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Gains in life expectancy at birth in Brazil after the year 2000: the impact of mortality variations by age and cause of death/ Ganhos em expectativa de vida ao nascer no Brasil nos anos 2000: impacto das variacoes da mortalidade por idade e causas de morte.

Introducao

A expectativa de vida ao nascer e um indicador sintetico de mortalidade, que reflete as condicoes gerais de vida de uma populacao. Definida como o numero de anos de vida esperados para um recem-nascido de determinado espaco geografico, se mantidas as condicoes de mortalidade observadas no periodo (1), seu aumento esta diretamente relacionado com a melhoria das condicoes de vida dessa populacao.

A expectativa de vida e obtida a partir de uma tabua de mortalidade, cujas medidas basicas sao as taxas especificas de mortalidade. As variacoes nas taxas de mortalidade, portanto, provocam mudancas na expectativa de vida de uma populacao. As variacoes sao, em geral, diferenciadas segundo a idade e o sexo (2,3). Um aumento na expectativa de vida da populacao ocorrera sempre que, considerando todas as causas de morte ou considerando todos os grupos etarios, os ganhos forem maiores que as perdas. O contrario--ou seja, uma queda na expectativa de vida--embora nao esperado, tambem pode ocorrer (3).

Analisar as mudancas da mortalidade segundo a causa de morte tem um papel importante nos estudos sobre mortalidade e e essencial na determinacao de intervencoes efetivas em saude publica (3,4). A despeito do debate sobre o aumento, se haveria ou nao um limite biologico para a vida humana, o fato e que o aumento relativo da expectativa de vida tende a ser cada vez menor. Nesse contexto e diante das mudancas no perfil de mortalidade, estudos sobre a tematica se tornam mais importantes.

As mudancas no perfil da mortalidade estao inseridas no conjunto de um conceito mais amplo, o de transicao epidemiologica (5). Transicao epidemiologica refere-se as modificacoes, em longo prazo, dos padroes de morbidade, invalidez e mortalidade que caracterizam uma populacao, em geral relacionadas a transformacoes demograficas, sociais e economicas (5,6). Na transicao epidemiologica tres mudancas basicas se destacam: substituicao das doencas transmissiveis por nao transmissiveis e causas externas, deslocamento da carga de morbi-mortalidade dos grupos mais jovens para os mais idosos, e transformacao de uma situacao em que predomina a mortalidade, para outra na qual a morbidade e dominante (5,7,8).

Desde o inicio da queda da mortalidade, o perfil de causas de morte da populacao mundial tem se modificado (5,7,8). No modelo desenvolvido por Omran (6), a transicao epidemiologica e com posta por tres estagios, caracterizados por diferentes causas de mortalidade predominantes da populacao. O primeiro estagio e caracterizado por altas taxas de mortalidade por doencas infecciosas e parasitarias, que atingiam preferencialmente os mais jovens, ocasionando uma expectativa de vida ao nascer que oscilava entre 20 e 40 anos (8). No segundo estagio, as doencas infecciosas e parasitarias cedem espaco para as cronicas nao transimissiveis; como estas acometem preferencialmente adultos maduros, o pico da mortalidade desloca-se para idades maiores e a expectativa de vida atinge os 50 anos de idade. No terceiro estagio a mortalidade se desloca para idades mais avancadas e a expectativa de vida alcanca os 70 anos de idade. Olshanksky e Ault (9) propoem um quarto estagio da transicao epidemiologica, relacionado ao adiamento das doencas degenerativas para idades ainda mais avancadas, e caracterizado pelo aumento da expectativa de vida.

O Brasil nao ficou alheio a transicao epidemiologica. O perfil das causas de morte vem se modificando de forma importante ao longo das ultimas decadas. De acordo com Prata (10), em 1930, as doencas infecciosas eram as principais causas de morte em todas as regioes brasileiras, responsaveis por cerca de 40% dos obitos de brasileiros (11). A partir de 1940, o percentual de obitos por esse grupo de doencas declinou, dando lugar ao aumento da proporcao de obitos por doencas cardiovasculares. Por volta de 1970, as doencas cardiovasculares eram a principal causa de morte no Brasil e correspondiam a aproximadamente 25% dos obitos. Doencas infecciosas e parasitarias ainda representavam uma fatia consideravel das causas de morte (15%), ao mesmo tempo que se observava um aumento da mortalidade por neoplasias e causas externas (11). Na decada de 1980, o grupo de doencas do aparelho circulatorio figurava como principal causa de morte e as causas externas, pouco expressivas na primeira metade do seculo, passaram a ter maior expressao. Essa tendencia permaneceu nas decadas seguintes. Na primeira decada dos anos 2000, o perfil de mortalidade da populacao brasileira pouco mudou em relacao a anterior, apesar da tendencia de aumento da proporcao de obitos por neoplasias.

Como resultado dessas mudancas, a expectativa de vida ao nascer no Brasil aumentou de 36,5 anos, em 1930, para 69,9 anos, em 2000. Entre 2000 e 2010, a expectativa de vida ao nascer no Brasil aumentou em 4 anos, chegando a 73,9 anos. Entre as mulheres, o aumento foi menor, de 3,7 anos; para os homens, o aumento foi de 4,2 anos. Em 2010, mulheres viviam em media 77,6 anos e os homens 73,9 anos (12).

O aumento absoluto da expectativa de vida ao nascer e resultado da queda das taxas de mortalidade. Apesar de importante, o indicador nao permite identificar se houve algum grupo etario ou alguma causa de morte que tenha contribuido mais--ou menos--para esse aumento (3). Entender como os diferentes grupos etarios ou as distintas causas de morte contribuem para o aumento da expectativa de vida, ou mesmo como a combinacao desses aspectos afeta o indicador, pode ser fundamental no planejamento de acoes e politicas focadas no controle de doencas e agravos a saude. Para isso, e necessaria a aplicacao de algum metodo que permita separar a variacao da expectativa de vida em componentes e, assim, permitir esse entendimento do fenomeno (3).

Diversos metodos de decomposicao podem ser aplicados especificamente a dados de mortalidade, para decompor diferencas na taxa bruta de mortalidade (13,14) ou na expectativa de vida ao nascer (15-19). O metodo de decomposicao de Pollard (15) e utilizado para analisar as mudancas nos niveis de mortalidade e permite desagregar a diferenca das expectativas de vida ao nascer entre dois periodos, em contribuicoes especificas a variacao da mortalidade, segundo grupos de idade e causas de morte.

No Brasil, alguns estudos utilizaram metodos de decomposicao para analisar o impacto das variacoes na mortalidade e na evolucao da expectativa de vida ao nascer no Brasil. Siviero et al. (20) utilizaram um metodo desenvolvido pelas Nacoes Unidas (19) para decompor a expectativa de vida no municipio de Sao Paulo entre 1920 e 2005. Outros tres trabalhos utilizaram o metodo de decomposicao de Pollard (15). Abreu e Rodrigues (21) analisaram os diferenciais de mortalidade entre as regioes metropolitanas de Belo Horizonte e Salvador nos anos de 1985 e 1995. Botega et al. (22) analisaram os dados do estado de Santa Catarina em 1990 e 1999. Belon e Barros (23) analisaram os dados para o municipio de Campinas em 1991, 2000 e 2005. Apesar da contribuicao aos estudos sobre mortalidade, esses trabalhos referem-se a unidades geograficas especificas, sem que seja feita uma analise dos dados do Brasil como um todo, que possam fornecer um panorama diferenciado da mortalidade no pais e que sirva de base para a comparacao com unidades geograficas menores. Este trabalho pretende preencher essa lacuna, ao decompor diferenciais de expectativa de vida ao nascer para o Brasil em periodo recente.

O objetivo principal deste trabalho e mensurar a contribuicao dos grupos etarios e causas de morte selecionadas na variacao da expectativa de vida ao nascer de homens e mulheres, a partir da aplicacao do metodo de decomposicao de Pollard aos dados brasileiros de 2000 e 2010.

Materiais e metodos

Para aplicar o metodo de decomposicao de Pollard (15), e necessario que se tenha duas tabuas de mortalidade, cuja diferenca na expectativa de vida ao nascer se queira decompor. No presente trabalho, foram decompostas as variacoes de mortalidade de tres categorias, entre 2000 e 2010: mulheres, homens e ambos os sexos. Para cada categoria, foram utilizadas duas tabuas de vida abreviadas, de 2000 e de 2010, publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) (12), e que contem as informacoes necessarias para a aplicacao do metodo. A aplicacao do metodo foi feita no programa Microsoft Excel.

As tabuas de vida disponibilizadas pelo IBGE (12) foram construidas com o total de obitos observados na populacao, que considera todas as causas. Para se trabalhar os dados por causas de morte, foram utilizados os dados sobre mortalidade do Sistema de Informacoes sobre Mortalidade (SIM) (24) e calculadas as proporcoes de obitos, considerando medias trienais centradas nos anos 2000 e 2010, por causa de morte e grupo etario, em relacao ao total de obitos naquele ano. As proporcoes de obitos por causa de morte foram utilizadas na aplicacao do metodo.

As causas de morte foram agrupadas segundo capitulos da 10a versao da Classificacao Internacional de Doencas--CID-10. As causas de morte selecionadas para analise sao as mais relacionadas a transicao da mortalidade: doencas infecciosas e parasitarias (capitulo 1), neoplasias (capitulo 2), doencas do aparelho circulatorio (capitulo 9), doencas do aparelho respiratorio (capitulo 10), causas mal definidas (capitulo 18), causas externas (capitulo 20) e outras causas (que nao se encaixam nas categorias mencionadas).

Metodo de decomposicao de Pollard

O metodo de decomposicao de Pollard (15) permite separar a variacao na expectativa de vida ao nascer entre duas tabuas de mortalidade em contribuicoes das taxas de mortalidade por grupos etarios e por causas de morte. De acordo com Castro (25), o metodo de Pollard se aplica a casos em que a variacao das taxas de mortalidade e heterogenea entre os grupos etarios. O metodo e composto por um conjunto de equacoes e leva em consideracao as contribuicoes, em numero de anos e em porcentagem, de cada grupo etario e tambem de cada causa de morte, para a diferenca na expectativa de vida ao nascer.

A diferenca na expectativa de vida ao nascer entre dois momentos, [t.sub.1] e [t.sub.2], e dada pela equacao (1), na qual [sub.n][Q.sub.x,t] e a forca de mortalidade entre as idades x e x+n, obtida da equacao (2), e [W.sub.x] e o peso idade x, obtido a partir da relacao (3).

[e.sub.0,t1] - [e.sub.0,t2] = [SIGMA] ([sub.n][Q.sub.x,t1] - [sub.n][Q.sub.x,t2]) x [W.sub.x] [e.sub.0,t1] (1)

[sub.n][Q.sub.x,t] = -ln ([l.sub.x + n,t] / [l.sub.x,t]) (2)

[W.sub.x] = 0,5 x ([l.sub.x,t1]/[l.sub.0,t1]) x [e.sub.x,t2] + ([l.sub.x,t2] / [l.sub.0,t2]) x [e.sub.x,t1] (3)

Nas equacoes (2) e (3), [l.sub.x,t] representa os sobreviventes a idade exata x no momento t, [l.sub.0] e a raiz da tabua de mortalidade em t, [e.sub.x,t] e a expectativa de vida a idade exata x, no momento t. As funcoes [e.sub.x] e [l.sub.x] sao derivadas da tabua de mortalidade.

Para decompor o diferencial de expectativa de vida segundo causas de morte, e necessario estimar a forca da mortalidade pela causa (i) entre as idades x e x+n, [sub.n][Q.sub.x.sup.(i)], multiplicando-se a forca da mortalidade por todas as causas, estimada de acordo com a equacao (2), pela proporcao de obitos da causa.

[sub.n][Q.sub.x.sup.(i)] = [sub.n][Q.sub.x] x [sub.n][d.sub.x.sup.(i)] / [sub.n][d.sub.x.sup.x] (4)

Na relacao (4), [sub.n][d.sub.x.sup.(i)] e o numero de obitos entre as idades x e x+n pela causa (i) e [sub.n][d.sub.x] e o numero de obitos entre as idades x e x + n, considerando todas as causas.

Partindo da suposicao de que existe independencia da mortalidade por causas de morte, a estimacao da contribuicao dos grupos por causa, segundo faixas etarias, no aumento da expectativa de vida ao nascer entre os periodos de 2000 e 2010, pode ser obtida atraves da equacao (5):

[MATHEMATICAL EXPRESSION NOT REPRODUCIBLE IN ASCII] (5)

A partir das equacoes (1) a (5), e possivel calcular a contribuicao de cada grupo etario, por causas de morte. A contribuicao de um grupo etario ou uma causa de morte na expectativa de vida ao nascer pode ser interpretada como o numero de anos acrescentados--no caso de contribuicoes positivas--ou retirados--no caso de contribuicoes negativas--da expectativa de vida, em funcao da variacao da mortalidade daquele grupo etario ou causa de morte. A contribuicao relativa leva em consideracao a variacao total na expectativa de vida ao nascer.

E importante destacar que o metodo aplicado oferece uma estimativa aproximada da evolucao da expectativa de vida ao nascer entre os periodos analisados (15). Assim, a diferenca obtida pela equacao (5) pode diferir da diferenca entre a expectativa de vida ao nascer observada nas duas tabuas de mortalidade. Essa diferenca se deve, sobretudo, a aproximacao das formulas, na transformacao do modo continuo para o modo discreto e nao se constitui em uma limitacao do metodo (26). Uma limitacao do metodo esta relacionada a nao estimacao da contribuicao do grupo etario aberto para a variacao da expectativa de vida ao nascer (26). Assim, e desejavel que se tenha tabuas de mortalidade que contemplem grupos etarios fechados em idades mais avancadas, o tanto quanto possivel, para que se consiga captar a contribuicao desses grupos--e, por consequencia, de todos os demais--de forma mais precisa.

Resultados

De acordo com o IBGE (12), entre 2000 e 2010, a expectativa de vida ao nascer no Brasil aumentou em 4,41 anos. Para os homens, o aumento foi de 4,44 anos e entre as mulheres foi de 4,22 anos. A analise dos resultados sera feita a partir das contribuicoes relativas de cada grupo etario ou causa, considerando a diferenca total calculada pelo metodo.

Os resultados da aplicacao do metodo de Pollard (15) aos dados brasileiros mostram que as diversas causas de morte e os diversos grupos etarios atuaram de forma distinta na variacao da expectativa de vida ao nascer do brasileiro. Nas Tabelas 1 a 4, valores positivos indicam que a contribuicao da causa ou do grupo etario foi positiva para o aumento da expectativa de vida ao nascer, ou seja, indicam que houve queda da mortalidade pela causa ou no grupo etario. Ao contrario, valores negativos revelam que a variacao na mortalidade pela causa de morte ou no grupo etario atuou no sentido de diminuir a expectativa de vida ao nascer.

Contribuicao das causas de morte para a variacao da expectativa de vida ao nascer

Os dados da Tabela 1 indicam que todas as causas contribuiram positivamente para a elevacao da expectativa de vida ao nascer do brasileiro entre 2000 e 2010. A maior contribuicao foi a das causas mal definidas, responsaveis por 33,1% do aumento da expectativa de vida. Isso significa que, para cerca de 1/3 dos anos ganhos em expectativa de vida no Brasil, nao se sabe qual a causa responsavel. Dentre as causas definidas, a queda da mortalidade por doencas cardiovasculares teve a maior participacao no aumento da expectativa de vida no pais: 23,3% do numero de anos acrescidos a vida media do brasileiro no periodo se deveram a esse grupo de doencas. O grupo das doencas respiratorias contribuiu com 9,2% do aumento, seguido pelos grupos das doencas infecciosas e parasitarias, com 8,8%, das causas externas, com 6,9%. As neoplasias foram as que menos contribuiram para o aumento da expectativa de vida, com 3,1% dos anos acrescidos. As demais causas, nao especificadas neste trabalho, contribuiram com 15,6% dos anos ganhos em expectativa de vida no pais.

Para homens e mulheres (Tabela 1), o perfil de contribuicao das diversas causas foi semelhante, mas houve variacao na magnitude das contribuicoes. Considerando as causas mal definidas, os ganhos para homens foram da ordem de 31%, enquanto para as mulheres o ganho foi maior, de 36%. A queda da mortalidade por doencas do aparelho circulatorio tambem teve maior peso no aumento da expectativa de vida das mulheres, com 27,1% dos anos ganhos, contra 20,5% dos homens. Para as demais causas, o percentual de anos ganhos foi maior entre os homens. A menor diferenca foi na contribuicao das neoplasias: homens ganharam 3,3% dos anos e mulheres ganharam 2,6% dos anos devido a queda da mortalidade. A maior diferenca foi no percentual de contribuicao das causas externas: entre os homens, foram 9,5% dos anos ganhos e, entre as mulheres, 3,2%.

Contribuicao por idade e causas de morte

A Tabela 2 mostra a participacao dos grupos etarios no aumento da expectativa de vida dos brasileiros, para ambos os sexos, e fornece um panorama geral das mudancas da mortalidade por idade, entre 2000 e 2010. Considerando-se o conjunto das causas de morte, os resultados indicam que todos os grupos etarios contribuiram positivamente para o aumento da expectativa de vida. Nesse caso, os menores de 1 ano de idade foram responsaveis pela maior parcela, de 23,4% dos anos acrescidos. Alem do grupo citado, as criancas entre 1 e 4 anos de idade e as pessoas acima de 55 anos de idade contribuiram com percentuais superiores a 7%. As menores contribuicoes, abaixo de 1%, foram dos grupos etarios de criancas e jovens entre 5 e 19 anos de idade.

A analise das contribuicoes que leva em conta idade e causas de morte mostra que o comportamento das diversas causas e diferenciado, alem de permitir maior detalhamento das variacoes da mortalidade (Tabela 2). Para as doencas infecciosas e parasitarias, as melhorias na mortalidade tiveram maior impacto entre as criancas menores de 5 anos de idade, com mais da metade da contribuicao (54,3%). Chamam a atencao, tambem, os percentuais observados para adultos jovens: entre 25 e 39 anos de idade, a soma da contribuicao para o aumento da expectativa de vida da queda da mortalidade por doencas infecciosas e parasitarias foi de 20,2%.

Ao se considerar a queda da mortalidade por neoplasias, observa-se que grupo etario 1-4 anos de idade e responsavel por 10,5% do ganho em expectativa de vida por essa causa. Alem do grupo citado, os ganhos foram significativos nas idades mais maduras, a partir dos 40 e ate os 74 anos de idade, que, somados, sao responsaveis por mais de 80% do ganho em expectativa de vida no periodo por mortes nao ocorridas por neoplasias. O grupo etario 75-79 anos, embora com percentual baixo (0,6%) contribuiu negativamente para a expectativa de vida, ou seja, o aumento da mortalidade por neoplasias nesse grupo etario retirou um pequeno percentual de anos da vida media do brasileiro.

A contribuicao das doencas cardiovasculares para o aumento da expectativa de vida e evidente entre os adultos maduros. Pessoas de 40 anos de idade ou mais contribuiram com 92,6% do aumento na expectativa de vida por esse grupo de causas. O aumento da expectativa de vida pela reducao da mortalidade por doencas respiratorias teve maior participacao dos grupos etarios abaixo de 5 anos de idade, com 41,6%, e dos maiores de 60 anos de idade, com 34,0% dos anos de vida acrescentados por esse grupo de causas. Para o conjunto de causas externas, o grupo etario 1519 anos contribuiu negativamente para a evolucao da expectativa de vida, embora o percentual tenha sido baixo (0,2%). A contribuicao positiva maior foi dos grupos de 25 a 49 anos de idade, cuja queda da mortalidade por causas externas foi responsavel pela metade dos anos acrescentados a expectativa de vida por essas causas.

Contribuicao por idade, causas de morte e sexo

Quando se consideram todas as causas de morte, homens (Tabela 3) e mulheres (Tabela 4) tiveram ganhos positivos para a expectativa de vida entre 2000 e 2010 em todos os grupos etarios. Para os homens, 25% dos ganhos estao concentrados no primeiro grupo etario e ha um aumento progressivo da contribuicao a partir dos 20 anos de idade (exceto para o grupo 70 a 75 anos). Entre as mulheres, ha ganhos importantes no primeiro grupo etario (22%) e nos grupos acima de 50 anos de idade. Esses ultimos, juntos, concentram a metade da contribuicao dos ganhos em expectativa de vida.

Doencas infecciosas e parasitarias tiveram ganhos concentrados entre criancas e adultos jovens. Entre os homens, metade do ganho em expectativa de vida por queda da mortalidade por doencas infecciosas e parasitarias ocorreu nos grupos de criancas de ate 5 anos de idade. Para os grupos etarios entre 25 e 39 anos de idade, o ganho foi de quase 24%. Entre as mulheres, os dois primeiros grupos etarios contribuiram mais, com 61,5%. Entre as adultas, a maior contribuicao foi do grupo etario 25-29, com 6,2%; somadas as mulheres de 30 a 39 anos de idade, a contribuicao foi de quase 14%, indicando diferenca de 10 pontos percentuais em relacao aos homens.

A contribuicao da queda da mortalidade por neoplasias para homens e mulheres foi mais concentrada entre os adultos maduros. Homens de 40 a 74 anos de idade contribuiram com cerca de 85% do aumento. Entre as mulheres, a contribuicao para essas idades foi menor, de 77%. No entanto, nem todos os grupos contribuiram positivamente para o aumento da expectativa de vida, como os homens de 20 a 24 anos e de 75 a 79 anos de idade, e as mulheres de 10 a 19 e de 30 a 34 anos de idade.

Para as doencas cardiovasculares, as contribuicoes maiores foram dos adultos e idosos, tanto para homens, quanto para mulheres. Para os homens, 77,4% do aumento da expectativa de vida por esse grupo de causas ocorreu nos grupos etarios acima de 50 anos de idade. Para as mulheres, a contribuicao mais expressiva foi dos grupos etarios acima de 55 anos (72%).

O aumento da expectativa de vida dos homens devido a queda da mortalidade por doencas respiratorias teve contribuicao maior dos grupos abaixo de 5 anos de idade (quase 40%) e tambem dos grupos de 60 anos ou mais de idade que, somados, chegam a 36,4% da contribuicao. Entre as mulheres, a contribuicao dos menores de 5 anos e maior que entre os homens, de 46,8%, e menor entre os idosos, com 27,1%.

Para as causas externas, as diferencas entre homens e mulheres sao maiores. Entre os homens, o grupo 15-19 contribui negativamente, bem como o grupo 75-79 anos de idade. Entre as mulheres, a contribuicao negativa e dos grupos acima dos 70 anos de idade. Homens entre 25 e 49 anos de idade contribuiram com praticamente a metade dos anos acrescentados pela queda da mortalidade masculina por causas externas, embora a maior contribuicao individual de um grupo etario, de 14,7%, tenha sido do grupo de 1 a 4 anos de idade. No caso das mulheres, a maior contribuicao tambem foi do grupo 1 a 4 anos, porem com percentual maior, de 35,1% dos anos acrescentados por esse grupo de causas. Esse percentual, se somando a contribuicao das meninas de ate 14 anos de idade, chega a quase 60% da contribuicao da queda da mortalidade por causas externas entre as mulheres. Entre as mulheres adultas, o grupo que mais contribuiu foi o de 35 a 39 anos de idade, com 8,5%.

As causas nao detalhadas neste trabalho, agrupadas como demais causas, tiveram uma contribuicao predominante do grupo etario dos menores de 1 ano, tanto para homens quanto para mulheres.

Discussao

A expectativa de vida ao nascer no Brasil teve uma evolucao importante entre os anos 2000 e 2010. O incremento e resultado da queda das taxas de mortalidade no pais, seja considerando grupos etarios, seja considerando causas de morte. Os resultados mostram que o aumento da expectativa de vida no Brasil se deveu a queda da mortalidade por todas as causas consideradas, em praticamente todos os grupos etarios. Embora a queda da mortalidade tenha sido generalizada, ela nao foi homogenea, tendo atingido homens, mulheres, criancas, jovens, adultos e idosos de forma diferenciada. O conhecimento dessa pluralidade permite, alem da proposicao de politicas na area da saude mais focadas, situar o pais frente a evolucao da transicao epidemiologica.

De acordo com Paes e Silva (27), com a transicao epidemiologica, o risco de morte por doencas infecciosas e parasitarias diminui e perde participacao como foco prioritario de acao, ao passo que ocorre um aumento da mortalidade por doencas cronico-degenerativas. Apesar de ainda permanecerem frequentes mortes por infeccoes, tuberculose, doenca de Chagas e AIDS28, a queda das taxas de mortalidade por doencas infecciosas e parasitarias se refletiu nas contribuicoes positivas encontradas em todos os grupos etarios para essa causa de morte, resultando no aumento da expectativa de vida ao nascer do brasileiro. Chamam a atencao os percentuais observados principalmente entre homens adultos, com contribuicao alta em relacao a outros grupos etarios proximos. Esse ganho em anos pode estar ligado a queda da mortalidade por AIDS, em funcao do maior acesso ao tratamento adequado. A tambem alta contribuicao dos grupos etarios iniciais mostra que o Brasil tem combatido, mas ainda tem que avancar no combate a mortalidade infantil e na infancia, que estao fortemente relacionadas a condicoes precarias de vida: agua e esgoto nao tratados adequadamente, cobertura da vacinacao, pobreza, baixa escolaridade etc.

As doencas do aparelho circulatorio estao associadas, sobretudo, ao sedentarismo, consumo excessivo de alcool e tabaco, alimentacao inadequada etc. (22,23). Apesar de serem as causas associadas ao maior percentual de obitos na populacao brasileira, houve diminuicao nas taxas. A maior preocupacao com o controle e prevencao dessas doencas, e a melhoria continua na area de saude contribuiu para que as doencas do aparelho circulatorio se tornassem a segunda causa de morte com maior contribuicao para o aumento da expectativa de vida ao nascer no Brasil.

As doencas do aparelho respiratorio, responsaveis pelo terceiro maior acrescimo na evolucao da expectativa de vida ao nascer, apresentaram contribuicoes positivas em todas as faixas etarias. A proporcao encontrada no Brasil, de 9,6% para os homens e 8,5% para as mulheres, e considerada alta se comparada ao resultado obtido para o estado de Santa Catarina entre 1990 e 199922 , de 4,1% para homens e 0,15% para mulheres. Acoes especificas, como a vacinacao de grupos de risco contra a gripe e pneumonia, tem, provavelmente, contribuido para a queda da mortalidade por doencas do aparelho respiratorio.

A queda das taxas de mortalidade por neoplasias representou o menor ganho relativo em anos de vida do brasileiro, homens e mulheres, apesar das melhorias no tratamento e mesmo do acesso a este. Chama a atencao o alto percentual de anos ganhos entre as mulheres adultas, provavelmente ligado a queda da mortalidade por cancer de mama. Nos paises desenvolvidos as neoplasias contribuem positivamente para o ganho na expectativa de vida ao nascer desde o inicio dos anos 19803. O Brasil apresenta dificuldades no combate dessas doencas, pois, alem de outras causas, grupos socioeconomicos mais baixos tem maior dificuldade de acesso ao diagnostico e tratamento adequados (29). Ademais, por se tratar de valores relativos, os resultados sao influenciados pela melhoria mais efetiva em outras causas.

A maior contribuicao para o ganho na expectativa de vida ao nascer do brasileiro ao longo do periodo analisado foi resultante da queda da mortalidade por causas mal definidas. O lado positivo desse resultado e a indicacao da melhoria na qualidade da informacao sobre a causa dos obitos. O lado negativo e nao permitir identificar corretamente as causas que contribuiram para o aumento da expectativa de vida. Apesar da queda do percentual de causas definidas no Brasil entre 2000 e 2010, de 14% para 7%, esse e um aspecto que ainda deve ser motivo de preocupacao. Indicadores eficientes de mortalidade por causas de morte sao relevantes porque subsidiam o planejamento das acoes de saude e avaliacao destas, sendo, portanto, importantes na analise da situacao de saude para direcionamento de politicas publicas (30). Percentuais elevados de causas mal definidas sugerem deficiencias na declaracao, registro, coleta, critica e analise dos dados sobre mortalidade (31). Considerando a heterogeneidade socioeconomica do pais, que se reflete tambem na qualidade das informacoes sobre mortalidade, e de se esperar que algumas regioes tenham indices bem mais altos que a media do pais. Outro ponto a considerar e que, na medida em que a proporcao de obitos por causas mal definidas diminui, outras- definidas--podem ter seu percentual aumentado, ou diminuido em menor magnitude, por nao terem sido identificadas no passado.

As mortes por causas externas vem aumentando proporcionalmente no Brasil (21,32), chegando a ser a principal causa entre jovens. Apesar disso, os resultados mostram que, no geral, esse grupo de causas de morte foi responsavel por um incremento de 6,9% dos anos ganhos em expectativa de vida e apenas os grupos etarios de 15 a 19 e de 75 a 79 anos contribuiram negativamente para a expectativa de vida, com alguma variacao entre homens e mulheres. As causas externas tiveram menor peso no aumento da expectativa de vida ao nascer do sexo feminino, se comparado ao masculino. Entre os jovens de 15 a 24 anos, somente os homens apresentam contribuicao negativa, o que reforca os resultados encontrados na literatura, em que os homens jovens sao apontados como as principais vitimas fatais de violencia e acidentes de transito (21).

As causas externas sao consideradas evitaveis e podem representar um ganho mais significativo na evolucao da expectativa de vida ao nascer do Brasil, se politicas publicas voltadas para a reducao do nivel de mortalidade dessa causa fossem realizadas. O desenvolvimento de acoes ligadas a prevencao de acidentes de transito e violencia, por exemplo, pode fazer com que mortes por causas externas tenham seu numero reduzido.

Os maiores ganhos de anos de vida, entre 2000 e 2010, se concentraram entre os menores de 1 ano de idade. Por um lado, esse aspecto evidencia importantes avancos em um dos principais indicadores de mortalidade, a infantil. Por outro lado, a alta concentracao da contribuicao nesse grupo mostra que a mortalidade infantil ainda e relativamente alta e que o pais ainda tem muito a avancar em termos de reducao da mortalidade.

Para o sexo masculino, o primeiro grupo de idade, 0 a 1 ano, e as a partir de 60 anos sao responsaveis por 66% do incremento na expectativa de vida ao nascer, e para mulheres 72%. Tais resultados sao consistentes aos observados na literatura. Na Alemanha, entre 1962 e 2002, o grupo etario de 0 a 4 anos, e as pessoas com mais de 65 anos tiveram contribuicao de cerca de 60%, para homens, e 70%, para mulheres, no aumento do numero medio de anos a se viver (3). Para a Italia, entre 1985 e 1994, os menores de 1 ano de idade e as pessoas acima dos 55 anos foram responsaveis por cerca de 90% do aumento na expectativa de vida ao nascer no periodo entre os homens e as mulheres (33).

O metodo de decomposicao de Pollard (15) e de grande utilidade na elaboracao de um panorama mais completo da evolucao da expectativa de vida ao nascer entre dois periodos, complementar a analise de tendencias do indicador. O metodo mensura a contribuicao de cada grupo etario e causa de morte no aumento (ou queda) do tempo medio de vida da populacao analisada. Essa informacao pode ser de grande utilidade na elaboracao de politicas publicas de saude, na medida em que permite identificar causas e/ou grupos etarios carentes de maior atencao. Nesse sentido, os resultados da aplicacao do metodo permitem acoes mais focadas, que tenham como objetivo a diminuicao das taxas de mortalidade da populacao e consequente aumento da expectativa de vida ao nascer.

DOI: 10.1590/1413-81232017223.26652016

Colaboradores

ERP Correa trabalhou na concepcao, pesquisa, metodologia e redacao preliminar. A Miranda -Ribeiro trabalhou na concepcao, revisao e na redacao final.

Referencias

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Artigo apresentado em 23/04/2016

Aprovado em 23/11/2016

Versao final apresentada em 25/11/2016

Erika Ribeiro Pereira Correa [1]

Adriana de Miranda-Ribeiro [2]

[1] Departamento de Estatistica, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Av. Pres. Antonio Carlos 6627, Pampulha. 31270-901 Belo Horizonte MG Brasil. correa-erika@hotmail.com

[2] Departamento de Demografia, UFMG. Belo Horizonte MG Brasil.
Tabela 1. Contribuicoes relativas das causas de morte na variacao da
expectativa de vida ao nascer no Brasil entre 2000 e 2010 para ambos
os sexos, homens e mulheres.

Causas de morte                      Homens   Mulheres   Total
Doencas infecciosas e parasitarias     9,5       7,9       8,8
Neoplasias                             3,3       2,6       3,1
Doencas do aparelho circulatorio      20,5      27,1      23,3
Doencas do aparelho respiratorio       9,6       8,5       9,2
Causas mal definidas                  31,2      36,0      33,1
Causas externas                        9,5       3,2       6,9
Outras causas                         16,5      14,7      15,6
Total                                100,0     100,0     100,0

Fontes: IBGE (12) e Sistema de Informacoes sobre Mortalidade (24).
Elaboracao dos autores.

Tabela 2. Contribuicoes relativas por idade na variacao da
expectativa de vida ao nascer no Brasil entre 2000 e 2010, total e
por causas de morte, para ambos os sexos.

Grupos    Todas as      Doencas       Neoplasias    Doencas do
Etarios    causas     infecciosas                    aparelho
                     e parasitarias                circulatorio

0-1        23,4          38,4            0,7           0,3
1-4         7,9          15,9           10,5           0,7
5-9         0,8           0,8            0,8           0,1
10-14       0,7           0,3            0,0           0,2
15-19       0,4           0,7            0,0           0,3
20-24       1,2           2,8            0,0           0,4
25-29       2,5           6,5            0,4           0,9
30-34       3,2           8,0            1,1           1,6
35-39       3,9           5,7            5,6           2,9
40-44       4,9           3,7           12,6           5,5
45-49       5,4           2,7           13,5           8,1
50-54       5,7           2,4            9,2           9,6
55-59       7,1           3,0            7,9          12,2
60-64       8,7           3,2           17,4          14,5
65-69       9,0           2,9           14,3          15,8
70-74       8,1           1,8            6,5          14,4
75-79       7,0           1,1           -0,6          12,4
Total     100,0          100,0         100,0         100,0

Grupos     Doencas do     Causas      Causas    Outras
Etarios     aparelho        mal      externas   causas
          respiratorio   definidas

0-1          24,8          15,7        3,2      78,3
1-4          16,8           5,4       18,3       9,3
5-9           0,6           0,7        6,7      -0,3
10-14         0,6           0,6        6,2      -0,4
15-19         0,8           0,7       -0,2      -0,2
20-24         0,9           1,1        5,2       0,4
25-29         1,6           1,7       11,0       1,4
30-34         2,3           2,4       10,5       2,4
35-39         2,6           3,1       11,4       3,2
40-44         3,5           4,2        9,8       3,4
45-49         2,9           5,1        7,1       2,7
50-54         3,1           6,3        4,1       1,8
55-59         5,4           8,2        3,9       1,9
60-64         8,9           9,8        2,6       1,9
65-69        10,0          11,0        1,1       0,1
70-74         8,3          11,7        0,0      -1,6
75-79         6,8          12,4       -0,9      -4,1
Total       100,0         100,0      100,0     100,0

Fontes: IBGE (12) e Sistema de Informacoes sobre Mortalidade (24).
Elaboracao dos autores.

Tabela 3. Contribuicoes relativas por idade na variacao da
expectativa de vida ao nascer no Brasil entre 2000 e 2010, total e
por causas de morte, para homens.

Grupos    Todas as      Doencas      Neoplasias    Doencas do
Etarios    causas    infecciosas e                  aparelho
                     parasitarias                 circulatorio

0-1         24,5         36,4           0,7           0,4
1-4         7,9          14,4           9,2           0,7
5-9         0,9           0,7           0,6           0,1
10-14       0,7           0,4           0,2           0,1
15-19       0,2           0,8           0,2           0,2
20-24       1,3           2,4          -0,3           0,2
25-29       3,1           6,7           0,5           0,9
30-34       4,1           9,8           1,5           1,6
35-39       4,6           7,4           5,4           3,0
40-44       5,5           4,5          10,7           5,9
45-49       5,9           3,1          14,8           9,4
50-54       5,6           2,4           7,6          10,9
55-59       6,8           2,7           8,8          12,8
60-64       8,1           2,9          17,8          14,8
65-69       8,5           2,8          17,6          16,3
70-74       7,1           1,7           7,4          13,1
75-79       5,3           1,0          -2,5           9,5
Total      100,0         100,0        100,0         100,0

Grupos     Doencas do     Causas      Causas    Outras
Etarios     aparelho        mal      externas   causas
          respiratorio   definidas

0-1           24,1         16,7        2,5       80,1
1-4           15,5          5,6       15,0        8,4
5-9           0,7           0,7        5,6       -0,3
10-14         0,5           0,6        5,3       -0,3
15-19         0,7           0,7       -1,5       -0,3
20-24         0,8           1,3        5,7        0,1
25-29         1,6           1,9       12,9        1,4
30-34         2,4           2,8       12,6        2,8
35-39         2,8           3,5       12,0        3,7
40-44         3,7           4,5       10,8        4,3
45-49         2,9           5,4        7,9        3,0
50-54         2,9           6,4        4,0        1,2
55-59         5,2           8,3        3,9        1,0
60-64         9,2           9,6        2,6        0,8
65-69         10,9         10,6        1,0       -0,6
70-74         9,5          10,7        0,2       -1,9
75-79         6,9          10,6       -0,6       -3,4
Total        100,0         100,0     100,0      100,0

Fontes: IBGE (12) e Sistema de Informacoes sobre Mortalidade (24).
Elaboracao dos autores.

Tabela 4. Contribuicoes relativas por idade na variacao da
expectativa de vida ao nascer no Brasil entre 2000 e 2010, total e
por causas de morte, para mulheres.

Grupos    Todas as      Doencas      Neoplasias    Doencas do
Etarios    causas    infecciosas e                  aparelho
                     parasitarias                 circulatorio

0-1         22,5         42,8           0,6           0,2
1-4         8,2          18,8          13,2           0,7
5-9         0,8           1,1           1,3           0,1
10-14       0,6           0,3          -0,4           0,2
15-19       0,7           0,6          -0,3           0,4
20-24       1,2           3,6           1,1           0,7
25-29       1,7           6,2           0,4           1,0
30-34       2,1           4,8          -0,2           1,6
35-39       2,9           2,6           6,6           2,9
40-44       4,1           2,1          18,5           5,2
45-49       4,7           2,0          11,7           6,8
50-54       5,8           2,4          14,3           8,3
55-59       7,6           3,6           8,1          11,7
60-64       9,6           3,7          16,7          14,3
65-69       9,4           2,9           5,8          15,1
70-74       9,1           1,5           2,1          15,4
75-79       8,9           1,0           0,3          15,4
Total     100,0         100,0        100,0          100,0

Grupos     Doencas do     Causas      Causas    Outras
Etarios     aparelho        mal      externas   causas
          respiratorio   definidas

0-1           27,4         14,7        6,4      76,2
1-4           19,5          5,2       34,9      10,4
5-9           0,6           0,7       12,0      -0,3
10-14         0,8           0,6       11,4      -0,6
15-19         1,1           0,8        5,2      -0,1
20-24         1,4           1,1        2,6       1,2
25-29         1,8           1,3        2,4       1,5
30-34         2,3           2,0        3,0       1,6
35-39         2,4           2,6        8,0       2,3
40-44         3,4           3,8        4,6       1,8
45-49         3,0           4,7        3,7       2,1
50-54         3,4           6,2        3,3       2,5
55-59         5,9           8,0        3,0       3,4
60-64         8,5          10,2        1,9       3,6
65-69         8,2          11,2        1,6       1,1
70-74         5,2          12,7       -1,2      -1,3
75-79         5,2          14,2       -2,9      -5,3
Total        100,0         100,0     100,0     100,0

Fontes: IBGE (12) e Sistema de Informacoes sobre Mortalidade (24).
Elaboracao dos autores.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Correa, Erika Ribeiro Pereira; de Miranda-Ribeiro, Adriana
Publication:Ciencia & Saude Coletiva
Date:Mar 1, 2017
Words:7504
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