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How women are presented in documents orientating youth and adult education/A mulher nos documentos da educacao de jovens e adultos e adultas.

Introducao

A evasao escolar (1) nos diversos niveis de ensino no Brasil ainda apresenta indices muito altos, cujas causas sao atribuidas a uma serie de fatores. No caso da evasao escolar na infancia, nao existe uma unanimidade acerca dos motivos, de modo geral, atribui-se a problemas de ordem biologica, emocional, social, pedagogica e/ou cognitiva (Weiss, 1997; Pain, 1986).

Na EJA--Educacao de Jovens e Adultos e Adultas --as causas apontadas para a evasao escolar envolvem, geralmente, o trabalho e o cansaco decorrente dele. Quando se refere as alunas, envolvem, alem do cansaco relacionado com a dupla jornada de trabalho, questoes que recaem sobre o casamento e a maternidade dentre outros motivos. Por conseguinte, estabelecem uma relacao direta com o papel que a mulher assume na sociedade.

Desta forma, o objetivo deste texto foi analisar como a mulher e apresentada nos documentos norteadores da EJA, principalmente nas DCNEJA--Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educacao de Jovens e Adultos, propostas pelo MEC--Ministerio da Educacao (Brasil, 2000b)--e nas DCE--Diretrizes Curriculares Estaduais--propostas pela Secretaria de Estado da Educacao do Parana (Parana, 2006a). Com isso, busca-se contribuir com as discussoes que envolvem este nivel de ensino a fim de que ele cumpra as funcoes reparadora, equalizadora e, mais que isso, qualificadora (Brasil, 2000a), vislumbrando uma formacao integral do sujeito, servindo de instrumento para o exercicio da cidadania de maneira mais justa.

EJA e genero

Anteriormente a LDB--Lei de Diretrizes e Bases da Educacao Nacional--Lei n. 9394/1996 (Brasil, 1996), a EJA era referenciada como tendo uma funcao reparadora.

[...] a funcao reparadora da EJA se articula com o pleito postulado por inumeras pessoas que nao tiveram uma adequada correlacao idade/ano escolar em seu itinerario educacional e nem a possibilidade de prosseguimento de estudos. Neste momento a igualdade perante a lei, ponto de chegada da funcao reparadora, se torna um novo ponto de partida para a igualdade de oportunidades (Brasil, 2000a: 9, grifos nossos).

Mas, o processo de escolarizacao deve proporcionar mais do que igualdade de oportunidades, e a EJA deve assumir tambem a funcao equalizadora.

A funcao equalizadora da EJA vai dar cobertura a trabalhadores e a tantos outros segmentos sociais como donas de casa, migrantes, aposentados e encarcerados. A reentrada no sistema educacional dos que tiveram uma interrupcao forcada seVa pela repetencia ou pela evasao, seVa pelas desiguais oportunidades de permanencia ou outras condicoes adversas, deve ser saudada como uma reparacao corretiva, ainda que tardia, de estruturas arcaicas, possibilitando aos individuos novas insercoes no mundo do trabalho, na vida social, nos espacos da estetica e na abertura dos canais de participacao. Para tanto, sao necessarias mais vagas para estes "novos" alunos e "novas" alunas, demandantes de uma nova oportunidade de equalizacao. (Brasil, 2000a: 9, grifos nossos)

No entanto, a EJA precisa ser compreendida, tambem, como uma possibilidade de cidadania, garantindo que "a equidade e a forma pela qual se distribuem os bens sociais de modo a garantir uma redistribuicao e alocacao em vista de mais igualdade, consideradas as situacoes especificas" (Brasil, 2000a: 10). Desta maneira, para alem das funcoes reparadora e equalizadora, busca tambem sua funcao qualificadora como permanente ao "propiciar a todos a atualizacao de conhecimentos por toda a vida" (Brasil, 2000a: 11).

Por isso, a EJA assume papel fundamental, na medida em que "ela e um apelo para a educacao permanente e criacao de uma sociedade educada para o universalismo, a solidariedade, a igualdade e a diversidade" (Brasil, 2000a: 11). A diversidade se refere a varias areas do conhecimento (Psicologia, Sociologia, Historia etc), envolve setores variados (empresas, organizacoes, escolas etc.) e diz respeito a inumeros aspectos (fisicos, psiquicos, intelectuais, culturais, sexuais etc.). A diversidade de genero e uma delas.

