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Health care from the view of male workers with chronic diseases/O cuidado a saude na perspectiva de trabalhadores homens portadores de doencas cronicas/El cuidado de la salud desde el punto de vista de los trabajadores varones portadores de enfermedades cronicas.

Yoshida VC, Andrade MGG. Health care from the view of male workers with chronic diseases. Interface (Botucatu). 2016; 20(58):597-610.

Yoshida VC, Andrade MGG. El cuidado de la salud desde el punto de vista de los trabajadores varones portadores de enfermedades cronicas. Interface (Botucatu). 2016; 20(58):597-610.

Introducao

A gente faz a loucura da gente.

A gente e meio cabeca dura, mas tem que ta tratando. (Camilo)

Um dos desafios atuais da atencao basica consiste no cuidado continuado de doentes cronicos, particularmente daqueles com hipertensao e diabetes, por sua frequencia e, habitualmente dificil, seguimento, a medida que exigem mudanca de habitos e comportamentos e a vinculacao a um servico que os acompanhe no curso da doenca. Apesar de a maior parte de seus portadores conhecerem as orientacoes basicas do tratamento, isso nao tem se mostrado suficiente para que haja um controle adequado (1). O abandono de alguns habitos significa, muitas vezes, a perda de prazeres num contexto de vida marcado por poucas oportunidades de satisfacao pessoal. Assim, para que as propostas sejam coerentes com a realidade em que o individuo se insere, e importante considerar o que as pessoas pensam e sentem frente a determinada condicao de saude (2,3). Nessa perspectiva, ganham destaque as condicoes enfrentadas por trabalhadores homens, portadores de doencas cronicas, quando inseridos num contexto sociocultural desfavoravel, caracterizado pela baixa escolaridade e pela dificuldade de acesso aos servicos de saude (4).

Estudo sobre a desigualdade de genero na mortalidade por doencas cronicas no Brasil mostrou que, nas ultimas duas decadas (1991-2010), ela foi consideravelmente maior no sexo masculino, e que a manutencao dessa tendencia, aliada ao maior risco de morte por causas externas, contribuira para o aumento progressivo da mortalidade prematura entre os homens (5). Na Pesquisa Nacional de Saude de 2013 (6), as prevalencias referidas de Hipertensao e Diabetes nos individuos com 18 anos ou mais foram, respectivamente, 21,4% e 6,2%, com menor proporcao de homens entre os que receberam assistencia medica nos ultimos 12 meses. Em geral, os homens apresentam maior morbimortalidade em todas as faixas etarias e menor esperanca de vida (5,7). Dados do censo de 2010 evidenciaram sobremortalidade masculina em quase todas as idades, sendo que, do total dos obitos, 57,2% foram do sexo masculino (5,8). Apesar disso, e menor a presenca dos homens nos servicos de saude, sobretudo naqueles que realizam prevencao e promocao da saude, como os da atencao basica (7,9).

Em 2009, foi publicada a Politica Nacional de Atencao Integral a Saude do Homem (PNAISH) (7), que prioriza a faixa etaria de 25 a 59 anos e busca promover acoes que reduzam a morbimortalidade, enfatizando a necessidade de ampliar o acesso dos homens a atencao primaria. A implantacao efetiva de suas diretrizes ainda e bastante timida, apesar de ter sido identificado interesse dos homens pelas atividades das unidades basicas de saude (UBSs) quando essas acolhem suas necessidades (10). Entender por que os homens morrem mais cedo e utilizam menos os servicos de saude envolve analisar fatores socioculturais e organizacionais dos servicos (4). E historica a figura do homem como provedor da familia, constituido socialmente como um ser forte e invulneravel, sendo o trabalho um elemento marcante para sua identidade (11). Alguns autores destacam que as diferencas ditas culturais e sociais, na verdade, traduzem desigualdades de poder entre homens e mulheres (12). Embora essa construcao mantenha a dominacao masculina na sociedade, o homem e colocado numa situacao de maior vulnerabilidade pela maior exposicao a riscos e a possibilidade de adoecimento, tornando-o prisioneiro do que se denomina masculinidade hegemonica (13,14).

