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Flowering in sugarcane/Florescimento em cana-de-acucar.

REVISAO BIBLIOGRAFICA

INTRODUCAO

A cana-de-acucar e uma planta que se desenvolve em forma de touceira, sendo a parte aerea formada por colmos, folhas, inflorescencias, e a subterranea formada por raizes e rizoma. A inflorescencia da cana-de-acucar e uma panicula aberta, chamada de bandeira ou flecha (MOZAMBANI et al., 2006).

No processo de formacao da inflorescencia, inicialmente deve ser detectado o periodo em que ocorre o estimulo para que o meristema apical se modifique, deixando de produzir folhas e colmos e passando a formar a inflorescencia. Esse periodo e de dificil definicao, pois depende da cultivar, do clima da regiao e das mudancas que ocorrem nos anos agricolas. Tais fatos levam a estabelecer somente os meses em que as possibilidades dos fenomenos ocorrerem sao maiores (RODRIGUES, 1995). Dessa forma, no hemisferio Sul, o estimulo e a diferenciacao meristematica para a formacao da flor ocorrerao nos meses de fevereiro, marco e abril, dando-se o florescimento nos meses de abril, maio e junho (HUMBERT, 1974).

A cana-de-acucar, assim como as demais Poaceae, floresce, frutifica e morre, garantindo a perpetuacao da especie. A floracao e fenomeno normal e indispensavel para a sobrevivencia da especie, mas nao interessa ao produtor. Dessa forma, o homem procura interferir na natureza, tentando evitar o florescimento da cana-de-acucar, seja por meio de melhoramento genetico ou por meio de reguladores vegetais, sendo necessario conhecer alguns fatores basicos que controlam o florescimento da cana-deacucar, desde a sua fisiologia, como os fatores do meio (RODRIGUES, 1995).

O florescimento da cana-de-acucar e controlado por um complexo de fatores, envolvendo, principalmente, o fotoperiodo, a temperatura, a umidade e a radiacao solar (CASTRO, 2001), alem da maturidade da planta e da fertilidade do solo (FARIAS et al, 1987). A interacao entre esses fatores pode aumentar, manter ou prevenir a transformacao do apice da cana-de-acucar de crescimento vegetativo para reprodutivo (DUNKELMAN & BLANCHARD, 1974). O processo de florescencia em si e bastante complexo, envolvendo fitocromo, hormonios, florigeno, acidos nucleicos e fatores diversos, conforme CASTRO (1993).

Fatores que influenciam o florescimento Fatores externos: fotoperiodo

O fotoperiodo e um dos principais fatores determinantes do metabolismo de inducao ao florescimento da cultura (ALEXANDER, 1973). A cana-de-acucar e uma planta que floresce somente quando submetida a dias com comprimentos inferiores a um fotoperiodo critico, sendo, portanto, uma planta de dia curto (PDC), de acordo com AREVALO et al. (1968) e SEGATO et al. (2006). Desse modo, uma variedade que floresce em um pais podera nao florescer em outro (HAAG & MALAVOLTA, 1964).

Trabalhando com o fotoperiodo, BERDING (1995) mostrou que o pendoamento em cana-de-acucar e iniciado com a diminuicao do comprimento do dia. A maioria dos trabalhos concentra-se em encontrar as caracteristicas do comprimento do dia que induzem o florescimento (ABOU-SALAMA, 1990).

As melhores condicoes para que o florescimento aconteca sao encontradas nas regioes equatoriais do globo, com pequenas variacoes de temperatura. Nessas condicoes, o florescimento pode ser induzido em qualquer epoca do ano, sendo o fotoperiodo ideal de 12 a 12,5 horas para ocorrer a inducao floral em cana-de-acucar (ARCENEAUX, 1967; CLEMENTS & AWADA, 1967). Por outro lado, em latitudes maiores, o florescimento e sazonal, ocorrendo, principalmente, quando o fotoperiodo diminui, isto e, quando as plantas estao concluindo o periodo vegetativo (RODRIGUES, 1995). Na comparacao de caracteristicas climaticas essenciais para que ocorra o florescimento na cana-de-acucar, SILVA PIRES et al (1984) verificaram que, na regiao Nordeste, ocorre um fotoperiodo favoravel muito mais prolongado do que nas condicoes do Estado de Sao Paulo.

