidades inferiores. Essas condicoes atribuladas da circulacao originam muitas doencas nas extremidades inferiores, em profissoes que exigem um trabalho imovel, de pe, por tempo prolongado.

Carvalho e Alexandre (3) destacam que 46,5% dos professores nao realizam atividade fisica, o que pode ser explicado pela falta de tempo, dupla jornada de trabalho, questoes socioeconomicas, e a falta desta atividade fisica propicia ao individuo fraqueza muscular, maior possibilidade de fadiga muscular e o impossibilita de suportar as longas horas de trabalho semanais, podendo ocorrer afastamentos de trabalho devido a doencas ocupacionais. Os resultados encontrados neste estudo confirmam a afirmativa do autor supracitado em relacao a falta de tempo para pratica de atividades fisicas, visto que a carga horaria semanal de trabalho foi de 44,43 horas, sem contar a carga horaria de trabalho que os professores possuem de atividades domiciliares, comuns a esta profissao.

Os professores universitarios entrevistados trabalhavam ate 60 horas semanais, ou seja, sao sobre-carregados e, consequentemente, sem tempo para descanso e recuperacao das estruturas musculoesqueleticas, ou para realizar outras atividades e ate mesmo para exercer atividade fisica.

Tratando-se da idade, professores com menos de 30 anos apresentaram maior incidencia de dores osteomusculares na regiao cervical, em comparacao com os que apresentavam idade acima de 30 anos. Isso pode ser explicado pelo fato dos professores, nesta faixa etaria, estarem iniciando suas atividades profissionais o que seria um fator estressante para esses trabalhadores.

A idade e considerada um fator de risco para o desenvolvimento de disturbios osteomusculares, pois os mais jovens estao em uma fase de alta produtividade e demanda de trabalho. Contudo, no presente estudo nao foi encontrada correlacao com idade e fator de risco/dor, visto que os entrevistados apresentaram idade compreendida entre 20 e 60 anos e em todas as faixas etarias houve relato de manifestacao de dor musculoesqueletica.

Entretanto Dutra et al. (6) encontraram resultados diferentes com relacao a idade dos professores que apresentavam dor. Verificaram que a maioria estava na faixa etaria entre 36e 45 anos (38%), com media de idade de 40,84 anos. As sindromes dolorosas do ombro sao comuns na populacao em geral, incidindo em 15 a 25% dos professores com idade entre 40 e 50 anos. Outro estudo que apresenta resultados diferentes dos apresentados no atual estudo e o de Cardoso et al. (1). Observaram que a prevalencia de dor musculoesqueletica aumentava com a idade; entretanto, os autores estudaram professores do ensino basico, os quais normalmente possuem caracteristicas profissionais diferentes das do professor universitario.

Quanto ao tempo de profissao tambem pode ser um dos fatores que contribui para o surgimento de algias em ombro. Como demonstraram os resultados obtidos por Dutra et al. (6), 42% dos professores com dor encontravam-se entre 11 e 20 anos de profissao. Cardoso et al. (1) relatam em seu estudo que a dor musculoesqueletica esta presente com significancia naqueles professores que possuem mais de cinco anos de trabalho. No seu estudo, o tempo medio de trabalho docente foi de 14,4 anos. Diferentemente dos estudos citados, o atual estudo nao encontrou relacao entre tempo de trabalho e presenca de dor, visto que os professores possuiam de seis meses a 37 anos (media de 9,75 [+ or -] 8,69) de profissao e, independentemente do tempo de trabalho, tiveram presenca de dor em regiao anatomica.

Reis et al. (22) discutem que o professor com mais experiencia profissional, e portanto mais velho, e menos suscetivel aos efeitos negativos do trabalho sobre a saude; por outro lado, se o tempo de profissao foi marcado por restricoes ao ganho de experiencia como professor, a exposicao pode se associar a situacoes adversas a saude. Entretanto, tais afirmativas encontram resultados controversos na literatura, como exposto anteriormente. O aparecimento de dores musculoesqueleticas em individuos com mais idade e explicado pelo processo de envelhecimento dos tecidos biologicos, fragilizando tendoes e musculos. Contudo, o fato preocupante e o aparecimento de dores em professores com menos idade, pois professores mais jovens estariam experimentando o evento algico de forma precoce. Facchini (23) explica que trabalhadores mais jovens enfrentam maiores demandas do trabalho, estando expostos a fatores de riscos, pois assumiriam um maior numero de atividades e tarefas no inicio da carreira. Tal acontecimento predispoe estes trabalhadores ao aparecimento de disturbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), tambem conhecidos como lesoes de esforco repetitivo (LER), como resultado da utilizacao excessiva das estruturas anatomicas e da falta de tempo para recuperacao do sistema musculoesqueletico (24).

