Printer Friendly

Hydrologic regime of the Ivinhema river (Mato Grosso do Sul, State) and its influence on zoobenthic assemblage/O regime hidrologico do rio Ivinhema (Estado do Mato Grosso do Sul) e sua influencia na assembleia zoobentonica.

Introducao

Planicies de inundacao sao macrossistemas fluviais (NEIFF, 1990) de grande complexidade funcional e estrutural e elevada diversidade (NEIFF, 2001; WARD et al., 2002), sendo consideradas ecossistemas altamente produtivos (THOMAZ et al., 2003).

O funcionamento das planicies de inundacao e governado pelo pulso hidrossedimentologico (JUNK et al., 1989; NEIFF, 1990). O gradiente dos atributos do pulso hidrossedimentologico, f FITRAS (frequencia, intensidade, tensao, recorrencia, amplitude e tensao) (NEIFF, 1990, 2001), e considerado a principal funcao de forca que regula a estrutura das assembleias biologicas nestes macrosistemas (JUNK et al., 1989; NEIFF, 1990, 2001). Nesse sentido, os pulsos influenciam as mudancas espaciais e temporais dos fatores fisicos e quimicos das aguas dos rios, lagoas e canais (THOMAZ et al., 2004), afetando a estrutura das assembleias biologicas residentes, entre elas a assembleia bentonica (BECHARA, 1996). Em grande parte, o efeito dos pulsos e sua intensidade estao em funcao da conectividade de cada ambiente (WARD et al., 2002). Assim, e possivel observar zonacao transversal dos fatores abioticos e na assembleia zoobentica, com a presenca gradual do aumento da sua complexidade (densidade, riqueza e nichos troficos) desde o canal principal do rio para os canais secundarios a lagoas (MARCHESE et al., 2002). O referido gradiente espacial e determinado, principalmente, pelo tipo de substrato, vazao do rio, alimento disponivel, estado de modificacao do ambiente terrestre e o pulso hidrossedimentologico (TAKEDA; FUJITA, 2004).

O presente trabalho teve como objetivos caracterizar o regime hidrologico do rio Ivinhema e analisar as variacoes espaciais e temporais das variaveis limnologicas e da assembleia zoobentonica (densidade total de organismos e estrutura da assembleia), em diferentes ambientes da varzea do rio Ivinhema, relacionando-as entre si e com o regime hidrologico, visando contribuir para melhor entendimento das planicies de inundacao.

Material e metodos

Descricao da area de estudo.

O rio Ivinhema situa-se na regiao Sudeste do Estado de Mato Grosso do Sul, percorrendo-o no sentido Noroeste-sudeste. No trecho estudado, denominado de baixo Ivinhema, o rio sofre inflexao de 90[degrees]C ao atingir os depositos da planicie de inundacao do rio Parana, passando a correr paralelamente a sua calha fluvial, em sentido preferencial Nordeste--Sul - Oeste. Neste tramo, o rio Ivinhema inunda tanto as lagoas e planicie de sua margem esquerda (unidade rio Parana), como as da margem direita constituida por depositos de planicie e terraco baixo (unidades rio Parana e Fazenda Boa vista) (SOUZA-FILHO; STEVAUX, 2004). O rio Ivinhema liga-se ao rio Parana por tres canais (Ipoita, Ivinheminha e Boca do Ivinhema) e ao rio Baia, outro afluente do Parana, atraves do canal Curutuba. Esta regiao esta incluida no Parque Estadual das Varzeas do rio Ivinhema e da Area de Protecao Ambiental das Ilhas e varzeas do rio Parana, sendo ademais considerada no Sitio 6 do Programa Nacional de Pesquisas Ecologicas de Longa Duracao (PELD-6).

Locais de amostragem

Para o presente estudo, foram selecionados (Figura 1): 1) o canal principal do rio (22[degrees]47'59,64"S; 53[degrees]32' 21,3'W) com profundidade media de 3,9 m, que apresenta vegetacao diferenciada em suas margens que vai desde vegetacao herbacea ate a formacao de extensas areas com mata riparia em diferentes estagios de regeneracao; 2) o canal Ipoita (22[degrees]50' 7,56"S; 53[degrees]33' 43,5"W), que liga o rio Ivinhema ao rio Parana, de curso sinuoso e com profundidade media de 3,2 m, suas margens sao compostas de vegetacao arbustiva-arborea, destacando-se a embauva (Cecropia pachystachya); 3) a lagoa dos Patos (22[degrees]49'33,66"S; 53[degrees]33"9,9"W), localizada a margem esquerda do rio Ivinhema, mantem conexao direta com este atraves de um canal sinuoso de 8 m de largura. Apresenta uma forma de "luva", com entradas que constituem pequenas baias e com profundidade media de 3,50 m. Sua area e de aproximadamente 113,8 ha, com comprimento de 2.065,6 m e perimetro de 14.783,8 m.

