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INCLUSIVE FASHION: PERCEPTION OF OBESE WOMEN RELATING BODY AND CLOTHING/MODA INCLUSIVA: PERCEPCAO DE MULHERES OBESAS EM RELACAO AO CORPO E AO VESTUARIO.

Introducao

Este artigo e fruto de uma pesquisa sobre moda, obesidade e processos de exclusao/inclusao social. As questoes orientadoras da respectiva pesquisa ligam-se a percepcao de mulheres obesas em relacao ao vestuario e a aquisicao de pecas de tamanhos maiores no mercado. Quais as principais dificuldades dessas mulheres quando buscam compor o seu vestuario? Como o mercado da moda pode ir ao encontro das expectativas dessas mulheres e, ao mesmo tempo, oferecer um vestuario que contribua para o seu conforto e bem-estar? Sabe-se, de antemao, da dificuldade de algumas mulheres em encontrar pecas fora do padrao corporal idealizado pela sociedade de consumo. Por causa disso, por meio do estudo e da pesquisa, este trabalho tem a intencao de contribuir com a reflexao sobre o tema e oferecer subsidios aos profissionais da moda que buscam atender a demanda deste publico, que hoje ja e quase metade da populacao brasileira.

Falar sobre o percurso metodologico desta pesquisa implica em demarcar o dialogo estabelecido entre os estudos relacionados a moda e os estudos sobre processos de exclusao/inclusao social na sociedade brasileira contemporanea. Nesse sentido, nao foi dificil chegar ao tema da obesidade, haja vista os discursos e praticas sociais que impoem as mulheres uma determinada construcao de corpo, na qual se vincula, tambem, a adesao a estilos de vestuario, modos de vestir-se e a incorporacao de determinadas tecnicas corporais (MAUSS, 2003). Assim como as mulheres, todos os sujeitos, de modo geral, deparam-se com uma ordem consentida em torno da gordura corporal, a partir da qual constroem um universo simbolico. Nao e preciso "interditar" a gordura, ela ja esta posta como um valor negativo nas relacoes sociais (MATTOS, PERFEITO, CARVALHO e RETONDAR, 2012).

As interlocutoras da pesquisa sao mulheres maiores de 18 anos, com IMC Indice de Massa Corporea--de 25 a 29,9, que indicam sobrepeso, e com IMC de 30 a 34,9, que representam a obesidade leve. (1) O grupo consiste em 8 mulheres que, no periodo, foram entrevistadas individualmente em local pre-estabelecido de acordo com a comodidade e a facilidade exigidas por cada uma delas. Assim, seis entrevistas foram realizadas pessoalmente, uma atraves de conversa de video pela internet e uma atraves de e-mail. Neste ultimo caso, as perguntas foram enviadas por escrito. As participantes tiveram o seu anonimato garantido e resguardados os preceitos eticos da pesquisa, ao assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, por meio do qual se garantiu a confidencialidade das informacoes obtidas e a preservacao das identidades de todas as participantes da pesquisa. As nossas interlocutoras sao apresentadas por codinomes de flores: Rosa, Orquidea, Margarida, Tulipa, Azaleia, Violeta, Dalia e Acacia. Sao mulheres de 22 a 35 anos, cuja altura varia entre 1 m e 60 cm a 1m e 70 cm, pesam de 75 kg. a 105 kg, o IMC varia de sobrepeso (3 interlocutoras) a obesidade I (5 interlocutoras). O grupo de interlocutoras faz parte da rede social das pesquisadoras e reside na regiao metropolitana da grande Porto Alegre. Apos o aceite do convite para a participacao na pesquisa, agendou-se horario e local de acordo com a disponibilidade de cada uma das interlocutoras.

Como procedimentos da pesquisa foram realizados contatos previos com as mulheres convidadas e, posteriormente, encontros para a coleta de dados. Desenvolveu-se um roteiro com perguntas abertas relativas a percepcao do corpo e do vestuario. A entrevista semiestruturada, em geral, seguia uma ordem prevista, no entanto, em alguns momentos houve interferencias a fim de se acrescentar perguntas que viessem a esclarecer algum aspecto relevante. Utilizou-se recurso de gravacao de audio para registro e posterior transcricao das entrevistas. A analise dos dados orientou-se pela tecnica de triangulacao, proposta por Minayo (2004), como estrategia de dialogo entre areas distintas do conhecimento, possibilitando o entrelacamento entre a teoria e a pratica e a integracao de varios pontos de vista, por meio do confronto entre o aparato conceitual da pesquisa e as visoes de mundo apresentadas pelos sujeitos da pesquisa.

