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Fosforo reativo: arraste superficial sob chuvas simuladas para diferentes coberturas vegetais.

Reactive phosphorus: Surface transport under simulated rainfall for different vegetation cover

INTRODUCAO

Os nutrientes nitrogenio e fosforo, presentes nos fluxos decorrentes de enxurradas ocorridas sobre solos agricolas, sao, reconhecidamente, as principais fontes nao pontuais de contaminacao quimica de recursos hidricos (Pote et al., 1996; Bertol et al., 2004a; Lewis & Wurtsbaugh, 2008). Diferente do nitrogenio que pode ser metabolizado diretamente da atmosfera por algumas especies de algas azuis e bacterias, o fosforo e considerado a chave destas fontes, pois, e normalmente o elemento quimico limitante para o desenvolvimento da biota nos corpos d'agua (Hart et al., 2004).

Os principais riscos envolvem a eutrofizacao de corpos d'agua com consequente piora da qualidade da bacia hidrografica (Daniel et al., 1994; McIsaac et al., 1995; Oliveira et al., 2010), danos economicos (Colacicco et al., 1989) e a saude humana (Avalos et al., 2009). Em agua, os limites para que estes processos sejam desencadeados situam-se entre 0,001 e 0,3 mg [L.sup.-1], considerados baixos em relacao a concentracao de fosforo encontrada na porcao de solo agricola perdido por evento de erosao (Barbosa et al., 2009) e mesmo em relacao a atual legislacao brasileira (CONAMA, 2005). Ao mesmo tempo, esta legislacao nao reconhece o elemento fosforo como um possivel contaminante quimico de solo (CONAMA, 2009), reforcando a percepcao do produtor rural de que a fertilizacao agricola, quando orientada a este elemento, so deve obedecer a criterios produtivos e economicos, desconsiderando as questoes ambientais.

Estando o fosforo sob diversas formas no solo, deve-se observar sua origem, os mecanismos necessarios envolvidos para promover seu deslocamento ate algum ponto que possa causar problema e quais formas de danos resultariam disso (Haygarth & Sharpley, 2000). Dentre as formas de transporte, o escoamento superficial vem sendo estudado como o meio de transporte massivo e de velocidade, que muitas vezes, com um simples evento de precipitacao pluviometrica intensa, e suficiente para atingir o nivel de dano estabelecido para os recursos hidricos de uma regiao pelo arraste de fosforo (Sharpley, 1995; Shigaki et al., 2007).

Lombardi Neto & Moldenhauer (1992) citam experiencias na Africa do Sul onde 25,4 mm h-1 seriam chuvas consideradas com energia erosiva suficiente para provocar transporte de solo e, por extensao, o fosforo reativo nele contido.

Apesar da maior quantidade de fosforo carreado pela erosao hidrica estar presente nos sedimentos, arrastados ou em suspensao no fluxo de agua (Gerard-Marchant et al., 2005; Barbosa et al., 2009), rapidamente ele se deposita no solo, ao longo de um declive mais longo ou irregular, reduzindo o risco de causar grande impacto na bacia, fora de seu local de origem (McIsaac et al., 1995). Mesmo assim, se a forma reativa ligada aos sedimentos, componente do fosforo reativo total (FRT), atinge o corpo d'agua em volume expressivo, ele acaba depositado em seu leito, reagindo com a agua ao longo do tempo (Silva & Toledo, 1997; Souza et al., 2007), ao inves de causar uma liberacao imediata do elemento as algas presentes.

O fosforo na forma dissolvida, por outro lado, permanece difuso no fluxo da enxurrada por distancias maiores. Apesar de apresentar concentracao inferior aquela encontrada no FRT, o fosforo reativo dissolvido (FRD), pode disparar sozinho o processo degradativo em corpos d'agua, produto de uma enxurrada. Isto se da, pela pronta disponibilizacao do fosforo na forma ionica dissolvido em agua, representando maior risco de impacto ambiental na bacia (Daniel et al., 1994; Gerard-Merchand, 2005).

Esta fonte de risco vem aumentando com a expansao de sistemas de manejo do solo como a semeadura direta e outros sistemas conservacionistas baseados somente em cobertura vegetal. Nesses sistemas a concentracao de fosforo vinculada aos sedimentos deixa de ser a fonte mais importante de contaminante e o FRT passa a ser, quase na sua totalidade, o FRD (Shigaki et al., 2007).

