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INSTITUTIONAL ENTREPRENEURSHIP STRATEGIES IN A TOURISM BUSINESS NETWORK/ESTRATEGIAS DE EMPREENDEDORISMO INSTITUCIONAL NUMA REDE DE EMPRESAS DE TURISMO/ESTRATEGIAS DE EMPRENDEDORISMO INSTITUCIONAL EN UNA RED DE EMPRESAS DE TURISMO.

1 INTRODUCAO

Investigacoes sobre empreendedorismo revelam uma ampla gama de casos similares de sucesso e/ou fracasso (JONES, 2001; LASTRES; CASSIOLATO; MACIEL, 2003; DORADO, 2005). Algumas linhas de pesquisa defendem que um fator preponderante para diferenciar o exito empresarial da falencia seria o perfil empreendedor (EISENSTADT, 1980; GARUD; HARDY; MAGUIRE, 2007; JACOMETTI; CRUZ; BARATTER, 2011), outras linhas argumentam em torno do processo de sucessao bem conduzido que garantiria a formacao de novos empreendedores (ALDRICH; MARTINEZ, 2001; NORDQVIST et al., 2013). Contudo, cada vez mais percebe-se que existem outras formas de empreendedorismo que, para se manifestar, conjugariam fatores institucionalizados em dados contextos que favoreceriam a manifestacao do fenomeno (GREENWOOD; SUDDABY, 2006).

A caracteristica de fenomenos sociais como a manifestacao empreendedora, requer cada vez mais o agenciamento formal de alguns fatores sob a perspectiva da construcao social da realidade (BERGER; LUCKMANN, 1967; GIDDENS, 1989). A organizacao dos esquemas interpretativos (FERNANDES; MACHADO-DA-SILVA, 1999) do empreendedor necessita de estimulos para fortalecer o conjunto de crencas e valores que surgem mais facilmente em dados contextos do que em outros. Tais estimulos funcionariam como uma bussola que nortearia as acoes do empreendedor. A teoria institucional se apresenta como importante ferramenta de analise e fundamentacao na tentativa de compreender de que forma o empreendedorismo institucional se manifesta e se e possivel dimensionar um modelo de analise para este fenomeno social.

Nesse sentido, os programas de empreendedorismo existentes nas universidades atuariam como mecanismos de geracao de agencia, na medida em que disseminam um conjunto de crencas e valores que acabam por influenciar a manifestacao empreendedora nas organizacoes e nos habitats de inovacao. Muitos candidatos a empreendedor que participam de programas de pre-incubacao e incubacao tornam-se empresarios com relativo potencial de sucesso. O tempo para que isto ocorra depende do grau de maturidade do empreendedor para que ele reuna os recursos necessarios para empreender. Outros empreendedores ja estabelecidos necessitam de estimulos para se desenvolverem e apoio das entidades que fazem parte do contexto mais amplo.

O presente artigo investiga em que medida o empreendedorismo institucional se manifesta em uma rede de empresas que busca se organizar para fortalecer o setor de turismo na regiao de Quatro Barras e Campina Grande do Sul, no Estado do Parana, Brasil. Para tanto, buscou-se identificar as estrategias que fomentam o empreendedorismo institucional na regiao investigada bem como o desenvolvimento do perfil empreendedor dos agentes envolvidos, com reflexos no empreendedorismo corporativo. Diversos autores entendem que o valor do empreendedorismo institucional esta em permitir a transformacao de organizacoes por meio de um processo estrategico de renovacao em termos de aquisicao de novas aptidoes (GUTH; GINSBERG, 1990; ZAHRA, 1991). Outros autores dimensionam que para o empreendedorismo institucional se manifestar e preciso a existencia de modelos mentais que embasem a adocao destes processos estrategicos (MACHADO-DA-SILVA; FONSECA; FERNANDES, 2000), bem como a presenca de pressoes do ambiente institucional e tecnico sobre os agentes inovadores (SCOTT, 1992, 1995; MACHADO-DA-SILVA; FONSECA; CRUBELLATE, 2005).

Apesar de muitos estudos terem sido realizados sobre a necessidade de empresas ja estabelecidas aumentarem sua capacidade empreendedora, pouco se progrediu no entendimento de como as atividades de empreendedorismo podem ser realizadas e sustentadas nas organizacoes (BURGELMAN, 1983; KANTER, 1997). Esses estudos parecem indicar que a atividade empreendedora em organizacoes consolidadas e fenomeno relativamente especifico. Alem disso, o processo de formacao do pensamento empreendedor em ambientes que estimulam a criacao de empreendimentos sugere uma diferenciacao de como se desencadeia a pratica empreendedora e merece ser investigado.

Trabalhos sobre empreendedorismo institucional e corporativo tem sido pouco abordados e muitos setores que se organizam sentem a necessidade de mapear a estrutura de pensamento empreendedor constituida para gerar e apoiar os empreendimentos em seus primeiros passos. Assim, o presente estudo busca uma explicacao mais fundamentada do processo de manifestacao empreendedora em rede e como isso e resultado da implementacao de estrategias decorrente do empreendedorismo institucional.

2 FUNDAMENTOS TEORICO-EMPIRICOS

A base teorico-empirica apresentada a seguir, busca fundamentar a proposta do artigo, apresentando as principais abordagens teoricas dos constructos envolvidos.

2.1 ESTRATEGIA

Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010), no livro Safari de Estrategia, apresentaram dez diferentes concepcoes sobre o processo de formacao da estrategia, que foram classificadas como escolas de estrategia que se desenvolveram em diferentes periodos ao longo do tempo. Algumas surgiram e declinaram, especialmente as de carater prescritivo; ao passo que outras vem crescendo em importancia. Em relacao a escola empreendedora, de natureza descritiva, o processo de formacao de estrategia e focalizado no lider unico ao conjugar intuicao, julgamento, sabedoria, experiencia e criterio. O conceito central desta escola e a visao, ou seja, a representacao mental de estrategia (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2010).

Para Kotler, Berger e Bickoff (2016, p. 11), estrategia e o meio para "garantir sobrevivencia de longo prazo em interacao ativa com a competicao e suas oportunidades e ameacas inerentes (...), considerando as forcas e fraquezas individuais" da corporacao. Complementarmente, Ronda-Pupo e Guerras-Martin (2012) consideram que essa dinamica, em conjunto com o uso racional dos recursos, leva as acoes necessarias para alcancar os objetivos da empresa e para melhorar seu desempenho. Basicamente podemos visualizar a estrategia em tres estagios: (1) formulacao da estrategia que se refere ao seu desenvolvimento; (2) implementacao da estrategia e (3) controle estrategico (modificar a estrategia ou sua implementacao para assegurar que os resultados desejados sejam alcancados).

Ja a definicao de estrategia como padrao permite distinguir estrategias deliberadas e emergentes. As intencoes plenamente realizadas podem ser chamadas de estrategias deliberadas; as nao-realizadas, de irrealizadas; e as emergentes, como um padrao realizado que nao era expressamente pretendido. Raramente as estrategias eficazes sao de fato deliberadas ou emergentes, configurando-se numa mescla que reflete a qualidade dos dirigentes de efetuar previsoes e de reagir perante a ocorrencia de eventos inesperados (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2010). Para Quinn (1991), as estrategias formais contem tres elementos essenciais a determinar: os objetivos a alcancar, as politicas que guiam ou limitam a acao e os programas por executar. Segundo o autor, a essencia da estrategia e permitir que a organizacao construa uma postura forte e ao mesmo tempo flexivel, que lhe possibilite alcancar seus objetivos, mesmo diante de forcas externas imprevisiveis.