Para que a inducao floral ocorra adequadamente sob condicoes normais, e preciso um periodo de crescimento vegetativo vigoroso da cana-de-acucar (ETHIRAJAN, 1987), pois, para a formacao da panicula, ha utilizacao de acucares armazenados anteriormente, com consequente chochamento da parte superior do colmo. Ja em estudos que avaliam o efeito da idade da planta e de tratamentos fotoindutivos na floracao da cana-de-acucar, VIVEIROS et al. (1991) verificaram que as plantas que tinham tres, quatro, cinco e seis meses de idade floresceram, ao iniciar-se o tratamento fotoindutivo com iluminacao artificial. IAIA et al. (1985), avaliando os efeitos do florescimento nas variedades NA56-79, SP70-1143 e IAC48-65, utilizaram a iluminacao noturna para inibir o florescimento de plantas de cana-de-acucar da mesma idade, e essa interrupcao do periodo escuro inibiu totalmente o florescimento.

Temperatura

A grande variabilidade do indice de florescimento, de acordo com PEREIRA (1985), nas condicoes paulistas, evidencia que o fotoperiodo nao e o unico fator controlador do fenomeno, tendo importancia tambem a temperatura. Esta ganha maior relevancia na medida em que se distancia da linha do Equador. Alguns pesquisadores destacam que as temperaturas noturnas tem maior influencia no florescimento, normalmente aquelas abaixo de 18[degrees]C por periodos maiores do que 10 dias (CASTRO, 2001).

Nos locais onde ocorre florescimento profuso, a temperatura minima raramente fica abaixo de 18[degrees]C, e a maxima nunca ultrapassa os 32-35[degrees]C (LEVI, 1983). Temperaturas minimas abaixo de 18[degrees]C (PALIATSEAS, 1963) e maximas acima de 31[degrees]C (ELLIS et al., 1967; JULIEN et al., 1974) atrasam a iniciacao floral e o desenvolvimento das paniculas, bem como diminuem o numero de paniculas formadas (CHU & SERAPION, 1971). BERDING & MOORE (2001) relataram que dias com temperaturas maximas maiores que 32[degrees]C durante a iniciacao floral sao deleterias para o processo do florescimento. De uma maneira geral, temperatura moderada em Poaceae aumenta o tamanho das inflorescencias (RYLE & LANGER, 1963; HEIDE, 1982). Pequenas variacoes na temperatura do ar podem provocar grandes mudancas no florescimento e na fertilidade do polen. No Havai, observou-se que e possivel evitar o processo, variando a temperatura em [+ or -] 5[degrees]C (HAAG & MALAVOLTA, 1964).

Latitude

A latitude exerce forte efeito na intensidade do florescimento. ALEXANDER (1973) elaborou uma escala para o florescimento da cana-de-acucar, propondo o inicio deste durante o primeiro mes apos o equinocio outonal, nas regioes entre 10 e 15, durante o segundo mes entre 20 e 25o e durante o terceiro mes entre 25 e 30o de latitude. Essa correlacao positiva entre as menores latitudes e a precocidade da formacao da gema floral e destacada por outros autores, os quais observaram que, em ambientes tropicais, como Sudao (13[degrees] 05'N) e Malavi (12[degrees] 30'S), o florescimento em cana-de-acucar se da em 80 a 100% das plantas. No entanto, em regioes subtropicais, como o Sul da Africa (25[degrees]22' para 30[degrees]30'S), o florescimento ocorre esporadicamente, e a incidencia nao e alta (DONALDSON & SINGELS, 2004).

No Brasil, sao poucos os lugares privilegiados para que ocorra o florescimento natural da cana-de-acucar, com formacao de sementes viaveis de interesse para os programas de melloramento genetico. Dessa forma, destaca-se a regiao litoranea do Estado de Alagoas, onde e a base para a obtencao de novas variedades de cana-de-acucar da sigla RB, a qual atende a RIDESA (Rede Interuniversitaria para Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro), assim como da sigla CV, que pertence a Canavialis. O litoral do Estado da Bahia tambem sedia as plataformas de cruzamentos de outras duas instituicoes, a do Centro de Tecnologia Canavieira, que desenvolve as variedades CTC, e a do programa de melhoramento do Instituto Agronomico de Campinas, que seleciona as variedades IAC.

