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Historiography and power: the value of history, according to the thought of Isidore of Seville and Valerius of Bierzo (Hispania, seventh century)/ Historiografia e poder: o valor da historia, segundo o pensamento de Isidoro de Sevilha e de Valerio do Bierzo (Hispania, seculo VII).

Introducao

Iniciar um estudo no qual buscaremos analisar e interpretar o que determinados autores entendiam sobre a relacao entre historiografia e poder, em particular a importancia e o valor que a ideia de Historia alcancava em seus escritos, apresenta-se como uma tarefa complexa para qualquer historiador. Ainda mais se tentarmos averiguar qual teria sido o grau de consciencia que determinado autor tinha ao escrever sobre a Historia, se as ideias e opinioes por ele expressas foram influenciadas pelo contexto politico e ideologico de sua epoca ou pelo grupo aristocratico no qual ele encontrava-se inserido. Para Carmen Codoner esses questionamentos surgem como problema para qualquer investigacao historica (1986, p. 5), (1) duvidas que segundo Fernando Gasco tornam o estudo da Historia mais interessante, transformando-a numa fonte de conhecimento em constante movimento. (2) Ideia, por certo, presente nos escritos de Luciano de Samosata, autor que participou na segunda metade do seculo II nas campanhas de Lucio Vero contra os partos no oriente romano, (3) ao revelar a importancia que devia ser dada pelo historiador em ordenar e expor com clareza os acontecimentos, a fim de que o ouvinte compreendesse e valorizasse a propria Historia (4) pautada pelo preceito da verdade que surge como autentica virtude do historiador. (5) E incontestavel que Luciano seguia uma tradicao historiografica que remontava a Herodoto e, principalmente, a Tucidides (6) no que concernia a relacao entre a Historia e a maneira de como interpreta-la a partir do preceito da verdade segundo aquilo que se via e que deveria ser descrito e escrito "para sempre". (7) Por outro lado, verificamos que ainda preservava-se na perspectiva historica de Luciano aquele preceito helenistico que inseria a Historia nos dominios da retorica e da oratoria (8) anteriormente apontado por Cicero como tarefa apropriadamente desenvolvida pelo orador. (9) Portanto, podemos dizer que a forma de se escrever e divulgar a Historia durante as epocas classica e helenistica respeitava mais os conceitos retoricos que os propriamente gramaticais, estando as fontes historicas daqueles momentos mais vocacionadas para a apresentacao oral em ambientes cortesaos dirigidos a formacao dos grupos aristocraticos e dos integrantes da realeza helenistica. (10)

Contudo, tal concepcao da Historia modificou-se de maneira significativa naqueles autores que escreveram cronicas e Historias e viveram no periodo de transito e de reformulacoes politicas, sociais e culturais que caracterizaram o recorte temporal que definimos como a Antiguidade Tardia. (11) Para Paulo Orosio, autor hispano-romano de primordios do seculo V e discipulo de Agostinho de Hipona, (12) a Historia tinha como principal objetivo apresentar aos homens do presente os fatos e acontecimentos ocorridos no passado relacionados a guerra, a fome, aos cataclismos e as pragas, todos vinculados a vontade de Cristo e de Deus. (13) Tal perspectiva historica era portadora, por certo, de uma forte influencia do pensamento neoplatonico caracteristico do seculo III, formulado e desenvolvido por Plotino e seus discipulos, profundos influenciadores do proprio cristianismo, (14) que apontava a intervencao da vontade divina em todos os acontecimentos que envolvessem a Historia do homem. (15) Ora, essa concepcao que geralmente e apontada como parte da teologia da Historia formulada pelos autores cristaos do seculo IV como Agostinho, Orosio e Jeronimo, certamente os exemplos mais significativos que possuimos, tem as suas raizes evidentemente vinculadas ao neoplatonismo. (16) Quanto a forma de transmissao e aprofundamento daqueles conhecimentos historicos adquiridos pelos autores cristaos, que incluiam tambem informacoes difundidas pelos escritores pagaos (17) e destinadas ao estudo, valorizacao e reconhecimento das Sagradas Escrituras, parece-nos importante apontar o legado deixado por Agostinho de Hipona fundamentado em uma tradicao helenistica romana que zelava pela formacao pessoal pautada, sobretudo, nos ensinamentos propostos por Cicero. (18)

Apesar da indelevel marca ciceroniana que priorizava a forma retorica de apresentacao e difusao do conhecimento historico, observamos que a paulatina mudanca dos suportes materiais que permitiam o registro das informacoes escritas surgia como verdadeira inovacao da epoca tardo-antiga. Estamos nos referindo a nova conformacao e ao consequente manuseio dos documentos manuscritos marcados pela passagem das copias em rolos de papiro aos codices em pergaminhos, (19) mudanca em nossa opiniao muito significativa e que acabou deslocando a gramatica e a redacao escrita um papel de enorme relevancia, o de preservar o conhecimento historico de maneira perene, equivalente em todos os sentidos a tradicional funcao retorica. (20) Nesse momento, observamos que a Historia e a sua mais importante difusora, a historiografia, passavam a configurar aquilo que Marrou definiu como um autentico projeto apologetico que, em nossa opiniao, justificava tanto a relevancia da Historia crista como a sua supremacia, o seu poder, sobre o paganismo atraves do seu veiculo mais contundente, o documento manuscrito apresentado num codice (21) que seria lido e difundido nos ambientes socioculturais mais enlevados.