Chaffee (1985) considera que as varias definicoes de estrategia podem ser agrupadas em tres modelos (linear, adaptativo e interpretativo). O modelo linear a ve como conjunto integrado de decisoes, acoes ou planos, que fixam e permitem alcancar metas organizacionais viaveis. Os administradores tem grande capacidade para mudar a organizacao e lutar num ambiente previsivel e basicamente composto por competidores e, para tanto, declaram objetivos e planos de acao para que a organizacao alcance seus fins.

No modelo adaptativo, a estrategia esta menos concentrada no topo e mais multifacetada, sendo caracterizada pela tentativa de equacionar as capacidades e recursos da organizacao com as oportunidades e riscos do ambiente. Andrews (1971) visualizou a existencia de um ambiente dinamico, em constante mudanca, que exige a avaliacao dos pontos fortes (strenghts) e dos pontos fracos (weaknesses) da organizacao, com o objetivo de aproveitar as oportunidades (opportunities) e desviar das ameacas (threats) que apresenta--o modelo SWOT. A analise das forcas e fraquezas internas conduz a determinacao da competencia distinta, ao passo que a identificacao das oportunidades e ameacas ambientais permite elucidar os fatores potenciais de sucesso.

O modelo interpretativo, descrito por Chaffee (1985), considera a realidade como socialmente construida, sendo a organizacao fruto de um contrato social resultante de uma coletanea de acordos cooperativos entre individuos e grupos. A estrategia interpretativista ve a organizacao exercendo um papel de criar sua propria estrutura e seu ambiente de atuacao, em parte pela maneira como os seus lideres comunicam e interpretam objetivos e valores, fornecendo um importante contexto para efetivar a tomada de decisoes (CHAFFEE; TIERNEY, 1988).

Ao examinar a interferencia da cognicao em processos organizacionais voltados a solucao de problemas, Simon (1979), demonstra a dificuldade intelectual dos tomadores de decisao em lidar com grande quantidade de informacoes e identificar todas as alternativas possiveis de acao. Sustenta, assim, que as decisoes sao tomadas dentro de uma racionalidade limitada, que visa a satisfacao ao inves da maximizacao dos seus resultados. Para Scott (1992, p. 286), muitos analistas organizacionais preferem o conceito de estrategia ao de objetivo. O autor, baseado em Chandler (1962), define estrategia como a "determinacao das metas e objetivos de longo alcance de uma empresa e a adocao dos cursos de acao e alocacao de recursos necessarios para atingir esses objetivos".

Jacometti e Bulgacov (2012), por sua vez, propoem uma forma para analisar as interfaces da gestao estrategica com o processo de formulacao estrategica, com o ambiente e com o resultado organizacional. Na medida em que a analise e apresentada, consideracoes empiricas sao associadas para constituir um modelo que congrega o processo ao conteudo estrategico, sob uma abordagem metateorica. Busca-se visualizar a gestao estrategica conforme ela afeta e e afetada pelo processo de formulacao estrategica, pelo ambiente e pelos resultados organizacionais. Assim, a gestao estrategica que normalmente se apresenta como variavel independente pode oscilar para dependente de acordo com a situacao organizacional. O ensaio procura identificar relacoes causais para dar maior consistencia a analise das interfaces do modelo e integrar perspectivas teoricas diferenciadas.

Para a determinacao do posicionamento estrategico, numa perspectiva interpretativista, faz-se necessaria a elaboracao de um planejamento que direcione os objetivos, as acoes, as atividades e os recursos, bem como a configuracao de um sistema de gestao para operacionalizar e controlar a estrategia. A sua construcao, de modo geral, possui as seguintes etapas: (1) formulacao da missao e de objetivos; (2) identificacao das metas e estrategias atuais; (3) analise ambiental e de recursos; (4) identificacao de oportunidades e ameacas; (5) determinacao do grau de mudanca estrategica necessaria; (6) tomada de decisao estrategica; (7) implementacao e controle da estrategia (STONER; FREEMAN, 1995). Markides (1997) comenta que as organizacoes sao bem sucedidas quando conseguem quebrar as regras do jogo, praticando uma estrategia de inovacao que esteja relacionada a redefinicao do seu negocio. Portanto, uma inovacao estrategica podera ocorrer se a organizacao questionar sua mentalidade atual, ou seja, a sua forma de fazer negocios.

Neste estudo, interessa-nos como as estrategias adotadas por um grupo de empresas do setor de turismo desenvolveu o empreendedorismo institucional e o perfil empreendedor dos empresarios a partir da criacao da Associacao Industrial e Comercial de Quatro Barras e Campina Grande do Sul--QBCAMP.

2.2 EMPREENDEDORISMO CORPORATIVO E INSTITUCIONAL

O processo de empreendedorismo corporativo ou intraempreendedorismo parece seduzir numero nao desprezivel de criadores e retomadores de empresas. Esse processo caracteriza-se como oportunidade estrategica para as organizacoes, que buscam responder as crescentes pressoes ambientais, visando a realocacao ou reorganizacao de recursos e competencias organizacionais.

Considera-se como empreendedorismo corporativo "todo processo de criacao de empresa ou de desenvolvimento economico realizado por um empregado ou por um grupo de empregados, a partir de uma atividade da empresa-mae" (BERTHERAT, 1989). Essa visao introduz a ideia de que empreendedorismo corporativo nao e necessariamente associado a criacao de empresa, mas tambem pode ser representado pela simples criacao de atividades dentro da organizacao, desde que estas se caracterizem pelo desenvolvimento economico real e observavel.

Pouco se conhece sobre o papel de agentes como mediadores das estrategias de empreendedorismo corporativo em grandes e complexas empresas, bem como se da esse processo a partir de habitats de inovacao agenciados por incubadoras de empresas de base tecnologica. Nessa direcao, Burgelman (1983) entende que o empreendedorismo corporativo compreende, tipicamente, o resultado da conexao das atividades empreendedoras de multiplos participantes, o que implica capacidade de agencia. Como o empreendedorismo corporativo requer a combinacao de recursos organizacionais para inovacao, renovacao estrategica ou expansao das atividades da empresa em areas sem conexao ou pouco relacionadas ao dominio atual de sua competencia, bem como ao conjunto de oportunidades correspondentes, a capacidade de agencia de individuos e grupos internos a organizacao ganha especial relevancia.

Nesta mesma linha, Freitas e Mendes Jr. (2009) afirmam que as incubadoras promovem e estimulam a criacao de novos empreendimentos e contribuem para o desenvolvimento socioeconomico. No ambiente universitario, as incubadoras despertam a curiosidade dos estudantes e incentivam a geracao de empresas de base tecnologica que requerem apoio de varios agentes. De forma similar, os arranjos produtivos locais (APLs) seriam sistemas produtivos locais em formacao (LA ROVERE; SHEHATA, 2007), moldados por processos de aprendizado evolucionarios, e caracterizados pela existencia de sistemas cognitivos de compartilhamento de conhecimento entre empresas e entidades (LASTRES; CASSIOLATO; MACIEL, 2003).

Tal perspectiva leva a considerar os atores sociais internos como um dos recursos fundamentais das empresas, principalmente pelo carater intangivel de suas competencias e habilidades potenciais especificos. Nesse sentido, as empresas utilizam a estrategia de empreendedorismo corporativo, visando a favorecer a realocacao ou a reorganizacao de seus recursos e competencias internas (MACHADO-DA-SILVA; GUIMARAES, 2005).