O artigo estrutura-se do seguinte modo: em um primeiro momento traz reflexoes sobre o corpo feminino e a obesidade; a seguir, da visibilidade as percepcoes dessas mulheres sobre o corpo, o vestuario e a obesidade, por meio das suas narrativas, analisando-as a luz dos estudos sobre a moda e os processos de exclusao/ inclusao social.

A construcao do corpo feminino e as mulheres obesas

Apertados em espartilhos, com cinturas marcadas, soltos e livres, em suas mais diversas configuracoes, os corpos sempre sofreram modificacoes ao longo dos tempos. Se antes as proteses eram externas, atraves do uso de corpetes e acessorios que moldavam o corpo a forca, hoje existe tecnologia e conhecimento suficientes que permitem a utilizacao de proteses internas para a transformacao do corpo. Pode-se dizer que mudam os meios, mas os corpos continuam sendo construidos, esculpidos, modificados e transformados. Ao olhar para o corpo como um produto da cultura material, reifica-se o corpo, o mesmo e transformado em um objeto e passivel de ser projetado, construido, remodelado e esculpido (FORMIGA, 2003, p. 3).

Estudos das ciencias sociais mostram o interesse de homens e mulheres pelo seu proprio corpo, bem como os diferentes usos que esses sujeitos fazem dos seus corpos em diversas sociedades, ao longo do tempo. O corpo, enquanto entidade biologica, e o primeiro instrumento do homem, mas ele e, tambem, objeto da domesticacao exercida pela cultura, sendo por ela apropriado e manipulado; o corpo e uma "montagem fisio-psico-sociologica" (MAUSS, 2003). Para Foucault (2002), em qualquer sociedade, o corpo esta preso no interior de poderes muito apertados, submetido a limitacoes, proibicoes e obrigacoes. O corpo esta subjugado a poderes disciplinares que lhe impoem rigidez, controle e repressao. Nesse sentido, Vigarello (2012, p. 134) expoe sobre o processo simbolico em torno do corpo feminino, "o papel especifico de uma beleza feminina 'decorativa', assim como o igualmente especifico das sancoes que ela pode provocar, enfim a orientacao da aparencia feminina se direciona no sentido do acolhimento, do 'interior' e da 'ornamentacao' ".

Devido a fatores subjetivos que formam o ato de percepcao, homens e mulheres percebem seu corpo de modo diferente, atribuem significados simbolicos distintos, ainda que ambos tenham as mesmas percepcoes sensoriais. Esta diferenciacao, no entanto, tem uma base objetiva. As mulheres sao muito mais cobradas socialmente sobre sua aparencia fisica, enquanto a sociedade aceita e "naturaliza" corpos masculinos que se distanciem de quaisquer padroes de beleza masculino. No caso dos homens, nao se trata da falta de cuidado ou negligencia--que geralmente e imputada as mulheres--mas da falta de tempo em funcao da vida profissional; a beleza da imagem do homem esta atribuida as conquistas sociais e economicas e associada a virilidade, agressividade e expectativas sociais (NOVAES e VILHENA, 2003). Historicamente, houve uma oposicao entre os papeis masculinos e femininos; de um lado, o homem foi vinculado a representacoes de sexo forte, dominacao, esfera publica e poder; de outro lado, a mulher foi associada ao sexo fragil, a subordinacao, a esfera domestica/ privada e ao "poder de manipulacao" (BRUHNS, 1995). Os significados ai implicitos codificaram a definicao social da mulher ao longo da historia.

Segundo Novaes e Vilhena (2003, p. 11) "a imagem da mulher e do feminino continua associada a beleza, havendo cada vez menos tolerancia para os desvios nos padroes esteticos socialmente estabelecidos". Em diferentes momentos e diferentes sociedades houve modelos normativos de beleza, o que difere na atualidade e o tipo de controle exercido sobre as formas do corpo. Um dos modos de controle e a imposicao pelos discursos midiaticos de que ela pode ser bela se assim quiser, delegando a ela a grande responsabilidade de gerir esse corpo; se nao e bela, e por conta de um fracasso ou incapacidade individual. Se antigamente as mulheres ja se preocupavam com a beleza, hoje a sociedade impoe que elas sejam as responsaveis pela tarefa de "manterse bela"; ser bela e um dever social e ate moral (VILHENA, NOVAES e ROCHA, 2008).