A Historia segundo Isidoro de Sevilha

Essa perspectiva parece encontrar eco nos escritos legados por Isidoro de Sevilha (570?-636) na primeira metade do seculo VII. Com efeito, de acordo com o bispo hispalense, a gramatica e todo o conjunto de conhecimentos a ela vinculados faziam parte da origem e do fundamento primordial da propria cultura, (22) dentre os quais encontramos a Historia na medida em que a recordacao e a preservacao do passado deviam ser eternizadas, como autentico monumento, "pelas letras". (23) Ora, sabemos que as "letras" eram a base essencial para a configuracao dos documentos manuscritos por parte dos escritores (24) e dos copistas, (25) especialistas, portanto, na composicao e organizacao dos textos escritos ou transcritos aos codices (26) que incluiam, por certo, obras historicas. Isidoro recorda-nos que as Historias eram escritas em codices um pouco maiores que os habitualmente utilizados para os poemas e cartas, (27) certamente por conta da quantidade de informacoes e, provavelmente, pela natureza da propria obra e do publico que a consultava. De fato, para o hispalense, as Historias eram destinadas aos leitores preparados para "verem" com os proprios olhos os acontecimentos narrados pelos historiadores e transcritos pelos copistas, pois era muito melhor e mais verdadeiro ler e comprovar que simplesmente escutar e duvidar. (28) Assim, da Historia escrita e preservada podia-se retirar varios ensinamentos fundamentais para o momento vivenciado pelo proprio Isidoro e o conjunto de toda a sociedade politica hispanovisigoda da primeira metade do seculo VII, (29) pois a Historia "e a narracao dos fatos acontecidos, pela qual se conhecem os sucessos que tiveram lugar em tempos passados" (30) ou, como no caso do hispalense, vivenciados pelo proprio historiador. Dessa forma a Historia, na concepcao isidoriana, destinava-se a formacao e a educacao do conjunto da sociedade politica hispano-visigoda, (31) daqueles que exerceriam importantes cargos e funcoes nos ambientes laicos e eclesiasticos do reino hispano-visigodo de Toledo. Perspectiva que incluia, indubitavelmente, o aprimoramento que deveria ser a tonica nos ambientes monasticos, realizado atraves dos varios exempla apresentados no ambito da conferencia monastica pelo monge mais experiente, o abade, (32) a partir da leitura dos manuscritos que continham as "normas das regras dos Padres" que seriam o motor para o bom desenvolvimento dos costumes e a manutencao das tradicoes monasticas. (33) Codices encontrados no espaco da biblioteca monastica, que eram extremamente bem cuidados e emprestados aos monges em horarios rigidamente definidos pelo sacristao, responsavel pela sua conservacao e preservacao. (34) A importancia da leitura e sua compreensao aparecem como uma preocupacao destacada no pensamento isidoriano, a tal ponto que as duvidas surgidas com a leitura deveriam ser apresentadas ao abade, na conferencia ou depois das vesperas monasticas, para sua devida explicacao ao conjunto dos monges cenobitas. (35) E muito provavel que alem de codices de autores cristaos catolicos existissem, na biblioteca monastica, manuscritos de procedencia paga e heretica (36) que poderiam incluir, evidentemente, obras de Historia escritas por autores pagaos destinadas a consulta muito reservada.

Seja para monges, eclesiasticos ou laicos, a Historia, para Isidoro de Sevilha, estava destinada a melhor formar e educar o conjunto dos grupos nobiliarquicos hispano-visigodos que integravam a sociedade politica do reino. Talvez por esse motivo, alem de se sentir apto para realizar a tarefa do historiador, o hispalense tenha escrito dentre a ampla gama de suas obras (37) uma especificamente destinada a Historia, a Historia dos godos, na qual destacava a grandeza dos godos perante todos os demais grupos barbaros assentados no ocidente tardo-antigo (38) e tambem sobre os romanos, vencedores do mundo que acabaram sucumbindo perante a forca guerreira gotica, (39) com a clara intencao de legar ao futuro uma imagem extremamente positiva da nobreza hispano-visigoda do seu tempo. Contudo, recordando o destacado papel politico e ideologico exercido por Isidoro de Sevilha no universo hispano-visigodo (40) e a importancia por ele dada aos acontecimentos do passado que contribuiam para melhor explicarmos os eventos do seu presente historico, parece-nos que a apologia dos godos proposta pela Historia isidoriana estava intimamente relacionada a recente conversao dos godos ao cristianismo catolico, ocorrida no III Concilio de Toledo de 589, que os colocava na vanguarda da defesa do catolicismo diante dos romanos-orientais que, no momento da escrita da Historia dos godos, surgiam como defensores da heresia estabelecidos nas limitadas areas do levante hispanico. (41) Ou seja, a vitoria alcancada pelo rei hispano-visigodo Suinthila sobre as forcas bizantinas que culminaram com a sua definitiva expulsao do territorio hispanico, (42) surgia como evidente resultado da intervencao divina favoravel aos defensores da verdadeira fe catolica contra os inimigos hereticos, submetidos e derrotados militarmente pelo poder dos godos de Hispania. (43)