Nao ha uma definicao universalmente aceita de empreendedorismo corporativo. Varios termos sao utilizados para se referir aos seus diferentes aspectos: intraempreendedorismo (KURATKO et al., 1990), empreendedorismo corporativo interno (BURGELMAN, 1983), empreendimento corporativo (MACMILLAN et al., 1986; ELLIS; TAYLOR, 1987), administracao corporativa e novos empreendimentos (BURGELMAN, 1983). Alguns pesquisadores como Burgelman (1983), enfatizam que o empreendedorismo corporativo e analogo a novos negocios criados por empreendedores individuais e o veem como um conceito limitado a criacao de novos negocios dentro de organizacoes existentes. Outros argumentam que o conceito deveria abranger a batalha de grandes empresas para se renovarem por meio do cumprimento de novas combinacoes de recursos que alteram as relacoes entre eles e seus ambientes. Para Zahra (1991) o empreendedorismo corporativo refere-se ao processo de criacao de novos negocios dentro de empresas estabelecidas para melhorar a lucratividade da organizacao e aumentar sua posicao competitiva ou a estrategia de renovacao de negocios existentes.

Pinchot (1989) considera que intraempreendedorismo e inovacao dependem de pessoas que trabalham na empresa, mesmo de grande porte, e agem como se fossem proprietarios. Esses intraempreendedores trabalham para transformar boas ideias em realidades. Para o autor, uma organizacao empreendedora deve ser organizada em torno de equipes que funcionam como pequenas empresas agrupadas, atuando em rede. Nesse sentido, o empreendedorismo corporativo poderia ser desenvolvido numa rede de empresas. Entretanto, o conceito de empreendedorismo institucional parece ser mais efetivo para este caso. Segundo Bostjan (2003), as principais contribuicoes do intraempreendedorismo foram a sensibilizacao e a compreensao do papel do empreendedorismo nas organizacoes existentes para seu fortalecimento e desempenho, melhorar a compreensao de sucesso intraempreendedor e de novos empreendimentos no contexto em que estao inseridos, alem de aumentar o entendimento do empreendedor nas organizacoes.

Conforme Ferreira (2001), o modelo proposto por Burgelman (1983) apresenta falhas ao nao relacionar os comportamentos macro-organizacionais ao estudo. A analise do papel desempenhado entre individuos, organizacao e ambiente e crucial para o entendimento do processo empreendedor e certamente util para melhor definir o processo de empreendedorismo corporativo. Neste modelo, sao combinadas analises do nivel microorganizacional com o nivel macro-organizacional, numa tentativa de analisar a influencia, positiva ou negativa, da orientacao estrategica nos niveis de desempenho e crescimento organizacional. No modelo proposto sao relacionados o ciclo de vida da organizacao, com o nivel de influencia do empreendedor e com as condicoes ambientais em que se encontram inseridos. Mudancas nas condicoes ambientais podem criar novas oportunidades ou ameacas para as organizacoes. Essas mudancas podem alterar a congruencia entre a estrategia, o ambiente e as pressoes para selecao de diferente orientacao estrategica. Essas respostas podem envolver fusoes, assim como acoes influenciadas por pressoes institucionais (DIMAGGIO; POWELL, 1991).

Mudancas surgem em um meio institucionalizado quando eventos ou desenvolvimentos rompem acoes recorrentes refletindo-se no comportamento dos individuos. Existem tres categorias de condutores de mudanca do processo de institucionalizacao, que sao os atores politicos, as elites sociais e os profissionais e, por fim, as organizacoes associativas. Esses condutores tendem a legitimar essa mudanca. Seja pelo controle de recursos poderosos, mas tambem pelo papel importante que desempenham no campo institucional. Eles tem a autoridade social. Quando todos agem de forma alinhada podem exercer uma poderosa pressao no campo organizacional, mas quando seus interesses divergem, entao esse conflito pode diminuir o nivel com o qual as estruturas tornam-se institucionalizadas (FRUMKIN; KAPLAN, 2000).

O processo de institucionalizacao ocorre de acordo com um conjunto de condicoes e imperativos que define o espaco dentro dos quais acoes institucionais ocorrem. Frumkin e Kaplan (2000) identificaram tres categorias de condicoes: limitacoes cognitivas, preocupacoes relacionadas ao status e incertezas ambientais. Definir as condicoes e imperativos por detras do processo de institucionalizacao e criticamente importante por representar uma tentativa de responder a questao de como acoes no nivel micro pode ser combinada em resultados macrossociais.

Neste sentido, e pertinente o conceito de empreendedorismo institucional que, segundo Battilana, Leca e Boxenbaum (2009), compreende a adocao de funcoes de lideranca em acoes com o objetivo de construir instituicoes num determinado campo organizacional. Um agente para ser definido como empreendedor institucional deve atuar no sentido de criar instituicoes que possam provocar mudancas nos pilares regulativos, normativos e cognitivos (SCOTT, 1995) estabelecidos num dado contexto institucional. Para tanto, um empreendedor institucional busca inovar para iniciar uma transformacao que vai ser disseminada no seu campo organizacional de atuacao.

O processo de inovacao e definido como o desenvolvimento e implementacao de novas ideias por agentes em transacoes dentro de um contexto institucionalizado (VAN DE VEN, 1986). Quanto a classificacao, o Manual de Oslo (2005) define que a inovacao pode ser dividida como inovacao em produtos, inovacao em processo e inovacao em produto e em processo ao mesmo tempo. Existem condicoes especificas e gerais favoraveis para a criacao de uma nova organizacao ou para a implementacao de uma inovacao e esta e criada ou implementada, iniciam-se relacionamentos com o ambiente os quais precisam ser administrados. Esses acordos sao processos dinamicos envolvendo ciclos de negociacoes, engajamentos e novas administracoes. Dessas transacoes ("acordos" ou trocas entre pessoas num contexto institucional) entre organizacoes e especialistas qualificados pode ocorrer a proliferacao de uma unica ideia inovadora em outras novas ideias (VAN DE VEN, 1986).

Meyer e Rowan (1977) afirmam que os esforcos para moldar o ambiente institucional procedem ao longo de duas dimensoes. Inicialmente organizacoes com prestigio forcam suas redes de relacoes imediatas a se adaptarem a suas estruturas e relacoes. Mas em seguida, essas redes imediatas tentam construir seus objetivos e procedimentos diretamente na sociedade como regras institucionalizadas. Para tornarem suas regras institucionalizadas, organizacoes rivais precisam competir tanto nas redes sociais, quanto no mercado, e no contexto institucional em que as regras sao definidas. Dessa forma, a lideranca institucional e particularmente necessaria para o processo de inovacao organizacional, no qual a organizacao ou esta aberta ou e forcada a considerar formas alternativas de seguir suas atividades.

Apesar de a teoria institucional ter contribuido significativamente para o entendimento da realidade organizacional, ainda e possivel amplo desenvolvimento no ambito dessa abordagem teorica. Importante abertura envolve a verificacao dos eventos e acoes que levam a institucionalizacao de novas praticas por meio de analise das relacoes existentes entre os niveis micro (acoes individuais) e macrossociais (fenomeno social). Orientando-se segundo o modelo de analise sequencial do processo de institucionalizacao criado por Frumkin e Kaplan (2000). Para Bygrave e Minniti (2000), empreendedorismo leva a mais empreendedorismo e o nivel da atividade empreendedora e resultado de um processo dinamico no qual ambiente social e tao importante quanto os fatores economicos e legais. Segundo Kouriloff (2000), as pesquisas sobre empreendedorismo, de maneira geral, evidenciam apenas as caracteristicas e motivacoes do individuo, poucas se preocupam com os fatores externos que podem dificultar ou facilitar a criacao de novos negocios, como faz a vertente do empreendedorismo institucional.