Costa (apud Casagrande & Correa, 2012) apresenta uma discussao sobre a construcao do conceito de genero e define cinco formas de se compreende-lo: como variavel binaria (enfatizando as diferencas entre homem e mulher); como papeis sexuais dicotomizados (enfatizando os papeis socialmente instituidos para homens e mulheres); como variavel psicologica (estabelecendo uma escala com a masculinidade em um polo e a feminilidade no outro e a definicao da sexualidade variaria dentro desta escala); como traducao de sistemas culturais (defendendo que existem dois mundos: o feminino e o masculino); como relacionai (defendendo que ha um relacionamento entre as pessoas permitindo a pluralidade). Com excecao da ultima todas as demais formas indicam a dicotomia masculino-feminino com papeis e funcoes constituidos e construidos social e historicamente com o feminino colocado numa posicao de segundo plano.

Na EJA nao podia ser diferente. A diversidade de genero e carregada de sentidos e significados construidos e apropriados nas historias dos/as personagens que a frequentam. Neste universo, a mulher sofre duplamente a discriminacao: por seu genero e por sua condicao social (Brasil, 2006). Exemplo disso e a pesquisa realizada por Ferreira & Dantas (2009), objetivando tracar o perfil de alunas de EJA, que, dentre os dados levantados, verificaram que das alegacoes para a evasao da escola em 60% dos casos envolviam aspectos relacionados com o casamento e a maternidade, ou porque os maridos nao cuidavam dos filhos enquanto elas estavam na escola, ou porque os maridos tinham ciumes, ou porque os maridos tinham medo de serem superados por elas (na medida em que alcancassem maior autonomia profissional com o melhor nivel de escolarizacao). Tais dados ratificam a percepcao que a sociedade tem sobre: as diferencas entre homem e mulher, os papeis socialmente instituidos para um e outro, a escala em que a masculinidade e o polo poderoso e a feminilidade e o polo que deve se submeter e o mundo masculino como superior ao feminino.

Outro dado interessante, para nao dizer preocupante, foi observado por Oliveira (2010) quando realizou pesquisa junto a alunos/as de EJA e verificou que existe muito preconceito em relacao ao genero dentre os/as proprios/as alunos/as, principalmente dos alunos para com as alunas. Foram comuns falas como esta: "lugar de mulher e em casa, cuidando dos filhos e do marido e nao na escola", discursos muitas vezes incorporados pelas proprias alunas como verdade e fazendo com elas evadamse da escola sempre que sua permanencia entra em choque com alguma atividade domestica.

Para alem das questoes que envolvem a permanencia na escola, tambem podemos citar Souza & Fonseca (2009) quando discutem e questionam a afirmacao do senso comum de que o homem apresenta desempenho melhor do que a mulher no que se refere a Matematica, apontando nitidamente um preconceito de genero. Este tipo de discurso, ao ser internalizado pela mulher, acaba por inviabilizar seu sucesso na escola na medida em que nem ela mesma acredita em suas capacidades.

Por conseguinte, discutir genero na EJA e importante, tendo em vista que a populacao que a ela acorre ja esteve na escola em momento anterior e no retorno a sala de aula pode continuar encontrando dificuldades para nela se manter. Tais dificuldades podem estar relacionadas ao preconceito e a discriminacao em relacao ao genero, principalmente no que diz respeito as mulheres. Louro (1997: 119120) afirma que
   [...] a presenca macica das meninas e mulheres nas
   salas de aula (em algumas instancias e niveis superando
   a presenca masculina); a maior visibilidade dos sujeitos
   homossexuais e bissexuais e seu reconhecimento
   pela midia; a imposicao das discussoes sobre sexo e
   sexualidade, a partir da expansao da AIDS; o aumento
   das relacoes afetivas e sexuais fora do casamento
   formal; a extraordinaria revolucao das formas e meios
   de comunicacao--todos esses e muitos outros processos
   estao atravessando a escola.


