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Hidroclimatic dinamics of the plateu ibiapaba and its peripheral surrouding depression: a case study in the munipalities tiangua and ubajara--Northwest of Ceara/Dinamica hidroclimatica do planalto da ibiapaba e sua depressao periferica circunjacente: estudo de caso nos municipios de tiangua e ubajara-Noroeste do Ceara.

1.INTRODUCAO

A atuacao dos mecanismos de circulacao atmosferica em escala regional contribui para as especificidades climaticas do Nordeste brasileiro, caracterizadas pela sazonalidade do regime de chuvas no tempo e no espaco. A regiao em epigrafe e uma area de climas semiaridos quentes, colocada em posicao marginal em relacao ao cinturao dos climas aridos e semiaridos tropicais e subtropicais do globo terrestre. Efetivamente, o clima sertanejo do Nordeste ocorre de forma atipica no panorama dos demais climas zonais peculiares a faixa de latitudes similares. Por ser caracterizado, como um clima azonal, de expressao regional, afetando um espaco geografico global de 700.000 a 800.000 [km.sup.2] de area (AB' SABER, 1974).

A dinamica climatica do semiarido brasileiro e controlada por diferentes sistemas atmosfericos e seus respectivos centros de acao. Ao longo do Nordeste se destaca a atuacao do Anticiclone Semifixo do Atlantico Sul, associado a Massa Tropical Atlantica e a Massa Equatorial Atlantica. Em suma, sopram dominantemente ventos do quadrante E-SE, equivalentes aos alisios do Hemisferio Sul. Tais massas de ar, em funcao da sua voriticidade anticiclonica e subsidencia superior, traz estabilidade ao tempo, estabelecendo o periodo seco na regiao, que no semiarido pode durar ate 9 meses no ano. Essa estabilidade e interrompida pela atuacao de mecanismos climaticos que provocam a ocorrencia de chuvas em areas e periodos sazonais diferenciados (ZANELLA, 2014).

A esse respeito, a Zona de Convergencia Intertropical (ZCIT) corresponde ao principal sistema produtor de chuvas para a regiao Nordeste. Ela se forma na confluencia dos ventos alisios de SE e NE atuando de modo mais expressivo sobre o Estado do Ceara a partir de meados do verao, atingindo sua posicao mais meridional no outono. Configura-se atraves da intensa atividade convectiva criando uma ascendencia de massas de ar quentes e umidas responsaveis pela formacao da nebulosidade e de muita chuva. Pode abranger ate 500 km de largura, acompanhadas de baixas pressoes e instabilidade no tempo (FERREIRA & MELLO, 2005).

Desta forma, sobressai-se como fator proeminente a existencia de uma estacao chuvosa de menor duracao e de uma estacao seca prolongada. Tais caracteristicas servem para singularizar o regime pluviometrico do clima semiarido, ao lado da acentuada irregularidade e torrencialidade das chuvas (SOUZA, 2000).

Nessa perspectiva, em reflexo ao jogo de interacoes dos parametros supracitados, a dinamica climatica do Nordeste brasileiro assume particularidades conforme o grau de influencia dos demais componentes geoambientais na estruturacao das unidades de paisagem. Vale ressaltar o papel condicionador do relevo na variabilidade climatica ao longo da area de abrangencia do ambiente semiarido. Nessas condicoes, as vertentes a barlavento dos principais compartimentos geomorfologicos posicionam-se como verdadeiros obstaculos topograficos em contraposicao ao deslocamento livre do ar quente e umido, favorecendo a ocorrencia de chuvas orograficas com medias pluviometricas superiores as depressoes sertanejas.

Neste caso, a influencia do relevo imprime um comportamento hidroclimatico diferenciado no Planalto da Ibiapaba, com expressivos niveis de precipitacao em razao do efeito orografico que o obstaculo topografico exerce sobre a depressao periferica circunjacente. Desta forma, a realizacao do balanco hidrico possui relevancia para justificar a dispersao fitogeografica de um enclave de mata umida nos niveis de cimeira do planalto, configurando-se na formacao de um brejo de altitude face ao contexto geobotanico dos sertoes semiaridos circunjacentes recobertos pelo Bioma Caatinga.

Assim, o presente trabalho se propoe a fazer uma analise comparativa entre os aspectos hidroclimaticos do Planalto da Ibiapaba e sua depressao periferica circunjacente mediante ao calculo estimado pelo balanco hidrico, tendo como estudo de caso os municipios de Tiangua e Ubajara.

