Printer Friendly

Human Papilloma Virus-related risk factors for adolescent and young women/Fatores de risco de mulheres adolescentes e jovens frente ao Papilomavirus Humano/Factores de riesgo para las adolescentes y jovenes mujeres ante el Virus del Papiloma Humano.

INTRODUCAO

A infeccao pelo Papilomavirus Humano (HPV) tem sido descrita como a doenca sexualmente transmissivel de maior frequencia em nivel mundial. Essa infeccao ocorre preferencialmente nos orgaos genitais como a vulva, vagina, colo do utero, penis, areas perianais e ainda na orofaringe. Caso nao sejam tratadas, podem evoluir para o cancer (1). O HPV e agrupado em genotipos considerados de baixo e alto risco oncogenico, buscando estabelecer uma relacao entre a infeccao persistente, seus tipos virais e o cancer cervical (2). O HPV e reconhecido como o principal fator de risco para o cancer do colo do utero, porem nao pode ser visto como a causa necessaria para o desenvolvimento deste tipo de neoplasia maligna (3).

Trata-se de uma das doencas sexualmente transmissiveis mais frequentes na populacao feminina (4). Registrare, no Brasil, cerca de 157 mil novos casos de infeccao por esse virus a cada ano, e no mundo cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas serao infectadas por um ou mais tipos em algum momento de suas vidas. Dessa forma, denota-se um importante problema de saude publica neste segmento populacional (4). Varios fatores podem contribuir para a infeccao pelo HPV destacando-se os de ordem viral como os subtipos e a carga viral, os aspectos relacionados ao hospedeiro, como o inicio da atividade sexual precoce, multiparidade, o uso de contraceptivos orais, habitos de higiene precarios, tabagismo, alimentacao inadequada, infeccoes por outros patogenos tambem de transmissao sexual como o Virus da Imunodeficiencia Humana (HIV), Clamydia Trachomatis e o Herpesvirus do tipo 23. O numero de parceiros sexuais que o individuo teve durante a vida deve merecer destaque como um dos fatores associados mais importantes para a aquisicao da contaminacao pelo virus (5). A vulnerabilidade ao contagio pelo HPV esta em mulheres abaixo dos 25 anos, porem a infeccao dita como persistente, ocorre em mulheres acima de 50 anos com deficit imunologico e com co-fatores de risco (6).

Vale registrar que, em se tratando do contagio, 25% das adolescentes apresentam infeccao pelo HPV durante o primeiro ano apos iniciacao sexual, ressaltando que a possibilidade de contato com esse virus aumenta progressivamente (7). As mulheres jovens vivenciam uma fase de inumeras mudancas que acontecem nao so em seus corpos, mas tambem nas esferas social e psicologica, e que conforme experiencias vividas, citando o exemplo da infeccao pelo HPV, pode gerar uma indefinicao de identidade, transtornos diante da sexualidade e afetividade, como dificuldade no processo de amadurecimento (8). A sexualidade do adolescente e considerada uma dimensao de contexto social, sendo tambem compreendida como um problema de saude publica, pelos riscos advindos de relacoes sexuais desprotegidas. Aponta-se, ainda, a precocidade da menarca, a crescente exploracao do tema sexualidade pela midia, maior liberdade sexual e condicoes socioeconomicas precarias (9). A falta de informacao e o falso entendimento de nao ser vulneravel a situacao tambem impedem que os jovens adotem medidas de prevencao frente aos fatores de risco (10).

Diante desse cenario de vulnerabilidade ao HPV, e de fundamental importancia que os profissionais de saude conhecam o perfil e as diferencas de comportamentos e atitudes entre esses sujeitos, a fim de construir propostas e estrategias com a finalidade de reduzir a morbimortalidade pelas lesoes precursoras e o cancer cervical.

A partir desses argumentos, o presente artigo teve como objetivo identificar os fatores de risco a infeccao pelo HPV associados aos comportamentos e atitudes de adolescentes e jovens de uma unidade escolar de Ensino Medio do Rio de Janeiro.

REVISAO DE LITERATURA

A infeccao pelo HPV e considerada a doenca sexualmente transmissivel mais frequente no mundo. Mais de 200 tipos de virus tem sido descritos e se distinguem entre si na sequencia do Acido Desoxirribonucleico (DNA)11. Trata-se de um virus epiteliotropico, considerado agente causal do cancer de colo de utero e produz oncoproteinas modificando o comportamento celular (12).