A corporeidade feminina e ilustrada por um corpo idealizado nos discursos da midia, o qual se utiliza de elementos relacionados a juventude, ao vigor, potencializando a forca e a beleza mediante a adocao de um conjunto de tecnicas corporais (MAUSS, 2003) e estrategias que vao desde exercicios fisicos, dietas, cirurgias a estilos de vestuario (FONTES, 2009). Todo este arsenal de estrategias promete potencializar a atracao sexual do corpo feminino, dando-lhe um status adquirido atraves da jovialidade e da beleza e, consequentemente, criando a ilusao de felicidade e sucesso. A moda e uma das engrenagens que contribuem para colocar o corpo em evidencia, e por tras deste consumo ha "toda uma economia mobilizada para produzi-lo e mantelo: cosmeticos, medicacao, cirurgias corretivas, alimentacao, condicionamento fisico, spas, regimes, industria da moda etc." (MESQUITA e CASTILHO, 2011, p. 22). A midia encontrou no "corpo perfeito" o discurso ideal para a difusao de todo um mercado para alcanca-lo e mante-lo. Nesse sentido, a maioria das mulheres que nao se enquadra no perfil de beleza preconizado questiona arduamente a validade dos desfiles, editoriais de moda e campanhas publicitarias, pois esses favorecem um unico modelo de corpo (MATOS, SILVA, SILVA & CUNHA, 2008). Esse publico tem dificuldade de encontrar roupas que deveriam ser criadas para favorecer as especificidades do seu corpo que difere do tao difundido corpo esguio.

Desfavorecidas por este padrao de moda, as mulheres obesas acabam seguindo as formulas estereotipadas difundidas pelas campanhas publicitarias por medo de desvencilhar-se do padrao, afinal e mais conveniente seguir o que esta rigorosamente automatizado do que aventurar-se em algo desconhecido sem garantias (PRECIOSA, 2007). Como consequencia, o apelo a beleza e o culto a boa forma tornou-se praticamente um estilo de vida a ser seguido e um martirio para a maioria das mulheres. Conforme Calanca (2008, p.17), "O ato de vestir 'transforma' o corpo, e essa transformacao nao se refere a um unico significado, biologico ou fisiologico, mas a multiplos significados"--religioso, estetico, politico, sociologico, psicologico. A roupa e um fator importante na relacao do individuo com a sociedade.

Ao olhar de forma mais atenta a diversidade dos usuarios, percebe-se que a industria do vestuario atual se preocupa em satisfazer, em sua maioria, as expectativas de consumidores jovens, avidos por novidades e por corpos esbeltos. Expectativas essas que sao tanto individuais quanto sociais. Waizbort (2008, p. 09), parafraseando Simmel, lembra-nos do dualismo presente no universo da moda. Por um lado, moda e imitacao, isto e, responde aos anseios humanos de interacao e insercao em um grupo, oferecendo uma modalidade de identidade coletiva; por outro lado, moda e diferenciacao, "portanto, tanto liga como separa, aproxima como afasta, torna distinto o indistinto".

Heinrich (2009, p. 2) afirma que "e importante ressaltar que a grande maioria dos produtos de vestuario que sao disponibilizados no mercado se enquadra a determinados padroes corporais, dai a sensacao de desconforto que os demais consumidores enfrentam". Aqueles que possuem medidas diferenciadas e se afastam dos padroes esteticos vigentes, por exemplo, os obesos, sao excluidos da moda, encontrando dificuldades no momento de adquirir uma peca de roupa. As mulheres obesas tendem a sofrer discriminacao, tanto pelas discursividades vigentes que tem como padrao de beleza a magreza quanto no momento da busca por vestuario, pois a maioria das lojas nao oferece tamanhos maiores do que o 44 ou G, privando-as de se vestirem da forma como desejam, adequando-as ao que ha disponivel no mercado.

