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Growth of Acacia mangium, Sesbania virgata and Eucalyptus camaldulensis, inoculated with mycorrhizal fungi, under green house conditions and in an area of clay extraction/Crescimento de mudas de Acacia mangium, Sesbania virgata e Eucalytpus camaldulensis, inoculadas com fungos micorrizicos, em casa-de-vegetacao e em cava-de-extracao de argila.

Introducao

A extracao de argila para producao de telhas e tijolos tem assumido grande importancia no contexto socioeconomico, refletindo na geracao de aproximadamente 4.500 empregos diretos e na producao de 3.100.000 pecas por dia. Entretanto, essa atividade provoca a degradacao do solo. Com uma retirada diaria estimada de, aproximadamente, 7.000 [m.sup.3] de solo, a area degradada em Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro, gira em torno de 3.500 m2 [dia.sup.-1], considerando-se a profundidade de exploracao em media de 2 m.

Um dos processos mais viaveis economicamente para recuperacao das cavas e a revegetacao com especies leguminos as que, inoculadas com os microssimbiontes rizobio e micorrizas, conseguem se estabelecer nessas areas (FRANCO; FARIA, 1997).

No caso especifico das areas de extracao de argila, existe, por parte dos ceramistas, resistencia ao plantio dessas leguminosas por temerem repressao dos orgaos ambientais no momento em que acharem conveniente o corte das especies para utilizacao da madeira. O mesmo nao ocorre com o eucalipto e sua madeira e retirada normalmente para que possa ser utilizada como combustivel na 'queima' das pecas no processo de fabricacao das ceramicas. Porem, seu crescimento e desenvolvimento, nessas areas, nao tem sido satisfatorios quando comparados a plantios comerciais com as mesmas especies em outros Estados. Como alternativa se sugere o plantio do eucalipto em consorcio com leguminosas arboreas fixadoras de N2 atmosferico e fungos micorrizicos arbusculares (FMAs), com o objetivo de se minimizar os possiveis problemas de deficiencia e/ou utilizacao de nutrientes do solo, principalmente N e P.

A obtencao de mudas de especies florestais com alta qualidade morfofisiologica, produzidas a baixo custo, e um dos fatores mais importante para o sucesso do futuro povoamento florestal. Nesse ponto, os FMAs podem ter efeito positivo, uma vez que apresentam capacidade de aumentar a absorcao de nutrientes, principalmente aqueles de baixa mobilidade no solo, como o P (NOGUEIRA; CARDOSO, 2000), e ainda conseguem reter, no micelio, elementos que se encontram em niveis toxicos (SOARES et al., 2007).

Este trabalho teve como objetivos avaliar os efeitos dos FMAs no crescimento das mudas de acacia (Acacia mangium Willd.), sesbania (Sesbania virgata (Cav.) Pers.) e eucalipto (Eucalyptus camaldulensis Dehnh.), em casa-devegetacao, bem como avaliar a taxa de sobrevivencia e o comportamento dessas especies em funcao do cultivo (monocultivo e/ou consorcio) e da inoculacao ou nao com os FMAs, em uma area degradada pela extracao de argila.

Material e metodos

Casa-de-vegetacao

O experimento foi realizado em casa-devegetacao da Universidade Estadual do Norte Fluminense-UENF, em Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro, em delineamento inteiramente casualizado, com os tratamentos com e sem inoculacao com os FMAs.

Foram utilizados FMAs nativos isolados de areas degradadas pela extracao de argila, sendo identificadas as seguintes especies: Glomus macrocarpum, Glomus etunicatum e Entrophospora colombiana.

Para a producao das mudas de leguminosas e eucalipto foram utilizados tubetes com volume de 250 e 50 mL, respectivamente.

O substrato utilizado nos tubetes foi o Mac Plant florestal, cuja analise quimica apresentou os seguintes resultados: pH ([H.sub.2]O; 1:2,5), 6,6; P (Mehlich-1), 3540 mg [dm.sup.-3]; P ([H.sub.2]O), 73 mg [dm.sup.-3]; K, 742 mg [dm.sup.-3]; Ca, 151 [mmol.sub.c] [dm.sup.-3]; Mg, 63 [mmol.sub.c] [dm.sup.-3]; Al, 0,0 [mmol.sub.c] [dm.sup.-3]; H total, 29 [mmol.sub.c] [dm.sup.-3]; Na, 4,9 [mmol.sub.c] [dm.sup.-3]; C, 82,8 g [kg.sup.-1]; N total, 12,8 g [kg.sup.-1].

