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Hierarquia urbana do Vale do Jequitinhonha analisada atraves dos fluxos telefonicos.

Abstract

This paper analyses the time-space dynamics as well as the urban structure of Vale do Rio Jequitinhonha, Minas Gerais, Brazil, one of the country's poorest regions.

It presents a survey of the region's spatial structure in order to reveal the interdependence between its urban areas and between these ones and other external areas as well.

Measuring the region's internal and external interaction, and identifieing urban polarizing centers, was possible by analysing data concerning long distance calls to internal and external areas.

The study purpose is contributing to the creation and implementation of urban and regional developmental policies, as well as offering basic informations to support local towns councils in planning their administration.

This paper is a result of one of the research lines devoleped by its main author, from which have already been written two other workes concerning the analysis of the state of Minas Gerais urban network, also based upon long distance telephone calls and urban buses fluxes.

Resumo

Este trabalho analisa a dinamica temporal, e a estrutura urbana do Vale do Rio Jequitinhonha, Minas Gerais, Brasil.

Trata-se de uma das regioes mais pobres do Brasil e o estudo apresenta um retrato da sua estrutura espacial, revelando a interdependencia existente entre os diversos centros localizados dentro da area e com o exterior.

A tecnica utilizada foi a das ligacoes telefonicas interurbanas, para medir o nivel de interacao interna e externa da regiao, alem de identificar os centros polarizadores, com suas respectivas areas de influencia.

Espera-se que os resultados alcancados possam contribuir para a elaboracao e implementacao das politicas de desenvolvimento urbano e regional, fornecendo tambem subsidios para que as prefeituras municipais, possam planejar a sua administracao, no contexto regional.

Este trabalho e resultado de uma linha de pesquisa desenvolvida pelo autor principal, da qual ja resultaram dois outros trabalhos anteriores de analise da rede urbana no estado de Minas Gerais, usando como indicadores as ligacoes telefonicas e as viagens de onibus interurbanas.

Introducao

Este trabalho e parte do estudo relativo a organizacao espacial da rede urbana do Vale do Jequitinhonha e seus objetivos principais sao:

a) conhecer como se acha estruturado o sistema urbano do Vale do Jequitinhonha e os sub-sistemas que o integram;

b) identificar a distribuicao regional dos centros, delimitar os espacos de relacoes e hierarquizar os centros;

c) identificar os fatores que explicam a estrutura atual,

d) identificar as deficiencias dessa estrutura;

e) verificar as mudancas mais recentes ocorridas na rede urbana.

Este tipo de informacao constitui uma contribuicao valiosa para a elaboracao e implementacao das politicas de desenvolvimento urbano e regional, fornecendo tambem um subsidio importante as prefeituras municipais, no momento de planejar o futuro de cada um dos nossos municipios e de nossas cidades.

Considerando-se o Vale do Jequitinhonha como um espaco em organizacao, caracterizado por um conjunto de localizacoes que estao interrelacionadas, torna-se mais facil entender a relevancia de um estudo que objetiva distinguir os subsistemas urbanos, identificar seus centros nodais e caracterizar a intensidade de suas interacoes.

Para tanto, os estudos de fluxos sao mais representativos, pois, de acordo com Ferreira "as decisoes tomadas pelos individuos e que se materializam em suas acoes e atividades sao produto de um fluxo de informacoes que recebem continuamente e que trocam uns com os outros. Os individuos necessitam, entao, de estar sempre em comunicacao, para o exercicio das diversas atividades humanas, o que, inevitavelmente, gera diversas relacoes de interdependencia diretas e indiretas entre estas atividades" (Ferreira, 1971, p. 3).

Antecedentes

Cada vez mais se consolida na Ciencia Geografica e na Economia Regional a necessidade de se analisarem os fenomenos socio-economicos em seu contexto espacial, atraves de uma visao global e integrada.

Esta tendencia viu-se facilitada e influenciada pelo desenvolvimento da analise de sistemas, o qual permitiu que grande parte dos fenomenos socio-economicos possam ser expressados, em seu contexto espacial, como conjuntos de elementos e relacoes, integrados cm sistemas.