Gracas as tecnicas da biologia molecular, estabeleceu-se a relacao entre a infeccao persistente pelo HPV com alguns tipos virais e o cancer cervical e que infectam preferencialmente os orgaos genitais (vulva, vagina, colo uterino, penis e areas perianais) e orofaringe. Dessa forma, o HPV mesmo sendo reconhecido como fator de risco fundamental para cancer cervical nao pode ser visto como a causa unica para o desenvolvimento deste tipo de neoplasia maligna (13).

Os virus que infectam a area genital sao classificados em tipos de HPV de baixo risco e de alto risco oncogenico, os quais sao identificados por numeros. Sao denominados de alto risco os de numero 16,18, 45, 31, 33, 35, 52, 58, 59, 56, 51, 39, 68, 73 e 82, sendo os tipos virais 16 e 18 os mais frequentes em adolescentes e mulheres jovens. Os HPV do tipo 16 e 18, estao associados a Lesao Intra-Epitelial de Alto Grau, carcinoma epidermoide e adenocarcinoma do colo uterino e ainda carcinoma anal. Destaca-se que 99,7% de todos os casos de cancer do colo do utero resultam de uma historia de infeccao persistente (14).

Em relacao aos virus de baixo risco, estes estao associados as lesoes benignas (6, 11, 40, 42, 43, 44, 54, 61, 70, 72 e 81), salientando os tipos 6 e 11 relacionados ao condiloma acuminado, responsaveis por mais de 90% dos casos de verrugas anogenitais (15).

Nesse contexto, compreender a relacao da infeccao pelo HPV e os fatores de risco associados a este tipo de infeccao, e essencial para pratica do profissional de saude, cuja atuacao possibilitara estabelecer estrategias, como acoes educacionais junto as adolescentes e jovens, para prevenir o cancer cervical e a aquisicao do HPV.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem quantitativa, realizado em uma escola estadual de Ensino Medio do Municipio do Rio de Janeiro, no Brasil, entre os meses de maio e novembro de 2012. A populacao foi constituida por 128 mulheres selecionadas entre a faixa etaria de 15 a 24 anos. Foram incluidas jovens entre a faixa etaria, definida pela Organizacao Mundial de Saude, como juventude--de 15 a 24 anos--, e que estivessem matriculadas e frequentando o cenario do estudo (4). Optou-se por dividir as participantes em dois grupos, mediados tambem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica, que define populacao jovem como as pessoas da faixa etaria de 15 a 24 anos (16).

O primeiro grupo foi composto por 64 adolescentes pertencentes a segunda fase da adolescencia, que e compreendida pelo segmento de 15 a 19 anos de idade; e o segundo grupo foi composto por 64 jovens e na faixa etaria de 20 a 24 anos (16). Esta divisao se justifica na premissa--comportamentos e atitudes dos sujeitos emergem das diferentes fases de vida dos individuos (17).

Para a coleta de dados, foi utilizado um questionario estruturado contendo dados relativos as caracteristicas pessoais e socioeconomicas, expressas nas variaveis idade, raca/cor, escolaridade, situacao conjugal e renda familiar. Quanto as caracteristicas referentes a comportamentos e atitudes de risco para o HPV, as variaveis de interesse do estudo foram: presenca de parceria sexual atual, sexarca, numero de parceiros sexuais nos ultimos 12 meses, uso do preservativo feminino e/ou masculino, frequencia do uso do preservativo, uso de contraceptivo oral, multiparidade e tabagismo.

As participantes foram convidadas a integrar o estudo, sendo as entrevistas agendadas e direcionadas para sala privativa na propria escola. As informacoes coletadas foram armazenadas em banco de dados informatizado no software Excel do Microsoft Office 2003. Posteriormente, foram tabulados e submetidos a estatistica descritiva. A analise considerou as frequencias absolutas e percentuais, confrontadas com a literatura cientifica sobre a tematica investigada.

Foram observadas as normas da Resolucao no 196/96 do Conselho Nacional de Saude, vigente a epoca da elaboracao do projeto de pesquisa. O projeto do foi submetido ao Comite de Etica de Pesquisa da Escola de Enfermagem Anna Nery/Hospital Escola Sao Francisco de Assis da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sendo aprovado mediante protocolo no 030/2011. Como recomendado, os dados foram coletados apos assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelas participantes do estudo e pelos pais e/ou responsaveis das menores de 18 anos.

