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Implementation of NBR 9050/2015 on the adequacy of accessible apartments in a hotel in the city of Sao Paulo/Implantacao da NBR 9050/2015 na adequacao de apartamentos acessiveis em um hotel na cidade de Sao Paulo/Implantacion de la NBR 9050/2015 en la adecuacion de apartamentos accesibles en un hotel en la ciudad de Sao Paulo.

1 Introducao

No Brasil, segundo dados do IBGE (2010), existiam cerca de 45,6 milhoes de pessoas com algum tipo de deficiencia. Esse valor representava quase 24% da populacao total do pais.

Pessoas com deficiencia, entendidas como aquelas que apresentam impedimentos de natureza fisica, mental, intelectual ou sensorial de longo prazo, sofrem com a falta de acessibilidade, o que contribui para a privacao de sua liberdade.

Diante da importancia do tema, nos ultimos anos, tem se intensificado as preocupacoes para com a questao da acessibilidade dos deficientes fisicos no Brasil, fato que pode ser observado a partir das normas e leis instituidas, especialmente, desde o inicio da decada de 1990.

Tais avancos tambem podem ser observados no campo arquitetonico desde a decada de 1950, com o surgimento de projetos visando a inclusao de pessoas com deficiencia. Na decada de 1980, surge o conceito de Desenho Universal (DU), visando estimular uma arquitetura que atendesse a todas as pessoas, deficientes e nao deficientes.

Diante dessa mesma preocupacao, criou-se a Norma Brasileira NBR 9050 em 1985, a qual passou por revisoes ate a mais recente, ocorrida no ano de 2015. Tal norma visa orientar a adequacao de edificios e de mobiliario a pessoas com deficiencias.

Com vias a garantir a acessibilidade as pessoas com deficiencia, estipulou-se o ano de 2008 como prazo maximo para a adequacao de edificios de uso coletivo as diretrizes estipuladas pela referida norma, por meio do decreto n. 5296/2004.

O atendimento a tal obrigacao, entretanto, ainda esbarra nas limitacoes de conhecimento por parte de profissionais e de proprietarios de habitacoes hoteleiras, os quais se veem diante do desafio de adotar criterios ergonomicos para atender a mobilidade de pessoas com deficiencia em ambientes internos, sem, no entanto, deterem conhecimentos necessarios em relacao a norma e a legislacao existentes.

Diversos estudos voltados para o entendimento da acessibilidade em hoteis tem apontado a necessidade de ampliacao no numero de trabalhos que possibilitem a melhor compreensao das condicoes fisicas para a mobilidade de pessoas com deficiencia, bem como para a necessidade de desenvolvimento de trabalhos que orientem acoes de profissionais do setor, a exemplo de Lattari (2015), Santos (2012), Pereira (2016), entre outros.

Desse modo, o presente relato objetiva demonstrar aos profissionais da area e a empresarios do ramo hoteleiro como implantar a NBR 9050/2015, utilizando-se de ferramentas de projeto para a adequacao de suites a acessibilidade de pessoas com deficiencia e com mobilidade reduzida, evitando problemas com interpretacoes equivocadas ou superficiais da norma, e atendendo corretamente a especificacoes legislativas, sobretudo humanas, bem como diminuindo custos com implantacao de equipamentos e obras desnecessarias.

Diante disso, o presente relato foi estruturado em cinco secoes. Alem da presente introducao, a saber, o referencial teorico, a metodologia adotada, a apresentacao e analise dos resultados, as consideracoes finais e a secao com a citacao das referencias bibliograficas utilizadas.

2 Referencial Teorico

O decreto no 6.949, de 25 de agosto de 2009, instituiu a Convencao Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiencia, segundo a qual pessoas com deficiencia sao aquelas que apresentam impedimentos de natureza fisica, mental, intelectual ou sensorial de longo prazo.