Alem disso, devemos recordar que a Historia escrita por Isidoro de Sevilha ocupava um importante papel na elaboracao teorica que tentava construir a imagem do soberano ideal hispano-visigodo. Ao lado da Cronica e do livro Dos varoes ilustres, (44) a Historia dos godos surgia integrada naquela Historia tripartita apresentada por J. Hillgarth que tinha como um dos mais significativos interesses a glorificacao dos soberanos catolicos hispano-visigodos (45) perante o conjunto da sociedade politica hispano-visigoda formada pelos elementos laicos e eclesiasticos do reino que aclamavam e elegiam o soberano dentre os integrantes da nobilitas hispano-visigoda. (46) Neste caso os exempla regios presentes na Historia dos godos serviam para reforcar a ideia de que o regnum, a autoridade concedida pelo conjunto da nobreza e detida pelo soberano, (47) tornar-se-ia mais forte atraves da concordia e do consenso reunidos a volta do sacratissimo et christianus princeps, escolhido pela vontade divina e reconhecido pelos homens. Uma proposta claramente vinculada a ideia de unidade regia que teria, como consequencia, a perspectiva unitaria eclesiastica a volta da autoridade episcopal. Assim, a Historia escrita e preservada, no pensamento isidoriano, vinculava-se tambem a nocao e a defesa da unidade politica e religiosa que teria nas figuras do rei e do bispo seus mais bem acabados exemplos para o universo nobiliarquico do reino hispano-visigodo de Toledo.

A Historia segundo Valerio do Bierzo

Se a concepcao acerca da Historia ganhava uma conotacao mais ampla e universal segundo a perspectiva isidoriana, observamos uma postura um pouco diversa quando nos detemos sobre os escritos de Valerio do Bierzo (620/ 625?-695?). Monge cenobita, anacoreta e eremita, Valerio desenvolveu sua atividade monastica num estreito espaco geografico entre as localidades bercianas de Compludo, a parcela de Ebronauto e o mosteiro de Rufiana, este ultimo encravado nas montanhas. (48) Autor de uma autobiografia, unica no seu genero no ambiente cultural tardo-antigo da Hispania visigoda, alem de outros escritos espirituais, hagiograficos, poeticos, e responsavel por uma igualmente importante e impar compilacao hagiografica que reune as vidas dos mais destacados eremitas e anacoretas da Tebaida egipcia, alem de relatos da vida de santos visigodos como as Vidas dos santos padres de Merida e a Vida de Sao Fructuoso de Braga, (49) Valerio apresenta-nos uma curiosa e particular visao da Historia. Com efeito, a palavra Historia aparece somente em duas passagens de sua autobiografia, sempre se referindo a sua historia pessoal narrada ate entao (50) na qual Valerio se apresenta como modelo de homem santo que combate constantemente o demonio e todos os seus satelites. (51) Uma peculiar imagem de si mesmo que levou Hillgarth a sugerir que a autobiografia de Valerio se apresenta como uma hagiografia pessoal, (52) que definimos como uma "auto-hagiografia", (53) enquanto Collins definia o conjunto dos escritos autobiograficos valerianos como uma especie de Uita Ualeri, comparavel em todos os sentidos ao mais destacado relato hagiografico cristao da Antiguidade Tardia, a Uita Antonii (54) escrita por Atanasio de Alexandria. Nesse caso, a Historia proposta por Valerio do Bierzo se aproximava consideravelmente de um estilo proprio da biografia em que a laudatio pessoal, amparada nos modelos de outros homens santos cristaos, servia como exemplum de uma vida santificada que deveria ser seguida por outros monges. Ou seja, o conjunto composto pela autobiografia e as demais obras de Valerio, incluindo aqui a sua compilacao hagiografica, formariam um testemunho de uma vida santa entendida como uma Historia.

Mesmo oferecendo uma perspectiva historica pautada na sua trajetoria individual, verificamos que Valerio acentuava a importancia de preservacao da sua Historia como modelo exemplar para outros monges e discipulos atraves de sua conservacao manuscrita. De fato, a autobiografia valeriana apresenta algumas passagens nas quais o trabalho de scriptor realizado pelo nosso personagem e singularmente destacado, como no caso do pequeno libelo transcrito por Valerio e oferecido aos filhos de Teodora, (55) o mesmo que aparece mencionado como instrumento educacional para a memorizacao de passagens do salterio, (56) metodo de fixacao atraves da repeticao apreendido e praticado pelo nosso autor, provavelmente, durante a sua estada no mosteiro de Compludo (57) onde o proprio Valerio recebeu parte de seus primeiros ensinamentos do monge Maximo, "copista de livros e declamador de salmos". (58) Mas a funcao de scriptor ganha projecao e destaque nos escritos valerianos no momento da aparicao de sua compilacao hagiografica, quando observamos a notoria intencao de Valerio em valorizar e acentuar o que ele proprio define como "edificacao dos espiritos atraves dos documentos". (59) Ou seja, na perspectiva de Valerio, a transmissao de um conjunto determinado de hagiografias, consideradas fundamentais para a afirmacao de suas ideias sobre a santidade, fazia parte da nocao de manutencao e conservacao da memoria dos homens santos que no passado realizaram acoes que no seu presente historico surgiam como verdadeiros modelos, exemplos refletidos, provavelmente de maneira retorica, na propria Historia pessoal de Valerio. Assim, em nossa opiniao, Valerio pretendia atraves dos documentos manuscritos, que incluiam a sua Historia autobiografica ao lado das muitas vidas de santos que foram por ele transcritas em sua compilacao hagiografica, apresentar uma proposta de caminho espiritual e individual que conduziria a santidade e a perfeicao. Em nossa opiniao, nesse conjunto documental, Valerio estaria indicando as suas experiencias pessoais, pautadas pela opcao de uma vida ascetica e monastica de caracteristicas eremiticas, como critica direta a valorizacao proposta pelas hierarquias eclesiasticas hispano-visigodas e pela forma de vida monastica em comunidade, cenobitica, (60) duramente criticada nos escritos valerianos, em particular no Do genero dos monges em que Valerio reestruturava a tradicional divisao oferecida por Isidoro de Sevilha sobre os tipos ideais e perfidos de monges de seis para sete (61) indicando, nesse caso, a provavel reminiscencia de praticas asceticas priscilianistas (62) mantidas por grupos nobiliarquicos locais que convertiam, de maneira compulsoria e sem qualquer amparo legal, aos seus familiares e todos os seus dependentes que deveriam ser vistos, segundo Valerio, como "falsos monges". (63)

