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Growth and production of basil in NFT hydroponic system under salinity/Crescimento e producao de manjericao em sistema hidroponico NFT sob salinidade.

INTRODUCAO

E crescente o numero de pesquisas que tratam da viabilidade tecnica da hidroponia como sistema de producao condizente com o uso de aguas salobras (Paulus et al., 2010; Santos et al., 2010; Soares et al., 2010; Alves et al., 2011; Dantas, 2012; Maciel et al., 2012). Como discutido por Soares et al. (2010), o aproveitamento de aguas salobras e buscado como forma de mitigar o problema da escassez de agua de boa qualidade para irrigacao, situacao caracteristica da regiao semiarida do Brasil, na qual a falta de agua superficial pode ser parcialmente superada pela exploracao de aguas subterraneas, que apresentam, por razoes hidrogeologicas, elevados teores de sais. Assim, estudos relacionados ao aproveitamento dessas aguas como insumo para hidroponia podem resultar em grande impacto social.

A maioria dos estudos conduzidos em hidroponia com aguas salobras no Brasil tem focado em hortalicas folhosas como rucula, agriao e sobretudo alface, o que e compreensivel ja que no pais essas culturas sao majoritarias no cultivo hidroponico (Paulus et al., 2010; Santos et al., 2010; Soares et al., 2010; Alves et al., 2011). Por outro lado, outras culturas sao estrategicas para a diversificacao do cultivo hidroponico como manjericao, hortela, espinafre, entre outras, para atender a um numero cada vez maior de consumidores interessados.

Diferente de outras culturas mais estudadas, nao se tem, para o manjericao, compendios de informacoes consolidadas sobre sua resposta e tolerancia a salinidade. Por outro lado, sao muitos os trabalhos difusos que tratam dessa cultura em condicoes salinas, apresentando caracteristicas tais como tolerancia a salinidade na germinacao, eficiencia na compartimentalizacao de sodio nas celulas foliares (inclusoras de sodio), influencia positiva sobre a producao e qualidade de oleo essencial, apesar da reducao da producao de material fresco (Ramin, 2006; Attia et al., 2009; Bernstein et al., 2010).

A cultura do manjericao tem multiplos usos, servindo para fins culinarios, medicinais, ornamentais e para a extracao de oleo essencial, sendo valorizada nas industrias alimenticias, para aromatizacao de alimentos e bebidas, de perfumaria e de farmacos, apresentando, ainda, capacidade inseticida, acaricida, bactericida, biorremediadora em solos afetados por pesticidas, alem de atuar com grande potencial de prevenir carcinogenese na atividade antioxidante, no tratamento contra acnes e como fonte de fibra na alimentacao, atraves das sementes (Mathews et al., 1993; Umerie et al., 1998; Bertolucci et al., 2008; Costa et al., 2009; Matiz et al., 2011; Ramirez-Sandoval et al., 2011; Thirugnanasampandan & Jayakumar, 2011; Santos et al., 2012).

Neste trabalho, objetivou-se avaliar a viabilidade tecnica da producao hidroponica do manjericao em sistema hidroponico NFT considerando-se diferentes niveis de salinidade da solucao nutritiva, preparadas em aguas salinizadas por NaCl, a partir de uma agua de boa qualidade. Alem disso, sob a hipotese de que o rejeito salino deve proporcionar maior producao decorrente da presenca de outros ions na sua composicao, comparou-se duas solucoes isosmoticas, sendo uma oriunda de agua salinizada e outra de agua salobra obtida em poco.

MATERIAL E METODOS

A pesquisa foi conduzida no Reconcavo Baiano, no periodo de cinco de outubro a vinte e tres de novembro de 2012, na cidade de Cruz das Almas--BA. Conforme Almeida (1999), o clima local e tropical quente umido, tipo Aw a Am na classificacao de Koppen, com medias anuais de precipitacao pluvial, temperatura e umidade relativa de 1.224 mm, 24,5 [degrees]C e 80%, respectivamente. As temperaturas do ar na altura das plantas e da solucao nutritiva foram monitoradas a cada 15 min com o auxilio de sensores de termopar (fios de cobreconstantan) e registradas em datalogger CR 1000.