Sabe-se, por outro lado, que as atividades economicas e a populacao nao se distribuem de maneira homogenea no espaco. Algumas localidades destacam-se por sua maior concentracao economica e demografica, desempenhando o papel de polos de desenvolvimento, ou lugares centrais, para usar duas das denominacoes mais conhecidas, pelos estudiosos do tema.

A estrutura espacial de uma area geografica e caracterizada, portanto, por uma organizacao hierarquica de centros que se acham estreitamente inter-relacionados, e com uma racionalidade baseada em principios de complementariedade, como tratado por Christaller (1960) em sua "Teoria dos Lugares Centrais".

A aceitacao da falta de uniformidade na economia espacial e da existencia de interacao entre os centros do espaco considerado conduz ao conceito de regioes nodais ou polarizadas, o que se subentende como uma estrutura hierarquizada.

O reconhecimento de que tanto a estrutura hierarquica dos nodulos (cidades), como suas relacoes de interdependencia diretas e indiretas tem significado economico e sao relevantes para o estabelecimentos de urna estrategia de desenvolvimento regional, fez com que se desenvolvessem alguns modelos e tecnicas especificas para a analise de polarizacao.

Sao exemplos os modelos de interacao gravitacional e de potencial e os modelos de interacao espacial, bem como a tecnica de fluxos.

O modelo gravitacional basico esta apresentado por Walter Izard (1960).

O pressuposto basico do modelo e o de que cada centro ou nodulo possui uma zona de influencia ou campo espacial, no qual se verificam interacoes de muitas especies.

Contudo, a medida que a forca de distancia se faz sentir, as densidades de fluxos declinam a proporcao que nos afastamos do centro. Em uma determinada distancia radial, caem abaixo de um nivel critico, e isto fixa os limites externos do campo espacial.

Estes fluxos variam na razao direta do tamanho da populacao dos nodulos, e inversa da distancia entre eles.

Esta e a base dos modelos gravitacionais, a tecnica mais operacional para a analise de polarizacao, de acordo com Richardson (1973).

Em Minas Gerais, o modelo gravitacional ja foi aplicado, pelo menos em duas oportunidades, com resultados positivos, apesar das limitacoes do modelo (Ferreira, 1971 e Fundacao Joao Pinheiro, 1977).

Um outro exemplo empirico da aplicacao do modelo e o do estudo realizado por Chaves (1977), na Venezuela, abrangendo as cidades de Merida, Ejido e outras localidades. Este estudo usou como indicador as chamadas telefonicas e propoe uma formula para expressar as relacoes do intercambio, com as magnitudes de populacao e distancia.

Outra tecnica util para a identificacao da estrutura hierarquica dos nodulos a analise de grafos (Nystuen e Dacey, 1961). Esta tecnica permite quantificar o grau de associacao entre pares de centros populacionais, a fim de identificar as redes de mais forte associacao.

Esta intensidade e medida pela direcao e magnitude de fluxos de diversas naturezas: fluxos de comunicacao, fluxos de populacao, fluxos financeiros e fluxos de recursos produtivos.

Neste trabalho utilizar-se-a a tecnica de grafos e fluxos de comunicacao, especificamente as ligacoes telefonicas interurbanas, como indicador para a analise da estrutura espacial do Vale do Jequitinhonha.

Esta metodologia ja foi tostada em Minas Gerais, resultando no estudo "Hierarquia Urbana de Minas Gerais-variavel fluxos telefonicos", publicado pelo Instituto de Geociencias Aplicadas (IGA, 1985).

Um outro estudo analogo foi realizado por Rocha (1974) para o estado de Sao Paulo, com resultados satisfatorios cm termos de regionalizacao, o que de certa forma se constitui em mais um subsidio para a realizacao do presente trabalho.

O metodo de analise empregado e indireto e utiliza como indicador as ligacoes telefonicas interurbanas, realizadas nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 1997 considerados como tipicos pela TELEMIG (Telecomunicacoes de Minas Gerais S/A), que teve a gentileza de fornecer a base de dados necessaria.