RESULTADOS

Participaram do estudo 128 voluntarias, sendo 64 adolescentes e 64 jovens. A faixa etaria entre 17-19 anos foi a que teve maior destaque entre as adolescentes, correspondendo a 53,1%, enquanto a faixa etaria compreendida entre 20-22 anos (59,4%) prevaleceu no grupo de jovens. Quanto ao grau de escolaridade, a maior frequencia em ambos os grupos se deu no primeiro ano do Ensino Medio, com 40,6% de adolescentes e 43,7 % de jovens. Em se tratando da situacao conjugal, 93,8% das adolescentes referiram ser solteiras, enquanto 46,9% das jovens declararam ser casadas ou em uniao estavel, conforme descrito na Tabela 1.

Metade das adolescentes apresenta como renda familiar de tres a quatro salarios minimos, fato que foi diferente entre as jovens, com renda predominante de ate dois salarios minimos. Quanto as caracteristicas socioeconomicas, a raca/cor autodeclarada branca foi predominante entre as adolescentes, sendo a parda mais frequente entre as jovens com 46,9%, conforme ilustra a Tabela 1.

No momento da coleta de dados, 62,5% das adolescentes e 84,4% das jovens tinham parceiros sexuais; com relacao ao numero de parceiros sexuais nos ultimos 12 meses, 37,5% das adolescentes declararam de 0-1, seguido de 31,3% entre 4 a 5 parceiros. No segmento das jovens, 37,5%, mencionaram ter tido entre 4 a 5 parceiros, seguindo-se de 25,1% com 2 a 3 parceiros sexuais, como mostra a Tabela 2.

Quanto ao uso de preservativo, 62,5% das adolescentes e 56,3% das jovens declaram ter usado apenas o masculino, porem com relacao a frequencia do uso, nas adolescentes, houve predominancia da resposta --somente na primeira relacao, com 25,1%; e entre as jovens o uso irregular (as vezes), com 28,1%. Vale destacar que 37,5% das adolescentes e 43,7% das jovens nunca usaram nenhum preservativo em suas relacoes sexuais; como expoe a Tabela 2.

Na variavel uso de contraceptivo oral, 43,7% das jovens relataram o uso de anticoncepcionais, enquanto que 71,9% das adolescentes afirmaram que nao fizeram uso desse metodo. Em se tratando da paridade, 3,2% das adolescentes e 9,4% das jovens pariram tres vezes ou mais, sendo que a maioria, em ambos os grupos, e nulipara (89% adolescentes e 62,5% jovens). Em relacao ao tabagismo, 89% das adolescentes e 76,6% jovens nao relataram esse habito de vida.

Quanto as caracteristicas referentes aos comportamentos e atitudes de risco frente ao HPV, o predominio da faixa etaria da sexarca ficou entre 14 e 17 anos, em ambos os grupos (43,7% nas adolescentes e 37,5% nas jovens), sendo a idade minima registrada de 9 anos e a maxima de 24 anos. Vale destacar, que o perfil da amostra indica a predominancia da faixa etaria de 20 a 22 anos, cor parda, escolaridade pertencente ao primeiro ano do Ensino Medio, solteira e renda familiar de 3 a 4 salarios minimos, conforme mostra a Tabela 2.

DISCUSSAO

O predominio da idade entre os dois grupos de estudo foi de 17 a 22 anos, sendo esta faixa etaria a mais propensa a ser infectada pelo HPV. Entre os fatores de risco, um dos principais e exatamente a idade, existindo uma maior prevalencia entre adolescentes e jovens ate 24 anos (7). Ressalta-se que o pico de prevalencia nesse segmento pode ser entendido pela maior alternancia de parceiros e inicio precoce das atividades sexuais. Nesse contexto, a infeccao pelo HPV pode acometer adolescentes e jovens no inicio da atividade sexual, sendo este um fenomeno que pode ser transitorio e que na maioria das vezes regride espontaneamente (18).

Com relacao a raca/cor e a predisposicao para a infeccao por HPV, existe escassa literatura. Uma pesquisa indicou que as racas negra e parda estao mais susceptiveis a prevalencia de infeccao pelo HPV carcinogenico (19). O presente estudo indica que a raca branca predominou entre as adolescentes, sendo que entre as mulheres jovens, a cor parda foi a que teve maior destaque, embora nao tenha apresentado diferenca estatisticamente significativa quando comparados os grupos.

