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Gamma radiation on the mycoflora of poultry feed and Aspergillus species/Radiacao gama sobre a micobiota de racao avicola e Aspergillus spp.

INTRODUCAO

O crescimento fungico reduz o valor nutricional e a digestibilidade do alimento. Ademais, os fungos podem ocasionar danos diretos a saude dos animais por meio de casos de intoxicacao, chamados de micotoxicose, que podem se apresentar de forma aguda, subaguda ou, mais comumente, cronica (FIGUEIRA et al., 2003).

A micobiota e a contaminacao de racoes avicolas por micotoxinas vem sendo estudadas no Brasil. Niveis altos de contagem fungica foram observados por ROSA et al. (2006) ao avaliarem materias-primas e racoes avicolas procedentes do Estado do Rio de Janeiro. A maioria das amostras analisadas por esses pesquisadores excedeu o limite para qualidade higienica, estabelecido em 1 x 104ufc [g.sup.-1] (GMP, 2005). Esses mesmos autores encontraram o genero Aspergillus spp. como o mais frequente, sendo A. flavus a especie prevalente. Em outro estudo, Penicillium spp. foi encontrado como o mais prevalente seguido por Aspergillus, e A. flavus foi isolado a partir de 25% das amostras analisadas. Alem disso, 64,5% das amostras continham niveis de aflatoxina B1 (AFB1) que variaram de 1,2 a 17,5[micro]g [kg.sup.-1] (OLIVEIRA et al., 2006). FRAGA et al. (2007) verificaram uma contaminacao fungica na racao de 4 x 103 a 3,2 x [10.sup.4]ufc [g.sup.-1]. No entanto, 100% das amostras estavam contaminadas com ocratoxina A (OTA) (98,2 [+ or -] 22,3[micro]g [kg.sup.-1]) e aflatoxinas (65,3 [+ or -] 18,7[micro]g [kg.sup.-1]).

Com base na literatura disponivel pode-se dizer que o melhor metodo para controlar a contaminacao por micotoxinas em alimentos e prevenir o crescimento de fungos (SANTURIO, 2000). Metodos de controle adotados em racao incluem a verificacao da qualidade da materia-prima e o uso dos processos de peletizacao (FRAGA et al., 2007). O emprego da irradiacao em ingredientes e racoes avicolas foi inicialmente proposto em funcao de sua capacidade em tornar esses materiais livres de Salmonella sp., importante patogeno para os animais e para o homem (ICGFI, 1995). O tratamento por irradiacao, alem de eliminar ou reduzir o numero de patogenos presentes na racao, tem por objetivo melhorar a qualidade higienica por reducao de agentes deteriorantes, especialmente fungos, e eliminar insetos em estagio de reproducao (ICGFI, 1995). CHEN et al. (2000), ao analisarem o uso da irradiacao com cobalto-60 em racoes para animais SPF ('Specific Pathogen Free'), verificaram que a dose 8kGy foi eficiente em eliminar os microrganismos e nao ocasionou alteracoes na composicao nutricional. Em experimento com farinha de carne irradiada com doses de ate 50kGy, adicionada a racao para frangos de corte, AL-MASRI (2003) nao encontrou efeitos negativos sobre os valores da energia metabolizavel da dieta e tao pouco sobre os aspectos biologicos dos orgaos digestivos.

A irradiacao tem sido utilizada no Brasil para reduzir ou eliminar a microbiota de diferentes substratos, tais como milho (AQUINO et al., 2005); livros e documentos antigos (SILVA et al., 2006); amendoim (PRADO et al., 2006) e guarana em po usado como estimulante (AQUINO et al., 2007). No entanto, e escassa a informacao acerca dos efeitos da irradiacao sobre a micobiota natural de racao avicola e sao necessarios mais estudos sobre os efeitos desse tratamento fisico sobre fungos toxigenos do genero Aspergillus spp. Dessa forma, o presente trabalho objetivou avaliar a influencia da irradiacao sobre a micobiota natural de ingredientes e racao avicola e estudar as possiveis alteracoes morfologicas e de producao de micotoxinas em cepas de referencia do genero Aspergillus spp.

