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Heidegger's Philosophy of Science/A filosofia da ciencia de Heidegger.

A filosofia da ciencia usualmente nao e considerada central na obra de Heidegger, ao menos entre os filosofos de lingua inglesa, e tampouco se considera que ele tenha contribuido significativamente para a filosofia da ciencia. Esta dissociacao e evidente em trabalhos recentes: diversos volumes abrangentes sobre a filosofia de Heidegger (p.ex. DREYFUS e HALL, 1992; GUIGNON, 1993) nao incluem nenhum ensaio sobre sua filosofia da ciencia, ao mesmo tempo em que as concepcoes de Heidegger quase nunca sao consideradas pelos filosofos da ciencia anglofonos. No entanto, a rejeicao do envolvimento de Heidegger com a filosofia da ciencia esta equivocada em ambos os sentidos.

Compreender a filosofia da ciencia de Heidegger exige que seu projeto seja situado em relacao ao giro epistemologico central ao neo-kantianismo e a fenomenologia husserliana, ainda dominantes na filosofia. Para ambos os neo-Kantianos (incluindo os positivistas logicos) e Husserl, a reflexao filosofica sobre a ciencia diz respeito ao conhecimento cientifico. A ciencia visava estabelecer conhecimento objetivamente valido, enquanto a filosofia buscava clarificar as bases de sua validade. Inicialmente, pode parecer obvio que a evidencia observacional e a base do conhecimento empirico. No entanto, nao era tao obvio como a evidencia empirica estava relacionada aos juizos ou aos enunciados cientificos sobre o mundo de maneira a garantir a sua validade objetiva.

O desafio de explicar a validade cientifica ou a objetividade era complexo. Primeiro, ter-se-ia que compreender como as afirmacoes cientificas eram significativas, ou seja, como os enunciados ou juizos descreviam o mundo de certa maneira ao inves de outra. Segundo, ter-se-ia que compreender como a evidencia empirica poderia tanto justificar ou desafiar tais representacoes. Alem disso, havia obstaculos duplos para que cada desafio pudesse ser satisfeito. Nao era suficiente estabelecer uma relacao motivacional contingente ou causal entre fazer uma afirmacao e ou ter uma experiencia ou aceitar outras afirmacoes. Afirmacoes validas expressam o que qualquer conhecedor racional deve dizer, com base na relacao evocada como fundamento. Os fundamentos para o significado e a justificacao das afirmacoes cientificas, assim, devem ser normativos, mais do que meramente empiricamente contingentes, e a sua fundamentacao deve ser intersubjetiva.

Ainda que ignorando diferencas importantes em outros aspectos, podemos identificar duas caracteristicas comuns as respostas husserliana e neo-kantiana a esses desafios. Primeiro, os fundamentos fornecidos para o significado e a validade do conhecimento cientifico eram estruturas ou relacoes racional ou transcendentalmente necessarias. Segundo, o dominio destas estruturas ou relacoes necessarias era independente das contingencias do mundo no qual nos encontramos. Nao sao os meros fatos sobre esse mundo que determinam o que nos devemos fazer ou pensar. Por isso, ao procurar fundamentos para normas epistemicas, esses filosofos confiavam suas reflexoes aos dominios "extramundanos" da logica pura ou da consciencia transcendental. A logica nao era uma ciencia empirica de como as pessoas realmente raciocinam, mas um estudo de estruturas formais ou normas que o pensamento real pode nao satisfazer. A consciencia transcendental husserliana era, de maneira similar, nao um dominio psicofisico contingente examinado empiricamente, mas um dominio de significados puros que se tornam acessiveis somente quando a preocupacao com a existencia mundana e temporariamente suspensa. Em cada caso, as afirmacoes reais feitas nas ciencias em sequencia aos eventos empiricos contingentes eram tomadas como sendo significativas e justificadas porque elas instanciavam (imperfeitamente) estruturas ideais de necessidade racional ou eidetica.

Heidegger objetou fundamentalmente esse tipo de afastamento do mundo historico e concreto nos quais os agentes humanos estao situados. Ao localizar a normatividade da atividade e da compreensao humanas em necessidades ideais da logica pura ou da consciencia transcendental, Husserl e os neo-kantianos desconectaram a reflexao filosofica da nossa real situacao mundana. Ainda poderia haver uma base intermediaria entre apelos a estruturas necessarias e uma filosofia da visao de mundo (Weltanschauung) circunscrita por uma situacao cultural e historica particular, de maneira a abandonar qualquer aspiracao a uma compreensao filosofica mais ampla? A resposta de Heidegger a este dilema desafiou as pressuposicoes mais basicas que levaram os neo-kantianos e Husserl em direcao a uma concepcao epistemologica de ciencia.

Epistemologos tratam o conhecimento como uma relacao entre entes: um conhecedor, um objeto conhecido e a representacao do conhecedor sobre o conhecido. A tarefa e, entao, compreender como estes entes devem estar relacionados para atingir conhecimento genuino. Heidegger pensava que pressuposicoes erroneas e nao-examinadas subjazem quaisquer concepcoes desse tipo, de conhecedores como um tipo especial de ente (uma mente, consciencia, falante da linguagem ou agente racional), e de conhecimento como uma relacao entre entes, insistindo que "a esse ente nao se deve aplicar dogmatica e construtivamente nenhuma ideia de ser e de realidade efetiva, por mais 'evidente' que ela seja." (SZ: 16[MR]) (1). Ao colocar a questao do ser (do que significa ser, ou da inteligibilidade dos entes enquanto entes), Heidegger buscou superar pressuposicoes nao-examinadas sobre conhecimento ou consciencia, e engajar-se em um questionamento filosofico mais radical. Recorrendo a filosofia grega e medieval, ele falou do "ser" de um ente como uma maneira de considerar sua inteligibilidade como o ente que e. Ao assumir esse termo, Heidegger buscou evitar presumir que a inteligibilidade ("ser") dos entes e ela mesma um ente (um significado, uma aparencia, um conceito ou um pensamento).

A tentativa de Heidegger de evitar reificar relacoes entre conhecedor e conhecido ao evitar pressuposicoes epistemologicas tambem o levou a reconceber a compreensao humana. A maioria dos filosofos considera que estados mentais ou atitudes proposicionais (perceber, julgar, desejar) sao nossa maneira basica de nos relacionar e compreender as coisas. Heidegger falou de maneira mais abrangente de nossas varias ocupacoes ou comportamentos com respeito aos entes, e desafiou a pressuposicao de que tais comportamentos sempre envolvem, ao menos implicitamente, representacoes mentais ou linguisticas (Heidegger referiu-se aos "nossos" comportamentos como "DaseirT, um termo que denota nossa maneira distintiva de ser). No comportamento cotidiano, nos compreendemos os entes que encontramos, mas Heidegger interpretou a compreensao como sendo uma competencia pratica ao inves de uma cognicao ou representacao mental (SZ: 143). Cognicao e conhecimento sao supostamente derivativos de ("fundados em") tais compreensoes praticas cotidianas.