Segundo Torres e Vieira (2014), tais impedimentos, quando interagem com barreiras de ordem fisica, dificultam a participacao plena e efetiva dessa parcela da populacao na sociedade em condicoes de igualdade aos demais cidadaos.

Estima-se que no Brasil, existam 45,6 milhoes de pessoas com deficiencia, quase 24% da populacao total, sendo as deficiencias declaradas: visual: 18,6%; auditiva: 5,10%; motora: 7%; mental ou intelectual: 1,40% (IBGE, 2010).

Apesar desses numeros, a estrutura da sociedade sempre inabilitou os deficientes fisicos existentes, promovendo sua marginalizacao e contribuindo para a privacao de sua liberdade (Maciel, 2000).

Entretanto, de acordo com Iida (1997), a preocupacao para com a questao da acessibilidade dos deficientes fisicos tem crescido cada vez mais nas discussoes atuais.

De acordo com Castillo (2012), a acessibilidade depende da conjugacao de tres itens, a saber: os meios materiais, dados pelas condicoes de infraestrutura; as regulamentacoes, refletidas em normas e instrumentos legais; e a existencia e disponibilizacao de servicos adequados.

Com relacao a legislacao brasileira, e possivel verificar, nas ultimas tres decadas, importantes avancos na ampliacao da acessibilidade de deficientes fisicos. Um exemplo e Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, que obriga empresas com mais de cem funcionarios a preencherem de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) de seus cargos com beneficiarios reabilitados ou com pessoas portadoras de deficiencia (BRASIL, 2016).

Outra iniciativa importante foi a criacao do Decreto no. 5.296, de 2 de dezembro de 2004, que regulamentou a Lei no. 10.048, de 8 de novembro de 2000, a qual da prioridade de atendimento as pessoas, dentre as quais, com deficiencia. O mesmo decreto tambem regulamentou a Lei no. 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e criterios basicos para a promocao da acessibilidade das pessoas com deficiencia ou com mobilidade reduzida.

No campo arquitetonico, as preocupacoes para com a garantia de acessibilidade aos deficientes fisicos e as pessoas com mobilidade reduzida tambem evoluiram desde o inicio da decada de 1950, momento em que se iniciam projetos visando a inclusao de pessoas com deficiencia. Na decada de 1970, surgiu, nos EUA e no continente Europeu, o termo projeto acessivel, bem como o conceito de Barrier Free Design--Projeto Livre de Barreiras, cujo movimento se estruturava na ideia de que a capacidade funcional da totalidade das pessoas seria destacada com a remocao das barreiras fisicas (Bernad & Kowaltowski, 2005).

Na decada de 1980, concebido por Ron Mace, surge o conceito de Desenho Universal (DU), estimulando uma arquitetura que atendesse a todas as pessoas, independentemente de suas limitacoes ou habilidades (Bernad & Kowaltowski, 2005).

De maneira geral, o DU e um conceito que reconhece, valoriza e busca englobar a maior parcela possivel da populacao no desenho dos produtos, ambientes e sistemas de informacao. Alem disso, o DU visa acabar com a necessidade de equipamentos e espacos especiais, os quais estigmatizam as pessoas, alem de terem precos mais elevados (CUD, 2000).

Desse modo, nesse contexto, a acessibilidade toma o significado de nao apenas permitir que pessoas com deficiencias participem de atividades que incluem o uso de produtos, servicos e informacao, mas tambem a inclusao e extensao do uso desses para a populacao em geral (lida, 1997; Panero & Zelnik, 2002).

Ainda no campo arquitetonico, destaca-se que a elaboracao do projeto e a adequacao de um edificio preexistente as concepcoes de acessibilidade se tornaram uma necessidade iminente. Isso se deve a criacao da Norma Brasileira NBR 9050 pelo Comite Brasileiro de Construcao Civil, pertencente a Associacao Brasileira de Normas Tecnicas (ABNT), cuja primeira versao e de setembro de 1985. Essa norma, na ocasiao, foi intitulada como "adequacao das edificacoes e do mobiliario urbano a pessoa deficiente" e seu objetivo foi o de determinar condicoes exigiveis, b em como padroes e medidas que poderiam permitir melhores condicoes de acesso aos edificios publicos e as vias publicas urbanas (ABNT, 1985).

