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Historias de maternidade vividas na TV: o papel do testemunho num reality show brasileiro.

Maternity stories lived on TV: the role of testimony in a Brazilian reality show

Consideracoes iniciais

Em julho de 1998, o Jornal Nacional dedicou cerca de 10 minutos de seu horario para falar sobre o nascimento de Sasha, filha da apresentadora Xuxa Meneghel, cuja trajetoria se consolidou em torno de atuacoes como modelo e apresentadora de programas infantis. Xuxa nao era casada e sempre deixou clara a intencao de ter um filho, o que era amplamente divulgado pelos diversos veiculos de comunicacao dedicados a cobertura da vida de celebridades. Por diversos anos, os telespectadores, fas de Xuxa ou nao, acompanharam pela imprensa seus relacionamentos amorosos e a esperanca nutrida pela apresentadora de, enfim, tornar-se mae. Em 1997, Xuxa iniciou um relacionamento com o empresario Luciano Szafir, desconhecido do publico ate entao, e ai comeca sua historia de maternidade. Ao longo dos nove meses de gestacao, os telespectadores acompanharam intensamente as expectativas de Xuxa, sua barriga crescendo, a montagem do quarto de Sasha e outros detalhes em torno do bebe que estava por nascer.

O nascimento de Sasha rendeu quatro entradas distintas no Jornal Nacional: duas reportagens sobre o nascimento da herdeira da "rainha dos baixinhos", uma entrada ao vivo direto da maternidade e uma homenagem a filha de Xuxa em forma de videoclipe. A primeira reportagem (dois minutos e 25 segundos de duracao) relembra o anuncio da gravidez feito por Xuxa em um programa de televisao: "eu vou sempre ter uma pessoa comigo, uma pessoa que vai ser minha. Eu estou gravida". (2) Em outra entrevista, Xuxa relata: "[alisando a barriga] tem uma pessoa que me ajudou a realizar esse sonho [referindo-se ao parceiro Luciano Szafir]. [Corte seco. Xuxa olha para a camera e diz:] Nos ja estamos casados". Alem desses trechos, a reportagem recupera a gravacao do ultimo programa antes do nascimento e a chegada a maternidade, tudo registrado nas imagens de Jose Mario, diretor dos programas Planeta Xuxa e Xuxa Parque. Misturando o texto em off do reporter com relatos que a apresentadora deu na midia ao longo dos nove meses, a reportagem tinha como objetivo mostrar a emocao e a alegria de ser mae e, principalmente, a realizacao de um sonho.

A segunda reportagem (tres minutos e 48 segundos), feita pelo reporter Marcelo Canellas, falava do nascimento propriamente dito: como a maternidade se preparou para receber Xuxa, os fas fazendo vigilia na porta do hospital, a chegada da crianca, a equipe medica etc. Nesse segundo momento, a construcao da narrativa visava mostrar a imprevisibilidade dos acontecimentos e as superacoes, como fica claro no off do reporter: "um contratempo de ultima hora. A cesariana teve que ser antecipada. O cordao umbilical enrolou no pescoco de Sasha. Mas tudo correu bem". A materia exibe o pai, Luciano Szafir, preparando-se para entrar no centro cirurgico e sala de cirurgia. Entretanto, Xuxa, a celebridade que ira ter uma filha tao sonhada, nao aparece sendo preparada para o parto. Nao a vemos com a vestimenta do hospital, nao temos acesso a seus temores antes da cirurgia. Apenas sabemos, pelo off do reporter e por uma sonora com um membro da equipe medica, que "tudo correu bem". Noutra sonora, o medico relata o que aconteceu na sala de parto: "ela [Xuxa] passou o tempo todo consciente. E quando o pediatra colocou a Sasha no colo dela, ela comecou a chorar, chorar, chorar. Ela chorava mais que a Sasha". Esse e o unico depoimento que temos acerca do nascimento da crianca, que so aparece nos bracos de uma enfermeira para tomar seu primeiro banho.

A terceira abordagem sobre Sasha no Jornal Nacional foi uma entrada ao vivo (um minuto e 43 segundos) feita pelo reporter Roberto Kovalic direto da maternidade. Luciano Szafir falou sobre seu sentimento quando nasceu sua filha:
   [...] pegar ela nos bracos e sem duvida a emocao mais forte eu ja
   tive na minha vida. Sabe, eu peguei ela nos bracos, comecei a
   cantar para ela, assim, ela ... pegou ... segurou um dedo com uma
   mao, outro dedo com a outra, e ... [suspiro] e ... nao da para
   falar. (3)


O objetivo aqui foi obter, no testemunho do pai, os sentimentos que envolvem a paternidade. Todo o relato e a performance giraram em torno das emocoes que o bebe despertara nos pais. Para finalizar, o Jornal Nacional, a pedido de Xuxa, exibiu em primeira mao um videoclipe contendo uma compilacao de imagens do programa de Xuxa que ainda iria ao ar.