O experimento foi desenvolvido em casa de vegetacao (12[degrees]40'19" de latitude Sul, 39[degrees]06'23" de longitude Oeste e altitude media de 220 m) do tipo geminada em dois arcos, instalada no sentido leste-oeste com 14 m de largura por 32 m de comprimento, pe-direito de 4 m, ficando com altura maxima de 5,5 m. O ambiente e protegido por tela tipo clarite nas laterais, por um filme plastico (anti UV, 150 nm) instalado no teto e tambem por uma manta termorrefletora (aluminet 50%) instalada internamente a altura do pe-direito.

A estrutura experimental empregada consistiu de 72 unidades hidroponicas que, individualmente, representam um sistema NFT independente, conforme descricao apresentada por Soares et al. (2009) e adotada em outros trabalhos (Paulus et al., 2010; Santos et al., 2010; Alves et al., 2011; Maciel et al., 2012). Neste caso especifico, a parcela experimental foi composta por duas unidades hidroponicas, sustentadas sobre a mesma trave, e os perfis foram instalados a uma altura de 1,0 m da superficie do solo com inclinacao de 4%. Em cada perfil foram cultivadas oito plantas de manjericao, sendo a estrutura experimental composta por 36 parcelas com 16 plantas uteis cada.

Os tratamentos consistiram de agua doce, aguas salobras produzidas artificialmente com NaCl e rejeito da dessalinizacao de uma agua subterranea salobra. Os tratamentos foram aleatorizados nas 36 parcelas em seis blocos utilizando-se uma repeticao por bloco. Foram avaliados quatro niveis de salinidade da agua, produzidos por NaCl (com 99,45 a 99,9% de pureza). Os valores observados de CEa foram de 1,45; 3,80; 6,08 e 8,48 dS [m.sup.-1], os quais proporcionaram solucoes nutritivas com CE inicial de 3,42; 5,66; 7,89 e 10,22 dS [m.sup.-1], respectivamente. A agua doce (Testemunha--T1) com salinidade de 0,29 dS [m.sup.-1] proporcionou solucao nutritiva com CE de 2,31 dS [m.sup.-1] (Tabela 1). As aguas salobras artificiais constituiram tratamentos quantitativos.

A agua salobra de origem subterranea (T6) foi preparada pela mistura de agua doce e rejeito da dessalinizacao obtido de um dessalinizador por osmose reversa instalado em um poco tubular profundo do municipio de Santa Barbara (11[degrees] 59' 00" de latitude Sul, 38[degrees] 59' 00" de longitude Oeste, 293 m), localizado no Semiarido Baiano. A mistura foi produzida visando atingir a mesma CESol obtida com o tratamento mais salino produzido com NaCl, qual seja, 10 dS [m.sup.-1] (Tabela 1), permitindo o contraste das duas aguas em termos do efeito integrado de suas constituicoes quimicas em relacao ao tratamento controle.

As mudas de manjericao (Ocimum basilicum L.) utilizadas no experimento foram propagadas por estaquia em celulas de espuma fenolica (2 x 2 x 2 cm) a partir de plantas matrizes do projeto ERVAS (Programa Ervanarios do Reconcavo de Valorizacao da Agroecologia Familiar e da Saude) da UFRB. Em seguida foram mantidas em bercario NFT durante 22 dias ate o transplantio para a estrutura definitiva.

As plantas foram cultivadas no espacamento de 0,30 por 0,5 m. A solucao nutritiva utilizada tanto para a fase do bercario quanto para a fase experimental de cultivo foi a mesma e baseada na formulacao de Furlani (1998), a qual e indicada para hortalicas folhosas. Com o auxilio de um temporizador digital foi adotada, durante todo o experimento, uma programacao de irrigacoes de 5 min a cada 15 min, no periodo das 06 as 19 h; a noite, o turno de rega foi de 2 h.

Antes do preparo da solucao nutritiva corrigiu-se o pH da agua salobra de origem subterranea, obtida no municipio de Santa Barbara--BA. O pH da solucao nutritiva foi monitorado regularmente (a cada tres dias) e seu controle foi efetuado sempre que necessario, com hidroxido de potassio ou acido fosforico visando manter a solucao nutritiva na faixa de 5,5 a 6,5 de pH. A condutividade eletrica da solucao (CESol) em cada unidade hidroponica tambem foi monitorada regularmente a cada tres dias com um condutivimetro de bancada, porem nao foi feita reposicao dos nutrientes consumidos; ate os 10 DAT a reposicao das perdas por evapotranspiracao foi feita com solucao nutritiva; posteriormente, foi conduzida com as mesmas aguas (doce ou salobras) caracteristicas dos tratamentos.