Consideracoes finais

Embora observemos a existencia de evidentes distincoes entre os pensamentos de Isidoro de Sevilha e de Valerio do Bierzo, certamente relacionadas aos ambientes sociopoliticos e culturais receptores de suas ideias e seus escritos--o hispalense vinculado a um ambiente nobiliarquico proprio da corte regia hispano-visigoda, enquanto o berciano estava voltado aos grupos nobiliarquicos estabelecidos no seu espaco geografico local e regional mais proximo--, podemos verificar que determinados elementos aproximam ambos os autores quando analisamos as suas concepcoes sobre o valor e a importancia da Historia. A comecar pela presenca, tanto nas Historias de Isidoro de Sevilha como nas obras de carater autobiografico e hagiografico de Valerio do Bierzo, da ideia da intervencao divina no desenrolar da Historia, seja do reino hispano-visigodo de Toledo, seja na trajetoria santificadora e pessoal. Esse traco historiografico, caracteristico do pensamento neoplatonico e incorporado pelo cristianismo, vinculava-se a perspectiva da escolha divina tanto sobre aquele grupo nobiliarquico que elegeria e escolheria o futuro rei cristao e sagrado, ou que agiria sobre uma trajetoria particular no sentido de guia-la no caminho da perfeicao ascetica. A influencia divina e decisiva no desenvolvimento da Historia acabaria por influenciar a sua escrita, pois a sua preservacao manuscrita para as geracoes futuras marcaria os varios exemplos do poder concedido pela divindade crista aos grupos nobiliarquicos, aos reis e aos verdadeiros homens santos.

Portanto, a Historia seria fundamental para ensinar e legar modelos virtuosos que seriam exemplos para os grupos nobiliarquicos que configuravam a sociedade politica hispano-visigoda, tanto no nivel do reino como nos ambitos locais e regionais. A diferenca entre a ideia de Historia apresentada por Isidoro de Sevilha e Valerio do Bierzo radicava, particularmente, na forma de participacao do historiador no proprio desenvolvimento historico por ele narrado e descrito: enquanto o hispalense apresentava a Historia de uma perspectiva plural, descrevendo, narrando e aplicando as tradicoes e as memorias do passado sobre o conjunto da nobreza hispano-visigoda e o rei, colocando-se como apresentador privilegiado dos fatos e acontecimentos conhecidos e interpretados tanto atraves dos documentos manuscritos como, em alguns casos, pela vivencia dos mesmos, o berciano, pelo contrario, colocava-se no centro do desenvolvimento da Historia destinada a mostrar, no nivel local e regional, que o seu caminho ascetico, iniciado no cenobitismo e desenvolvido no eremitismo e no anacoretismo, era de fato o mais adequado para se atingir a perfeicao, similar em varios aspectos aos grandes homens santos do passado. Porem, se diferiam na forma, ambos coincidiam num mesmo objetivo, o de educar os segmentos nobiliarquicos hispano-visigodos com varios exemplos que reforcariam os seus poderes no universo politico, social, cultural e religioso do reino hispano-visigodo. Ao fim e ao cabo, Isidoro de Sevilha e Valerio do Bierzo, cada qual a sua maneira, a do primeiro mais oficial, e a do segundo pessoal, revelam a importancia da Historia como veiculo de fortalecimento do poder dos grupos nobiliarquicos, efetivamente os mais capacitados para exercerem as tarefas de governar e conduzir a sociedade hispano-visigoda do seculo VII a perfeicao sagrada.

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(1) Para C. Codoner Merino, [...] La percepcion directa del hecho, percepcion que emana de los autores, no admite discusion. El problema surge cuando el investigador pretende asentar sobre datos esta sensacion que como tal sensacion es evidente, cuando se intenta comprobar en que medida cada uno de los historiadores estudiados ha sido consciente de esa evolucion y ha colaborado a ella con su obra [...].

(2) O estudo da guerra seria um dos exemplos mais significativos desta Historia em movimento, segundo F. Gasco (1986-87, p. 169): [...] Influidos por una tradicion procedente en parte de la epica estos autores iniciaran a su vez una corriente historiografica que sera venturosa en influencias. Desde entonces se privilegio lo que se ha dado en llamar la historia cinetica frente a la historia cultural [...].

(3) Luc.Sam. Quo modo historia conscribenda sit, 30: [...] Un estupendo historiador destrozo todo lo que habia ocurrido de principio a fin en Armenia, en Siria, en Mesopotamia y en el Tigris [...].