Conforme destacado por Moraes (2007), essa primeira versao da norma nao apresentava a definicao de acessibilidade, tao pouco a definicao de Desenho Universal.

A norma NBR 9050 sofreu a primeira revisao em outubro de 1994, recebendo o novo titulo de "acessibilidade de pessoas portadoras de deficiencias a edificacoes, espacos, mobiliario e equipamentos urbanos" (ABNT, 1997).

Moraes (2007) destaca as mudancas dessa versao em relacao a anterior, sobretudo em relacao ao surgimento do termo acessibilidade, a denominacao da pessoa como portadora de deficiencia e nao mais deficiente, e a aplicacao da norma nao apenas ao ambiente publico, mas tambem ao privado de uso publico e de uso multifamiliar. Alem disso, o referido autor destaca que o conceito de acessibilidade contido nessa nova versao nao apresenta enfoque nas pessoas com deficiencia, demonstrando a influencia dos principios do Desenho Universal.

Outra revisao da Norma NBR 9050 ocorreu em 2004, adquirindo o titulo de "Acessibilidade e edificacoes, mobiliario, espacos e equipamentos urbanos" (ABNT, 2004). A remocao do termo "portadores de deficiencia", constante na versao anterior, tambem reflete a incorporacao dos preceitos do Desenho Universal, tendo em vista nao limitar a atencao a um grupo particular da sociedade (Moraes, 2007).

A versao de 2004 permanece com o objetivo de "estabelecer criterios e parametros tecnicos de acessibilidade a serem observados em projetos, construcoes, instalacoes e adaptacoes de edificacoes, mobiliarios, espacos e equipamentos urbanos" (ABNT, 2004).

A revisao mais recente dessa norma ocorreu em 2015, e seus objetivos diferem das versoes anteriores ao tambem abordarem o meio rural e nao somente o meio urbano. Alem disso, essa versao apresenta informacoes e ilustracoes de maior detalhe das medidas, bem como as formas de adapta-las conforme a caracteristica de cada modelo (Lima, 2016).

Retornando-se a questao legal, torna-se importante mencionar, no ambito do presente trabalho, que o Decreto no. 5296/2004, mencionado em paragrafos anteriores, determinou prazos para adequacao de edificios de uso coletivo do pais as normas que estabelecem criterios para a promocao da acessibilidade de pessoas com deficiencia, sendo o limite maximo de dezembro de 2008 para o cumprimento de tal determinacao.

Diante do quadro normativo existente, destaca-se a necessidade de contratacao de profissionais qualificados para atender essa demanda, fato que resulta na maximizacao dos espacos, otimizacao de tempo, economia de custos e mitigacao de impactos ambientais devido a reformas (Caubr, 2014).

Para adequacoes a legislacao de acessibilidade em hoteis, sao necessarios comparativos entre o executado e os parametros antropometricos estabelecidos pelas normas e leis. A Secretaria da Pessoa com Deficiencia (SMPED) disponibiliza o Manual de Instrucoes Tecnicas de Acessibilidade para Apoio ao Projeto Arquitetonico, que e recomendado pela Prefeitura do Municipio de Sao Paulo para adequacoes de edificacoes existentes (SMPED & PMSP, 2005).

De acordo Socytec & Paradores (2007), as habitacoes hoteleiras precisam seguir criterios ergonomicos para atender a mobilidade das pessoas com deficiencia dentro de ambientes internos (Socytec S.L. & Paradores de Turismo de Espana SA, 2007).

3 Metodologia

O presente relato pode ser caracterizado como uma pesquisa exploratoria e descritiva, adotando como ferramenta metodologica o estudo de caso unico, conforme apresentado por Yin (2015).