Cox (1997) cita estudos realizados em diferentes partes do mundo, ligando o empreendedorismo com o ambiente politico, social e financeiro, sempre relacionando o tema ao desenvolvimento. Para o Relatorio EURADA (2003), o desenvolvimento de uma regiao e medido pela propensao da populacao em criar novos negocios e inovar, em comparacao aos empregos diretos e indiretos, gerados por empresas de setores tradicionais. A analise constata que deve haver uma uniao de fatores que levem ao empreendedorismo, tais como: a governanca, a cultura empreendedora na populacao, o suporte a criacao de novos negocios, a disponibilidade de capital adequado, o potencial da esfera socioeconomica local para inovacao, a qualidade das redes locais; a qualidade do suporte aos pequenos empresarios, novas formas de relacoes entre o poder publico e o privado, a percepcao das reais necessidades da comunidade pelos empresarios e investimento em recursos humanos tanto pelas autoridades locais quanto pelos empresarios.

A governanca, segundo o estudo, representa a habilidade dos atores dos setores publico e privado no sentido de terem a visao e criarem uma estrutura propicia ao desenvolvimento, como o acesso ao capital de risco, inovacao, treinamento, internacionalizacao, tecnologias de informacao, infraestrutura de qualidade, centros de tecnologia, formas de redes, clusters ou outras formas de colaboracao entre empresas. Tambem podem antecipar a descoberta de necessidades futuras que ainda nao foram avaliadas pelas empresas do setor privado. A qualidade do suporte as empresas iniciantes e aos potenciais empreendedores para garantir a sua sobrevivencia e de suma importancia.

Os esquemas de cooperacao entre empresas sao responsaveis pelo potencial de inovacao. Esses sao entendidos como as redes que possibilitam a transferencia de tecnologia, a economia inteligente e o servico de protecao tecnologica. A experiencia italiana com clusters (PUTNAM, 1996) mostrou excelentes resultados para a competitividade regional. Schumpeter (1934) argumenta que inovacao e mudanca ocorrem mediante um espiral de atracao mutua--os clusters--onde um empreendedor e atraido por outro, e assim consequentemente, os efeitos sao multiplicados.

Autores como Gartner (1988) e Porter (1990) se dedicaram ao estudo dos fatores externos do ambiente que afetam o nivel de empreendedorismo. E dificil pensar em uma linha de desenvolvimento sem o alinhamento de varios mecanismos de natureza social, economica e politica. Ao mesmo tempo em que o empreendedorismo e a mola que impele o desenvolvimento, ele necessita de uma juncao de fatores, como ressalta Bacic (2001).

Neste cenario, e que deve ser visto o processo empreendedor--resultado de interacoes pessoais, profissionais, culturais e sociais e, parte de um processo integrado de desenvolvimento economico e social--e as politicas de incentivo ao empreendedorismo na sociedade como um todo atraves de distintos programas (desde universidades, institutos de pesquisa, orgaos de apoio, incubadoras, etc.) que deveriam partir dos mesmos pressupostos (OLIVEIRA, 2006).

Vesper (1980), por outro lado, avalia a importancia do ambiente social na formacao do empreendedor, considerando variaveis tais como as expectativas da familia, os impactos da guerra, as consequencias da imigracao, a posicao em relacao a inovacao e a riqueza e a cultura do "trabalho duro" em oposicao as regalias do servico publico. Os grupos excluidos, por exemplo, que abandonam sua patria natal para construir suas vidas em outros paises, apresentam maiores probabilidades de empreenderem, visto nao ficarem presos aos padroes culturais existentes. Para o autor, o conhecimento do ambiente social e um caminho importante para o entendimento do fenomeno empreendedor.

Para Oliveira (2006), o ambiente empreendedor e aquele em que um individuo recebe o suporte dos mecanismos que estao alinhados com as condicoes locais e com os atores, desenvolve uma ideia e cria produtos e ou servicos, chamado de processo empreendedor. Um elemento necessario neste ambiente e a integracao dos mecanismos para que sejam aplicados de forma efetiva em cada fase do processo empreendedor visando o desenvolvimento de estrategias consistentes. Na sequencia, sao apresentados os procedimentos metodologicos que foram adotados para a realizacao da pesquisa.

3 METODOLOGIA

A partir do problema de pesquisa e do referencial teorico-empirico apresentados anteriormente, esse estudo buscou aplicar tecnicas de pesquisa adequadas para atingir o objetivo proposto e validar os resultados obtidos. Assim, para se identificar as categorias analiticas foram utilizadas fontes primarias e secundarias.

3.1 A SITUACAO EM ESTUDO

A Associacao Industrial e Comercial de Quatro Barras e Campina Grande do Sul (QBCAMP) e uma entidade sem fins lucrativos, formalizada em 1988, por empresarios locais com o intuito de estabelecer uma entidade que reunisse os interesses da classe e que auxiliasse no desenvolvimento economico e social dos municipios de Quatro Barras e Campina Grande do Sul (QBCAMP, 2016), que estao localizados na regiao metropolitana de Curitiba, Estado do Parana, Sul do Brasil. A finalidade da Associacao e promover a integracao da comunidade, comercio, industria e prestadoras de servico; defender os direitos e os interesses dos associados, na protecao das atividades por eles exercidas; representar a classe associada nas relacoes com as autoridades representativas do poder publico, participar e filiar-se as federacoes que congreguem as associacoes comerciais do Estado do Parana e do Brasil; e organizar palestras e cursos que ministrem ensinamentos tecnicos ou praticos, uteis aos associados (QBCAMP, 2016).

Como forma de contribuicao, os associados subsidiam uma taxa mensal que varia entre R$32,00 (trinta e dois reais), R$50,00 (cinquenta reais) e R$90,00 (noventa reais), conforme o porte da empresa. Em contrapartida, a QBCAMP (2016) proporciona inumeros beneficios as empresas associadas, tais como: disponibilizacao da sede propria para a realizacao de eventos; parceria com a Associacao Comercial do Parana para consultas de inadimplentes; parceria com o Servico Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) na promocao de cursos, palestras e consultorias; convenio entre alguns colegios particulares da regiao; acesso a um pacote de telefonia empresarial; parceria com o Servico Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) na celebracao de cursos tecnicos para capacitacao dos funcionarios; certificado digital com valor diferenciado aos associados; parceria com uma cooperativa financeira; com uma Instituicao de Ensino Superior; e com uma empresa de software, a fim de atender as necessidades das micro e pequenas empresas na disponibilizacao de sistemas de gestao.

A Associacao conta atualmente com 140 associados do ramo de comercio, industria e prestadoras de servico, e destes, doze empreendimentos compoe o Nucleo de Empreendedores de Turismo (NEI), sendo oito pertencentes ao Municipio de Quatro Barras (dois restaurantes, duas vinicolas, duas chacaras recreativas, uma pousada e um centro de convencoes/recreativo/jardinagem) e quatro situados no Municipio de Campina Grande do Sul (dois restaurantes, um hotel fazenda e uma pousada) (QBCAMP, 2016).

No que tange ao desenvolvimento do Turismo, em outubro de 2009, o Governo Federal implantou o projeto Talentos do Brasil Rural, como resultado de uma parceria entre Ministerio do Desenvolvimento Agrario (MDA), Ministerio do Turismo (MTUR), Ministerio do Meio Ambiente (MMA) e SEBRAE com Cooperacao Tecnica Alema (GTZ) (SEBRAE, 2014), com a finalidade de implementar acoes conjuntas para identificar, ordenar, promover e fortalecer a relacao entre a agricultura familiar e a atividade turistica, de forma a fomentar a insercao e qualificacao de produtos e servicos da agricultura familiar no mercado turistico brasileiro (MTUR, 2015). Segundo dados do SEBRAE (2014), o projeto beneficiou aproximadamente 20 mil familias brasileiras na preparacao da agricultura familiar para inserir seus produtos em hoteis, bares e restaurantes das 12 cidades-sede da Copa do Mundo, alem de organizar roteiros turisticos para recepcionar os turistas.