O florescimento da cana-de-acucar nessa regiao de Alagoas, por exemplo, geralmente, inicia-se no mes de janeiro e se estende ate o final de junho (SANTOS, 2005). Uma avaliacao do periodo de florescimento para 200 genotipos, entre os anos de 1998 a 2004, indicou que 7% florescem entre 8 e 30 de abril; 56,5% florescem entre os dias 1 e 12 de maio; 34,5% florescem entre os dias 13 e 26 de maio; e 1,5% florescem apos 26 de maio. BARRETO et al (2002) afirmam que as hibridacoes na Serra do Ouro (AL) comecam em abril e se estendem ate a terceira semana de junho.

Umidade

A existencia de um periodo seco, na epoca da inducao do florescimento, pode prejudicar esse processo fisiologico (BERDING, 1995). A deficiencia hidrica pode reduzir a intensidade de pendoamento da cana-de-acucar em solos nativos (YEU, 1980; PEREIRA et al., 1983). Pesquisadores mostraram que, em areas onde o fotoperiodo e a temperatura raramente inibiam o florescimento na cana-de-acucar, a variacao da intensidade de florescimento entre alguns anos foi resultado de oscilacoes nas precipitacoes anuais (MOORE, 1987). Em outro trabalho, PANJE & SRINIVASAN (1960) constataram um atraso de 14 dias na floracao dos clones estudados de Saccharum spontaneum quando, no periodo indutivo, a precipitacao foi de apenas 74mm.

Logo, uma tecnica de sucesso no Havai e suspender a irrigacao no periodo de inducao floral da cultura. Com o estresse hidrico na cana-de-acucar, e possivel evitar o florescimento e promover aumentos no rendimento em cerca de 10% (HUMBERT, 1974). No entanto, a prevencao do florescimento pelo manejo da agua so pode ser utilizada em regioes onde ocorrem veroes e outonos pouco chuvosos, o que pode tornar esse metodo impraticavel em muitas regioes. Dessa forma, a adequada umidade do solo e critica para a inducao floral, para o desenvolvimento da inflorescencia, para a definicao do momento da emergencia e para a producao de sementes na fase reprodutiva da cultura (MOORE & NUSS, 1987).

Nutrientes

Dentre os minerais, deve ser destacado o nitrogenio, por seu envolvimento com o florescimento. De acordo com HUMBERT (1974), altas doses de nitrogenio alteram a relacao carbono/nitrogenio, diminuindo o florescimento, assim como os demais minerais tambem tem relacoes com o florescimento na cana-de-acucar.

Um crescimento vigoroso da cana-deacucar antes da inducao e preciso para se obter o maximo florescimento na cultura. Entretanto, doses altas de nitrogenio, especialmente no momento da inducao, diminuem o florescimento (BURR, 1950; STEVENSON, 1965; ALLAM et al., 1978). BERDING et al. (2004) demonstraram que o dobro da dosagem de nitrogenio reduziu a emergencia das paniculas. Em Edgecombe Mount, no Sul da Africa, o florescimento foi reduzido por 25 dias em razao da quantidade excessiva de nitrogenio no solo (NUSS & BERDING, 1999).

Alem de doses altas de nitrogenio, as doses baixas podem afetar tambem a intensidade do florescimento, o tamanho da flor e a producao de sementes (BRUNKHORST, 2001). Entretanto, o nitrogenio e necessario em quantidade otima, mas essa quantidade de fertilizante por genotipo de cana-deacucar, para facilitar o florescimento nos programas de melhoramento, e ainda desconhecida (LABORDE, 2007). BERDING & MOORE (2001) questionam o conhecimento da interacao entre nutricao e processo de florescimento em cana-de-acucar.

A manutencao do regime constante de nutricao mantem melhor a fase reprodutiva, a fase de desenvolvimento e a fase de emergencias das paniculas de cana-de-acucar, de acordo com BRUNKHORST (2001) e BRUNKHORST (2003). O papel e o manejo do nitrogenio ainda requerem maiores atencoes.

Em relacao ao fosforo, a quantidade otima requerida para um adequado crescimento da cana-deacucar e de 3-5g [kg.sup.-1] de materia seca de planta durante o estadio vegetativo. A probabilidade de toxicidade com fosforo aumenta com quantidades maiores que 10g [kg.sup.-1] de materia seca (BELL et al., 1990).