As sementes de acacia (provenientes da Embrapa Agrobiologia, Seropedica, Estado do Rio de Janeiro) e de sesbania (coletadas de planta matriz localizada em Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro) foram submetidas a quebra de dormencia por intermedio de imersao em acido sulfurico concentrado (RODRIGUES et al., 2008) por um periodo de 20 min, sendo, a seguir, lavadas com agua corrente destilada. As sementes de eucalipto foram procedentes do Instituto de Pesquisas Florestais (IPEF), de Piracicaba, Estado de Sao Paulo.

No tratamento com FMAs a inoculacao foi realizada no momento da semeadura nos tubetes, tendo, como inoculo, 5 mLde uma mistura de solo, raizes colonizadas e esporos do fungo (cerca de 120 esporos de Glomus macrocarpum, 100 de Glomus etunicatum e 80 de Entrophospora colombiana). No caso das leguminosas, essas foram tambem inoculadas com estirpes selecionadas de rizobio (acacia Br 3609 e Br 6009 e sesbania Br 5401), da colecao pertencente a Embrapa Agrobiologia.

O crescimento das leguminosas e o do eucalipto foram avaliados com medicoes periodicas de altura e diametro do colo e, aos 120 (leguminosas) e 150 (eucalipto) dias apos a semeadura (DAS), as plantas de cada tratamento foram coletadas e o sistema radicular foi separado da parte aerea para determinacao da colonizacao micorrizica e nodulacao por rizobio (numero de nodulos). Apos lavagem com agua de torneira, amostras de 2 cm de comprimento das raizes foram coletadas e conservadas em alcool a 50 % para posterior determinacao da colonizacao pelo metodo da intersecao em placa de Petri reticulada (GIOVANNETTI; MOSSE, 1980), apos a coloracao das raizes com azul de metila (KOSKE; GEMMA, 1989; GRACE; STRIBLEY, 1991). A parte aerea e o restante do sistema radicular foram colocados para secar em estufa de circulacao forcada de ar a 65[degrees]C, ate peso constante.

Os dados obtidos foram submetidos a analise de variancia e as medias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Plantio na cava-de-extracao de argila

Aos 120 e 150 DAS, em casa-de-vegetacao, as mudas das leguminosas e do eucalipto, respectivamente, foram plantadas em cava-de-extracao de argila no delineamento experimental blocos casualizados em esquema fatorial 6 x 2, sendo os fatores: 6 (A. mangium, S. virgata, E. camaldulensis, A. mangium x S. virgata, A. mangium x E. camaldulensis e S. virgata x E. camaldulensis) e 2 (com e sem FMAs), totalizando 12 tratamentos, com quatro repeticoes.

Antes do plantio e preparo da area foram coletadas amostras do substrato da cava na profundidade de 0,00-0,20 m, cuja analise quimica apresentou os seguintes resultados: pH ([H.sub.2]O; 1:2,5), 5,7; P (Mehlich-1), 7,7 mg [dm.sup.-3]; K, 81,2 mg [dm.sup.-3]; Ca, 3,65 [cmol.sub.c] [dm.sup.-3]; Mg, 2,87 [cmol.sub.c] [dm.sup.-3]; Al, 0,18 [cmol.sub.c] [dm.sup.-3]; H+Al, 3,4 [cmol.sub.c] [dm.sup.-3]; Na, 0,87 [cmol.sub.c] [dm.sup.-3]; C, 11,4 g [kg.sup.-1]; M.O, 19,65 g [kg.sup.-1]; S.B, 7,6 [cmol.sub.c] [dm.sup.-3]; T, 11,0 [cmol.sub.c] [dm.sup.-3]; t, 7,78 [cmol.sub.c] [dm.sup.-3]; m, 2,75%; V, 68,25%; Fe, 103,75 mg [dm.sup.-3]; Cu, 2,30 mg [dm.sup.-3]; Zn, 2,30 mg [dm.sup.-3] e Mn, 26,68 mg [dm.sup.-3].

