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INNOVATION AND SECTORIAL BEHAVIOR: AN ANALYSIS OF THE COMPANIES PARTICIPATING IN THE FINEP INNOVATION AWARD 2010/INOVACAO E COMPORTAMENTO SETORIAL: UMA ANALISE DAS EMPRESAS PARTICIPANTES DO PREMIO FINEP DE INOVACAO 2010.

1 Introducao

A conquista de vantagem competitiva por parte das empresas esta diretamente relacionada a sua capacidade de inovacao. A importancia de inovar torna-se ainda mais premente quando o foco e a competitividade internacional (Crossan & Apaydin, 2010; Pavitt, 1982).

Assim, e crescente a preocupacao em incorporar a inovacao na estrategia das organizacoes que, por sua vez, dara origem as estruturas criadas para dar suporte as atividades inovadoras (Van de Ven, Angle & Poole, 2000; Crossan & Apaydin, 2010; Smith, Busi, Ball & Meer, 2008). Entre o amplo rol de atividades, aquelas ligadas a geracao, apropriacao e protecao do conhecimento, sao de particular importancia, tendo em vista que, de acordo com Christensen (2000), Schumpeter (1982) e Tidd, Bessant and Pavitt (1997), o conhecimento se apresenta como a base da inovacao.

Dentre os fatores relacionados a geracao de conhecimento, os investimentos financeiros, qualificacao de pessoal e parcerias em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), bem como o numero de patentes geradas,obtem destaque e sao frequentemente associados ao dinamismo tecnologico de empresas, setores, regioes e paises (Organizacao para a Cooperacao e Desenvolvimento Economico [OCDE], 2005; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica [IBGE], 2010). Alem disso, estudos como os de Pavitt (1982) e Becker and Dietz (2004) demonstram a existencia de uma relacao positiva entre os esforcos de Pesquisa e Desenvolvimento, a geracao de patentes e a performance das empresas quanto a exportacao.

Conclusoes como estas impulsionam o desenvolvimento de politicas publicas que fomentam a elevacao de gastos com P&D, a intensificacao da cooperacao entre instituicoes de pesquisa e a industria, o aumento do numero de patentes depositadas, dentre outras estrategias, de modo a fortalecer a competitividade da industria nacional nos mercados internacionais. No Brasil, nota-se que as politicas publicas que visam ao fomento da inovacao estao ancoradas nessas premissas, entre elas e possivel citar a Politica Industrial, Tecnologica e de Comercio Exterior--PITCE, a Lei 10.973 (2004), o Plano de Acao em Ciencia, Tecnologia e Inovacao para o periodo 2007-2010 (Ministerio de Ciencia, Tecnologia e Inovacao [MCTI], 2007), a Politica de Desenvolvimento Produtivo (PDP), em 2008 (Agencia Brasileira de Desenvolvimento Industrial [ABDI], 2011) e a Politica Industrial, de Inovacao e de Comercio Exterior para o periodo 2011-2014 (ABDI, 2011), as quais reforcaram as diretrizes para fortalecimento de mecanismos de integracao.

Nessas politicas observa-se a preocupacao em considerar as peculiaridades setoriais, tendo-se em vista sucessivos estudos, como os de Pavitt (1982), Vermulm (1996), Malerba (2005), Cunha, Boszczowski e Facco (2011) e Montalvo e Giessen (2012) onde evidencia-se que cada setor apresenta especificidades no que diz respeito a forma como a inovacao e desenvolvida, bem como aos resultados obtidos.

A partir da necessidade apontada em diversas pesquisas, de se compreender as peculiaridades setoriais do processo de inovacao, formulou-se o seguinte problema de pesquisa: Existe um comportamento setorial associado aos esforcos de P&D, deposito de patentes e capacidade de exportacao nas empresas ativamente inovadoras participantes do Premio FINEP de Inovacao?

Nesse sentido, o objetivo da pesquisa foi investigar a existencia de um comportamento setorial no processo de inovacao e seus impactos nas empresas participantes do Premio FINEP de Inovacao 2010, especificamente no que tange aos esforcos de P&D (volume de recursos investidos, qualificacao dos pesquisadores do quadro e parcerias com universidades e institutos de pesquisa), deposito de patentes e capacidade de exportacao.

A seguir, e apresentada a fundamentacao teorica que deu origem as hipoteses do estudo, bem como detalhados os procedimentos metodologicos e apresentadas algumas limitacoes do estudo. Posteriormente, sao apresentados e analisados os resultados e, por fim, sao esbocadas algumas conclusoes do estudo.

2 Inovacao e Performance Organizacional

A inovacao contempla uma dimensao de processo e outra de resultado (Crossan & Apaydin, 2010). A dimensao de resultado pode estar relacionada a performance organizacional ou transcender esse nivel, incorporando tambem a dimensao do desenvolvimento economico.

Na teoria elaborada por Schumpeter (1982), a inovacao assume um papel central na explicacao do desempenho economico, apresentando-se como um fator de diferenciacao competitiva entre as empresas e o elemento principal da dinamica capitalista. Na abordagem neo-schumpeteriana, inumeros trabalhos buscam demonstrar a importancia da inovacao tecnologica como determinante chave da competitividade economica. De acordo com Baumol (2002), todo o crescimento economico que ocorreu desde o seculo XVIII pode ser, em ultima instancia, atribuivel a inovacao.

Pioneiramente, Posner (1961) constatou que a partir do momento em que as empresas desenvolvem um novo produto, elas criam um monopolio exportador em seu pais de origem, ate a entrada de imitadores no mercado. Assim, como relembra Pavitt (1982), inovacao, competitividade da industria, vantagem competitiva internacional, crescimento economico e a mudanca social, sao fatores intimamente relacionados, na medida em que, como explica, Porter (1990), as empresas adquirem vantagem competitiva atraves da inovacao.

Na dimensao da performance organizacional, Crossan and Apaydin (2010), com base em uma ampla revisao sistematica, observaram que diferentes autores usam medidas variadas de performance, dentre as quais pode-se destacar: a lucratividade; o volume de vendas; a venda por empregado; o crescimento do numero de emprego e a fatia de mercado.

Nybakk and Jensen (2012), por sua vez, dedicam-se a explorar como a inovacao influencia a performance financeira da empresa. De forma similar, Tidd et al (1997) apontam pesquisas nas quais se evidencia que as empresas inovadoras--as que sao capazes de usar a inovacao para diferenciarem seus produtos e servicos dos competidores--sao, em media, duas vezes mais lucrativas que outras empresas.

Ja Pavitt (1982) explora os links entre atividades de inovacao e a performance das empresas quanto a exportacao. As analises estatisticas apresentadas por este autor, demonstram que as atividades de inovacao, dentre as quais destaca Pesquisa e Desenvolvimento e a protecao da propriedade intelectual, por meio das patentes, constituem alguns dos fatores determinantes da competitividade em exportacao em grande parte dos setores.