O hotel, objeto deste relato, pertence a uma rede de hoteis com presenca em varios estados do Brasil e em diferentes paises do mundo, apresentando padroes de conforto e de atendimento internacionais. Alem disso, possui estrutura e equipamentos, os quais, aliados a sua localizacao privilegiada no centro de servicos da cidade de Sao Paulo, potencializam a realizacao de eventos e de reunioes de negocios. Tais qualidades atraem turistas e empresarios que o buscam por suas facilidades de mobilidade e de acessibilidade.

Localizado na Alameda Santos, proximo a Avenida Paulista, o edificio foi construido na decada de 1990, todavia a empresa administradora existe desde 1946, possuindo atualmente nove redes hoteleiras, com mais de 4.700 hoteis em quase cem paises no mundo.

Em dezembro de 2004, o governo federal publicou o Decreto no. 5.296/2004, regulamentando as Leis no. 10.048/2000 e no. 10.098/2000. Tal decreto estabeleceu o prazo maximo de dezembro de 2008 para a adequacao de edificios de uso coletivo do pais as normas que estabelecem criterios para promocao da acessibilidade de pessoas com deficiencia.

Tendo a epoca de construcao do referido hotel ser anterior a publicacao do Decreto no. 5.296/2004, o imovel nao possuia um espaco projetado que atendesse as necessidades da parcela da populacao com deficiencia.

Com vias a melhor atender a seus clientes e as determinacoes legais, a administracao da empresa hoteleira contratou profissionais para o desenvolvimento de projetos e execucao de obra de adequacao do edificio as diretrizes estabelecidas pela lei. Entretanto, apesar do investimento da ordem de R$30.000,00, a empresa cometeu falhas ao contratar um profissional que nao possuia atribuicoes para o desenvolvimento desse tipo de adequacao projetual. Desse modo, seu trabalho resultou em denuncia junto a Prefeitura do Municipio de Sao Paulo, acarretando a aplicacao de multa de R$3.800,00 ao hotel e o impedimento da renovacao de seu alvara de funcionamento, fato que gerou maiores prejuizos financeiros e a imagem do hotel em questao.

Buscando a solucao para tais problemas e a obtencao do Certificado de Acessibilidade, a administracao do hotel contratou uma nova empresa especializada nesse tipo de servico, cujos procedimentos e resultados encontram-se aqui relatados. Assim, elaboraram-se um laudo demonstrando as nao conformidades do predio as leis vigentes e um estudo que, por meio de simulacoes graficas e maquetes eletronicas, permitiu ilustrar como o projeto atenderia a NBR 9050/2015. Em seguida, foi desenvolvido o projeto executivo para perfeita adaptacao e instalacao de equipamentos exigidos na intervencao proposta.

Foram realizadas visitas tecnicas ao local para fins de reconhecimento, descricao da distribuicao das atividades e obtencao de material documental. Na sequencia, realizou-se analise documental das publicacoes da Prefeitura do Municipio de Sao Paulo em relacao ao processo do imovel, com vias a verificar os itens de irregularidade apontados pelos agentes fiscais da prefeitura. Para identificacao das irregularidades, elaborou-se, com base em levantamento fotografico e modelagem projetual, um laudo demonstrativo das nao conformidades em relacao a norma NBR 9050:2015, o qual foi apresentado a administracao da rede hoteleira.

Baseado no Manual de Instrucoes Tecnicas de Acessibilidade para Apoio ao Projeto Arquitetonico da Secretaria da Pessoa com Deficiencia (SMPED & PMSP, 2005), foi elaborado um check list constando os seguintes itens: (1) vaos de porta, (2) box adaptados de sanitarios, (3) bacias sanitarias, (4) lavatorio, (5) chuveiro, (6) numero minimo de dormitorios em locais de hospedagem, (7) acesso a mesas e (8) altura de cama.