MATERIAL E METODOS

Amostras de fuba, farelo de soja e racao, com 15kg cada, foram coletadas diretamente da linha de producao de uma granja avicola no Municipio de Avelar, Rio de Janeiro (RJ). Foram realizadas duas coletas, as quais geraram dois processos de irradiacao. As amostras foram levadas ao laboratorio e conservadas a 4[degrees]C, ate o momento das analises. A avaliacao da atividade de agua ([A.sub.a]) foi realizada por meio do equipamento AquaLab[R], modelo CX 2. Subamostras de 500g foram acondicionadas e seladas em sacos de polietileno, submetidas a quatro doses de radiacao gama (0; 3,5; 8 e 15kGy) em triplicata. O irradiador pertence ao tipo cavidade blindada, cuja atividade de sua fonte de cesio-137 e de 56kCi (2 x 1015 desintegracoes segundo-1) e gera uma taxa de dose maxima 2,0kGy [h.sup.-1]. A incerteza total nas doses foi de [+ or -] 8%, levando em consideracao a distribuicao da taxa de dose e a alocacao das amostras na gaveta do irradiador. Passados sete dias da irradiacao, a micobiota foi avaliada segundo metodologia de diluicao seriada em placas (PITT & HOCKING, 1997), sendo expressa por unidades formadoras de colonia por grama de amostra (ufc [g.sup.-1]). Foram utilizados os meios de cultivo: dichloran rosa de bengala cloranfenicol (DRBC) para contagem geral; agar dichloran com 18% de glicerol (DG18) como meio seletivo para fungos xerofilicos e agar dichloran cloranfenicol peptona (DCPA) para isolamento de Fusarium spp. As placas foram incubadas a 28[degrees]C por cinco a sete dias em estufa BOD Etica.

Os generos fungicos isolados foram identificados por meio das chaves taxonomicas propostas por KLICH (2002) para o genero Aspergillus spp., PITT & HOCKING (1997) para Penicillium spp. e NELSON et al. (1983) para Fusarium spp.

O efeito da irradiacao sobre Aspergillus spp. foi avaliado com o uso das cepas de referencia: A. niger (ATCC 1004), A. ochraceus (NRRL 3174), A. flavus (NRRL 5520), A. parasiticus (NRRL 2999) e A. carbonarius (UFPE 1546), submetidas a irradiacao em milho picado degerminado, com granulometria media de 2mm. O milho foi hidratado com agua destilada e armazenado por 24 horas a 4[degrees]C, submetido a homogeneizacao periodica para a uniformizacao da [A.sub.a] a 0,98. Frascos Erlenmeyer com capacidade de 125mL, contendo 50g de milho cada, foram autoclavados a 121[degrees]C por 20 minutos para garantir eliminacao da microbiota inicial e depois foram inoculados com 100[micro]L (104 a 105ufc m[L.sup.-1]) de uma suspensao em salina das cepas. Apos a incubacao feita por cinco dias a 28[degrees]C, foram aplicadas 10 doses de radiacao gama (2,0; 3,5; 4,0; 4,5; 5,0; 5,5; 6,0; 6,5; 7,0 e 8,0kGy) mais o controle 0kGy para cada uma das cepas de referencia, em triplicata. Um dia apos a irradiacao, o milho foi submetido a contagem fungica por diluicao seriada e plaqueamento direto de acordo com PITT & HOCKING (1997).