(4) Luc.Sam. Quo modo historia 51; [...] Una cosa parecida es tambien la tarea del historiador: ordenar con belleza los acontecimientos y exponerlos con la mayor claridad en la medida de lo posible. Y cuando el oyente crea luego estar viendo lo que se relata y a continuacion lo aplauda, entonces si que se puede dar por totalmente acabada la obra historica [...].

(5) Luc.Sam. Quo modo historia ..., 44: [...] Lo mismo que hemos puesto la liberdad de expresion y la verdad como objetivos del historiador, asi tambien debe ser uno el principal proposito de su lenguaje; explicar el tema con claridad y mostrarlo con la mayor evidencia posible [...].

(6) Luc.Sam. Quo modo historia 54: [...] Tales introducciones emplearon los mejores historiadores; Herodoto, para que no se borrarn con el tiempo los acontecimientos, que eran grandes y admirables, y ponian en evidencia las victorias griegas y las derrotas de los barbaros. Tucidides, por su parte, convencido personalmente de que aquella guerra seria grande, mas memorable y mas importante que las ocurridas anteriormente [...].

(7) Luc.Sam. Quo modo historia ..., 42: [...] En este sentido, Tucidides establecio muy bien la norma y distinguio entre la virtud y el vicio del historiador, sobre todo al ver que Herodoto fue admirado hasta el punto de que se pusiera el nombre de la Musas a sus libros. Y asi afirma que esta componiendo un bien para siempre mas que una representacion para la actualidad, y que no le tiene apego al mito, sino que trata de dejar a la posteridad la verdad de los acontecimientos [...].

(8) Luc.Sam. Quo modo historia ..., 53: [...] Cuando se utiliza la introduccion, se empieza unicamente con dos puntos [...] y se busca la atencion y el interes de los oyentes [...].

(9) Cic. De Orat. II, 62; [...] Sed illuc redeo; videtisne, quantum munus sit oratoris historia? Haud scio an flumine orationis et varietate maximum; neque eam reperio usquam separatim instructam rhetorum praeceptis; sita sunt enim ante oculos. Nam quis nescit primam esse historiae legem, ne quid falsi dicere audeat? Deinde ne quid veri non audeat? Ne quae suspicio gratiae sit in scribendo? Ne quae simultatis? [...]

(10) Segundo V. Alonso Trancoso (2005, p. 197), [...] La paideia del principe, segun hemos indo viendo, consistia en algo mas que en el mero aprendizaje de unos cuantos saberes curriculares; debia templarse asimismo en el bano de valores (politicos, religiosos) entre los cuales prevalecian la lealtad y el animo de perseverar en la obra de los antepasados, empezando por la del ultimo jefe de la casa. Era aqui donde el ejemplo de gobierno y el magisterio oral del rey constituian, como es natural, la mejor de las pedagogias. En el discurso que Livio pone en la boca de Filipo cuando este convoca a los dos principes enconados, oimos reconvenciones de padre cansado ya de impartir lecciones a sus hijos (meorum praeceptorum: T.L., 40.8.10) harto de recordarles ejemplos y mas ejemplos sacados de la historia de la realeza griega [...].

(11) Um estudo recente e relativo ao conceito de Antiguidade Tardia e o de R. Frighetto (2009).

(12) Or. Hist.Adv.Pag. Prol.,1: Praeceptis tuis parui, beatissime pater Augustine; atque utinam tam efficaciter quam libenter [...].

(13) Or. Hist.Adv.Pag., Prol., 9-10: [...] ob hoc solum quod creditur Christus et colitur Deus [...]; praeceperas ergo, ut ex omnibus qui haberi ad praesens possunt historiarum atque annalium fastis, quaecumque aut bellis grauia aut corrupta morbis aut fame tristia aut terrarum motibus terribilia aut inundationibus aquarum insolita aut eruptionibus ignium metuenda aut ictibus fulminum plagisque grandinum [...].

(14) Segundo S. Pricoco (1992, p. 316). "[...] L'assimilazione piu originale del pensiero nelplatonico nell'Occidente avviene quasi interamente all'interno della chiesa cristiana, ormai trionfante e largamente integrata nell'Impero [...]"; para M. J. Hidalgo de la Vega (1995, p. 224). [...] en ese proceso de desarollo y difusion de la intelectualidad pagana se encuentran contenidos de pensamiento y conjuntos de valores a partir de los que se intenta construir un hombre nuevo, que participa no solo de los valores clasicos del patrimonio antiguo sino tambien de las categorias propias del pensamiento de Plotino y de sus discipulos, Porfirio, Jamblico y otros [...].

(15) Sobre este tema vide R. Frighetto (2009, p. 241-242).

(16) Para H. I. Marrou (1980), [...] Ce jugement pourra paraitre bien severe et peut-etre les organisateurs ont-ils eu tort de confier l'analyse de l'augustinisme d'Orose a un autre augustinien. Peut-on me reprocher de croire avoir mieux que lui su percevoir l'essence du veritable augustinisme? Tout neoplatonicien est persuade d'avoir mieux compris que les autres la veritable pensee de Platon! Mais si le theologien de l'histoire en moi ne peut s'interdire de juger severement son confrere Orose [...].