Ao descrever o sistema de plantio direto Lopes et al. (2010) recomendam cuidado quanto ao prazo, pois indica que nos primeiros cinco anos de conversao de uma area de cultivo tradicional para a semeadura direta ha uma demanda maior por fosforo, com praticamente nenhuma sobra mas, a medida em que as plantas formam uma camada de "palhada" organica sobre a superficie, resultado da ciclagem organica do fosforo do perfil do solo e da deposicao continuada do adubo fosfatado aplicado na superficie, passa a ocorrer o contrario, ou seja, excesso de disponibilizacao do P.

Bertol et al. (2010) apontam que, devido a fatores como esses, existe um grande potencial para haver dano a recursos hidricos, proveniente de formas de fosforo originadas em areas de semeadura direta, mesmo que em areas sem adicao previa de adubacao.

Mesmo no caso de areas com cultura perene, como a cultura da macieira, por exemplo, onde o revolvimento total de solo nao e tecnicamente recomendado apos o pomar estar implantado, o efeito da cobertura pode estar provocando o mesmo fenomeno, ainda nao devidamente registrado pela pesquisa. Por outro lado, o maior efeito de retencao fisica provocado pela estabilidade da area ao longo do tempo, em termos de manejo do solo, tambem pode estar proporcionando as barreiras fisicas necessarias para a retencao do fosforo reativo, por meio do favorecimento da infiltracao de agua no solo, reduzindo o risco direto aos mananciais superficiais (Leite et al., 2004).

Pela dificuldade da retencao ou retirada do fosforo dissolvido, diversos autores concordam que a acao preventiva e a forma mais eficaz de reduzir o risco de um possivel dano ambiental, seja agindo na reducao das fontes em areas sensiveis nas bacias, seja por meio do manejo integrado das areas agricolas (Lopes et al., 2007), porem faltam estudos que indiquem o comportamento dessas formas de fosforo reativo no ambiente brasileiro e os melhores meios para seu manejo.

O objetivo deste trabalho foi quantificar o arraste de fosforo reativo total e dissolvido na agua de escoamento superficial, sob diferentes culturas herbaceas anuais em um Cambissolo e sob regime de chuvas intensas simuladas.

MATERIAL E METODOS

O experimento foi conduzido durante os meses de dezembro de 2009 e maio de 2010, numa sequencia de quatro chuvas simuladas, executadas nos dias 18/12/2009, 28/01/2010, 03/03/ 2010 e 15/05/2010, numeradas de um a quatro, acompanhando o estagio de desenvolvimento das culturas, em uma area experimental do Centro de Ciencias Agroveterinarias, da Universidade do Estado de Santa Catarina (CAV-UDESC), na regiao de Lages, SC, situada na latitude 27 49' Sul e longitude 50 20' Oeste, numa altitude de 937 m, sobre Cambissolo Humico aluminico leptico argiloso (EMBRAPA, 2002).

O clima tambem foi caracterizado segundo Koeppen, como Cfb (Peel et al., 2007) e chuvas acumuladas se situam na faixa de 1600 mm ano-1 (Bertol et al., 2004b).

Seguindo a metodologia aplicada por Gobbi (2009), 10 parcelas experimentais foram estabelecidas e distribuidas ao acaso, porem ordenadas na forma de cinco tratamentos, cada qual com uma repeticao espacial. Em quatro dos tratamentos utilizou-se a semeadura direta sob os cultivos de: soja solteira em cultivo convencional (A), consorcio de milho e feijao semeado na entrelinha em sistema tradicional (B), feijao solteiro em cultivo convencional (C), milho solteiro em cultivo convencional (D) e, adicionalmente, um tratamento em solo sem cultivo, com a superficie totalmente descoberta (E), simulando a situacao ambientalmente critica.

Foram avaliadas as contribuicoes de fosforo reativo segundo a estrutura das plantas cultivadas, utilizando-se fertilizantes agricolas segundo recomendacao para cada cultura (ROLAS, 2004).

Para esta etapa foi escolhida a area mais homogenea possivel visando a implantacao das parcelas e a declividade media do terreno ficou em 0,13422 m [m.sup.-1] e o desvio padrao amostral em 0,00601 m [m.sup.-1].