No que concerne ao potassio, HUMBERT (1974) observou que o comportamento da cana-deacucar tem variado em relacao a variedade utilizada. Doses altas de potassio aumentam o indice de florescimento da variedade H42-8596, mas diminuiu para a variedade H38-2915 e outras variedades nao mostraram qualquer sensibilidade.

Fatores internos O estimulo indutivo

Ainda sao poucos conhecidos os processos pelos quais ocorre a iniciacao floral (RUIZ-GARCIA et al., 1997). Os mecanismos moleculares comecaram a ser estudados somente nos ultimos anos (KOBAYASHI et al., 1999). Porem, sabe-se que a transicao da fase vegetativa para a reprodutiva resulta de uma interacao de sinais endogenos com sinais do meio ambiente (LEVY & DEAN, 1998). As baixas temperaturas e o fotoperiodo seriam os fatores do ambiente mais importantes (KANIA et al., 1997), e dentre os sinais endogenos ha destaque para o papel das giberelinas.

Atualmente, sabe-se que o fitocromo do tipo I (phy A) e estimulador da floracao e que o tipo II (phy B, C, D, E, F) e inibidor. Desse modo, em Arabidopsis, mutantes sem phyA possuem florescimento retardado e mutantes sem phyB possuem florescimento acelerado. Uma das hipoteses e de que phyA seria um inibidor de uma substancia (hormonio), que, por sua vez, inibiria a floracao. E importante ressaltar que, embora a resposta fotoperiodica seja percebida na folha, a resposta da floracao ocorre no apice caulinar. Tal distribuicao espacial requer a presenca de substancias inibidoras ou estimuladoras, capazes de serem translocadas. Experimentos de enxertia confirmam a presenca de tais substancias. Esses experimentos levaram alguns pesquisadores, ainda na decada de 30, a postularem a existencia do florigeno. Muitas tentativas, sem sucesso, de isolar e caracterizar esse hormonio hipotetico tem sido realizadas no intuito de compreender os mecanismos de interacao com fitocromos (CASTRO et al., 2005).

Alguns candidatos a florigeno apareceram ao longo de decadas, mas nenhum deles conseguiu perfazer todos os requisitos esperados. Como a aplicacao de giberelina e capaz de promover a floracao em plantas de dias longos (PDL) mantidas em condicoes de dias curtos (DC), ela tem sido uma candidata a florigeno. Analises geneticas tem demonstrado que existem genes especificos envolvidos na inducao floral. Um desses genes e o LEAFY, o qual foi isolado em mutantes de Arabidopsis. A constatacao de que a giberelina induz o gene LEAFY em Arabidopsis reforca a ideia de que esse hormonio e importante para a floracao em algumas especies vegetais, mas e pouco provavel que seja o florigeno. Recentemente, foi demonstrado que mRNAs sao capazes de se translocarem via floema e alterar o programa de desenvolvimento do apice caulinar. Tal experimento leva a hipotese de que o chamado florigeno poderia ser o mRNA de um gene estimulatorio da floracao, assim como o gene LEAFY (CASTRO et al., 2005).

Efeitos da giberelina (GA)

Dentre os hormonios vegetais que tem sido aplicados para induzir o florescimento, somente as giberelinas tem demonstrado capacidade para promover a formacao de primordios florais em condicoes naturais nao indutivas (ARTECA, 1996).

A GA aplicada em uma planta no estadio vegetativo pode ativar a sua transformacao ao estadio floral, estimulando o mecanismo indutivo de plantas de dias longos (PDL). Inumeros trabalhos mostram que a GA inibe o florescimento em plantas de dias curtos (PDC). ALEXANDER (1973) demonstrou que a GA inibiu o florescimento em cana-de-acucar. Acredita-se que a GA endogena seja quantitativamente reduzida, pelas substancias florais produzidas na fase do florescimento. Monitorando os apices de cana-deacucar (Saccharum spp. Hibrido), MOORE (1987) descobriu que o apice floral contem de oito a nove vezes mais porcentagem de [iso-GA.sub.3] que

os apices vegetativos e reduzida quantidade das [GA.sub.19] e [GA.sub.36].

Efeitos da radiacao vermelha e vermelha extrema

O fitocromo esta envolvido diretamente com as respostas fotoperiodicas. Normalmente, existem duas formas de fitocromo, uma delas instavel, mas fisiologicamente ativa, a forma FVE (fitocromo vermelho extremo), e a forma estavel, mas fisiologicamente inativa, a FV (Fitocromo vermelho) (RODRIGUES, 1995).