[FIGURE 1 OMITTED]

Distancia-se do rio Ivinhema por 10 m, com um dique com apenas 0,5 m de altura. A totalidade da margem e composta por Polygnum. Morfogeneticamente e uma lagoa concatenada ou de anexacao a 4) lagoa Ventura (22[degrees]51' 23,7"S; 53[degrees]36' 1,02"W), de forma alongada com profundidade media de 2,16 m, comprimento de 2.084,82 m, perimetro de 4.697,30 m e area de 89,8 ha e nao tem conexao direta com o rio Ivinhema, do qual dista aproximadamente 200 m, e e separada por um dique marginal de 3 m de altura. A margem e composta por mata em uma das margens (5%) e gramineas (95%), na outra. Morfogeneticamente e uma lagoa originada dos paleocanais que faz parte da bacia de inundacao da planicie do rio Parana.

Hidrologia e conectividade

O rio Ivinhema apresenta um regime hidrologico de carater geralmente bimodal, com cheias nos meses de dezembro/marco e agosto/setembro. Nao obstante, este ultimo periodo de cheia pode estar ausente ou nao atingir os niveis do primeiro (SOUZA-FILHO et al., 2004a). Acima do nivel de 2,0 m no hidrometro de Porto Sumeca, o rio Ivinhema comeca a influenciar as aguas dos ambientes com comunicacao (lagoas abertas) e com 2,5-2,75 m inunda as lagoas sem comunicacao. Quando o nivel atinge 4,0 m, a varzea alaga-se totalmente, ocorrendo trocas de materiais entre a varzea e os canais do sistema. As cheias na regiao do baixo curso do rio Ivinhema tambem recebem influencia do regime hidrologico do rio Parana. Assim, quando as aguas deste rio atingem o nivel de 4,6 m no hidrometro de Porto Sao Jose, inicia-se o afogamento do rio Ivinhema e das lagoas de varzea com maior conectividade a este. A 6,1 m, inicia-se o alagamento da planicie e a 7,0 m se alcanca o nivel de margens plenas naturais, observando-se fluxos ativos sobre a planicie, barrando o rio Ivinhema na confluencia do canal Curutuba (SOUZA-FILHO et al., 2004a). Este fato acontecia com a periodicidade de 5,6 anos (SOUZA-FILHO et al., 2004a), mas apos o fechamento da barragem de Porto Primavera no rio Parana, este evento e cada vez mais raro (SOUZA-FILHO et al., 2004b).

Desta forma, as cheias nos ambientes de varzea da margem esquerda do rio Ivinhema podem acontecer tanto pela acao individual do rio Parana ou rio Ivinhema (40 e 28% dos casos, respectivamente), como pela acao combinada de ambos os rios (30% dos casos) (SOUZA-FILHO et al., 2004). Por este motivo, a analise do regime de potamofase e limnofase deve considerar a informacao hidrologica tanto do rio Ivinhema como do rio Parana.

Metodo de coleta

As coletas foram realizadas, trimestralmente, de fevereiro a novembro de 2002 em quatro ambientes, utilizando-se um pegador tipo Petersen modificado (0,0189 [m.sup.2] de area). Em cada ponto de amostragem (centro, margens direita e esquerda), foram coletadas tres amostras para o estudo biologico e uma para a analise sedimentologica. O material (sedimento com animais) foi lavado em uma serie de peneiras de malhas: 2,0; 1,0 e 0,2 mm. Os organismos retidos nas duas primeiras peneiras foram retirados imediatamente e fixados em alcool a 70%. O sedimento retido na ultima peneira foi tambem fixado em alcool 70%, levado para o laboratorio e triado sob microscopio estereoscopico. Os especimes encontrados foram identificados ate diferentes niveis taxonomicos (Anexo 1). Para a analise granulometrica e teor de materia organica, as amostras foram armazenadas a - 18[degrees]C em freezer e, posteriormente, secas em estufa a temperatura de 80[degrees]C. A composicao granulometrica foi determinada de acordo com a escala de Wentworth (1922). A partir de uma amostra de 10 g de sedimento, determinou-se teor de materia organica por meio de incineracao em mufla a 560[degrees]C, por aproximadamente 4h. Os dados fisico-quimicos da agua (temperatura da agua, oxigenio dissolvido, pH, transparencia e condutividade) foram fornecidos pela equipe do Laboratorio de Limnologia do Nucleo de Pesquisas em Limnologia Ictiologia e Aquicultura - Nupelia da Universidade Estadual de Maringa. Os dados hidrometricos da estacao de Porto Sumeca (rio Ivinhema) e Porto Sao Jose (rio Parana) foram disponibilizados por Itaipu Binacional.

Analise de dados

Considerando que a acao do regime hidrologico sobre as assembleias biologicas e sequencial acumulativa, foram analisados os dados hidrometricos dos anos hidrologicos 2001-2002 (novembro-outubro 2000-2001 e 2001-2002, respectivamente) mediante os atributos da f FITRAS (NEIFF, 1990) (Figura 2), obtidos com o programa PULSO (NEIFF; NEIFF, 2003).