Foram avaliados, neste estudo, tres tipos de variaveis: de crescimento, de producao e morfofisiologicas. As variaveis de crescimento foram baseadas no monitoramento do crescimento das plantas, com medidas da altura de planta (da regiao do colo ate a ponta da folha mais alta) ao longo do ciclo (aos 3, 13, 23, 33 e 49 DAT) e com determinacao de suas taxas de crescimento relativo. As variaveis de producao foram realizadas ao final do ciclo (49 DAT) analisando-se massa de materia fresca da parte aerea (MFPA), massa de materia seca da parte aerea (MSPA), massa de materia seca total (MST), produtividade relativa por tratamento em relacao a testemunha (PR) e massa seca de raizes (MSR). A MSR foi aqui incluida como variavel de producao considerando que a hidroponia permite a recuperacao de raizes do manjericao, que tem valor comercial para producao do acido rosmarinico (Kiferle et al. 2011). A relacao entre as massas de materia seca da raiz e da parte aerea (rR/PA) e o teor de agua da parte aerea (U) foram as variaveis morfofisiologicas tambem avaliadas.

Cada planta foi cortada na regiao do colo, pesada em balanca semianalitica (precisao de 0,01 g) e levada em saco de papel para secagem em estufa de circulacao forcada de ar a 45[degrees]C, por aproximadamente 14 dias, ate atingir peso constante. As raizes foram retiradas do perfil hidroponico e deixadas na propria casa de vegetacao para pre-secagem; posteriormente, foram ensacadas e levadas a estufa de ventilacao forcada a 45[degrees]C ate alcancar massa constante. Obteve-se o peso individual do sistema radicular de cada planta pela divisao do peso total de raizes de cada perfil hidroponico pelo numero de plantas.

Os dados foram avaliados mediante analise de variancia e analise de regressao para os niveis crescentes de salinidade (produzidas pela adicao de NaCl). Empregou-se o teste de media (Tukey a 0,05 de significancia) para os tratamentos qualitativos: rejeito da dessalinizacao (T6) e agua salobra de maior salinidade (T5). Para as variaveis cuja resposta a salinidade da agua foi definida por uma equacao de primeiro grau, estimou-se a reducao linear relativa com base na razao entre os coeficientes angular e linear da funcao ajustada. Os dados das variaveis de interesse foram tabulados e previamente processados no Microsoft Excel 2007, sendo a analise estatistica executada no programa estatistico SISVAR (Ferreira, 2011).

RESULTADOS E DISCUSSAO

As plantas de manjericao foram colhidas no inicio da floracao, aos 49 DAT, com altura entre 0,46 e 0,55 m (Figura 1). Blank et al. (2012) cultivaram diferentes genotipos de Ocimum em solo em dois periodos de 180 dias e obtiveram altura de plantas variando de 0,46 a 0,80 m. Silva (2012), em experimento com manjericao de mesma matriz genetica que a do presente experimento porem cultivado com substrato em vasos de 5 L, registrou altura de planta de manjericao de ate 0,50 m mas aos 60 DAT. Esses ultimos dados, obtidos para o mesmo genotipo, podem demonstrar maior precocidade do manjericao na hidroponia em relacao ao seu porte. Tambem em hidroponia, mas com diferente variedade de manjericao, Carrasco et al. (2007) obtiveram, no Chile, altura de plantas entre 0,34 e 0,39 m submetidas a diferentes condutividades eletricas da solucao nutritiva, por concentracao de sais fertilizantes.

No presente experimento, como dentro do esperado, ocorreu uma reducao de 0,0117 m de altura de planta por unidade de CE da agua (dS [m.sup.-1]), aos 49 DAT (Figura 1). Bernstein et al. (2010) afirmaram, apos desenvolverem pesquisa hidroponica em Israel sobre o estresse salino em plantas de manjericao cv. Perrie, que o desenvolvimento morfologico das plantas foi limitado pela salinidade da agua, encontrando-se, aos 25 DAT, uma reducao que pode ser estimada em 0,0138 m de altura de planta por aumento unitario (dS [m.sup.-1]) na condutividade eletrica da agua.