Percepcoes do corpo e do vestuario entre mulheres obesas

Jorge (2011) separa o ato perceptivo em dois componentes fundamentais: o primeiro, denominado objetivo, por meio do qual ha a captacao sensorial, estimulando as sensacoes; e o segundo, subjetivo, por meio do qual ha a integracao significativa, permitindo o conhecimento acerca do objeto captado. Perceber o mundo nao depende so das qualidades objetivas de um fenomeno captado pelo aparelho sensorial (visao, tato, audicao, olfato e paladar), pois a memoria, a emocao e o raciocinio tambem atuam como filtros, introduzindo outros elementos. Portanto, o ato perceptivo apresenta uma tensao entre os aspectos sensoriais e aqueles da ordem das emocoes, das representacoes sociais e dos significados.

Uma das primeiras perguntas que realizamos as nossas interlocutoras da pesquisa foi em relacao ao momento da compra, se elas costumavam encontrar aquilo que procuravam em termos de vestuario, especialmente se encontravam roupas adequadas aos seus corpos. As respostas foram unanimes e muito semelhantes, relatando grande insatisfacao em relacao a roupa disponivel no mercado para pessoas obesas. Paradoxalmente, no contexto dessa pesquisa, percebeu-se que o momento da compra tende a ser algo doloroso, oposto ao que a sociedade atual prega, de que o ato de consumir costuma ser um momento prazeroso. Barbosa (2004) expoe que o ato de comprar caracteriza-se pela busca de gratificacao, muitas vezes sobrepondo-se a satisfacao das necessidades. As narrativas das nossas interlocutoras apontaram para o inverso, para o sentimento de desconforto e frustracao na experiencia do consumo.

A interlocutora Orquidea relatou que sentia grande frustracao quando ia em busca de vestuario, pois projetava uma imagem das roupas que gostaria de adquirir, mas, no momento de vestir, elas nao assentavam em seu corpo: "[...] era dificil de tu achar alguma coisa que desse certo. Ai tu olhavas e tinha aquela imagem, tipo assim, vai dar ... E quando eu colocava nao fechava, nao dava, saia frustrada". Tulipa, quando questionada sobre a moda, respondeu que tinha interesse e a acompanhava, mas relatou: "Queremos usar a mesma coisa que o tamanho 38 e 36 usam, com a mesma modelagem, tudo igual, mas so que dai nao fazem". Ja, a interlocutora Acacia comentou que normalmente as blusas ficam apertadas no seu corpo, constrangendo-a na hora de provar: "ternos, casacos, eles sempre ficam mais curtos por questao do tamanho do seio e as vezes nem fecham. As jaquetas jeans, nenhuma fecha".

Seis mulheres responderam que roupas para a parte superior do corpo sao mais faceis de serem encontradas, sendo que metade das entrevistadas citou uma grande rede de lojas como principal local de compra; a calca foi apontada como a peca do vestuario mais dificil de ser encontrada com um bom caimento em relacao aos seus corpos, sendo que todas as entrevistadas foram unanimes nessa questao. Violeta conta ainda que: "muitas vezes, com calcas tenho experiencias traumaticas, pois muitas pecas nao servem, chegando a provar ate dez, doze calcas e nenhuma servir". Ainda neste contexto, Margarida expos que a sua experiencia na compra de roupas tambem e frustrante: "[...] ou fica grande na cintura, ou fica grande nao sei onde, nao se adaptam, nao e uma roupa que se encaixa certinho como em uma pessoa magra".

O vestuario deveria ser acessivel a todas as pessoas, permitindo a expressao da identidade e a liberdade para a adocao do estilo desejado (CRANE, 2006), mas percebe-se que para as mulheres com sobrepeso e obesidade isto nem sempre acaba se concretizando. A interlocutora Dalia reforcou esta questao ao dizer: "as vezes eu compro porque serviu, mas nao que fosse aquilo que eu procurava". Orquidea acrescentou: "[...] ate encontro roupas, mas sao todas iguais". Esses relatos, permeados por expressoes corporais de constrangimento durante a entrevista, reportam as pesquisadoras o entendimento de que as interlocutoras anseiam em fazer parte do universo de consumo da moda. Este anseio denota o desejo de se identificar e pertencer a um grupo de mulheres consideradas socialmente belas, assim como integrar-se ao universo feminino sem o constrangimento de nao se sentirem bem em funcao da vestimenta nao adaptada aos seus gostos e necessidades. As autoras Novaes e Vilhena (2003) corroboram com este entendimento quando expoem que as pessoas obesas se privam de comprar o que querem, tendo que se contentar com as roupas que elas conseguem vestir em seus corpos.