O indice de elasticidade proposto por Neiff (2001) foi modificado para obter a componente vertical da elasticidade (intensidade potamofase/intensidade de limnofase) que mede o quanto a "lamina de agua" da planicie oscilou verticalmente. Tambem foi considerado o indice de conectividade fluvial (Amplitude potamofase/Amplitude limnofase) (NEIFF; POI DE NEIFF, 2003) que mede o quanto foi intensa a conectividade no periodo considerado. Adicionalmente, foi calculado o coeficiente de variabilidade anual (C.V.) das medias de cota e a media anual dos C.V. dos registros diarios (7, 12, 19 e 24h). Foi considerado, como nivel limite entre potamofase e limnofase, a cota de 2,0 m no rio Ivinhema (SOUZA-FILHO et al., 2004a); no entanto os niveis de 2,5 e 4,0 m. sao apresentados graficamente (Figura 3). No caso do rio Parana, avaliou-se a ocorrencia do nivel de 4,6 m, o qual influencia os ambientes em estudo.

[FIGURE 2 OMITTED]

[FIGURE 3 OMITTED]

Os dados fisicos, quimicos, granulometricos e o teor de materia organica foram analisados com Analise de Componentes Principais (PCA). Como os escores dos eixos significativos, selecionados, segundo o criterio de Broken-Stick (JACKSON, 1995), nao atingiram o pressuposto de homocedasticidade, foi realizada uma analise de variancia (ANOVA) unifatorial nao-parametrica de modelos nulos, considerando estacoes e meses como fatores de variabilidade. O programa Multivminor 2.6 (PILLAR, 2006) transformou os valores dos escores obtidos para cada grupo de unidades amostrais por meio de uma medida de distancia (distancia Euclidiana). Sobre essa matriz, foi aplicada a analise de variancia de modelos nulos (5.000 randomizacoes). Para determinar as estacoes e os meses significativamente diferentes para cada sistema estudado foi considerado o teste de Scheffe de comparacoes multiplas. A densidade total de organismos e a estrutura da assembleia, representada pelos eixos significativos ([lambda] > 0,20; JOHNSON, 1998) de uma analise de correspondencias (CA) tambem foram analisadas. Na CA, foram selecionados os taxons com mais de uma ocorrencia sendo confeccionada uma matriz de presenca-ausencia. Escolheu-se este procedimento porque, diferente de outras tecnicas de ordenacao, nao e afetada por dados de nao-ocorrencia (zero) (GAUCH, 1982). Diferencas significativas na densidade total de organismos ([Log.sub.10+1]) foram testadas com analise de variancia (ANOVA) fatorial, considerando os ambientes e os meses de coleta como fatores. Posteriormente, foi realizado o teste de Tukey de comparacoes multiplas, visando identificar os ambientes e meses de coleta significativamente diferentes (p < 0,05). No caso dos eixos significativos da CA, foi realizado o mesmo procedimento utilizado para os dados limnologicos, por nao atender aos pressupostos de homocedasticidade. Para avaliar a relacao entre as variaveis ambientais e a assembleia de invertebrados bentonicos, foi realizada uma analise Procrust de randomizacao com os escores dos eixos significativos da PCA e CA (Protest, JACKSON, 1995). O teste compara as matrizes usando um algoritmo rotacional de ajuste que minimiza a soma dos quadrados dos residuos entre as duas matrizes. Os residuos entre os valores originais e a melhor solucao encontrada sao calculados para cada observacao, identificando os pontos discordantes. O resultante [m.sup.2] descreve o grau de concordancia entre as duas matrizes. Para testar a significancia de [m.sup.2] foi realizado um teste nao-parametrico com 10.000 randomizacoes.

Resultados

O sistema rio Ivinhema foi caracterizado por um regime de potamofases bimodal com intensidades moderadas e grandes amplitudes. Assim, em 2001, registrou-se um longo periodo de potamofases de janeiro-abril com intensidade e amplitude maximas de 3,85 m e 68 dias e pequenos eventos de potamofase em junho (media de 2,22 m e sete dias) e setembro (2,59 m e 15 dias), para retomar as suas maiores intensidades e amplitudes em novembro-janeiro de 2002 (62 dias e 4,78 m) (Figura 3A). O ano hidrologico de 2002 comecou com ampla potamofase iniciada em 11/11/2001, estendendo ate o mes de marco, com intensidades e amplitudes maximas em fevereiro-marco (3,18 m e 25 dias).

Em 2002, semelhante com o que foi observado em 2001, houve bimodalidade com pequenos pulsos entre a ultima quinzena de maio e junho (Figura 3A). As maiores intensidades e amplitudes (Tabela 1) foram observadas em marco-abril (3,85 m e 68 dias) e fevereiro-marco (5,32 me27 dias), respectivamente para 2001 e 2002. No total, o sistema permaneceu em potamofase 184 dias (janeiro-junho e novembro-dezembro) em 2001 e 67 dias (janeiro-marco, maiojunho e dezembro), em 2002, enquanto que as limnofases tiveram amplitude de 181 dias e 298 dias, respectivamente. As intensidades maximas de potamofase foram 4,83 e 3,18 m e as de limnofase 1,06 e 0,92 m para cada um dos anos considerados.