O Municipio de Quatro Barras/PR foi identificado, qualificado e selecionado a participar desse Projeto com o "Circuito Turistico Caminhos Historicos da Serra", juntamente com outros 23 roteiros turisticos situados nas mais diversas localidades do Brasil. No Estado do Parana, apenas dois roteiros participaram: Caminhos do Vinho de Sao Jose dos Pinhais e Circuito Turistico Caminhos Historicos da Serra (SEBRAE, 2014), sendo que apos diversas reunioes realizadas entre consultores do Ministerio do Turismo, Prefeitura Municipal de Quatro Barras e empreendedores locais, o nome oficial do roteiro turistico passou a ser "Roteiro Sentidos do Campo", alem de incluir os empreendimentos de Campina Grande do Sul (municipio vizinho) ao roteiro.

Os 20 empreendimentos que integraram o Roteiro Turistico Sentidos do Campo em sua fundacao foram: Pousada Sitio da Alegria, Parque Vila dos Animais, Quina do Chef, Recanto Fonte do Sossego, Churrascaria Bossardi, Hotel Pousada do Anhangava, Sushiai Cozinha Japonesa, Pizzaria Pastasciutta, Jackson Assados, Rosa Brasil Eventos, Cafe Colonial da Bisa, Rancho do Cavalo, Dell Usina, Portal Itupava, Marumby Montanhismo, Sonho Encantado, Vinicola Familia Fardo, Terra Brasil Cafe, Chacara Rancho Alegre e Mata Atlantica Aventura (QBCAMP, 2016). O Roteiro Sentidos do Campo foi formalizado inicialmente para receber turistas provenientes de diversos paises do mundo que assistiriam os jogos de futebol em Curitiba, cidade-sede da Copa do Mundo 2014. No entanto, os empreendimentos pertencentes ao Roteiro nao vislumbraram exito com o evento, uma vez que a regiao nao recebeu turistas estrangeiros conforme esperado, pois eles detiveram-se quase que majoritariamente na cidade de Curitiba.

3.2 DESIGN E DELINEAMENTO DA PESQUISA

As estrategias conjuntas adotadas pelos empreendedores foram identificadas a partir do desenvolvimento do Roteiro Sentidos do Campo descrito na proxima secao e disponibilizado em documentos. O desenvolvimento do empreendedorismo institucional na regiao investigada e o perfil empreendedor do grupo de empresarios envolvidos no projeto foram detectados a partir da observacao nao-participante, realizada no periodo de agosto de 2015 a junho de 2016.

Deste modo, a pesquisa investigou as categorias analiticas, partindo-se da analise dos dados mencionados, empregando procedimentos descritivo-qualitativos para a compreensao do fenomeno social enquanto vivido por um grupo de individuos (RICHARDSON, 1999). A pesquisa foi realizada adotando a estrategia de estudo de caso, visto que tal estrategia de pesquisa permite a compreensao aprofundada do fenomeno de em estudo a partir de um sistema delimitado em forma de caso unico (STAKE, 2005). O nivel de analise da pesquisa e setorial, pois abordou as estrategias adotadas pelas empresas num projeto comum e as unidades de analise sao os dirigentes das empresas associadas. A coleta de dados se deu por meio da analise documental de arquivos e registros disponibilizados pela QBCAMP, assim como pela observacao nao-participante nas reunioes da Associacao.

A observacao nao-participante justifica-se por ser adequada para que se capte o fenomeno em seu ambiente natural e sem a intervencao dos pesquisadores (MERRIAM, 2009). Durante a observacao, os pesquisadores tomaram notas de campo sistematicamente e elas foram organizadas cronologicamente, registrando conversas e interacoes presenciadas (ANGROSINO, 2009). Ao tomar as notas, houve a preocupacao para que fossem representados a configuracao fisica do ambiente, os participantes em interacao, as atividades e interacoes em si, as conversas, os fatores subitos e nao planejados, assim como o comportamento dos proprios pesquisadores (MERRIAM, 2009). Salienta-se que os pesquisadores buscaram manter, sempre que possivel, a neutralidade para nao afetar as reunioes que presenciaram. Ao todo foram quatro observacoes, devidamente registradas por meio das notas de campo, gerando um documento de analise com o total de 20 paginas.

Para estabelecer rigor a pesquisa qualitativa, recomenda-se nao se basear apenas em fontes unicas de evidencia (YIN, 2011), por isso optou-se pela triangulacao de dados por meio da coleta de dados documentais. Os dados documentais possuem como vantagens a objetividade e a estabilidade ao serem acessados, podendo corroborar ou ate mesmo contradizer os achados por meio das observacoes, refinar as informacoes descritivas, propiciar um entendimento do contexto historico, assim como verificar sinais de mudanca ao longo do tempo (MERRIAM, 2009). Os documentos coletados foram atas de reunioes, folders, catalogos, edital de chamada publica, oficios, lista de presencas, web sites, entre outros.

A utilizacao de tecnicas que reunem caracteristicas sui generis, que ressaltam sua implicacao e da pessoa que fornece as informacoes, apoiam o pesquisador qualitativo em seu fazer cientifico (TRIVINOS, 1987). Neste sentido, a observacao livre e o metodo de analise de conteudo tematica sao instrumentos decisivos para estudar os processos e produtos nos quais estao interessados os investigadores.

Os dados obtidos foram tratados mediante analise de conteudo tematica das notas de campo e dos documentos que, segundo Bardin (2010), e um conjunto de tecnicas de analise das comunicacoes visando a obter, por meio de procedimentos sistematicos e objetivos de descricao do conteudo das mensagens, indicadores (quantitativos ou nao) que permitam inferir conhecimentos relativos as condicoes de producao/recepcao (variaveis inferidas) dessas mensagens. A analise de conteudo seguiu os procedimentos de codificacao e categorizacao tematica propostos por Bardin (2010). A partir da analise foram gerados codigos e categorias de analise que serviram de base para a apresentacao dos resultados.

4 RESULTADOS E DISCUSSOES

A coleta de dados permitiu a identificacao das principais estrategias adotadas pelos empresarios em torno do projeto coletivo Roteiro Sentidos do Campo. Para realizar este projeto, as empresas que fazem parte da Associacao Industrial e Comercial de Quatro Barras e Campina Grande do Sul--QBCAMP se reuniram de definiram as seguintes estrategias:

4.1 ESTRATEGIAS ADOTADAS PELO GRUPO DE EMPRESAS

A partir da participacao do projeto desenvolvido pelo Governo Federal e da implantacao do Roteiro Turistico Sentidos do Campo, o turismo rural na regiao de Quatro Barras e Campina Grande do Sul passou por uma transicao no que tange a formalizacao de estrategias visando a organizacao dos empreendimentos e consequente busca de objetivos comuns. Houve a criacao do NEI formado por empresas pertencentes a Associacao Industrial e Comercial, que conta atualmente com doze empreendimentos.

Conforme Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010), a vantagem da estrategia que concentra esforcos esta no fato de promover a coordenacao de atividades, de forma a evitar que as pessoas envolvidas trabalhem em sentidos opostos. A estrategia adotada pela rede de empresas ao formalizar o NEI consiste em maximizar o potencial turistico presente em cada empreendimento e assim promover o fortalecimento do Roteiro, alem de direcionar as acoes de modo que haja convergencia entre os integrantes do grupo.