A campo foi utilizado um equipamento simulador de chuva modelo Swanson (Swanson, 1965), com aspersores de chuva VEEJET 80100 (15 para os experimentos em questao), distribuidos em 10 bracos rotatorios e distribuicao helicoidal numa espiral concentrica, com diametro de 15 m, cobrindo uma area de 176,71 m2 por chuva simulada.

O aparelho foi ajustado para liberar em torno de 64 mm [h.sup.-1] de precipitacao de agua proveniente de acude, testada quimicamente para determinar a contribuicao de fosforo da fonte. Esta precipitacao e condizente com a intensidade maxima de chuvas de uma hora para um periodo de retorno de 15 anos nas regioes de Lages e Campos Novos, SC (Cardoso et al., 1998).

Cada parcela amostral apresentava uma area de 38,50 [m.sup.2], delimitadas por placas galvanizadas com as dimensoes de 30 cm de altura (cravadas em torno de 10 cm no solo), 11,00 m lineares no comprimento do declive e 3,50 m lineares na largura da parcela. Na parte inferior foi instalada a estrutura coletora na forma de funil, que reunia toda a agua de escoamento superficial da parcela em um unico ponto, sendo conduzido por um cano de 75 mm de diametro e 6 m de comprimento, ate o ponto de coleta (Bertol et al., 2004b; Amaral et al., 2008; Engel et al., 2009). Entre as parcelas foi mantido um espacamento de 3,5 m para posicionamento do simulador de chuvas (Figura 1).

A agua foi coletada em frascos plasticos de boca larga, com volume de 700 mL e armazenada sob refrigeracao a 4,0[degre] C, ate a execucao das analises quimicas para o fosforo reativo total e dissolvido (FRT e FRD). Utilizou-se a medicao colorimetrica da reacao quimica pelo metodo do acido ascorbico em amostras com e sem filtracao ([conjunto vacio] < 0,45 [micron]m), conforme Phosphorous (1998).

[FIGURA 1 OMITTED]

Em referencia aos valores obtidos aplicou-se a analise estatistica com os softwares Assistat[R] e Statistical Analysis System--SAS[R] (SAS, 2003), alem da construcao de graficos com os softwares Microsoft Office Excel 2007[R] e Sigmaplot[R].

As analises estatisticas foram baseadas no SAS[R], realizadas com os dados de todas as unidades experimentais, de acordo com o delineamento em blocos casualizados com repeticao e implantadas com um modelo linear de analise de variancia com medidas repetidas no tempo (Littel et al., 2006).

As comparacoes entre os valores medios nos diferentes tratamentos em cada tempo de leitura foram testadas utilizandose o teste Tukey a 5% (Steel et al., 1997), tal como para a obtencao das equacoes de regressao para os tempos de leitura em cada tratamento.

Para se atender as pressuposicoes teoricas implicitas dos testes, foi necessario se transformar a variavel analisada somando-se uma unidade aos seus valores originais e se obtendo, a seguir, a funcao logaritmo natural (transformacao logaritmica), conforme sugerido pela analise descritiva dos dados. Todas as analises foram procedidas atraves do procedimento MIXED (Littel et al., 2006) do software computacional estatistico SAS[R].

RESULTADOS E DISCUSSAO

FRT em culturas anuais

Os resultados indicaram que o fosforo reativo e por demais depende da aplicacao de fertilizante, uma vez que o fosforo natural na regiao apresenta teores bastante baixos, segundo o tipo de solo do local (EMBRAPA, 2002), reduzindo ou eliminando sua influencia, conforme Pote et al. (1999).

Os principais carreamentos de fosforo reativo total ocorreram durante as primeiras chuvas, sendo que suas concentracoes atingiram valores medios entre 0,001 a 0,006 mg [L.sup.-1], faixa considerada suficiente para desencadear o desenvolvimento de algas em corpos d'agua (Daniel et al., 1994; McIsaac et al., 1995, Correll, 1998). Entretanto, a concentracao e o tipo de P na enxurrada sao fatores que dependem fortemente do ambiente e do manejo (Hart et al., 2004; Bundy et al., 2001), afetando tambem o risco ambiental, visto que somente apos o contaminante se misturar com a agua da bacia, e possivel determinar se a diluicao seria ou nao suficiente para haver o dano.

Desta forma, pequenas bacias com grande area utilizada para agricultura e com corpos d'agua de pequeno volume, podem ser impactadas mais facilmente que bacias com rios maiores ou menor area agricola proporcional, concordando com Sharpley (1995).