Uma tese central em Ser e Tempo e a de que qualquer compreensao de entes pressupoe uma compreensao do ser. Essa afirmacao aparentemente obscura e clarificada pelo paralelo de Haugeland (1988) com o xadrez. Nao podemos ter um encontro com uma torre sem alguma forma de compreensao do jogo de xadrez. Nos termos de Heidegger, a "descoberta" dos entes do xadrez (pecas, posicoes, movimentos ou situacoes) pressupoe uma "abertura" previa do xadrez como o contexto para que eles facam sentido. O "ser" das torres ou dos garfos do cavalo (2) e o seu lugar no interior do jogo, atribuindo sua inteligibilidade enquanto os entes que sao. O proprio jogo somente faz sentido, contudo, como uma maneira possivel de nos comportarmos. Em quaisquer comportamentos em direcao a entes, entao, o que compreendemos mais fundamentalmente e o mundo enquanto uma configuracao significativa de maneiras possiveis para que o Dasein seja, e nosso proprio direcionamento a essas possibilidades: "Aquilo que se pode no compreender como existencial [uma estrutura essencial de nossa maneira de ser] nao e um que, mas o ser como existir. O ser-ai nao e um ente subsistente que possui, alem disso, como acrescimo o poder algo, mas ele e primariamente ser-possivel." (SZ: 143, ST: 407-9 [MR]). A dificuldade de compreensao aqui e a afirmacao de Heidegger de que o "mundo" (a situacao ou o contexto) cuja abertura permite a descoberta de entes nao e em si mesmo um ente ou uma colecao de entes. Se perguntarmos o que ha, nao ha nada exceto os variados e diversos entes que podemos descobrir. Mas podemos descobri-los somente porque compreendemos o ser e, desse modo, pertencemos a uma situacao historica especifica ou "mundo", uma configuracao significativa de modos possiveis de ser para nos. Contudo, as palavras "possivel" ou "possibilidade" podem ser enganosas. Heidegger nao se referia a realidades possiveis (objetos definidos, propriedades, e relacoes que poderiam ser obtidas, mas que na verdade nao sao), mas a possibilidades reais (uma orientacao em direcao a modos de ser definidos, mas nao completamente determinados). Podemos nos comportar em direcao a possibilidades sem representa-las como tais, mesmo implicitamente.

Agora, podemos perguntar como Heidegger (em Ser e Tempo) concebeu a ciencia e sua relacao com a filosofia. A filosofia da ciencia inicial de Heidegger tinha tres temas principais: a prioridade da ontologia fundamental para a ciencia, a necessidade de uma "concepcao existencial de ciencia", e a significatividade ontologica da ciencia enquanto descoberta do subsistente (Vorhanden).

A compreensao de Heidegger da filosofia como ontologia fundamental contrasta-se nitidamente com as concepcoes logicas e epistemologicas tradicionais da contribuicao da filosofia para a ciencia. As ultimas, ele pensou, "ficam para tras, investigando o estado ocasional de uma ciencia" ate agora (SZ: 10 [MR]). Tais abordagens negam a orientacao para o futuro da pesquisa cientifica e, assim, equivocam-se completamente quanto ao que importa na ciencia. Heidegger pensava que "O autentico 'movimento' de uma ciencia reflete-se na revisao mais ou menos radical (mesmo que nao transparente por si mesma) dos conceitos fundamentais. O nivel de uma ciencia determina-se a partir de o quanto e ela e capaz de uma crise em seus conceitos fundamentais" (SZ: 9[MR]). Uma filosofia da ciencia que defina sua tarefa normativa pela orientacao ja aceita de uma disciplina cientifica particular visa assegurar o que a propria ciencia busca superar. Heidegger pensou que a filosofia, em vez disso, poderia contribuir para "uma logica produtiva, no sentido em que ela como que salta na frente para dentro de uma regiao particular de ser, abrindo-a pela primeira vez na sua constituicao de ser, fazendo com que as estruturas a que chega estejam disponiveis para as ciencias positivas como guias transparentes da interrogacao" (SZ: 10[MR]). Heidegger pensou que a filosofia poderia fazer isso porque as ciencias, como quaisquer outras atividades humanas, procedem a partir de uma compreensao previa do ser dos entes com que se defrontam. Tal compreensao envolve uma compreensao pratica (nao uma descricao articulada) de quais entes estao envolvidos, como aborda-los de um modo revelador, e o que resultaria em sucesso ao lidar com eles. A descoberta e a articulacao do que ha em um dominio cientifico particular baseia-se em, e posteriormente desenvolve, essa abertura previa do ser. A reflexao filosofica sobre a compreensao do ser de uma ciencia particular (sua ontologia "regional") considera as condicoes a priori da possibilidade de investigar entes em seu dominio (SZ: 11), mas ela nao procura, assim, conhecimento a priori. Heidegger afirmou que "o sentido original do a priori' nao tinha nenhuma relacao com o conhecimento (GA 20: 34). Em vez disso, ele utilizou o termo "a priori" para designar o que e ontologicamente previo, as condicoes de possibilidade dos proprios entes (enquanto o tipo de ente que sao), mais do que as condicoes de possibilidade do nosso conhecimento sobre entes. O convite de Heidegger para a reflexao sobre as condicoes a priori da possibilidade dos entes, assim, se opoe diretamente a qualquer filosofia de poltrona [armchair philosophy] que busque o conhecimento a priori. Heidegger, em vez disso, observou aprovadamente que muitas disciplinas cientificas contemporaneas (especificamente a matematica, a fisica, a biologia, as ciencias historicas e a teologia) estavam engajadas em reflexoes renovadas sobre seus fundamentos conceituais, e que tais desenvolvimentos eram giros apropriadamente filosoficos no interior dessas disciplinas (SZ: 9-10). A ontologia filosofica deveria ser continua com tais desenvolvimentos cientificos. Seus modelos explicitos para a ontologia filosofica foram as contribuicoes de Platao, Aristoteles e Kant. No caso do ultimo, ele pensou, "o resultado positivo da Critica da Razao Pura de Kant nao consiste numa 'teoria' do conhecimento, mas na tentativa de por em relevo o que pertence a natureza em geral" (SZ: 10-11; ST: 55). A obra de Kant nao era "previa" a de Newton, mas um comprometimento filosofico (ontologico) com a fisica newtoniana.

A filosofia poderia contribuir distintivamente para a reflexao ontologica no interior de qualquer ciencia particular, por duas razoes. A razao mais importante era a de que a abertura "regional" do ser no interior de qualquer dominio cientifico particular era supostamente dependente da compreensao do ser em geral. Assim como compreender as torres exige compreender o xadrez, e o xadrez e compreendido como um modo possivel do ser-no-mundo do Dasein, Heidegger pensava que a abertura do ser dos entes no interior de qualquer dominio cientifico pressupoe uma compreensao do ser em geral. Ate que a compreensao do ser tivesse sido esclarecida, qualquer ontologia regional, "nao importando o quao rica e firmemente ajustada e o sistema de categorias que tem a sua disposicao, permanece cega e desvirtuada de seu objetivo mais proprio" (SZ: 11).

A segunda razao por que o Heidegger inicial via a reflexao filosofica como essencial para a ciencia volta-se para sua concepcao "existencial" de ciencia. Heidegger pensava que se precisava de uma concepcao "existencial" de ciencia porque "as ciencias tem, como comportamentos humanos, o modo de ser desse ente (homem)" (SZ: 11; ST: 59). O modo de ser do Dasein e orientado-para-o-futuro; ele "avanca em direcao a [suas] possibilidades", e o faz por preocupacao com seu proprio ser. A relacao mais basica do Dasein consigo mesmo nao e a auto-consciencia, mas o cuidado: o Dasein e "o ente cujo proprio ser esta em jogo" (SZ: 42[MR]), de maneira que qualquer coisa que ele faca, responde a essa questao. Note que, para Heidegger, termos como "cuidado", "preocupacao" ou "solicitude" nao se referem a estados mentais, mas a modos totais do comportamento de alguem. Contudo, uma concepcao existencial de ciencia nao enfatizaria o comportamento publico em detrimento de estados mentais privados; Heidegger buscou evitar distincoes familiares entre "interior" e "exterior" ou dominios publico e privado. O contraste relevante era temporal: uma concepcao existencial de ciencia enfatizava possibilidades cientificas, em contraste com "a concepcao 'logica' que compreende a ciencia a partir de seus resultados e a determina como uma conexao justificacional de proposicoes verdadeiras, ou seja, validas" (SZ: 357[MR]). Heidegger, assim, focou na ciencia como algo que as pessoas fazem, mais do que no conhecimento cientifico enquanto adquirido e avaliado retrospectivamente. Compreendida existencialmente, a ciencia nao e a acumulacao de conhecimento estabelecido, mas esta sempre voltada em direcao a possibilidades das quais ela ainda pode nao compreender ou articular totalmente.