Outros estudos ja apontaram resultados consistentes quanto a relacao positiva entre a inovacao e a busca por mercados externos. Em Mais, Carvalho, Amal e Hoffmann (2010) sao apresentados casos brasileiros que confirmam esta hipotese. Becker and Dietz (2004) tambem encontraram relacao positiva entre investimento em P&D e exportacao--nas empresas por eles estudadas, quanto maior a parcela das vendas internacionais no total, maior o investimento em P&D.

Com base nestes estudos, foi definida como uma das categorias de analise da presente pesquisa a exportacao, enquanto dimensao de resultado do processo de inovacao.

Alem de evidenciar as relacoes entre P&D e exportacao, Becker and Dietz (2004) constatam, ainda, que os resultados em geracao de produtos inovadores e, por conseguinte em exportacao, sao diretamente proporcionais a cooperacao com parceiros externos, tais como fornecedores, clientes, concorrentes, universidades e institutos de pesquisa. Chega-se, assim, a dimensao de processo que compoem o modelo de Crossan and Apaydin (2010), mencionado no inicio dessa sessao. Os resultados que se pode esperar da inovacao estao diretamente relacionados a efetividade do processo desenhado e realizado para esse fim. Isso ocorre porque a inovacao nao e fruto do acaso, mas de um conjunto de acoes deliberadamente planejadas e executadas com vistas a essa finalidade.

Dentre os inumeros fatores que exercem um papel fundamental no processo de inovacao (Van de Ven et ai., 2000; Crossan & Apaydin, 2010; Smith, Busi, Ball & Meer, 2008), esse trabalho destaca as atividades de P&D e a geracao de patentes, tomando como base as pesquisas de Pavitt (1982) e de Becker and Dietz (2004). A relevancia e relacao destes fatores com a capacidade de inovacao das empresas serao abordadas na proxima secao.

3 Relacoes entre P&D, Patentes e Inovacao

O Manual de Oslo (OCDE, 2005) apresenta a inovacao como um conjunto de conhecimentos novos ou previamente existentes, combinados de forma a gerar produtos e processos novos ou aprimorados. De forma semelhante, destaca-se o conceito trazido por Tidd et ai. (1997) que define a inovacao como a capacidade de mobilizar conhecimento, habilidades e experiencias para criar novos produtos, processos e servicos. Esta perspectiva conceitual demonstra a complexidade envolvida no processo de inovacao e evidencia a importancia exercida pelo conhecimento.

Com o objetivo de produzir conhecimento, as empresas lancam mao de atividades de P&D, que abrangem, de acordo com o Manual de Frascati (OCDE, 2002): a pesquisa basica, a pesquisa aplicada e o desenvolvimento experimental. A importancia das atividades de P&D desenvolvidas pelas empresas e sua influencia sobre o desempenho da organizacao no quesito inovacao e bastante evidenciada, sendo que os investimentos em P&D constituem um dos principais indicadores de esforcos para a inovacao adotados em pesquisas sobre o comportamento inovador de empresas, regioes e paises.

Cohen and Levinthal (1989) destacam que as atividades de P&D nao apenas geram novas informacoes, mas elevam a capacidade das empresas para assimilar e explorar os conhecimentos ja existentes, ou seja, para aprimorar sua capacidade de absorcao e aprendizado. Alem disso, mostram que algumas empresas investem em pesquisa mesmo quando grande parte dos resultados acaba em dominio publico. A razao para isso seria o potencial aprimoramento da capacidade de identificar e explorar conhecimentos cientificos e tecnologicos gerados por universidades e institutos de pesquisa, proporcionando uma vantagem na exploracao de novas tecnologias.

Neste sentido, Costa e Porto (2011), ao abordarem as capacidades tecnologicas das organizacoes, tambem destacam a importancia dos esforcos associados a P&D. Estes autores enfatizam a relevancia da pesquisa como forma de desenvolver novos conhecimentos e de transformar os conhecimentos tecnicos dos colaboradores em novos produtos, processos e servicos.

Desta forma, e possivel destacar a importancia dos colaboradores atuantes nas atividades de P&D, principalmente no que diz respeito a qualificacao dos mesmos, tendo em vista que isso se relaciona de forma significativa com a capacidade de geracao, exploracao e absorcao do conhecimento.

O Manual de Oslo (OCDE, 2005) destaca que a visao da inovacao sob uma perspectiva baseada em conhecimento concentra-se em processos interativos. Sendo assim, na medida em que o conhecimento se torna mais complexo, maior se torna a importancia das interacoes entre as empresas e outras organizacoes para a aquisicao de conhecimento especializado. As relacoes colaborativas entre organizacoes podem viabilizar o acesso a uma grande quantidade de conhecimento para os processos de inovacao (Huizingh, 2011), permitindo que elas se abram para novas praticas e ideias advindas do ambiente externo (Reed, Storrud-Barnes & Jessup, 2012).

Um breve resgate aos modelos de inovacao e capaz de mostrar como eles proprios evoluiram de um carater mais linear para abordagens eminentemente interativas. Ainda, e possivel verificar como as formas de producao do conhecimento sempre estiveram presentes, ainda que sob abordagens diferenciadas. Segundo o Relatorio Vannevar Bush (Stokes, 2005), o modelo linear confere destaque a pesquisa basica e aos insumos de P&D, apresentando-os como determinantes da inovacao. De acordo com esse modelo, a inovacao ocorre atraves de uma sequencia de etapas: a pesquisa basica, a pesquisa aplicada, desenvolvimento experimental, producao e, por fim, a comercializacao do produto.

No modelo Elo de Cadeia (Kline & Rosenberg, 1986), a empresa se localiza no centro do processo de inovacao, sendo que esta e gerada atraves de interacoes entre oportunidades de mercado e os conhecimentos e capacitacoes da propria empresa. A pesquisa cientifica, aqui, assume a responsabilidade de resolucao dos problemas que surgem no decorrer do desenvolvimento da inovacao.

O modelo sistemico, que ganha forca nos anos 1990, coloca em evidencia a influencia simultanea de fatores organizacionais, institucionais e economicos nos processos de geracao, transmissao e uso do conhecimento (Viotti & Macedo, 2003). Freeman (1995) destaca que a inovacao e um processo interativo em que a empresa, alem de adquirir conhecimentos a partir de sua propria experiencia, tambem esta em processo permanente de aprendizagem em funcao de suas relacoes com diversas fontes externas.

Sendo assim, ao adotar o entendimento da inovacao como uma atividade complexa e diversificada, da qual fazem parte muitos componentes que atuam de maneira interativa, e necessario que, em uma analise sobre inovacao, sejam considerados outros indicadores, alem dos tradicionais dispendios em P&D.