Ao contextualizar a falta de vestuario para mulheres acima do peso, e relevante acrescentar dados de uma pesquisa realizada por Medeiros e Cardoso (2010), por meio da qual foram analisadas 40 lojas de varejo de moda feminina do Barra Shopping Sul, situado na zona sul da cidade de Porto Alegre. As pesquisadoras verificaram que 60% das lojas trabalham com numeracao ate o tamanho 46; 27,5% comercializam ate o tamanho 48; 7,5% trabalham com o manequim 50; e apenas 5% possuem numeracao ate o tamanho 52. Este resultado confirma o numero escasso de opcoes disponiveis no mercado de vestuario para mulheres acima do peso, reforcando as respostas das interlocutoras, em que todas informaram ter dificuldade em encontrar roupas para suas numeracoes.

A partir das observacoes e possivel inferir que, alem da dificuldade de encontrar a numeracao adequada, ainda existe a questao da roupa nao apresentar um bom caimento, pois a moda e projetada para algumas numeracoes, como o tamanho 38. O bem vestir tem implicitas demandas tecnicas que ultrapassam a questao da numeracao em si, envolve um estudo do corpo e suas particularidades, algo que e abordado em poucas empresas de confeccao existentes no mercado, pois o corpo obeso possui formas diferenciadas em comparacao ao esbelto e esguio. Encontrar a numeracao adequada e dificil, mas encontrar uma roupa no tamanho e que assente bem ao corpo com sobrepeso e obesidade, e de maior complexidade ainda.

A cultura do consumo defende a liberdade de escolha individual, a insaciabilidade, o consumo como uma forma de comunicacao social, tendo o vestuario como um signo que carrega uma narrativa sobre o individuo que o ostenta. Conforme os relatos das entrevistadas, raramente isso se concretiza devido a indisponibilidade de roupas adequadas aos seus corpos. Nesse contexto, Valenca (2009) expoe que "somos o que a roupa nos permite ser". No caso das interlocutoras, pode-se perceber que esta relacao raramente acontece. Isso decorre em funcao da oferta que e escassa, permitindo-lhes poucas escolhas, ou seja, acabam em contentar-se com o que encontram disponivel no mercado e que sirva em seus corpos, sendo que muitas vezes este "servir" nao implica necessariamente em um bom caimento. Por essas e outras questoes, no que tange a adaptacao ao vestuario, cinco entrevistadas comentaram que acabam por optar em mandar fazer as suas roupas em costureiras, tornando assim possivel melhor escolha e vestibilidade ao seu corpo.

Outro fator relevante e que alem da falta de roupas adequadas, tres interlocutoras relataram sofrer discriminacao em lojas: "[...] eu evito entrar em lojas, exatamente por saber que nao vou encontrar, que nao vao me atender bem, eles te olham e nem te atendem as vezes" (Azaleia). Devido as experiencias negativas, no momento da procura e da compra do vestuario, algumas afirmaram que ja deixaram de frequentar eventos e de sair de casa por nao possuirem a vestimenta adequada. Ainda, considerando a relacao do vestir e o aspecto de participacao social, a interlocutora Tulipa, ao fazer o relato de suas experiencias, expressou grande insatisfacao e frustracao ao dizer que ja deixou de ir em lugares devido ao fato de nao encontrar vestuario adequado. Neste caso, apesar de ter vontade e condicoes de pagar pela roupa que deseja, nao encontra tamanhos apropriados. A interlocutora acrescentou que ja passou por experiencias as quais "a propria vendedora diz: 'olha, nao tem modelagem pra ti [...] muito triste, tu queres, tu podes ter, mas a loja, a marca em si, nao tem". Percebe-se entao que o estigma da obesidade pode ser manifestado dentro da propria loja, podendo ser um dos fatores que influencia na preferencia de algumas interlocutoras em confeccionar as suas roupas em costureiras ou procurar por lojas especializadas.