A insercao do individuo no ambiente escolar e fator determinante para construcao do conhecimento frente a determinados problemas de saude. A relacao da escolaridade com a vulnerabilidade ao HPV e considerada como um fator predisponente a infeccao por esse virus, visto que quanto menor a escolaridade maior a prevalencia a infeccao (20). A subinformacao ou ate mesmo a nao informacao ainda sao consideradas como umas das principais barreiras a serem enfrentadas no controle das doencas sexualmente transmissiveis, alem do que a falta de instrucao influencia na percepcao de risco (21,22).

Outro aspecto que merece destaque, quanto aos fatores de risco e HPV, e a renda familiar, pois percebe-se que, em ambos os grupos, predominaram as participantes com uma renda considerada baixa, ou seja, entre dois a quatro salarios minimos. Os resultados do presente estudo mostram que metade das adolescentes apresenta uma renda um pouco maior correspondendo a tres ou quatro salarios minimos, o que pode ser explicado por habitarem com seus pais e/ou familiares, que trabalham fora e os sustentam. Quanto as jovens, observa-se que entre elas houve prevalencia de uma renda ainda menor, equivalente ate dois salarios minimos, pois muitas residem com seus companheiros e filhos, sendo que somente o parceiro e o provedor da casa. Estes dados vem ao encontro das pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica que comprovam que cerca de 13% das familias que possuem adolescentes e jovens recebem rendimento de um quarto do salario minimo e 36,2% com metade do salario minimo (16).

Vale salientar que uma populacao de baixa renda, com desigualdades sociais e de genero, traz empecilhos quanto a tomada de atitudes favoraveis ao cuidado da saude (23).

No que se refere a situacao conjugal e parcerias sexuais, apesar de 93,7% das adolescentes serem solteiras, 62,5% no periodo da coleta de dados apresentavam parceiros sexuais como namorados ou parceiros casuais. Em contrapartida, 46,8% das jovens sao casadas ou convivem em uniao consensual, e num total de 84,4% apresentam parceria sexual. Frente a esses dados, percebe-se que entre as jovens, devido ao fator idade, a uniao estavel foi mais destacada do que entre as adolescentes. A estabilidade num relacionamento e hoje considerada como um fator de risco a infeccao pelo HPV. O fato de ter parceiro fixo estabelece desprotecao sexual ja que o uso de preservativo e desprezado apos o relacionamento se tornar estavel8. Isto geralmente acontece quando o relacionamento deixa de ser eventual passando a ser considerado como fixo, o que implica diminuicao ou mesmo abolicao do uso do preservativo.

Tal fato pode ocorrer por confianca ou mesmo por submissao ao parceiro, quando se trata de negociar a continuidade do uso de preservativo na relacao. Entende-se por uma parceria fixa, quando se trata de um unico parceiro por um periodo maior de tempo (24). No entanto, os parceiros ocasionais, declarados pelas adolescentes e jovens, tambem sao considerados fatores de risco ao HPV, tanto pela multiplicidade de parcerias como pelo nao uso do preservativo.

A multiplicidade de parceiros foi outro fator de risco encontrado neste estudo. No segmento das adolescentes, 50% apresentaram de dois a cinco parceiros sexuais, enquanto entre as jovens esse numero aumenta significativamente para 62,6%. Desse modo, os dois grupos estudados estao submetidos a situacao de vulnerabilidade, devido a frequente troca de parceiros, o que permite uma maior chance em adquirir o HPV, principalmente quando nao e utilizado o preservativo em todas as relacoes. O numero aumentado de parceiros sexuais possibilita diferentes praticas sexuais elevando a possibilidade de adquirir a infeccao e o grau de vulnerabilidade (25).

Nessa mesma direcao, e importante a parcela de participantes que nao utiliza preservativo, propiciando maior exposicao ao HPV. A maioria das mulheres relatou nunca ter usado o preservativo. O uso da camisinha entre as mulheres e um assunto que pode ser atribuido a relacao afetiva-sexual, contribuindo para a decisao de usar ou nao o preservativo (8). Isto e reforcado quando somente 25,1% das adolescentes e 18,7% dos jovens usam o preservativo masculino na primeira relacao. Percebe-se, entao, que o uso da camisinha pode estar atrelado a intimidade e confianca entre os parceiros (26).

Acrescenta-se, ainda, que o uso refratario do preservativo tambem emergiu nos dados, com 21,8% das adolescentes e 28,1% das jovens. Esse uso descontinuo pode ter algumas justificativas, como nao gostar de usar preservativo por acreditarem na perda do prazer sexual, por pensarem nao estar em situacao de vulnerabilidade, esquecimento, empecilho de aquisicao, alem da dificuldade em controlar o impeto sexual tipico dos adolescentes e jovens (10).