Entre os fatores incorporados em indicadores de dinamismo tecnologico de uma empresa e que devem ser consideradas, estao as atividades relacionadas ao patenteamento. O Manual de Oslo (OCDE, 2005) destaca duas familias basicas de indicadores de Ciencia e Tecnologia que sao diretamente relevantes quando se trata da mensuracao da inovacao: recursos direcionados a P&D e estatisticas de patentes. Pavitt (1982) tambem apresenta estes dois indicadores como relevantes para a direcao das atividades de inovacao das empresas.

Embora haja uma relacao entre atividades de P&D e patentes, nem sempre esta relacao sera direta. Em alguns casos, por exemplo, pode haver resultados de P&D nao patenteaveis. Em outros, pode-se optar por outras formas de protecao da propriedade intelectual gerada, como por exemplo, o segredo industrial (Remer, Tomazoni & Seixas, 2009). Tambem pode haver situacoes em que as barreiras a entrada de concorrentes sejam tais, que a protecao nao se justifique. Pavitt (1982) explora estas e outras possiveis causas para o volume de patentes nem sempre crescer em consonancia com os gastos em P&D. Nesses casos, as estatisticas de P&D constituiriam um melhor indicador de atividade de inovacao que patente. Por outro lado, patentes podem resultar de P&D externo nao considerado nas estatisticas de P&D da empresa. Nesse caso, patentes constituiriam um indicador melhor. Por isso, a literatura recomenda que a interpretacao destes indicadores seja relativizada.

Com base nos autores discutidos nessa sessao, foi possivel somar a categoria analitica definida na sessao anterior (1) exportacao, outras duas categorias de analise dessa pesquisa: (2) esforcos de P&D, nos quais interessa investigar (2.1) qualificacao dos colaboradores, (2.2) investimentos e (2.3) colaboracoes externas; e (3) patentes geradas.

Varios autores preocupam-se em discutir como estes aspectos relacionados a inovacao, quer seja na dimensao de processo, quer seja na dimensao de resultado, se comportam nos diferentes setores. Para eles, peculiaridades podem ser observadas no desenvolvimento de inovacoes em setores especificos. Este aspecto sera abordado no item a seguir e determinara como as categorias analiticas do estudo irao compor as hipoteses de pesquisa.

4 Aspectos Setoriais da Inovacao Tecnologica

A inovacao tecnologica atua de maneira distinta nas diversas industrias existentes. Enquanto umas proporcionam uma relacao forte entre o setor privado e as universidades e institutos de pesquisa, outras nao valorizam tanto o processo de cooperacao. Algumas priorizam a aquisicao de maquinarios modernos, enquanto outras buscam o desenvolvimento de novos produtos e a protecao dos mesmos pelo registro de patentes. Sendo assim, apesar de a inovacao ser considerada um dos elementos primordiais no desempenho de todos os setores, a mesma apresenta as particularidades de cada segmento (Pavitt, 1982; Montalvo & Giessen, 2012; OCDE, 2005).

O conceito de setor tem suas raizes na divisao do trabalho e da especializacao. Smith (1982) apresentou, na epoca, uma distincao entre industria e agricultura, referindo-se as peculiaridades de trabalho em cada uma das atividades. Schumpeter (1982), entretanto, retoma esta dimensao setorial em sua obra. Para os schumpeterianos, esta dimensao da atividade produtiva e um elemento fundamental a ser considerado. De acordo com Vermulm (1996), distintos setores industriais sao condicionados de forma distinta pelo mesmo ambiente economico e, consequentemente, respondem de formas diferenciadas.

Malerba (2005) apresenta o conceito de setor como um conjunto de atividades unificadas por alguns grupos de produtos interligados, por uma demanda determinada, e que compartilham conhecimentos comuns.

Tendo como base as diferencas existentes entre os inumeros setores, Malerba and Breschi (1997) constroem o conceito de sistemas setoriais de inovacao. Os autores afirmam que e possivel explicar os padroes da atividade de inovacao de um determinado setor pela natureza da tecnologia e do conhecimento que caracterizam regimes tecnologicos especificos. A nocao de regime tecnologico destaca a combinacao particular no nivel dos setores das condicoes de oportunidade e a propriabilidade tecnologica, dos niveis de cumulatividade do conhecimento tecnologico e das caracteristicas da base de conhecimento. Sao propriedades que influenciam diretamente a transmissao do conhecimento e interferem nas condicoes dos processos de aprendizagem e nas formas de difusao das tecnologias (Nelson & Winter, 1977; Malerba & Orsenigo, 1993).

Todo setor possui como componente primordial os seus agentes, caracterizados tanto por organizacoes quanto por individuos. As organizacoes podem ser empresas, universidades, instituicoes financeiras, agencias governamentais, associacoes e institutos de pesquisa, ou ate mesmo departamentos de P&D de grandes empresas. Destaca-se que, na estrutura do sistema de inovacao setorial, a inovacao e apresentada como um processo que compreende a interacao sistematica entre um grande rol de atores, de forma a produzir e trocar conhecimento, que por fim, devera levar a inovacao e sua comercializacao.

A teoria de sistema setorial de inovacao complementa outros conceitos de sistemas de inovacao (Edquist, 1997), como, por exemplo, o de sistema nacional de inovacao, o qual e caracterizado pelas fronteiras politicas dos paises (Freeman, 1987; Nelson, 1993; Lundvall, 1993), o sistema de inovacao regional, delimitado pelas regioes geograficas (Cooke, Urange & Extebarria, 1997), e sistemas tecnologicos, que apresenta como foco as tecnologias (Carlsson & Stankiewitz, 1995; Hughes, 1984; Callon, 1992).

Portanto, empresas distintas entre si, mas com tecnologias similares, e dependentes das mesmas bases de conhecimento, com atividades produtivas semelhantes, e que estejam contextualizadas no mesmo "ambiente institucional" desenvolvem padroes de aprendizado, comportamentos e formas organizacionais similares (Malerba, 2005). O autor conclui que compreender os principais setores de uma economia, considerando suas peculiaridades, ajuda de forma consideravel na compreensao do crescimento nacional. Nascimento, Mendonca e Cunha (2012), bem como Cunha et al. (2011) ao desenvolverem pesquisas em setores especificos, como o de energia eolica e o de producao de soja, destacam, de forma similar, a importancia de se analisar e compreender as peculiaridades setoriais da inovacao.