O NEI realiza reunioes mensais na sede da Associacao com o objetivo de definir as estrategias a serem adotadas pelo grupo, visando o desenvolvimento turistico na regiao e expansao dos negocios. Nesse sentido, com o intuito de investigar em que medida o empreendedorismo institucional se manifesta nessa rede de empresas que buscam se organizar para fortalecer o setor de turismo na regiao de Quatro Barras e Campina Grande do Sul, buscou-se identificar as estrategias inovadoras que fomentam o empreendedorismo institucional na regiao investigada bem como o desenvolvimento do perfil empreendedor dos agentes envolvidos.

Assim, em agosto de 2015 iniciaram as observacoes nao participantes junto a Associacao Industrial e Comercial de Quatro Barras e Campina Grande do Sul. Na ocasiao houve uma reuniao com os associados pertencentes ao NEI com a finalidade de apresentar os trabalhos realizados pela QBCAMP e assim atrair novos empreendedores interessados em fortalecer o grupo de turismo existente. Na oportunidade, estiveram presentes dezesseis pessoas referentes a treze empreendimentos turisticos da regiao (1), o diretor comercial da QBCAMP e uma representante do departamento de Turismo do Municipio de Quatro Barras. Nessa reuniao, foram explanados os objetivos do grupo e os beneficios disponiveis e acessiveis aos associados, houve a apresentacao dos empreendedores convidados e, ao termino, uma confraternizacao para promover a aproximacao e o entrosamento dos novos participantes. Como resultado, o NEI divulgou suas atividades aos empresarios visitantes, porem nao houve novas adesoes ao grupo.

Uma das premissas da Escola Ambiental, segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010) consiste na aglomeracao de organizacoes que tendem a compartilhar de tecnologias, produtos e estilos administrativos semelhantes. Assim, ao propor a inclusao de novos empreendimentos no NEI, os participantes reconhecem a necessidade de fortalecer a rede de empresas existente, como forma de sobrevivencia no ambiente competitivo em que as organizacoes estao inseridas. Na reuniao mensal do NEI realizada em setembro de 2015, estiveram presentes dezenove pessoas, sendo treze representantes de empreendimentos turisticos, o Presidente da QBCAMP, o Secretario de Turismo de Quatro Barras, uma representante da Secretaria de Turismo de Campina Grande do Sul e dois representantes da Coordenadoria das Associacoes Comerciais, Industriais e Agricolas do Sudeste do Parana (CACIASPAR).

No referido encontro foram abordadas algumas questoes relativas a execucao das propostas previamente deliberadas pela rede de empreendimentos turisticos, tais como a ciencia dos representantes das Secretarias de Turismo sobre a formalizacao e entrega de reivindicacoes as respectivas Prefeituras Municipais, visando melhorias nas sinalizacoes turisticas e infraestrutura, para facilitar o acesso turistico na regiao.

Os empreendedores sugeriram a realizacao uma pesquisa junto aos turistas nos principais pontos turisticos da regiao, com o intuito de identificar o perfil dos frequentadores dos empreendimentos locais. Tambem sugeriu-se a realizacao de eventos e feiras conjuntas, com o objetivo de expor e apresentar os produtos e empreendimentos de Quatro Barras e Campina Grande do Sul. Um dos empreendimentos de Quatro Barras registrou sua participacao no 3[degrees]. Festival Pao com Bolinho de Curitiba, como forma de ampliacao de seus negocios e adocao de um diferencial competitivo.

Ao listarem as premissas da Escola do Design, Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010) enfatizam que a estrategia deve ser um ato criativo que possibilite o embasamento de uma competencia distintiva da organizacao. A estrategia adotada pela empresa em participar de um grande festival demonstra a necessidade de tornar-se um empreendimento conhecido na regiao que ofereca produtos e servicos de qualidade, encontrados geralmente na capital do Estado. Nesse sentido, ao atrair clientes de outras localidades para seu negocio, o roteiro e divulgado, bem como os demais estabelecimentos integrantes da rede de turismo. Como resultado desta reuniao, o Secretario de Turismo de Quatro Barras informou aos membros do NEI que o projeto de sinalizacao viaria seria incluso no Orcamento Financeiro da Secretaria de Turismo para o ano de 2016, a fim de atender as demandas dos empreendimentos turisticos de Quatro Barras.

Em observacao realizada na reuniao mensal do NEI em outubro de 2015, estiveram presentes dezenove pessoas, sendo onze empreendimentos turisticos, o Presidente da QBCAMP, um membro da diretoria da QBCAMP, tres professores universitarios (UTFPR, ISAE/FGV e UFPR), uma representante da Secretaria de Turismo de Quatro Barras, a Secretaria de Turismo de Campina Grande do Sul e dois representantes da Coordenadoria da CACIASPAR. Na reuniao, foram tratadas questoes inerentes a possibilidade de formalizacao de um Arranjo Produtivo Local (APL) de Turismo, a partir da rede de empresas de turismo ja existente. Como resultado deste encontro, o grupo manifestou-se favoravel a tentativa de implantar um APL de Turismo de Quatro Barras e Campina Grande do Sul, porem algum tempo depois, o grupo declinou do proposito.

As premissas da Escola Cultural ensinam que tanto a cultura quanto a ideologia nao encorajam as mudancas estrategicas, mas sim favorecem a perpetuacao da estrategia existente. Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010), as crencas culturais e as suposicoes tacitas agem como poderosas barreiras internas que resultam em resistencia as mudancas estrategicas, uma vez que os executivos tendem a conservar as crencas que deram certo no passado. Assim, a razao para o grupo aceitar a implementacao de um APL e, logo na sequencia, desistir dessa estrategia pode estar relacionado ao fator cultural e resistencia a mudancas. No entanto, Lorsch (1986) menciona que os executivos devem aceitar como parte principal da cultura empresarial a flexibilidade e a inovacao, no sentido de questionar, contestar as crencas e sugerir a adocao de novas ideias.

Em reuniao mensal realizada em maio de 2016, na sede da QBCAMP, houve a presenca de oito pessoas, sendo sete empreendimentos representados e o diretor comercial da QBCAMP. Na ocasiao, foi demonstrada a necessidade de adotar estrategias para a atracao de novos empresarios ao grupo. Foram avaliadas as taticas de divulgacao realizadas no ano de 2015 que nao surtiram o efeito desejado, bem como debatidos novos artificios para fortalecimento do NEI, indo de encontro ao que preconiza os fundamentos do empreendedorismo institucional (BATTILANA; LECA; BOXENBAUM, 2009).

Houve consenso na necessidade de criacao de novos materiais graficos para divulgacao dos empreendimentos pertencentes ao Roteiro Turistico Sentidos do Campo, contendo valores diferenciados para as empresas que compoe o referido roteiro. Definiu-se que para os empreendimentos que nao estao associados a QBCAMP o valor de divulgacao do empreendimento sera maior. Tambem foi abordada a questao de incluir nas placas de sinalizacao viaria de Quatro Barras apenas os empreendimentos turisticos que compoe o Nucleo Turistico da QBCAMP.

Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010) lembram que ha pressoes institucionais por conformidade que sao sofridas pelas organizacoes em seu ambiente, por outras organizacoes e tambem as pressoes que sofrem apenas pelo fato de serem organizacoes. As interacoes entre fornecedores, clientes, agencias governamentais e demais entidades reguladoras produzem um conjunto de normas que dominam a pratica, que devem ser conhecidas pelas organizacoes do contexto. Com o passar do tempo, as organizacoes localizadas no mesmo ambiente tendem a adotar estruturas e praticas semelhantes, configurando o fenomeno denominado de isomorfismo institucional (DIMAGGIO; POWELL, 1991). Os autores mencionam tres tipos de isomorfismo: coercitivo (pressao por conformidade exigida por meio de padroes e regulamentos), mimetico (imitacao) e normativo (influencia da pericia profissional). No caso em estudo, o isomorfismo coercitivo foi identificado na estrategia utilizada pelo NEI, ao exigir que os estabelecimentos turisticos que desejem usufruir de beneficios devem se adequar a norma vigente--que se refere a participacao efetiva da rede de empreendedores de turismo.

Um dos empreendedores da rede sugeriu a criacao de um Festival de Inverno em seu estabelecimento, onde todos os integrantes do Roteiro poderiam expor seus produtos e servicos e assim criar uma cultura local para prestigiar os empreendimentos da regiao. O grupo aderiu a sugestao e passou a desenvolver ideias para a realizacao do evento, contando com parceria do Poder Executivo do Municipio de Quatro Barras. Como resultado deste encontro, foram estabelecidos os responsaveis pela confeccao dos materiais de divulgacao e organizacao do Festival de Inverno do Roteiro Turistico Sentidos do Campo.

Na Escola Cognitiva, Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010) registram que a formulacao da estrategia e um processo cognitivo que acontece na mente do estrategista, emergindo com perspectivas na forma de conceitos, mapas, esquemas e estruturas, que moldam o modo pelo qual as pessoas lidam com as informacoes vindas do ambiente. Esse processo cognitivo e evidenciado na proposicao de um dos empresarios no que se refere a instituicao de um evento tradicional na regiao, contendo uma proposta bem estruturada e esquematizada, e que possui plena aceitacao dos demais empreendedores integrantes do Roteiro Turistico.

4.2 EMPREENDEDORISMO INSTITUCIONAL E PERFIL EMPREENDEDOR

Como forma de organizacao interna do negocio, observou-se que alguns estabelecimentos buscaram conhecer todos os empreendimentos que faziam parte do Roteiro, a fim de alinhar ao maximo suas metas, seus produtos e servicos e entao adequa-los ao que as outras empresas tambem estavam oferecendo aos clientes. No caso de hoteis e pousadas, foi necessario conhecer o que os Municipios de Quatro Barras e Campina Grande do Sul tinham a oferecer, pois ao fazer uma indicacao ao hospede acerca dos atrativos turisticos da regiao, poderiam conseguir que o cliente aumentasse a estadia em seus estabelecimentos, e havendo exito ao estender a hospedagem, os turistas recebiam desconto para permanecer hospedado.

Nesse sentido, foram identificados os principais pontos turisticos da regiao, a saber: Arena de Eventos de Campina Grande do Sul, umas das maiores da America Latina; Igreja de Sao Sebastiao, cuja edificacao e datada de 1938; Estrada Velha da Graciosa; Obelisco de Dom Pedro II, onde em maio de 1880, descansou sob a sombra de um pinheiro Dom Pedro II e sua comitiva; Caminho do Itupava, uma trilha historica que contem o calcamento original, ruinas da Casa do Ipiranga, Roda D'agua e Santuario Cadeado, rodeados por fauna e flora exuberantes; Morro Pao-de-Lo, muito apreciado por ecoturistas; Morro do Anhangava, considerado um dos melhores morros-escola do Brasil; Igreja Bom Jesus, localizada as margens da Estrada da Graciosa Velha, contem registros de 1930; Ponte do Arco, construida no final do seculo XIX sobre o Rio Capivari-Mirim; Oratorio Anjo da Guarda, foi elevado durante a construcao da Estrada para protecao dos motoristas e trabalhadores; Capela de Sao Pedro, localizada no bairro Rio do Meio, famosa pelas belas paisagens e pela tradicional Festa de Sao Pedro; Ponte do Rio Taquari, construida no final do seculo XIX e restaurada em 2010, localizada no inicio da Area de Preservacao Ambiental da Serra do Mar; Estrada da Graciosa, datada de 1720, pavimentada entre 1854 e 1873, contendo um belissimo trajeto sinuoso contendo inumeros mirantes, recantos, quiosques, rios, monumentos historicos, possui ainda varias opcoes gastronomicas, turisticas e de lazer; Casa de Pedra, que sao ruinas da residencia de alemaes que se instalaram na Estrada da Graciosa; Picos Camapua e Tucum, montanhas irmas com uma das mais belas paisagens da Serra; Pico Parana, que e a mais alta montanha da Regiao Sul do Brasil, contendo tambem o mais alto paredao de granito do Brasil; Represa do Capivari, que e muito frequentada para pesca e passeios nautico, contendo uma belissima paisagem; Parque Ari Coutinho Bandeira (Parque Capivari), localizado as margens da Represa Capivari; Pico Capivari Grande, cuja subida proporciona vislumbrar a Baia de Antonina; entre outros.

Apos a definicao dos principais pontos turisticos, o NEI da QBCAMP, em parceria com as Prefeituras dos Municipios de Quatro Barras e Campina Grande do Sul elaborou um mapa ilustrado, contendo o circuito historico do Roteiro, alem de guias para hospedagem, gastronomia, aventura e esportes, bem como trilhas e caminhos da regiao, para divulgacao dos aspectos turisticos dos municipios. O referido mapa foi disponibilizado aos empreendimentos e e distribuido aos clientes e turistas que frequentam tais estabelecimentos.

Ainda no que tange a organizacao interna do negocio, tres estabelecimentos passaram a oferecer outros servicos de maneira integrada, tais como passeios a cavalo, almoco e cafe colonial (tendo em vista que tais empreendimentos possuem diferentes gestores, porem estao situados na mesma propriedade), alem de disponibilizar informacoes sobre os demais integrantes do Roteiro Turistico, por meio do Mapa do Roteiro.

Outra forma de organizacao interna tambem observada ocorre por meio da participacao de alguns empreendimentos na Feirinha Gastronomica de Quatro Barras, que e realizada semanalmente, as tercas-feiras, oferecendo produtos e servicos aos municipes e demais frequentadores, como e o caso de um fabricante de vinhos, sucos e geleias de uva, um produtor de verduras organicas e um piscicultor.

As observacoes junto ao NEI tambem permitiram identificar que as estrategias adotadas pelas empresas para aprimorar o atendimento ao turista ocorreram no sentido de melhorar a infraestrutura local, oferecer informacoes detalhadas aos clientes sobre a regiao e demais empreendimentos que compoe o Roteiro Turistico, buscar apoio de orgaos publicos para atender as demandas coletivas e a concessao de desconto para alguns produtos e servicos. Outra forma de melhorar o atendimento ao cliente e a utilizacao de midias sociais como meio de divulgacao do negocio e maior interacao do cliente. Dessa maneira, muitos estabelecimentos estao inovando ao desenvolver sites e paginas em redes sociais de grande visibilidade que possibilitam maior divulgacao do negocio e respostas rapidas ao cliente.

Um dos empreendimentos vem participando de festivais gastronomicos comuns em Curitiba, capital do Estado, como forma de divulgar o negocio e disponibilizar produtos de qualidade, com precos diferenciados na regiao em que esta inserido. Tambem pode ser identificado nessa acao o intraempreendedorismo, ao desempenhar novas atividades empreendedoras dentro da empresa.

Visando aprimorar a qualidade dos servicos prestados ao hospede, uma pousada pretende oferecer servicos de traslado ao turista, para que este possa se deslocar aos demais estabelecimentos e pontos turisticos da cidade com mais seguranca e praticidade.