No referente ao numero de pulsos completos (potamofase + limnofase), foram observados oito em 2001 e seis em 2002. A amplitude media de potamofases foi de 20,3 dias em 2001 e 11 dias em 2002; no caso das limnofases, a amplitude media foi de 22,65 e 49,66 dias, respectivamente. O indice de elasticidade variou entre 4,5 em 2001 e 3,18 em 2002 e o indice de conectividade fluvial entre 1,01 e 0,22. O C.V. das medias de cota foi 35,4 (2001) e 31,8% (2002) tanto que a media do C.V. dos registros diarios foi 0,7% para ambos os anos (Tabela 1). O nivel de conectividade entre os rios Parana e Ivinhema (4,6 m) foi atingido por somente nove dias em fevereiro de 2002, tempo considerado insuficiente para modificar o padrao imposto pelo rio Ivinhema (Figura 3B).

A respeito da analise dos fatores limnologicos, os dois primeiros eixos da PCA foram significativos, acumulando 46,1% da variabilidade total. As variaveis que apresentaram maior correlacao com o eixo 1 foram granulos, areia media, areia grossa e areia fina. No eixo 2, as variaveis que mais contribuiram para variabilidade foram pH, oxigenio dissolvido, porcentagem de saturacao, areia muito fina e lama. Independencia entre os ambientes foi observada em relacao as variaveis retidas no eixo 1 (Qb = 82,233, p(Qb null > = Qb = 0,0002, Scheffe, p < 0,05) e similares no eixo 2 (Figura 4A). Quanto ao fator meses, somente o eixo 2 foi significativo (Qb = 52,288, p(Qb null > = Qb = 0,0002), apresentando diferencas entre fevereiro (potamofase) e os outros meses considerados (Scheffe, p < 0,05) (Figura 4B).

[FIGURE 4 OMITTED]

Foram encontrados 5.338 individuos pertencentes a 37 taxons (Anexo 1), com maiores densidades registrados para Nematoda, Corbiculidae, Oligochaeta, Prostigmata, Ostracoda e Chironomidae (Figuras 5A e B), sendo este ultimo o grupo dominante. As larvas de Chironomidae foram mais abundantes na lagoa Ventura e no canal Ipoita (Figura 5B). Nos outros ambientes, a representatividade de cada taxon seguiu um padrao diferenciado para cada um deles (Figura 5A). De modo geral, as densidades de todos os organismos aumentaram depois do periodo de potamofase, diminuindo em novembro (Figuras 5C e D).

[FIGURE 5 OMITTED]

A densidade total de organismos teve as menores densidades (F (3,30) = 16,976 p < 0,01, Tukey, p < 0,01 em todos os casos) em fevereiro (potamofase) (Figura 6A) mas nao evidenciou variacao estatisticamente significativa entre os ambientes (p > 0,05) (Figura 6B). Na CA, os eixos 1,2e3 foram significativos ([lambda] > 0,20), e o fator meses nao teve diferencas entre seus niveis (Figura 6C) e somente o eixo 1 evidenciou diferencas estatisticas entre os ambientes (Qb = 47492, p(Qb null > = Qb = 0,024)), sendo o rio Ivinhema o grupo divergente (Sheffe, p < 0,05) (Figura 6D). A correlacao escore das variaveis fisicas e quimicas e da estrutura da comunidade selecionados nos dois primeiros eixos de PCA e CA nao foi significativa (SQR = 1,680; [m.sup.2] = 0,9616; p = 0,2986).

Discussao

Em macrossistemas fluviais, os pulsos hidrossedimentologicos agem como fator de disturbio, removendo os organismos e disponibilizando novos espacos e recursos (HILDREW; GILLER, 1994; MALMQVIST, 2002; LEPORI; HJERDT, 2006). A intensidade do disturbio esta em funcao da frequencia, intensidade, tensao, regularidade, amplitude e sazonalidade dos "pulsos" f FITRAS) (NEIFF, 2001), da conectividade (PRINGLE, 2003) e, em geral, da dinamica fluvial (WARD et al., 2002). A interacao destes atributos, bem como a alternancia entre potamofase e limnofase, determina diversos efeitos sobre a estrutura da assembleia de invertebrados bentonicos (POFF; WARD, 1989; NEIFF, 2001; EZCURRA et al., 2007) e sobre os ecossistemas da planicie de inundacao, conferindo-lhes alta diversidade espacial e temporal (AMOROS; BORNETTE, 2002).