Outro aspecto de extrema relevancia na abordagem sobre obesidade e o estigma que tende a acompanhar o cotidiano e a vida social dessas pessoas. Isso se torna evidente ao analisar as falas das interlocutoras, pois em todos os relatos sempre e citada a comparacao em relacao a mulheres com corpos ditados como normais ou com um ideal de beleza difundido pela midia. As pessoas que vivem sob um estigma tendem a conviver com pessoas que partilham da mesma situacao, pois isso proporciona alivio e conforto:

[...] hoje em dia eu tenho uma preocupacao que eu me olho no espelho e me enxergo mais gorda do que eu sou, eu nao me sinto satisfeita com o que eu vejo. Interfere no convivio? Interfere, com certeza, porque hoje eu me sinto mais confortavel com as minhas amigas que tem sobrepeso, que pesam 100 kg. E eu quando estou com elas me sinto muito mais tranquila para sentar, conversar de assuntos que a gente divide, do mesmo meio, do que quando estou com pessoas magras. (Rosa)

Mais de metade das entrevistadas relatou insatisfacao com seu corpo e aparencia. Quando elas se comparam com pessoas magras demonstram se sentir desconfortaveis, inferiores ou diferentes. Portanto, pode-se perceber que o autojulgamento sobre o proprio corpo pode construir uma grande barreira na socializacao, pois ao nao se sentirem de acordo com o esperado, por nao possuirem o corpo desejado, podem acabar se auto excluindo. Em diversas falas pode-se constatar que as interlocutoras acreditam que frequentemente estao sendo julgadas pelas pessoas ao seu redor em funcao de seus corpos. Neste sentido, Spada (2009, pp. 60-61) explica que esta sensacao que a pessoa obesa sente nao e somente desgastante como imensamente sofrida: "[...] o nivel de perseguicao em que fica o individuo com obesidade e alto, pois sente que tem sempre alguem olhando, reparando e criticando o seu tamanho, culpando-o e rechacando-o por sua gordura".

A realidade vivenciada pelas mulheres obesas remete a condicao de exclusao social pelo vestir, ou seja, o fato de nao encontrarem a vestimenta adequada e que caia bem aos seus corpos as constrange e as limita em termos de convivio social. A interlocutora Azaleia, que e a entrevistada que possui o indice de IMC mais alto, comentou que ja deixou de sair e frequentar rodas de amigos devido ao vestuario, mas que hoje ja aceita melhor o seu corpo. Embora se perceba na fala da entrevistada que a barreira social diminuiu, ela afirma enfrentar o estigma da obesidade principalmente em festas e sente-se deslocada devido a vestir-se de forma diferente:

Eu nao deixo de ir nos lugares, mas me sinto bem mal. [...] as pessoas te olham torto, parece que tu 'ui, o que esta pessoa esta fazendo aqui? Ela nao pode sair! Ela nao pode se amar!'. Ate quando eu vou sair com minhas amigas eu me sinto destoada, pois eu nao uso roupa curta, e elas so usam isso. Estou destoando. (Azaleia)

No mesmo sentido, ao discutir o processo de exclusao/inclusao social pelo vestir, tres interlocutoras citaram o sofrimento pela discriminacao que as tem acompanhado desde a adolescencia e que isto implica em problemas de pertencimento, o que tende a induzi-las a reclusao e a tristeza. Um exemplo disso e a fala da interlocutora Rosa: "parecia que eu nao combinava com a minha familia". A interlocutora acrescentou que se vestia com roupas largas tentando esconder o corpo para ficar mais parecida com o restante da familia. Ja, a interlocutora Acacia citou: "ate o proprio uniforme da escola nao era nem adequado, ficava apertado ou ficava grande demais e isso tambem causava mal-estar".

A moda deve ser acessivel a todos os niveis e segmentos sociais, tanto no sentido de criar estilos que expressem multiplas identidades quanto possibilitar a adocao e a ressignificacao de estilos pelos mais diversos sujeitos. Corroborando com esta ideia, Grave (2010) aponta que a preocupacao deveria ser de nao segregar de forma alguma os diversos tipos de corpos existentes, mas de acolhe-los dentro de uma perspectiva de atendimento a sua qualidade de vida.