Pesquisas como as de Pavitt (1982), Revillion, Padula, Federizzi, Martinelli e Mangematin (2004), Floriani, Beuren e Hein (2010) e Lima e Silva (2012), ao trabalharem o processo de inovacao na dimensao setorial, destacaram a existencia de peculiaridades setoriais relacionadas a diversos fatores. Revillion et ai. (2004) destacam, em pesquisa realizada no setor agroindustrial, um comportamento setorial associado aos esforcos de P&D, principalmente no que diz respeito ao montante de recursos investido. Lima e Silva (2012), ao analisar o setor de petroleo e gas, destacam um comportamento setorial associado as parcerias com Universidades e Institutos de Pesquisa. Neste sentido, Bueno e Balestrin (2012) ainda destacam diferencas setoriais no que diz respeito ao desenvolvimento de praticas de inovacao colaborativas. Floriani et ai. (2010), por sua vez, em pesquisa desenvolvida no setor da construcao civil, citam, alem dos aspectos destacados anteriormente, um comportamento setorial associado a existencia de colaboradores qualificados destinados as atividades de inovacao, bem como ao lancamento e exploracao de patentes. Destaca-se ainda a pesquisa realizada por Pavitt (1982), que demonstrou que os padroes de intensidade das atividades de P&D e de geracao de patentes variam entre setores distintos. Por fim, apresenta-se a pesquisa realizada por Burnquist, Souza, Bacchi e Faria (2007), a qual, ao analisar as barreiras tecnicas a exportacao, constatou que diferentes modalidades de exigencias apresentam impactos diferenciados em setores distintos, demonstrando a existencia de um comportamento setorial relacionado a capacidade de exportacao.

Tem-se, assim, que as atividades de inovacao, dentre as quais se destacam a P&D e o registro de patentes, exercem diretamente um impacto na performance organizacional, especificamente na sua capacidade de exportacao, principalmente quando envolverem pesquisadores com alto grau de capacitacao e atividades de cooperacao com universidades e institutos de pesquisa. A forma como as atividades de inovacao serao conduzidas, entretanto, acontecerao de formas distintas entre os diversos setores.

A partir desse embasamento teorico, que permitiu a identificacao de categorias de analise relevantes ao estudo da inovacao nas organizacoes, foram construidas as tres hipoteses de pesquisa que norteiam esse trabalho:

H1: Existe um comportamento setorial associado aos esforcos de P&D;

H2: Existe um comportamento setorial associado ao deposito de patentes;

H3: Existe um comportamento setorial associado a capacidade de exportacao.

Na sessao seguinte, detalha-se a composicao destas hipoteses ao mesmo tempo em que explica-se os procedimentos metodologicos adotados na pesquisa.

5 Procedimentos Metodologicos

A pesquisa e de natureza quantitativa e esta centrada no teste das hipoteses formuladas na sessao anterior, com base em referencial teorico, quais sejam: (1) Existe um comportamento setorial associado aos esforcos de P&D; (2) Existe um comportamento setorial associado ao deposito de patentes; (3)Existe um comportamento setorial associado a capacidade de exportacao.

Nesse estudo, Pesquisa e Desenvolvimento e constituida por tres variaveis: (1) grau de qualificacao dos pesquisadores envolvidos em atividades de P&D na empresa; (2) investimentos em P&D; e (3) colaboracoes em P&D.

O Grau de Qualificacao considera a existencia de especialistas (pos-graduados, mestres e doutores) no quadro da empresa, atuantes em P&D. Os Investimentos nas atividades de Pesquisa e Desenvolvimento consideram os valores absolutos investidos no periodo 2007 a 2009, classificados em abaixo ou acima da media. E a Colaboracao considera se a empresa desenvolveu ou nao atividades de P&D em parceria com Universidades e/ou Institutos de Pesquisa.

A variavel Deposito de Patentes considera se a empresa depositou patentes no periodo de 2007 a 2009. E a variavel Capacidade de Exportacao considera se a empresa realizou exportacoes no periodo.

A pesquisa partiu de uma amostra inicial de 471 empresas participantes do Premio FINEP de inovacao em 2010. As empresas foram classificadas de acordo com a Classificacao Nacional de Atividades Economicas versao 2.0--CNAE 2.0, metodologia tambem utilizada pela PINTEC 2008 (IBGE, 2010). Destaca-se que, em virtude da limitacao dos dados preenchidos nos formularios, 22 empresas nao puderam ser classificadas dentro do CNAE 2.0 e, portanto, a amostra final e composta por 449 empresas distribuidas em 42 setores e distribuidas nas cinco regioes brasileiras.

Os setores analisados e sua respectiva classificacao numerica, de acordo com o CNAE 2.0, sao apresentados na Tabela 1.

O Premio FINEP de Inovacao foi criado em 1998 pelo Ministerio de Ciencia e Tecnologia para reconhecer e divulgar esforcos inovadores realizados por empresas, instituicoes sem fins lucrativos e inventores brasileiros, desenvolvidos no Brasil e ja aplicados no Pais ou no exterior. E considerado o mais importante instrumento de estimulo e reconhecimento a inovacao no Brasil.

Para o premio, empresas e instituicoes inovadoras sao aquelas que desenvolvem solucoes em forma de produtos, processos, metodologias e/ou servicos novos ou significativamente modificados. Desta forma, as empresas participantes constituem uma amostra da populacao de empresas brasileiras ativamente inovadoras. Segundo o Manual de Oslo, uma empresa ativamente inovadora

e aquela que realizou atividades de inovacao durante o periodo de analise, incluindo as atividades em processo e abandonadas. Sob este conceito, empresas que tiveram atividades de inovacao no periodo analisado, independentemente de sua atividade ter resultado na implementacao de uma inovacao, sao empresas ativamente inovadoras. (OCDE, 2005, p. 71).

Assim, o desenho amostrai da pesquisa--nao probabilistico--resolve um problema abordado na PINTEC 2008 (IBGE, 2010), onde apontou-se que desenhos tradicionais baseados em amostras aleatorias podem resultar em amostras que nao representam adequadamente a fracao da populacao de empresas ativamente inovadoras. Do ponto de vista geografico, a amostra contempla empresas das cinco regioes brasileiras, e embora selecionadas de forma nao probabilistica, pois foram empresas que se inscreveram no processo de premiacao, para o tratamento de inferencia estatistica considerou-se a amostra representativa de uma populacao de empresas com interesse e/ou caracteristicas de inovacao.

Os dados foram coletados por meio dos formularios preenchidos pelas empresas como requisito a participacao no premio. O acesso aos formularios foi concedido pela FINEP a partir de um pedido formal, sob condicao de sigilo quanto a identificacao das empresas e visando estritamente ao uso com fins academicos. Os dados constantes nos formularios foram digitados em uma planilha Excel para compor a base de dados a partir da qual foram feitos os testes estatisticos. Para isso, utilizou-se o software SPSS17. Para verificar as relacoes de dependencia entre as variaveis, foi utilizado o teste qui-quadrado.

O teste qui-quadrado e o teste estatistico mais antigo e um dos mais usados em pesquisa social. E um metodo que permite testar a significancia da associacao entre duas variaveis qualitativas, como tambem, comparar (no sentido de teste de significancia) duas ou mais amostras, quando os resultados da variavel resposta estao dispostos em categorias. (Barbetta, 2008, p. 228).