Os fungos sobreviventes a irradiacao tiveram sua morfologia comparada com as cepas nao irradiadas de acordo com a chave taxonomica de KLICH (2002). O perfil toxigeno foi avaliado por crescimento de cada cepa (controle e irradiada) em 20mL de caldo extrato de levedura sacarose (YES) a 30[degrees]C durante 10 dias, sob ausencia de luz. O cultivo foi filtrado por meio de papel de filtro Whatman no 1, e a extracao de AFB1 e OTA foi realizada ao mesclar 1mL de cultivo com 1mL de cloroformio e centrifugar a 4000rpm, durante 10min. A fase cloroformica foi transferida para um tubo Eppendorf limpo, seca com nitrogenio e conservada a 4[degrees]C ate o momento de analise. Para AFB1 suspendeu-se o extrato seco com 200[micro]L de cloroformio e realizou-se a cromatografia em camada delgada (CCD) com fase movel composta por cloroformio: acetona (9:1 v/v). Foram usadas cromatofolhas de silica gel 60 de 20 x 20cm com 0,2mm de espessura (Merck). Foi feita a leitura em cromatovisor com lampada UV de 365nm. Para OTA, foi utilizada cromatografia liquida de alta eficiencia (CLAE) em cromatografo Hewlett Packard, Serie 1100. O extrato seco foi suspenso em 200[micro]L de fase movel (acetonitrila: agua: acido acetico, 57: 41: 2 v/v/v). As separacoes foram desenvolvidas em coluna de fase reversa [C.sub.18] (150 x 4,6mm, 5[micro]m de tamanho de particula; Phenomenex, Luna), conectada a uma precoluna Supelguard LC-ABZ (20 x 4,6mm, 5?m de tamanho de particula, Supelco). O fluxo da fase movel foi de 1mL min-1. Os comprimentos das ondas de excitacao e emissao usados foram de: 330 e 460nm, respectivamente. O limite de deteccao da tecnica e de 1ng [g.sup.-1].

Os dados de contagem de unidades formadoras de colonias por grama (ufc [g.sup.-1]) foram transformados a [log.sub.10] (x + 1) para obter homogeneidade de variancia. As medias dos tratamentos foram comparadas usando o teste de minima diferenca significativa de Fisher (LSD). A analise foi conduzida por meio do software estatistico SAS (SAS Institute, Cary, NC).

RESULTADOS E DISCUSSAO

Os valores encontrados de [A.sub.a] para as amostras de fuba, farelo de soja e racao avicola foram: 0,676 [+ or -] 0,002 e 0,697 [+ or -] 0,002; 0,625 [+ or -] 0,002 e 0,651 [+ ou -] 0,001; 0,659 [+ or -] 0,002 e 0,754 [+ or -] 0,002, respectivamente, para a primeira e a segunda coleta. Esses valores estao dentro da faixa esperada para os substratos. A racao apresentou um valor mais alto na segunda coleta, por ter sido obtida do silo que alimenta diretamente o comedouro das aves, enquanto que a primeira coleta foi retirada da fabrica, assim como as demais amostras.

As contagens medias da micobiota das amostras nao irradiadas, avaliadas em meio DRBC, sao proximas ao limite estipulado para a qualidade higienica que e de 1 x [10.sup.4]ufc [g.sup.-1] (GMP, 2005). Os valores encontrados neste trabalho sao inferiores aos valores observados por ROSA et al. (2006), os quais, ao avaliarem racoes avicolas no Estado do Rio de Janeiro entre os anos de 1998 e 2000, encontraram niveis superiores a 1 x [10.sup.5]ufc [g.sup.-1] em grande parte das amostras. Entretanto, niveis moderados de contaminacao fungica da ordem de [10.sup.3]ufc [g.sup.-1] foram observados por OLIVEIRA et al. (2006), ao estudarem a micobiota de racoes avicolas tambem provenientes do Rio de Janeiro, cujas amostras avaliadas foram coletadas em 2003. O nivel de contaminacao pode variar em funcao das condicoes climaticas do periodo de coleta e tambem da grande influencia das condicoes de processamento do alimento. Percebe-se, apos varios estudos desenvolvidos com racoes avicolas dessa regiao (OLIVEIRA et al., 2006; ROSA et al., 2006; FRAGA, et al., 2007), que as fabricas tem melhorado seu controle de qualidade, o qual reflete em uma diminuicao da contaminacao fungica.