A altura de planta aos 3 DAT nao apresentou diferenca media significativa com o incremento da salinidade da agua, com media de 0,217 m e coeficiente de variacao de 3,26% (Figura 1). A reducao percentual de altura do manjericao em funcao da CEa foi detectada so a partir da avaliacao aos 13 DAT. As alturas de plantas analisadas aos 13, 23, 33 e 49 DAT reduziram linearmente em funcao do aumento da salinidade da agua, apresentando reducoes de 1,29; 1,49; 1,67 e 2,09% por acrescimo unitario de salinidade em dS [m.sup.-1], e coeficiente de variacao em torno de 3,50%.

Quanto aos tratamentos qualitativos (Tabela 2), os tratamentos com NaCl (T5) e com rejeito de dessalinizacao (T6) nao apresentaram diferencas significativas na altura de planta nem nas taxas de crescimento relativo pelo teste de media a 0,05 de probabilidade. Atribui-se ao crescimento lateral, em detrimento da altura, a nao deteccao de diferencas de medias significativas nas taxas de crescimento relativo da altura. Portanto, a taxa de crescimento relativo da altura de plantas nao foi um parametro muito sensivel para detectar os efeitos da salinidade na cultura do manjericao hidroponico a partir do instante em que o genotipo estudado passou a mobilizar energia para seus ramos laterais.

No presente experimento o maior valor medio da massa de materia fresca da parte aerea (MFPA) aos 49 DAT foi cerca de 230 g por planta, obtido com desvio padrao de 18 g, sendo relacionado ao tratamento com SN convencional em condicao nao salina (T1) (Tabela 2). Silva (2012) obteve, trabalhando com a mesma variedade de manjericao no mesmo municipio deste trabalho, maxima MFPA de aproximadamente 155 g [planta.sup.-1] aos 90 DAT. Esses resultados exemplificam como as plantas do tratamento testemunha (T1) produziram acima do previsto para o mesmo genotipo.

As massas de materia fresca e seca da parte aerea do manjericao foram linearmente reduzidas com o aumento da salinidade das aguas salobras produzidas com NaCl, registrando-se, para cada aumento unitario na salinidade dessas aguas (dS [m.sup.-1]) reducoes de 7,86% (Figura 2A).

Em condicoes de salinidade da agua e sistema hidroponico de producao equivalentes as do presente experimento, Santos et al. (2010) encontraram, cultivando alface com uso exclusivo de aguas salobras, reducoes em torno de 16,50 e 14,5% por aumento unitaria da salinidade da agua (dS [m.sup.-1]) para MFPA (Figura 2A) e MSPA (Figura 2B), respectivamente. Paulus et al. (2010) obtiveram, tambem, em hidroponia NFT com aguas salobras, reducoes de massas de materia fresca e seca da parte aerea da alface de 14,11 e 7,91% por incremento unitario da salinidade da agua (em dS [m.sup.-1]), respectivamente. Tambem para a cultura da alface, Alves et al. (2011) obtiveram reducoes na MFPA de 7% para cada acrescimo unitario na salinidade da agua (em dS [m.sup.-1]); para as culturas da rucula e do agriao, Alves (2011) obteve reducoes de 10,72 e 7,95%, respectivamente; para a cultura do agriao e da couve-chinesa, Dantas (2012) reportou perda de 10,97 e 13,86%, respectivamente. Portanto, a reducao relativa obtida para manjericao no presente experimento esta no patamar dos menores valores obtidos em experimentos com a mesma metodologia; este resultado e ainda mais importante ja que no caso desta cultura e em razao da menor precocidade de seu ciclo, o periodo de exposicao as aguas salobras foi maior que nas demais culturas, o que representa maior nivel de aporte de sais no meio de cultivo.