Cumpre observar que a configuracao do estudo apresenta algumas limitacoes. Dentre elas, destaca-se a restricao das variaveis abordadas, que nao incorporam todo o conjunto de fatores que interferem no processo de inovacao, bem como o rol de possibilidades quanto ao impacto final, ou resultados da inovacao.

Sabe-se que apesar de a P&D ser significativa no processo de inovacao, muitas atividades inovadoras nao sao baseadas em P&D. Lundvall (1992), por exemplo, apresenta evidencias que mostram que grande parte das inovacoes nao ocorre a partir de pesquisa, mas do aprendizado obtido durante a producao, direcionando, consequentemente, poucos gastos a esta atividade. Adicionalmente, sabe-se que, por inumeras razoes, a patente nem sempre se apresenta como uma estrategia coerente e/ou necessaria para a protecao de uma inovacao. Nao obstante, estes fatores (P&D e patentes) possuem um papel de destaque e dao origem a indicadores de Ciencia e Tecnologia internacionalmente adotados para a mensuracao da inovacao.

De forma semelhante, destaca-se tambem como limitacao, a restricao a Universidades e Institutos de Pesquisa como parceiros e, a exportacao, como indicador de impacto da inovacao sobre a performance das empresas.

As limitacoes expostas se deram principalmente pela indisponibilidade de outros elementos do formulario de inscricao do Premio FINEP de Inovacao de 2010, a partir do qual se constituiu a base de dados da pesquisa.

Pavitt (1982) reconhece a existencia de gaps nos sistemas de medidas que permitam a formulacao de conclusoes quanto a materia em estudo. Porem, considera que as medidas estatisticas sao imperfeitas (especialmente quando elas se limitam a indicadores muito concentrados). Ainda assim, sugere que talvez a analise possa ser feita a partir do uso de uma variedade de medidas imperfeitas. Para ele, pesquisas dessa natureza, especialmente quando transcendem micro estudos e priorizam colecoes de evidencias, sao necessarios para orientar formuladores de politicas publicas.

Finalmente, vale destacar como limitacao do estudo a impossibilidade de generalizacao, por se tratar de amostra nao probabilistica. Os resultados sao pertinentes as empresas participantes do Premio FINEP de Inovacao, todavia, partindo-se da suposicao que esta amostra e representativa de uma populacao homogenea formada por empresas com interesse e caracteristicas de inovacao, poderia se concluir, de forma mais geral, que os resultados ilustram o comportamento das empresas ativamente inovadoras do pais.

6 Apresentacao e Analise dos Resultados

Foi utilizado o teste estatistico do qui-quadrado para analisar a existencia de um comportamento setorial nos indicadores de inovacao. A seguir serao apresentados os resultados dos testes de cada uma das hipoteses delineadas na pesquisa.

a) Hipotese 1: Existe um comportamento setorial associado aos esforcos em P&D.

Para a analise do comportamento setorial da variavel P&D foram feitos quatro testes, estando os dois primeiros relacionados ao grau de qualificacao dos pesquisadores envolvidos em atividades de P&D na empresa. O primeiro relacionou as variaveis "setores" e "ter pesquisador em P&D". O segundo relacionou as variaveis "setores" e "ter especialistas no quadro". O terceiro relacionou as variaveis "setores" e "investimento em inovacao". O quarto, por fim, relacionou as variaveis "setores" e "colaboracoes em P&D".

Na analise das variaveis "setores" e "ter pesquisador em P&D", o teste qui-quadrado apresentou %2 = 54,381, valor-p = 0,136 e um Coeficiente de Contingencia de 0,329. Com o valor-p>0,05 nao e possivel rejeitar a hipotese nula de independencia entre as variaveis e, portanto, entende-se que nao ha dependencia entre as variaveis analisadas. Assim, a existencia de pesquisadores atuando com foco em P&D nao tem relacao com o setor no qual a organizacao atua.

Na analise das variaveis "setores" e "ter especialistas no quadro" o teste qui-quadrado apresentou [chi square] = 58,065, valor-p = 0,076 e um Coeficiente de Contingencia de 0,338. Os numeros demonstram, assim como no teste anterior, que nao e possivel rejeitar a hipotese de independencia entre as variaveis. Esse resultado, assim como o anterior, contraria os achados de Floriani et al. (2010), que indicam um comportamento setorial quanto a existencia de colaboradores qualificados nas atividades de inovacao. No caso das empresas participantes do premio FINEP, nao se verifica essa relacao entre o setor e a existencia de especialistas. Isso pode ser parcialmente explicado pelo fato de a amostra ser composta por empresas que podem ser conceituadas, de acordo com o Manual de Oslo, como ativamente inovadoras (OCDE, 2005), na medida em que as regras do premio atraem organizacoes que atendam a um conjunto de requisitos associados a esse conceito. Nesse caso, sao empresas que, de um modo geral, mantem equipes de pesquisadores e especialistas atuando sistematicamente em P&D.

Ja na analise das variaveis "setores" e "investimentos em inovacao" o teste qui-quadrado apresentou [chi square] = 65,514, valor-p = 0,019 e um Coeficiente de Contingencia de 0,357. Neste caso, como o valor-p<0,05 rejeita-se a hipotese nula de independencia entre as variaveis e trabalha-se com a evidencia da existencia de uma dependencia das variaveis analisadas. Entretanto, alguns resultados nao podem ser considerados conclusivos, pois algumas tabelas de contingencia construidas nao apresentaram um numero minimo de observacoes na amostra para que o teste fosse conclusivo.

Desta forma, decidiu-se pela realizacao de uma segunda etapa dos testes. Para isto, foram selecionados apenas os setores que apresentaram o numero minimo de observacoes na amostra, sendo que os demais foram classificados como "outros". Os resultados desta aplicacao do qui-quadrado sao apresentados nas tabelas 2 e 3.

Com [chi square] = 13,883, valor-p = 0,085 e um Coeficiente de Contingencia de 0,173, o resultado conclusivo nao rejeita a hipotese nula e, portanto, evidencia que nao ha dependencia entre as variaveis analisadas. Como no teste anterior, esse resultado se diferencia dos recentes achados de autores como Revillion et al. (2004) e Floriani et al. (2010), para quem a destinacao de recursos e, sim, uma variavel associada a um comportamento setorial. Novamente, pode-se explicar essa diferenca pela peculiaridade da amostra. Os resultados indicam que as empresas participantes do premio investem volumes de recursos em P&D independentemente do setor no qual atuam. Ainda assim, e valido observar que, na amostra analisada, o setor que apresenta maior incidencia de investimentos em inovacao, com valores acima da media, e o setor de Fabricacao de Maquinas e Equipamentos (Cod. 28). Este resultado e, em parte, diferente dos resultados apresentados pela PINTEC 2008 (IBGE, 2010), na qual setores como o quimico e o de fabricacao de produtos alimenticios (entre outros), apresentam maiores investimentos em P&D do que o de Fabricacao de maquinas e equipamentos.