Para a analise da configuracao espacial do edificio e da mobilidade e ergonomia para a planta tipo, utilizou-se do metodo dos parametros antropometricos determinados pela NBR 9050:2015(ABNT, 2015), pelo livro Desenho Universal para HIS--Habitacao de Interesse Social (CDHU, 2010) e pelo Manual Acessibilidade Universal para Hoteis (Socytec S.L. & Paradores de Turismo de Espana SA, 2007).

Para a modelagem grafica, foram utilizados os softwares AutoCad, 3D Studio Max e Coreldraw. Na sequencia, elaboraram-se o projeto preliminar para obtencao de Certificado de Acessibilidade, documento emitido pela prefeitura do municipio de Sao Paulo, e o projeto executivo para adequacao fisica do edificio.

4 Resultados e discussoes

A analise dos documentos obtidos junto a administracao da rede hoteleira permitiu constatar que o hotel em estudo possui uma populacao fixa de 150 funcionarios e uma populacao flutuante de 500 pessoas entre hospedes, convidados e prestadores de servico, tendo uma movimentacao total diaria estimada de 650 pessoas.

Com relacao a distribuicao das atividades que se desenvolvem no predio, verificou-se que a administracao se encontra no primeiro subsolo. No pavimento terreo, encontram-se recepcao, espacos de convivencia e restaurante. Na sobreloja, estao localizadas as salas de reunioes e saloes para convencoes e para festas. Por fim, do segundo ao vigesimo segundo andar, encontram-se os pavimentos denominados "tipo", nos quais se localizam as suites para hospedes.

O predio recebe pessoas de diversas etnias e paises, e, apesar de contar com funcionarios treinados para orientacao de diversas pessoas, o local nao atendia a legislacao em relacao aos aspectos de acessibilidade a deficientes fisicos, resultando em denuncia junto a Prefeitura do Municipio de Sao Paulo e a Secretaria da Pessoa com Deficiencia Fisica.

Os agentes fiscais da prefeitura identificaram, em vistoria, irregularidades na edificacao, bem como no numero de apartamentos adaptados, o qual era insuficiente, estando em desacordo com o Decreto Federal 5296/2004. Desse modo, a administracao do hotel foi enquadrada e multada nos termos da lei.

Apos o ocorrido, os gestores contrataram profissionais para a realizacao das obras de adequacao dos espacos com vias ao atendimento a legislacao. Entretanto, tais profissionais nao possuiam qualificacoes para essa atividade, fato que resultou no desenvolvimento de um projeto e na execucao de obra inadequada, gerando a aplicacao de nova multa, bem como no indeferimento do projeto e na perda do alvara de funcionamento do estabelecimento.

Essa situacao destaca a importancia da execucao de projetos, principalmente voltados a adequacoes de acessibilidade, por profissionais qualificados pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo, segundo Resolucao no. 51 (CAU-BR, 2013b).

Como resposta, a administracao do hotel contratou nova empresa, que se incumbiu de realizar a adaptacao da edificacao as exigencias legais.

Assim, realizou-se um check list baseado no Manual de Instrucoes Tecnicas de Acessibilidade para Apoio ao Projeto Arquitetonico (SMPED & PMSP, 2005). Esse check list resultou em um laudo de acessibilidade que especificava, por meio de fotomontagem, as nao conformidades com a legislacao vigente e com a NBR 9050.

Numa abordagem visual especifica do lavatorio, percebe-se a identificacao de quatro nao conformidades, conforme Figura 1.

A fotografia A (a esquerda) da Figura 1 ilustra as condicoes preexistentes do lavatorio, e a fotografia B (a direita) apresenta as sugestoes de adaptacoes necessarias. Entre os problemas encontrados, destacam-se as alturas inadequadas da saboneteira e do toalheiro (1 e 2). Destacam-se, tambem, a inexistencia de barras de apoio para utilizacao da pia (3) e a presenca de coluna na pia, a qual dificulta a aproximacao da pessoa em cadeira de rodas para acionamento da torneira (4).