No preparo da area foram realizadas uma aracao e duas gradagens para posterior abertura dos sulcos espacados por 3 m. A seguir, nos sulcos, foram abertas as covas com dimensoes de 0,30 x 0,30 x 0,30 m e espacamento de 2 m.

Em cada bloco, cada tratamento foi constituido por 16 plantas, plantadas no espacamento de 3x2 m. Nos tratamentos consorciados, as linhas foram alternadas com o plantio das especies. Dentro de cada bloco, cada tratamento foi isolado dos demais pelo plantio de bordadura, constituida por duas linhas de plantas de eucalipto sem nenhum tratamento microbiologico ou adubacao.

Aos 30 dias apos o plantio no campo (DAPC), foi realizada a avaliacao da determinacao do percentual de sobrevivencia, aos 45, 80, 120, 220 e 600 DAPC, foram realizadas medicoes de altura e, aos 45, 80, 120 e 220 DAPC, foram realizadas medicoes de diametro do colo das plantas.

Para cada epoca de avaliacao, os dados obtidos foram submetidos a analise de variancia e as medias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Resultados e discussao

Casa-de-vegetacao

A altura e o diametro a altura do colo das mudas de acacia, sesbania e eucalipto encontramse no Tabela 1. Mudas de acacia, inoculadas com FMAs, apresentaram incrementos na altura de 48,2; 21,5 e 6,2% aos 35, 75 e 98 DAS, respectivamente, em relacao as nao-inoculadas. De forma semelhante, porem em menor magnitude, mudas de sesbania, inoculadas com FMAs, apresentaram maior altura em relacao as nao-inoculadas, com incrementos de 11,1 e 6,2% aos 35 e 75 DAS, respectivamente. Para ambas as especies de leguminosas, o efeito dos FMAs ocorreu nos primeiros 75 DAS, igualando-se aos das mudas nao-inoculadas aos 98 DAS. Por outro lado, o efeito da inoculacao com FMAs sobre a altura das mudas de eucalipto persistiu durante toda a fase de producao de mudas, sendo os incrementos de 40,2; 13,2 e 16,5% aos 70, 110 e 133 DAS, respectivamente, em relacao as nao-inoculadas. Quanto ao diametro a altura do colo, apenas mudas de acacia, aos 75 DAS, e eucalipto, aos 133 DAS, inoculadas com FMAs, foram superiores em relacao as nao-inoculadas.

A producao de materia seca da parte aerea, materia seca das raizes, materia seca de toda a planta, o numero de nodulos e a colonizacao micorrizica sao apresentados na Tabela 2. Para mudas de acacia o efeito dos FMAs ocorreu acentuadamente no acumulo de materia seca da parte aerea, com incrementos de 49,6% em relacao as nao-inoculadas. Por outro lado, para sesbania, alem do incremento de 51,8% de materia seca da parte aerea, a inoculacao com FMAs tambem proporcionou incrementos de 83,2% na materia seca acumulada nas raizes. Por conseguinte, a inoculacao com FMAs refletiu sobre a materia seca acumulada em toda a planta (incrementos de 58,5%). Ao contrario das especies leguminosas, mudas de eucalipto, inoculadas com FMAs, apresentaram menor acumulo de materia seca da parte aerea, raizes e em toda a planta.

As raizes das mudas de acacia, sesbania e eucalipto apresentaram elevada porcentagem de colonizacao micorrizica, sendo de 79, 85 e 80%, respectivamente. Essa elevada porcentagem de colonizacao proporcionou, especificamente para as mudas de sesbania, aumento no numero de nodulos, incremento de 120%.

No tratamento sem inoculacao com FMAs, foi observada presenca de estruturas desses simbiontes nas raizes das mudas. Essa pequena percentagem de colonizacao (< 13%) pode ser explicada pelo fato de o substrato utilizado nao ter sido esterilizado ou pela presenca de propagulos na agua de irrigacao utilizada durante o periodo de conducao do experimento.

Neste estudo, as mudas das leguminosas apresentaram boa nodulacao. Porem, apenas para a sesbania, verificou-se aumento do numero de nodulos em funcao da inoculacao com os FMAs (em torno de 120%). Possivelmente, a acacia, ao contrario da sesbania, apresente menor exigencia em relacao a P, ou o teor de P (3540 mg [dm.sup.-3]) encontrado no substrato utilizado para producao das mudas tenha sido suficiente para promover eficaz nodulacao da acacia, nao sendo verificado efeito dos FMAs.