Como a tematica atravessa a escola, cabe a ela a responsabilidade de trazer a discussao nao somente do ponto de vista cientifico, mas, principalmente, para permitir a livre expressao e o respeito, defendendo que ha relacionamento entre as pessoas plurais a partir de discussoes de forma nao sexista ou preconceituosa. Pois, como afirma Louro (1997: 27, grifosno original), "as identidades sao sempre construidas, elas nao sao dadas ou acabadas num determinado momento" e a escola pode e deve contribuir na construcao de uma perspectiva de que genero e muito mais do que simplesmente definir se uma pessoa e homem ou mulher, e admitir que as pessoas sejam o que elas desejam ser, sem se preocupar com os estereotipos instituidos por um grupo dominante que estabelece padroes a partir de referentes, muitas vezes, aleatorios e ilogicos.

A fim de introduzir a discussao de genero na escola, o MEC propos a orientacao sexual como tema transversal indicando que deve perpassar todas as disciplinas que compoem o curriculo dos diversos niveis de ensino, incluindo a EJA. Contudo, Altmann (2001) argumenta que este tema so foi proposto como decorrencia da preocupacao com o aumento do numero de casos de gravidez entre os adolescentes e com o risco da possibilidade do aumento do numero de casos de AIDS. Ou seja, a discussao sobre genero se configura como questao secundaria, permitindo que se questione se a inclusao deste tema transversal de fato vislumbra a discussao acerca de genero tal como estudiosos como Louro (2007) buscam ou se e mais uma forma de controle numa perspectiva foucaultiana, como afirma Altmann (2001: 10):
   Atraves da colocacao do sexo em discurso, parece haver
   um complexo aumento do controle sobre os individuos,
   o qual se exerce nao tanto atraves de proibicoes e
   punicoes, mas atraves de mecanismos, metodologias e
   praticas que visam a produzir sujeitos autodisciplinados
   no que se refere a maneira de viver sua sexualidade.


Pinho (2007: 54) argumenta que o conceito de genero esta relacionado com "o conjunto de normas, valores, costumes e praticas atraves das quais a diferenca biologica entre homens e mulheres e culturalmente significada". Portanto, genero nao se refere ao aspecto biologico que e natural, mas se estende para muito alem, envolvendo o contexto social, cultural e historico no qual os sujeitos estao incluidos e que constroem perspectivas acerca dos papeis que as pessoas devem assumir socialmente, dentre elas o da sexualidade.

Para Louro (1997) o conceito de genero tem uma relacao direta com identidade e identidade, por sua vez, implica multiplicidade e mutabilidade, porque se altera em funcao das demandas culturais, sociais, politicas, economicas, religiosas, dentre outras. "A inscricao dos generos--feminino ou masculino --nos corpos e feita, sempre, no contexto de uma determinada cultura e, portanto, com as marcas dessa cultura" (Louro, 2007: 11), desta maneira, quando se busca compreender e explicar genero e preciso que se realize uma analise historico-cultural.

Genero nos documentos da EJA

A Resolucao n. 1/2000 do Conselho Nacional de Educacao alem de estabelecer as DCNEJA em seu artigo 2o. determina em que nivel de ensino ela se enquadra: "[...] como modalidade da Educacao Basica nas etapas dos ensinos fundamental e medio, nos termos da Lei de Diretrizes e Bases da Educacao Nacional" (Brasil, 2000b: 1). Por isso, no que se refere ao genero, a EJA segue o proposto para o ensino fundamental e medio por meio dos temas transversais dos PCN por meio da orientacao sexual, para o qual genero:

diz respeito ao conjunto das representacoes sociais e culturais construidas a partir da diferenca biologica dos sexos.Enquantoosexodizrespeitoaoatributoanatomico, no conceito de genero toma-se o desenvolvimento das nocoes de 'masculino' e 'feminino' como construcao social. O uso desse conceito permite abandonar a explicacao da natureza como a responsavel pela grande diferenca existente entre os comportamentos e lugares ocupados por homens e mulheres na sociedade. Essa diferenca historicamente tem privilegiado os homens na medida em que a sociedade nao tem oferecido as mesmas oportunidades de insercao social e exercicio de cidadania a homens e mulheres. Mesmo com a grande transformacao dos costumes e valores que vem ocorrendo nas ultimas decadas, ainda persistem muitas discriminacoes, por vezes encobertas, relacionadas ao genero. (Brasil, 1998: 321-322)