Com relacao aos demais itens do check list pertencentes aos banhos da suite e constantes no Manual de Instrucoes Tecnicas de Acessibilidade para Apoio ao Projeto Arquitetonico da Secretaria da Pessoa com Deficiencia (SMPED & PMSP, 2005), a saber, vaos de porta, box adaptados de sanitarios e chuveiro, verificou-se que sua implantacao estava adequada, com excecao para o item bacia sanitaria, que possuia barras de apoio em desacordo com a especificacao.

Essa metodologia foi realizada em todos os equipamentos das suites (dormitorio e banheiro). Foi constatado que as camas, modelo box, possuiam altura de 50 cm, superior a medida estabelecida pela norma, que e de 46 cm. Os armarios nao possuiam dispositivo ou cabideiros em altura acessivel, e as mesas possuiam altura de tampo de 70 cm, diferente do permitido pela norma NBR 9050, que e de 73 cm. Cabe ressaltar que as dimensoes estabelecidas na norma de acessibilidade sao medidas absolutas e qualquer alteracao, por minima que seja, impossibilita o uso dos equipamentos por pessoas com deficiencia.

Na abordagem espacial, em posse do projeto as built, que e um termo utilizado para um novo projeto que demonstra a configuracao espacial mais recente do edificio (Avila, 2011; Nascimento, 2013), foi feito o levantamento das dimensoes existentes in loco para a compatibilizacao do projeto. Foram tambem elaboradas as analises de mobilidade e ergonomia para planta tipo das suites, conforme demonstrado na figura 2, que relaciona as areas de manobra em relacao ao deslocamento interno da suite e layout. O modulo de referencia indicado em cor vermelha tem area de 0,80 x 1,20 m e determina a aproximacao de equipamentos para ser efetuada sua transferencia para uso. A altura minima dos objetos (cama, cadeira da ducha e bacia sanitaria) para a transferencia deve ter altura minima de 0,46 m. As manobras de 360[degrees] (cor laranja) possibilitam o giro completo e acesso para qualquer parte necessaria. A manobra de 180[degrees] (cor azul) facilita o acesso frontal, e a manobra de 90[degrees] (cor verde), os acessos laterais.

Foi utilizado o metodo dos parametros antropometricos determinados pela NBR 9050:2015(ABNT, 2015), pelo livro Desenho Universal para HIS--Habitacao de Interesse Social (CDHU, 2010) e Manual Acessibilidade Universal para Hoteis (Socytec S.L. & Paradores de Turismo de Espana SA, 2007). Essa metodologia possibilitou a identificacao das manobras possiveis para uma pessoa com cadeira de rodas utilizar todos os equipamentos disponiveis nessa unidade. Demonstrou, tambem, que a Opcao 1 aumentaria a area dos banheiros, elevando os custos com materiais e mao de obra, nao sendo necessaria essa obra, caso optassem pela Opcao 2, utilizando o banheiro com suas dimensoes originais, acrescentando-se apenas equipamentos como barras de apoio e cadeira para banho.

As metodologias adotadas facilitaram a visualizacao global do espaco em relacao ao layout proposto e estrutura existente, adequando o espaco a normas e resolucoes de acessibilidade. As utilizacoes de softwares de computacao grafica contemplaram o ambiente em tres dimensoes e apontaram, nas modelagens, as disparidades do layout existente em relacao a circulacao interna do espaco. A sugestao de novo layout e a reconfiguracao das modelagens espaciais demonstraram que as suites alcancaram um desenho universal, podendo ser utilizadas por qualquer pessoa, e atenderam a norma na especificacao que determina que 10% das suites devem ser acessiveis, com a possibilidade de amplificacao para mais 10%. Com a proposta, todas as suites do hotel poderao ser adaptadas aos criterios do desenho universal.