O fator mais importante na simbiose micorrizica e a disponibilidade de P no solo. Andrade et al. (2005) observaram que o incremento de P proporcionou reducao do micelio extracelular, podendo gerar menores beneficios ao hospedeiro. Por outro lado, Neumann e George (2005) verificaram comportamento oposto. Tais contradicoes podem estar relacionadas com a planta hospedeira, com o endofito ou as devidas condicoes ambientais. Schiavo e Martins (2003), em trabalho com producao de mudas de Acacia mangium Willd, em substrato proveniente da industria acucareira (torta de filtro), com elevado teor de P, observaram efeito positivo da inoculacao dos FMAs sobre a nodulacao e o crescimento das plantas.

No caso do eucalipto, os FMAs proporcionaram maior altura e diametro do colo, porem o mesmo nao foi verificado para a materia seca das mudas. Rodrigues et al. (2003), trabalhando com E. grandis, observaram efeito positivo da inoculacao com os FMAs. Essa divergencia de resposta em funcao da inoculacao com FMAs reforca a hipotese sobre a existencia de variacao na dependencia micorrizica entre especies (PLENCHETTE et al., 1983). Outra hipotese e que pode ter ocorrido competicao por fotoassimilados entre os FMAs e a planta hospedeira de eucalipto, ou seja, o micelio fungico extracelular funciona como dreno consumindo quantidades significativas de carbono (BUWALDA; GOH, 1982), que, segundo Van Veen et al. (1989), pode chegar a 30% do carbono fotoassimilado pela planta hospedeira.

Plantio na cava-de-extracao de argila

Independente da inoculacao com os FMAs e do cultivo, as tres especies apresentaram elevada percentagem de sobrevivencia (> 80%), 30 dias apos plantio no campo (DAPC), na area degradada pela extracao de argila (Figura 1), sendo que a sobrevivencia das plantas de acacia em monocultivo e em consorcio com sesbania foram semelhantes (> 90%) e maiores, quando comparadas a da acacia em consorcio com eucalipto (Figura 1A).

Ainda, verificou-se que plantas de acacia em consorcio com eucalipto e inoculadas com FMAs apresentaram maior sobrevivencia (13,7%) em relacao as nao-inoculadas. Plantas de sesbania em monocultivo apresentaram 100% de sobrevivencia tanto com como sem os FMAs (Figura 1B). Porem, quando em consorcio com acacia e eucalipto, foram observados decrescimos que variaram de 6,4 a 4,7%, respectivamente. Plantas de eucalipto em monocultivo, ao contrario da acacia e sesbania, apresentaram os menores percentuais de sobrevivencia, quando comparados aos dos consorcios (Figura 1C). Os aumentos de percentuais de sobrevivencia, em consorcio com acacia e sesbania, variaram de 7 a 3%, respectivamente.

Para as variaveis analisadas, altura e diametro do colo, apenas foram observados efeitos significativos para o fator isolado inoculacao com os FMAs.

Os valores medios de altura e diametro do colo das tres especies, em funcao do cultivo (monocultivo e/ou consorcio), sao apresentados na Figura 2. As plantas de acacia apresentaram crescimento inicial reduzido, nao ultrapassando 2 m de altura e 10 mm de diametro do colo, aos 220 e 120 DAPC, respectivamente (Figuras 2A e B). No entanto, apos esse periodo de avaliacao, o crescimento foi acelerado, e as plantas atingiram 6 m de altura e 25 mm de diametro do colo aos 600 e 220 DAPC, respectivamente. As plantas de sesbania, em relacao as de acacia e eucalipto, apresentaram crescimento inicial acelerado, ate aos 220 e 120 DAPC para altura e diametro do colo, respectivamente (Figuras 2C e D).

[FIGURE 2 OMITTED]

Apos esse periodo, ao contrario da acacia e do eucalipto, poucos incrementos de altura e diametro do colo foram observados. O comportamento do eucalipto foi semelhante ao da acacia, com altura de 6m e diametro do colo de 25 mm, aos 600 e 220 DAPC, respectivamente (Figuras 2E e F).