Os municipios de Tiangua e Ubajara estao localizados no setor noroeste do Estado Ceara integrando a porcao setentrional do Planalto da Ibiapaba. Por consequencia, se somadas a dimensao real dos dois municipios em epigrafe, a area equivalente chega a 1329, 93 [km.sup.2]. O territorio se limita ao norte com Moraujo, Granja e Vicosa do Ceara, ao sul com Ibiapina e Mucambo, a leste com Moraujo, Frecheirinha, Coreau e Mucambo e a oeste com o Estado do Piaui (IPECE, 2014). Como ilustra o mapa abaixo:

2. MATERIAIS E METODOS

Para a realizacao do balanco hidrico do Planalto da Ibiapaba, foram utilizados os dados do posto pluviometrico da FUNCEME (Fundacao Cearense de Meteorologia e Recursos Hidricos) localizado no municipio de Tiangua. Os dados referentes ao municipio de Ubajara se mostraram incompletos no que tange a serie historica, sendo adotado como criterio a nao realizacao do seu balanco hidrico, visto que localizacao do posto de Tiangua se insere no mesmo contexto hidroclimatico do plato umido num perfil nortesul a Ubajara.

Alem disso, foi realizado o balanco hidrico do posto pluviometrico da FUNCEME localizado no municipio de Frecheirinha para uma analise comparativa entre as condicoes hidroclimaticas da depressao periferica e os niveis de cimeira do Planalto da Ibiapaba. A escolha do municipio de Frecheirinha se justifica pela ausencia de postos pluviometricos na depressao periferica dos municipios de Tiangua e Ubajara, a medida que o mesmo, localiza-se em posicao subsequente a ruptura de declive da cuesta.

A escolha do ano padrao se baseou na proposta metodologica de Monteiro (1976), atraves do calculo do coeficiente de variacao anual (Cv) obtido em porce ntagem a parti r dos resu Itados da med ia p I u vi ometrica da serie histori ca ([X.sup.-]), totais pluviometricos anuais (P) e desvio padrao (Dp). Desta forma, o procedimento foi realizado no software Excel versao 2010, a partir do calculo das seguintes variaveis em analise descritas no esquema abaixo:

A equacao 1 permite mensurar o desvio padrao da precipitacao:

Dp = p - [x.sup.-] (1)

Dp = Desvio Padrao

P = Totais Pluviometricos Anuais

[x.sup.-] = Media Pluviometrica

Apos o calculo do desvio padrao, a equacao 2, permite calcular em porcentagem o coeficiente de variacao anual dos indices de chuvas:

Cv = D p. 100/[X.sup.-] (2)

Cv = Coeficiente de Variacao Anual

Dp = Desvio Padrao

[X.sup.-] = Media Pluviometrica

Assim, a metodologia de Monteiro (1976) permitiu classificar os anos da serie historica dos postos pluviometricos em: normal; tendente a seco; seco; tendente a chuvoso e chuvoso. Conforme ilustra o quadro abaixo:

A presente pesquisa utilizou como parametro de analise, a escolha do ano de 2007 para o municipio de Tiangua, considerado normal no intervalo dos anos 1974-2013. Para o municipio de Frecheirinha, a serie historica se mostrou incompleta no que tange a disponibilidade dos dados, tendo sido adotado como criterio a insercao do ano de 1984 numa estimativa que segue a sequencia dos anos de 1984, 1987-2013. Assim, o ano de 2011 foi escolhido como ano padrao, dado ao comportamento hidroclimatico normal na serie historica.

Camargo & Camargo (2000), estabeleceram criterios aos estudos de balanco hidrico, definindo a evapotranspiracao potencial como o processo de perda de agua para atmosfera sem restricao hidrica para atender as necessidades de evaporacao do solo e de transpiracao das plantas. Enquanto a evapotranspiracao real se constitui na perda de agua de uma superficie natural em qualquer condicao de umidade e de cobertura vegetal. Nesse aspecto, a referida analise realizou o balanco hidrico dos municipios de Tiangua e Frecheirinha para mensurar a entrada e saida de agua da atmosfera para o solo dentro dos padroes habituais. Assim, com base na orga n i zacao dos dados de preci p itacao n u ma serie de 39 a n os para Tia ngu a e 28 a n os para Frech e iri n ha, fo i possive I esti mar a med ia p I uviometrica ([X.sup.-]) de 1259,645 mm e de 958, 358621 mm, respectivamente. Alem dos valores de excedente (EXC) e deficit hidrico (DEF), bem como, as taxas de evapotranspiracao potencial (EP) e real (ER) para avaliacao do comportamento da dinamica hidroclimatica do Planalto da Ibiapaba e sua depressao periferica circunjacente.