Homens e mulheres exercem distintos papeis sociais, diferem quanto a percepcao de riscos e necessidades de saude e na procura por atendimento. A maior frequencia das mulheres nas UBSs relaciona-se as necessidades reprodutivas e a responsabilidade pela saude de criancas e idosos, associada a enfase desses servicos na saude materno-infantil, tornando-se espacos marcados pelo feminino (4,15). Alguns autores afirmam que os homens procuram as UBSs, mas suas necessidades ficam invisiveis para o servico, que reproduz o imaginario social de genero ao reforcar valores tradicionais que afastam o homem do cuidado (16). Necessidades de saude sao historica e socialmente construidas, e transformam-se em demanda ao se modelarem a disponibilidade das acoes ofertadas, cabendo a equipe (re)traduzi-la, de modo a responder adequadamente as reais necessidades dos usuarios (17). A procura dos individuos por determinados servicos de saude e influenciada pelo reconhecimento dos que, historicamente, mostram-se melhor sucedidos na identificacao daquelas necessidades (18).

Nesse sentido, a partir da percepcao da alta prevalencia de hipertensao arterial e diabetes mellitus em trabalhadores homens que frequentam um servico da rede municipal de saude de um grande municipio brasileiro, desde 2009 iniciou-se o acompanhamento dos mesmos. Com base nos relatos desses usuarios, o presente estudo, de natureza qualitativa, buscou conhecer de que forma trabalhadores homens, com pouca escolaridade, hipertensos e diabeticos, relacionam-se com sua condicao de saude e tratamento, de modo a contribuir com os servicos da atencao basica no (re) conhecimento das necessidades dessa parcela da populacao.

Sujeitos e metodos

O servico onde se realizou o estudo localiza-se na CEASA (Centrais de Abastecimento S/A) de Campinas-SP e faz parte da rede municipal do SUS. Assiste a uma clientela formada predominantemente por homens e, embora nao seja uma UBS tipica, oferece atencao longitudinal aos usuarios.

Os sujeitos da pesquisa foram identificados a partir do cadastro de pacientes do servico, tendo sido incluidos trabalhadores homens, com idades entre 25 e 59 anos, portadores de hipertensao arterial e/ou diabetes mellitus, que estavam trabalhando regularmente e em acompanhamento no referido servico. O intervalo de 25-59 anos corresponde a faixa etaria priorizada na PNAISH.

Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, no ano de 2013, com dez trabalhadores, para se conhecer como eles lidam com seus problemas de saude e vivenciam as exigencias impostas pelo tratamento da doenca cronica. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo CEP/Unicamp. Os participantes receberam nomes ficticios para garantir o sigilo de suas identidades.

Os Quadros 1 e 2 apresentam as caracteristicas sociodemograficas dos participantes, o diagnostico de hipertensao e/ou diabetes e o tempo de conhecimento da doenca pelo trabalhador.

A idade media dos entrevistados foi de 43,4 anos, em geral, apresentavam baixa escolaridade, realizavam trabalho que exige muito esforco fisico, eram casados e chefes de familia. A metade apresentava hipertensao e, a maior parte, diabetes com mais de cinco anos de diagnostico.

A analise do material empirico constituido pelos relatos desses homens permitiu trabalhar centralmente duas categorias: os atributos da masculinidade em sua relacao com o cuidado a saude e a experiencia do cuidado da doenca cronica.

Resultados e discussao

Atributos da masculinidade e o cuidado a saude

A masculinidade hegemonica e entendida como a construcao social do comportamento masculino, influenciado por valores patriarcais e machistas, que levam a adocao de atitudes caracterizadas pela virilidade, forca e invulnerabilidade. Embora haja, atualmente, outros modelos de masculinidade, que colocam o homem mais proximo das mulheres e das criancas e permitem que ele expresse mais suas emocoes, esses modelos ainda nao sao predominantes (19).

Nos relatos, foi possivel identificar varios aspectos do comportamento masculino que interferem no cuidado a saude. Destacaram-se: a importancia do trabalho, a resistencia a procura por servicos de saude e a interferencia do alcoolismo e do tabagismo, que constituem habitos mais frequentes entre os homens.

A importancia do trabalho

O trabalho apareceu como uma referencia forte, sendo considerado prioritario em relacao ao cuidado a saude, exceto nas situacoes emergenciais. Foram expressas: a preocupacao com o sustento da familia e a responsabilidade relacionada ao trabalho, sobretudo no caso dos autonomos.