(17) Excelente a observacao feita por A. Momigliano (1970, p. 111), [...] Il cristianesimo non e, o almeno e solo in particolari circonstanze, una linea divisoria per storici di guerre e politica. [...] I cristiani tiepidi come Procopio assumono atteggiamenti paganeggianti per deferenza alla tradizione storiografica pagana [...]; Simmaco avrebbe dunque derivato molti fatti da Orosio senza accettarme la interpretazione complessiva della storia romana. Orosio e appunto l'unico storico a noi conosciuto che scriva da un punto di vista cristiano la storia politica di Roma [...].

(18) Como indica H. I. Marrou (1980, p. 62-63), [...] Comme on le sait, Augustin reprenait dans une perspective chretienne l'ideal du doctus orator tel que Ciceron l'avait formule [...]; les textes de base qui seront le plus souvent invoques, qu'ils fussent connus directement ou indirectement, sont celui du De doctr.christ.II, 28 (42-44) sur l'utilite de la connaissance de l'histoire por l'etude des Saintes Ecritures [...]. Mais saint Augustin a ete aussi un temoin insigne, non seulement de la theorie, mais aussi de la pratique de l'historiographie classique; humaniste, rheteur, homme cultive du tardo antico [...].

(19) De acordo com G. Cavallo (1995, p. 111), "Entre los siglos IV-V concluye ya definitivamente aquella que fue la gran revolucion de la historia del libro antes de la imprenta; el paso del volumen, el rollo de tradicion helenistica, al codex, el codice de tradicion sobre todo romana [...]. Como causa de este fenomeno a menudo se han invocado factores de indole practica; el codice permitia encontrar mas rapidamente un pasaje [...]; su forma mas manejable se adaptaba mejor a la lectura, al transporte durante el viaje, al uso escolar [...].

(20) Muito interessante a descricao apresentada sobre o curriculo educacional na epoca hispano-visigoda por M. C. Diaz y Diaz (1982, p. 82), [...] Los estudios gramaticales tenian una enorme importancia; comprendian sobre todo la morfologia, el lexico y la prosodia. A partir de aqui se dedicaba atencion a las tecnicas retoricas, en funcion de las cuales volvia a estudiarse el lexico y la construccion, y de una manera mas especifica y extensa toda clase de figuras de pensamiento y diccion [...].

(21) Cf. H. I. Marrou (1980, p. 75-76), "[...] Comme la Cite de Dieu, les Histoires d'Orose ne son pas un oeuvre purement scientifique mais son integrees dans un projet apologetique: storiografia, soit, mais ecrite ad probandum [...]"; interessante a perspectiva oferecida por G. Cavallo (1995, p. 113), [...] El cristianismo--al que se debe la primera adopcion masiva del codice--se apoya con su religion del libro sobre esta franja de lectores interesados en textos alternativos respecto a la gran tradicion literaria [...]. El codice, por otra parte, significaba para los cristianos tambien una ruptura con la cultura pagana oficial representada por el rollo [...].

(22) Isid. Etym. I,5,1: Grammatica est scientia recte loquendi, et origo et fundamentum liberalium litterarum ...; segundo J. Fontaine (2002, p.115), "La gramatica constituye para Isidoro el saber fundamental [...]".

(23) Isid. Etym. I,41,2: [...] Haec disciplina ad Grammaticam pertinet, quia quidquid dignum memoria est litteris mandatur. Historiae autem ideo monumenta dicuntur, eo quod memoriam tribuant rerum gestarum [...].

(24) Isid. Etym. VI,14,2; Ab scribendo autem scriba nomen accepit, officium exprimens vocabuli qualitate [...].

(25) Isid. Etym. I,3,1; Primordia grammaticae artis litterae communes existunt, quas librarii et calculatores sequuntur ... ; a definicao da arte do copista e apresentada em Isid. Etym. VI,14,1: Librarios antea bibliopolas dictos. Librum enim Graeci biblos vocant. Librarii autem iidem et antiquarii vocantur; sed librarii sunt qui et nova scribunt et vetera; antiquarii, qui tantummodo vetera, unde et nomen sumpserunt [...].

(26) Isid. Etym. VI,13,1: Codex multorum librorum est; liber unius voluminis [...].

(27) Isid. Etym. VI,12,1: Quaedam nomina librorum apud gentiles certis modulis conficiebantur. Breviori forma carmina atque epistolae. At vero historiae maiori modulo scribebantur [...].

(28) Isid. Etym. I,43: Historiae gentium non inpediunt legentibus in his quae utilia dixerunt [...]; I,41,1; [...] Melius enim oculis quae fiunt deprehendimus, quam quae auditione colligimus [...].

(29) Isid. Etym. I,43: [...] Multi enim sapientes praeterita hominum gesta ad institutionem praesentium historiis indiderunt [...].

(30) Isid. Etym. I,41: Historia est narratio rei gestae, per quam ea, quae in praeterito facta sunt, dinoscuntur [...].

(31) Aquilo que e descrito por J. FONTAINE (2002, p. 162), "[...] Este valor educativo de la historia constituyo para Isidoro una razon capital para asimilar su contenido [...]".

(32) Reg.Isid., 7: [...] Adque audiant docentem seniorem instruentem cunctos salutaris praeceptis; audiant patrem studio [...].

(33) Reg.Isid., 7: [...] sed in praefinitis diebus cunctis pariter congregatis praecepta patrum regularia recensenda sunt, ut qui nec didicerunt, percipiant quod sequuntur [...].

(34) Reg.Isid., 8: Omnes codices custos sacrarii habeat deputatos a quo singulos singuli fratres accipiant quos prudenter lectos uel habitos semper post uesperum reddant. Prima autem hora codices diebus singulis expetantur. Qui uero tardius postulant nequaquam accipiant [...].