Apos analises e implementos das metodologias, elaboraram-se projetos executivos que compreendiam o projeto de arquitetura, projeto de instalacoes prediais, estrutura e detalhamento de implantacao de equipamentos.

Nesse contexto, o projeto foi aprovado pela Prefeitura Municipal de Sao Paulo, sendo o hotel certificado como acessivel e, dessa forma, obtendo o alvara de funcionamento. Atualmente, as reformas de adequacao estao sendo implementadas, nao havendo adicional de custos significativos ao estabelecimento. O projeto de adequacao contratado proporcionou uma melhor analise de gestao administrativa em relacao as reformas gerais do local.

5 Conclusoes

O presente relato contribui para com iniciativas que visem a adequacao de ambientes, especialmente ligados a rede hoteleira, as exigencias legais, no que concerne a criacao de ambientes acessiveis.

Destaca-se que a concepcao de um ambiente acessivel, segundo os principios do Desenho Universal, amplia o atendimento as necessidades nao somente dos deficientes fisicos, mas a totalidade das pessoas. Desse modo, a acessibilidade deve receber uma abordagem de projeto com vias a proposicao de solucoes centradas na diversidade humana, procurando, assim, contribuir para uma sociedade mais justa e mais inclusiva, na qual todas as pessoas tenham direitos iguais as oportunidades.

As adequacoes das suites nao se limitaram ao minimo exigido pela legislacao. Alem disso, a metodologia adotada e as modelagens realizadas servem como incentivo para que outras empresas do ramo hoteleiro tomem ciencia de que e possivel a adequacao de todas as unidades de apartamentos ao Desenho Universal, sem que haja necessidade de grandes gastos de ordem economica ou de profundas transformacoes estruturais.

E importante destacar, enquanto desafio ainda existente a adaptacao de suites de hoteis, os impasses de ordem cultural, refletidos no fato de nao serem as adaptacoes bem recebidas por parte da populacao, tendo em vista que, segundo os administradores do hotel estudado, existem relatos de repudio ao uso de suites que possuem equipamentos que facilitam o uso por pessoas com deficiencia.

Destaca-se, por fim, a necessidade de se pensar na realizacao de futuras analises antropometricas das etnias brasileiras para aproximar as adequacoes a realidade do pais, tendo em vista que as normas adotadas se baseiam em modelos internacionais.

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Vanderlei Fabiano Goncalves do Monte

Mestre em Cidades Inteligentes e Sustentaveis pelo PPGCIS--Uninove. Graduou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Sao Marcos; Professor no curso de arquitetura e urbanismo da UNINOVE, Sao Paulo, Brasil arqfabianomonte@gmail.com

Cristiano Capellani Quaresma

Doutor, Mestre, Bacharel e Licenciado em Geografia pela UNICAMP; Professor e pesquisador no Programa de Pos-Graduacao em Cidades Inteligentes e Sustentaveis da UNINOVE, Sao Paulo, Brasil quaresma.cristiano@gmail.com

Claudia Terezinha Kniess

Doutora em Ciencias e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Santa Catarina; Diretora e Professora no Programa de Pos-Graduacao em Cidades Inteligentes--UNINOVE, Sao Paulo, Brasil kniesscl@gmail.com

Mauro Silva Ruiz

Doutor em Geografia pela Southern Illinois University at Carbondale; Diretor e professor no Programa de Pos-graduacao em Gestao Ambiental e Sustentabilidade- UNINOVE, Sao Paulo, Brasil maurosilvaruiz@gmail.com

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Caption: Figura 1 Comparacao existente dos pontos conflitantes em adequacao a NBR 9050:2015. Fonte: autores.

Caption: Figura 2 Analise de Mobilidade interna da planta tipo da suite. Fonte: autores
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Author:do Monte, Vanderlei Fabiano Goncalves; Quaresma, Cristiano Capellani; Kniess, Claudia Terezinha; Rui
Publication:Gestao & Tecnologia
Date:Jan 1, 2018
Words:4730
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