Para a analise das variaveis "setores" e "colaboracoes em P&D" o teste qui-quadrado apresentou %2 = 44,526, valor-p = 0,407 e um Coeficiente de Contingencia de 0,301. O valor-p>0,05 nao rejeita a hipotese de independencia entre as variaveis analisadas e, portanto, nao ha evidencia de um comportamento setorial na colaboracao com Universidades e Instituicoes de Pesquisa, distinguindo-se dos resultados obtidos por Bueno e Balestrin (2012), Lima e Silva (2012) e pelo proprio Manual de Oslo (OCDE, 2005), segundo o qual em setores de alta tecnologia, por exemplo, a atividade de P&D possui um papel central entre as atividades de inovacao, enquanto outros setores optam por adocao de conhecimento e tecnologia desenvolvida externamente. Na medida em que a amostra contempla empresas de setores classificados em diferentes graus de intensidade tecnologica, os resultados dos testes de hipotese diferenciam-se das indicacoes do Manual de Oslo.

Apesar de nao ter sido comprovada a hipotese de dependencia quanto a estas variaveis, e valido observar que entre os setores que apresentam maior incidencia de parcerias com Universidades e Instituicoes de Pesquisa e que, portanto, realizam colaboracoes em P&D, os que se destacam sao aqueles com maior grau de intensidade tecnologica, conforme segue: Fabricacao de Produtos Quimicos (Cod. 20); Fabricacao de Produtos Farmoquimicos e Farmaceuticos (Cod. 21); Fabricacao de Equipamentos de Informatica, Produtos Eletronicos e Opticos (Cod. 26); Fabricacao de Maquinas e Equipamentos (Cod. 28); Atividades dos Servicos de Tecnologia da Informacao (Cod. 62). Isso pode ser visto no grafico de barras apresentado na Figura 1.

Concluindo, a independencia entre as variaveis "setores" e "ter pesquisadores em P&D", entre "setores" e "ter especialistas no quadro", entre "setores" e "investimentos em inovacao", bem como entre "setores" e "colaboracoes em P&D", refuta a hipotese 1. Sendo assim, nao ha evidencias da existencia de um comportamento setorial de P&D para as empresas participantes do Premio FINEP, sugerindo que empresas que desenvolvem acoes deliberadas em prol da inovacao, realizam esforcos de P&D independentemente do setor.

b) Hipotese 2: Existe um comportamento setorial associado ao Deposito de Patentes.

Para esta hipotese o teste qui-quadrado apresentou [chi square] = 59,893, valor-p = 0,055 e um Coeficiente de Contingencia de 0,343. Embora o nivel de significancia de 5% faca com que nao rejeitemos a hipotese nula, ou seja, de independencia entre as variaveis, neste caso especifico, percebe-se um valor-p muito proximo de 5%, oque nos leva a analisar com mais cuidado esta relacao, onde pode haver algum grau de dependencia entre patentes e setores. Alem disso, e valido destacar que nesta primeira etapa dos testes, alguns resultados nao sao conclusivos, uma vez que algumas tabelas de contingencia construidas nao apresentaram um numero minimo de observacoes na amostra.

Sendo assim, para a segunda etapa dos testes, foram selecionados apenas os setores que apresentaram o numero minimo de observacoes na amostra, sendo que os demais foram classificados como "outros", recebendo como identificacao numerica o codigo "0". Feito isto, foi aplicado o teste estatistico do qui-quadrado novamente. As tabelas 4 e 5 apresentam os resultados do mesmo.

Com o [chi square] = 27,604 e valor-p = 0,001 e possivel rejeitar a hipotese nula, de independencia entre as variaveis, ou seja, e possivel afirmar que existem evidencias estatisticas indicando que as variaveis patentes e setores possuem algum grau de dependencia. Sendo assim, confirma-se a hipotese do comportamento setorial do registro de patentes. Entretanto, o Coeficiente de Contingencia de 0,241 demonstra que esta dependencia entre as variaveis possui um grau baixo.

Entre os setores que apresentam uma maior incidencia de empresas que utilizam o registro de patentes como forma de protecao da inovacao, pode-se citar o de Fabricacao de Produtos Alimenticios (Cod. 10), o de Fabricacao de Equipamentos de Informatica, Produtos Eletronicos e Opticos (Cod. 26) e o de Fabricacao de Maquinas e Equipamentos (Cod. 28). Isso pode ser percebido em analise ao grafico de barras apresentado na Figura 2.

Assim, diferentemente do resultado dos testes associados a hipotese anterior, esse esta alinhado aos achados de Floriani et al. (2010), de Pavitt (1982) e do proprio Manual de Oslo (OCDE, 2005), segundo os quais ha um comportamento setorial associado a geracao de patentes. A PINTEC 2008 (IBGE, 2010), ao apresentar o numero de patentes por setor analisado, tambem demonstra diferencas setoriais.

Esse comportamento setorial pode ser, em parte, explicado pelo fato de a patente estar associada a protecao de solucoes passiveis de fabricacao ou uso industrial e que nem todos os setores contemplam essa possibilidade. Por outro lado, a amostra contempla setores em que ela seria aplicavel e, portanto, poderia constituir uma estrategia de protecao de propriedade intelectual, mas que, nao obstante, nao e uma realidade. Os testes realizados nao investigaram os motivos ou outros fatores associados a decisao de patentear, nem aspectos como os resultados da patente enquanto estrategia de protecao das inovacoes. Nesse sentido, podese propor novos estudos que se dediquem a melhor compreender esse comportamento.

c) Hipotese 3: Existe um comportamento setorial associado a capacidade de exportacao.

Para esta hipotese o teste qui-quadrado apresentou [chi square] = 45,362, valor-p = 0,415 e um Coeficiente de Contingencia = 0,303. Com o valor-p>0,05 nao e possivel rejeitar a hipotese nula de independencia entre as variaveis e, portanto, entende-se que nao ha dependencia entre as variaveis analisadas. Sendo assim, a hipotese 3 nao foi confirmada, nao havendo evidencias da existencia de um comportamento setorial na exportacao.

Destaca-se, ainda, que na amostra analisada apenas 17,6% das empresas sao exportadoras e que nenhum setor apresentou destaque no que diz respeito a capacidade de exportacao. As empresas participantes do Premio FINEP estao, portanto, mais focadas no mercado interno. Mesmo assim, desenvolvem esforcos deliberados com o intuito de inovar e diferenciar seus produtos.