Heidari (2012) constatou, trabalhando com tres niveis de salinidade da agua (0,0; 3,0 e 6,0 dS [m.sup.-1], promovidos por NaCl) em solucao nutritiva, reducao de 17,8% na producao de massa de materia fresca de manjericao ao utilizar o maior nivel de salinidade em relacao a condicao nao salina. No presente trabalho tem-se uma estimativa de 47% de perda de MFPA ao se estimar o uso de uma agua com 6 dS [m.sup.-1], portanto, uma reducao quase 2,5 vezes maior que a encontrada por Heidari (2012). A explicacao para isto reside no fato de que este autor submeteu plantas a salinidade por apenas 20 dias; alem disto, ele promoveu a troca da solucao semanalmente garantindo nivel constante de ions nutrientes e, ao mesmo tempo, nao permitindo o acumulo proporcional de ions toxicos. No presente trabalho, a CESol para uma agua de 6,08 dS [m.sup.-1] (T4) atingiu 11,92 dS [m.sup.-1] aos 49 DAT, uma condicao mais agravada da concentracao de sais no meio de cultivo.

O teor de agua da parte aerea apresentou reducao de 0,33% por dS [m.sup.-1] na salinidade da agua e alto coeficiente de determinacao ([R.sup.2] = 0,902) (Figura 2C) alem de baixo coeficiente de variacao (0,33%). Tal reducao, significativa, apesar de baixa em relacao as outras variaveis, tem grande impacto na textura das folhas. Este efeito sobre a umidade da parte aerea foi registrado em outros trabalhos com hortalicas folhosas hidroponicas submetidas a salinidade da agua (Santos et al., 2010; Soares et al., 2010) e relacionada ao aspecto coriaceo das folhas. Constatouse, tambem, uma diferenca significativa no teor de agua da parte aerea entre os tratamentos qualitativos: a testemunha (T1) apresentou maior umidade que os demais tratamentos mas nao houve diferenca entre os tratamentos isosmoticos T5 (NaCl) e T6 (agua subterranea salobra). Bernstein et al. (2010) observaram, trabalhando com manjericao hidroponico, que o teor de agua de caule e folhas foi pouco influenciado ate uma concentracao de 75 mM de NaCl (CEa [approximately equals to] 7,5 dS [m.sup.-1]) porem com reducao de 1,13% desse ponto ate 130 mM de NaCl (CEa [approximately equals to] 13 dS [m.sup.-1]). Por outro lado, Attia et al. (2009) nao detectaram efeito da salinidade sobre o teor de agua da parte aerea de tres variedades de manjericao submetidas a salinidade. Ressalta-se, porem, que esses ultimos autores compararam a hidratacao dos tecidos entre apenas dois niveis de salinidade, 25 e 50 mM de NaCl (CEa [approximately equals to] 2,5 e 5,0 dS [m.sup.-1]) alem de nao contrasta-los com as suas testemunhas.

A massa seca da raiz (MSR) apresentou reducao de 2,30% por aumento unitario da salinidade em dS [m.sup.-1], sendo a equacao y = -0,103x+4,479 e [R.sup.2] equivalente a 0,302. A reducao relativa do acumulo de massa de materia seca pela planta (MST) qual seja, 6,02% [(dS [m.sup.-1]).sup.-1] (Figura 2D) foi mais relacionada com o efeito negativo dos sais sobre a parte aerea (6,76%) do que mesmo sobre o sistema radicular. Este maior impacto da salinidade sobre a parte aerea na cultura do manjericao foi reportado por Carrasco et al. (2007). Em funcao disto, a relacao R/PA, entre as massas de materia das raizes e da parte aerea, aumentou significativamente com o incremento da salinidade (8,94% por dS [m.sup.-1]) (Figura 2E) revelando que a salinidade promoveu alteracao expressiva na particao da massa seca da planta. Maciel et al. (2012) encontraram resultados similares para razao raiz/ parte aerea no cultivo de girassol em hidroponia NFT submetido a salinidade da agua, com incremento de 12,26% por aumento unitario da salinidade da agua (em dS [m.sup.-1]) e tambem atribuiram este aumento principalmente a reducao da massa de materia na parte aerea; ja Bernstein et al. (2010) nao demonstraram alteracao consideravel na relacao raiz/parte aerea do manjericao hidroponico, em funcao da salinidade.