Os quadros 1 e 2 comprovam a tabulacao dos dados no gabinete:

O criterio de escolha do ano de 2007 como ano padrao para Tiangua se justifica por ser o mais recente da serie historica que possui comportamento dentro da normalidade, apresentando (Cv) de 3,291007. O ano de 2011 esta enquadrado na categoria normal, todavia o (Cv) possui uma variacao de 12,02363 com valor acima do ano padrao escolhido para referida analise. O mesmo criterio foi aplicado ao municipio de Frecheirinha com a escolha do ano de 2011 como ano padrao. O (Cv) possui uma variacao de 8,72756581, apresentando comportamento dentro da normalidade.

A temperatura foi estimada no software CELINA a partir da insercao das coordenadas geograficas e altitude de cada posto pluviometrico. A capacidade de armazenamento de agua no solo (CAD) foi estimada no programa HIDROCEL com base na metodologia de Thornthwaite & Mather (1955), considerando as condicoes texturais das diferentes classes de solos.

Desse modo, o balanco hidrico foi realizado atraves da insercao desses dados com os valores do calculo do ano padrao na planilha DCE-ESALQ/USP, estimado no Programa EXEL, conforme Rolim et. al. (1998). Os graficos foram gerados automaticamente cujas variaveis calculadas foram: (P) precipitacao; (ETP) evapotranspiracao potencial; (ETR) evapotranspiracao real e capacidade de armazenamento de agua no solo (CAD).

Alem disso, foi confeccionado um mapa planialtimetrico, para analise qualitativa da evolucao geomorfologica do Planalto da Ibiapaba como heranca da dinamica geoambiental do Quaternario. A representacao cartografica destacou a disposicao do relevo regional atraves da elaboracao de um perfil topografico para mensurar a ruptura de declive com a depressao periferica.

Na elaboracao do mapa planialtimetrico, foi utilizada uma imagem SRTM (SHUTTLE RADAR TOPOGRAPHY MISSION), com resolucao espacial de 90 metros, folha SA-24-Y-C, na escala de 1:250.000, disponibilizada pela EMBRAPA (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUARIA). Para o processamento desta imagem foi utilizado o software SPRING 5.2.6. Em seguida, foi utilizado o SIG QUANTUN GIS 1.8 para realizacao do mapeamento na escala de 1: 320.000 e geracao das isoipsas com perfil topografico.

O Trabalho de campo foi imprescindivel para o reconhecimento da realidade terrestre. Nesta etapa foi utilizado o GPS GARMIN E TEX 10, com apoio da Carta Imagem do satelite LANDSAT 8, possibilitando o acesso ate os pontos estrategicos, que se remetem ao tracado do perfil topografico nos municipios de Tiangua e Ubajara. Assim, os dados foram tabulados no gabinete para guiar a correcao do mapeamento tematico. Tais informacoes foram validadas a partir da analise de imagens SRTM com resolucao de 90 m.

3.RESULTADOS E DISCUSSAO

O Planalto da Ibiapaba representa a borda oriental da Bacia Sedimentar do Parnaiba atraves de um escarpamento abrupto e festonado no contato com a depressao sertaneja e um caimento topografico suave que coaduna para o eixo central da sineclise, se configurando num relevo cuestiforme.

Verifica-se no Planalto da Ibiapaba a ocorrencia de totais pluviometricos que superam a media geral do Estado do Ceara. A disposicao do relevo frente ao deslocamento dos ventos umidos, provenientes do Oceano Atlantico, favorece a ocorrencia de chuvas orograficas no p lato um i do da "cu esta" pote ncia I iza n do a existencia de um enclave de mata umida em me i o ao sem i ar i do. "A pedogenese favoreceu a formacao de Latossolos Vermelhos-Amarelos revestidos primariamente pela mata pluvione b u I ar" (SOUZA, 1988).

Esta classe tem os arenitos da Formacao Serra Grande como principais materiais de origem, prevalecendo nas topografias planas dos niveis de cimeira do planalto. Caracterizam-se por solos profundos dotados de fertilidade natural baixa com forte susceptibilidade a lixiviacao em funcao das condicoes texturais e drenagem excessiva. Nao obstante, os Argissolos Vermelhos-Amarelos se posicionam na depressao periferica circunjacente e nas feicoes agucadas da frente escarpada da cuesta, derivando de rochas do embasamento cristalino. Apresentam-se moderadamente profundos e fertilidade natural de media a alta com sequencia de horizontes A, Bt e C (SOUZA & OLIVEIRA, 2006).