O Parecer n. 11/2000-CNE, que discute as diretrizes para a EJA, afirma

como direito de cidadania, a EJA deve ser um compromisso de institucionalizacao como politica publica propria de uma modalidade dos ensinos fundamental e medio e consequente ao direito publico subjetivo. E e muito importante que esta politica publica seVa articulada entre todas as esferas de governo e com a sociedade civil a fim de que a EJA seja assumida, nas suas tres funcoes, como obrigacao peremptoria, regular, continua e articulada dos sistemas de ensi dos Municipios, envolvendo os Estados e a Uniao sob a egide da colaboracao reciproca. (Brasil, 2000a: 53)

Seguindo esta linha e tendo como base os documentos nacionais a Secretaria de Educacao do Estado do Parana propos, em 2006, as Diretrizes Curriculares para a EJA, elencando aspectos para a definicao dos conteudos a serem contemplados quando se vislumbra uma educacao que define como aquela que respeite o sujeito enquanto aprendente. Os criterios elencados para isso foram:

dar relevancia aos saberes escolares frente a experiencia social construida historicamente [...], os processos de ensino e aprendizagem, mediatizados pela acao docente junto aos educandos [...], organizacao do processo ensino-aprendizagem, dando enfase as atividades que permitem integrar os diferentes saberes [...], possibilidades de articular singularidade e totalidade no processo de conhecimento vivenciado pelos educandos (Parana, 2006a: 38-39).

Para a Secretaria de Educacao do Estado, levando em conta estes criterios, a EJA transcende "o contexto particular dos educandos e lhes assegura acesso ao conhecimento em termos politicos, economicos, cientificos, etico-sociais, dentre outros, o que contribui para a formacao da consciencia historica e politica dos educandos" (Parana, 2006a: 39). Percebe-se a preocupacao com as especificidades do publico alvo a que se destina esta educacao nao so no que se relaciona a faixa etaria, mas, tambem no que se refere ao genero com "destacada presenca da mulher que, durante anos, sofreu e por diversas vezes ainda sofre as consequencias de uma sociedade desigual, com predominio da tradicao patriarcal, que a impediu anteriormente das praticas educativas" (Parana, 2006a: 31).

Todavia, ha que se especular se a formacao dos/as docentes/as que atuam junto a EJA, tanto no aspecto academico quanto pessoal, possibilita que vislumbrem a necessaria percepcao do individuo como sujeito de sua propria vida, mesmo que imerso em um mundo social. Pois, nas Diretrizes da formacao dos docentes da Educacao Infantil e series iniciais do Ensino Fundamental, em nivel medio, as quais se vinculam a EJA, por exemplo, a discussao de genero, sob a forma de educacao sexual, aparece como conteudo especifico da Biologia (Parana, 2006b). Como consequencia, genero se perde nas aulas sobre orgaos sexuais e sistema reprodutor masculino e feminino.

A preocupacao com a formacao docente para a atuacao na EJA esta presente no Parecer n. 11/2000-CNE quando destaca que e fundamental ao/a docente que atua neste nivel de ensino, conheca o universo das diversidades e especificidades dos sujeitos que compoem o alunado para que a educacao oferecida encontre "solucoes justas, equanimes e eficazes" (Brasil, 2000a: 61). No entanto, nao aponta os procedimentos necessarios para uma formacao especifica ao professor que atuara junto a alunos/ as jovens e adultos/as, cuja sexualidade em muito se diferencia da infanto-juvenil. Falar, inclusive, de orgaos sexuais e reprodutores para uma crianca de 9 anos e bastante diferente de falar para uma mulher que tem uma vida sexual ativa ou que ja foi mae. As especificidades da faixa etaria da EJA precisam ser respeitadas e atendidas o que, por sua vez, determina uma pratica pedagogica tambem especifica com um docente que tenha formacao adequada.

A proposta metodologica para a EJA no Parana ate vislumbra esta preocupacao e estabelece como eixos norteadores: cultura, trabalho e tempo, defendendo a articulacao entre eles, com a necessidade de se "usar metodologias que deem voz a todos os envolvidos nesse processo e adotar uma avaliacao que encaminhe para a emancipacao" (Parana, 2006a: 34). Tal perspectiva demanda a compreensao das pessoas como determinadas e determinantes da forma como se articulam como cidadas nas e pelas relacoes sociais.
   Por isso, Oliveira (2010: 5) argumenta que
   a escola deve inserir no conVunto de suas praticas
   curriculares a questao de genero, obVetivando levar
   os suVeitos a conscientizacao das desigualdades entre
   homens e mulheres evidenciadas nas relacoes de
   dominacao, subordinacao submetida as mulheres,
   intencionando sua superacao, transformando assim, as
   relacoes desiguais de poder na perspectiva da equidade
   de genero.


No entanto, a insercao da questao de genero na escola por si so nao desencadeara mudancas. As diferencas existem e precisam ser compreendidas e respeitadas, mas sem preconceitos, discriminacao, intimidacao, exclusao, marginalizacao de qualquer forma. Rosemberg (2001, p. 516), salienta que no Brasil, como reflexo de movimentos de luta de mulheres e de organizacoes internacionais como a UNICEF e a UNESCO, tem-se discutido a necessidade da educacao das mulheres como um dos recursos para a superacao da pobreza. O papel da mulher na reducao da mortalidade infantil, da educacao das criancas, do desenvolvimento e da economia, e da sustentabilidade sao imprescindiveis. Desta maneira, a autora argumenta que e necessario que sejam implementadas politicas publicas que favorecam o ingresso e a permanencia da mulher no processo de escolarizacao.

Consideracoes finais

Tendo em vista as questoes de genero aqui discutidas, podemos levantar como hipotese se a evasao escolar na EJA nao se da, dentre outras coisas, pelo preconceito e discriminacao vivenciados pelos alunos e alunas que frequentam este nivel de ensino. O abandono da escola se configuraria como fuga para o sentimento de inadequacao, perfeitamente compreensivel e desnecessario quando se e adulto ou adulta e ha a possibilidade da permanencia ou nao no ambiente escolar. A mulher, pela condicao historica e social de inferioridade que lhe e imputada encontra grandes dificuldades em dar continuidade ao seu processo de escolarizacao. Felizmente, contra esta corrente, a mulher tem ocupado cada vez mais os bancos escolares em todos os niveis de ensino.

Por isso, a discussao sobre genero precisa ser incluida nas aulas da EJA e, para isso, precisa ser parte integrante dos documentos especificos que norteiam a organizacao curricular deste nivel de ensino. Nao somente como disciplina ou como conteudo de uma disciplina, como a Biologia, mas como pratica de respeito a diversidade, principalmente na possibilidade da mulher ocupar o espaco que lhe foi restringido pela historia social e cultural da humanidade.

Ademais, da insercao das discussoes sobre genero, e preciso que os/as professores/as que atuam com esta educacao, alem da formacao envolvendo os conteudos, as metodologias e a percepcao das especificidades da clientela de EJA em particular, transformem a maneira como percebem a si e as pessoas ao seu redor, incluindo-se os/as alunos/as, como sujeitos de sua propria vida e os respeitando como tal.

O enfrentamento a estas questoes demanda mudancas profundas nao somente na escola e na legislacao pertinente a educacao, mas na estrutura da sociedade atual como um todo no que se refere as funcoes atribuidas as pessoas do ponto de vista social, envolvendo para alem da crenca construida historicamente do poder do homem sobre a mulher, mas sobre qualquer poder de uma pessoa sobre outra. E preciso, tambem, rever a submissao que este poder implica a partir de valores, papeis e funcoes socialmente instituidas do que e ser homem ou mulher, ser branco/a ou negro/a, ser rico/a ou pobre, ser jovem ou velho/a. A preocupacao deve ser em ser, simplesmente.

Referencias

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Janira S. Camargo

Professora do Departamento de Teoria e Pratica da Educacao da Universidade Estadual de Maringa. Parana.

E-mail: janirascamargo@gmail.com

(1) Em funcao das politicas do Governo Federal com a oferta de Bolsa Familia, tendo como criterio de selecao e manutencao dos/as filhos/as em idade escolar frequentando a escola, o indice de evasao escolar na faixa etaria entre 6 e 10 anos reduziu. No entanto, as escolas tem encontrado dificuldades em gerenciar as demandas das familias em termos das necessidades destas bolsas e o desejo de permanencia na escola por parte dos/as alunos/as.
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Author:Camargo, Janira S.
Publication:Revista Artemis
Date:Aug 1, 2012
Words:3626
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