Em relacao a diversidade encontrada na micobiota, a partir das amostras de farelo de soja, foram isolados os generos Aspergillus spp. (A. flavus, A. candidus, A. clavatus, A. fumigatus, A niger var. niger, A. restrictus, A. versicolor), Cladosporium spp., Eurotium spp. (E. amstelodami), Fusarium spp. (F. verticillioides), Penicillium spp. e fungos da ordem Mucorales (Mucor spp.). Nas amostras de fuba, houve predominancia de isolados do genero Fusarium spp., com destaque para F. verticillioides, seguido por isolados de F. solani. Tambem foram isolados Aspergillus spp. (A. flavus, A. candidus, A. melleus), Eurotium spp., Penicillium spp. (P. rugulosum, P. viridicatum) e Cladosporium spp. A avaliacao da racao mostrou o crescimento de Aspergillus spp. (A. ochraceus, A. terreus, A. tamari, A. flavus, A. niger, A. versicolor, A. flavipes, A. fumigatus), Eurotium spp. (E. amstelodami), Penicillium spp. (P. janthinellum, P. verruculosum, P. funiculosum, P. citrinum, P. purpurogenum), Curvularia spp., Cladosporium spp., Fusarium spp., este ultimo com predominancia de F. verticillioides. Muitas das especies fungicas isoladas estao associadas com a reducao da qualidade da racao e sao potenciais produtoras de micotoxinas. O isolamento dessas especies a partir de racoes animais tem sido realizado por outros pesquisadores (ROSA et al., 2006).

Fuba, farelo de soja e racao avicola foram submetidos ao processo fisico de descontaminacao por exposicao a radiacao gama. Nas tabelas 1 e 2, e demonstrado o efeito de doses de radiacao sobre a contagem das amostras a partir da primeira e da segunda coleta, respectivamente. Observa-se que a inativacao da micobiota foi intensificada com o aumento da dose e que 8kGy foi eficiente em eliminar a micobiota contaminante dos substratos.

O decrescimo na contagem com o aumento da dose tambem foi observado por REFAI et al. (1996) ao avaliarem o efeito sobre A. ochraceus, previamente inoculado (106ufc [g.sup.-1]) em racao. Nesse caso, o fungo foi completamente inibido a 4kGy. No entanto, dose de 10kGy foi necessaria para eliminar completamente a contaminacao fungica do guarana em po (AQUINO et al., 2007).

Em relacao a classificacao e ao estado morfologico dos fungos sobreviventes a irradiacao, o farelo de soja submetido a 3,5kGy apresentou o crescimento de Aspergillus com clestotecios, Cladosporium sp. e Fusarium spp. Clestotecios produzidos por Aspergillus sao estruturas resistentes, onde esporos sexuais (ascosporos) sao formados, e favorecem a sobrevivencia fungica em condicoes ambientais extremas (DURAN et al., 2007). O mesmo substrato irradiado com 8kGy apresentou crescimento de Cladosporium spp., Curvularia spp. e Fusarium spp.; porem, apos feito o repique deste ultimo para a identificacao da especie, houve apenas a formacao de micelio esteril, ou seja, sem a presenca de estruturas reprodutivas que servissem para identificacao. O fuba, quando submetido a 3,5kGy, permitiu o crescimento de fungos dos generos Aspergillus spp., Eurotium spp. e Penicillium spp. No entanto, ao serem repicados para identificacao da especie, esses fungos evidenciaram o crescimento apenas de micelio esteril. Em relacao a racao, com 3,5kGy, houve o crescimento de Cladosporium spp. e Fusarium verticillioides. AZIZ et al. (2007) verificaram que Fusarium spp. foi inibido a 4kGy em cevada e 6kGy em trigo e milho. No presente trabalho, foi observado o crescimento de Fusarium spp. a partir de farelo de soja irradiado ate 8kGy, apesar deste nao ser capaz de produzir conidios, ao menos apos o primeiro repique posterior ao isolamento.

Diferencas na radiossensibilidade entre generos fungicos sao discutidas na literatura. BLANK & CORRIGAN (1995) verificaram que os esporos de Alternaria spp., Curvularia spp. e Cladosporium spp. foram pelo menos tres vezes mais resistentes a irradiacao, quando comparados aos generos Aspergillus spp. e Penicillium spp. A resposta diferencial desses fungos pode ser em funcao da presenca de macroconideo de parede espessa, o qual pode conferir protecao. MAITY et al. (2004), ao irradiar sementes, verificaram que Aspergillus submetido a 4kGy nao sobreviveu, enquanto Alternaria persistiu.