Na epoca, a visibilidade que o Jornal Nacional deu ao nascimento da menina foi bastante criticada, especialmente pela audiencia, como podemos ver nas cartas de leitores publicadas pelo Jornal do Brasil:

[...] Chega a ser uma subserviencia do jornalismo a servico dessa moca nada humilde, cuja barriga, ostensivamente sempre a mostra (as vezes no maior frio), nos foi imposta como algo a ser adorado, idolatrado por todos e ate mesmo beijado por ridiculos bajuladores de plantao. Uma indisfarcada obsessao em encarar sua gravidez como o acontecimento do seculo.

Nao aguento mais ouvir falar da filha da Xuxa!! Por que essa crianca tem que ser tratada como uma semideusa se ela foi feita igualzinho a todos os outros milhoes de mortais? [...] Por que nao passam para a Xuxa assistir um filme sobre o drama da fome no Sudao? Sera que isso a faria acordar um pouco e acabar com tanta frescura? Nao aguento mais! Socooooorro ... (XUXA & XAXA, 29 jul. 1998).

Se por um lado o acontecimento foi visto como uma frivolidade, por outro, mais recentemente, o tema encontrou em formatos proprios um espaco para sua existencia e legitimacao social. Se para uma parcela da audiencia o modo como o telejornalismo trabalha a realidade nao comporta uma tematica como esta, reality shows, especificamente aqueles voltados para o estilo de vida, fundamentam sua estrutura e sua vinculacao com o publico tendo como eixo central mostrar o nascimento de bebes. Faz-se necessario, porem, notar algumas diferencas.

Embora tenhamos, enquanto telespectadores, acompanhado as previas do nascimento de Sasha narradas por sua mae, fomos privados do momento do nascimento. Nao ouvimos o choro de Sasha e a emocao de Xuxa, nao vimos o bebe ao nascer. Apenas a conhecemos no primeiro banho, filmado a pedido da mae com narracao em off do reporter. Xuxa, a celebridade, nao se mostrou aos telespectadores fragilizada, nao relatou seus medos e expectativas com relacao ao parto de sua filha. Naquele caso, houve todo um circuito midiatico em torno do nascimento de um bebe celebridade, mas sua chegada ao mundo foi privada dos telespectadores.

Nos reality shows, como e proprio do genero, sao as pessoas comuns que se tornam celebres ao levar para a televisao sua historia de vida. Diferentemente das celebridades, as pessoas comuns nao reservam um andar da maternidade para o nascimento de seus filhos (como fez Xuxa) e mostram-se, sim, fragilizadas com suas dores e sofrimentos. E nisso que consiste a autenticidade dos relatos compartilhados com o publico. Esses programas se estruturam em torno do testemunho a partir de duas modalidades: primeiro, a narrativa em tom confessional da historia de vida dos pais ate a chegada do bebe e, segundo, a narrativa visual do momento do nascimento, que dispensa qualquer mediacao em off do acontecimento: as imagens sao suficientes para autenticar a narrativa, transformando o telespectador em testemunha de sua propria historia e, portanto, cumplice de sua felicidade.

O presente artigo tem como objetivo refletir sobre essa forma de testemunho na televisao e suas implicacoes na convocacao do telespectador. De que forma mostrar uma experiencia na televisao solidariza o telespectador, posicionando-o como parceiro e cumplice do momento vivido? E em torno dessa questao que o presente artigo se estrutura, tomando como recorte um reality show brasileiro dedicado a mostrar o nascimento de bebes: o programa Boas Vindas, exibido pelo GNT, um canal fechado voltado para o estilo de vida com programacao baseada em culinaria, programas de debate e entrevistas, series e reality shows, em sua maioria. A vida de pessoas comuns esta presente em boa parte da programacao da emissora com o objetivo de partilhar problemas e suas solucoes. Assim, pessoas comuns aprendem a cozinhar (Que Marravilha!), reformam e organizam suas casas (Decora e Santa Ajuda), aprendem a alimentar seus filhos de maneira equilibrada e saudavel (Socorro! Meu filho Come Mal), aprendem a organizar festas (Fazendo a Festa), casam-se (Chuva de Arroz). Com essa programacao, o GNT parece querer assumir um lugar de fala que o torna capaz de minimizar possiveis conflitos na vida privada do telespectador, mostrando ser possivel ter uma vida feliz e equilibrada. Boa parte dos programas se passa na casa das pessoas ou refere-se a ela, colocando-se em seu espaco mais intimo, construindo relacoes saudaveis. O canal, assim, e um parceiro do telespectador na busca por qualidade de vida e cumplice dos desafios de sua vida privada.

"Depoimentos emocionantes, reais e sinceros": o testemunho como efeito de realidade

O programa Boas Vindas esta em sua oitava temporada, cada uma contendo 13 episodios. Ele dialoga com uma tendencia da programacao internacional cujo foco e o nascimento de bebes, como e o caso dos programas Um Bebe por Minuto e Eu nao sabia que estava gravida, exibidos no Brasil pelo canal Discovery Home and Health, tambem voltado para estilo de vida, saude e qualidade de vida.

O Boas Vindas exibe, em seus 30 minutos, a trajetoria de duas familias que voluntariamente se inscrevem para participar do programa e contar sua historia de vida. (4) A pagina do programa na internet antecipa boa parte de sua promessa aos telespectadores:
   A serie acompanha o dia mais importante da vida de tanta gente: o
   nascimento de um filho. Depoimentos emocionantes e reais gravados
   em maternidades antes e depois do parto trarao a tona historias de
   familias de diferentes formacoes, classes sociais e tradicoes. Voce
   vai poder acompanhar as angustias, alegrias e tristezas vividas em
   um momento unico. A chegada a maternidade, a preparacao para o
   parto, o nascimento sao alguns momentos registrados pelas cameras.
   O dia a dia de uma maternidade captado de maneira afetiva, com
   depoimentos sinceros de uma familia que renasce com a chegada de
   uma crianca (grifos nossos). (5)


Nessa passagem, e possivel perceber a enfase que o programa da a duas dimensoes testemunhais que se justapoem ao longo da transmissao: a que se narra verbalmente (por meio do depoimento da familia) e a que se narra visualmente (o que se ve, o que a camera mostra). Sendo assim, cada familia, ao partilhar sua experiencia, constitui um "testemunho" proprio que lhe e peculiar e unico. Por outro lado, o Boas Vindas, ao empregar o testemunho como estrategia comunicativa, constitui o telespectador em "testemunha ocular" da experiencia narrada, dimensao que, na bibliografia nacional, e atribuida frequentemente ao telejornalismo. (6) A vinculacao entre testemunho e jornalismo, acreditamos, relaciona-se com a autenticacao dos relatos para gerar um efeito de realidade. A reconstrucao dos acontecimentos por meio do relato verbal ou visual constitui-se numa evidencia de sua veracidade, por isso o testemunho tem sido objeto de analise de diversas pesquisas em jornalismo. (7)

Considerando-se que outros generos televisivos tambem se ancoram na realidade, pretendemos, neste artigo, ampliar as discussoes efetuadas no ambito do telejornalismo para pensar a realidade na televisao e sua relacao com o testemunho. E o caso dos reality shows, genero que abriga nosso objeto de analise. Segundo Freire Filho (2011), embora a etiqueta reality show se aplique a um conjunto bastante heterogeneo de programas, eles se unem por uma promessa em comum:

[...] fornecer a visualizacao (hilariante, comovente, inspiradora) da conduta "espontanea" e das emocoes "autenticas" de pessoas "reais"--ou seja, de individuos que nao estejam atuando profissionalmente como atores, recitando falas e tomando decisoes estipuladas em um script elaborado pelas emissoras de TV (FREIRE FILHO, 2011, p. 115).

No caso de programas voltados para estilo de vida, (8) o testemunho narrado pelos sujeitos poe relevo em algo que esta se passando no momento da transmissao. Sendo assim, o telespectador e cumplice do processo de transformacao--a perda de peso, a arrumacao da casa etc.--, uma vez que e "a construcao do testemunho ocular que funda as imagens que nos vemos" (JOST, 2003, p. 62). Segundo Francois Jost (2003), o testemunho pode validar-se pelo relato de alguem que presenciou um acontecimento e, por isso, possui autoridade para conta-lo aos outros, ou poe em jogo a experiencia, o sentimento que pode ser relatado por alguem que viveu uma situacao e, por isso, pode ser exemplo de questoes mais amplas e servir de exemplo para outros. Ainda segundo o autor, o testemunho substitui as informacoes fornecidas por especialistas pela autenticidade de experiencias vividas por qualquer pessoa. A autenticidade, portanto, e um valor que atribui legitimidade ao genero, conforme discutiremos mais adiante.

Boas Vindas conta com a mediacao de um narrador que amarra os casos relatados ao longo da transmissao. A voz do narrador pouco aparece e se restringe a momentos especificos: na abertura do programa, com uma frase mais ou menos padrao para introduzir os personagens do dia ("A cada ano nascem mais de um milhao de bebes"); antes e apos os intervalos; e, algumas vezes, ao longo do programa para conduzir a narrativa, dando a deixa para possiveis conflitos ("por ter tentado durante muito tempo, Rosana tinha muita inseguranca com a sua gravidez", "Fernanda curtia a gravidez tranquilamente ate que passou por um grande susto"). A partir disso, as vozes que aparecem sao dos familiares da crianca, apresentados ao telespectador em suas funcoes na familia--pai, mae, avo, tio, dinda--, o que coloca o foco na crianca que vai nascer. Sao raros os momentos em que o programa recorre a especialistas para tratar dos temas e, ainda assim, esses aparecem para comentar o caso que esta sendo mostrado, nao para falar de uma situacao geral.

Na parte inicial do programa, o casal conta como se conheceu, o principio do namoro ate o casamento e a descoberta da gravidez. Eventualmente, o programa procura alguma dificuldade que tenha ocorrido ao longo do percurso e as implicacoes disso para o casal. No episodio 10, intitulado "Nem tudo e um conto de fadas", Boas Vindas buscou explorar as dificuldades enfrentadas pelos casais antes ou no momento do parto.

Narrador: Carolina sempre quis ser mae e parecia que seu sonho ia se realizar logo na primeira tentativa.

Mae: Eu sempre tive muita vontade de ser mae. So que a gente achou que eu nao ia engravidar rapido. Eu parei o remedio e 15 dias depois eu estava gravida. E ai foi aquela euforia, porque primeiro filho, o primeiro neto da minha familia, aquela euforia toda. E ai, na primeira ultra, ja deu para escutar o coracaozinho. Quando foi na segunda ultra, a gente viu que o coracao ja nao estava batendo. Eu ja estava ha duas semanas com ele morto dentro de mim. E muito complicado falar porque voce sente ao mesmo tempo a tristeza e a revolta.

Pai: Nao existe dificuldade. Barreira, para a gente, e so um caminho diferente. (BOAS VINDAS, temporada 6, episodio 10).

A narrativa dessa historia e acompanhada por tomadas do casal dando seu testemunho intercaladas com imagens que demonstram amor e uniao--beijos, abracos, carinho--capturadas pretensamente como espontaneas. Percebe-se que ha um esforco do programa em tornar a historia de vida aceitavel para o telespectador, ainda que, para isso, seja necessario encenar momentos de intimidade do casal que narra sua experiencia. Apos mostrar a solidez do relacionamento, o programa dedica-se a falar sobre o nascimento do bebe, que publiciza e intensifica os sentimentos vividos pelo casal, tornando-se o ponto alto de sua historia de vida. Sendo assim, ainda que haja modelos de familias distintos, o clima do programa e sempre favoravel.

Tomemos como exemplo dois casos do Boas Vindas: no primeiro, o programa--intitulado "De repente, familia"--relata a historia de duas familias que nao planejaram a gravidez, mas que, ao acontecer, viram-se animadas com a chegada de um novo membro. O casal Livia e Thiago, namorados jovens, relatam que a gravidez precoce promoveu ainda mais uniao entre eles.

Mae: E uma mudanca completamente, porque voce nao esta almejando ... nao e nem planejado. Porque eu tambem nao acho que as coisas precisam ser assim: "ai ...", tudo certinho e tal.

Pai: E, nao foi uma coisa assim: "ta gravida? Uau! Que perfeito, vamos ter uma familia".

Mae: Nao era o nosso plano.

Pai: E, a gente ja conversou sobre filho e tal: "ah, nao tenho vontade de ter filho".

Mae: Eu ficava cheia de receios mesmo de botar alguem no mundo, sabe? Muita responsabilidade. Quando a gente ouviu o coracao do nenem ...

Pai: E que caiu a ficha. Daquele dia em diante, ficamos amarradoes.

Mae: A gente queria ser pai e mae (BOAS VINDAS, temporada 6, episodio 1).

O testemunho de Erica, por sua vez, destaca que qualquer dificuldade que advenha por ser solteira pode ser superada. Erica sofria de depressao antes de engravidar e a noticia da chegada do bebe a fez superar as dificuldades emocionais e formar uma familia composta por irmaos e amigos. Sobre o fato de tornar-se mae solteira, Erica afirma:

Mae: Eu nao tenho como ter raiva [do pai da crianca] porque e impossivel ter raiva de uma pessoa que te da um presente, um bebe igual a este, entendeu? Ele que tem essa consciencia de que quem esta perdendo e ele. Nao tem esse tipo de drama: "ah, eu serei mae solteira. E agora? O que vai ser daqui para frente?". Nao. Existem outras formas de voce ter um filho sem necessariamente ter aquela pessoa do seu ladinho, papai, mamae, filhinho (BOAS VINDAS, temporada 6, episodio 1).

Sendo assim, ainda que o programa sugira dificuldades no processo da gravidez ou mesmo na historia de vida, o momento do parto e como se fosse a superacao de todas as adversidades. Boas Vindas nao e um programa que problematiza questoes sociais, mas que coloca distintas historias como modelo para a superacao de dificuldades. Nesse sentido, a autonarrativa deve parecer espontanea e autentica. O "verdadeiro eu" que o programa pretende mostrar possui conflitos redimensionados pelo amor e cumplicidade das pessoas que cercam a crianca.

O sentido de autenticidade e espontaneidade pode ser percebido pela performance dos participantes, assim como pelas imagens e a narrativa transmitidos. Segundo Erving Goffman (2005), os encontros entre os individuos na vida cotidiana sao marcados por operacoes basicas que denotam um modo de agir especifico naquela situacao. Por conta disso, os individuos partilham certas informacoes basicas uns sobre os outros, informacoes que podem ser fornecidas antes do encontro ou durante a interacao. Como consequencia, Goffman afirma que, a todo momento, quando estao em contato uns com os outros, os individuos estao representando um papel diante de uma plateia e o que varia e a crenca que se tem sobre esse papel, seja a crenca do interlocutor, seja a do proprio falante em si mesmo. Quando ha uma coincidencia entre a crenca pessoal e a crenca dos demais interlocutores nas atitudes e palavras proferidas por um individuo, ocorre o que o autor denomina fachada, ou seja, um padrao de comportamento do individuo em diversas situacoes. A fachada representa o "verdadeiro eu", um conjunto de acoes que caracteriza o individuo e, por isso, permite que os demais participantes saibam como agir diante dele. E essa correspondencia entre a impressao que pretende provocar e a crenca que os demais possuem sobre o interlocutor, entre o "verdadeiro eu" e as atitudes do falante, que atribui autenticidade ao individuo. Quando essas esferas nao sao correspondentes, ha uma impressao de falseamento e, como consequencia, acontece a perda da credibilidade do individuo. Dai o esforco dos programas televisivos em fazer as historias de vida parecerem autenticas, sobretudo quando os programas se ancoram numa dimensao de realidade.

Francois Jost, tratando sobre o "mundo real", afirma que "o primeiro reflexo do telespectador e de determinar se, sim ou nao, as imagens falam do nosso mundo, qualquer que seja a ideia que ele tem desse mundo" (JOST, 2003, p. 42). Por conta disso e que a espontaneidade emerge como criterio para validacao de autenticidade dos testemunhos televisivos, numa tentativa de aproximar-se das praticas cotidianas.

Segundo Joao Freire Filho (2009), o prazer que os telespectadores encontram ao assistir reality shows consiste em buscar marcas de sinceridade e espontaneidade na performance dos individuos na cena televisiva. Freire Filho relata o trabalho de Adrejevic, segundo quem a afericao de valor a esses programas reside nao no prazer de espiar a vida alheia (concepcao tipica dos autores que afirmam o voyeurismo como uma patologia da sociedade contemporanea), mas na busca por "vislumbres objetivos (nao roteirizados ou arquitetados) do subjetivo" (FREIRE FILHO, 2009, p. 7). E nos momentos de fragilidade emocional que o "verdadeiro eu" se manifesta e e nessa atribuicao de veracidade ao papel desempenhado na tela que se constroi o prazer da recepcao desses programas.

Somos sensibilizados, atraves de narrativas e explanacoes emocionalmente persuasivas, para a importancia da elaboracao da autenticidade, da configuracao de uma identidade e de uma imagem distintiva e fiel ao nosso eu interior (FREIRE FILHO, 2009, p. 11).

No Boas Vindas, se, por um lado, a narrativa da historia de vida busca mostrar-se sem conflitos para criar esse clima favoravel ao nascimento do bebe, por outro, as imagens do nascimento buscam tornar o acontecimento verdadeiro. O programa prolonga as dores do parto por meio da voz do narrador, os personagens nao escondem sua fragilidade, as mulheres nao escondem seus corpos, como se o programa quisesse mostrar uma realidade sem floreios ou reduzir a "intervencao televisiva" sobre o acontecimento--como foi feito no caso de Xuxa. A autenticidade dos relatos e das experiencias se constroi na visibilidade que Boas Vindas da aos problemas e a sua superacao. Muito do programa gira em torno de um sonho: o sonho de ser pai/mae, o sonho de ter um parto normal, o sonho de ter uma menina/um menino, o sonho de ter uma familia grande. Dai que o momento do nascimento implica a realizacao desse sonho, por isso e preciso mostrar com detalhes essa realizacao, a qual compartilhamos como telespectadores.

Ao se colocar na sala de parto, o programa insere tambem o telespectador, que se torna cumplice desse momento. O jogo de enquadramentos de camera busca conduzir o olhar do telespectador para os aspectos expressivos que os sujeitos empregam enquanto vivem sua experiencia; por isso, os enquadramentos preferenciais variam do plano medio ao plano fechado a fim de mostrar os movimentos dos sujeitos.

Essa sequencia durou 53 segundos e buscou mostrar nao apenas o trabalho de parto, mas o momento de fragilidade que o sucedeu, com os baixos sinais vitais do bebe. A sequencia se iniciou com a voz do narrador retomando o que tinha ocorrido, ja que foi apos as imagens da outra familia. Em seguida, apenas a voz do pai costura os acontecimentos na sala da maternidade. Quando ocorre o nascimento, o Boas Vindas costuma colocar uma trilha musical quando os pais veem o bebe pela primeira vez e o pegam no colo, como se fosse a "musica do bebe". A trilha e, geralmente, uma cancao suave que fala sobre o sentimento de amor. Nessa edicao, essa musica so entrou quando o pai pegou o bebe nos bracos, apos o choro da crianca.

Os parentes reconstroem o momento do nascimento em suas narrativas pessoais, direcionando o que vemos nas imagens com os sentimentos vividos naquele instante, o que nos sugere que a vinculacao entre imagem e texto verbal--que aqui e formulado pela propria pessoa, com sua linguagem e seu modo de falar--busca promover uma forte identificacao e intimidade entre os personagens em tela e os telespectadores.

"Agora eu vou ler, vou me informar": a partilha de experiencias como forma de informacao

Ao centrar-se na partilha de experiencias pessoais, Boas Vindas assume um papel de ajudar pessoas que estejam passando por uma situacao semelhante ou ainda de dar informacoes sobre o processo do nascimento (tipo de parto, parto na agua, tipo de anestesia, a superacao de problemas individuais etc.). Entretanto, como e proprio do genero, essas informacoes vem por meio dos testemunhos pessoais das experiencias vividas. E o caso do episodio "Sempre cabe mais um", da sexta temporada de Boas Vindas. A personagem Andrea relata o desejo de ter um parto normal e a voz da especialista (a obstetra) entra apenas para ratificar o que e dito por ela. Esse e um dos poucos momentos em que membros da equipe medica falam como peritos:

Mae: Eu sempre quis ter parto normal, natural, enfim. Desde a primeira gestacao. So que na primeira houve o atropelamento de alguns procedimentos e nao deu certo. Na segunda gestacao eu falei: "ah ela [a obstetra] vai tentar, enfim ..." Confiei. Nao deu certo. E na terceira gestacao, quando eu descobri, eu falei: "nao. Agora eu vou ler, vou me informar". E ai, em 38 semanas, eu falei: "amor, vamos tentar outra medica".

Avo: Ela falou que queria muito o [parto] normal, mas manteve a obstetra dela e, para a gente, ia ser cesarea. Duas semanas antes, ela virou e disse que ia mudar de medica. Tudo bem. E um direito dela de ter um parto normal. Pode ter consequencias para ela? Nao sei. Nao sou medica. Entao, e preocupante. Sente o impacto do seu filho.

Mae: Ate o final eu vi a preocupacao, de ser perigoso para o bebe. Porque o que e divulgado e exatamente isso: e quase que impossivel fazer um parto natural apos uma ou duas cesareas, que o risco e muito grande, superior inclusive a uma outra cesarea.

Dra. Bernadette (9) (obstetra): O risco e o utero romper exatamente onde tem a cicatriz da cesariana anterior, ou das cesarianas. Mas a gente aqui esta falando de um parto espontaneo [...] (BOAS VINDAS, temporada 6, episodio 4).

Esse caso e salutar dados os altos indices de cesarianas realizadas no Brasil, principalmente na rede privada de saude. Para as mulheres que optam pelo parto normal, o programa Boas Vindas da ampla visibilidade a seu depoimento. (10)

Como ja discutimos anteriormente, o testemunho pode dar a vida privada uma dimensao que ultrapassa o voyeurismo, mas permite refletir sobre questoes sociais mais amplas a partir das experiencias de quem as vive. Fundamentar argumentos tendo como ponto de partida uma situacao do cotidiano e despertar interesses comuns entre os personagens televisivos--supostamente "gente como a gente"--e os telespectadores sao outras atribuicoes dos testemunhos mediatizados na televisao (SILVA, 2011). Outra funcao e dar sentido as experiencias vividas a partir da propria narrativa. Acreditamos que a realidade televisiva "serve para o leitor interpretar sua experiencia como uma experiencia partilhada pela comunidade a qual pertence" (MEAD, 1926, p. 390). A afirmacao de George Mead supracitada aplica-se ao jornalismo e a seu papel social, que vai alem da informatividade e alcanca uma dimensao de unir as pessoas em torno dos mesmos interesses. Apesar disso, acreditamos que outros modos de tratar a realidade na televisao tambem podem desempenhar esse papel, o que e ratificado pelo critico televisivo Artur da Tavola quando afirma que a simultaneidade da recepcao televisiva e, em especial, a recepcao de imagens dramaticas constroem um laco afetivo entre os telespectadores: "quando a dramaticidade do real suplanta a da ficcao e todos dela participam, uma nova forma de solidariedade e amor tem de estar nascendo (esta, eu sei), caso contrario tudo sera desesperanca" (TAVOLA, 22 dez. 1972).

Ao narrarem-se a si mesmos, os personagens do Boas Vindas usam sua experiencia para fortalecer os vinculos de intimidade que o programa pretende construir. Ao mesmo tempo, o telespectador e posicionado em torno do prazer de ouvir e ver o outro falando sobre si mesmo. Tal caracteristica foi salientada por Sonia Livingstone e Peter Lunt (1994), que demonstram que receptores de talk shows--outro genero que possui matrizes vinculadas a exposicao da vida privada de pessoas comuns--podem reorientar suas praticas cotidianas a partir dos depoimentos: "alguns pensam que podem aprender algo sobre o mundo social atraves desses programas" (LIVINGSTONE e LUNT, 1994, p. 83).

Ser testemunha, portanto, nao e apenas presenciar um acontecimento, mas vive-lo e transmiti-lo a partir das sensacoes que desperta. Testemunhos pessoais convocam o telespectador a ocupar um lugar nao tanto de quem pretende conhecer algo novo, mas de quem partilha de um mesmo mundo. O relato de experiencias pessoais captura o telespectador pela sensibilidade e pela emocao, que se manifestam pelo que e vivido pela pessoa comum e o modo como ela consegue dar sentido as experiencias e transmiti-las a outros. Sao esses significados que, segundo Mead (1926), permitem a percepcao do mundo "real" e a socializacao dos individuos a partir de um imaginario que gera um sentimento de apreciacao e prazer pelo simples fato de ser compartilhado com outros (SILVA, 2011, p. 328-329).

Consideracoes finais

E possivel notar que nao ha divergencias muito evidentes no teor da cobertura feita pelo Jornal Nacional das previas do nascimento de Sasha e o que e feito no programa Boas Vindas: nos dois casos, o foco esta na preparacao da familia e nas emocoes vividas com a chegada de uma crianca. As diferencas residem no formato--o Jornal Nacional conta com a mediacao de reporteres renomados, enquanto o Boas Vindas delega a autoridade narrativa aos personagens envolvidos--e, principalmente, na abordagem do nascimento em si--no primeiro caso, silenciamento e ausencia; no segundo, visibilidade e detalhamento. No nascimento de Sasha, a conducao da cobertura gira em torno da celebridade midiatica ja constituida e reconhecida--Xuxa; no caso do Boas Vindas, ganha centralidade a pessoa comum e suas dificuldades.

Programas como Boas Vindas sugerem a existencia de condicoes que possibilitam sua legitimacao na grade de programacao televisiva a partir de uma dimensao de partilha inexistente na ocasiao do nascimento de Sasha, o que demonstra transformacoes nas expectativas da sociedade sobre o papel da televisao. A percepcao, por parte da audiencia, da ausencia de noticiabilidade na maternidade de Xuxa no final dos anos 1990 contrasta com o desejo de saber, ver e participar da historia de vida de pessoas comuns, tendencia que se mostra fora do ambiente televisivo. E notavel, nos dias de hoje, a multiplicidade de canais de informacao (blogs e sites) sobre maternidade/paternidade, criacao de filhos, entre outros assuntos. (11) Boa parte desses espacos e formada por maes que simplesmente compartilham suas experiencias cotidianas na intencao de ajudar outras com seus dilemas. O proprio site do Boas Vindas traz uma secao denominada "Gravidez e pos-parto" com informacoes sobre tipos de parto, o desenvolvimento do bebe durante a gestacao, alimentos recomendados para gestantes e quando voltar a rotina apos o nascimento. Ainda que haja especialistas (psicologos, pedagogos, medicos), eles tambem se identificam como mae ou pai, conferindo ao saber especializado maior humanizacao e proximidade com as pessoas comuns que buscam informacoes. A construcao de um sentido de autenticidade desloca-se do relato distanciado dos reporteres para a experiencia vivida.

Boas Vindas estrutura-se em torno da diversidade de familias--casais jovens, casais maduros, casais homossexuais, mulheres sozinhas--, mas cujos conflitos sao vividos e superados no ambito individual. Lembrando o que nos diz o antropologo Roberto DaMatta sobre a rua e a casa:

Diante de certos problemas e relacoes, [nos, brasileiros] preferimos englobar a rua [com seus problemas] na casa, tratando a sociedade brasileira como se ela fosse uma "grande familia" vivendo debaixo de um amplo e generoso teto (DAMATTA, 1997, p. 9).

Certamente, como no caso de Xuxa, a tematica que perpassa Boas Vindas diz respeito a casa, a fortalece e a torna o espaco privilegiado para as experiencias que ainda irao se construir. Ao narrar as historias de vida e mostrar o nascimento de uma crianca, o programa ratifica a forca das relacoes individuais domesticas e reduz as ambiguidades que podem advir de uma gravidez indesejada, um aborto, uma separacao do casal. Nos 30 minutos do programa, tudo e construido num tom positivo, dando a entender que a crianca que acabou de nascer pode ter um futuro brilhante, pois o contexto que a envolve e sempre favoravel ao seu sucesso.