Heidegger concedeu prioridade filosofica a sua concepcao existencial-ontologica da ciencia, mas tambem pensou que a maior familiaridade entre concepcoes logicas e onticas mostrava algo importante sobre a ciencia. Embora a ciencia sempre pressuponha uma compreensao do ser, o projeto cientifico de descobrimento do que e como sao os entes em seu dominio obscurece a compreensao do ser que torna a investigacao possivel. Seu foco determinado sobre os entes que investiga toma como certa a compreensao do ser que prove seu foco. Agora, podemos compreender a segunda razao por que Heidegger pensou que a filosofia era indispensavel a ciencia, como um desafio a uma tendencia "normalizante" inerente a propria pesquisa cientifica (HAUGELAND 1998: cap. 13; 2000). A descricao de Thomas Kuhn (1970) da ciencia normal expressa eloquentemente aquela tendencia no trabalho cientifico que Heidegger considerou como inevitavelmente dependente de questionamentos filosoficos (nao importando se sao cientistas ou filosofos que levantam essas questoes). Para Kuhn, assim como para Heidegger, a ciencia "normal" evita a controversia sobre os fundamentos a fim de desenvolver em maiores detalhe e precisao sua compreensao pratica e conceitualmente inquestionada de um dominio de entes. Quando deixada a sua propria sorte, ambos pensaram, as ciencias suprimem qualquer questionamento fundamental de como seus dominios constituem campos de investigacao possivel. Quando esse tipo de questionamento torna-se inevitavel por meio do colapso da pesquisa positiva em um dominio particular, os cientistas nao empreendem a investigacao ontologica pelos seus beneficios proprios, mas buscam apenas reconstituir suas capacidades de prestar atencao aos entes sem ter que investigar o seu ser. Kuhn e Heidegger divergiram sobre a aceitacao do fechamento da investigacao ontologica, Kuhn aceitou-a, enquanto Heidegger nao o fez.

Heidegger via a normalizacao cientifica como uma dimensao ontologica essencial da ciencia, mais do que uma tendencia psicologica ou pressao social contingente e possivelmente objetavel. Aqui emerge o tema final na filosofia da ciencia inicial de Heidegger, a conexao entre ciencia e a "subsistencia" (Vorhandenheit) como um modo de ser. Embora Heidegger tenha insistido mesmo em Ser e Tempo que o ser nao era ele mesmo um ente, ainda poderia haver uma ciencia do ser (ontologia fundamental), porque havia distincoes articulaveis na compreensao do ser. Essas distincoes "fundamentais" nao definiam as regioes ontologicas que demarcam os dominios de entes estudados pelas ciencias positivas (natureza, matematica, linguagem, historia e afins), ao inves, marcavam diferentes modos de ser, da inteligibilidade enquanto entes. Mais basicamente, Heidegger distinguiu o ser do Dasein (ser-no-mundo) de modos de ser "intramundanos". Ele nem sempre foi cuidadoso em distinguir a nos, os entes cujo modo de ser e o ser-ai, do proprio ser-ai como um modo de inteligibilidade, mas a distincao e crucial. Heidegger buscou compreender o ser, nao fazer antropologia empirica.

Heidegger inicialmente distinguiu o modo de ser do ser-ai da "subsistencia" das coisas (tais como mente, alma, ego, corpo ou pessoa). Ele entao argumentou, contudo, que os entes com os quais nos lidamos nas nossas vidas cotidianas ordinarias tampouco sao subsistentes. Ferramentas nao sao um conjunto de entes com propriedades intrinsecas. Algo so pode ser um martelo, em seu conhecido exemplo, em "relacao" a pregos, tabuas, carpintaria e, em ultima instancia, aquelas atividades humanas para as quais martelar e cingir sao integrantes. Essas interrelacoes sao mais basicas ontologicamente do que aquilo que esta relacionado: "A rigor, um utensilio nunca 'e' ... Estas coisas' [relacionadas a ferramentas] nunca se mostram de imediato separadas, para preencher um quarto como soma de coisas reais. O que encontramos como mais proximo de nos, embora atematicamente, e o quarto" (SZ: 68[MR]). Alem disso, ferramentas funcionam melhor quando nao precisamos pensar sobre elas de nenhuma maneira, e podemos focar na tarefa em questao (o que esta diante de nos). O ser da ferramenta nao e a subsistencia de um ente com propriedades, mas a disponibilidade de uma tal funcionalidade normalmente tacita.

Contudo, um tipo de ferramenta realmente chama atencao para si mesmo. Signos somente funcionam quando nos lhes reparamos. Signos ainda tem o ser da ferramenta, significando somente no interior de um contexto pratico mais amplo. Assercoes, no entanto, sao signos que permitem as coisas mostrarem-se diferentemente. Assercoes indicam entes e os tornam comunicaveis. Heidegger pensou que a assercao e, com esse respeito, dependente do envolvimento pratico cotidiano. Falar das coisas como subsistentes pressupoe uma compreensao pratica do "mundo" aparelhadamente interconectado.

A significancia ontologica da ciencia para o Heidegger inicial estava ligada a assercao linguistica como um modo derivativo de interpretacao. Nesse sentido, a filosofia da ciencia inicial de Heidegger permaneceu bastante tradicional. A ciencia descreve entes e, portanto, os priva da significancia humana ordinaria. Algumas assercoes realmente posicionam os entes em uma situacao pratica e local. Na ciencia, no entanto, descobrimos entes despidos de seus envolvimentos praticos, como meramente subsistentes. Entao falamos sobre um martelo nao como apropriado e disponivel para a tarefa a ser realizada, mas como um objeto com massa e localizacao espaco-temporal. Ele, desse modo, adquire um novo modo de inteligibilidade. Seus envolvimentos contextuais e locais sao substituidos por uma contextualizacao teorica:

O que e decisivo para o surgimento [da fisica matematica] ... esta no projeto matematico da propria natureza. Este projeto descobre previamente algo constantemente subsistente (materia), e abre o horizonte para que o olhar condutor considere seus momentos constitutivos quantitativamente determinaveis (movimento, forca, localizacao, e tempo). (SZ: 362[MR])

Contudo, ao falar sobre a projecao "matematica", Heidegger enfatizava a determinacao ontologica primaria de entes das ciencias, nao o seu carater parcialmente quantitativo: "Ta mathemata significa em grego aquilo que o homem ja sabe de antemao ao considerar os entes e ao lidar com as coisas: nos corpos, e o corporeo, nas plantas, e o botanico, nos animais, e o zoologico e no homem, e a humanidade (dasMenschenartige)". (GA 5: 78). Essa compreensao ontologica da interpretacao teorica cumpriu dois papeis. A abertura e a articulacao teorica dos entes como subsistentes foi um feito genuino e verdadeiro da ciencia empirica. Esse feito, no entanto, foi duplamente dependente da sua clarificacao por meio da ontologia filosofica.

Na sua dependencia mais obvia, ciencia e cognicao, de modo geral, sao modos derivativos de compreensao. Assercoes sobre entes subsistentes sao inteligiveis somente por meio da imersao primaria do ser-ai em um mundo. A ontologia fundamental, entao, clarifica a relacao entre assercoes na ciencia teorica e a compreensao do ser que elas pressupoem, por exemplo, ao mostrar como a descoberta teorica de entes subsistentes surgiu pela modificacao do envolvimento cotidiano com as ferramentas disponiveis (SZ: 69b). Mas a assercao cientifica tambem era supostamente derivativa de uma maneira mais problematica. Assercoes podem "indicar" corretamente entes como subsistentes. Mas as assercoes tambem, assim, permitem indispensavelmente o-que-e-dito (das Geredete) passar por "falatorio" (Gerede) que obscurece a compreensao. Assercoes sao "ambiguas" porque elas podem ser enunciadas com ou sem compreensao e, mais importante, com ou sem responsabilidade sobre o que esta sendo falado. Ao tornar a compreensao comunicavel, a assercao tambem torna possivel a mera aparencia com a compreensao.

Compreender por que Heidegger pensou que as assercoes cientificas inevitavelmente nos afastam da compreensao genuina exige uma maior consideracao do tratamento de Heidegger da assercao e do significado. A maioria dos seus contemporaneos filosoficos, impressionados pela necessidade de compreender o erro e o pensamento sobre coisas nao-existentes, postularam significados como intermediarios entre pensamento e coisas. Podemos falar e pensar sobre o que nao existe, ou falsidades sobre o que existe, porque nossa compreensao dos significados e mais basica do que nosso conhecimento das coisas. Heidegger rejeitou tais apelos a intermediarios semanticos. Assercoes "indicam" os entes mesmos, nao os significados: "O enunciado ['o quadro na parede esta pendurada de maneira torta'] ... em seu sentido mais proprio refere-se ao quadro real na parede. Somente isto e nao e outra coisa e o visado" (SZ: 217[MR]). Como os atuais defensores de teorias causais da referencia, Heidegger explica a articulacao linguistica situando a fala no interior de um padrao mais amplo de interacao, em vez de uma estrutura linguistica ou teorica. O erro e uma relacao holistica com os entes com os quais interagimos discursivamente, nao uma compreensao direta dos significados que falham em representar qualquer coisa corretamente. Heidegger diferiu dos atuais defensores de uma teoria causal da referencia por considerar nossas condutas com o ambiente como sendo pratico-normativas, ao inves de causais. Eles fazem um esforco comum, no entanto, em construir a linguagem como interacao com o mundo, ao inves de uma estrutura formal de significados conectada ao mundo somente indiretamente.

Para Heidegger, no entanto, a afirmacao de que a assercao e um comportamento em direcao a entes da uma significancia elevada e ironica a possibilidade de repeticao do que e asserido. Ao tornar o-que-e-dito comunicavel, assercoes podem tornar-se distantes dos entes que indicam e os quais descrevem. Seus fundamentos imediatos tornam-se, entao, nao os proprios entes, mas outras assercoes. Existem duas maneiras distintas nas quais o "falatorio" substitui os entes sobre os quais se fala por outras assercoes como o primariamente compreendido. Mais obviamente, assercoes podem estar fundadas em testemunho: eu posso fazer uma assercao nao a partir da minha propria maneira de compreender como as coisas estao, mas meramente a partir do que outros dizem, com a autoridade anonima do que "alguem" diz. Mas as assercoes podem tambem estar fundadas inferencialmente sobre outras assercoes, com sua autoridade mediada por redes complexas de outras afirmacoes. Essas duas formas de interdependencia sao entrelacadas, pois desenvolver e sustentar redes complexas de crencas exige compartilhar e transmitir o que outros dizem.

A indispensabilidade de redes inferenciais para a compreensao cientifica ressalta a insistencia de Heidegger de que sua descricao do "falatorio" nao e completamente depreciativa. Ele nao rejeitou a compreensao teorica articulada, somente reconheceu que, ao desenvolver mais extensivamente as redes teoricas articuladas, as ciencias se arriscam a tornar-se mais envolvidas em seus vocabularios e teorias proprios do que nas coisas a serem compreendidas. Contrariamente a imagem falibilista familiar das ciencias, Heidegger preocupou-se com o fato de que o desenvolvimento de uma ciencia feche a possibilidade de que entes possam resistir a nossas maneiras familiares de encontra-los e falar sobre eles. Para Heidegger, a ciencia precisa da filosofia a fim de permanecer "na verdade". O maior perigo da ciencia nao e o erro, que e mais prontamente corrigido por investigacoes ulteriores, mas o vazio de assercoes fechadas para a descricao genuina de entes (sobre isso, a preocupacao de Heidegger apresenta afinidades surpreendentes com McDowell, 1994). Assim, Heidegger insistiu que a verdade enquanto assercao correta estava fundada em um sentido mais fundamental de verdade como "descobrimento" [unhiddenness]: a correcao por si so nao garantiria a compreensao genuina a nao ser que os entes eles mesmos fossem continuamente salvos do sepultamento na conversa rasa. Podemos entao conectar a descricao de Heidegger das ciencias como a descoberta dos entes enquanto subsistentes, e sua insistencia na necessidade de fundar a ciencia na ontologia fundamental. Ao focar na descoberta cognitiva do subsistente, a ciencia inevitavelmente nos afasta da sua possibilidade "mais alta", a prontidao e a abertura para a crise nos seus conceitos basicos por causa da fidelidade aos entes em questao. Somente no afastamento "filosofico" do envolvimento com o falatorio sobre entes, em direcao a compreensao do ser no interior da qual os entes sao descobertos, a ciencia poderia permanecer aberta a verdadeira abertura das coisas mesmas.

A tendencia inerente a ciencia de obscurecer com um veu de falatorio os entes que descobre e repetida e reforcada pela concepcao epistemologica dominante de reflexao filosofica. As ciencias, nos seus proprios esforcos de descobrir e descrever entes, perdem de vista os entes mesmos por meio do envolvimento em uma rede de assercoes inferencialmente conectadas. Filosofos de orientacao epistemologica tornam essa tendencia de "inclinacao" para longe da compreensao dos entes mesmos, explicita e deliberada. Enquanto a ciencia busca compreender o mundo, epistemologos consideram a cognicao cientifica como o seu proprio objeto de estudo, a um passo da preocupacao cientifica. Para Heidegger, por contraste, a tarefa filosofica mais importante no que diz respeito as ciencias era ajudar a renovar a sua abertura verdadeira as "coisas mesmas". Nesse respeito, o questionamento do ser de Heidegger seria seriamente mal compreendido se fosse considerado como um afastamento da ciencia em direcao a algo obscuro e "metafisico". Ao pensar sobre o ser dos entes descobertos pela ciencia, nao pensamos sobre alguma outra coisa. Ser nao e ele mesmo um ente, mas somente a abertura dos entes enquanto inteligiveis. A reflexao ontologica de Heidegger nao se afastaria do objeto de estudo das ciencias, mas, ao inves disso, buscaria um novo retorno as "coisas mesmas" em sua abertura essencial. Para Heidegger, as reflexoes sustentadas por Aristoteles sobre a biologia ou as de Kant sobre a mecanica nao foram um fracasso em distinguir claramente a filosofia da ciencia mas, em vez disso, reconheceram a vocacao mais alta da filosofia. Aqui, como em outros lugares, o trabalho de Heidegger tem afinidades importantes com o naturalismo filosofico da segunda metade do seculo XX (ROUSE, 2002).

Nao obstante, havia tensoes no interior da filosofia da ciencia inicial de Heidegger, indicando dificuldades fundamentais em seu projeto como um todo. A ontologia fundamental era uma investigacao transcendental-filosofica a-historica sobre a existencia humana enquanto essencialmente historica e mundana. Nas suas viradas para as estruturas formais da logica pura ou da consciencia transcendental, Heidegger pensou que seus oponentes filosoficos haviam danificado a conexao com o mundo dos fenomenos que buscavam entender. Heidegger opos-se inflexivelmente a qualquer formalizacao comparavel de suas proprias categorias ontologicas. O a-fim-de-em-funcao-das-relacoes [in-order-to-for-the-sake-of-relations] que articula o ser do que e disponivel (Zuhanden) pode, ele admitiu,

ser formalmente apreendido no sentido de um sistema de relacoes. Mas ... tais formalizacoes nivelam de modo tao amplo os fenomenos que o conteudo fenomenico proprio pode se perder.... O "para algo" [in-order-to], o "em-funcao-de" for-the-sake-of, o "com-qual" [with-which\ ... sao, ao inves disso, relacoes nas quais o ver circunspecto ocupado como tal se detem em todo momento. (SZ: 88 [MR])

Nao estava claro, no entanto, por que as estruturas essenciais da ontologia fundamental tambem nao se dissiparam em relacoes imateriais e a-historicas (BRANDOM, 2005 apresenta uma explicacao lucida de como uma tal formalizacao da disponibilidade poderia ser). Heidegger buscou mostrar como essas estruturas eram manifestas nos comportamentos concretos do Dasein enquanto ser-no-mundo, mas em varios pontos, surgiram questoes sobre como as estruturas ontologicas conectam-se aos comportamentos concretos e aos entes. Por exemplo, como as praticas cotidianas de teorizacao cientifica (concebidas "existencialmente") do Dasein-cientifico relacionam-se com a categoria ontologica abstrata da ciencia enquanto uma descoberta teorica do subsistente? De maneira mais geral, como as diferencas entre os modos de ser (Dasein, disponibilidade ou subsistencia) eram relevantes para a determinacao ontologica de dominios cientificos como a natureza ou a historia? Como e por que, por exemplo, as investigacoes das ciencias humanas sobre os seres humanos devem ser determinadas pela nossa compreensao do Dasein enquanto nosso modo de ser? Da mesma maneira, qual e a relacao entre nos, enquanto casos do Dasein, e nos enquanto entes fisicos ou biologicos? Finalmente, a descricao de Heidegger da ciencia incorporou uma "passagem" ontologicamente decisiva, mas dificil de identificar concretamente, da "compreensao do ser que conduz o trato ocupacional com o ente intramundano" para o "ver o ente disponivel que vem ao encontro de uma 'nova' maneira, como subsistente" (SZ: 361[MR]). Essa passagem envolve tanto uma mudanca da comunicacao contextual (martelos sao "muito pesados" ou "inapropriados") para assercoes tematicas sobre massa e localizacao no espaco-tempo enquanto propriedades subsistentes, quanto da compreensao cotidiana para a "projecao matematica da natureza". Contudo, Heidegger meramente asseriu tal transformacao sem descreve-la adequadamente. A passagem associada da familiaridade pratica com os signos linguisticos enquanto "equipamentos para indicar" para a assercao explicita e descontextualizada era igualmente central e obscura na filosofia da linguagem inicial de Heidegger.

A reflexao sobre a ciencia foi central para a reorientacao do projeto filosofico de Heidegger em meados dos anos 1930. Notavelmente, Heidegger abandonou a ontologia fundamental. Sua tentativa de articular diferencas essenciais entre modos de ser e, assim, tornar a ontologia "ciencia" filosofica, foi suplantada por uma compreensao historicizada da inteligibilidade dos entes: "A metafisica funda uma epoca, (...) atraves de uma interpretacao especifica do ente e de uma acepcao especifica da verdade." (GA 5: 75)3. Nao somente o modo de ser do Dasein perde centralidade, como a subsistencia e a disponibilidade tambem deixaram de ser categorias basicas. A ciencia, entao, nao mais teria a significancia ontologica de descobrir os entes como subsistentes.

O abandono da ontologia fundamental transformou significativamente a fenomenologia da ciencia de Heidegger, desenvolvida mais extensivamente em "A epoca da imagem de mundo" (GA 5). Tendo perdido sua significancia ontologicafundamental, a ciencia seria reconcebida como sendo um fenomeno essencial da modernidade. A descricao anterior de Heidegger da ciencia enquanto a descoberta do subsistente agora parecia reminiscente demais das concepcoes tradicionais da ciencia enquanto cognicao ou assercao justificada. Para substituir esse residuo da epistemologia tradicional, Heidegger caracterizou a ciencia moderna, em vez disso, como pesquisa. A pesquisa cientifica envolve seus praticantes em "o ambito em que assume a configuracao essencial do homem tecnico, de modo essencial. So deste modo ele se torna eficaz e, no sentido da sua epoca, efetivo." (GA 5: 85). A ciencia moderna, assim, nao suspende a preocupacao pratica com os entes, mas a intensifica.

Heidegger reteve a afirmacao de Ser e Tempo de que "a projecao matematica da natureza" foi decisiva para a ciencia moderna, mas mudou radicalmente sua concepcao do que essa projecao alcancou. Previamente, o carater "matematico" da fisica libertava entes de seus envolvimentos praticos para tematiza-los enquanto objetos. Ao inves disso, em sua visao revisada, a projecao matematica dos entes fisicos intensifica e governa mais rigorosamente as condutas dos cientistas com elas:

... cada procedimento exige de saida uma esfera dentro do qual se move. Mas o procedimento basico da pesquisa consiste precisamente em franquear tal esfera. Ele se consuma atraves da projecao de um traco fundamental [Grundriss] de algum ambito do ente: por exemplo, quando, na natureza, um traco basico dos processos naturais e projetado. O projeto delineia de que modo o procedimento cognitivo adere, obrigatoriamente, a esfera franqueada. Esta obrigatoriedade e o rigor da pesquisa (...) Esta projecao da natureza se certifica dela, a medida que a pesquisa fisica junge a si cada passo investigativo. (GA 5: 77, 79)

Heidegger apresentou tal movimento para adiante rigorosamente auto-vinculante no interior de um dominio projetado de entes como a caracteristica essencial e primeira da ciencia que foi transformada em pesquisa.

Uma segunda caracteristica distintiva da pesquisa e ser guiada por um modo distintivo de proceder. Ao avancar mais em um dominio projetado, a pesquisa deve estar aberta a variacao e a novidade em meio aos fenomenos descobertos, ainda que necessite sustentar a generalidade e a objetividade de sua concepcao global. Esta demanda dupla explica a centralidade das leis da natureza na explicacao cientifica moderna.