Uma reducao significativa da micobiota de guarana (em po e em grao) foi alcancada com a dose 5kGy, mas essa dose permitiu o reisolamento de Cladosporium e Rhizopus a partir de 20% das amostras e Penicillium de 10% (AQUINO et al., 2007). Fungos altamente radiorresistentes foram observados por SILVA et al (2006), os quais descrevem a dose 16kGy como necessaria para inativar diferentes especies fungicas isoladas de documentos e livros antigos, previamente submetidos a tratamento quimico. Dentre os fungos mais resistentes, relatam o genero Cladosporium spp.

A dose 3,5kGy proporcionou significativa reducao da contagem fungica nos ingredientes e na racao avicola. No entanto, essa dose permite uma micobiota residual, e e preciso conhecer o comportamento desses fungos sobreviventes. A irradiacao sobre Aspergillus spp foi avaliada em milho, cujas contagens sao mostradas na tabela 3. Observase que houve significativa diminuicao com a dose 2kGy e completa inibicao a partir de 4kGy.

Aspergillus flavus e A. parasiticus mostraram-se os mais radiorresistentes. Essa diferenca na radiossensibilidade entre especies de Aspergillus tambem foi observada por BORGES (2004) ao submeter graos de milho, amendoim, trigo e arroz a irradiacao. Essa pesquisadora descreve A. parasiticus como a mais radiorresistente das especies estudadas, com [D.sub.50] e [D.sub.0] de 3,1kGy e 4,7kGy, respectivamente.

A partir dos fungos irradiados, obtidos por diluicao seriada, observou-se o crescimento de colonias com micelio esteril. O fato de a cepa irradiada nao realizar conidiogenese em meio de cultivo, de acordo com GRIFFIN (1994), pode significar a ocorrencia de mutante, cuja producao de conidios e afetada por nao aquisicao de competencia para tal ou por nao desenvolver nem ao menos os conidioforos. Em contrapartida, ao realizar posterior plaqueamento direto do milho sobre DG18, houve crescimento para as amostras submetidas a doses de ate 5,5kGy. O crescimento de Aspergillus spp. endogeno e relatado por FARIAS et. al. (2000), os quais obtiveram varios isolados a partir de graos de milho aparentemente sadios. Crescimento fungico em graos de amendoim submetidos a irradiacao foi observado por PRADO et al., (2006) para dose ate 5kGy, a qual proporcionou reducao na percentagem de infeccao de 82% para 17,3% dos graos e nenhuma contaminacao foi encontrada com 10kGy.

Variacoes morfologicas foram observadas entre cepas controle e irradiadas, tais como cor e textura das colonias, reducao da conidiogenese e presenca de estruturas de resistencia, como os esclerocios. Porem, foi observado que, ao submeter os fungos irradiados a repiques sucessivos em meios de cultura, estes tendem a retomar caracteristicas morfologicas muito proximas ao padrao nao irradiado. Os nutrientes disponiveis no meio, associados as condicoes adequadas de temperatura, favorecem o crescimento dos fungos.

Na analise do perfil toxigeno, Aspergillus parasiticus (NRRL 2999) controle e dois isolados irradiados com 2,5kGy produziram respectivamente: 8,5815?g ml-1, 51,724[micro]g m[L.sup.-1] e 68,6406?g m[L.sup.-1] de AFB. Para a cepa A. flavus (NRRL 5520) controle, nao [??] detectada a producao de aflatoxinas, enquanto a mesma cepa apos 4kGy produziu 0,8?g m[L.sup.-1] de AFB1. A. niger (ATCC 1004) controle produziu 5,344ng [??] de OTA, o isolado submetido a 2kGy de radiacao gama obtido por diluicao seriada produziu 1,7ng m[L.sup.-1], enquanto outro representante tambem submetido a 2kGy, porem isolado a partir de plaqueamento direto do milho, produziu 38,72ng m[L.sup.-1] de OTA. A. ochraceus (NRRL 3174) controle produziu 51,108[micro]g m[L.sup.-1] de OTA, mas esta nao foi produzida por isolado obtido por diluicao seriada do milho apos 2kGy, enquanto outro isolado obtido por plaqueamento direto do milho apos 3,5kGy, produziu 101,472[micro]g ml-1 de OTA.

GUNTERUS et al. (2007) observaram que o acumulo de aflatoxina aumentou com a reducao do inoculo fungico em amendoim. FERREIRA-CASTRO et al. (2007) tambem atribuem o aumento observado na producao de fumonisina por Fusarium verticillioides, apos irradiacao com 2kGy em milho, ao menor tamanho do inoculo. Entretanto, esses autores encontraram uma menor producao de fumonisina apos a dose 5kGy, que ainda apresentou uma contagem residual. No presente trabalho, foi verificado que cepas irradiadas e isoladas por diluicao do milho mostram-se menos produtoras que o padrao ou mesmo nao produzem toxina, enquanto o aumento do potencial toxigeno foi observado em cepas isoladas por plaqueamento direto do milho.

Observou-se que cepas irradiadas, apos um primeiro isolamento, apresentam crescimento mais lento e caracteristicas morfologicas que as diferem do padrao nao irradiado. Porem, ao serem submetidas a repiques sucessivos em meios de cultivo nutritivos e em condicoes otimas de temperatura, passam a apresentar morfologia muito proxima ao padrao. As alteracoes induzidas pela irradiacao, quando nao suficientes para ocasionar a morte do fungo, podem ser superadas se fornecidos nutrientes e condicoes adequadas de crescimento. Esses achados sugerem que cepas fungicas sobreviventes ao processo de irradiacao podem voltar a se desenvolver, deteriorando o substrato, desde que sejam fornecidas condicoes adequadas para seu crescimento.

CONCLUSOES

A reducao na contagem fungica e intensificada com o aumento da dose de radiacao gama, e a micobiota natural de ingredientes e racao avicola e eliminada com 8kGy. Ha variacao na radiossensibilidade entre generos e especies fungicas. A. parasiticus e A. flavus sao mais radiorresistentes que as demais especies avaliadas. Doses medias de radiacao gama (2 a 4kGy) promovem alteracoes morfologicas e aumento de producao de micotoxina.

Recebido para publicacao 10.07.08 Aprovado em 01.12.08

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REFAI, M.K. et al. Detection of ochratoxin produced by A. ochraceus in feedstuffs and its control by ??radiation. Applied Radiation and Isotopes, v.47, n.7, p.617-621, 1996. Disponivel em: <http://dx.doi.org/10.1016/0969-8043(96)00022-X>. Doi: 10.1016/0969-8043(96)00022-X.

ROSA, C.A.R. et al. Mycoflora of poultry feeds and ochratoxin-producing ability of isolated Aspergillus and Penicillium species. Veterinary Microbiology, v. 113, n.1-2, p.89-96, 2006. Disponivel em: <http://dx.doi.org/ doi:10.1016/j.vetmic.2005.10.031>. Doi:10.1016/ j.vetmic.2005.10.031.

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Jessika Mara Martins Ribeiro (I) Lilia Renee Cavaglieri (II) Helio de Carvalho Vital (III) Cesar Daniel Kruger (IV) Carlos Alberto da Rocha Rosa (IV)

(I) Centro Federal de Educacao Tecnologica de Rio Verde (CEFET-RV), 75901-700, Rio Verde, GO, Brasil. E-mail: jessikarj@yahoo.com.br. Autor para correspondencia.

(II) Departamento de Microbiologia, Universidad Nacional de Rio Cuarto (UNRC), Rio Cuarto, Cordoba, Argentina.

(III) Centro Tecnologico do Exercito, DDQBN, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

(IV) Departamento de Microbiologia e Imunologia Veterinaria, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropedica, RJ, Brasil.
Tabela 1--Efeito de doses de radiacao gama sobre a micobiota natural
de fuba, farelo de soja e racao avicola a partir da primeira coleta,
avaliado por contagem em meio DRBC (dichloran rosa de bengala
cloranfenicol).