"Entao, eles marca e diz que eu nao posso escolher o horario [...] Foi marcado (fisioterapia) uma segunda-feira, ve la. Ah, entao passa pra outro, ja passei umas 2-3 veis [...] Eles fala que me da atestado, pra que atestado? Eu nao sou registrado". (Gustavo)

"E eu nao queria ser internado nao. Eu tenho que trabalhar, eu tenho que trabalhar. Que trabalhar o que [...] Ai fiquei la vinte e poucos dias internado, so pele e osso". (Camilo)

"[...] comecei a trabalhar desde os meus 9 anos. Eu falo [...] o doutora eu tenho 59 anos, 50 trabalhado e nao me aposentei ainda [...] Isso da um pouco de tristeza [...] A mulher fala, acho que e melhor voce trabalhar, porque dentro de casa eu fico, sabe, eu nao sei ... o cara acostumado a trabalhar [...] voce fica naquela situacao [...] se eu to trabalhando e ruim, se eu nao to e pior". (Matias)

"[...] nao tem como sai do servico pra pegar fila pra fazer avaliacao (tratamento odontologico) [...] Porque avaliacao e sempre assim, e de manha pra pegar fila [...] e nunca da porque e num horario que ta corrido o trabalho". (Messias)

Pesquisa multicentrica (16) realizada em servicos de atencao primaria de quatro estados brasileiros apontou a maior presenca dos homens em unidades com horario de funcionamento expandido, como aos sabados e a noite, sugerindo que restricoes ligadas aos horarios de trabalho tem real influencia sobre o acesso a assistencia.

A resistencia a procura por servicos de saude

Outro aspecto identificado refere-se a resistencia manifestada, pelos homens, para procurar ajuda e atendimento para suas necessidades de saude. Trabalhadores homens em idade produtiva adiam a procura por servicos de saude, fazendo-o apenas em situacoes mais graves.

"[...] fui internado [...] quase 900 (de glicemia) [...] mas isso foi porque deu uma orquite [...]

Ai eu fui (Pronto Socorro), tava com muita dor [...] Ai foi uma correria [...] ja quis fala que e negocio grave, era por causa da diabetes". (Walfrido)

"[...] eu media (pressao arterial) em farmacia [...] dai ele falou pra mim procurar um medico ne. Demorei, que eu falei que nao vou [...] porque remedio na verdade e um so [...] ce toma um remedio assim, vai com o tempo ele vai fazendo efeito, chega certo tempo ele ja vai acabando aqueles efeito, ne?". (Jeremias)

"Vai procurar um medico, ce ta mal demais [...] fiquei uma semana em casa, e nao fui procurar medico [...] eu achava que nao era nada [...] fui pegar uma caixa de tomate do chao [...] mas nao cheguei a tirar a caixa do chao [...] falei, meu Deus, eu to ruim mesmo. Ai [...] minha mae (falou) agora eu vou te levar no medico [...] Quando mediu, falou [...] Interna ele agora [...] eu tava desnutrido, tava em 800 e pouco (a glicemia)". (Camilo)

Essa resistencia em procurar atendimento tambem foi encontrada em estudo com homens usuarios de UBSs, que relataram retardar ao maximo a procura por se sentirem invulneraveis, alegando falta de tempo devido ao trabalho (20). Pesquisa anterior envolvendo duzentos trabalhadores da propria CEASA-Campinas mostrou, tambem, procura preferencial pelos servicos de urgencia, e nao pela atencao basica (21).

Alcoolismo e tabagismo

O uso de bebidas alcoolicas e de cigarro foi frequentemente relatado pelos entrevistados. Fumar e beber costumam ser habitos relacionados a masculinidade, reforcados na socializacao dos homens, e que interferem no cuidado da doenca cronica.

"Fumo [...] nem (no hospital) eu parava, porque eu internado e as mulher me davam cigarro [...] Mas nao consigo (parar de fumar), sou estressado pra caramba [...] Fumo desde os meus 16 anos [...] Nunca parei, agora tenho vontade de parar, mas nao da. E pra aprender e tao facinho, ne?". (Camilo)

"Eu sempre gostei de tomar minha cervejinha de final de semana, e [...] Eu sempre fui aquele fumante bem relaxado, que so fuma 1-2 por dia e no final de semana voce vai tomar a cervejinha e acaba fumando 3-4 [...]". (Ricardo)

Estudo (22) realizado no municipio de Campinas com 449 homens, de 20-59 anos, identificou que aqueles com menor escolaridade apresentam maior consumo e dependencia de alcool e tabaco. Pesquisa anterior na CEASA identificou que 54% dos trabalhadores faziam uso frequente ou esporadico de bebida alcoolica e que 26% fumavam (21).

A dificuldade em nao beber e maior nos finais de semana, quando geralmente suspendem a medicacao para nao "mistura-la com a bebida".