Dentre os setores estudados na amostra, varios sao alvo de programas de fomento e apoio a exportacao. A APEX--Associacao Brasileira de Promocao de Exportacoes e Investimentos (http://www.apexbrasil.com.br/portal/, recuperado em 30, novembro, 2013) apoia aproximadamente 13 mil empresas de 81 setores, agrupadas em seis complexos produtivos: alimentos, bebida e agronegocio; moda; tecnologia e saude; casa e construcao; economia criativa e servicos; e maquinas e equipamentos. Entretanto, alguns setores sao alvo de programas mais especificos, como o de Tecnologia da Informacao e da Comunicacao. ASOFTEX--Associacao para a Excelencia do Software Brasileiro--(www.softex.br, recuperado em 30, novembro, 2013), por exemplo, atua desde 1996 com foco no aumento da competitividade das empresas com vistas a exportacao. Outro o exemplo e o PROSOFT--Programa Nacional para o Desenvolvimento da Industria de Software e Servicos de Tecnologia da Informacao, linha de credito do BNDES--Banco Nacional para o Desenvolvimento Economico e Social--(www.bndes.gov.br, recuperado em 30, novembro, 2013) que visa, dentre outras coisas, a fomentar a internacionalizacao de empresas desse setor. Seria de se esperar que setores alvo de programas de fomento a exportacao apresentassem resultados diferenciados dos demais. Entretanto, esta pesquisa nao desenvolveu acoes no sentido de explorar e explicar essa questao. Por isso, esta hipotese sugere a realizacao de novos estudos.

7 Conclusoes e Recomendacoes

O presente estudo investigou a existencia de um comportamento setorial intrinseco ao processo de inovacao e seus resultados, notadamente no que tange aos investimentos financeiros, estabelecimento de parcerias com instituicoes academicas e qualificacao dos colaboradores internos atuantes em P&D, a capacidade para a geracao de patentes, e a capacidade de exportacao. A partir dos resultados dos testes estatisticos, verificou-se que uma das hipoteses testadas foi confirmada, ao passo que as demais podem ser refutadas.

Diferentemente dos achados de autores elencados na fundamentacao teorica, nao se verificou a existencia de um comportamento setorial nas praticas de P&D. Tanto a qualificacao dos pesquisadores atuantes em P&D, quanto o volume de recursos investidos e a existencia de parcerias com Universidades e Institutos de Pesquisa, sao variaveis que nao apresentam relacao com o setor no qual a empresa atua. Essa diferenca pode vir a ser explicada em funcao das caracteristicas da amostra, composta pelas empresas participantes do Premio FINEP de Inovacao. As regras do premio, que remetem ao conceito de empresas ativamente inovadoras (OCDE, 2005) podem levar a inscricao apenas aquelas em que o desafio de inovar e considerado prioridade e nas quais, portanto, ha organizacao nesse sentido. Ou, ainda, pode levar a inscricao empresas com caracteristicas homogeneas de um modo geral. Mas a pesquisa nao investigou estas questoes e, dessa forma, nao e possivel apresentar conclusoes dessa natureza. Novos estudos poderiam explorar essas novas hipoteses, comparando essa amostra com outra, de natureza probabilistica.

Apesar de nao se ter identificado um comportamento setorial quanto ao estabelecimento de parcerias com Universidades e Institutos de Pesquisa, a identificacao dos setores em que elas estao mais presentes pode indicar oportunidades de pesquisas voltadas a aprofundar o conhecimento em torno destas experiencias e identificar fatores que possam estar impulsionando e/ou facilitando o estabelecimento destas parcerias. Estes resultados podem gerar uma contribuicao pratica aos formuladores de politicas publicas em prol da inovacao no Brasil, que, como se viu, tem procurado criar mecanismos que fomentem as interacoes e acoes colaborativas entre a academia e o setor empresarial.

Da mesma forma como os testes para as variaveis associadas a P&D, nao foi identificado um comportamento setorial associado a exportacao, apesar da existencia de programas de fomento a capacidade de exportacao em setores especificos. Cabe ressaltar que, na amostra estudada, menos de 20% das empresas sao exportadoras, o que demonstra seu foco destas empresas no mercado interno. Apesar disso, sao envidados esforcos deliberados no sentido de inovar e diferenciar seus produtos. Novas pesquisas poderiam ser feitas para identificar os motivos pelos quais as empresas inovadoras nao estao buscando ou nao estao atingindo o mercado externo. Tambem poderia ser explorada a questao da efetividade de programas publicos de apoio a exportacao em setores especificos.

Ja os testes que investigaram a existencia de um comportamento setorial no registro de patentes confirmaram a dependencia entre as variaveis. Ou seja, o deposito de patentes esta associado as caracteristicas do setor e, portanto, apresenta um comportamento setorial. Os setores que se destacaram no registro de patentes foram: Fabricacao de Produtos Alimenticios (Cod. 10), o de Fabricacao de Equipamentos de Informatica, Produtos Eletronicos e Opticos (Cod. 26) e o de Fabricacao de Maquinas e Equipamentos (Cod. 28). Isso pode ser decorrente da propria natureza das atividades desenvolvidas pelo setor. Em alguns tipos de atividades, o deposito de patentes pode surgir como a melhor opcao para a protecao da inovacao, enquanto em outros, outras formas de protecao podem se demonstrar mais apropriadas. Alem disso, cumpre lembrar que em alguns setores os resultados das atividades de P&D nao sao patenteaveis. Entretanto, a amostra contempla empresas de setores em que a patente poderia constituir uma estrategia de protecao de propriedade intelectual nas quais nao se identificou registros no periodo analisado. Os testes realizados nao investigaram os motivos ou outros fatores associados a decisao de patentear, nem aspectos como os resultados da patente enquanto estrategia de protecao das inovacoes. Nesse sentido, tambem para esse topico pode-se propor novos estudos que proporcionem uma melhor explicacao para o fenomeno.

Assim, sugere-se o desenvolvimento de novas pesquisas que busquem explicacoes para os fatos trazidos a luz neste estudo, alem de outras que possam subsidiar a compreensao do comportamento inovador de cada setor analisado. Adicionalmente, sugere-se a inclusao de outras variaveis no estudo proposto, que contemplem de forma mais abrangente o processo de inovacao e suas relacoes com a performance das empresas.

Por fim, cumpre novamente destacar as limitacoes do estudo, dentre as quais se destaca a impossibilidade de generalizacao, tendo-se em vista que a amostra utilizada foi de natureza nao probabilistica. Destaca-se, ainda, a restricao das variaveis abordadas, que nao incorporam todo o conjunto de fatores que interferem no processo de inovacao, bem como o rol de possibilidades quanto ao impacto final, ou resultados da inovacao.

Apesar dessas limitacoes, entende-se que o trabalho contribui sob o prisma academico ao encontrar, numa amostra composta por empresas com caracteristicas ativamente inovadoras, uma realidade distinta daquela verificada em amostras nao probabilisticas. Ou seja, empresas preocupadas com a questao da inovacao (caracteristica comum as participantes do Premio FINEP de Inovacao) apresentam comportamento similar, independente do setor em que atuam. Do ponto de vista pratico, os resultados podem, ainda, servir como balizadores a formuladores de politicas publicas de inovacao, que tem nas variaveis analisadas nesse estudo alguns de seus eixos de atuacao. @@@ Referencias

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(1)--Grazielli Faria Zimmer Santos *

Mestranda em Administracao pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Brasil.

graziellizimmer@hotmail.com

http://lattes.cnpq.br/6433129011521413

(2)--Micheline Gaia Hoffmann

Doutora em Engenharia de Producao pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil.