O uso das ligacoes telefonicas como indicador para analise regional e comumente adotado pelos analistas, devido a relativa facilidade de obtencao de dados junto as companhias telefonicas e ao seu elevado grau de confiabilidade e de representatividade quanto ao nivel de interacao dos centros urbanos.

Apesar destes fatores favor veis, cabem aqui algumas observacoes a respeito das dificuldades iniciais encontradas na manipulacao dos dados.

Algumas cidades nao foram contempladas pela analise (Aguas Vermelhas, Cristalia, Rio do Prado e Rubelita) devido a questoes tecnicas e operacionais da TELEMIG.

Outra observacao que deve ser registrada e que a analise nao extrapolou, de forma mais consistente, o ambito territorial do Estado de Minas Gerais, dada a impossibilidade de se obterem dados relativos aos estados vizinhos. De qualquer maneira, com base nos dados fornecidos pela TELEMIG, foi feita uma tentativa de identificar vinculos externos do Vale, com outros estados brasileiros e com cidades de Minas Gerais localizadas em outras regioes.

Desta forma, o estudo apresenta urna certa limitacao, na medida em que nao se identificam as relacoes das cidades mineiras do Vale do Jequitinhonha, com cidades de outros estados, o que poderia elucidar algumas outras articulacoes da rede urbana, fora do territorio mineiro.

A partir do estabelecimento destas premissas, foram elaboradas as matrizes primaria e secundaria, seguindo a tecnica de analise de grafos (first linkage analysis) (Boisier, 1980 e Richardson, 1973) que permite representar os fluxos soba forma de uma matriz.

No caso especifico deste estudo, foram registrados os totais de ligacoes telefonicas originadas em uma cidade, durante o periodo analisado, de tal modo que, ao final, cada elemento da matriz definia um fluxo Fij, originado na cidade "i", com destino a cidade "j".

Em continuacao, construiu-se urna nova matriz (a partir da matriz principal), na qual se identificou o maior fluxo registrado, considerando-se, em principio, todos os outros fluxos como nulos.

Esta matriz foi representada graficamente, mediante urna rede de pontos e linhas, sendo que os pontos representam as cidades, e as linhas a intensidade e a direcao da conexao: ou seja, havera uma linha ligando a cidade "i" a cidade "j" somente se o fluxo "Fij" estiver registrado na matriz secundaria.

A representacao grafica da matriz secundaria obedeceu aos seguintes principios:

a) Independencia: um nodulo e independente quando seu maior fluxo, selecionado, e para cidade menor, e subordinado quando seu maior fluxo e para cidade maior, sendo que urna cidade (A), sera maior que outra (B), sempre que a populacao de A for, pelo menos, 20% maior que a populacao de B.

b) Transitividade: se "C" estiver subordinado a "B", e "B" subordinado a "A", entao "C" esta tambem subordinado a "A".

c) Subordinacao: urna cidade nao pode ser subordinada a nenhuma outra que ja lhe esteja subordinada; ou seja, o digrafo e aciclico.

A aplicacao destes principios possibilitou a selecao inicial dos nodulos. No entanto, estes principios nem sempre puderam ser seguidos rigidamente, uma vez que surgiram varios casos especiais, que exigiram urna abordagem mais flexivel, em nome da precisao cientifica. Neste caso, foram adotados outros criterios auxiliares.

Por exemplo, a cidade de Chapada do Norte, localizada no Medio Jequitinhonha apareceu subordinada a Almenara, no Baixo Jequitinhonha, a urna distancia bastante consideravel, configurando urna relacao que pode ser entendida como anomala.

Este tipo de situacao exigiu uma analise mais cuidadosa e, em certo sentido, maior maleabilidade cientifica, para que se chegasse a urna nodalizacao mais racional, lancando mao de outros recursos metodologicos como, por exemplo, o de proximidade.

Dois fatores contribuiram sobremaneira par a elucidacao destas ocorrencias:

a) a experiencia acumulada sobre a organizacao espacial de Minas Gerais, como resultados de estudos anteriores;

b) o conhecimento empirico do espaco jequitinhonhense adquirido em trabalhos de campo.