"[...] eu tambem gosto de final de semana tomar uma cerveja [...] Durante a semana nao. E so cerveja tambem [...] eu tomo uma meia duzia. Mas e garrafinha pequena [...] cigarro eu fumava, parei [...] desde quando eu infartei [...] a cerveja eu [...] parei somente um ano". (Paulino)

"Tomo cerveja [...] mais final de semana [...] E olha que final de semana, eu tomo bem [...] mas so que eu tomo assim sabe [...] eu vou sair no sabado, nois vai num churrasco [...] faco o testinho do dedo la, eu vejo que ela ta alta, eu tomo a minha insulina, ai eu ja manero. Ja nao bebo [...]". (Camilo)

"[...] eu gosto muito de pescar final de semana [...] acaba bebendo a noite, noutro dia ja comeca cedo de novo a pescaria e vai beber na hora do almoco, entao as vezes eu pulo um dia sem tomar remedio, pra nao misturar remedio com a bebida". (Messias)

Nesse mesmo sentido, estudos (23,24) relacionados ao Diabetes mostraram a dificuldade dos homens para gerenciar o controle da doenca quando mantem o uso de bebida alcoolica.

A experiencia do cuidado da doenca cronica

Varios autores (25,26) apontam a necessidade de investimento em acoes de prevencao e promocao da saude voltadas para o controle das doencas cronicas. Outros (23,24,27) destacam que e necessario conhecer o contexto e singularidades dos sujeitos para ampliar as possibilidades de comunicacao entre usuarios e profissionais de saude e ofertar acoes mais proximas a realidade dos grupos sociais.

Neste trabalho, as dificuldades enfrentadas no tratamento da doenca cronica apareceram com frequencia nos relatos dos homens, relacionadas as exigencias para o controle da doenca e exercendo interferencia na busca e aceitacao do tratamento.

Nessa perspectiva, destacam-se: a alimentacao, o uso continuo de medicamentos, a motivacao para se tratar e a aceitacao do tratamento.

A alimentacao

A dificuldade em adequarem a dieta aos horarios de trabalho e a condicao socioeconomica, assim como de se privarem do que gostam, esteve presente na fala dos usuarios.

"Alimentacao, bem dizer eu como de tudo [...] De vez em quando da vontade de comer doce e eu como [...] e um pedaco. Ou se nao eu como 2, 3 pao doce, eu gosto de comer pao doce". (Paulino)

"A gente sempre compra, porque quem e diabetico sente falta de doce [...] porque nao, nao tem jeito, voce nao aguenta". (Matias)

"Antigamente [...] me dava uma vontade de comer doce, nao tinha jeito [...] ce comia um pedaco, de repente tava comendo 2...3... mas gracas a Deus parou essa vontade. So que e assim, eu nao passo vontade. Se agora mesmo me deu vontade de comer um doce, eu vou la cato um doce". (Camilo)

Como afirma Barsaglini (24), "o diabetes se traduz numa vida de restricoes, censuras e proibicoes, impondo regras de comportamento que nao combinam com o valor de liberdade que integra a construcao do universo masculino" (p. 182).

"Nao, nao tem horario (almoco), passa 2, 3 horas da tarde, meio dia, 11 horas, depende". (Severino)

"[...] tem hora que eu so vou comer porque [...] se ve que esta escurecendo a vista, ta dando moleza. Voce come sara, mas tem hora que voce nao quer parar (trabalho) porque nao tem tempo, tem hora que eu pego o lanche e saio com ele na mao comendo". (Gustavo)

"[...] eu faco [...] uma dieta mais ou menos, nao faco dieta forcada porque o dia a dia da gente tambem nao da [...]". (Luciano)

Um outro aspecto referido pelos trabalhadores diz respeito ao custo mais elevado dos alimentos da dieta.

"Comi (pao integral), e baozinho, mais e [...] meio carinho ne? Meio carinho ne, pao com alpiste, e por causa do alpiste que eles poe em cima". (Walfrido)

"[...] ja comprei, ja comi tambem [...] e gostoso, mas so que tambem e mais caro, tem todas essas coisas ne [...]". (Luciano)

Parte deles traz reflexoes sobre a abordagem dos profissionais de saude, porem, muitas orientacoes recebidas nao sao compativeis com a realidade do paciente, comprometendo a resolutividade do cuidado.

"Ai ele passou uns remedio pra mim la e uma folha desse tamanho assim, nao pode comer feijao, nao pode comer nada, ai eu fiquei uma semana, ai eu comecei a nao aguentar, servico pesado aqui, ai eu parei". (Jeremias)

"[...] eu vim na nutricionista [...] so que eu vou ser muito sincero, eu achei um programa muito [...] fora daquilo que eu posso ta fazendo todo dia, nao so financeiramente, mas tempo, dedicacao [...]". (Ricardo)

"[...] nao pode comer isso, nao pode comer aquilo. Eles falam sempre da comida ne. Por que eles falam da comida? [...] ah ce nao pode comer isso, comer aquilo [...] valeu doutor, brigado, ja ta de bom caminho. Sai do postinho [...] em frente [...] tinha um bar, fui la comi uns 3 sargados, bebi uma coca e fui embora pra casa". (Walfrido)

Schraiber et al (21) identificaram que as UBSs tem seu funcionamento centrado na consulta medica individual, rapida e com foco nas queixas e no tratamento. O contexto em que o usuario vive nao e abordado e, em geral, nao sao desenvolvidas acoes de promocao da saude e, quando ocorrem, costumam ser praticas educativas de carater disciplinador e autoritario.

O uso continuo de medicamentos

Outra dificuldade encontrada diz respeito a necessidade de uso regular de um ou mais medicamentos, exigindo adequar os horarios das tomadas com as demandas cotidianas, adequacao que se torna mais improvavel pela falta de convencimento de muitos usuarios quanto a real necessidade do uso continuado.

A dificuldade na aplicacao da insulina e os efeitos do uso prolongado sao destacados por alguns trabalhadores, assim como o uso concomitante de varios medicamentos.

"Eu tomo glibenclamida [...] uma hora antes [...] do almoco [...] eu nao tenho bem hora certa pra almocar, dependendo do movimento la [...] ai quando e meio dia, ai eu vou la, tomo remedio, eu ando ate com remedio no bolso [...] pra nao esquecer [...] ai [...] surge [...] imprevisto que nao da pra almocar uma hora [...] eu vejo que abaixa a taxa de acucar [...] da aquele desgaste no estomago [...] e as maos tremula [...] As vezes a gente esquece de tomar, um dia ou outro [...] mas eu faco o maximo pra nao esquecer". (Luciano)

"[...] eu tinha um medo de injecao [...] que se visse uma injecao, eu tava correndo [...] Ai [...] devagarzinho [...] essa pequenininha, a da insulina [...] eu tava tomando nas pernas, ai me deu uma coceira [...] que eu nao aguentava, mandaram eu parar de tomar na perna, entao, so tomo na barriga [...] as vezes, ontem mesmo, eu nao tomei [...] Dormi [...] tava frio pra caramba [...] jantamo era umas 7 horas, ai deitemo, eu e a mulher, vim acordar hoje as 3 e meia". (Camilo)

"[...] tudo isso, comprimido para pressao acho que eu tomo uns quatro, cinco [...] E uma receita do lado e do outro [...] Agora eu esqueci, nao tomei nem o remedio. So tomei insulina. Quando me levanto de jejum eu tomo a insulina. [...] Depois eu tomo os comprimido, acho que uns quatro comprimidos. Ai quando e a noite [...] tomo a insulina, ai depois eu janto e tomo os comprimido. Eu ja aqui to que nao aguento mais, faco assim e tudo duro de tanta furada. Porque de tanto que voce vai furando [...] vai ficando dolorido". (Matias)

Muitos doentes se mostram relutantes em aceitar o uso cronico de medicacoes. Kelly e May(c), citados por Barsaglini (24), destacam que esse comportamento de "dono da situacao" reflete uma tentativa de maior autonomia e dominio sobre a doenca, como expressa um dos trabalhadores:

"[...] agora eu tomo certinho, mas logo no comeco eu nao levava a serio [...] Tomava de vez em quando [...] eu tomava mas nao tomava certo, ai foi aonde deu ate infarto [...] eu tomava um dia sim, ai ficava uns 2, 3 sem tomar [...] achava que nao ia, que a pressao nao subia". (Paulino)

A motivacao para o tratamento

Entender o que determina a busca por servicos de saude leva a refletir sobre os valores culturais e sociais que interagem com a organizacao dos servicos e seus saberes, e com as informacoes recebidas atraves da midia (28).

Nesse sentido, os relatos dos trabalhadores trazem aspectos que correspondem a essas distintas dimensoes.

O desejo de se curar, apesar das dificuldades impostas pelo tratamento, e uma das preocupacoes expressas na fala de Gustavo.

"Como eu ja falei proce, da vontade de chuta o barde, larga tudo, mais eu preciso da saude ne. Eu quero sara. Eu to fazendo por onde, ja quase 7 ano ne. Entao eu to me sujeitando (tratamento da hepatite) [...] porque nao tem outro meio mesmo". (Gustavo)

Um dos estigmas relacionados ao comportamento do homem e o de que eles nao se preocupam com a prevencao, buscando servicos de saude somente quando sentem o agravamento das doencas. Entretanto, em alguns relatos, observa-se a preocupacao em evitar que a doenca avance e em obter um cuidado integral.

"Se ele tivesse feito particular [...] Se ce tem a doenca tem que procurar adiantar [...] ce vai demorando, vai agravando ne [...] ai acho que ele demorou mais de 2 anos e nao era caro, acho que era uns 600, 700 reais para fazer (cateterismo) particular [...] sempre uma vez no ano eu faco [...] (check up)". (Jeremias)

O agravamento do estado de saude nao depende apenas do comportamento de busca por atendimento, mas, sobretudo, das condicoes de acesso e qualidade da atencao recebida.

"[...] meu pai e agente de saude [...] Mora la no Piaui [...] la e o seguinte [...] as pessoas [...] tem problema, mas nao sabe que tem [...] nao faz o acompanhamento que a gente faz na cidade grande, la e cidade pequena, eles nao ligam muito pra saude [...] se [...] for faze [...] uma pesquisa [...] a quantidade de pessoas que tem problema, nao so o diabetes [..] e muito grande, porque eles nao procuram o medico, e quando vai procurar o medico, ja ta bem avancado". (Luciano)

"Ah, nao sei se eu tive sorte de pegar um cara (medico) fera, era muito bom, era meio rigido, me puxava muito a orelha, eu sabia que precisava daquele puxao de orelha, que por eu ser muito novo [...] achava que nao tinha problema ter uma vida normal". (Ricardo)

Estudo (9) realizado com 86 homens com idade media de 40,5 anos mostrou que a segunda causa de procura pela atencao basica e o desejo de realizar exames de prevencao, revelando preocupacao com a saude. Entretanto, ha lacunas nas UBSs ligadas a adequacao da estrutura, organizacao do atendimento dos homens e desenvolvimento de acoes de promocao voltadas para os agravos mais frequentes nessa populacao.

Em alguns casos, o estimulo para seguir as orientacoes do tratamento ocorre pelo convivio pessoal ou familiar com casos graves da doenca ou suas complicacoes.

"[...] era um problema heredit.. minha familia foi problematica [...] meu pai sempre teve diabete, meu avo, desde muito novo diabetico, e mesmo muito cuidadoso como era, ele teve um problema de amputar a perna [...] cortou o dedinho, depois o pe, depois a perna [...] voce vai assistindo tudo aquilo [...] eu periodicamente fazia, pedia esse exame e com 28 anos foi constatado essa alteracao [...] hoje eu [...] mudei muito minha cabeca, eu tento me cuidar um pouco mais, pra nao te o mesmo futuro que ele teve". (Ricardo)

Estudo de Cyrino (23) sobre as competencias desenvolvidas por portadores de diabetes relacionadas ao autocuidado tambem mostrou que, apesar de muitos deles relatarem o sofrimento de familiares com a doenca, e possivel um despertar para a vida, ou seja, uma ressignificacao da doenca.

"Ah, e depois que a agua bate na [...], negocio do meu dedo [...] Nao, depois que ja deu o negocio no meu dedo [...] antes quando eu vinha aqui, era 300, 350, ai depois que deu [...] o maximo que chega e 250, nao passa disso". (Walfrido)

"Teve um que cortou ate aqui, olha. Ate o ponto de ponha um aparelho [...] Na verdade por isso que eu sempre respeito o que a doutora fala, porque esse um que aconteceu que cortou o dedo, o outro dedo e depois cortou aqui". (Gustavo)

"Sabe de uma coisa, ele ta la hoje com um pe cortado ate a canela e o outro cortado ate metade. E [...] as vistas dele, uma parece que operou e enxerga fraquinho. Olha ai ta vendo, disse que ele mesmo cuidava, olha no que deu". (Camilo)

Muitas vezes, as informacoes sobre riscos a saude sao obtidas por meio da midia, sobretudo da televisao, sensibilizando e alertando para a gravidade do problema.

"[...] eu ja vi muita gente. Colega meu, amigo, la no norte que morreu sem as perna [...] que era diabetico [...] Voce [...] deve saber muito bem que o diabetes e uma doenca que vai matando o cara aos poucos. O medico fala diretamente [...] na televisao [...] isso e uma doenca cronica, se voce nao se trata ainda e pior". (Matias)

"Ah, nao sei, eu acho que [...] porque casos que eu ja vi assim, que nem, eu ja vi passar na televisao, sempre que eu vejo passar de diabete na televisao, eu to ali prestando atencao". (Camilo)

Embora a televisao seja um meio importante para veicular informacoes, estudo (29) abordando as concepcoes de homens hospitalizados sobre a relacao genero e saude destaca que, na maior parte dos programas televisivos, ha mais informacoes sobre a saude da mulher do que do homem.

A aceitacao do tratamento

O conceito de aceitacao do tratamento nao se confunde com obediencia, a medida que trabalha com a autonomia do paciente frente as orientacoes recebidas, considerando que ele e possuidor de concepcoes e experiencias que influenciam na sua relacao com os profissionais de saude e com o que e prescrito por esses (23).

Nesse sentido, levando em consideracao a vivencia da doenca e do autocuidado, a aceitacao do tratamento pode ser identificada, mesmo que de forma sutil, em varios momentos da fala dos homens, seja no uso continuo das medicacoes...

"[...] a pressao faz muito tempo que nao exagera, nao sobe ... por causa que os remedios eu tomo tudo certinho agora". (Paulino)

Nas mudancas na alimentacao....

"Eu como mais carne magra, entao eu como bife grelhado, a salada ela sempre faz [...] Nao falta salada, alface, tomate, o chuchu cozido, uma abobrinha feita refogada [...] Eu passei aqui na sexta-feira [...] com a doutora, ai ela mediu a pressao e tava 12 por 8 [...] Ela disse, pressao de garoto. E a glicemia? Tava 170 [...]". (Matias)

Na realizacao de exames preventivos...

"Entao, a doutora [...] anualmente agora ela me pede exames [...] sempre que tenho tempo faz [...] tira a medida pra ve como e que ta a pressao. Mais essa ultima [...] umas cinco, seis vezes que eu medi tava controlado [...] 12 por 8 [...] Valeu a pena deixar o convenio, que por fim so tava me trazendo prejuizo. O remedio era caro [...] e um remedio que tava so me fazendo mal". (Messias)

Na aceitacao da cronicidade da doenca...

"[...] jamais, nao penso dessa forma, porque eu sei que a doenca e cronica [...] e tanto que a medica [...] o ultimo que eu fiz [...] ela falou assim, o seu diagnostico ta muito bom, os resultados dos seus exames ta muito bom [...] eu vou tirar seu remedio pra metade, eu vou deixar so a metade do comprimido, porque a gente vem fazendo o acompanhamento e ta muito bom". (Luciano)

Na suspensao do uso da bebida alcoolica...

"[...] mais ai fiz uns tratamento [...] ai parei de beber, evitei comer muito essas carne [...] muito espeto, carne assada [...] e ele explicou umas coisa, abacaxi, laranja [...] limao que tem muito acido [...] parei a bebida, acho que ajudava muito [...] ai parou gracas a Deus". (Jeremias)

Estudo realizado por Barreto e Figueiredo (30) mostrou que a presenca de doenca cronica contribui para a reducao de alguns comportamentos de risco, como fumo, dieta gordurosa, sedentarismo e adicao de sal na comida, sendo possivel estabelecer uma associacao positiva, especialmente para os homens, entre mudancas no estilo de vida e a presenca de doenca, provavelmente porque o individuo passa a frequentar mais os servicos de saude e receber orientacoes de cuidado.

Consideracoes finais

O cuidado a saude e um processo com forte dimensao sociocultural, com particularidades relacionadas a ser homem ou mulher, dependente do contexto e da interacao entre os sujeitos. O presente estudo trouxe relatos de homens, com pouca escolaridade, portadores de Hipertensao e de Diabetes, sobre a relacao com a doenca cronica e seu tratamento, na perspectiva de sensibilizar os diversos profissionais e servicos de saude para o cuidado de uma parcela da populacao que, a despeito de seu destaque nos dados epidemiologicos e nas diretrizes da politica, ainda persiste afastada do cuidado continuado nos servicos de saude. Identificar as reais necessidades dos usuarios exige que os profissionais levem em consideracao os desejos e as diferentes possibilidades para o cuidado, ampliando a clinica e a percepcao que atribui a baixa procura e adesao a preconceitos e barreiras somente por parte do usuario, buscando, tambem, os aspectos de funcionamento dos proprios servicos que interferem no acesso dos homens a um cuidado integral.

Embora nao tenha sido feita uma analise voltada especificamente para as representacoes dos homens sobre a doenca cronica, pretendeu-se contribuir no sentido de "explorar as possibilidades de reconhecer e valorizar os saberes da experiencia de quem vive a enfermidade" (24) (p. 208). O controle da pressao arterial e da glicemia exigem, no contexto biomedico, o uso regular das medicacoes prescritas e a mudanca de habitos de vida. O estudo mostrou a dificuldade dos usuarios para alcancarem um bom controle da doenca cronica, dada a influencia de inumeros fatores que permeiam o cotidiano, em especial, as exigencias do trabalho e o proprio comportamento masculino; mas, ainda assim, foram identificadas motivacao e aceitacao do tratamento, permitindo questionar o pensamento hegemonico de que os homens nao se cuidam.

Os fatores que motivaram a busca e a aceitacao do tratamento, a despeito das dificuldades, relacionam-se a reflexoes e consideracoes do proprio usuario a partir da vivencia da doenca e da interacao com os profissionais de saude, num determinado contexto social. Isto reforca a ideia de que a doenca cronica e seu cuidado exigem repensar o 'modo de andar a vida'31, sendo papel dos servicos de saude auxiliarem os pacientes a reinventarem novos modos de viver, independente de serem homens ou mulheres.

Colaboradores

VC Yoshida e responsavel pela concepcao do estudo e trabalhou na metodologia, na coleta, analise e interpretacao do material empirico e na redacao do manuscrito. MGG Andrade trabalhou na concepcao do estudo, na metodologia e analise do material empirico, na redacao final e na revisao critica do artigo.

DOI: 10.1590/1807-57622015.0611

Referencias

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Recebido em 14/09/15. Aprovado em 23/11/15.

Valeria Cristina Yoshida (a)

Maria da Graca Garcia Andrade (b)

(a) Doutoranda, Programa de Pos-Graduacao em Saude Coletiva, Faculdade de Ciencias Medicas (FCM), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Rua Tessalia Vieira de Camargo, 126, Cidade Universitaria Zeferino Vaz. Campinas, SP Brasil. 13083-887. valeria.yoshida@ gmail.com

(b) Departamento de Saude Coletiva, FCM, Unicamp. Campinas, SP Brasil. mgraa@fcm.unicamp.br

(c) Kelly MP May D. Good and bad pacients: a review of the literature and a theorical critique. J Adv Nursing. 1982; 7(2):147-156.
Quadro 1. Caracteristicas sociodemograficas dos
participantes do estudo

Nome       Idade    Escolaridade         Ocupacao
           (anos)      (anos)

Camilo       45          2         Carregador autonomo
Gustavo      54          1         Carregador autonomo
Jeremias     46          8         Carregador autonomo
Luciano      37          8         Conferente
Matias       59          3         Manutencao e limpeza
Messias      32          8         Gerente de compras
Paulino      41          8         Ajudante geral
Ricardo      41          10        Auxiliar financeiro
Severino     36          10        Caminhoneiro autonomo
Walfrido     43          6         Carregador autonomo

Nome       Estado     Posicao
           Civil      na familia

Camilo     Casado     Chefe
Gustavo    Casado     Chefe
Jeremias   Casado     Chefe
Luciano    Separado   Chefe
Matias     Casado     Nao e chefe
Messias    Casado     Chefe
Paulino    Casado     Nao e chefe
Ricardo    Casado     Chefe
Severino   Casado     Chefe
Walfrido   Casado     Nao e chefe

Quadro 2. Diagnostico de Hipertensao (HAS) e/ou Diabetes
mellitus (DM) e tempo de conhecimento da doenca

Usuario        Diagnosticos            Tempo de
                                     doenca (anos)

Jeremias   HAS                            4-5
Messias    HAS                             5
Luciano    DM                              6
Severino   DM                              6
Paulino    HAS + DM (usa insulina)    10 (HAS/DM)
Camillo    DM (usa insulina)              12
Ricardo    DM                             13
Matias     HAS + DM (usa insulina)    20 (HAS/DM)
Walfrido   DM (usa insulina)              23
Gustavo    HAS                            26
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Author:Yoshida, Valeria Cristina; Andrade, Maria da Graca Garcia
Publication:Interface: Comunicacao Saude Educacao
Date:Jul 1, 2016
Words:6104
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