Na Tabela 1 sao apresentadas as medias totalizadas de FRT por etapa de chuva simulada e para cada tratamento, quando e possivel avaliar a evolucao do experimento.

Observa-se que as parcelas que apresentavam solo descoberto (tratamento E), aumentaram constantemente os teores de FRT disponibilizados, ao longo das chuvas, evento que pode ser explicado pelo excesso de chuvas nas fases iniciais do experimento, fora do momento das coletas,o que teria "lavado" o fosforo reativo desses locais.

Posteriormente, o regime de chuvas tendeu a epocas de pouca precipitacao, mantendo o fosforo para ser coletado nos momentos do experimento. Este comportamento de perda de fosforo sob volume excessivo de chuvas e de manutencao do fosforo em periodo sem chuvas, tambem foi observado em experimentos conduzidos por Sharpley et al. (1981) e por Pote et al. (1999), sob diversas condicoes, nos Estados Unidos.

Verificou-se que a concentracao de FRT reduziu em todos os tratamentos que contaram com cobertura vegetal da primeira para a segunda coleta e apos o que se constatou variacao de comportamento, fato tambem explicado pela evolucao vegetativa das culturas, do primeiro para o segundo teste, haja vista que durante a primeira coleta as culturas ainda estavam em estagio inicial, com grandes areas de solo descoberto. Na segunda coleta, aproximadamente 30 dias apos a primeira, as parcelas de A a D se mantinham completamente cobertas, reduzindo o impacto direto da gota da chuva com o solo e a movimentacao do solo na superficie do terreno, oferecendo maior resistencia ao fluxo da enxurrada, reduzindo significativamente os teores de FRT, sobretudo nas parcelas B eC.

A partir da terceira coleta verificou-se variacao de valores de FRT coletados nas parcelas B e C nas quais havia, respectivamente, consorcio de milho-feijao e feijao solteiro, pois as plantas de feijoeiro foram colhidas por arranquio sem resteva, revolvendo parcialmente a superficie do solo e o deixando, ainda, exposto a erosao pela chuva simulada.

Por fim, no momento da quarta chuva todas as culturas ja haviam sido colhidas por meio de arranquio, o que provocou aumento acentuado nos teores de fosforo disponivel sobre o solo; entretanto, nas parcelas B e C, como nao houve movimentacao nesta etapa e na chuva anterior ja ter sido retirada parte do fosforo reativo da area, os teores de FRT chegaram a apresentar pequena reducao nas amostras coletadas.

Analisando o grafico da Figura 2, no qual foram desconsiderados os valores de FRT das parcelas de solo descoberto, foi possivel reapresentar a evolucao do fosforo nas parcelas com cobertura visando analisar melhor se houve influencia do tipo de cobertura no arraste do FRT.

[FIGURA 2 OMITTED]

Este comportamento tambem foi descrito por Barbosa et al. (2009), em uma serie de cinco chuvas simuladas, em que o teor de P na enxurrada decaiu ao longo das quatro primeiras chuvas, enquanto ainda havia cobertura vegetal; apesar disto, durante a ocorrencia da quinta chuva apos a colheita e mesmo com o solo coberto com os residuos das plantas, os teores de P aumentaram.

Aplicando a analise estatistica das medias do FRT, observou-se que o nivel de significancia das medias para todas as analises foi positivo para 5% de probabilidade, no teste de Tukey.

Para fosforo reativo total somente o tratamento E (solo descoberto), apresentou diferenca significativa em comparacao com os demais, que tambem nao diferiram entre si para este nivel de significancia. Mesmo quando o tratamento E foi desconsiderado, verificou-se que nao houve diferenca significativa nas medias dos tratamentos A, B, C e D a nivel de significancia de 5% Tukey demonstrando que o tipo de cobertura nao afeta o transporte do FRT.

Quando analisado o impacto causado ao experimento pelas diferentes chuvas ao longo do tempo, verificou-se que apenas a ultima chuva apresentou diferenca significativa reforcando a importancia do uso de cobertura de solo agricola, de maneira geral, sob regime de chuvas intensas.

Analisando individualmente as culturas bloqueadas no tempo de coleta, as coletas 1 e 4 diferiram das coletas 2 e 3, aspecto justificado pela presenca de vegetacao massiva em diferentes periodos, mesmo com o reves da area de feijao ja colhida, contra as medias das areas descobertas nos periodos 1 e 4.

Tambem foi detectada interacao entre as medias de tratamento versus blocos, para o periodo da coleta 3, quando as parcelas com feijao solteiro (C) diferiram das de soja (A) e milho (D) porem as parcelas de consorcio (B) nao diferiram das demais.

Esses resultados sao corroborados pelo proposto em Bertol et al. (2010), cuja cobertura vegetal e citada como uma das formas de se impedir o arraste de fosforo, desde que acompanhadas por outras praticas de contencao fisica e por manejo do solo, principalmente em areas manejadas sob semeadura direta.

Portanto, uma vez que a teoria do filme apresentada em Zhang et al. (1997) parece atender as questoes envolvidas no arraste de fosforo reativo total em solos do sul do Brasil, o processo erosivo inicial resultante da chuva, a desagregacao, seria restrito pela cobertura vegetal (Bertol et al., 2010), porem teria menor importancia do que praticas de contencao mecanica, como curvas de nivel ou camalhoes, similares aos encontrados nas areas de fruticultura, para a contencao do FRT com baixa presenca de fosforo reativo soluvel (FRS).

Tais conclusoes podem afetar, sobremaneira, bacias localizadas em regioes de clima tropical que permitam mais de um cultivo por estacao e o risco de chuvas intensas possa afetar e atingir o solo descoberto recem-adubado, que aumenta e chega a dobrar em relacao as regioes de clima temperado (Hart et al., 2004). Algumas regioes no sul do Brasil que se encaixam na condicao de clima tropical, seriam as regioes litoraneas de SC e RS, alem da regiao oeste desses dois estados.

FRD em culturas anuais

Alem do FRT analisou-se, tambem, a disponibilidade do fosforo reativo dissolvido (FRD) e, por diferenciacao, o fosforo reativo suspenso (FRS), quando necessario.

Com o agrupamento dos dados notou-se que o tratamento E, apesar de apresentar valores acima dos demais para o FRT, nao manteve os mesmos patamares em relacao ao FRD, o que pode ser creditado ao maior volume de particulados de solo na enxurrada e, consequentemente, maior volume de FRS. Este comportamento condiz com aquele descrito por Whiters et al. (2001), e assim os valores de equilibrio na solucao da agua da enxurrada permanecem similares aos dos demais tratamentos (Figura 3).

Foi possivel verificar, com excecao para parcelas de solo descoberto, que apenas numa pequena parte do ano nas bacias rurais o FRD representou grande parte do FRT demonstrando que, mesmo em condicoes de solo com cobertura, a enxurrada proveniente dessas areas pode provocar prejuizos aos corpos d'agua a grandes distancias, uma vez que esta parcela do fosforo permanece dissolvido na agua da enxurrada por longo tempo, concordando com Pote et al. (1999).

A analise estatistica das medias do FRD, estruturada como delineamento em blocos casualizados com repeticoes, apresentou significancia a nivel de 5% (Tukey) para as medias dos tratamentos, para as medias dos blocos, e a interacao tratamento versus blocos.

[FIGURA 3 OMITTED]

Em relacao aos tratamentos, as parcelas B e C nao apresentaram diferenca significativa entre si, da mesma forma que as parcelas D e E; entretanto, cada uma dessas duplas apresentou diferenca significativa entre si demonstrando que o tipo de manejo influenciou a presenca de FRD na enxurrada; ja o tratamento A nao apresentou diferenca significativa para nenhum dos demais tratamentos.

Analisando as medias dos blocos referentes a distribuicao das chuvas ao longo do experimento, houve repeticao do ocorrido com o FRT, em que os resultados das coletas 2 e 3 apresentaram diferenca significativa em relacao a 1 e a 4 cuja explicacao ocorre da mesma forma.

A analise de maior interesse foi a interacao entre blocos e tratamentos demonstrando que a evolucao do dossel das plantas apresentou grande diferenca em relacao ao tempo de desenvolvimento das culturas. Para tanto, o tratamento A (soja), foi o pior tratamento durante a execucao da primeira coleta enquanto os tratamentos D (milho) e E (solo descoberto), foram os melhores. Uma das causas foi o fato da parcela com soja ter apresentado problemas de germinacao e baixo crescimento inicial em que parte do adubo aplicado pode ter ficado exposta. Entretanto, as interacoes seguintes demonstraram que a soja nao so se recuperou em relacao aos demais tratamentos, como na coleta 3 passou a ser o tratamento com menor liberacao de fosforo reativo soluvel, enquanto a parcela de feijao (C), recem-colhido, passou a ser o pior resultado comprovando a influencia do dossel no equilibrio das formas de fosforo reativo.

Neste caso, Bundy et al. (2001) ja alertavam que as praticas de controle de FRT e FRD podem ser diferenciadas; entretanto, dever-se-ia observar o FRD, por apresentar maior risco direto aos corpos hidricos.

Bundy et al. (2001), ainda sugerem que, inclusive, algumas praticas de manejo podem promover antagonismos nas concentracoes de FRD em relacao ao FRT na enxurrada porem, ainda assim, o potencial poluidor do P para os recursos hidricos se mantem contrariando, muitas vezes, o proposto por Barbosa et al. (2009) e Langdale et al. (1985), que afirmam que o manejo pode ser suficiente como uma das formas de reduzir o risco de contaminacao das recursos hidricos por fosforo.

Por fim, na quarta coleta nao houve diferenca significativa entre nenhum dos tratamentos, embora fosse prevista uma diferenca maior nas parcelas recem-colhidas; este resultado, porem, esta em consonancia com o observado por Barbosa et al. (2009), tendo como explicacao a "lavagem" do pouco fosforo ainda reativo, pela sequencia de chuvas (Sharpley et al., 1981; Pote et al., 1999) e a fixacao do fosforo ao solo.

Retirando-se o efeito das parcelas de solo descoberto (E), a fim de avaliar mais profundamente as diferencas entre os tratamentos vegetativos, pode-se observar melhor o comportamento em cada coleta (Figura 4).

Neste caso, a analise estatistica do FRD para as medias dos tratamentos ainda usando o teste de Tukey a 5% de probabilidade, demonstrou que e mantida a relacao anterior, quando o tratamento D (milho), resultou como o de menor fluxo de saida de FRD da parcela, enquanto tanto o B (consorcio) quanto o C (feijao), foram considerados os piores tratamentos. Novamente o tratamento F nao apresentou diferenca significativa com ambos os grupos.

Esta diferenca foi vista como o efeito do menor periodo vegetativo do feijao, que foi colhido mais cedo, permitindo maior arraste de fosforo reativo ao longo das quatro coletas enquanto as demais parcelas ainda estavam vegetadas e nao manuseadas.

[FIGURA 4 OMITTED]

Modelos descritivos de comportamento de FRD e FRT para culturas anuais

Uma vez que a coleta 2 foi o momento no qual havia maior possibilidade de interferencia da acao da vegetacao sobre o transporte do fosforo reativo dissolvido, utilizaram-se esses dados para a construcao de modelos descritivos para cada cobertura e sua respectiva analise de regressao. Nessas equacoes a variavel que afeta a concentracao de fosforo na enxurrada (Y) e o tempo (T), conforme apresentado na Tabela 2.

A aplicacao do mesmo calculo e a tentativa de geracao de modelos para o fosforo reativo total, nao lograram o mesmo exito demonstrado pelos valores de [R.sup.2] inferiores ao FRD, conforme a Tabela 3.

Este fato se deve, provavelmente, a presenca intensa de particulados na enxurrada (FRS), dificultando que o fosforo atingisse o mesmo equilibrio apresentado para o fosforo reativo dissolvido, de vez que havia apenas a presenca da forma ionizada do elemento, condizendo com o afirmado por Whiters et al. (2001). De todos os valores o feijao e o milho apresentaram um [R.sup.2] possivel de ser aplicavel (> 85%).

Apesar desta diferenca detectada pela curva de regressao para a coleta 2, na media dos resultados de todas as coletas do experimento, foi possivel notar que o habito de crescimento (rasteiro, ereto ou arbustivo), nao apresentou diferencas significativas no periodo total estudado, embora tenha havido diferencas de pico de crescimento e cobertura de solo ao longo dos meses, como no caso do feijao e sua expressao maxima na coleta 2, para o FRT.

Nao houve diferenca significativa para o FRD em nenhum momento entre os tipos de cobertura, sendo que esta expressao diferenciada entre as duas formas de fosforo, concorda com Bundy et al. (2001).

CONCLUSOES

1. A cobertura vegetal do solo agricola e fator determinante para reducao do risco de contaminacao de mananciais por arraste do fosforo reativo total, mas exerce relativamente pouco efeito na contencao do fosforo reativo dissolvido.

2. Nao houve diferenca significativa entre os diferentes tipos de cultura de graos utilizados atualmente, considerando-se apenas o tipo de cobertura como fator de controle.

3. Os cultivos anuais de verao, apesar de apresentarem baixa correlacao com a estrutura da planta, podem apresentar diferencas temporais segundo o manejo, podendo influir na disponibilidade de fosforo reativo total em aguas de enxurrada, variando a classificacao do risco ambiental nas bacias.

4. O fosforo reativo soluvel pode variar na composicao do fosforo reativo total, segundo o volume de sedimentos em suspensao, que interage com o fosforo reativo, mas pode ser a parte mais representativa do fosforo no fluxo da enxurrada em situacoes de solo com intensa cobertura vegetal, incrementando o risco ambiental envolvido.

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Luciano Gebler (1), Ildegardis Bertol (2), Roger R. Ramos (2), Jose A. S. Louzada (3) & David J. Miquelluti (2)

(1) Embrapa Uva e Vinho. BR 285, KM 115, CP 1513, CEP 95200-000, Vacaria, RS. Fone: (54) 3231-8300. E-mail: lugebler@cnpuv.embrapa.br

(2) Centro de Ciencias Agroveterinarias (CAV), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Avenida Luiz de Camoes 2090, CEP 88520-000, Lages, SC. Fone: (49) 2101-9235, 2101-9154. E-mail: a2ib@cav.udesc.br; ramosrogerrobert@hotmail.com; a2djm@cav.udesc.br

(3) IPH-UFRGS. CP 15029, CEP 91501-970, Porto Alegre-RS. Fone: (51) 3308-6672. E-mail : louzada@iph.ufrgs.br
Tabela 1. Media de fosforo reativo total (FRT) em g [ha.sup.-1]
para uma chuva de 1 h de duracao

                               Etapa de coleta

Tratamento        Chuva 1    Chuva 2    Chuva 3     Chuva 4

Soja              24,76293   15,57561    6,16137    20,39161
Consorcio         25,51077   13,73096   17,67713    21,45154
Feijao            22,00516   10,52073   28,10583    26,13979
Milho             17,76222   14,33563    6,30526    23,63465
Solo descoberto   11,95946   18,57384   43,31714   164,84490

Tabela 2. Curvas dos modelos de concentracao de fosforo
reativo total (FRT) na enxurrada sob interferencia da
cobertura vegetal

Cobertura      Modelo

A--Soja        Y = 0,0827 + 0,01696 * T - 0,00030 * [T.sup.2]
B--Consorcio   Y = 0,02851 + 0,01838 * T - 0,00030 * [T.sup.2]
C--Feijao      Y = 0,0491 + 0,0175 * T - 0,00030 * [T.sup.2]
D--Milho       Y = 0,0838 + 0,01812* T - 0,00030 * [T.sup.2]
E--Solo        Y = 0,04641 + 0,01903 * T - 0,00030 * [T.sup.2]

Cobertura      [R.sup.2]

A--Soja          0,84
B--Consorcio     0,95
C--Feijao        0,95
D--Milho         0,95
E--Solo          0,95

Tabela 3. Curvas dos modelos de concentracao de fosfoto
reativo total (FRT) na enxurrada sob interferencia da
cobertura vegetal

Cobertura      Modelo

A--Soja        Y = 0,1405 + 0,01794 * T - 0,00033 * [T.sup.2]
B--Consorcio   Y = 0,06582 + 0,01960 * T - 0,00033 * [T.sup.2]
C--Feijao      Y = 0,04722 + 0,01894 * T - 0,00033 * [T.sup.2]
D--Milho       Y = 0,1615 + 0,0166 * T - 0,00033 * [T.sup.2]
E--Solo        Y = 0,1777 + 0,01899 * T - 0,00033 * [T.sup.2]

Cobertura      [R.sup.2]

A--Soja          0,74
B--Consorcio     0,75
C--Feijao        0,88
D--Milho         0,91
E--Solo          0,51
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Author:Gebler, Luciano; Bertol, Ildegardis; Ramos, Roger R.; Louzada, Jose A.S.; Miquelluti, David J.
Publication:Revista Brasileira de Engenharia Agricola e Ambiental
Date:Jan 1, 2012
Words:6498
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