No caso do sistema do rio Ivinhema, a analise do regime hidrologico revelou caracteristicas marcadamente particulares. Neste caso, deve-se considerar que este sistema possui grande numero de lagoas com comunicacao em sua varzea. Deste modo, o "umbral de estimulacion" (NEIFF, 1990) dos organismos destes ambientes, ou seja, a sua resposta a potamofase inicia-se com o fluxo na direcao riolagoa a 2,0 m no hidrometro de Porto Sumeca (SOUZA-FILHO et al., 2004a), sendo caracteristico deste sistema que a varzea comece o seu alagamento com o incremento da area das lagoas com comunicacao e nao por transbordamento de dique marginal. Este alagamento e facilitado pelo fato da maioria das lagoas da margem esquerda ser anexada, ou concatenada, e a existencia de numerosos paleocanais de ligacao.

[FIGURE 6 OMITTED]

As lagoas da margem direita tem dinamica mais complexa ligada a tributarios, mas nao sera abordada por nao serem consideradas no presente estudo. Assim, grandes intensidades e amplitude de potamofases foram observadas no ano de 2001 (maiores de 4,0 m), no entanto, em 2002, as amplitudes, as intensidades e o numero de pulsos completos foram menores. Os indices de conectividade fluvial e de elasticidade refletiram bem as diferencas entre os dois anos, mostrando-se uteis e complementares.

As altas amplitudes e intensidades de potamofases observadas parecem conferir ao sistema rio Ivinhema grande homogeneidade espacial nas suas caracteristicas limnologicas. Deste modo, ainda que sejam observadas diferencas nas caracteristicas fisicas e quimicas dos ambientes, estas sao mais relacionadas as caracteristicas do sedimento, que e um indicador menos efemero, do que as variaveis relacionadas a qualidade de agua e que respondem fundamentalmente a condicao de fluxo, conectividade e a processos locais de formacao e evolucao de cada ambiente (PAIRA; DRAGO, 2006). O incremento dos valores de pH e a diminuicao de oxigenio no periodo mais intenso da potamofase (fevereiro-marco) foi provavelmente, consequencia da entrada das aguas do rio Ivinhema, aumento da area das lagoas e modificacao dos limites da chamada ATTZ (area de transicao aquaticoterrestre, JUNK et al., 1989), com consequente e posterior processo de decomposicao de materia organica. Sobre este evento, em particular, Thomaz et al. (2003) mencionam a liberacao de N-amoniacal e queda dos valores de oxigenio dissolvido como um padrao generalizado em rios de planicies da America do Sul.

Espacialmente, a assembleia zoobentica tambem esteve distribuida homogeneamente. Assim, a densidade total de organismos nao apresentou diferencas significativas entre os ambientes. Este padrao e diferente ao observado no rio Parana (TAKEDA et al., 1997) e em outros rios da America do Sul onde sao observados grandes diferencas na densidade entre os diferentes ambientes da planicie (DRAGO et al., 2003; EZCURRA et al., 2004). As larvas de Chironomidae formaram o grupo mais abundante, porem sua importancia relativa na densidade total foi menor do que e, geralmente, observada no rio Parana (HIGUTI, 2004). As densidades deste grupo foram maiores em ambientes lenticos ou de fluxo moderado, como na lagoa Ventura e no canal Ipoita como reportado por Rosin e Takeda (2007) e Rosin et al. (2010). Este padrao e diferente ao observado no sistema Parana onde as maiores densidades deste taxon estao na calha principal (HIGUTI, 2004; TAKEDA; FUJITA, 2004). No caso da estrutura da assembleia (CA), esta mostrou que a fauna bentonica do rio Ivinhema e dissimilar a das lagoas. Isto se deve, provavelmente, pela presenca conspicua de macrofitas aquaticas nas lagoas, que incrementa a contribuicao de Cladocera e Ostracoda (LANSAC-TOHA et al., 2003), para contribuir decididamente a densidade total de organismos e a riqueza destes ambientes. Esta homogeneidade espacial pode estar relacionada, como no caso das variaveis fisicas e quimicas, a grande conectividade entre os ambientes como consequencia dos altos valores da f FITRAS nos anos 2001-2002.

A respeito da variacao temporal, as maiores diferencas foram observadas na densidade, cujos menores valores foram registrados em fevereiro (potamofase). Pelo regime hidrologico do rio Ivinhema ser bimodal, observou-se nova diminuicao da densidade, no mes de novembro de 2002, como resposta a potamofase deste mes. Chironomidae teve alta influencia sobre o padrao de variacao da densidade total de organismos, observando-se certa dinamica diferente deste grupo com Nematoda e Corbiculidae, os quais embora tambem tenham densidades baixas na potamofase (fevereiro), aumentam suas densidades progressivamente atingindo seu maximo em novembro (segundo periodo de potamofase), no entanto Chironomidae diminuiu sua densidade neste mes. A baixa correlacao entre os fatores abioticos e bioticos indica uma estrutura complexa e que a uniformidade temporal do sistema Ivinhema, foi pela alta conectividade entre seus ambientes, embora cada um deles possa ser considerado unico em relacao a assembleia bentica.