Na Figura 3 sao apresentados os valores de altura e diametro do colo em funcao da inoculacao com os FMAs, na fase de producao das mudas. Plantas de acacia, inoculadas com os FMAs, aos 45 DAPC, para altura e diametro colo, e, aos 220 DAPC para diametro do colo, foram estatisticamente maiores, comparadas as nao-inoculadas (Figuras 3A e B). Nas demais medicoes nao se observaram diferencas entre os tratamentos de inoculacao com os FMAs. As plantas de sesbania e eucalipto, em relacao a inoculacao com os FMAs, apresentaram comportamento semelhante (Figuras 3C, D, E e F). Em relacao as plantas nao-inoculadas, sesbania inoculada com FMAs apresentou menor altura e diametro do colo aos 80 e 120 DAPC (Figuras 3C e D), e o eucalipto inoculado com FMAs menores, altura aos 220 e 600 DAPC e diametro do colo aos 120 e 220 DAPC (Figuras 3E e F).

[FIGURE 3 OMITTED]

Alguns trabalhos tem indicado o potencial de uso de leguminosas arboreas fixadoras de N em consorcio com especies nao-fixadoras. Bauhus et al. (2000) verificaram que, aos 6,5 anos apos o plantio em consorcio de Acacia mangium com Eucalyptus globulus na proporcao 1:1, as especies produziram 48 [m.sup.3] [ha.sup.-1] de madeira, 28 e 10 [m.sup.3] [ha.sup.-1] a mais, comparados aos produzidos pelo monocultivo do eucalipto e acacia, respectivamente. Ainda, os mesmos autores verificaram que as raizes de eucalipto em consorcio com acacia (1:1) apresentaram maiores teores de N, sendo provavelmente oriundos da FBN, por meio da senescencia dos nodulos e das raizes da leguminosa, posteriormente absorvidos pelo eucalipto, ou pela transferencia direta entre as especies via hifas dos FMAs como observado por Rodrigues et al. (2003) em plantas de sesbania e eucalipto.

No plantio em consorcio, pode ocorrer competicao entre as especies, sendo essa avaliada por meio da relacao entre a altura e o diametro do peito (H/DAP), refletindo na alocacao de carbono para o crescimento do dossel (altura), para maior absorcao de luz a ser utilizada na fotossintese. Bauhus et al. (2000) verificaram maior competitividade do E. globulus em relacao a A. mearnsii, quando consorciadas. Baixos teores nutricionais, principalmente de P, encontrados nos substratos de areas degradadas, podem tornar essa competicao ainda mais acentuada. Normalmente em plantios de leguminosas para revegetacao de areas degradadas tem sido utilizada a aplicacao de fosfatos naturais, com solubilidade e absorcao facilitada pela presenca dos FMAs, proporcionando aumento da FBN como observado por Pralon e Martins (2001).

Outro fator que pode afetar o crescimento e a competicao entre as especies e a presenca de propagulos de FMAs nativos mais adaptados presentes na area que tendem a se associarem mais facilmente com as plantas nao-inoculadas, proporcionando maiores beneficios, como observado no presente trabalho em plantas de eucalipto e sesbania em alguns periodos de avaliacao. Pralon e Martins (2001) observaram que a inoculacao com FMAs nativos da cava-de-extracao de argila proporcionou maior colonizacao e crescimento nas plantas de sabia cultivadas em esteril de argila, em comparacao com o FMA Glomus clarum. Pouyu-Rojas e Siqueira (2000), em trabalho com amplo numero de especies arboreas (acoita-cavalo, cassiaverrugosa, colvilea, embauba, fedegoso, sesbania e tamboril), verificaram beneficios da inoculacao com FMAs nos crescimentos das plantas apos transplantio em solo degradado.

Neste estudo nao foi observado efeito do tipo de cultivo (monocultivo e/ou consorcio), no crescimento das plantas, muito provavelmente pelo fato de o experimento encontrar-se em fase inicial, nao se exaltando as competicoes e/ou beneficios entre as especies. Mesmo assim, devese ressaltar a importancia da continuidade do trabalho, objetivando verificar a influencia das leguminosas sobre o desempenho do eucalipto, bem como sobre as propriedades quimicas, fisicas e microbiologicas do solo.

Conclusao

Na fase de casa-de-vegetacao, os FMAs proporcionaram maior crescimento das mudas, contribuindo para sua qualidade e podendo ser incorporados ao processo de producao das mesmas.

Na cava-de-extracao de argila, as especies apresentaram elevada sobrevivencia e rapido crescimento, principalmente acacia e eucalipto.

Ate a data de avaliacao do experimento nao foi observada influencia das leguminosas sobre o crescimento das plantas de eucalipto.

DOI: 10.4025/actasciagron.v32i1.7309

Received on July 5, 2007.

Accepted on March 24, 2008.

Referencias

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Jolimar Antonio Schiavo (1) *, Marco Antonio Martins (2) e Luciana Aparecida Rodrigues (3)

(1) Departamento de Ciencia do Solo, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Rod. Aquidauana, km 12, 79200-000, Aquidauana, Mato Grosso do Sul, Brasil. (2) Departamento de Ciencia do Solo, Universidade Estadual do Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil. (3) Instituto Superior de Tecnologia, Fundacao de Apoio a Escola Tecnica do Estado do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil. * Autor para correspondencia: E-mail: schiavo@uems.br
Tabela 1. Altura e diametro do colo de mudas de Acacia mangium,
Sesbania virgata e Eucalyptus camaldulensis, inoculadas ou nao
com FMAs, produzidas em casa-de-vegetacao. DAS--dias apos a
semeadura.

Variaveis DAS Acacia Sesbania

 +FMAs -FMAs +FMAs -FMAs

 35 5,96 a 4,02 b 23,10 a 20,80 b
Altura (cm) 75 24,30 a 20,00 b 34,00 a 32,00 b
 98 29,90 a 28,15 a 37,20 a 37,00 a
Diametro (mm) 75 3,05 a 2,59 b 3,73 a 3,54 a
 95 3,35 a 3,06 a 3,80 a 3,44 a

Variaveis DAS Eucalipto

 +FMAs -FMAs

 70 15,00 a 10,70 b
Altura (cm) 110 18,10 a 16,00 b
 133 31,75 a 27,25 b
Diametro (mm) 110 2,65 a 2,30 a
 133 3,35 a 3,01 b

Medias seguidas pela mesma letra nao diferem entre si pelo teste
de Tukey, a 5% de probabilidade.

Tabela 2. Peso da materia seca da parte aerea (MSA), das
raizes (MSR), da planta toda (MST), numero de nodulos e
colonizacao micorrizica de mudas de Acacia mangium, Sesbania
virgata e Eucalyptus camaldulensis, inoculadas ou nao com
FMAs, produzidas em casa-de-vegetacao.

Variaveis Acacia Sesbania

 + FMAs - FMAs + FMAs - FMAs

MSA (g) 5,88 a 3,93 b 6,47 a 4,26 b
MSR (g) 1,79 a 1,52 a 1,94 a 1,06 b
MST (g) 7,67 a 5,45 a 8,41 a 5,32 b
No de nodulos 69,40 a 78,60 a 104,20 a 47,40 b
Colonizacao (%) 79,20 a 11,60 b 85,60 a 9,36 b

Variaveis Eucalipto

 + FMAs - FMAs

MSA (g) 2,74 b 3,90 a
MSR (g) 0,80 b 1,40 a
MST (g) 3,55 b 5,30 a
No de nodulos -- --
Colonizacao (%) 80,60 a 12,60 b

Medias seguidas pela mesma letra nao diferem entre si,
pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.

Figura 1. Taxa de sobrevivencia de mudas de Acacia
mangium (A), Sesbania virgata (B) e Eucalyptus
camaldulensis (C), em monocultivo ou em consorcio,
inoculadas ou nao com FMAs, 30 dias apos plantio
em cavas-de-extracao de argila.

(A) Sobrevivencia (%)

 +FMAs -FMAs

monocultivo 96 95,5

com sesbania 95,5 95,5

com eucalipto 95,5 84

(B) Sobrevivencia (%)

 +FMAs -FMAs

monocultivo 100 100

com acacia 94 95,5

com eucalipto 95,5 98,5

(C) Sobrevivencia (%)

 +FMAs -FMAs

monocultivo 93,5 95,5

com acacia 100 97

com sesbania 97 98,5

Note: Table made from bar graph.
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Author:Schiavo, Jolimar Antonio; Martins, Marco Antonio; Rodrigues, Luciana Aparecida
Publication:Acta Scientiarum. Agronomy (UEM)
Date:Jan 1, 2010
Words:4202
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