Destarte, o enclave de mata umida do Planalto da Ibiapaba e representado por uma exuberante e expressiva floresta perenifolia abrangendo uma estreita faixa de terras que contrasta para oeste com o reverso seco e para leste com a depressao sertaneja. Conforme ilustra a figura abaixo:.

Esse enclave de mata umida configura uma formacao de altitude que pelo grau de similaridade vegetacional e floristica, representa remanescentes da mata pluvial driatica (Mata Atlantica ou Floresta Serrano Oriental), validas como disjuncoes florestais em meio as caatingas circunjacentes. Tais disjuncoes ocorrem devido a existencia local de fatores de excecao de origem climatica, topografica, hidrologica ou mesmo litologica, ligados a processos paleontologicos. Por certo, testemunham uma maior ocupacao das florestas atlanticas no interior do continente, as quais no periodo umido recobriu de modo continuo, grande parte do espaco que ainda hoje os mantem encravados (FERNANDES, 2006).

Sob esse aspecto, o periodo Quaternario corresponde as mudancas ambientais que ocorreram nos ultimos 2 milhoes de anos da era Cenozoica, subdividido no intervalo de 10.000 a 12.000 anos AP entre o Pleistoceno e o Holoceno. Nesse contexto, o Quaternario foi marcado por sucessivas fases glacias e interglaciais que condicionaram a evolucao das paisagens de todo o planeta. Assim, a intensidade das variacoes climaticas produziram efeitos nas taxas de intemperismo e pedogenese, nos regimes fluviais e nivel dos oceanos, implicando na distribuicao ecologica dos seres vivos, forcados a migracoes e adaptacoes as condicoes mutaveis (MOURA, 1998).

Ab' Saber (1969), expoe a influencia dos processos morfoclimaticos do Quaternario sobre a evolucao dos compartimentos de relevo em singularidade com a distribuicao dos dominios fitogeograficos do Brasil. Durante a fase tropical umida, a distribuicao areolar da Mata Atlantica assumiu contornos expressivos nas paisagens intertropicais, denunciando uma fase extensiva de dissecacao das vertentes e espessamento dos mantos de intemperismo com o consequente desenvolvimento dos mosaicos de solos. A fase de semiaridez agressiva contribuiu para a atuacao da morfogenese mecanica sobre o relevo, esbocando a configuracao das amplas rampas de pedimentacao concomitante a retracao das florestas tropicais para os refugios ecologicos, a medida que as caatingas ralas expandiam-se pelas depressoes intermontanas favorecendo a remocao dos solos desprotegidos face aos efeitos das chuvas torrenciais.

Neste vieis, o mecanismo evolutivo do Planalto da Ibiapaba expoe as influencias das mudancas ambientais que ocorreram ao longo da historia geoecologica do Quaternario. Esquematicamente, ora pelo predominio da morfogenese quimica atraves da superimposicao da rede hidrografica pela dissecacao e abertura previa dos vales, ora pela atuacao da morfogenese mecanica atraves da acao simultanea do recuo paralelo da escarpa com a exumacao do embasamento cristalino na area da depressao periferica.

Esse processo consubstancia na formacao de patamares de erosao deprimidos e perifericos de arranjos circulares ou semicirculares na borda de bacias sedimentares. Desse modo, se constata no Planalto da Ibiapaba, a ocorrencia do mais sugestivo exemplo de areas de eversao do relevo brasileiro cuja ruptura topografica entre o pediplano sertanejo e a superficie de cimeira do planalto esta acima de 700 m (AB' SABER, 1949).

Sob esse aspecto, o mapa planialtimetrico expoe a correlacao das variaveis morfoestruturais e morfoesculturais no condicionamento da feicao cuestiforme ao longo do recorte municipal de Tiangua e Ubajara. Ademais, o esquema representa a ruptura topografica entre depressao periferica e a frente escarpada da cuesta atraves do perfil dos niveis de erosao em isoipsas de 100 m. O modelo salienta a disposicao do relevo numa altitude acima de 700 m, configurando um importante dispersor de drenagem da bacia hidrografica do rio Coreau, a partir da ressurgencia de nascentes que assumem orientacao obsequente, propiciando o ataque da erosao remontante no contexto morfogenetico da vertente oriental do planalto. Como ilustra abaixo a figura 3:

Nesse aspecto, o tracado das isoipsas sobre a escarpa da cuesta traduz a dissecacao do relevo pela drenagem obsequente em oposicao ao controle da morfoestrutura, demandando coletores por captura fluvial ate a area da depressao periferica, a medida que os rios seccionam a abertura dos vales no sentido inverso ao mergulho estratigrafico das camadas sedimentares. Desta forma, as condicoes de drenagem superficial das superficies sertanejas circunjacentes, estao estreitamente vinculadas aos aspectos da dinamica hidroclimatica do Planalto da Ibiapaba, demonstrando sua importancia como principal centro de origem dos rios que entalham o noroeste cearense.