Quanto ao tipo de preservativo utilizado pelas participantes, apenas o masculino foi citado, o que reforca o entendimento do quanto ainda e pouco divulgado e utilizado o feminino, fato que tambem corrobora a submissao da mulher que precisa negociar o uso do preservativo masculino (26). A faixa etaria predominante da sexarca foi de 14 a 17 anos, corroborando outro estudo, em que de um total de 8.649 mulheres 74 % referiram a sexarca entre 14 e 19 anos (15). A idade da iniciacao sexual e um fator importante quando se estuda a vulnerabilidade do HPV, pois o inicio cada vez mais precoce da atividade sexual e um dos fatores para a aquisicao do HPV. Isso se deve pelo fato das celulas imaturas do colo do utero das adolescentes/ jovens serem mais receptivas a esse virus no inicio da vida sexual (27). Adiciona-se a essa situacao de risco o aumento do tempo de exposicao ao virus a que essa parcela da populacao esta sujeita (28).

Em se tratando do contraceptivo oral, a maioria das participantes nao utiliza esse metodo anticoncepcional. No entanto, comparando os dois segmentos estudados, as jovens sao as que mais se destacaram quanto ao uso da pilula com 43,7%, contra apenas 28,1% das adolescentes.

Diante do uso do anticoncepcional e em se tratando da condicao de uniao estavel que grande parte das jovens 46,8% ja vivencia, prevalece a preocupacao diante de uma gravidez indesejada e nao mais com a possibilidade de contrair uma infeccao sexualmente transmissivel. Vale ressaltar aqui que o uso prolongado do contraceptivo oral aumenta o risco de desenvolver carcinoma cervical em mulheres com HPV, por conterem hormonios como dexametazona, progesterona e estrogenos que intensificam a expressao genetica do HPV (29).

No que concerne ao numero de partos, uma pequena parcela das jovens (9,4%) chama atencao por ja ter parido tres ou mais vezes. A multiparidade e considerada um fator de risco de infeccao pelo HPV podendo decorrer de trauma vaginal durante o parto e efeitos de alteracoes hormonais no colo do utero (3). Estudos destacam a maior prevalencia do HPV em mulheres com tres a quatro partos e que essa multiparidade pode duplicar ou, ate mesmo, triplicar o risco de lesoes precursoras do cancer do colo do utero e do proprio cancer cervical nas mulheres infectadas com os tipos oncogenicos de HPV (25,30).

Em se tratando do tabagismo, verifica-se a maioria das participantes nao apresenta esse habito, fato que e bastante benefico, pois essa pratica e considerada como um importante fator de risco para o desenvolvimento do cancer cervical nas mulheres que sao portadoras do HPV oncogenico. Isso se deve a presenca de metabolitos carcinogenicos do tabaco nas secrecoes cervicais, o que pode levar a persistencia do virus (26,31).

CONCLUSAO

O objetivo do estudo foi plenamente atingido, pois se conseguiu obter as caracteristicas socioeconomicas e os comportamentos das adolescentes e jovens que contribuem para a vulnerabilidade desses grupos ao HPV. Foi possivel identificar que as participantes do estudo apresentam caracteristicas comportamentais de susceptibilidade ao HPV, como a pouca adesao ao uso do preservativo masculino e o inicio precoce da atividade sexual. Porem, quando comparados os dois grupos de estudo--adolescentes e jovens, conclui-se que existem diferencas com relacao a fatores de risco, como a multiplicidade de parceiros, uso do anticoncepcional oral e a multiparidade, em que foram mais prevalentes entre as jovens.

Diante dos comportamentos de adolescentes e jovens relatados neste estudo, depreende-se que ha fragilidade de acoes educativas no que concerne a valorizacao do contexto social e cultural do individuo frente as condutas de protecao contra as infeccoes sexualmente transmissiveis, como o HPV. Sao necessarios o aprofundamento e mais investigacoes acerca de mulheres jovens e a possibilidade de serem infectadas com HPV e o desenvolvimento de cancer cervical.

Deve-se destacar a participacao do enfermeiro como profissional de saude na busca de novas estrategias de acoes preventivas e educativas, visando a efetividade na mudanca de comportamento e atitude desses segmentos populacionais, reconhecendo nao apenas dados estatisticos, mas questoes biopsicossociais. O estudo trouxe contribuicao para inovacoes e a necessidade de implementar estrategias de praticas de prevencao, valorizando saberes e possibilitando o atendimento das necessidades das adolescentes e mulheres jovens frente a protecao das infeccoes sexualmente transmissiveis.