A partir das reducoes da producao relativa da massa de materia fresca da parte aerea (PR) (com base na condicao naosalina) o manjericao pode ser classificado utilizando-se o criterio apresentado por Fageria et al. (2010) como tolerante ao manejo da agua de 1,45 dS [m.sup.-1]. Para as aguas de 3,80 e 6,08 dS [m.sup.-1] a cultura foi classificada como moderadamente sensivel; para a agua de 8,48 dS [m.sup.-1], com reducao superior a 60%, a cultura foi sensivel a salinidade.

Em relacao aos tratamentos qualitativos, as massas de materia fresca e seca, umidade na parte aerea, produtividades relativas e rendimentos das massas de materia fresca e seca da parte aerea de manjericao produzidas com rejeito de dessalinizacao (T6) foram menores que as obtidas com a testemunha (T1). Ao se comparar essas mesmas variaveis somadas a massa de materia seca da raiz e a relacao raiz/parte aerea, entre plantas produzidas com rejeito (T6) e com NaCl com CE correspondente (T5) tambem nao foram registradas diferencas significativas. Portanto, dentro deste contraste com tratamentos equivalentes (T5 x T6) nao houve diferenca entre as variaveis sendo o efeito das composicoes quimicas especificas de cada agua menos importante que o efeito osmotico. Sonneveld (2004) relata que esse tipo de resposta e encontrado em condicoes de cultivo sem solo quando se trabalha com aguas salobras.

Apesar de haver uma reducao nas massas de materia fresca e seca da parte aerea com o aumento da salinidade, as plantas de manjericao nao apresentaram sintomas deleterios que pudessem comprometer a comercializacao. Conclui-se, de acordo com os resultados obtidos, que foi tecnicamente viavel produzir manjericao no sistema hidroponico.

CONCLUSOES

1. A altura media das plantas e sua taxa media de crescimento relativo nao foram parametros sensiveis ao efeito do incremento da salinidade da agua para o manjericao hidroponico.

2. A salinidade da agua reduziu a hidratacao da parte aerea do manjericao, seu crescimento em altura final e o acumulo de massas de materia fresca e seca na parte aerea.

3. A reducao relativa da massa de materia fresca do manjericao se manteve dentro do esperado, quando comparado com outros trabalhos.

4. O uso de agua salobra de rejeito de dessalinizacao sobre a producao do manjericao foi equivalente ao uso de agua salobra de mesma condutividade eletrica da agua produzida artificialmente com NaCl.

5. O uso de aguas salinizadas com NaCl nao produziu sintomas deleterios que pudessem comprometer a comercializacao das plantas de manjericao.

AGRADECIMENTOS

A FAPESB, ao CNPq e ao INCTSal, pelo apoio financeiro a execucao dos projetos; a CAPES, pela concessao de Bolsa de Mestrado; a CERB, pela concessao de dados e informacoes e a empresa Plasnova, pelo fornecimento de produtos que auxiliaram nesta pesquisa.

LITERATURA CITADA

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1807-1929/agriambi.v18n12p1228-1234

Protocolo 280.13--09/09/2013 * Aprovado em 18/07/2014

Maria A. A. Bione (1), Vital P. da S. Paz (2), Franceli da Silva (3), Rogerio F. Ribas (4) & Tales M. Soares (5)

(1) NEAS/CCAAB/UFRB. Cruz das Almas, BA. E-mail: gugabione@gmail.com (Autor correspondente)

(2) NEAS/CCAAB/UFRB. Cruz das Almas, BA. E-mail: vitalpaz@ufrb.edu.br

(3) CCAAB/UFRB. Cruz das Almas, BA. E-mail: franceli.silva@gmail.com

(4) CCAAB/UFRB. Cruz das Almas, BA. E-mail: ecofisiologia@gmail.com

(5) NEAS/CCAAB/UFRB. Cruz das Almas, BA. E-mail: talesmiler@gmail.com

Tabela 1. Condutividade eletrica da agua (CEa)
e da solucao nutritiva (CESol) e pH (pHSol) para
tratamentos produzidos artificialmente com NaCl (T1
a T5) e com rejeito da dessalinizacao (T6)

Tratamento   CEa    CEsol   pHsol

                 (dS
              [m.sup.-1])

T1           0,29    2,31   5,50
T2           1,45    3,42   5,11
T3           3,80    5,66   5,90
T4           6,08    7,89   5,13
T5           8,48   10,22   6,02
T6           8,40   10,00   6,29

Tabela 2. Resultado da analise de variancia e do teste de media
(Tukey a 0,05) aplicado as variaveis altura e taxas de
crescimento absoluto e relativo das alturas de planta de
manjericao

                                           Pr > Fc
      Variavel         CV (%)    d.m.s.   para Bloco

H DAT                  03,62     0,012    0,2498 ns
Hi3 DAT                 2,93     0,013    0,2508 ns
H23 DAT                 2,32     0,013    0,1780 ns
H33 DAT                 1,88     0,013    0,3280 ns
H49 DAT                 2,80     0,022    0,6010 ns
TCR 3-13 DAT           10,09     0,005    0,8000 ns
TCR 13-23 DAT           9,03     0,003    0,5591  ns
TCR 23-33 DAT          13,00     0,003    0,3987 ns
TCR 33-49 DAT          22,45     0,003    0,6209 ns
TCR 3-49 DAT            5,42     0,002    0,1512 ns
MFPA (g)                6,74    14,622    0,0257 *
MSPA (g)                6,20     1,614    0,0073 **
U (%)                   0,41    0,1452    0,7688 ns
MSR (g)                 9,96     0,682    0,0651 ns
MST (g)                 6,03     2,564    0,0060 **
rR/PA (g [g.sup.-1])    6,71     0,031    0,9323 ns
[PR.sub.MFPA] (%)       5,94     5,712    0,1255 ns
[PR.sub.MSPA] (%)       5,86     6,120    0,2784 ns

                                Teste de media

      Variavel             T1          T5         T6

H DAT                    0,218 a     0,211 a     0,219 a
Hi3 DAT                  0,308 a     0,276 b     0,283 b
H23 DAT                  0,396 a     0,348 b     0,357 b
H33 DAT                  0,472 a     0,405 b     0,416 b
H49 DAT                  0,554 a     0,460 b     0,463 b
TCR 3-13 DAT             0,035 a     0,027 b     0,026 b
TCR 13-23 DAT            0,025 a     0,023 a     0,023 a
TCR 23-33 DAT            0,018 a     0,015 a     0,015 a
TCR 33-49 DAT            0,010 a     0,008 ab    0,007 b
TCR 3-49 DAT             0,020 a     0,017 b     0,017 b
MFPA (g)               229,830 a    84,680 b    96,710 b
MSPA (g)                25,140 a    11,290 b    12,830 b
U (%)                   89,060 a    86,670 b    86,720 b
MSR (g)                  4,240 a     3,470 b    13,640 ab
MST (g)                 29,060 a    14,820 b    16,470 b
rR/PA (g [g.sup.-1])     0,170 b     0,300 a     0,280 a
[PR.sub.MFPA] (%)      100,000 a    36,940 b    42,070 b
[PR.sub.MSPA] (%)      100,000 a    44,910 b    51,080 b

Medias seguidas por mesma letra nas linhas nao diferem entre si
pelo teste de Tukey a nivel de 0,05 de probabilidade;
C.V.--coeficiente de variacao; d.m.s.--diferenca minima
significativa; pr > Fc--probabilidade correspondente a um F maior
que F calculado; T1--tratamento de agua doce; T5--tratamento de
agua salobra produzida com NaCl; T6--agua de rejeito de
dessalinizacao diluido; Hi DAT--altura das plantas de manjericao
aos i dias apos o transplantio; TCR--taxa de crescimento relativo;
MFPA--massa da materia fresca da parte aerea; MSPA--massa de
materia seca da parte aerea; U--teor de agua da parte aerea;
MSR--massa de materia seca da raiz; MST--massa de materia seca da
planta; rR/PA--razao entre a MFPA e a MSPA; PRMFPA--produtividade
relativa da MFPA; PRMSPA--produtividade relativa da MSPA; ns--nao
significativo pelo teste Tukey a 0,05 de probabilidade;
*--significativo pelo teste Tukey a 0,05 de probabilidade;
**--significativo pelo teste Tukey a 0,01 de probabilidade
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Author:Bione, Maria A.A.; Paz, Vital P. da S.; da Silva, Franceli; Ribas, Rogerio F.; Soares, Tales M.
Publication:Revista Brasileira de Engenharia Agricola e Ambiental
Date:Dec 1, 2014
Words:5375
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