Desta maneira, nem sempre a opcao pelo maior fluxo registrado na matriz secundaria correspondeu a real organizacao da rede urbana.

Assim, prosseguiu-se na analise de cada caso especifico, adotando-se outros criterios, como, por exemplo, a proximidade geografica e a existencia de ligacao viaria entre os centros.

Este mesmo procedimento foi adotado para os casos das "cidades indeterminadas", ou seja, aquelas que apresentavam fluxos de mesmo valor para centros de mesmo tamanho.

Em principio, estas cidades sao bipolarizadas; nao obstante, obedecendo-se aos objetivos e criterios estabelecidos, decidiu-se sempre por aquele centro ou nodulo que melhor representasse a estrutura espacial.

Classificacao hierarquica e areas de influencia

Depois de seguir os passos metodologicos mencionado, chegou-se a uma estrutura de regioes nodais, conforme mostra o Cartograma.

Esta organizacao espacial, que sera descrita nas linhas seguintes, mostrou-se bastante realista, na medida em que confirmou as impressoes recolhidas nos varios trabalhos de campo realizados, e coincidiu com os resultados de outras analises da rede urbana mineira e tambem com outros relatorios de pesquisa.

Depois de desenhados os centros nodais e delimitadas as suas respectivas areas de influencia, o passo seguinte foi o de estabelecer uma ordem hierarquica para os centros, considerando o n[pounds sterling]mero total de chamadas telefonicas recebidas pelos centros, proveniente das cidades polarizadas por ele; numero de cidades polarizadas; e populacao urbana.

Como se mostra, podemos identificar treze centros polarizadores no Vale do Jequitinhonha, ou seja, cidades que servem de centro para, pelo menos, uma cidade menor que ela.

Pela relacao ordenada podemos identificar um primeiro nivel de centro, no qual se destacam as cidades de Almenara e Diamantina, com realce indiscutivel de Almenara, polarizando um total de onze municipios.

Num escalao inferior, ou de segundo nivel, colocam-se as cidades de Aracuai, Salinas e Capelinha; e logo a seguir varios outros centros menores que polarizam menos de dois municipios.

O Grafico 1 e um instrumento auxiliar para essa analise. Ele mostra uma dispersao ordenada dos centros, com base na correlacao de duas variaveis: numero de cidades polarizadas e numero de chamadas. Como se verifica, a ordem nao apresenta muita novidade relativamente a estrutura urbana regional, devendo-se destacar, entretanto a posicao de Almenara que chama a atencao, como superior a outros centros tradicionais do vale, como Diamantina, por exemplo.

Os centros e sua areas de influencia

Analisando-se o Cartograma podemos identificar as seguintes regioes polarizadas:

1. Regiao de Diamantina, essa regiao aparece bem estruturada em torno do polo diamantinense, formada por oito centros menores diretamente vinculados com Diamantina, totalizando uma populacao de 51,125 habitantes em 1996. Corresponde aproximadamente a areas da associacao de municipios do Alto Jequitinhonha.

2. A regiao de Aracuai, corresponde a organizacao espacial da associacao de municipios do medio Vale do Jequitinhonha, tendo a cidade de Aracuai como polo centralizador. Pode ser classificada como em organizacao, na medida em que se apresenta um pouco mais difusa, que a regiao anterior. Esta formada por sete centros diretamente polarizados por Aracuai e mais quatro centros, indiretamente polarizados: Comercinho, polarizado por Medina, que por sua vez e polarizado por Itaobim; e mais Carai, polarizado por Padre Paraiso, que por sua vez tambem e polarizado por Itaobim. Neste caso entao, Itaobim aparece como um centro de Segunda ordem no interior dessa regiao, que reune um total de 165,229 habitantes.