Em termos de concepcao de produtos de moda, e necessario considerar a diversidade no momento da criacao e do desenvolvimento de pecas de vestuario. O corpo obeso possui particularidades que precisam ser observadas e, alem disso, tambem e necessario acrescer as roupas com informacoes de moda atuais, senao o vestuario torna-se apenas um meio de sobrevivencia, o qual a pessoa o utiliza como protecao, nao para se comunicar e se expressar. A interlocutora Violeta, que trabalha no ramo do vestuario, comentou que "para que as pecas favorecam e colaborem esteticamente com a silhueta, e importante que se pense especificamente nos detalhes de volumes e ajustes, ressaltando a regiao mais bonita que deve ser valorizada, detalhe que e diferente para cada tipo de corpo". Ainda, na concepcao da entrevistada, na elaboracao de vestuario e necessario que as empresas de confeccao observem as particularidades do corpo feminino com sobrepeso e obesidade. Este corpo e constituido de diferencas relevantes quando comparado com o corpo modelo, normatizado como referencia de beleza atual. Para atender esta diversidade de forma satisfatoria, o vestuario precisa considerar tambem o corpo acima do peso, e nao tao somente o corpo idealizado, correspondente aos tamanhos 36 ou 38. Neste caso, vale trazer a discussao o principio maximo da ergonomia que e a adaptacao do produto, sistema e processo ao ser humano, e nao o contrario, que e o que acontece na moda, os corpos se adaptando ao vestuario.

Cada corpo e singular. Ate mesmo o vestuario elaborado para uma mulher que vista o tamanho 38 nao abrange de forma satisfatoria todas as usuarias desta numeracao. Isto se deve em funcao das peculiaridades de cada corpo, pois algumas tem mais quadril, outras mais busto e assim por diante. Portanto, em se tratando de numeracoes maiores, este fato se agrava. O Brasil ainda e incipiente quando se trata de estudos acerca das medidas do corpo feminino, portanto nao existe padronizacao de tamanhos. Confeccionar roupas adequadas a fim de atender pessoas acima do peso nao e algo simples para uma empresa de confeccao, mas com o crescente numero de mulheres com sobrepeso e obesidade no Brasil, e necessario voltar os olhos para este publico avido por participar da moda e lhes permitir a inclusao a partir do ato de vestir o corpo e, assim, proporcionar o sentimento de identidade e pertencimento.

Percebeu-se ao longo das entrevistas que, a partir de experiencias perceptivas, sao formadas referencias subjetivas que constroem a imagem corporal de cada individuo. Esta autoimagem, munida com a constante comparacao e sentimentos de inferioridade, por nao se sentir de acordo com os padroes corporais, pode induzir a estados de tristeza, baixa autoestima e ate de reclusao social. Alem da propria percepcao e julgamento, as pessoas acima do peso ainda enfrentam o olhar da sociedade. Isso se configurou ao longo da pesquisa de campo, sendo que os relatos das interlocutoras foram permeados por experiencias de preconceito, discriminacao e intolerancia a obesidade. Isso foi constatado nao somente pelas verbalizacoes das entrevistadas, mas tambem pelas expressoes corporais durante as entrevistas, pois em muitos momentos foram percebidos gestos e olhares que expressavam a vontade de esconder o corpo e o sentimento de vergonha dele.

A insatisfacao com o proprio corpo e a discriminacao presente na sociedade prejudicam o convivio social e geram sentimentos de infelicidade. "A exclusao social do obeso pressupoe tambem uma ausencia de poder que traz embutida uma impossibilidade de exercitar sua cidadania. O obeso esta tao acostumado a abrir mao dos prazeres que acaba abrindo mao tambem de seus direitos" (FREIRE, 2005, p. 1).

Sabe-se que a esfera visual e a primeira a se apresentar durante a socializacao e que a vestimenta se enquadra neste dominio. Portanto, alem da funcao de proteger o corpo, a roupa tambem tem implicita a competencia de expressar opinioes, gostos, crencas e assim por diante, de quem a veste, dando a possibilidade ao individuo de misturar-se a um grupo ao vestir-se de forma homogenea ou de diferenciar-se perante os demais. Em termos de oferta e procura de vestimenta para obesos, alem do numero reduzido de oferta, ainda ha o agravante de poucas roupas conterem informacao de moda, bom caimento e conforto. Portanto, as mulheres que possuem o corpo acima do peso, alem da frustracao ao sentirem-se traidas pelo proprio corpo, da discriminacao e atributos pejorativos que a sociedade lhes atribui, ainda enfrentam a realidade de nao se sentirem incluidas no mercado da moda.