(35) Reg.Isid., 8: [...] De iis autem quaestionibus quae leguntur nec forte intelleguntur unusquisque fratrum aut in conlatione aut post uesperam abbatem interrogabit et recitata in loco lectione ab eo expositionem suscipiat, ita ut dum uni exponitur ceteri audiant [...].

(36) Reg.Isid., 8: [...] Gentilium autem libros uel haereticorum uolumina monachus legere caueat [...].

(37) De forma resumida, aparecem descritas em Ild. De Uir.Ill., 8 [...] Scripsit opera et eximia et non parua, id est; librum de genere officiorum, librum proemiorum, librum de ortu et obitu prophetarum, librum lamentationis, quem ipse Synonima uocitauit [...], librum de natura rerum ad Sisebutum principem, librum differentiarum, librum sententiarum [...]. Scripsit quoque in ultimo, ad petitionem Braulionis, Caesaraugustani episcopi, librum Etymologiarum [...].

(38) Isid. H.G., 68: Hos Europae omnes tremuere gentes, Alpium his caesere obices, Wandalica ipsa crebro opinata barbaries non tantum praesentia eorum exterrita quam opinione fugata est. Gothorum uigore Alani extincti sunt, Sueui quoque hactenus intra inaccessos Spaniarum angulos [...].

(39) Isid. H.G., 67: [...] Quibus tanta extitit magnitudo bellorum et tam extollens gloriosae uictoriae uirtus ut Roma ipsa uictrix omnium populorum subacta captiuitatis iugo Gothicis triumphis adcederet et domina cunctarum gentium illis ut famula deseruiret. Como indica J. Fontaine (2002, p. 171-172, "[...] Con todo, es cierto que la tesis fundamental, incluso inicial, de Isidoro tiene como objeto mostrar que los godos superan a los romanos por la antiguedad de su raza [...]."

(40) Segundo Braul.Caes. Renot.Isid.: Isidorus, uir egregius, hispalensis ecclesiae episcopus Leandri episcopi sucessor et germanus, floruit a tempore Mauritii imperatoris et Reccaredi regis; in quo quiddam sibi antiquitas uindicauit, immo nostrum tempus antiquitatis in eo scientiam imaginauit [...]; Ild. De Uir.Ill., 8: [...] Floruit temporibus Reccaredi, Liuuanis, Vuitterici, Gundemari, Sisebuti, Suinthilanis et Sisenandi regum, annis ferme quadraginta tenens pontificatus honorem insignemque doctrinae sanctae gloriam partiter et decorem.

(41) Para tanto vide R. Frighetto (2002, p. 499-501).

(42) Isid. H.G., 62; [...] gloriossisimus Suinthila gratia diuina regni suscepit sceptra [...]. Postquam uero apicem fastigii regalis conscendit, urbes residuas, quas in Spaniis Romana manus agebat, proelio conserto obtinuit auctamque triumphi gloriam prae ceteris regibus felicitate mirabili reportauit, totius Spaniae intra oceani fretum monarchiam regni primus idem potitus, quod nulli retro principum est conlatum [...].

(43) Isid. H.G., 70: [...] ut non solum terra, sed et ipsa maria suis armis adeant subactusque seruit illis Romanus miles, quibus seruire tot gentes et ipsam Spaniam uidet.

(44) Braul. Renot.Isid.: [...] Chronicorum a principio mundi usque ad tempus suum librum unum, nimia breuitate collectum [...]. De uiris inlustribus librum unum, cui nos ista subiunximus [...].

(45) Cf. HILLGARTH, J. (1970, p. 279), "[...] Both the exaltation of the 'sacerdotium' in some parts of the Historia tripartita and the portrait of the ideal prince may help to explain some apparent contradictions between Isidore's theory of the just king in the Sententiae and his laudatory portraits of individual kings in the Historiae [...]".

(46) Algumas importantes referencias conciliares indicam essa pratica no tempo de Isidoro, como Conc.IV Tol., a.633, c.75: [...] sed defuncto in pace principe primatus totius gentis cum sacerdotibus successorem regni concilio conmuni constituant, ut dum unitatis concordia a nobis retinetur, nullum patriae gentisque discidium per vim atque ambitum oriatur [...]; com respeito as pre-condicoes da eleicao e aclamacao do rei, vide Conc.V Tol., a.636, c.3: [...] Ut quisquis talia meditatus fuerit, quem nec electio omnium provehit nec Gothicae gentis nobilitas ad hun honoris apicem trahit, sit a consortio catholicorum privatus et divino anathemate condemnatus; Conc.VI Tol., a.638, c.17: [...] Rege vero defuncto nullus tyrannica praesumtione regnum adsummat, nullus sub religionis habitu detonsus aut turpiter decalvatus aut servilem originem trahens vel extraneae gentis homo, nisi genere Gothus et moribus dignus provehatur ad apicem regni [...]

(47) Sobre o conceito de regnum vide R. Frighetto (2007, p. 203-220).

(48) Informacoes analisadas por R. Frighetto (2006, p. 10-16).

(49) Sobre a compilacao hagiografica de Valerio do Bierzo vide R. Frighetto (2003, p. 117-124).