Uma das estrategias executadas em conjunto que contribuiram para o desenvolvimento do empreendedorismo institucional foi a criacao do Mapa do Roteiro Sentidos do Campo, que beneficiou todos os empreendimentos em decorrencia da ampla divulgacao dos negocios. O mapa e grandemente conhecido na regiao e tambem utilizado pelas Prefeituras Municipais de Quatro Barras e Campina Grande do Sul para promover as cidades e seus atrativos turisticos. Percebe-se que o mapa tem sido uma grande ferramenta para atracao de clientes, sendo que todos os estabelecimentos reconhecem que houve aumento na clientela apos a instituicao do Roteiro Turistico.

Outra estrategia inovadora executada conjuntamente foi a utilizacao de produtos de outras empresas pertencentes ao Roteiro nos negocios, como e o caso de alguns restaurantes e hoteis que adquirem produtos organicos, files de peixe, suco de uva, vinhos e geleias desses empreendimentos, alem de possibilitar que alguns produtos de outras empresas fiquem a venda naquele local. Tal acao fortalece o empreendedorismo coletivo e permite que haja reciprocidade na indicacao e consumo de produtos e servicos entre os estabelecimentos turisticos.

Tambem foi identificada a estrategia adotada pela rede de empresas de turismo, ao definir os criterios de instalacao das placas de sinalizacao turistica pelo Poder Publico, abrangendo apenas os empreendimentos integrantes do NEI. Tal regra institucionalizada tem por objetivo incentivar novos empreendimentos na adesao ao Roteiro.

Alguns empreendimentos indicam aos turistas outros empreendimentos similares, para que possam ter mais opcoes de lazer na regiao. Isso e comum ocorrer em estabelecimentos gastronomicos, que recomendam seus "concorrentes" para que o turista tenha novas opcoes no cafe-da-manha, almoco ou jantar, com o objetivo de tornar a regiao conhecida e fidelizar o cliente, fortalecendo o setor.

Com base nas observacoes, a principal competencia desenvolvida pelos empresarios que corroboram com o empreendedorismo institucional e a cooperacao, pois muitos empresarios perceberam que para conseguir expandir os proprios negocios e necessario o desenvolvimento conjunto. Dessa forma, compreenderam que e preciso ter uma rede de empresas de turismo, que ofereca produtos e servicos diferenciados aos clientes que consequentemente vai beneficiar todos os envolvidos no setor.

A cooperacao, entretanto, nao pode ser tida como plena e sim como em fase de desenvolvimento, pois muito embora seja obvia a necessidade de cooperar, a fim de fortalecer o empreendedorismo institucional, em alguns momentos o grupo perde a coesao e alguns partem em busca de objetivos proprios. Nesse caso, algumas decisoes que foram tomadas coletivamente em beneficio do grupo sao reavaliadas, como no caso do declinio de alguns empreendedores ao decidir por nao implementar um Arranjo Produtivo Local de Turismo na localidade, tendo em vista temerem perder a posicao ja estabelecida no setor.

Ao analisar as estrategias adotadas pela rede de empresas de turismo e possivel perceber que as mesmas contribuiram para o crescimento do empreendedorismo institucional, uma vez que ocorreram transformacoes nos empreendimentos em decorrencia das estrategias utilizadas, estabelecendo praticas comuns e mais coletivas. Isso pode ser visualizado na capacidade de agencia que o grupo desenvolveu, ao estabelecer para o Poder Publico os criterios de instalacao de placas turisticas na regiao. Tal capacidade e de fundamental importancia para o fortalecimento do empreendedorismo institucional e pode ainda ser muito explorada em virtude das atividades exercidas pelos integrantes do Roteiro.

As estrategias coletivas tambem possibilitaram o desenvolvimento de uma visao sistemica do empreendimento, pois muitos empreendedores compreenderam a importancia de fortalecer a rede de empresas a fim de que haja a expansao do proprio negocio e o crescimento coletivo.

5 CONCLUSOES

A criacao do Roteiro Turistico Sentidos do Campo possibilitou o fortalecimento das empresas como rede, de forma que as metas e objetivos passaram a ser tracados em conjunto. Ao formular as estrategias conjuntamente, os gestores dos empreendimentos desenvolveram um senso de coletividade que gera a cooperacao e o fortalecimento entre os integrantes do roteiro no sentido de priorizar as acoes que beneficiem a todos os participantes do roteiro.

Percebe-se a existencia de uma rede subjetiva de protecao aos empreendedores do NEI para pleitear beneficios junto ao poder publico preferencialmente ao grupo organizado, a fim de que outros estabelecimentos compreendam as vantagens proporcionadas pela unificacao das empresas e se associem ao grupo, visando fortalecer ainda mais a rede de empresas existente.

As estrategias formuladas pelos integrantes do NEI permitiram a identificacao de varias escolas apresentadas por Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010) no livro Safari de Estrategias, sendo possivel relacionar inumeras estrategias que estao sendo desenvolvidas pelo grupo a algumas escolas estrategicas, tais como a Escola Ambiental, Escola de Design, Escola Cultural e Escola Cognitiva.

Nesse sentido, a participacao efetiva no NEI tem desenvolvido o comportamento empreendedor nos empresarios tambem de forma individual, fazendo com que adotem praticas inovadoras em seus negocios e proporcionem melhores condicoes de atendimento ao turista, no que tange a oferta de produtos ou servicos de qualidade, que auxiliem na divulgacao do roteiro e a fidelizacao do cliente.

O perfil do empreendedor integrante da rede de empresas foi analisado como um empresario que esta desenvolvendo o espirito de cooperacao, que reconhece o grande potencial proporcionado pelo Roteiro Turistico e que entende que as principais melhorias que surtem efeito almejado ocorrem por meio das decisoes e deliberacoes tomadas em conjunto. Percebe-se claramente a institucionalizacao do Roteiro mediante a atuacao empreendedora dos integrantes da rede de empresas, envolvendo agentes publicos e privados.

Assim, com base nas investigacoes realizadas neste artigo, e possivel identificar que o empreendedorismo institucional e manifestado de forma contundente na rede de empresas de turismo de Quatro Barras e Campina Grande do Sul, no Parana, pois a adocao de estrategias tem ocasionado o desenvolvimento corporativo das empresas de modo individual e coletivo.

DOI: 10.19177/reen.v11e32018136-168

AGRADECIMENTOS

Este artigo e um dos resultados do projeto de pesquisa "Analise da Sustentabilidade e da Governanca em Arranjos Produtivos Locais: a Institucionalizacao do APL de Turismo de Quatro Barras e Campina Grande do Sul/PR", apoiado pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), por meio da Chamada Universal MCTI/CNPq 01/2016, processo no. 402361/2016-4.

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Ellen Correa Wandembruck Lago

Mestranda no Programa de Pos-Graduacao em Administracao da Universidade Tecnologica Federal do Parana--Campus Curitiba

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Marcio Jacometti

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(41) 99999-2889

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Artigo recebido em 26/07/2018. Revisado por pares em 02/12/2018. Reformulado em 10/12/2018. Recomendado para publicacao em 10/12/2018. Publicado em 28/12/2018. Avaliado pelo Sistema double blind review.

(1) Os empreendimentos tiveram seus nomes comerciais preservados por questoes eticas de pesquisa.
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Author:Lago, Ellen Correa Wandembruck; Jacometti, Marcio; Nascimento, Thiago Cavalcante; Bonfim, Leandro Ro
Publication:Revista Eletronica de Estrategia e Negocios
Date:Sep 1, 2018
Words:10462
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