Segundo Martins (2008), a exclusao social e caracteristica das sociedades contemporaneas, as quais vem rapidamente transformando os seres humanos em descartaveis, reduzindo-os a condicao de "coisa". Porem, o autor defende que nao ha exclusoes consumadas, definitivas e irreversiveis. Por isso e que se pode pensar em processo de exclusao/inclusao. Para Sassaki, (2003), a inclusao social e um processo bilateral, no qual a sociedade e as pessoas excluidas buscam por solucoes para equiparacao de oportunidades para todos. Os principais principios da inclusao citados pelo autor sao: celebracao das diferencas, direito de pertencer, valorizacao da diversidade humana, igual importancia das minorias e cidadania com qualidade de vida.

Nao conseguir estar incluida esteticamente, considerando que os padroes ideais sempre estao em alteracao, define a busca interminavel por um corpo perfeito. Constata-se isso ao observar-se as estatisticas, cada vez maiores, da quantidade de cirurgias esteticas realizadas anualmente; uma busca interminavel por um corpo que nunca estara perfeito, pois sempre se buscara maneiras de deixa-lo ainda "melhor", este e o descontentamento que move grande parte das mulheres brasileiras.

Consideracoes finais

Ao investigar os processos de exclusao pelo vestir, pode-se afirmar que corpo e vestuario andam lado a lado, ao longo da historia, e em tempos e espacos diversos ha estereotipos normativos de beleza, vestimenta e conduta. Nas sociedades ocidentais contemporaneas, cultua-se o corpo magro e jovem. As mulheres que nao estao de acordo com este padrao de beleza, imposto pela cultura do consumo, assimilam certo "fracasso pessoal", por vezes, incorporando visoes depreciativas acerca do seu proprio corpo. Nesse caso, a nao correspondencia ao padrao exigido tende a ser visto como sendo unica e exclusivamente sua culpa e desleixo. Portanto, as mulheres com sobrepeso e obesidade tendem a ser marginalizadas em meio a este cenario.

Por fim, e possivel inferir que ha uma insatisfacao por parte da maioria das mulheres obesas em relacao ao vestuario que ha disponivel no mercado, ja que as empresas de confeccao focam em atender publicos com corpos mais proximos do considerado ideal pela midia. Neste sentido, a roupa tende a afetar o convivio social, a autoestima, a aceitacao do eu e o sentir-se aceito e integrado na sociedade. O culto ao corpo perfeito, esguio e em sintonia com o que e oferecido pela moda e uma condicao imposta de forma mais contundente as mulheres.

O problema norteador da pesquisa--qual a percepcao das mulheres com obesidade e sobrepeso em relacao ao vestuario e a implicacao deste na exclusao/ inclusao social?--foi respondido ao constatar-se que as interlocutoras se sentem excluidas pelo universo da moda em funcao de destoarem do padrao fisico cultuado pela midia e terem dificuldade em encontrar vestuario adequado aos seus corpos. Verifica-se que esta nao correspondencia aos padroes corporais esteticos causa grande frustracao e agrava-se pela falta de vestimenta.

Referencias

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(1) O padrao internacional existente atualmente para o calculo do sobrepeso e obesidade e o Indice de Massa Corporea (IMC). O peso da pessoa (em kg) e dividido pela sua altura ao quadrado. IMC = peso (kg)/ altura (2) (m). Classificacao IMC: abaixo do peso, IMC abaixo de 18,5; peso normal, IMC de 18,5 a 24,9; sobrepeso, IMC de 25,0 a 29,9; obesidade leve, IMC de 30,0 a 34,9; obesidade moderada, IMC de 35,0 a 39,9; obesidade morbida, IMC 40 para mais (STURMER, 2001, p.19).

Bruna Pacheco Universidade FEEVALE. Email: brunapacheco@feevale.br

Jacinta S. Renner Universidade FEEVALE. Email: jacinta@feevale.br

Margarete F. Nunes Universidade FEEVALE. Email: marga.nunes@feevale.br

Ana L. C. Rocha Universidade FEEVALE. Email: analuiza2@feevale.br
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Author:Pacheco, Bruna; Renner, Jacinta S.; Nunes, Margarete F.; Rocha, Ana L.C.
Publication:Revista Artemis
Date:Jan 1, 2019
Words:5822
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