Com relacao a didatica utilizada para ministrar aula, Garcez, Maciel e Cardoso (13) relatam que as novas tecnologias na educacao vem aprimorando o conhecimento e acabam assumindo a forma de objeto didatico auxiliar no ensino, gerando e proporcionando aos seus usuarios a transmissao de conhecimentos cientificos de maneira ludica. Entretanto, de acordo com os dados apresentados neste estudo, nenhuma tecnologia utilizada foi capaz de se mostrar ergonomicamente adequada, visto que o recurso moderno mais difundido atualmente (datashow) foi o mais utilizado pelos voluntarios e, no entanto, todos referiram dor em mais de uma regiao corporal. Assim, infere-se que todas as formas didaticas analisadas (datashow, quadro branco, quadro negro e retroprojetor) geram dor musculoesqueletica em professores universitarios.

CONCLUSAO

Este estudo possibilitou explorar a ocorrencia de dor musculoesqueletica em regioes corporais distintas e revelou uma alta incidencia de dor musculoesqueletica em docentes do ensino superior, uma vez que todos os voluntarios referiram dor em mais de uma regiao anatomica.

Os achados do estudo reforcam a hipotese de que as caracteristicas oriundas de determinada atividade laboral produzem efeitos negativos sobre a saude dos trabalhadores. Os professores investigados referiram elevadas prevalencias de dor musculoesqueletica em membros superiores e dorso.

Destaca-se ainda que nao houve correlacao significativa entre idade, altura, didatica, tempo e jornada de trabalho com presenca de dores osteomusculares em professores universitarios. Desta forma, pode-se inferir que independentemente da idade, da altura, da didatica, do tempo e da jornada de trabalho, todos os professores entrevistados no presente estudo apresentam dor musculoesqueletica e estao sujeitos a LER/DORT, e propensos a lesoes, principalmente em pescoco, regiao cervical, ombros e regiao lombar.

Portanto, pela relevancia deste estudo, este nao deve se encerrar aqui. Devera, assim, contribuir com novas pesquisas na area e com politicas que visem a melhoria das condicoes de trabalho do docente do ensino superior.

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Hugo Machado Sanchez [1], Natalia Gusatti [2], Eliane Gouveia de Morais Sanchez [3], Maria Alves Barbosa [4]

Recebido em: 20/03/2013--Aprovado em: 18/06/2013

Trabalho realizado na Faculdade de Fisioterapia da Universidade de Rio Verde (UniRV)--Rio Verde (GO), Brasil.

[1] Professor Adjunto da UniRV--Rio Verde (GO), Brasil.

[2] Fisioterapeuta graduada na UniRV--Rio Verde (GO), Brasil.

[3] Professora da Universidade Federal de Goias (UFG)--Jatai (GO), Brasil.

[4] Professora Adjunta da UFG--Goiania (GO), Brasil.

Endereco para correspondencia: Hugo Machado Sanchez--Rua 01, Qd 02, Lt 09--Rio Verde (GO), Brasil--E-mail: hmsfisio@yahoo.com.br

Fonte de financiamento: nenhuma.

Tabela 1. Relacao de dados coletados e suas medias e desvios padrao

Variaveis                Media      Desvio padrao

Idade                 34,89 anos        7,23
Altura                  1,69 m          0,06
Tempo de trabalho      9,75 anos        8,69
Jornada de trabalho   44,43 horas       10,40

Tabela 2. Regiao anatomica e escala de frequencia de dor de
acordo com o Questionario Nordico

Escala de    Pescoco/   Ombros   Bracos   Cotovelos   Antebraco
frequencia    Regiao
de dor *     cervical

0               8         10       22        29          28
1               10        13       11         5           6
2               14        11       3          1           2
3               4         2        0          1           0

Escala de    Punhos/   Regiao   Regiao    Quadril/
frequencia    Maos/    dorsal   lombar    Membros
de dor *      Dedos                      inferiores

0              12        10       7          12
1              14        12       15         12
2               8        7        12         9
3               2        6        2          3

* (0) Nao (1) Raramente (2) Com frequercia (3) Sempre

Tabela 3. Regiao anatomica e porcentagem de dor

Regiao anatomica             Porcentagem (%)

Pescoco/regiao cervical           74,19
Ombros                            67,74
Bracos                            38,71
Cotovelos                         19,35
Antebraco                         22,58
Punhos/maos/dedos                 64,52
Regiao dorsal                     64,52
Regiao lombar                     74,19
Quadril/membros inferiores        58,06
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Title Annotation:ARTIGO ORIGINAL
Author:Sanchez, Hugo Machado; Gusatti, Natalia; Sanchez, Eliane Gouveia de Morais; Barbosa, Maria Alves
Publication:Revista Brasileira de Medicina do Trabalho
Date:Jul 1, 2013
Words:5013
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