                         Unidades formadoras de colonias por
                         grama (ufc [g.sup.-1])

Substrato   Dose (kGy)   Filamentosos

Fuba        0            1,5 x [10.sup.4] [+ or -] 1,5   a
                         x [10.sup.3]
            3,5          1,0 x [10.sup.2] [+ or -] 0     cd
            8,0          Nd                              e
            15           Nd                              e

Farelo de   0            3,4 x [10.sup.3] [+ or -] 4,5   a
soja                     x [10.sup.2]
            3,5          1,0 x [10.sup.2] [+ or -] 0     c
            8,0          Nd                              d
            15           Nd                              d

Racao       0            3,4 x [10.sup.4] [+ or -] 4,0   b
                         x [10.sup.3]
            3,5          1,3 x [10.sup.3] [+ or -] 3,6   c
                         x [10.sup.2]
            8,0          Nd                              e
            15           Nd                              e

Substrato   Dose (kGy)   Leveduras

Fuba        0            3,0 x [10.sup.3] [+ or -] 1,0   b
                         x [10.sup.3]
            3,5          1,0 x [10.sup.2] [+ or -] 1,0   d
                         x [10.sup.2]
            8,0          Nd                              e
            15           Nd                              e

Farelo de   0            3,0 x [10.sup.2] [+ or -] 1,0   b
soja                     x [10.sup.2]
            3,5          Nd                              d

            8,0          Nd                              d
            15           Nd                              d

Racao       0            3,9 x [10.sup.4] [+ or -] 8,1   b
                         x [10.sup.3]
            3,5          4,3 x [10.sup.2] [+ or -] 4,2   d
                         x [10.sup.2]
            8,0          Nd                              e
            15           Nd                              e

Substrato   Dose (kGy)   Total

Fuba        0            1,8 x [10.sup.4] [+ or -]       a
                         1,5 x [10.sup.3]
            3,5          2,0 x [10.sup.2] [+ or -]       c
                         1,0 x [10.sup.2]
            8,0          Nd                              e
            15           Nd                              e

Farelo de   0            3,7 x [10.sup.3] [+ or -]       a
soja                     4,0 x [10.sup.2]
            3,5          1,0 x [10.sup.2] [+ or -] 0     c

            8,0          Nd                              d
            15           Nd                              d

Racao       0            7,3 x [10.sup.4] [+ or -] 7,0   a
                         x [10.sup.3]
            3,5          1,7 x [10.sup.3] [+ or -] 7,7   c
                         x [10.sup.2]
            8,0          Nd                              e
            15           Nd                              e

As contagens foram transformadas a log10 (x+1) e analisadas pelo
teste de minima diferenca significativa de Fisher (LSD). Valores
sseguido de mesma letra nao diferem significativamente (P<0,001).
Nd: nao detectado crescimento, limite de deteccao: 1 x [10.sup.2]ufc
[g.sup.-1].

Tabela 2--Efeito de doses de radiacao gama sobre a micobiota natural
de fuba, farelo de soja e racao avicola a partir da segunda coleta,
avaliado por contagem em meio DRBC (dichloran rosa de bengala
cloranfenicol).

                              Unidades formadoras de colonias
                              por grama (ufc g-1)

Substrato        Dose (kGy)   Filamentosos

Fuba             0            6,1 x [10.sup.3] [+ or -]   a
                              1,1 x [10.sup.3]
                 3,5          3,7 x [10.sup.2] [+ or -]   c
                              1,5 x [10.sup.2]
                 8,0          2,3 x [10.sup.2] [+ or -]   c
                              2,3 x [10.sup.2]
                 15           Nd                          d

Farelo de soja   0            1,7 x [10.sup.4] [+ or -]   a
                              3,1 x [10.sup.3]
                 3,5          3,0 x [10.sup.3] [+ or -]   a
                              1,5 x [10.sup.3]
                 8,0          Nd                          b
                 15           Nd                          b

Racao            0            4,5 x [10.sup.4] [+ or -]   a
                              9,3 x [10.sup.3]
                 3,5          2,3 x [10.sup.2] [+ or -]   a
                              5,8 x [10.sup.1]
                 8,0          Nd                          b
                 15           Nd                          b

Substrato        Dose (kGy)   Leveduras

Fuba             0            1,1 x [10.sup.3] [+ or -]   b
                              1,2 x [10.sup.2]
                 3,5          Nd                          d

                 8,0          Nd                          d

                 15           Nd                          d

Farelo de soja   0            Nd                          b

                 3,5          Nd                          b

                 8,0          Nd                          b
                 15           Nd                          b

Racao            0            4,3 x [10.sup.4] [+ or -]   b
                              3,6 x [10.sup.3]
                 3,5          Nd                          b

                 8,0          Nd                          b
                 15           Nd                          b

Substrato        Dose (kGy)   Total

Fuba             0            7,2 x [10.sup.3] [+ or -]   a
                              1,2 x [10.sup.3]
                 3,5          3,7 x [10.sup.2] [+ or -]   c
                              1,5 x [10.sup.2]
                 8,0          2,3 x [10.sup.2] [+ or -]   c
                              2,3 x [10.sup.2]
                 15           Nd                          d

Farelo de soja   0            1,7 x [10.sup.4] [+ or -]   a
                              3,1 x [10.sup.3]
                 3,5          3,0 x [10.sup.3] [+ or -]   a
                              1,5 x [10.sup.3]
                 8,0          Nd                          b
                 15           Nd                          b

Racao            0            8,8 x [10.sup.4] [+ or -]   a
                              1,2 x [10.sup.4]
                 3,5          2,3 x [10.sup.2] [+ or -]   a
                              5,8 x [10.sup.1]
                 8,0          Nd                          b
                 15           Nd                          b

As contagens foram transformadas a log10 (x+1) e analisadas pelo teste
de minima diferenca significativa de Fisher (LSD). Valores seguidos
de mesma letra nao diferem significativamente (P<0,001).  Nd: nao
detectado crescimento, limite de deteccao: 1 x [10.sup.2]ufc
[g.sup.-1].

Tabela 3--Reducao de Aspergillus spp. em milho em funcao de doses de
radiacao gama, avaliada por contagem em meio DG18 (agar dichloran com
18% de glicerol).

Dose        Contagem (ufc [g.sup.1]) de Aspergillus spp.

(kGy)       A. flavus

0           4,0 x [10.sup.8] [+ or -] 6,7 x [10.sup.7] (a)
2,0         6,7 x [10.sup.3] [+ or -] 6,4 x [10.sup.3] (d)
3,5         3,7 x [10.sup.2] [+ or -] 5,5 x [10.sup.2] (e)
4,0 - 8,0   Nd (f)

Dose

(kGy)       A. carbonarius

0           6,4 x [10.sup.5] [+ or -] 7,1 x [10.sup.4] (c)
2,0         3,3 x [10.sup.1] [+ or -] 5,8 x [10.sup.1] (ef)
3,5         Nd (f)
4,0 - 8,0   Nd (f)

Dose

(kGy)       A. niger

0           2,8 x [10.sup.7] [+ or -] 7,0 x [10.sup.6] (bc)
2,0         6,7 x [10.sup.1] [+ or -] 5,8 x [10.sup.1] (e)
3,5         Nd (f)
4,0 - 8,0   Nd (f)

Dose

(kGy)       A. ochraceus

0           8,6 x [10.sup.4] [+ or -] 8,1 x [10.sup.3] (c)
2,0         1 x [10.sup.2] [+ or -] 1 x [10.sup.2] (e)
3,5         Nd (f)
4,0 - 8,0   Nd (f)

Dose

(kGy)       A. parasiticus

0           1,8 x [10.sup.8] [+ or -] 6,4 x [10.sup.6] (ab)
2,0         1,4 x [10.sup.3] [+ or -] 1,0 x [10.sup.2] (d)
3,5         3,7 x [10.sup.2] [+ or -] 5,5 x [10.sup.2] (e)
4,0 - 8,0   Nd (f)

As contagens foram transformadas a log10 (x+1) e analisadas
pelo teste de minima diferenca significativa de Fisher (LSD).
Valores seguidos de mesma letra nao diferem significativamente
(P<0,001).  Nd: nao detectado crescimento, limite de deteccao:
1 x [10.sup.2]ufc [g.sup.1].
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Title Annotation:Texto en Portuguese
Author:Ribeiro, Jessika Mara Martins; Cavaglieri, Lilia Renee; Vital, Helio de Carvalho; Kruger, Cesar Dani
Publication:Ciencia Rural
Date:Aug 1, 2009
Words:5539
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