Logo, em condicoes de luz, a forma predominante do fitocromo e a FVE e, no escuro, a FV FV nao tem atividade fisiologica em induzir o florescimento, apenas FVE. Assim, para a inducao do florescimento da cana-de-acucar, ha a necessidade de baixas concentracoes de FVE, o que consegue-se caso nao haja iluminacao por luz vermelha ou branca, no periodo noturno, ate atingir a quantidade de horas minimas de escuro, em torno de 11,5 horas para a cultura. Caso haja qualquer iluminacao, a concentracao de FVE eleva-se imediatamente, quebrando o estimulo (RODRIGUES, 1995).

Efeitos do florescimento na cana-de-acucar

O florescimento da cana-de-acucar e um estadio de desenvolvimento da cultura desejavel para os programas de melhoramento genetico, porem indesejavel para o cultivo comercial, pois acarreta grandes prejuizos. Os danos consequentes do florescimento sao ocasionados pelo consumo do acucar pela respiracao, utilizando o acucar para a formacao das paniculas ao inves de armazenar na forma de sacarose nos colmos. Esse consumo de sacarose provoca a perda de agua dos entrenos, ocorrendo o fenomeno conhecido por isoporizacao (ou chochamento) da cana-de-acucar, no sentido do topo para a base (SEGATO et al., 2006).

Outras mudancas fisiologicas acontecem, como mudancas na distribuicao da agua, redistribuicao de nutrientes organicos e inorganicos, diminuicao nas reservas de carboidratos em funcao da isoporizacao que aparece apos o florescimento (LOEHWING 1953) e excrecao de potassio e nitrogenio pelo sistema radicular (LAVANHOLI, 2001).

A intensidade do processo de florescimento as consequencias na qualidade da materia-prima

variam com a variedade e com o clima. A reducao do volume de caldo e o principal fator no qual o florescimento interfere (AZEVEDO, 1981), resultante do aumento do teor de fibras e, consequentemente, elevando a producao de bagaco. IAIA et al. (1985) observaram que as variedades SP 70-1143 e IAC 48-65 apresentaram altos teores de fibra quando floresceram. Nessas variedades de cana-de-acucar que florescem facilmente, os internodios superiores contem maior teor de fibra. A porcentagem de fibra nos seis internodios superiores e 14% maior nas plantas floridas do que nas que nao floresceram (AZEVEDO, 1981).

Idade da cultura no periodo de florescimento

De acordo com MANGELSDORF (1953), ha diferenca na resposta dos diferentes genotipos em relacao ao florescimento na fase juvenil da cana-deacucar. Com a paralisacao do crescimento da cana-deacucar florescida, para a cana-de-ano (ciclo de 12 meses), o florescimento em junho diminuiu a possibilidade de haver mais entrenos (apenas cerca de quatro), ate os meses de setembro, outubro e novembro, epocas em que essa cultura e normalmente colhida. Assim, os prejuizos sao mais elevados que os causados a cana-de-ano e meio (ciclo de 18 meses), a qual pode ser colhida mais no inicio da safra (RODRIGUES, 1995).

Quando o florescimento ocorre de quatro a oito meses antes do periodo de colheita da cana-de-acucar, compromete a produtividade e, consequentemente, a sacarose produzida por unidade de cana colhida (CASTRO, 2001). Experimentos realizados por HUMBERT (1974), na Ewa Plantation Company, no Havai, mostraram que 35% de floracao reduzem de seis a sete toneladas de cana [ha.sup.-1].

Em estudo de comportamento de clones e variedades de cana-de-acucar, foi avaliada a ocorrencia de florescimento e isoporizacao em cana-planta e canasoca. SORDI & BRAGA JUNIOR (1996) verificaram que, em media, o florescimento foi ligeiramente maior nas condicoes de cana-planta do que nas condicoes de cana-soca.

Controle do florescimento

Inumeros metodos tem sido utilizados visando a controlar o florescimento, incluindo desde a interrupcao do periodo escuro por iluminacao artificial e passando por controle de temperatura, suspensao da irrigacao, defoliacao mecanica e pulverizacao de substancias quimicas. Qualquer desses metodos pode ter sucesso, suprimindo o florescimento, desde que aplicado durante o periodo critico da inducao floral. Desses metodos, os mais praticos sao o controle hidrico e o uso de reguladores vegetais. O florescimento da cana-de-acucar tambem pode ser reduzido pela utilizacao de cultivares com baixo potencial de florescimento (RODRIGUES, 1995).

A utilizacao de traumatismos fisiologicos para obter o retardamento do florescimento foi estudada por MACHADO JR. et al. (1989), com o objetivo de verificar o sincronismo entre variedades de florescimento precoce e tardio para fins de cruzamento. Esses pesquisadores verificaram que flashes de iluminacao no periodo noturno, corte do palmito acima da gema apical e diminuicao da superficie foliar retardam o florescimento.

Controle do florescimento por reguladores vegetais

Evitar a iniciacao floral por meio da aplicacao de reguladores quimicos pode ser de interesse economico em diversas regioes do Brasil, onde cultivares com alto potencial de inflorescencia estao sendo plantadas em areas de baixa altitude, sem irrigacao e dependentes da precipitacao local.

Varios compostos tem sido e estao sendo utilizados no controle do florescimento. Na India, inicialmente, utilizava ANA (acido naftaleno-acetico), nitrato de cobalto, catecol, hidroquinona e pentaclorofenol, sendo os melhores resultados obtidos com o pentaclorofenol. Os outros reguladores vegetais inibiram o florescimento em 30 a 60%, e multiplas aplicacoes eram mais efetivas que uma unica aplicacao (RODRIGUES, 1995).

A Hidrazida maleica (MH), adicionada a giberelina, proporcionou total inibicao do florescimento na Australia, e nenhum dos dois reguladores inibiu o florescimento quando aplicado de forma isolada. O diquat tornou-se o produto mais amplamente utilizado como inibidor quimico da florescencia no Havai (RODRIGUES, 1995). O produto mostrou-se parcialmente eficiente em evitar a florescencia da cana-de-acucar, em razao da ocorrencia de danos relativamente extensos ao dossel da cultura, por um periodo de tres meses.

Experimento realizado no Havai comparando etefon e diquat, nas cultivares 'H 70-0144', 'H 61-1721' e 'H 62-4761', mostrou ser o ethephon mais eficiente que o diquat no controle da florescencia da cana-deacucar. O etefon foi mais eficiente em um amplo espectro de periodos para o controle floral e nao atuou como um dessecante do dossel da cultura da cana-deacucar (RODRIGUES, 1995).

Em estudo com diversos produtos para o controle do florescimento da cana-de-acucar, foi verificado que quatro produtos apresentaram uma taxa muito boa de controle de florescimento da variedade IAC48-65, destacando-se fluazifop-butil (125g i.a. [ha.sup.-1]), com 100% de controle, ethephon (480g i.a. [ha.sup.-1]), glifosate (240g i.a. [ha.sup.-1]) e paraquat (100g i.a. [ha.sup.-1]), com menor controle do florescimento (LEE et al., 1985).

A habilidade do etefon em prevenir o florescimento e extremamente importante em culturas agricolas, principalmente em cana-de-acucar, quando o florescimento causa um decrescimo do beneficio economico e, consequentemente, queda do teor de sacarose (NICKELL, 1982). CALCA et al. (1984) observaram que as parcelas tratadas com etefon nao apresentaram florescimento, enquanto que nas nao tratadas houve grande inducao ao florescimento em seus experimentos.

Beneficios com o suprimento do florescimento atraves do etefon foram obtidos no Sudao (HARDY et al., 1986), Havai (MOORE & OSGOOD, 1986) e na Nigeria. Por meio de observacoes da producao da cana-de-acucar, sugere-se que os ganhos podem ser obtidos ate seis meses apos a iniciacao do florescimento no Sul da Africa, com o uso do etefon.

Brasil e Malavi tambem tem utilizado o etefon em escala comercial (HARDY et al., 1986). COLETI et al. (1986), trabalhando no Brasil, nao encontraram beneficios com o etefon quando a incidencia do florescimento era de 36%. No Sul da Africa, tambem nao foi encontrado beneficio com o uso do etefon na variedade N23, quando a incidencia de florescimento foi de 45-48% (DONALDSON, 1996).

Em experimento de LEE et al. (1985), o ethephon foi o unico produto que apresentou efeitos positivos em todos os caracteres analisados (florescimento, chochamento, numero de internodios/cana e peso/cana), comparando-se com a aplicacao de fluazifop butil, glifosate, etefon e paraquat. Em estudo com aplicacao de etefon na quarta semana de fevereiro de 1988, SILVA et al. (1989) obtiveram maiores produtividades nas areas tratadas em razao da diminuicao do florescimento e emissao da panicula, em relacao a SP70-1143 nao tratada. O florescimento e a isoporizacao foram completamente inibidos pela aplicacao de etefon.

A eficiencia do uso do etefon (480g i.a. [ha.sup.-1]) para a melhoria da qualidade da materia-prima, na Usina Quata (SP), foi verificada por SALATA et al. (1992). Em aplicacoes tardias de etefon, obteve-se 40% de inflorescencia, 6,1% de isoporizacao e 90,7 de TCH, enquanto nas parcelas nao tratadas obteve-se: 62% de florescimento, 13,5% de isoporizacao e 89,7 de TCH. No mesmo sentido, o experimento realizado por LAVANHOLI (2001), para inibicao do florescimento da cana-de-acucar, obteve uma reducao de 56% com a aplicacao de etefon.

Recentemente, CAPUTO et al. (2007) avaliaram a eficacia de etefon e sulfometuron-metil na maturacao, no florescimento, na isoporizacao e na produtividade de sete genotipos de cana-de-acucar. Identificaram respostas diferenciadas dos genotipos em relacao aos maturadores, no sentido que, entre aqueles que floresceram e isoporizaram, apenas houve controle total desses fatores no SP80-1842, enquanto no IAC87-3396 houve controle total do florescimento e parcial da isoporizacao, com maior eficiencia para o sulfometuron-metil. Por outro lado, houve controle parcial e semelhante do florescimento pelos dois produtos no genotipo IAC89-3124, porem a isoporizacao foi mais bem controlada pelo etefon.

Pesquisas realizadas tem relatado o produto quimico sulfometuron-metil, grupo quimico sulfonilureia, quanto ao potencial efeito maturador em variedades de cana-de-acucar, nao havendo prejuizos a producao de cana-de-acucar e sobre as caracteristicas agronomicas da cultura. Os resultados obtidos indicam consistencia no incremento na pol % cana, no Brix e na reducao do florescimento e do indice de isoporizacao (PONTIN, 1995; CAPUTO et al., 2007).

A segunda quinzena do mes de fevereiro, de acordo com BARBIERI et al. (1984), e a mais indicada para a aplicacao de reguladores quimicos na cana-deacucar, para as latitudes do Estado de Sao Paulo, o que esta de acordo com DEUBER & IRVINE (1987), os quais afirmaram que a melhor epoca para a aplicacao esta entre 20 e 25 de fevereiro, proximo do periodo de inducao floral.

Enfim, dependo das condicoes, o florescimento da cana-de-acucar pode tornar bastante prejudicial nas areas de cultivo. Dessa forma, torna-se de grande importancia a realizacao de mais estudos para o controle do florescimento na cultura.

CONCLUSAO

Em areas comerciais de producao de cana-de-acucar, onde ha condicoes ideais para o florescimento da cultura, e recomendado o uso de variedades com potencial menos ou nao florifero. Quando nao e possivel esse manejo varietal, o uso de produtos inibidores do florescimento e a melhor alternativa, visto que as perdas com a inversao da sacarose para formacao da panicula, durante o florescimento, sao enormes.

REFERENCIAS

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Rosilaine Araldi (I) * Ferdinando Marcos Lima Silva (I) Elizabeth Orika Ono (II) Joao Domingues Rodrigues (II)

(I) Programa de Pos-graduacao em Agricultura, Departamento de Producao Vegetal, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Fazenda Experimental Lageado, 18610-307, Botucatu, SP, Brasil. E-mail: araldi@fca.unesp.br. * Autor para correspondencia.

(II) Departamento de Botanica. Instituto de Biociencia de Botucatu, UNESP, Botucatu, SP, Brasil.

Recebido para publicacao 31.03.09 Aprovado em 24.11.09
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Title Annotation:REVISAO BIBLIOGRAFIA
Author:Araldi, Rosilaine; Silva, Ferdinando Marcos Lima; Ono, Elizabeth Orika; Rodrigues, Joao Domingues
Publication:Ciencia Rural
Date:Mar 1, 2010
Words:6050
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