Nos enclaves umidos, o modo como os componentes mantem suas relacoes de reciprocidade sao muito caracteristicas e o relevo tem sempre um papel decisivo atraves da altimetria ou da exposicao. Por consequencia, a combinacao entre as condicoes geomorfologicas e hidroclimaticas, impoem uma resposta representativa da circulacao atmosferica em carater regional, justificando a ocorrencia de um mesoclima de altitude. Assim, o balanco hidrico apresenta caracteristicas de excedente hidrico durante uma parte significativa do ano num periodo de pelo menos quatro meses (SOUZA & OLIVEIRA, 2006).

A par dessas questoes, os graficos 1, 2, 3 e 4 expressam o balanco hidrico do posto pluviometrico do municipio de Tiangua para validacao da existencia de um enclave umido em meio ao contexto do semiarido cearense:

O grafico 1 demostra a influencia da altitude sobre a temperatura mesmo com os acentuados niveis de insolacao do Nordeste semiarido com valor de amplitude termica anual que nao ultrapassa 2[degrees]C. Contudo, ha um pequeno aumento da temperatura no mes de setembro nao excedendo os 22[degrees]C.

De acordo com os dados do grafico 2 e 3, o excedente hidrico ocorre entre os meses de fevereiro a maio, registrando niveis mais elevados durante trimestre marco-abril-maio coincidente ao periodo da quadra chuvosa. Esse fato se justifica, pela atuacao da ZCIT na distribuicao das chuvas, com efeito orografico sobre o Planalto da Ibiapaba. Desta forma, o deficit hidrico predomina no restante do ano, demostrando a influencia da ecozona semiarida, ate mesmo nos enclaves umidos, onde os totais pluviometricos superam o contexto das depressoes sertanejas inseridas no Nordeste seco.

A figura abaixo ilustra a atuacao da ZCIT sobre o estado do Ceara no periodo de excedente hidrico correspondente aos meses de marco e abril:.

Assim, no posto pluviometrico de Tiangua, o total das precipitacoes de 2007 se contabiliza em 1301,1 mm. O mes de marco apresenta o pico de precipitacao do ano com valor de 389,60 mm. A evapotranspiracao potencial se mantem estavel ao longo do ano, superando os totais pluviometricos a partir do mes de junho. Corresponde a estimativa do quanto poderia evaporar se o nivel de precipitacao mantivesse a regularidade. A evapotranspiracao real acompanha a evapotranspiracao potencial no periodo de excedente hidrico, se igualando com os totais pluviometricos do mes de agosto em diante.

Vale salientar, que o calculo do (CAD) corresponde a uma estimativa variavel em funcao das caracteristicas de textura presentes em cada classe de solo. Neste caso, os Latossolos Vermelhos-Amarelos possuem fracoes predominantemente franco-arenosas com tendencia a forte porosidade a infiltracao de agua, porem a mesma condicao alia-se a evaporacao a partir da intensa perda de agua do solo para atmosfera, o que diminui sua capacidade de armazenamento, ainda que num contexto hidroclimatico umido.

A figura abaixo expoe um tipico perfil de Latossolo Vermelho-Amarelo na divisa dos municipios de Tiangua e Ubajara:.

Conforme o grafico 4, a capacidade de armazenamento de agua sobre os Latossolos Vermelhos-Amarelos atinge o limite de 22 mm, durante o trimestre fevereiro-marco-abril, ficando abaixo do ponto de saturacao do mes de maio em diante, quando gradativamente ocorre a perda de agua do solo para atmosfera. Esse processo se configura como responsavel pelo condicionamento do periodo de deficit hidrico a partir do mes de junho.

O balanco hidrico do municipio de Frecheirinha conduz a uma analise comparativa do comportamento hidroclimatico da depressao periferica em relacao aos resultados obtidos pelo posto pluviometrico de Tiangua. Deste modo, os graficos 5, 6, 7 e 8 traduzem a estimativa da dinamica hidroclimatica:.