As principais variacoes no componente biotico e abiotico estiveram relacionadas a alternancia de potamofases,de grandes amplitudes e intensidades e limnofases, observando-se grande conectividade e elasticidade. Estas condicoes promovem a homogeneizacao em macrossistemas fluviais incrementando a similaridade nas comunidades e variaveis limnologicas (THOMAZ et al., 2007). Este padrao geral observou-se em certa medida no sistema Ivinhema. No entanto, aspectos derivados da geomorfologia (tipo de ambiente, granulometria, presenca de macrofitas) conferem singularidade a comunidade bentonica e variaveis fisicas e quimicas. Assim o efeito do regime de pulsos manifestou-se principalmente no tempo (fases) e em menor medida no espaco (ambientes).

Conclusao

A analise da estrutura da assembleia (CA) demonstrou que a assembleia bentonica do rio Ivinhema e dissimilar a das lagoas. A relacao entre PCA e CA nao foi significativa, indicando que no sistema Ivinhema ha uma estrutura complexa e que a uniformidade espacial da densidade e temporal da assembleia bentonica deve-se a maior conectividade entre os ambientes

Doi: 10.4025/actascibiolsci.v34i1.6481

Received on March 4, 2009.

Accepted on February 9, 2010.

Agradecimentos

Os autores expressam seus agradecimentos ao Projeto Ecologico de Longa Duracao (PELD/CNPq Site 6), pelo apoio logistico nas pesquisas e a Secretaria de Medio Ambiente do Estado de Mato Grosso do Sul (SEMA-MS) e ao pessoal do Parque Estadual das Varzeas do rio Ivinhema, pela permissao para a coleta do material biologico. As pesquisas descritas neste artigo foram desenvolvidas como parte do Mestrado em Ciencias Ambientais do PEA-UEM (Universidade Estadual de Maringa, Estado do Parana), por Jose Antonio Arenas Ibarra, cuja bolsa de estudos foi fornecida pelo convenio PEC-PG/DCE-MRE-CNPq-Capes.

Referencias

AMOROS, C.; BORNETTE, G. Connectivity and biocomplexity in waterbodies of riverine floodplains. Freshwater Biology, v. 47, n. 4, p. 761-776, 2002.

BECHARA, J. The relative importance of water quality, sediment composition and floating vegetation in explaining the macrobenthic community structure of floodplain lakes (Parana river, Argentina). Hydrobiologia, v. 333, n. 2, p. 95-109, 1996.

DRAGO, E.; EZCURRA, D. I.; OLIVEIROS, O. B.; PAIRA, A. R. Aquatic habitats, fish and invertebrate assemblages of the middle Parana river. Amazoniana, v.17, n. 3-4, p. 291-341, 2003.

EZCURRA, D. I.; MARCHESE, M.; WANTZEN, K. M. Spatial patterns in benthic invertebrate community structure along the Lower Paraguay Floodplain System. Archiv fur Hydrobiology, v. 160, n. 3, p. 347-374, 2004.

EZCURRA, D. I.; MARCHESE, M.; MONTALTO, L. Benthic invertebrates. In: IRIONDO, M. H.; PAGGI, J. C.; PARMA, M. J. (Ed.): The middle Parana river. limnology of a subtropical wetland. Berlin: Springer, 2007. p. 251-276.

GAUCH, H. G. Multivariate analysis in community ecology. Cambridge: Cambridge University Press, 1982.

HIGUTI, J. Composition, abundance and habitats of benthic chironomid larvae. In: THOMAZ, S. M.; HAHN, N. S.; AGOSTINHO, A. A. (Ed.). The upper Parana river floodplain physical aspects, ecology and conservation. Netherlands: Backhuys publishers, 2004. p. 209-221.

HILDREW, A. G.; GILLER, P. S. Patchiness, species interaction and disturbance in the stream benthos. In: GILLER, P. S.; HILDREW, A. G.; RAFFAELLI, D. G. (Ed.). Aquatic ecology scale and processes. Oxford: Blackwell Scientific Publications, 1994. p. 21-62.

JACKSON, D. Protest: A Procrustean randomization test of community environment concordance. Ecoscience, v. 2, n. 3, p. 297-303, 1995.

JHONSON, E. Applied multivariate methods for data analyses. Kansas: Duxbury press, 1998.

JUNK, W. J.; BAYLEY, P. B.; SPARKS, R. The flood pulse concept in river flood plain systems. In: DODGE, D. P. (Ed.). Proceedings of the International Large river Symposium (LARS). Honey Harbour: Department of Fisheries and Ocean, 1989. p. 110-127. (Canadian Special Publication of Fisheries and Aquatic Science, v. 106).

LANSAC-TOHA, F. A.; MACHADO, V. L. P.; BONECKER, C. C. Influencia de macrofitas aquaticas sobre a estrutura da comunidade zooplanctonica. In: THOMAZ, S. M.; BINI, L. M. (Ed.). Ecologia e manejo de macrofitas aquaticas. Maringa: Eduem, 2003. p. 231-243.

LEPORI, F.; HJERDT, N. Disturbance and aquatic biodiversity: reconciling contrasting views. BioScience, v. 56, n. 10, p. 809-818, 2006.