(50) Val. Repl., 13: Ego etenim posthec iteratim uastatus in alia parte a christianis, ut superior declarat historia, sum perductus [...]; Val. Resd., 1: [...] De eius constructione et hic iuxta altarii sanctorum apostolorum operatione, in superiore historia patet breuiter conprehensum.

(51) Cf. R. Frighetto (2003, p. 28).

(52) De acordo com J. Hillgarth (1970, p. 308), "[...] Valerius autobiographies are really a form of hagiography [...]".

(53) Cf. R. Frighetto (2003, p. 28).

(54) Segundo R., Collins (1986, p. 431), "[...] On the analogy of the Vita Antonii, in might be suggested that Valerius's three autobiographical 'Conferences' were solicited from him by Donadeus, not only for the spiritual teaching by way of example that they contained, but also with a view to the eventual composition of Vita Valerii [...]".

(55) Val. Repl., 3: Et ut hinc postulationem cura miserationis dominicae pateat breuiter intimabo. Cum in eodem necessitudinis loco quendam bonorum filiorum enutrirem, et illi pro eruditione praecipuum conscripsissem libellum [...], idem matrona, nomine Theodora [...]

(56) Val. Repl.,6: Cum autem paruulum quendam pupillum litteris imbuerem, tantum dipensatio diuina dedit illi memoriae capacitatem et intra medium annum peragrans cum canticis uniuersum memoriae retineret psalterium [...]

(57) Tal informacao aparece claramente mencionada na R.F., 4,7-8: [...] Iuniores autem coram suis residentes decanis lectioni uel recitationi uacent [...], papel educativo desempenhado pelo decano monastico; quanto a passagem de Valerio pelo mosteiro de Compludo, Val. Ord.Querm., 1: [...] ad Complutensis coenobii litus properans transmeare immensi desiderii ardore succensus atque futuri judicii timore perterritus [...].

(58) Val. Ad.Don., 1,9-13: [...] In qua erat plerumque congregatio fratrum, aliquanto tempore commorarem. Inter quos erat quidam frater, nomine Maximus, librorum scribtor, psalmodie meditator, ualde prudens, et in omni sua actione conpositus, in cuius prae caeteris eram caritatis amore conexus [...].

(59) Val. Resd., 2: Librorum uero uolumina tam quae quotidiano officio quam pro sanctarum festiuitatum per ordine pertinent anniuersario uel etiam diuersarum sanctarum scripturarum quod ad edificationis profectum atque industriae documentum proficit animarum [...].

(60) Segundo Isid. Etym., VII, 13,2: Coenobitae, quos nos In commune viventes possumus appellare. Coenobium enim plurimorum est, forma de vida monastica coletiva reconhecida como legitima no Conc.III Tol., a.589,c.4; Si episcopus unam de parrochitanis ecclesiis suis monasterium dicare voluerit, ut in ea monachorum regulariter congregatio vivat, hoc de consensu concilii sui habeat licentiam faciendi [...]; Conc.IV Tol., a.633,c.51: [...] sed hoc tantum sibi in monasteriis vindicent sacerdotes quod recipiunt canones; id est monachos ad conversationem sanctam praemonere, abbates aliaque officia instituere, atque extra regulam acta corrigere [...]

(61) De acordo com Isid. De Eccl.Off., II, 16,2-9 [...] Sex autem sunt genera monachorum, quorum tria optima, reliqua uero deterrima atque omnimodis euitanda. Primum genus est coenobitarum, id est in commune uiuentium [...]. Secundum genus est heremitarum qui procul ab hominibus recedentes deserta loca et uastas solitudines [...]. Tertium genus est anachoritarum qui, iam coenobiali conuersatione perfecti, includunt semetipsos in cellulis procul ab hominum conspectu remoti [...]. Quartum genus est qui sese anachoritam imagine blandiuntur [...]. Quintum genus est circellionum qui sub habitu monachorum usquequaque uagantur, uenalem circumferentes ypocrisin [...]. Sextum genus est monachorum et ipsum deterrimum atque neglectum quod per Ananiam et Saffiram in exordio ecclesiae pullulauit [...]; o setimo tipo apresentado e descrito por Val. De Gen.Mon., 2,52-4: [...] Insuper hypocrisi falsae religiosis ita captantur, ut in conspectatium obtutibus saecularium protendant falsum sacrae religionis habitum ...; para maiores informacoes sobre este ultimo, vide R. Frighetto (1997, p. 363-373).

(62) Uma definicao sobre os priscilianistas e apresentada por Isid. Etym., VIII, 5,54: Priscillianistae a Priscilliano vocati, qui in Hispania ex errore Gnosticorum et Manichaeorum permixtum dogma conposuit [...].

(63) Val. De Gen.Mon. 1,21-5: [...] tolluntur ex familiis sibi pertinentibus subulci, de diversisque gregibus dorseni, atque de possessionibus parvuli, qui pro officio supplendo inviti tondentur et nutriuntur per monasteria, atque falso nomine monachi nuncupantur [...].

Renan Frighetto

Professor Associado

Universidade Federal do Parana (UFPR)

rfrighetto@hotmail.com

Rua General Carneiro, 460/6 andar--Sala 606A--Centro

Curitiba--PR

80060-150

Brasil

Enviado em: 29/04/2010

Autor convidado
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Title Annotation:dossier: The history of historiography and the classical studies/ Dossie: A historia da historiografia e os estudos classicos
Author:Frighetto, Renan
Publication:Historia da Historiografia
Date:Sep 1, 2010
Words:6949
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