Os dados do grafico 5 demostram os efeitos da significativa reducao da altitude em relacao aos niveis de cimeira do planalto, com temperaturas maximas que superam os 27[degrees]C no quadrimestre de setembro-outubro-novembrodezembro. A amplitude termica anual nao ultrapassa 2[degrees]C em semelhanca ao municipio de Tiangua.

Conforme o grafico 6 e 7, o excedente hidrico ocorre entre o intervalo dos meses de marco-abril, registrando niveis mais elevados durante o mes de abril quando o pico de precipitacao chega a 289 mm. A evapotranspiracao real acompanha a evapotranspiracao potencial ate o mes de maio. Essas condicoes expoem a ocorrencia de totais pluviometricos inferiores ao enclave umido do Planalto da Ibiapaba.

O total pluviometrico do ano de 2011 se contabiliza com 1042 mm, sendo 458 mm em regime concentrado entre o bimestre de marcoabril, quando a ZCIT esta em plena atuacao no Estado do Ceara. A evapotranspiracao potencial se mantem abaixo dos totais pluviometricos desde o periodo de excedente hidrico ate o advento da estiagem. Contudo, do mes de maio em diante, os totais pluviometricos sao superados pela evapotranspiracao potencial se igualando com evapotranspiracao real a partir do mes de julho, o que justifica a manutencao do deficit hidrico no segundo semestre do ano.

A capacidade de armazenamento de agua no solo (CAD) atinge entre os meses de marco e abril valores de 37,80 mm, ficando abaixo do ponto de saturacao durante maior parte do ano. Neste caso, as caracteristicas de textura franco-argilosa dos Argissolos Vermelho-Amarelos, favorecem maiores indices de retencao de agua do que os Latossolos Vermelho-Amarelos. Contudo, a predominancia do deficit hidrico durante o ano, contribui para a nao permanencia da agua infiltrada durante o periodo da quadra chuvosa.

A esse respeito, esta classe prepondera na area da depressao periferica revestidos pela caatinga arborea. Tal fato e justificado pela condicao de maior desenvolvimento pedogenetico e de fertilidade natural dos Argissolos Vermelho-Amarelos em relacao ao contexto do morfopedologico das depressoes sertanejas. Neste caso, a influencia orografica do Planalto da Ibiapaba conduz a moderacao da semiaridez a favor da dispersao fitogeografica da caatinga com aspecto floristico hipoxerofilo.

Em contrapartida, no enclave umido do Planalto da Ibiapaba, o arranjo fitogeografico testemunha as variacoes climaticas do Quaternario frente a existencia de refugios ecologicos da Mata Atlantica em meio ao ambiente semiarido. Esse fato justifica o estagio avancado de desenvolvimento dos solos em equilibrio com o recobrimento extensivo do manto florestal.

Nas condicoes atuais, a mata umida ocupa os niveis de cimeira do planalto a partir da retracao fitogeografica das especies para os setores onde a disponibilidade hidrica ainda se mantem proxima das que deram origem a esse contexto geobotanico. Tais condicoes esbocam a existencia de um verdadeiro brejo de altitude no contexto morfoclimatico das caatingas semiaridas.

4.CONSIDERACOES FINAIS

Os dados traduzem com base no calculo estimado pelo balanco hidrico, a configuracao de um brejo de altitude no Planalto da Ibiapaba pelo condicionamento e disposicao do relevo no contexto do ambiente semiarido. Assim, o total de precipitacoes no posto pluviometrico de Tiangua supera substancialmente os valores obtidos pelo municipio de Frecheirinha, contribuindo para dispersao de dominios fitogeograficos distintos em conformidade com o mecanismo evolutivo de cada dinamica ambiental.

O periodo de deficit hidrico nos niveis de cimeira do planalto apresenta uma menor duracao em relacao a depressao periferica circunjacente. O pico de excedente hidrico ocorre no mes de marco com valores acima de 300 mm. Por consequencia, ha o prolongamento da quadra chuvosa se materializando na area durante o quadrimestre fevereiro-marco-abrilmaio. Esse fato contribui para ocorrencia de maiores indices pluviometricos que se expressam na referida analise com valores de 1301,1 mm para o ano considerado padrao.

Por outro lado, na depressao periferica o mes de abril corresponde ao principal periodo de excedente hidrico com valores de 174,67 mm. Por consequencia, ha uma expressiva extensao de 8 meses do periodo de deficit hidrico. Tais caracteristicas expressam a influencia climatica da ecozona semiarida na constituicao da quadra chuvosa em intervalos de curta duracao.