MALMQVIST, B. Aquatic invertebrates in riverine landscapes. Freshwater Biology, v. 47, n. 4, p. 679-694, 2002.

MARCHESE, M.; EZCURRA, D. I.; DRAGO, E. Benthic macroinvertebrate and physical habitat relationships in the Parana river-floodplain system. In: MCCLAIN, M. (Ed.). The ecohydrology of South American rivers and wetlands. Miami: Special Publication, 2002, p. 111-131. (International Association of Hydrological Sciences, n. 6).

NEIFF, J. J. Ideas para la interpretacion ecologica del Parana. Interciencia, v. 15, n. 16, p. 424-441, 1990.

NEIFF, J. J. Biodiversity in some tropical wetlands systems of South America. In: GOPAL, B.; JUNK, W. J.; DAVIS, J. A. (Ed.). Biodiversity in wetlands: assessment, function and conservation. The Netherlands: Backhuys publishers, 2001. p. 119-139.

NEIFF, J. J.; NEIFF, M. Pulso Software para analisis de fenomenos recurrentes. Version 1.1.1. Buenos Aires: Direccion Nacional de Derecho de autor n. 236164, 2003. Disponivel em: <http://www.neiff.com.ar>. Acesso em: 3 fev. 2008.

NEIFF, J. J.; POI DE NEIFF, A. Connectivity processes as a basis for management of aquatic plants. In: THOMAZ, S. M.; BINI, M. (Ed.). Ecologia e Manejo de Macrofitas Aquaticas. Maringa: Eduem, 2003. p. 39-58.

PAIRA, A.; DRAGO, E. Genetical, morphological and evolutional relationships of the floodplain lakes in the middle Parana river hydrosystem. Zeitschrift fur Geomorphologie, v. 145, suppl., p. 207-228, 2006.

PILLAR, V. D. P. Multiminor multivariate exploratory analysis, randomization testing and bootstrap resampling version 2.4 for Macintosh and Windows. Porto Alegre: UFRGS, 2006.

PRINGLE, C. What is hydrologic connectivity and why is it ecologically important? Hydrological Process. v. 17, n. 13, p. 2685-2689, 2003.

POFF, N. L.; WARD, J. V. Implications of stream flow variability and predictability for lotic community structure: a regional analysis of stream flow patterns. Canadian Journal of Fisheries and Aquatic Sciences, v. 46, n. 10, p. 1805-1817, 1989.

ROSIN, G. C.; TAKEDA, A. M. Larvas de Chironomidae (Diptera) da planicie de inundacao do alto rio Parana: distribuicao e composicao em diferentes periodos hidrologicos. Acta Scientiarum. Biological Sciences, v. 29, n. 1, p. 57-63, 2007.

ROSIN, G. C.; OLIVEIRA-MANGAROTTI, D. P.; TAKEDA, A. M. Chironomidae (Diptera) community structure in two subsystems with different states of conservation in a floodplain of southern Brazil. Acta Limnologica Brasiliensia, v. 22, n. 3, p. 276-286, 2010.

SOUZA-FILHO, E. E.; STEVAUX, J. C. Geology and geomorphology of the Baia-Curutuba-Ivinhema river complex In: THOMAZ, S. M.; AGOSTINHO, A. A.; HAHN, N. S. (Ed.). The upper Parana river floodplain physical aspects, ecology and conservation. The Netherlands: Backhuys publishers, 2004. p. 1-29.

SOUZA-FILHO, E. E.; COMUNELLO, E.; ROCHA, P. C. Flood Extension in the Baia-Curutuba-Ivinheima Complex of the Parana river floodplain. In: AGOSTINHO, A. A.; RODRIGUES, L.; GOMES, L. C.; THOMAZ, S. M.; MIRANDA, L. E. (Org.). Structure and functioning of the Parana river and its floodplain. Maringa: Eduem, 2004a. p. 19-24

SOUZA-FILHO, E. E.; ROCHA, P. C.; COMUNELLO, E.; STEVAUX, J. C. Effects of the Porto Primavera Dam on physical environment of the downstream floodplain. In: THOMAZ, S. M.; AGOSTINHO, A. A.; HAHN, N. S. (Ed.). The Upper Parana river floodplain physical aspects, ecology and conservation. The Netherlands: Backhuys publishers, 2004b. p. 55-74.

TAKEDA, A. M.; FUJITA, D. S. Benthic invertebrates In: THOMAZ, S. M.; AGOSTINHO, A. A.; HAHN, N. S. (Ed.): The upper Parana river floodplain physical aspects, ecology and conservation. The Netherlands: Backhuys publishers, 2004. p. 191-208.

TAKEDA, A. M.; SHIMIZU, G., HIGUTI, J. Variacoes espaco-temporais da comunidade zoobentica In: VAZZOLER, A. E. A. M.; AGOSTINHO, A. A.; HAHN, N. S. (Ed.). A planicie de inundacao do alto rio Parana: aspectos fisicos, quimicos, biologicos e socio-economicos. Maringa: Eduem, 1997. p. 157-177.

THOMAZ, S. M.; PAGIORO, T.; PADIAL, A.; CARVALHO, P. Decomposicao das macrofitas aquaticas e sua relacao com o pulso de inundacao In: HENRY, R. (Ed.). Ecotonos nas interfaces dos ecossistemas aquaticos. Sao Paulo: USP/Botucatu, 2003. p. 195-211.

THOMAZ, S. M.; PAGIORO, T. A.; BINI, L. M.; ROBERTO, M. C.; ROCHA, R. R. A. Limnological characterization of the aquatic environments and the influence of hydrometric levels. In: THOMAZ, S. M.; AGOSTINHO, A. A.; HAHN, N. S. (Ed.). The upper Parana river floodplain physical aspects, ecology and conservation. The Netherlands: Backhuys publishers, 2004. p. 75-102.

THOMAZ, S. M.; BINI, L. M.; BOZELLI, R. L. Floods increase similarity among aquatic habitats in river-floodplain systems Hydrobiologia, v. 579, n. 1, p. 1-13, 2007.

WARD, J. V.; TOCKNER, K.; ARSCOTT, B.; CLARET, C. Riverine landscape diversity. Freshwater Biology, v. 47, n. 4, p. 517-539, 2002.

WENTWORTH, C. K. A scale of grade and class terms for clastic sediments. Journal of Geology, v. 30, n. 5, p. 377-392, 1922.

Jose Antonio Arenas-Ibarra (1) *, Alice Michiyo Takeda (2) e Daniele Sayuri Fujita (3)

(1) Facultad de Biologia Marina, Universidad Cientifica del Sur, Panamericana Sur, km 19, Lima, Pern. (2) Nucleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura, Universidade Estadual de Maringa, Maringa, Parana, Brasil. (3) Instituto Federal de Educacao, Ciencia e Tecnologia de Roraima, Amajari, Roraima, Brasil. *Autorpara correspondencia. E-mail: josearenas@yahoo.com
ANEXO

Invertebrados benticos coletados na planicie de inundacao do alto
rio Parana, sistema Ivinhema no ano 2002. (+) presente e (-)
ausente. IVI: rio Ivinheima. CIPO: canal Ipoita. LPAT: lagoa
dos Patos. LVEN: lagoa Ventura.

                     IVI    CIPO    LPAT    LVEN

Nematoda              +       +       +       +
Oligochaeta           +       +       +       +
Narapa bonettoi       +       +       +       -
Hirudinea             -       +       -       +
Thiaridae             -       +       -       +
Corbiculidae          +       +       -       +
Mytilidae             -       +       -       -
Hydracarina           +       +       +       +
Cladocera             +       +       +       +
Ostracoda             +       +       +       +
Calanoida             +       +       +       +
Cyclopoida            +       +       +       +
Entomobryidae         +       +       +       +
Sminthuridae          -       -       -       +
Polymitarcyidae       +       +       +       +
Leptohyphidae         +       +       -       +
Baetidae              -       +       -       +
Gomphidae             +       +       -       +
Coenagronidae         -       +       -       -
Hydropsychidae        +       +       -       -
Polycentropodidae     +       +       -       -
Hydroptilidae         -       +       -       -
Dytiscidae            +       -       -       +
Hydrophilidae         +       -       -       -
Elmidae               +       +       -       +
Ceratopogonidae       +       +       +       +
Chaoboridae           -       -       +       -
Chironomidae          +       +       +       +
Culicidae             +       -       -       -

Tabela 1. Atributos da f FITRAS medidos no rio Ivinhema
(Porto Sumeca--rio Ivinhema) nos anos 2001-2002.

                                                       2001     2002

Amplitude total de potamofase                          184       67
Amplitude toral de limnofase                           181      298
Indice de conectividade fluvial                        1,01     0,22
Amplitude media de potamofase                          20,3     11,0
Amplitude media de limnofase                          22,65    49,66
Intensidade de potamofase                              4,78     3,18
Intensidade de limnofase                               1,06     0,92
Indice de elasticidade                                 4,50     3,45
Numero de pulsos completos                              8        6
Coeficiente de variabilidade das medias diarias       35,4%    31,8%
Coeficiente de variabilidade dos registros dianos      0,7%     0,7%
COPYRIGHT 2012 Universidade Estadual de Maringa
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2012 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Arenas-Ibarra, Jose Antonio; Takeda, Alice Michiyo; Fujita, Daniele Sayuri
Publication:Acta Scientiarum. Biological Sciences (UEM)
Date:Jan 1, 2012
Words:5170
Previous Article:Use of alternative media and different types of recipients in a laboratory culture of Ankistrodesmus gracilis (Reinsch) Korshikov...
Next Article:Spatial-temporal variation of the distribution and abundance of Moenkhausia sanctaefilomenae at lagoons of the Cuiaba river floodplain, Pantanal,...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters