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HOLDRIDGE LIFE ZONE CLASSIFICATION FOR THE SOUTHERN BRAZILIAN STATE 'RIO GRANDE DO SUL'/CLASSIFICACAO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SEGUNDO O SISTEMA DE ZONAS DE VIDA DE HOLDRIDGE.

INTRODUCAO

O clima e caracterizado pela variacao de um conjunto de elementos meteorologicos (SOARES; BATISTA; TETTO, 2015) que, sob determinado intervalo de tempo, influenciam significativamente na caracterizacao de fatores fisicos e biologicos, tais como solo e vegetacao de uma dada regiao.

Sob esta perspectiva, o uso de sistemas de classificacao climatica e importante no ambito da caracterizacao do clima de uma regiao, alem de auxiliar na compreensao das variacoes do clima no mundo (AYOADE, 2003). De acordo com Tres et al. (2016), dentre os sistemas de classificacao mais utilizados no Brasil estao o de Koppen (1936), Thornthwaite (1948) e Holdridge (1966).

Nao obstante, Nobrega (2010) retrata que muitos dos sistemas de classificacao climatica podem ser falhos e imprecisos quanto a sua aplicabilidade, dependendo do conjunto de variaveis que sao utilizadas para a definicao das zonas climaticas e da forma com que estas variaveis sao tratadas. Portanto, a escolha de um sistema de classificacao climatica dependera, basicamente, das particularidades intrinsecas a area e ao objetivo do estudo (ROSSATO, 2011).

Alguns trabalhos de classificacao climatica ja foram realizados para o estado do Rio Grande do Sul baseados em series historicas de dados meteorologicos. Kuinchtner e Buriol (2001) conduziram estudos que visaram a classificacao climatica do estado de acordo com os sistemas de Koppen e Thornthwaite, encontrando os tipos climaticos Superumido (A) e Umido (B4, B3 e B2) segundo a classificacao de Thornthwaite. Para o sistema de classificacao climatica de Koppen (1936), os autores determinaram a ocorrencia dos tipos climaticos Cfa e Cfb. Por sua vez, Buriol et al. (2007) buscaram caracterizar o clima do estado de acordo com o diagrama climatico de Walter e Lieth (1967), encontrando nove zonas climaticas. De modo geral, os estudos realizados por Kuinchtner e Buriol (2001) e por Buriol et al. (2007) demonstram uma tipologia climatica relativamente heterogenea para o Rio Grande do Sul, levantando novas expectativas quanto a necessidade da caracterizacao do estado por meio de outros sistemas, tais como o de Holdridge (1966).

O sistema de classificacao de Holdridge, por sua vez, baseia-se na premissa da biotemperatura, definida por ele como sendo um intervalo de temperatura de 0 a 30[degrees]C (HOLDRIDGE, 2000). Segundo Soares, Batista e Tetto (2015), tal intervalo compreende a temperatura em que efetivamente ocorre o desenvolvimento das plantas. Ometto (1981) corrobora genericamente sobre estes limites de temperatura sob uma perspectiva fisiologica, isto e, quando as temperaturas atingem patamares abaixo deste limite minimo de temperatura, a atividade fisiologica da planta a condiciona a uma regulacao metabolica minima vital, enquanto em temperaturas acima do limite maximo, as taxas respiratorias aumentam de tal modo que o montante de producao das reacoes fotossinteticas e todo consumido no processo de respiracao, refletindo em fotossintese liquida igual a zero. Portanto, em primeira analise, regioes em que ha temperaturas medias mensais alem destes limites minimo e maximo em grande parte dos meses ao decorrer de um ciclo anual, contribuem para a regulacao de producao vegetal. Entretanto, trata-se de um intervalo generico, no qual esta inclusa a maioria das plantas, cada especie particularmente correspondendo a uma biotemperatura media ideal, nao significando, portanto, que todas as plantas seguem a mesma tendencia fisiologica dentro destes limites.

Associando a biotemperatura aos pisos altitudinais e regioes latitudinais existentes em uma regiao de estudo, Holdridge (2000) definiu as unidades do sistema como "zonas de vida". Com a classificacao de Holdridge, torna-se pratica a compreensao da relacao entre clima e a tipologia vegetal, uma vez que o sistema relaciona os gradientes de altitude e de latitude na busca de tentar explicar a predominancia fitogeo-grafica de uma dada regiao.

A luz das observacoes supracitadas, uma classificacao climatica que sugere uma determinada tipologia vegetal na regiao, da subsidios para outros estudos que envolvam, por exemplo, o zoneamento agrossilvicultural do estado do Rio Grande do Sul. Portando, o objetivo deste estudo foi realizar a classificacao climatica das zonas de vida de Holdridge para o Rio Grande do Sul e compara-las com a cobertura vegetal e com o sistema de classificacao climatica de Koppen.

MATERIAL E METODO

Caracterizacao da area de estudo

Rio Grande do Sul e o estado mais meridional do Brasil e esta localizado na regiao sul com area de 281.748,538 [km.sup.2], cujos limites dos eixos latitudinal e longitudinal sao representados pelas coordenadas geograficas 27[degrees]04'56"; 33[degrees]45'04" S e 49[degrees]41'28"; 57[degrees]38'36" W, respectivamente (IBGE, 2011).

O estado e coberto pelos biomas Mata Atlantica (63%) e Pampa (37%) (IBGE, 2004), subdivididos pelas unidades fitogeograficas da Floresta Ombrofila Mista, Floresta Ombrofila Densa, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Estepe e Savana-Estepica, alem de uma extensa Area de Formacoes Pioneiras (Figura 1).

De acordo com Alvares et al. (2014), o estado possui as seguintes classes climaticas segundo Koppen: Cfa (clima temperado, com chuva o ano todo e verao quente) e Cfb (clima temperado, com chuva o ano todo e verao morno), ilustradas na Figura 2. Desta forma, concordando com os estudos realizados por Kuinchtner e Buriol (2001).

Obtencao dos dados meteorologicos

Os dados meteorologicos foram obtidos por um estudo realizado por Alvares et al. (2014), que classificaram o Brasil de acordo com o sistema de classificacao climatica de Koppen. Este estudo foi subsidiado por 2.950 estacoes meteorologicas com registros de mais de 25 anos de dados pluviometricos nao continuos de 1950 a 1990. Ademais, para temperatura media mensal, considerando o mesmo periodo, Alvares et al. (2013) selecionaram 2.400 estacoes meteorologicas. Este conjunto de dados permitiu aos autores extrapolar a temperatura e precipitacao para o Brasil, baseando-se em estimativas calculadas por meio de geoestatistica. Posteriormente, os dados foram compilados, gerenciados e processados em um Sistema de Informacoes Geograficas (SIG), no qual passaram por modelagem multivariada. Os dados de temperatura e precipitacao medias obtidos por Alvares et al. (2014), os quais foram atribuidos individualmente para cada municipio rio-grandense, subsidiaram os calculos de biotemperatura media mensal, permitindo estabelecer as zonas de vida de Holdridge para todo o estado.

Calculo da biotemperatura

Sendo a biotemperatura o intervalo de temperatura em que ocorre o efetivo crescimento das plantas (0 a 30[degrees]C), o sistema de classificacao de Holdridge (2000) estabelece que todas as temperaturas medias mensais abaixo de 0[degrees]C devem ser eliminadas e as acima de 24[degrees]C devem ser corrigidas para que temperaturas acima de 30[degrees]C, as quais eventualmente tenham ocorrido durante o periodo, sejam sistematicamente desconsideradas da media mensal. Esta correcao e feita por intermedio da seguinte equacao:

[T.sub.cor] = T - [3l/100 [(T - 24).sup.2]]

Em que: [T.sub.cor] = biotemperatura do mes corrigida; T = temperatura media mensal; l = latitude do local.

O somatorio das biotemperaturas corrigidas dividida por doze (meses) equivale a biotemperatura media anual, calculada a partir da seguinte formula:

[T.sub.bio] = [[summation].sup.12.sub.i=1] [T.sub.cor] > 0[degrees]C/12

Em que: [T.sub.bio] = biotemperatura media anual do local.

No diagrama de classificacao de zonas de vida (Figura 3), insere-se a biotemperatura media anual em conjunto com a precipitacao media anual, determinando as zonas de vida que sao delimitadas pelos hexagonos. Cada hexagono possui uma area referente ao nucleo da zona de vida e seis triangulos adjacentes que formam as zonas de transicao.

A classificacao ainda necessita da determinacao da regiao latitudinal (Tabela 1) e do piso altitudinal (Figura 4) para a conclusao da classificacao.

O diagrama de pisos altitudinais, por sua vez, representa as biotemperaturas em funcao dos gradientes de altitude e latitude e a sua respectiva equivalencia nos diferentes ambientes da Terra, considerando um gradiente adiabatico medio de -0,6[degrees]C para cada 100 m de elevacao na correcao das biotemperaturas medias anuais para o nivel do mar.

Analise dos dados

Atraves de processamento realizado no software FoxPro dos dados de temperatura media mensal e precipitacao media mensal, foram calculadas as biotemperaturas em nivel municipal, cujas etapas sao sintetizadas pelo fluxograma a seguir (Figura 5). Os resultados obtidos permitiram atribuir a cada municipio rio-grandense uma zona de vida, gerando assim o mapa estadual da classificacao de Holdridge. Posteriormente, realizaram-se analises espaciais de arquivos matriciais, contendo informacoes sobre cobertura vegetal e da classificacao de Koppen, em sobreposicao ao mapa de classificacao de Holdridge para o Rio Grande do Sul, utilizando um software SIG. Esta analise buscou verificar a existencia de afinidade entre valores atribuidos por cada pixel de um arquivo matricial (raster) ao rol de atributos associados a um arquivo vetorial, dando assim um percentual de recorrencia espacial.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Biotemperaturas

O estado apresentou uma amplitude de biotemperaturas de aproximadamente 6[degrees]C, que foi subdivida em seis classes de amplitude de 1[degrees]C cada. No mapa de biotemperaturas (Figura 6), nota-se a ocorrencia de biotemperaturas de 17,8 a 19,8[degrees]C em uma ampla regiao do estado, abrangendo as regioes oeste, central e litoral. Ficaram evidenciados alguns picos acima de 18,8[degrees]C associados a estas regioes, principalmente no extremo norte da Planicie Litoranea, na Depressao Central e no Vale do Rio Uruguai. Por outro lado, menores valores foram observados no extremo nordeste do estado dentro da regiao do Planalto Meridional, nos municipios de Sao Jose dos Ausentes e Cambara do Sul, onde ocorrem as maiores altitudes. A partir destes municipios, um transecto no sentido leste-oeste mostra a tendencia nos aumentos da biotemperatura em funcao da diminuicao da altitude, uma vez que a latitude permanece constante.

Na regiao do Escudo Rio-grandense, na qual ocorrem altitudes proximas a 200 m, verificaram-se biotemperaturas variando de 14,8 a 16,8[degrees]C. Esta regiao experimenta pisos altitudinais equivalentes a algumas regioes do oeste do Planalto Meridional e Vale do Rio Uruguai, contudo, apresentando menores biotemperaturas. Isto se deve, possivelmente, pela influencia latitudinal em que se encontram estas duas regioes, visto que ha uma diferenca de aproximadamente 3[degrees] de latitude entre ambas. A regiao nordeste do estado apresentou mudancas abruptas de biotemperaturas em relacao ao seu entorno. Esta regiao esta inserida entre as localidades da Serra do Umbu e Serra do Pinto, nas quais amplitudes de 2,9 e de 4,2[degrees]C foram verificadas, respectivamente. Amplitudes termicas como estas sao comumente encontradas em regioes de serra e em regioes montanhosas, devido ao gradiente adiabatico medio de -0,6[degrees]C para cada 100 m na elevacao, uma vez que estes ambientes apresentam declividade acentuada e pequena variacao em latitude e longitude.

Em toda a faixa litoranea foi possivel verificar uma queda progressiva da biotemperatura seguindo o aumento do gradiente latitudinal. Uma vez que esta faixa litoranea possui altitudes constantes proximas a 0 m, a variacao de pisos altitudinais permaneceu isolada, permitindo que a latitude atuasse pontualmente na definicao dos resultados. Sob este aspecto, no extremo norte da regiao litoranea, observou-se a ocorrencia das maiores biotemperaturas, decrescendo no sentido sul de forma regular. Tal que as classes de biotemperaturas de 16,8 a 17,8 e 17,8 a 18,8[degrees]C seguiram uma relacao inversamente proporcional de -1[degrees]C para cada 1,5[degrees] de latitude, aproximadamente. Ainda, imediatamente abaixo, nos municipios de Chui e Santa Vitoria do Palmar, obtiveram-se valores de 14,8 a 15,8[degrees]C, evidenciando esta mesma tendencia.

Classificacao de zonas de vida de Holdridge

Segundo o sistema de classificacao climatica de Holdridge (2000), foi constatada a ocorrencia de oito zonas de vida no Rio Grande do Sul, sendo que quatro delas sao zonas de transicao. A forma como estao distribuidas estas zonas de vida, no estado, pode ser observada na Figura 7 e seus respectivos percentuais de ocorrencia estao descritos na Tabela 2.

Os resultados obtidos mostraram que 74% do estado esta inserido na zona de vida floresta umida temperada basal, sendo que as zonas de transicao entre floresta umida e floresta muito umida temperada compoem 21,8% do total, enquanto 1,7% sao compostos pela floresta muito umida temperada basal que agrega tres manchas isoladas no Planalto Meridional sob os municipios de Sao Francisco de Paula, Canela, Campestre da Serra, Sao Marcos e Barao de Cotegibe. As zonas de vida floresta umida subtropical basal e montana baixa somam 0,4% da area total do estado e outros 2,1% sao formados pelas zonas de transicao entre floresta muito umida e floresta umida dentro da regiao latitudinal subtropical. Logo, o clima temperado visivelmente predomina no estado, cujas zonas de vida e as devidas zonas de transicao abarcam 97,5% da sua area total. O clima subtropical, por sua vez, abrange somente uma regiao no extremo norte, que coincide com o paralelo 27[degrees]30'. Os limites do eixo latitudinal 27[degrees]04'56" e 33[degrees]45'04" S no estado (IBGE, 2011) explicam as regioes latitudinais subtropical e temperada encontradas.

O indice pluviometrico anual medio determinado por Britto (2004), entre as diferentes regioes do Rio Grande do Sul, corrobora as zonas de vida encontradas no estado. De acordo com Britto, Barletta, Mendonca (2008), existe uma clara tendencia no aumento do nivel pluviometrico no sentido sul-norte, sendo que ao norte da latitude 30[degrees]S os niveis medios de chuva anual ultrapassam os 1.500 mm, enquanto ao sul sao inferiores. Soterio, Pedrollo e Andriotti (2005) enfatizam a ocorrencia dos maiores niveis pluviometricos nas regioes do Planalto Meridional e do Alto Vale do Uruguai com indices de 2.130 e 1.900 mm medios anuais, respectivamente, seguido das regioes mais altas do Escudo Rio-grandense com indices superiores a 1.600 mm. De acordo com os mesmos autores, na fronteira com o Uruguai, os niveis pluviometricos sao inferiores a 1.500 mm, mas no litoral sul encontram-se os menores indices, cujos valores nao ultrapassam os 1.400 mm anuais. Os niveis pluviometricos encontrados por Alvares et al. (2013), atribuidos neste processo de classificacao de Holdridge para o estado, evidenciam o pressuposto acima, uma vez que os ambientes de floresta muito umida e as transicoes para floresta umida estao predominantemente alocados na metade norte do estado nas regioes do Planalto Meridional e do Alto Vale do Uruguai, enquanto os ambientes de floresta umida abarcam a metade sul do estado e uma faixa quase continua no extremo norte entremeada dos ambientes de floresta muito umida.

Tres (2016) encontrou, para os estados de Santa Catarina e Parana, zonas de vida predominantemente compostas por florestas umidas e muito umidas e suas respectivas zonas de transicao. Excetuando uma regiao ao norte do Parana, que apresentou a ocorrencia da zona de vida transitoria de floresta umida/ floresta seca subtropical basal, verificou-se uma consonancia entre o Rio Grande do Sul e a regiao sul do Brasil. Isto se deve a um regime de chuvas tipico ao longo do ano que, embora diferenciado dentro do estado, com minimas proximas a 1.300 mm nas regioes mais secas, apresenta uma distribuicao relativamente equilibrada ao longo de todo ano (RIO GRANDE DO SUL, 2013). Sobretudo, o Rio Grande do Sul e o estado do sul com mais zonas de vida classificadas como temperadas, uma vez que grande parte de seu territorio esta abaixo do paralelo 27[degrees]30'. De acordo com Tres (2016), a maior zona de vida da regiao sul e a floresta umida temperada basal, ocupando 40,66% da area total desta regiao, sendo que a maior fatia esta inserida no Rio Grande do Sul. Os tres estados compartilham da maioria das zonas de vida, excetuando-se pelas zonas: floresta muito umida/floresta umida temperada basal e floresta umida temperada basal, encontradas apenas no Rio Grande do Sul; floresta muito umida subtropical basal e floresta muito umida subtropical montana baixa, exclusivas de Santa Catarina e para o Parana, floresta umida/floresta muito umida subtropical basal e floresta umida/floresta seca subtropical basal.

Segundo Becker e Nunes (2012), o estado possui altitudes que chegam a 1.300 m, na porcao nordeste da regiao do Planalto Meridional, decrescendo no sentido leste-oeste ate atingir patamares de 700 m, enquanto na regiao da Depressao Central ocorrem altitudes situadas entre 100 e 200 m. O mesmo ocorre na regiao do Escudo, em que apenas alguns lugares apresentam altitudes que ultrapassam 300 m. Na Planicie Litoranea e na regiao do Baixo Vale do Rio Uruguai, Miranda (2005) menciona a ocorrencia de menores altitudes, variando de 0 a 90 m. Portanto, observa-se que o estado apresenta altitudes diversificadas, mas com topografia variando de forma gradativa e, em sua maioria, abaixo de 1.000 m. Isto refletiu no enquadramento do estado quanto aos pisos altitudinais basais, excetuando-se quatro municipios que apresentaram a classe montano baixo e estao localizados no Planalto Meridional: Severiano de Almeida, Tres Arroios, Erval Grande e Faxinalzinho, cujas altitudes medias sao de aproximadamente 591, 648, 610 e 609 m, respectivamente. Nao obstante, verificaram-se outras altitudes maiores no estado, como a de Sao Jose dos Ausentes, mas nao obtiveram a combinacao de fatores (latitudinal, altitudinal e biotemperatura) para o devido enquadramento fora do piso basal, uma vez que estao inseridos na regiao temperada do estado.

Comparacao entre os sistemas de classificacao de Holdridge e Koppen

Os devidos percentuais de correspondencia no Rio Grande do Sul entre os dois sistemas de classificacao sao apresentados na Tabela 3.

Os resultados indicam quatro zonas de vida com 100% de correspondencia associadas a alguma zona climatica de Koppen e tres que estao acima de 90%. O tipo climatico Cfa agregou tres zonas de vida e zonas de transicao com 100% e duas com correspondencia acima de 90%. Esta tendencia provavelmente se explica pelo fato de 86,3% do estado ser composto por este tipo climatico. Alem disso, verificou-se que o tipo climatico Cfa esta ligado principalmente a classe latitudinal subtropical, excetuando-se duas ocorrencias em latitudes temperadas. Por sua vez, o tipo climatico Cfb, correspondendo a 13,7% da area do estado, abarcou duas zonas de vida e transicoes com correspondencia acima de 90%, sendo que uma delas atingiu 100%. Verificou-se, sobretudo, que estas zonas de vida estao inseridas na classe latitudinal temperada. A zona de vida floresta umida subtropical montano baixo ficou inserida em uma regiao de transicao entre as zonas climaticas Cfa e Cfb, com correspondencia de 52,1 e 47,9%, respectivamente. Logo, o resultado permite inferir que 87,5% das zonas de vida de Holdridge obtiveram correspondencia alta com alguma zona climatica de Koppen.

Comparacao das zonas de vida com a vegetacao

O Rio Grande do Sul possui uma fitogeografia bastante diversificada, passando por densas florestas arboreas traduzidas entre a Floresta Ombrofila Mista (FOM), Floresta Ombrofila Densa (FOD), alem de Florestas Estacionais Deciduas (FED) e Semideciduas (FES) ao norte, nordeste e na regiao central. Verificou-se ainda a ocorrencia de uma mancha de Savana-Estepica (SAV-E), isolada a sudoeste do estado. Sobretudo, grande parte do territorio esta subdividido em vastas regioes de Estepe (EST), que formam o bioma Pampa. De acordo com IBGE (2012), esta fisionomia caracteriza as regioes da campanha gaucha com uma vegetacao herbacea continua. Verificou-se ainda, amplas Areas de Formacoes Pioneiras (AFP) em toda a regiao costeira.

Quando comparadas a classificacao de Holdridge para o estado, notou-se que tres regioes fitogeograficas (FOD, AFP e SAV-E) estao inseridas unicamente na floresta umida temperada basal, com 100% de correspondencia. Entretanto, nao se pode inferir que exista uma correlacao entre esta zona de vida e estas classes de vegetacao, pois se trata de fitogeografias com baixa recorrencia no estado, nao formando mais do que uma unica mancha isolada. Por outro lado, todas as outras regioes fitogeograficas formam um conjunto de manchas distribuidas de maneira quase continua. Isto reflete em uma distribuicao bastante ampla de algumas unidades fitogeograficas, como aconteceu para a FED e FOM, as quais ocorreram sob todas as zonas de vida. A transicao de Estepe e Floresta Estacional (EST/FE) obteve 100% de ocorrencia dentro da zona floresta umida temperada basal e entre a transicao com a floresta muito umida temperada basal. O mesmo ocorreu com a tipologia EST, em que mais de % ocorreram na floresta umida temperada basal, seguido de 1,8% na floresta muito umida temperada basal e 19,5% nas regioes de transicao destas duas zonas de vida (Tabela 4).

CONCLUSAO

O estado mostrou biotemperaturas medias anuais de um clima tipicamente subtropical a temperado de 13,7 a 19,8[degrees]C. O indice pluviometrico tipico resultou em oito zonas de vida com florestas umidas a muito umidas.

Amplas regioes de Estepe, do Pampa gaucho, coincidiram com a zona de vida floresta umida temperada basal, de maior ocorrencia no estado.

O Rio Grande do Sul mostrou-se um estado com altitudes moderadas a baixas, o que refletiu em pisos altitudinais basal em sua maioria, com alguma ocorrencia de pisos montano baixo na regiao do Planalto Meridional.

http://dx.doi.org/10.5902/1980509835337

REFERENCIAS

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Diego Augusto Valerio (1) Andressa Tres (2) Alexandre Franca Tetto (3) Ronaldo Viana Soares (4) William Thomaz Wendling (3)

(1) Graduando em Engenharia Florestal, Universidade Federal do Parana, Departamento de Engenharia Florestal, Av. Prefeito Lothario Meissner, 632, CEP 80210-170, Curitiba (PR), Brasil. diego.valerio.sbs@gmail.com

(2) Engenheira Florestal, MSc., Doutoranda do Programa de Pos-Graduacao em Ciencias Florestais, Departamento de Ciencias Florestais, Universidade Federal do Parana, Av. Prefeito Lothario Meissner, 632, CEP 80210-170, Curitiba (PR), Brasil. tres.andressa@gmail.com

(3) Engenheiro Florestal, Dr., Professor do Departamento de Ciencias Florestais, Universidade Federal do Parana, Av. Prefeito Lothario Meissner, 632, CEP 80210-170, Curitiba (PR), Brasil. tetto@ufpr.br / wendling@ufpr.br

(4) Engenheiro Florestal, PhD., Professor do Departamento de Ciencias Florestais, Universidade Federal do Parana, Av. Prefeito Lothario Meissner, 632, CEP 80210-170, Curitiba (PR). rvsoares@ufpr.br

Recebido para publicacao em 14/08/2017 e aceito em 25/09/2017

Caption: FIGURE 1: Phytogeography map of Rio Grande do Sul state.

FIGURA 1: Mapa fitogeografico do Rio Grande do Sul (Fonte: IBGE (2006), adaptado pelos autores, 2017).

Caption: FIGURE 2: Koppen climate classification map for Rio Grande do Sul state.

FIGURA 2: Mapa de classificacao climatica de Koppen para o Rio Grande do Sul (Fonte: Alvares et al. (2014), adaptado pelos autores, 2017).

FIGURA 2: Mapa de classificacao climatica de Koppen para o Rio Grande do Sul (Fonte: Alvares et al. (2014), adaptado pelos autores, 2017).

Caption: FIGURE 3: Diagram of Holdridge life zone classifications.

FIGURA 3: Diagrama de classificacao das zonas de vida de Holdridge (Fonte: Holdridge (2000), adaptado por Soares, Batista e Tetto, 2015).

Caption: FIGURE 4: Diagram of altitudinal level grounds from Holdridge system.

FIGURA 4: Diagrama dos pisos altitudinais do sistema de Holdridge (Fonte: Soares, Batista e Tetto (2015)).

Caption: FIGURE 5: Flow chart of the procedures accomplished by Foxpro.

FIGURA 5: Fluxograma dos processos realizados pelo software Foxpro.

Caption: FIGURE 6: Map of the yearly average biotemperatures in Rio Grande do Sul state.

FIGURA 6: Mapa de biotemperaturas medias anuais do Rio Grande do Sul.

Caption: FIGURE 7: Map of Holdridge life zones for Rio Grande do Sul state.

FIGURA 7: Mapa das zonas de vida de Holdridge para o Rio Grande do Sul.
TABLE 1: Close estimate range of the latitudinal regions in degrees
according to Holdridge.

TABELA 1: Extensoes aproximadas das regioes latitudinais em graus
segundo Holdridge.

Regioes Latitudinais            Classes de Latitude

Polar                     90[degrees] 00'-67[degrees] 22'
Subpolar                  67[degrees] 22'-64[degrees] 45'
Boreal                    64[degrees] 45'-56[degrees] 30'
Temperada frio            56[degrees] 30'-42[degrees] 00'
Temperada                 42[degrees] 00'-27[degrees] 30'
Subtropical               27[degrees] 30'-13[degrees] 00'
Tropical                  13[degrees] 00'-00[degrees] 00'

FONTE: Holdridge (2000), adaptado por Soares, Batista e Tetto
(2015).

TABLE 2: Percentage of occurrence in life zones in Rio Grande do Sul
state.

TABELA 2: Percentual de ocorrencia das zonas de vida no Rio Grande
do Sul.

Classificacao de Holdridge                                       %

Floresta muito umida temperada basal                            1,7
Floresta muito umida/floresta umida subtropical basal           1,8
Floresta muito umida/floresta umida temperada basal             13,8
Floresta muito umida/floresta umida subtropical montana baixa   0,3
Floresta umida/floresta muito umida temperada basal             8,0
Classificacao de Holdridge                                       %
Floresta umida temperada basal                                  74,0
Floresta umida subtropical basal                                0,3
Floresta umida subtropical montana baixa                        0,1

TABLE 3: Overlap ratio between Holdridge and Koppen classification
systems.

TABELA 3: Percentual de correspondencia entre os sistemas de
classificacao de Holdridge e Koppen.

                                            Classificacao
                                              de Koppen

       Classificacao de Holdridge            Cfa       Cfb

                                              %         %

Floresta umida subtropical basal            100,0      0,0

Floresta muito umida floresta umida         100,0      0,0
subtropical basal

Floresta muito umida/floresta umida         100,0      0,0
subtropical montana baixa

Floresta muito umida temperada basal         0,0      100,0

Floresta umida/floresta muito umida          3,0      97,0
temperada basal

Floresta muito umida floresta umida         98,4       1,6
temperada basal

Floresta umida temperada basal              94,6       5,4

Floresta umida subtropical montana          52,1      47,9
baixa

TABLE 4: Occurrence ratio between Rio Grande do Sul phytogeography
and Holdridge life zones.

TABELA 4: Percentual de ocorrencia entre as fitogeografias do Rio
Grande do Sul e as zonas de vida de Holdridge.

                           Fl. umida/    Fl. muito    Fl. muito
Tipologia     Fl. umida   Fl. m. umida   umida /Fl.     umida
vegetal       temperada    temperada       umida      temperada
                basal        basal       temperada      basal
                                           basal

SAV-E           100,0         0,0           0,0          0,0
EST             78,7          8,0           11,5         1,8
AFP             100,0         0,0           0,0          0,0
FES             98,1          0,4           0,0          1,4
FED             55,1          3,1           30,2         0,2
EST/FE          65,7          0,0           34,3         0,0
FOM             47,4          27,9          12,3         5,2
FOD             100,0         0,0           0,0          0,0

                           Fl. muito    Fl. muito   Fl. umida
Tipologia     Fl. umida    umida/Fl.    umida/Fl.   subtrop.
vegetal       subtrop.       umida        umida      montana
                basal     subtropical   subtrop.      baixa
                             basal       montana
                                          baixa

SAV-E            0,0          0,0          0,0         0,0
EST              0,0          0,0          0,0         0,0
AFP              0,0          0,0          0,0         0,0
FES              0,0          0,0          0,0         0,0
FED              1,4          8,9          0,9         0,1
EST/FE           0,0          0,0          0,0         0,0
FOM              1,2          4,0          1,1         0,9
FOD              0,0          0,0          0,0         0,0

Em que: SAV-E: Savana Estepica; EST: Estepe; AFP: Areas de Formacoes
Pioneiras; FES: Floresta Estacional Semi-decidual; FED: Floresta
Estacional Decidual; EST/FE: Estepe/Floresta Estacional; FOM:
Floresta Ombrofila Mista; FOD: Floresta Ombrofila Densa; Fl.:
Floresta;
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Author:Valerio, Diego Augusto; Tres, Andressa; Tetto, Alexandre Franca; Soares, Ronaldo Viana; Wendling, Wi
Publication:Ciencia Florestal
Date:Oct 1, 2018
Words:4894
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