DOI HTTP://DX.DOI.ORG/10.18568/CMC.V14I39.1177

Referencias

DAMATTA, Roberto. A Casa & a Rua: espaco, cidadania, mulher e morte no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

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TAVOLA, Artur da. Ainda a imagem, agora na tragedia. O Globo, 22 dez. 1972. Disponivel em: http://www.tv-pesquisa.com.pucrio.br/mostraregistro.asjVCodRegistro= 50952&PageNo=1. Acesso em: 19 abr. 2013.

XUXA & XAXA. Jornal do Brasil, 29 jul. 1998. Disponivel em: http://www.tv-pesquisa. com.puc-rio.br/mostraregistro.asp?CodRegistro=38966&PageNo=3. Acesso em: 13 out. 2015.

Sobre a autora

Doutora em Comunicacao e Cultura Contemporaneas pela Universidade Federal da Bahia. Professora do Departamento de Comunicacao Social da Universidade Federal de Minas Gerais. GeraisProfessora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais.

Fernanda Silva (1)

(1) Universidade Federal de Minas Gerais. Minas Gerais, MG, Brasil. E-mail: fernandamauricio@gmail.com

(2) Os comentarios feitos neste artigo tem como fonte as materias postadas no YouTube, disponiveis em: https://www.youtube.com/watch?v=Up0IkRgOjEI (acesso em: 15 out. 2015). Elas nao trazem os creditos das sonoras nem dos reporteres, o que dificulta sua identificacao.

(3) Depoimento disponivel em: https://www.voutiibe.com/watch3v-Up0IkRgOjEI. Acesso em: 15 out. 2015.

(4) A analise deste artigo refere-se aos episodios da sexta temporada, levada ao ar no ano de 2014.

(5) Disponivel em: http://gnt.globo.com/programas/boas-vindas/episodios.htmltfpag=5. Acesso em: 16 dez. 2015.

(6) Vale lembrar que o slogan do Reporter Esso, um programa historico da televisao e do radio brasileiros, era "testemunha ocular da historia".

(7) Em outubro de 2015, pesquisadores franceses e brasileiros reuniram-se no II Seminario Internacional de Estudos de Televisao Brasil-Franca (UFBA) para discutir o tema "Testemunhas, Media, Identidades". Parte das discussoes tomou a presenca dos testemunhos no telejornalismo como problema ou recorte.

(8) Diferentemente dos reality shows que atuam como games ou gincanas que oferecem premios, o que esta em jogo nos programas de estilo de vida e uma transformacao na vida da pessoa (em seu corpo ou sua casa) que promova um crescimento individual e/ou a resolucao de um problema.

(9) Dra. Bernadette aparece como obstetra de varias personagens do programa Boas Vindas.

(10) No Brasil, ha um movimento se fortalecendo que visa denunciar varias formas de violencia obstetrica, que consiste em forcar uma paciente a aceitar intervencoes medicas quando nao ha risco diagnosticado.

(11) Maternar, Dona Mamae, Mamatraca, A Mae Coruja, alem dos portais de revistas especializadas, como Crescer e Pais e Filhos, sao alguns deles.
Tabela 1. Narrativa verbal e visual no momento do nascimento.
Fonte: elaboracao propria.

Texto Verbal           Imagens

[Musica instrumental   Placa do hospital indicando "Centro
  de suspense]           cirurgico. UTI materno-fetal. Bercario
                         de admissao. Salas de parto natural".
Narrador [off]: O      Membro da equipe medica massageando o bebe
  bebe de Thais          recem-nascido. Panoramica horizontal ate
  nasceu,                enquadrar o pai, que assistia ao
  mas ainda nao          procedimento chorando. Zoom in no pai.
  chorou.
[Musica instrumental   O bebe, em primeiro plano, recebendo a
  de suspense]           massagem de membro da equipe medica.
                         Ao fundo, a mae, deitada sobre uma
                         maca, assiste ao procedimento.
[O bebe comeca         Close-up no pai chorando.
  a chorar]
Pai [off]: Acho que    Close-up mais fechado no pai chorando.
  foi o unico
  momento em que eu
  chorei, que eu
  falei: "caraca,
  eu que quero ver
  meu filho bem".
  O meu alivio
  veio na hora que
  meu filho deu a
  primeira
  respirada dele.
Pai: "O meu filho      Pai em plano fechado dando entrevista
  ta bem, cara,          apos o ocorrido.
  meu filho ta
  bem".
[Entra trilha          A enfermeira da o bebe chorando para
  musical do bebe]       o pai; ao fundo, a mae, ainda deitada,
Pai [olhando para        assiste a cena. [corte seco] Pai vira-se
  a crianca]:            de costas para a camera e caminha ate
  "Seja bemvindo,        a esposa para dar-lhe o bebe. A camera o
  meu filho. Voce        acompanha  num plano sequencia.
  vai ser meu
  filho
  sempre".
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Author:Silva, Fernanda
Publication:Comunicacao, Midia E Consumo
Date:Jan 1, 2017
Words:6665
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