A abundancia do particular, isto e, dos fatos, so se mostra dentro do ambito de visao do carater de sempre-outro da mudanca. O procedimento deve, por isso, representar o mutante em sua mutabilidade, toma-lo fixo, ao mesmo tempo em que concede ao movimento a sua mobilidade. A regra e aquilo que, nos fatos, permanece, e o que enquanto tal e constante nas suas modificacoes. A lei e aquilo que e constante nas modificacoes junto com a necessidade do seu desenrolar. Os fatos se tornam os fatos que sao, pela primeira vez, ao adentrar o ambito de visao da regra e da lei. A pesquisa factual no dominio da natureza e, em si, a instalacao e comprovacao da regra e da lei. (GA 5: 80)

Esse processo de unificar fenomenos multiplos sob leis mais gerais simultaneamente estende e legitima a projecao da natureza que governa a pesquisa em andamento. "... tem a caracteristica do esclarecimento a partir do claro, da explicacao. Esta permanece ambigua. Ela fundamenta um desconhecido atraves de um conhecido e, ao mesmo tempo, certifica-se deste atraves de um desconhecido." (GA 5: 80). Os fatos recebem sua determinacao definitiva por meio da subsuncao a uma lei, cuja autoridade e garantida pelo sucesso em explicar uma aglomeracao de fatos.

Heidegger apresentou a virada a ciencia experimental como uma consequencia de sua nova maneira de proceder ao inves de sua base. Somente com a reconcepcao da natureza como uma unificacao de diversos eventos sob uma lei, a criacao de novos fenomenos em laboratorio poderia ser pensada como produzindo insights fundamentais mais do que simplesmente uma proliferacao de curiosidades. "... o que e decisivo no experimento: comecar com uma lei, que e tomada por base. Preparar e estabelecer um experimento significa representar uma condicao de acordo com a qual um sistema especifico de movimentos pode ser acompanhado na necessidade do seu decurso, de tal forma que o sistema pode ser dominado de antemao pela calculacao" (GA 5: 81). Essa mudanca e um imperativo geral da pesquisa, no entanto, e nao meramente a projecao da natureza como um dominio distintivamente governado por leis. Para Heidegger, todos os metodos de pesquisa modernos, da experimentacao a critica de fontes historicas, dependeram de um jogo comparavel a um esquema explanatorio e os objetos particulares ou eventos subsumidos nele. A pesquisa inevitavelmente cria disciplinas especializadas, cada uma buscando um esquema explanatorio caracteristico tao avancado quanto possivel.

Para Heidegger, essa extensao inexoravel dos frameworks explanatorios e uma terceira caracteristica fundamental da ciencia moderna, enquanto empreendimento (Betrieb, a traducao inglesa padrao de "Betrieb" como "atividade em andamento" e "atividade continua" perde o sentido de empreendimento de negocios e trabalho industrial). O que conduz a pesquisa cientifica nao e a significancia dos resultados buscados, mas a necessidade de garantir e expandir o empreendimento da propria ciencia:

O procedimento que conquista as esferas individuais de objetos nao se limita a acumular resultados. E bem antes o caso que ele se prepara para um novo procedimento, com a ajuda dos seus resultados. (...) Esta compulsao a orientar-se pelos proprios resultados, como se fossem caminhos e meios do metodo que progride, e a essencia do carater de exploracao organizada da pesquisa. (GA 5: 84)

Anteriormente, Heidegger preocupara-se com o fato de que as assercoes teoricas interconectadas obscureciam a descricao das ciencias dos entes que elas desse modo descobriam. No ensaio "Imagem de mundo", uma tendencia analoga torna-se o modus operandi definidor da pesquisa cientifica. Satisfazer as incessantes demandas do empreendimento de pesquisa por novos problemas para serem trabalhados, e novos recursos materiais, conceituais e institucionais para aplicar a esses problemas, torna-se mais importante do que a abertura e a descoberta dos entes: "O que ocorre de modo iminente com a difusao e consolidacao do carater institucional das ciencias? Nada menos que o asseguramento da primazia do metodo diante do ente (natureza e historia) que se torna, assim, objetivo, atraves da pesquisa." (GA 5: 84). O carater empreendedor da ciencia moderna tambem transforma seus participantes. Pesquisadores nao sao intelectuais [scholars]. Suas virtudes caracteristicas nao sao a erudicao, mas a precisao; nao a reflexao, mas a atividade constante; nao o insight, mas a eficiencia em realizar o trabalho.

No entanto, qual e o "trabalho" da ciencia? Em Ser e Tempo, a ciencia buscava descobrir os entes enquanto subsistentes. Os filosofos poderiam entao guiar as interpretacoes cientificas dos entes com insights da ontologia fundamental. Contudo, a orientacao moderna da ciencia enquanto pesquisa apresentada em "A epoca da imagem de mundo" mina qualquer governancia filosofica. Ela busca maximizar a flexibilidade do proprio empreendimento de pesquisa, nao-restringido pela consideracao anterior de um dominio de entes:

A vantagem que se exige deste sistema nao consiste em uma relacao qualquer de unidade entre as regioes de objetos--uma relacao rigida e ficticiamente baseada em conteudos--, mas na maxima agilidade, livre e ao mesmo tempo regrada, das permutacoes, interrupcoes e retomadas das pesquisas, de acordo com a tarefa que as comanda a cada momento. Quanto mais a ciencia se especializa exclusivamente na operosidade e dominacao do seu processo de trabalho, e mais realista e livre de ilusoes e o deslocamento da exploracao organizada em institutos e escolas de pesquisa, mais irretorquivelmente as ciencias conquistam a consumacao da sua essencia moderna. (GA 5: 86)

O que faz a tarefa da pesquisa importante nao e a significancia intrinseca das descobertas projetadas, mas a possibilidade de abrir novas perspectivas para a pesquisa ulterior. Aqui, Heidegger enfatiza a afinidade entre a ciencia moderna e a tecnologia, nao simplesmente por causa das aplicacoes tecnologicas do conhecimento ou dos usos cientificos da tecnologia. Mais do que isso, cada uma inexoravelmente ultrapassa qualquer consideracao que possa restringir a expansao de suas capacidades para calculo e controle. Nao existe e nao pode haver mais "em-funcao-de-que" para a pesquisa cientifica moderna; ela determina e calcula a fim de expandir o dominio de pesquisa, ao tornar os entes mais extensa e inteiramente calculaveis. A caracterizacao de Heidegger do empreendimento de pesquisa e, assim, reminiscente da visao de Platao da alma do tirano, conduzido por uma aspiracao insaciavel a mestria que nao consegue reconhecer nenhum limite ou objetivo inerentes.

Existe uma importante dimensao pratica e politica nesta critica da ciencia moderna. Ao longo de sua carreira, Heidegger visou a governancia filosofica das ciencias (nao apenas as ciencias naturais, mas todas as disciplinas academicas) nos termos da necessidade por uma reforma universitaria (CROWELL, 1997). Sua descricao das ciencias como ultrapassando qualquer consideracao normativa mais ampla e, em parte, uma resposta a sua propria tentativa desastrosa cinco anos antes de dar um direcionamento filosofico a Universidade de Freiburg como reitor sob o regime nazista. De qualquer maneira que se avalie a relacao entre a concepcao de Heidegger e o programa politico nazista, Heidegger rapidamente considerou a universidade completamente recalcitrante a seus objetivos filosoficos.

O que a concepcao revisada de Heidegger sobre a ciencia moderna implica para a filosofia da ciencia, afinal? Apesar de abandonar a ontologia fundamental e a concepcao a-historica de ciencia enquanto descobridora de entes como subsistentes, Heidegger continuou a situar a ciencia no centro de uma grande historia filosofica sobre a verdade e o ser. A convergencia da ciencia e da tecnologia era concebida como um fenomeno essencial da modernidade e, assim, como um foco para a reflexao metafisica. A tecnociencia permitiu aos proprios entes mostrarem-se como calculaveis e determinaveis e, desse modo, revelou a perda iminente de quaisquer diferencas significativas no mundo moderno. A fonte dessa tendencia nao foi somente um movimento sociologico em direcao a autonomia profissional das instituicoes cientificas, mas uma transformacao metafisica da inteligibilidade dos entes.