Todavia, a influencia orografica do Planalto da Ibiapaba, proporciona melhores condicoes de disponibilidade hidrica em relacao ao contexto de semiaridez vigente na area dos sertoes. A media pluviometrica da depressao periferica ultrapassa os 900 mm, se configurando num ambiente que tende para condicoes subumidas a medida que se aproxima do rebordo da cuesta.

A distribuicao do enclave de mata umida no Planalto da Ibiapaba esta estreitamente vinculada a evolucao das classes de solos como reflexo ao jogo de interacoes dos parametros hidroclimaticos na interface com a exposicao do relevo numa ruptura topografica que ultrapassa 700 m. Desse modo, as associacoes entre Latossolos Vermelhos-Amarelos e os padroes fitogeograficos guardam especificidades no recorte espacial de Tiangua e Ubajara, demonstrando o papel condicionante dos processos morfoclimaticos como fatores de formacao do solo em dependencia do grau de imposicao de um componente sobre o outro no funcionamento da exploracao biologica.

Desta forma, os aspectos hidroclimaticos e geomorfologicos se sobressaem como importantes condicionantes que guiam a estruturacao das variaveis envolvidas na dinamica do meio ambiente, ensejando a organizacao de setores ecologicos individualizados com singularidades e relacoes de interdependencia que compoem o mosaico das unidades de paisagem.

DOI: 10.5380/raega

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ZANELLA, M. E. Consideracoes sobre o Clima e os Recursos Hidricos do Semiarido Nordestino. Caderno Prudentino de Geografia. Presidente Prudente--Sao Paulo. V. especial, p 125-142. Associacao dos Geografos brasileiros, 2014..

Francisco Leandro de Almeida Santos (2) Flavio Rodrigues do Nascimento (3)

Recebido em: 26/06/2015

Aceito em: 23/01/2017

(1) Pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq).

(2) Universidade Estadual do Ceara Fortaleza/CE, e-mail: leogeofisico@gmail.com

(3) Universidade Federal do Ceara, Fortaleza/CE, e-mail: flaviorn@yahoo.com.br

Caption: Figura 01--Localizacao da area de estudo. Fonte: IPECE (2014).

Caption: Figura 02--Enclave de mata umida do Planalto da Ibiapaba em contato com o Bioma Caatinga na area da Depressao Periferica circunjacente. Fonte: Santos (2015).

Caption: Figura 03--Mapa Planialtimetrico dos Municipios de Tiangua e Ubajara. Fonte: EMBRAPA (2014).

Caption: Figura 04. Quadra chuvosa no Ceara em decorrencia da ZCIT. Fonte: FUNCEME (2015).

Caption: Figura 05. Perfil de Latossolo Vermelho Amarelo entre os limites municipais de Tiangua e Ubajara. Fonte: Santos (2014).

Caption: Grafico 01--Temperatura de Tiangua do ano de 2007 estimada no CELINA. Fonte: FUNCEME (2014).

Caption: Grafico 02--Taxas de Excedente e Deficit Hidrico em Tiangua no ano de 2007. Fonte: FUNCEME (2014).

Caption: Grafico 03--Balanco Hidrico de Tiangua no ano de 2007. Fonte: FUNCEME (2014).

Caption: Grafico 04--Capacidade de Armazenamento de Agua no Solo em Tiangua conforme Thornthwaite & Mather (1955). Fonte: FUNCEME (2014).

Caption: Grafico 05. Temperatura de Frecheirinha no ano de 2011 estimada pelo CELINA. Fonte: FUNCEME (2014).

Caption: Grafico 06. Excedente e Deficit Hidrico em Frecheirinha no ano de 2011. Fonte: FUNCEME (2014).

Caption: Grafico 07. Balanco Hidrico de Frecheirinha no ano de 2011. Fonte: FUNCEME (2014).

Caption: Grafico 08. Capacidade de Armazenamento de Agua no Solo em Frecheirinha conforme Thornthwaite & Mather (1955). Fonte: FUNCEME (2014).
Quadro 01-Criterios para calculo do ano padrao: Fonte: Monteiro (1976).

METODOLOGIA DE MONTEIRO (1976)

Ano Padrao (Comportamento             Anomalias do Cv
Hidroclimatico)

Ano seco                     -30 [greater than or equal to] Cv

Tendente a seco                        -30 < Cv < -15

Ano normal                      -15 [less than or equal to]
                               Cv [less than or equal to] 15

Tendente a chuvoso                      15 < Cv < 30

Ano chuvoso                    30 [less than or equal to] Cv

Quadro 02--Serie historica e calculo do ano padrao conforme
Monteiro (1976)--Posto Pluviometrico de Tiangua. Fonte: FUNCEME
(2014).