Professora do Programa de Pos-Graduacao em Administracao da Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGA/UDESC),

Brasil.

michelinegaia@gmail.com

http://lattes.cnpq.br/6118985845064021

(3)--Eduardo Janicsek Jara

Mestre em Ensino de Matematica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil.

Professor do Centro de Ciencias da Administracao e Socioeconomicas da Universidade do Estado de Santa Catarina

(ESAG/UDESC), Brasil.

eduardo.jara@udesc.br

http://lattes.cnpq.br/3474735852338163

(4)--Eliza Coral

Doutora em Engenharia de Producao pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil.

Coordenadora de Projetos na Fundacao CERTI, Brasil.

ecl@certi.org.br

http://lattes.cnpq.br/0385435430431335

Diego Maganhotto Coraiola--Editor Geral

Editor responsavel pela submissao: Emerson Antonio Maccari.

Artigo analisado via processo de revisao duplo cego (Double-blind).

Recebido em: 17/09/2013

Aprovado em: 07/02/2014

Ultima Alteracao: 05/02/2014 doi: 10.5329/RECADM.2014003

Caption: Figura 1. Grafico do qui-quadrado das Colaboracoes em P&D

Fonte: elaborado pelos autores.

Caption: Figura 2. Grafico do qui-quadrado da hipotese 02

Fonte: elaborado pelos autores.
Tabela 1: Setores analisados

Setor                                               Codigo    No de
                                                     CNAE    empresas

Agricultura, Pecuaria e servicos relacionados         1         12
Extracao de Minerais Metalicos                        7         1
Fabricacao de Produtos Alimenticios                   10        21
Fabricacao de Bebidas                                 11        4
Fabricacao de Produtos Texteis                        13        9
Confeccoes de Artigos do Vestuario e Acessorios       14        2
Fabricacao de Produtos de Madeira                     16        3
Fabricacao de Celulose, Papel e Produtos de Papel     17        2
Impressao e Reproducao de Gravacoes                   18        1
Fabricacao de Coque, de produtos                      19        4
  derivados do Petroleo e de Biocombustiveis
Fabricacao de Produtos Quimicos                       20        15
Fabricacao de Produtos Farmoquimicos e                21        15
  Farmaceuticos
Fabricacao de Produtos de Borracha e de               22        6
  Material Plastico
Fabricacao de Produtos de Minerais nao-metalicos      23        7
Metalurgia                                            24        14
Fabricacao de Equipamentos de                         26        25
  Informatica, Produtos Eletronicos e Opticos
Fabricacao de Maquinas, Aparelhos e Materiais         27        9
  Eletricos
Fabricacao de Maquinas e Equipamentos                 28        62
Fabricacao de Veiculos Automotores, Reboques e        29        4
Carrocerias
Fabricacao de outros Veiculos de Transporte,          30        3
  exceto Veiculos Automotores
Fabricacao de Moveis                                  31        8
Fabricacao de Produtos diversos                       32        5
Manutencao, Reparacao e Instalacao de Maquinas e      33        8
  Equipamentos
Eletricidade, Gas e outras utilidades                 35        8
Captacao, Tratamento e Distribuicao de Agua           36        1
Esgoto e Atividades relacionadas                      37        4
Coleta, Tratamento, Disposicao de Residuos e          38        3
Recuperacao de Materiais
Construcao de Edificios                               41        10
Servicos Especializados para Construcao               43        2
Comercio Varejista                                    47        1
Edicao e Edicao integrada a Impressao                 58        1
Atividades Cinematograficas, Producao de              59        3
  Videos e de Programas de Televisao,
  Gravacao de Som e Edicao de Musica
Telecomunicacoes                                      61        7
Atividades dos Servicos de Tecnologia da              62       117
  Informacao
Atividades de Prestacao de Servicos de Informacao     63        4
Atividades de Sedes de Empresas e de                  70        1
  Consultoria em Gestao Empresarial
Servicos de Arquitetura e Engenharia, Testes e        71        1
  Analises Tecnicas
Publicidade e Pesquisa de Mercado                     73        14
Outras Atividades Profissionais, Cientificas e        74        12
  Tecnicas
Agencias de Viagens, Operadores Turisticos e          79        1
  Servicos de Reservas
Administracao Publica, Defesa e Seguridade Social     84        1
Educacao                                              85        7
Atividades de Atencao a Saude Humana                  86        9

Nota. Fonte: elaborada pelos autores a partir da CNAE. Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatistica. (2010). Pesquisa de
inovacao tecnologica 2008. Recuperado em 25 julho, 2013, de
http://www.pintec.ibge.gov.br/downloads/PUBLICACAO/
Publicacao%20PINTEC%202008.pdf.

Tabela 2:
Resultado do qui-quadrado--hip. 01, etapa 02

                       Value      df   Asymp. Sig.
                                       (2-sided)

Pearson Chi-Square   13,883 (a)   8          ,085
Likelihood Ratio        14,064    8          ,080
N of Valid Cases           449

Nota.Fonte: elaborado pelos autores.

(a.) 1 cells (5,6%) have expected count less than 5. The minimum
expected count is 4,97.

Tabela 3:
Media simetrica--hip. 01, etapa 02

                                    Value   Approx. Sig.

Nominal by Nominal   Contingency     ,173           ,085
                     Coefficient
N of Valid Cases                      449

Nota. Fonte: elaborado pelos autores.

(a.) Correlation statistics are available for numeric data only.

Tabela 4:
Resultado do qui-quadrado--hip. 02, etapa 02

                                  Value      df   Asymp. Sig.
                                                   (2-sided)

Pearson Chi-Square              27,604 (a)   9          ,001
LikelihoodRatio                    27,850    9          ,001
Linear-by-Linear Association         ,004    1          ,950
N of Valid Cases                      449

Nota. Fonte: elaborado pelos autores.

(a.) 0 cells (,0%) have expected count less than 5. The minimum
expected count is 5,45.

Tabela 5:
Media simetrica--hip. 02, etapa 02

                                   Value   Approx. Sig.

Nominal by Nominal   Contingency    ,241           ,001
                     Coefficient
N of Valid Cases                     449

Nota. Fonte: elaborado pelos autores.
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Article Details
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Author:Santos, Grazielli Faria Zimmer; Hoffmann, Micheline Gaia; Jara, Eduardo Janicsek; Coral, Eliza
Publication:Revista Eletronica de Ciencia Administrativa
Article Type:Report
Date:Jan 1, 2014
Words:9131
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