Esta reconcepcao mudou a significancia de concepcoes epistemologicas da ciencia. Nao mais meros erros filosoficos, elas supostamente expressam a "errancia" do proprio mundo moderno, enquanto a "idade do mundo-imagem": "A imagem do mundo, entendida de modo essencial, nao significa uma imagem do mundo, mas o mundo concebido enquanto imagem. O ente em sua totalidade agora e tomado de tal forma que ele so passa a ser na medida em que e posto por um homem que o representa e produz." (GA 5: 89). Heidegger nao estava, desse modo, endossando uma tese idealista ou construtivista em relacao aos entes. Em vez disso, ele estava afirmando que o ser dos entes (sua inteligibilidade, os modos em que podem se manifestar) e agora determinado pelas demandas do pensamento e da acao humanos, de maneira que tambem reconcebem os humanos como sujeitos. A ligacao entre estas reconcepcoes torna-se aparente nos tratamentos da consideracao dos entes enquanto "objetividade" ou representacao correta. O ideal de objetividade e permitir que o objeto mostre-se como e, sem estar mudado por como o concebemos ou como lidamos com ele. Mas o que e desse modo determinado nao e o objeto, mas nossas condutas com ele. Tomar a posicao correta em direcao a ele ou empregar os metodos corretos e considerado decisivo para a questao de se ele mostra-se corretamente. A representacao e a praxis humanas, portanto, parecem arbitrar o que e real.

Essa concepcao aparentemente exalta os seres humanos: nossas normas e objetivos governam a inteligibilidade de tudo e qualquer coisa. Mas Heidegger pensou que o sentido do dominio era ilusorio. A objetificacao dos entes e a subjetificacao da nossa consideracao a eles, inexoravelmente associadas, inevitavelmente transformam a propria descricao em um objeto adicional (um "valor") para o sujeito. Valores, entao, precisam, por sua vez, de clarificacao e avaliacao objetiva, mas a sua objetificacao enquanto valores a serem escolhidos mina a sua autoridade sobre a escolha. "O valor parece expressar que nos ocupamos com o que e mais valioso, ao tomarmos uma posicao em relacao a ele; contudo, o valor e o veu exaurido e esfarrapado que encobre a objetividade do ente ja superficial e nivelada." (GA 5: 102). Essa perda na descricao para alem de nos mesmos e, por isso, da possibilidade de que aquilo que fazemos poderia fazer uma diferenca significativa, supostamente uniu a ciencia e a tecnologia com a subjetivizacao da arte e do sagrado como os "fenomenos essenciais da modernidade".

Essa concepcao historicizada da filosofia enquanto metafisica reteve a previa avaliacao negativa de Heidegger acerca da capacidade das ciencias de compreender seu significado e normatividade proprios. A ciencia como tal nao poderia descobrir sua "essencia", a metafisica do mundo enquanto imagem que realizou a transformacao da ciencia em um empreendimento de pesquisa parece apropriada e inevitavel. Somente a reflexao filosofica poderia manter aberta a possibilidade de uma compreensao alternativa. No entanto, essa afirmacao dependeu de uma distincao controversa entre ciencia e filosofia. Em prelecoes contemporaneas a "A epoca da imagem de mundo", Heidegger reconheceu que Galileu e Newton, ou Heisenberg e Bohr, estavam fazendo filosofia, mais do que "mera" ciencia (4). A necessidade por tal separacao sugere dificuldades com a afirmacao de Heidegger de que a ciencia inevitavelmente impede uma compreensao ontologica mais fundamental: o trabalho cientifico mais importante e influente teria que contar como filosofia, precisamente porque era inquestionavelmente perspicaz.

Ao longo de sua carreira, Heidegger, assim, caracterizou a ciencia de maneira analoga a sua associacao anterior da ciencia com o falatorio. Ciencia "como tal", para Heidegger, nunca foi a abertura de um descobrimento genuino de como os proprios entes manifestam-se, mas somente um esforco irrefletido ("impensado") para garantir os entes no interior de um descobrimento primario previamente estabelecido. Essa atitude torna-se possivel, contudo, por um erro mais fundamental. Ciencia como tal nao pode ser essencialmente "nao-verdadeira" dessa maneira sem uma essencia, em primeiro lugar, a nao ser que haja algo como "ciencia como tal". As essencias heideggerianas sao sempre ontologicas. Em Ser e Tempo, a essencia da ciencia era descobrir entes como subsistentes. Mais tarde, ele afirmou que a ciencia moderna projetava entes como calculaveis e determinaveis, em maneiras que governam qualquer conceitualizacao cientifica antecipadamente: "A fisica (...) nunca podera renunciar a uma coisa: que a natureza anuncia-se a si mesma de alguma maneira calculadoramente constatavel e que ela permanece determinavel como um sistema de informacoes" (GA 7: 23 [MR--alterado a partir do original]). O que e ontologicamente crucial sobre essa maneira de revelar, para Heidegger, e sua ultrapassagem inexoravel de quaisquer questoes ou desafios para as quais a demanda de calculabilidade poderia ser responsabilizada. O ordenamento das ciencias e o calculo de entes somente expandem o dominio da pesquisa, tornando os entes mais completa e extensivamente calculaveis, sem mais "em-funcao-de".

A interpretacao de Heidegger da ciencia moderna enquanto expansao inexoravel do controle calculativo pode parecer inicialmente plausivel a luz da "Segunda Revolucao Cientifica". Nos seculos XVIII e XIX, as ciencias baconianas da quimica, calor, eletricidade, magnetismo, e mais tarde, biologia e geologia foram gradualmente envolvidas no interior de uma ciencia experimental e matematizada. No seculo XX, seu alcance havia se expandido a fenomenos nunca tao pequenos, imensos ou distantes, e ate mesmo a fenomenos complexos ou caoticos. O dominio da manipulacao experimental e da modelagem teorica parece expandir-se sem limites aparentes. Contudo, a construcao feita por Heidegger da expansao inexoravel da ciencia negligencia que somente poucos fenomenos nesses dominios tem relevancia cientifica. A maioria das verdades sobre o mundo natural nao tem qualquer significancia cientifica; a pesquisa cientifica, em vez disso, foca sua atencao em fenomenos especificos, sistemas experimentais, e conceitos e modelos teoricos que parecem promover a compreensao cientifica. E como as proprias concepcoes de Heidegger sugerem, tal compreensao e sempre orientada em direcao a um avanco subsequente, nao a uma abordagem retrospectiva de conhecimento acumulado.

Alem disso, quais fenomenos estao em questao em um dado campo ou programa de pesquisa tem frequentemente mudado com o tempo, acompanhado por mudancas sobre o que esta em jogo. Por exemplo, Hans-Jorg Rheinberger (1997) observou varias ocasioes consecutivas quando os estudos experimentais do cancer mudaram de maneira relativamente suave para investigacoes dos processos celulares "normais" que se manifestam em celulas cancerosas. O que importava cientificamente nao era mais a diferenca entre celulas normais ou anormais, mas as caracteristicas em comum de suas estruturas e funcoes. A "Revolucao de Novembro" de 1973 na fisica, marcada pela descoberta de correntes neutras fracas, e outro exemplo, com mudancas fundamentais em quais eventos de alta-energia sao merecedores de estudo (da dispersao suave de hadrons para as interacoes lepton-lepton e a dispersao dura de hadrons), e em direcao a simetrias e a rupturas de simetrias na modelagem teorica como questoes centrais na modelagem teorica (GALISON, 1987: capitulo 4; PICKERING, 1984). Tais casos nao podem ser considerados apropriadamente como imposicoes de uma orientacao predeterminada em direcao ao controle calculativo sobre a natureza como um recurso flexivel, porque o que importa para compreender calculativamente e o que esta em jogo para seu sucesso, mudou. Tais mudancas, em vez disso, refletem uma abertura no interior da ciencia em permitir que as proprias coisas mostrem-se inteligiveis de novas maneiras, e faz isso deixando que "os resultados reais guiem as decisoes sobre o que fazer em seguida" (RHEINBERGER, 1995, p. 60).

Longe de buscar invariavelmente maior dominio, tais mudancas podem sacrificar a precisao calculativa e o controle laboratorial para desenvolver preocupacoes diferentes. A adaptacao de Dobzhansky da genetica de drosofilas para estudar a variacao genetica em populacoes naturais sacrificou deliberadamente tanto a precisao experimental quanto a tratabilidade matematica da sucessao (KOHLER, 1994, capitulo 8). De maneira similar, a atencao para os fenomenos fronteiricos semiclassicos da chamada "mecanica quantica pos-moderna" abandona a elegancia matematica e a sistematicidade ao aproveitar-se simultaneamente dos varios modelos formalmente inconsistentes, para encorajar uma fisica de complexidade irredutivel (HELLER e TOMSOVIC, 1993). Tal fisica da complexidade procura uma compreensao mais profunda de fenomenos "caoticos", que reconhece os limites da predicao e do controle detalhados.

Frequentemente o que esta em jogo em mudancas como essas e fundamental para a auto-compreensao humana. O trabalho de Dobzhansky ajudou a formar a sintese neo-darwinista, que nao so posicionou a evolucao pela selecao natural no centro de uma biologia mais unificada, mas que tambem teve consequencias mais amplas, indo do eclipse biologico de "raca" a classificacoes de inteligencia e cultura como adaptacoes evolutivas. A mecanica quantica pos-moderna rejeita o fundamentalismo quase teologico que governa muito da fisica de alta-energia recente, abandonando a busca por uma "Teoria de Tudo" unificada em favor de uma compreensao mais local e situada. De maneira similar, a emergencia, como uma fenix, da biologia do desenvolvimento das cinzas da embriologia, e o concomitante eclipse da genetica pela genomica, desafiam as concepcoes, agora familiares, de genes e DNA enquanto "segredo da vida" e sucedaneo biologico para a alma controlaveis atraves de calculo (KELLER, 1992; NELKIN e LINDEE, 1995; OYAMA et al., 2001).

Precisamos compreender que essas mudancas tem amplo alcance na significancia cientifica (em que "compreensao" e entendida nao cognitiva e restritamente, mas no sentido de Heidegger, de habilidade de responder apropriadamente a possibilidades). Mas a aspiracao de Heidegger por uma historia filosofica, grandiosa e nostalgica do ser obscurece esses e outros casos em que diferencas significativas emergem dos esforcos cientificos de retirar os fenomenos do ocultamente. A questao em se falar assim sobre a ciencia, de maneira mais parecida com as observacoes de Heidegger sobre a arte, nao e reverter a hierarquia de Heidegger, proclamando, ao inves disso, a ciencia como um local privilegiado para o acontecimento da verdade. Mais do que isso, estou questionando quaisquer limites precisos ou mesmo significantes entre a ciencia e outros comportamentos significativos enquanto praticas que permitem aos entes mostrarem-se a si mesmos de maneira inteligivel. Meus exemplos foram escolhidos porque eles nao podem ser corretamente descritos nem como determinacoes cientificas de como as coisas importam para nos, nem como determinacoes socioculturais de significancia cientifica. Em vez disso, eles mostram como a compreensao cientifica e parte integral de uma abertura de possibilidades historica e mais ampla, no interior da qual as praticas cientificas adquirem e transformam suas questoes e desafios. O tratamento de Heidegger da orientacao para o futuro da pesquisa cientifica enquanto mais basica do que a avaliacao retrospectiva do conhecimento contribui construtivamente para compreender esse aspecto da ciencia. Desenvolver essas contribuicoes mais amplamente exige, no entanto, abandonar o essencialismo residual de Heidegger sobre a ciencia, e especialmente sua insistencia de que a ciencia pode desempenhar somente um papel derivativo, e mesmo contraprodutivo, em tornar inteligiveis nossa situacao e seus desafios.

Nota do autor:

Partes deste capitulo sao adaptadas de Rouse (2003). Uma versao preliminar foi apresentada para a International Society for Phenomenological Studies em 2002. Traducoes de Sein und Zeit e Holzwege (GA 5) foram modificadas. Agradeco a William Blattner e Taylor Carman pelo exame critico das traducoes revisadas [aplicadas ao texto em ingles publicados no artigo

original], e aos editores por comentarios uteis a todo o artigo.

DOI: http://dx.doi.org/10.12957/ek.2014.15182

Recebido em: 05.03.2015 | Aprovado em: 05.04.2015

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Joseph Rouse

jrouse@wesleyan.edu

traducao Laura M. do Nascimento

lauranasciment@gmail.com

* Nota dos editores: Texto publicado originalmente em: A Companion to Heidegger., Hubert Dreyfus and Mark Wrathall (eds.), Blackwell, 2005, pp. 173-189. O corpo editorial da revista Ekstasis agradece a gentil e pronta resposta do autor e seu primeiro contato com a editora a fim de tratar do processo de solicitacao de direitos autorais para a publicacao dessa traducao, assim como o esforco da tradutora em viabilizar financeiramente a publicacao, por meio da solicitacao de verba junto a Unicamp para os custeio das taxas de direitos autorais e de publicacao.

** Laura Machado do Nascimento e doutoranda do Programa de Pos-graduacao em Filosofia da Universidade Estadual de Campinas. Esta traducao foi realizada com o apoio do prof. Dr. Robson Ramos dos Reis (UFSM) e do prof. Dr. Marco Ruffino (UNICAMP), aos quais agradece, e da Fundacao de Apoio a Pesquisa do Estado de Sao Paulo (FAPESP), pelo projeto 2014/03029-2.

(1) Nota de traducao: As traducoes das citacoes de Ser e Tempo sao retiradas da versao em portugues de Fausto Castilho, publicada pela Editora Vozes/Unicamp em 2012. Por vezes, as citacoes foram alteradas pela revisao do Prof. Dr. Robson dos Reis, nestes casos, indicou-se a alteracao com a sigla MR--modificado pelo revisor.

(2) Nota de traducao: No xadrez, um garfo e uma tatica em que uma unica peca ataca diretamente outras duas ou mais pecas de maneira simultanea.

(3) Nota de traducao: As traducoes do texto "A epoca da imagem de mundo" de Heidegger foram retiradas da versao em portugues feita pela Profa Dra Claudia Drucker ainda nao publicada, com a devida permissao da tradutora, pela qual agradecemos.

(4) Heidegger (GA 41, p 67). Em Ser e Tempo, Heidegger citou a teoria da relatividade como um exemplar do redespertar ontologico na fisica (SZ: 9-10). A omissao do nome de Einstein ao lado de Heisenberg e Bohr dez anos depois inevitavelmente encoraja questoes sobre a deferencia de Heidegger a campanhas nazistas contra a "fisica judaica".
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Author:Rouse, Joseph
Publication:Ekstasis: Revista de Hermeneutica e Fenomenologia
Date:Dec 1, 2014
Words:9234
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