3. A regiao de Almenara, no baixo Jequitinhonha se destaca a cidade de Almenara, que tambem sede da Associacao de municipios de mesmo nome. Pelos dados ja analisados, pelo conhecimento empirico da area e pela analise cartografica do mapa construido, pode-se afirmar, e reafirmar, o importante papel de polo regional de Almenara sobre uma vasta porcao do Vale. Almenara polariza de forma direta a onze municipios do baixo vale do Jequitinhonha e a mais um municipio de forma indireta- Cachoeira do Pajeu, ligado a Pedra Azul. A populacao dessa regiao soma 108,289 habitantes, mostrando a abrangencia populacional do Centro Almenara.

4. A regiao de Salinas, mais ao norte da regiao de estudo, na area mineira da SUDENE, destaca-se Salinas como centro polarizador para quatro municipios de forma direta: Rio Pardo de Minas, Taiobeiras, Sao Joao do Paraiso e Grao Mogol. Este ultimo serve de polo para Botumirim, que por sua vez centraliza Itacambira, totalizando, portanto seis municipios polarizados por Aracuai, numero total de 77,702 habitantes em 1996.

5. A regiao de Capelinha, esta e uma organizacao urbana incipiente, situada a meio caminho entre a regiao polarizada de Diamantina no alto Jequitinhonha e a regiao polarizada de Aracuai, no medio Jequitinhonha. Localiza na periferia sul do vale e tem Capelinha como centro organizador principal, polarizando diretamente, Itamarandiba, Turmalina e Minas Novas. Por sua vez Itamarandiba e centro para Carbonita; e Minas Novas funciona como centro para Chapada do Norte. Assim entre polarizacao direta e indireta, Capelina e centro para seis municipios do alto-medio vale, com um total de 107,240 habitantes.

6. Os casos extras, ou sem polarizacao definida, conforme ja foi mencionado, algumas cidades nao tiveram os dados fornecidos pela TELEMIG, por razoes tecnicas. Para estes casos, adotou-se um procedimento analogico, apoiado no conhecimento da area e em outras informacoes que a base de dados do proprio projeto fornece. Assim que entre a regiao polarizada por Salinas (regiao da Sudene) e a regiao polarizada por Aracuai (medio vale) aparecem alguns municipios sem polarizacao definida. No caso de Cristalia optou-se por inclui-la na area de polarizacao de Salinas, diretamente ligada a Grao Mogol; Rubelita, da mesma forma, esta incluida na area polarizada por Salinas da qual dista poucos quilometros; mais ao norte aparece Aguas Vermelhas, que por analogia, e considerando-se o poder de atracao de Almenara, foi considerada como pertencendo a essa area; do outro lado, no extremo sul do baixo vale, nos limites com o Mucuri, fica evidente que Rio do Prado encontra-se diretamente vinculado a Almenara.

Ve-se entao que o espago de polarizacao de Almenara se amplia, com estes adendos espaciais, o que esta de acordo com a posicao hier rquica deste importante centro do Baixo Vale do Jequitinhonha.

As relacoes externas

Para completar essa analise, de acordo com as disponibilidades e limitacoes dos dados da TELEMIG, procurou-se identificar alguns elos de interacao do Vale com outros espacos externos, conforme o quadro seguinte.

Com relacao a outras unidades da federacao aparece, sem muita novidade, o Estado de Sao Paulo, como destino de 162,992 ligacoes do vale, como um todo, mostrando o poder de polarizacao do estado paulista sobre essa porcao do espaco mineiro.

A proximidade da Bahia faz com que este reja o segundo maior fluxo de chamadas externas dos municipios do Vale, com um total de 85,305 chamadas no periodo analisado. Seguem-se, pela ordem os destinos de Rio de Janeiro, Espirito Santo, Distrito Federal, Goias e Mato Grosso do Sul.

Relativamente a outros centros mineiros, localizados no entorno mais imediato do Vale, pelo mesmo procedimento, foi possivel comprovar que Montes Claros exerce muita atracao sobre partes do Vale, sendo destino para 160,465 ligacoes; ja Teofilo Otoni, destino para 118,523 ligacoes e Governador Valadares, destino para 52,460 ligacoes, confirmam as suas influencias sobre partes mais ao sul do Vale do Jequitinhonha. Naturalmente que Montes Claros polariza uma grande parte dos municipios da area mineira da SUDENE, inclusive Salinas de forma direta; e que Teofilo Otoni tem urna grande influencia sobre o Medio e Baixo Vale do Jequitinhonha.

O estudo do IGA, anteriormente mencionado (1985) apontava nessa mesma direcao, o que mostra a validade do indicador utilizado e uma certa rigidez temporal na estrutura identificada.

Conclusao

Utilizando a tecnica de grafos, e o indicador de numero de ligacoes interurbanas, foi possivel verificar o nivel de interacao e a organizacao hierarquica-espacial da rede urbana do Vale do Jequitinhonha.

O resultado mostra uma rede ainda nao consolidada, com a presenca de uma maioria de pequenas cidades (com menos de 2000 habitantes), com a existencia de cinco regioes polarizadas pelos centros de Diamantina, Araquai, Almenara, Salinas e Capelinha.

Seguindo o mesmo processo metodologico, foi possivel identificar os vinculos externos da regiao, destacando-se a influencia de Sao Paulo e Bahia sobre este espaco; alem da influencia de algumas cidades mineiras do entorno imediato, como Montes Claros, Teofilo Otoni e Governador Valadares.

Por ultimo deve-se registrar que os resultados verificados nao diferem muito dos mostrados por outros estudos anteriores, comprovando uma certa rigidez na estrutura urbana da regiao.
Quadro 1

Cidades polos do Vale do Jequitinhonha

No. de ordem     Cidades      No. de chamadas   No. de cidades
                                                 polarizadas

     1         Almenara           47,728              11
     2         Diamantina         44,541              8
     3         Aracuai            33,326              7
     4         Salinas            20,556              4
     5         Capelinha          17,163              3
     6         Itaobim            26,825              2
     7         Botumirim           l,142              1
     8         Grao Mogol          2,730              1
     9         Pedra Azul         24,985              1
     10        Medina             15,335              1
     11        Pe. Paraiso         5,859              1
     12        Itamarandiba       17,218              1
     13        Minas Novas        14,752              1

No. de ordem     Cidades      Populaca   Populacao
                              da sede    polarizada

     1         Almenara        29,805     105,793
     2         Diamantina      26,263      51,125
     3         Aracuai         27,365      90,428
     4         Salinas         38,667      81,763
     5         Capelinha       26,074      57,262
     6         Itaobim         20,368      37,436
     7         Botumirim        4,363       6,807
     8         Grao Mogol       8,689       4,363
     9         Pedra Azul      22,068       8,774
     10        Medina          20,109       7,732
     11        Pe. Paraiso     17,327       9,265
     12        Itamarandiba    17,246       8,196
     13        Minas Novas     29,395      15,790

Fonte: Elaboracao propria.
Quadro 2

Totais de Ligacoes telefonicas do conjunto de municipios do
Vale do Jequitinhonha para outros estados e para outros polos

Origem          Destino
                principais UF's        No. de ligacoes

                    SP                 162,992
                    BA                  85,305
Vale do             RJ                  22,951
Jequitinhonha       ES                  13,596
                    DF                  11,922
                    GO                   4,933
                    MS                   1,155
                    Sub-Total          302,854

                    Polos regionais    No. de ligacoes

                    Governador
                     Valadares          52,460
                    Montes Claros      160,465
                    Teofilo Otoni      118,523
                    Sub-Total          331,448
                    Total              634,302

Fonte:          Elaboracao propria.


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Ailton Mota de Carvalho *

Ivan Sergei **

* Universidade Estadual do Norte Fluminense, Centro de Ciencias do Homem-LEEA. Av. Alberto Lamego, 2000-Horto Campos do Goytacazes-RJ-Brasil Cep: 28015-620.

** Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Geografia. Av. Ant"nio Carlos, 6627-Pampulha Belo Horizonte-MG-Brasil Cep: 31270-910.
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Title Annotation:TT: Urban hierarchy of Vale do Jequitinhonha, analyzed through 2 telephonic flows.
Author:Mota de Carvalho, Ailton; Sergei, Ivan
Publication:Revista Geografica
Geographic Code:3BRAZ
Date:Jul 1, 2001
Words:4411
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