Considerou-se, como limitacao do estudo, apenas a participacao de adolescentes e jovens do sexo feminino, nao permitindo a comparacao entre o sexo masculino e feminino de questoes socioeconomicas e atitudes comportamentais versus a infeccao pelo HPV.

Contudo, abre espacos para novos estudos serem realizados com o sexo masculino investindo na busca de outras variaveis de risco, alem de investigar as causas e consequencias destes comportamentos que conduzem a situacao de vulnerabilidade.

DOI: http://dx.doi.org/10.12957/reuerj.2017.25823

Recebido em: 28/09/2016-Aprovado em: 19/12/2017

REFERENCIAS

(1.) Aguiar SR, Villanova FE, Martins LC, dos Santos MS, Maciel Jde P, Falcao LF, Fuzii HT, Quaresma JA. Human papillomavirus: prevalence and factors associated in women prisoners population from the Eastern Brazilian Amazon. J. Med. Virol. 2014; 86(9):1528-33.

(2.) Santos JC, Cezar MRS, Lisboa MR, Moura MMF. Ocorrencia de papilomavirus humano na cervice uterina de mulheres da regiao ocidental da Amazonia Brasileira. Acta Amazonica. 2013; 43(2):185-90.

(3.) Wright TC, Stoler MH, Behrens CM, Sharma A, Zhang G, Wright TL.Primary cervical cancer screening with human papillomavirus: End of study results from the ATHENA study using HPV as the first-line screening test. Gynecologic Oncology. 2015; 136 (2): 189-97.

(4.) World Health Organization. WHO guidance note: Comprehensive cervical cancer prevention and control: A healthier future for girls and women [Internet]. 2013 [cited in 2017 Apr 10]; Available form: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/78128/3/9789241505147_eng.

(5.) Sun LL, Chen W, Fan YY, Wang ML, Wang LN. The presence of advanced lesions and associating risk factors for advanced cervical carcinoma in patients with atypical squamous cells of undetermined significance.Eur. J. Gynaecol. Oncol. 2015; 36(5):585-9.

(6.) Paradkar PH, Joshi JV, Mertia PN, Agashe SV, Vaidya RA. Role of cytokines in genesis, progression and prognosis of cervical cancer. Asian Pac. J. Cancer Prev. 2014; 15(9):3851-64.

(7.) Eleuterio RMN, Oliveira MAP, Jacyntho CMA, Rodrigues JF, Cavalcante DIM, Junior JE. Prevalence of HPV in Adolescents Virgins and Sexually Active at a University Hospital in the City of Rio de Janeiro, Brazil. Infec. Dis. 2013; 2013:1-5.

(8.) Sehnem GD, Schmalfuss JM, Bonadiman POB, Pereira FW, Lipinski JM, Bogorni L. Genero e sexualidade: influencias na prevencao das DST/AIDS e as contribuicoes para a enfermagem. Rev. enferm. UFSM. 2014; 4(4):678-88.

(9.) Santos TMB, Albuquerque LBB, Bandeira CF, Colares VSA. Fatores que contribuem para o inicio da atividade sexual em adolescentes: revisao integrativa. Rev.Atencao Saude. 2015; 13(44):64-70.

(10.) Santos ACL, Gubert FA, Vieira NFC, Pinheiro PNC, Barbosa SM. Modelo de crencas em saude e vulnerabilidade ao HIV: percepcoes de adolescentes em Fortaleza-CE. Rev. eletronica enferm. [Internet]. 2010 [citado em 4 de mar 2015]; 12(4):705-10. Disponivel em: http://dx.doi.org/10.5216/ree.V12i4.6492.

(11.) Bodelon C, Untereiner ME, Machiela MJ, Vinokurova S, Wentzensen N. Genomic characterization of viral integration sites in HPV-related cancers. International Journal of Cancer. 2016; 139(9):2001-11.

(12.) Crosbie EJ, Einstein MH, Franceschi S, CKitchener Human papillomavirus and cervical cancer. The Lancet. 2013; 382(9895): 889-99.

(13.) De Brot L, Pellegrini B, Moretti ST, Carraro DM, Soares FA, Rocha RM et al. Infections with multiple high-risk HPV types are associated with high-grade and persistent low-grade intraepithelial lesions of the cervix. Cancer. 2017; 125(2):138-43.