Ano      P         Dp         Cv       Ano Padrao

1974   2069,8   810,155    64,31614     Chuvoso
1975   1307,1    47,455    3,767331      Normal
1976   981,4    -278,245   -22,0892    Tend Seco
1977   1159,8   -99,845    -7,92644      Normal
1978   1149,9   -109,745   -8,71238      Normal
1979   811,4    -448,245   -35,585        Seco
1980   896,9    -362,745   -28,7974    Tend Seco
1981   896,8    -362,845   -28,8053    Tend Seco
1982   935,2    -324,445   -25,7569    Tend Seco
1983   469,5    -790,145   -62,7276       Seco
1984   1398,2   138,555    10,99953      Normal
1985   2409,3   1149,655   91,26817     Chuvoso
1986   1654,8   395,155    31,37035     Chuvoso
1987   883,3    -376,345   -29,8771    Tend Seco
1988   1651,5   391,855    31,10837     Chuvoso
1989   1686,6   426,955    33,89487     Chuvoso
1990   1029,7   -229,945   -18,2547    Tend Seco
1991   1051,2   -208,445   -16,5479    Tend Seco
1992   1246,8   -12,845    -1,01973      Normal
1993    789     -470,645   -37,3633       Seco
1994   1605,6   345,955    27,46448    Tend Chuv
1995   1852,8   593,155    47,08906     Chuvoso
1996   1541,4   281,755    22,36781   Tend Chuvoso
1997    918     -341,645   -27,1223    Tend Seco
1998   782,6    -477,045   -37,8714       Seco
1999   1520,4   260,755    20,70067   Tend Chuvoso
2000   1685,8   426,155    33,83136     Chuvoso
2001    996     -263,645   -20,9301   Tend Chuvoso
2002   1368,7   109,055    8,657598      Normal
2003   1277,9    18,255    1,449218      Normal
2004    1543    283,355    22,49483   Tend Chuvoso
2005   903,5    -356,145   -28,2734    Tend Seco
2006   1051,3   -208,345    -16,54     Tend Seco
2007   1301,1    41,455    3,291007      Normal
2008    1683    423,355    33,60907     Chuvoso
2009   2044,5   784,855    62,30763     Chuvoso
2010   932,5    -327,145   -25,9712    Tend Seco
2011   1411,1   151,455    12,02363      Normal
2012   700,2    -559,445   -44,4129       Seco
2013   788,2    -471,445   -37,4268       Seco

Quadro 03--Serie historica e calculo do ano padrao conforme
Monteiro (1976)--Posto Pluviometrico de Frecheirinha. Fonte:
FUNCEME (2014)..

Ano      P          Dp            Cv        Ano Padrao

1984   1373,2   414,841379    43,2866539     Chuvoso
1987   942,3    -16,058621    -1,67563794     Normal
1988   1440,8   482,441379    50,3403808     Chuvoso
1989   1557,1   598,741379    62,4757128     Chuvoso
1990   922,2    -36,158621    -3,77297391     Normal
1991   873,5    -84,858621    -8,85457895     Normal
1992   479,6    -478,75862    -49,9561031      Seco
1993   581,6    -376,75862    -39,3129057      Seco
1994   1113,6   155,241379     16,198673     Tend Chu
1995    1072    113,641379     11,857918      Normal
1996   1113,1   154,741379    16,1465005     Tend Chu
1997   641,5    -316,85862    -33,0626358      Seco
1998    728     -230,35862    -24,036787    Tend Seco
1999    875     -83,358621    -8,69806134     Normal
2000    1242    283,641379    29,5965804     Tend Chu
2001    858     -100,35862    -10,4719276     Normal
2002    868     -90,358621    -9,42847685     Normal
2003    1119    160,641379    16,7621364     Tend Chu
2004    1057    98,6413793    10,2927419      Normal
2005    794     -164,35862    -17,1500122   Tend Seco
2006    819     -139,35862    -14,5413854     Normal
2007    777     -181,35862    -18,9238785   Tend Seco
2008   1135,5   177,141379    18,4838301     Tend Chu
2009   1765,4   807,041379    84,2107914     Chuvoso
2010    730     -228,35862    -23,8280969   Tend Seco
2011    1042    83,6413793    8,72756581      Normal
2012    462     -496,358621   -51,7925764      Seco
2013    687     -271,358621   -28,314935    Tend Seco
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Author:Santos, Francisco Leandro de Almeida; do Nascimento, Flavio Rodrigues
Publication:Ra'e Ga
Article Type:Ensayo
Date:Apr 1, 2017
Words:5491
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