(14.) Vargens OMC, Silva CM. Tendo que se adaptar a uma realidade incontestavel e inesperada: ser portadora do HPV. Rev. enferm. UERJ. 2014; 22(5):643-8.

(15.) Gittoni R, Accardi R, Chiocca S, Tommasino M. Role of human papillomaviruses in carcinogenesis. Ecancer. 2015; 9:526.

(16.) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica. Censo demografico 2010: caracteristicas da populacao e dos domicilios: resultados do universo [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica; 2011 [citado em 26 mar 2017]. Disponivel em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/ caracteristicas_da_populacao/tabelas_pdf/tab1.pdf.

(17.) Santos MFS, Felix LB, Morais ERC. Representacoes Sociais de Juventude em uma Comunidade Quilombola do Agreste Pernambucano. PSICO. 2012; 43(4):524-32.

(18.) Jiang Y, Brassard P, Severini A, Mao Y, Li A, Laroche J, et al. The prevalence of human papillomavirus and its impact on cervical dysplasia in northern Canada. Infect. Agent Cancer. 2013; 8(25):1-11.

(19.) Asiaf A, Ahmad ST, Mohammad SO, Zargar MA. Review of the current knowledge on the epidemiology, pathogenesis, and prevention of human papillomavirus infection. Eur J Cancer Prev. 2014; 23(3):206-24.

(20.) Sepulvela-Carrillo GJ, Goldenberg P. Conhecimentos e praticas de jovens sobre a infeccao pelo papiloma virus humano: uma questao re-atualizada. Rev. Colomb. Obstet. Ginecol. 2014; 65:152-61.

(21.) Gilkey MB, McRee AL. Provider communication about HPV vaccination: a systematic review. Hum. Vaccin. Immunother. 2016; 12(6):1454--68.

(22.) Oliveira AC, RS Pessoa, AMC Carvalho, Brito RML.Fatores de risco e protecao a saude de mulheres para prevencao do cancer uterino. Rev. Rene. 2014; 15(2): 240-8

(23.) Gaspar J, Gir E, Reis RK. Sociodemographic and clinical factors and their association with the types of lesion caused by the Human Papilloma Virus. J. Antivir. Antiretrovir. 2013; 5:113-8.

(24.) Silva CM, Vargens OMC. Aids como doenca do outro: uma analise da vulnerabilidade feminina. Rev. pesqui. cuid. fundam. (online) 2015; 7(4):3125-34.

(25.) Rodrigues AF, Souza JA. Papilomavirus humano: prevencao e diagnostico. Rev Epidemiol. Control. Infec. 2015; 5(4):197-202.

(26.) Albuquerque GA, Belem JM, Quirino GS, Garcia CL. Autonomia sexual feminina: o preservativo feminino nas praticas eroticas. Rev. Saude. Com. 2015; 11(2):123-36.

(27.) Panatto D, Amicizia D, Trucchi C, Casabona F, Lai PL, Bonanni P et al. Sexual behaviour and risk factors for the acquisition of human papillomavirus infections in young people in Italy: suggestions for future vaccination policies. BMC Public Health. 2012; 12(623):1-9.

(28.) Coser J, da Rocha Boeira T, Simon D, Kazantzi Fonseca AS, Ikuta N, Lunge VR. Prevalence and genotypic diversity of cervical human papillomavirus infection among women from an urban center in Brazil. Genet. Mol. Res. 2013; 12(4):4276-85.

(29.) Chang SW, Lu PY, Guo JH, Tsai TC, Tsao YP, Chen SL et al. NRIP enhances HPV gene expression via interaction with either GR or E2. Virology. 2012; 423(1):38-48.

(30.) Aziza H, Iqbalb H, Mahmooda H, Fatimaa S, Faheema M, Sattarb AA et al. Human papillomavirus infection in females with normal cervical cytology: Genotyping and phylogenetic analysis among women in Punjab, Pakistan .Int. J. Infect. Dis. 2018; 66:83-9.

(31.) Silva ST, Martins MC, Faria FR, Cotta RMM. Combating smoking in Brazil the strategic importance of government actions. Cienc. saude coletiva. (Online) 2014; 19(2):539-52.

Maria Cristina de Melo Pessanha Carvalho (I); Ana Beatriz Azevedo Queiroz (II); Maria Aparecida Vasconcelos Moura (III); Sergio Correa Marques (IV); Bianca Dargam Gomes Vieira (V); Dennis de Carvalho Ferreira (VI).

(I) Doutora em Enfermagem. Enfermeira do Ministerio da Saude. Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: mcrismelo4@hotmail.com.

(II) Doutora em Enfermagem. Professora Associada. Escola de Enfermagem Anna Nery, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: abaqueiroz@hotmail.com.

(III) Doutora em Enfermagem. Professora Titular, Escola de Enfermagem Anna Nery, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: maparecidavas@yahoo.com.br.

(IV) Doutor em Enfermagem. Professor Adjunto, Faculdade de Enfermagem, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: sergiocmarques@uol.com.br.

(V) Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa, Universidade Federal Fluminense. Niteroi, Rio de Janeiro, Brasil. E-mail:biadargam@gmail.com.

(VI) Doutor. Professor Universidade da Veiga de Almeida e Universidade Estacio de Sa. Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: denniscf@gmail.com.
TABELA 1: Caracteristicas socioeconomicas das adolescentes e jovens
participantes do estudo. Rio de Janeiro, Brasil. 2016. (N=64,
por grupo)

Variaveis                         Adolescentes    Jovens

                                   f      %       f      %

Idade
  15-16                           30    46,9     --     --
  17-19                           34    53,1     --     --
  20-22                           --     --      38    59,4
  23-24                           --     --      26    40,6
Raca cor
  Preta                            6     9,4     12    18,8
  Parda                           24    37,5     30    46,9
  Branca                          34    53,1     18    28,1
  Indigena                        --     --       4     6,2
Escolaridade
  1 ano ensino medio              26    40,6     28    43,7
  2 ano ensino medio              22    34,3     24    37,5
  3 ano ensino medio              16    25,1     12    18,8
Situacao conjugal
  Solteira                        60    93,8     34    53,1
  Casada/uniao estavel             4     6,2     30    46,9
Renda familiar
(em salario minimo *)
  [greater than or equal to] 2    26    40,6     28    43,7
  3-4                             32    50,0     24    37,5
  > 5                              6     9,4     12    18,8

TABELA 2: Caracteristicas referentes a comportamentos e atitudes de
risco de adolescentes e jovens frente ao papilomavirus Humano. Rio
de Janeiro, Brasil. 2016. (n= 64, por grupo).

Variaveis                        Adolescentes     Jovens

                                  f      %       f      %

Parceiro Sexual
  Com parceiro                   40    62,5     54    84,4
  Sem parceiro                   24    37,5     10    15,6
Sexarca (anos)
  9-13                           12    18,7     10    15,6
  14-17                          28    43,7     24    37,5
  18-21                          16    25,1     20    31,3
  22-25                           8    12,5     10    15,6
No de parceiro nos ultimos
12 meses
  0-1                            24    37,5     10    15,6
  2-3                            12    18,7     16    25,1
  4-5                            20    31,3     24    37,5
  > 5                             8    12,5     14    21,8
Uso de preservativo
  Masculino                      40    62,5     36    56,3
  Feminino                       --     --      --     --
  Nunca usou                     24    37,5     28    43,7
Frequencia do uso do
preservativo
  Somente na primeira relacao    16    25,1     12    18,7
  Sempre                         10    15,6      6     9,4
  As vezes                       14    21,8     18    28,1
  Nunca                          24    37,5     28    43,7
Uso de Contraceptivo oral
  Sim                            18    28,1     28    43,7
  Nao                            46    71,9     36    56,3
Multiparidade (parto)
  Nenhum                         57    89,0     40    62,5
  1 a 2                           5     7,8     18    28,1
  > 3                             2     3,2      6     9,4
Tabagismo
  Sim                             7    11,0     15    23,4
  Nao                            57    89,0     49    76,6
COPYRIGHT 2017 Universidade do Estado do Rio de Janeiro- Uerj
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2017 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:Original Research/Artigo de Pesquisa/Articulo de Investigacion
Author:Carvalho, Maria Cristina de Melo Pessanha; Queiroz, Ana Beatriz Azevedo; Moura, Maria Aparecida Vasc
Publication:Enfermagem Uerj
Date:Jan 2, 2017
Words:5103
Previous Article:Nursing personnel's social representations of domestic violence against women: a structural approach/Representacao social de profissionais de...
Next Article:Variables associated with neoplastic wound odor control: knowledge for nursing care/Variaveis associadas ao controle do odor em feridas neoplasicas:...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters