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Floristic and structural characterization of gallery forest fragments of upper Araguaia river basin/Caracterizacao floristica e estrutural de fragmentos de matas de galeria da bacia do alto Araguaia.

INTRODUCAO

Nos anos 70, com a criacao do Programa de Desenvolvimento do Centro-Oeste, o POLOCENTRO, os agricultores foram atraidos para o Cerrado, pela grande disponibilidade de terras a precos mais baixos que as do sul do pais e pelos incentivos fiscais para a abertura de novas areas. A soja introduzida na regiao teve um crescimento consideravel, em consequencia da demanda crescente pelo produto nos mercados internacionais. Entretanto, esse modelo de ocupacao trouxe serios problemas de ordem ambiental, devido ao uso inadequado dos recursos naturais. Praticas como o correntao e queimadas, inclusive sucessivas, aliadas a producao de carvao vegetal, foram comuns na fase do desmatamento intensivo. Segundo Castro et al. (2004), tais praticas foram ainda agravadas pela falta de adocao ampla de praticas conservacionistas de uso e manejo das terras, principalmente para as areas mais suscetiveis, que se somaram a falta ou insuficiencia de fiscalizacao pelos orgaos competentes, alem da orientacao tecnica, fragmentando e reduzindo drasticamente as diferentes fisionomias naturais do Cerrado.

De acordo com Felfili (1995; 2001a), das fitofisionomias do bioma Cerrado, as matas de galeria sao as que possuem maior complexidade estrutural e maior biodiversidade proporcional a area que ocupam, ou seja, cerca de 5% do bioma (MENDONCA et al., 1998). Alem disso, tem conhecida importancia na protecao dos cursos d'agua, na manutencao da fauna silvestre e ainda sao corredores de biodiversidade (RESENDE, 1998). Atualmente, as formacoes florestais na bacia do alto rio Araguaia, em especial as matas de galeria, encontram-se bastante fragmentadas e isoladas, cercadas por agricultura (principalmente soja e algodao) e por pastos, alem de expostas diariamente a varios agentes de degradacao, o que pode limitar a colonizacao de especies (TABARELLI et al. , 2005). Esta regiao e carente de informacoes ecologicas, sobretudo em levantamentos floristicos e fitossociologicos. Segundo Silva Junior (2004), no Brasil, a composicao floristica de comunidades vegetais ainda e pouco conhecida e, em razao do lamentavel estado de conservacao, estudos nessa area se tornaram de grande importancia, sobretudo os que caracterizem a sucessao das comunidades e a sindrome de dispersao de sementes, que influencia a colonizacao de habitats e a manutencao da biodiversidade em paisagens fragmentadas.

O objetivo deste trabalho foi caracterizar a riqueza e a estrutura da vegetacao de fragmentos de mata de galeria da bacia do alto rio Araguaia, bem como determinar o status de conservacao da vegetacao e subsidiar programas de restauracao florestal na regiao.

MATERIAL E METODOS

Localizacao e caracterizacao da area de estudo

A area de estudo abrange o extremo sudoeste do estado de Goias no municipio de Mineiros e o sul do estado do Mato Grosso no municipio de Alto Araguaia, bem proxima a divisa destes dois estados com o Mato Grosso do Sul. Insere-se no quadrante formado entre as coordenadas 17[degrees]49'12"S./ 53[degrees]15'00"W e 18[degrees]03'36"S/52[degrees]57'00"W (Figura 1).

De acordo com a classificacao climatica de Koppen, a regiao apresenta clima do tipo Aw, caracterizado por ser tropical chuvoso, com veroes quentes e invernos secos, cujas respectivas temperaturas medias sao de 32[degrees]C e 18[degrees]C, com media anual de 22[degrees]C (OLIVEIRA et al., 2003). A precipitacao anual varia entre 1.500 mm e 1.650 mm; o solo predominante na area de estudo e do tipo Neossolo Quartzarenico, sendo encontrado tambem nos fundos de vale Neossolos Quartzarenicos Hidromorficos e Gleissolos, e Latossolos Vermelho-Amarelo nas cabeceiras de drenagem. A altitude media da regiao e de 800 metros (CASTRO et al., 2005).

A partir de uma classificacao nao supervisionada de cena TM/Landsat de junho de 2006 e da geracao de um mapa do uso do solo da regiao estudada, verificou-se que, dos 52.214,70 ha da area do estudo, 41.704,94 (79,87 %) sao areas antropizadas com agricultura e pastagem. Para as fisionomias naturais utilizou-se a terminologia fitofisionomica proposta por Ribeiro e Walter (1998) e, apos validacao em campo, verificou-se que 6.466,68 (12,38%) sao de formacoes savanicas, 1.322,87 (2,53%) sao de formacoes campestres e 2.370,94 (4,54%) sao de formacoes florestais representadas por matas de galeria. A classificacao ainda apresentou cerca de 349,27 hectares representados por corpos d'agua.

Amostragem e analise dos dados

A area apresenta 198 fragmentos de floresta, dos quais 146 possuem menos que 10 ha e correspondem a 73%. Dos 52 fragmentos com area superior a 10 ha, 22 foram amostrados aleatoriamente para o presente estudo (com tamanhos minimo e maximo de 10 e 169 ha, respectivamente). Os fragmentos com menos de 10 ha foram excluidos por dois motivos basicos: os fragmentos com area inferior sao fortemente influenciados pelos efeitos de borda (OLIVEIRA-FILHO et al., 1997); alem disso, as imagens TM/Landsat permitem trabalhos em escala maxima ideal de 1:50.000, sendo qualquer fragmento de area inferior a 10 ha dificilmente visualizado nessa escala de trabalho.

Para caracterizar a estrutura e a composicao floristica de cada uma das areas selecionadas, usou-se o metodo de quadrantes centrados (MUELLER-DOMBOIS e ELLENBERG 1974; MARTINS, 1991) que, conforme Moscovich et al. (1999), permite uma melhor cobertura espacial das areas amostradas e, por consequencia, uma maior representacao e conhecimento da floresta em campo. Em cada area, lancaram-se 15 pontos quadrantes, onde foram amostrados os individuos lenhosos vivos com diametro a altura do peito (DAP, 1,3 m) maior ou igual a 5 cm. Os individuos amostrados que nao puderam ser identificados em campo foram coletados e posteriormente herborizados. Identificou-se o material botanico coletado com chaves de identificacao baseadas em caracteres vegetativos, por comparacao com exsicatas depositadas no Herbario BHCB da Universidade Federal de Minas Gerais e por consultas a especialistas. As especies foram classificadas nas familias reconhecidas pelo APGIII (2009).

Para verificacao da suficiencia amostral foi construida uma curva especie-area e avaliada por regressao linear com resposta em plato (REGRELRP) do Sistema para Analises Estatisticas SAEG V.5.0 (GOMIDE, et al., 2006; ALVES JUNIOR, et al., 2007), que, segundo Ferreira (1988), objetiva reduzir a subjetividade do metodo de determinacao de area minima, tradicionalmente feito pela curva especie-area. O procedimento e apropriado para analise de regressao de modelos descontinuos, compostos de uma porcao linear crescente e outra na forma de plato (SAEG, 1997) e, no grafico determinado pelo procedimento, considera-se o numero minimo de pontos a serem amostrados aquele indicado pela interseccao entre as referidas porcoes. Para isso, considerou-se como unidade amostral o conjunto de 15 pontos lancados em cada fragmento.

Os descritores fitossociais foram calculados de acordo com Mueller-Dombois e Ellenberg (1974) e Castro (1987). Para toda a comunidade vegetal arbustivo-arborea amostrada calculou-se a riqueza, densidade total e area basal (MUELLER-DOMBOIS & ELLENBERG 1974; MARTINS, 1991), bem como os indices de diversidade de Shannon e equabilidade de Pielou (MAGURRAN, 1988). Toda analise foi realizada no programa Mata Nativa versao 2.08 (CIENTEC, 2007). A area foi comparada a outros levantamentos em matas de galeria no Brasil central.

Determinou-se a sindrome de dispersao dos frutos de cada especie amostrada para estimar a oferta de frutos para a fauna da regiao. Para isso foram utilizadas informacoes sobre a biologia das especies na literatura (OLIVEIRA & MOREIRA 1992; MORELLATO & LEITAO-FILHO 1995; OLIVEIRA-FILHO et al., 1995; BARROSO et al., 1999; NUNES et al., 2003; TONIATO & OLIVEIRA-FILHO, 2004) acrescidas das observacoes de campo dos autores.

Para a classificacao sucessional, as especies amostradas foram classificadas (a partir de pesquisa bibliografica), como pioneiras, secundarias iniciais e secundarias tardias conforme criterio de classificacao sucessional sugeridos por Gandolfi et al. (1995). A vegetacao foi classificada de acordo com seu estadio sucessional, adotando-se um dos criterios propostos por Budowski (1970): a proporcao relativa entre o numero de individuos de especies iniciais (pioneiras e secundarias iniciais) e o de tardias (secundarias tardias e climacicas) que compoem o dossel da mata, considerando-se mais de 50% dos individuos de um estadio como determinante deste. Foram consideradas como especies sem caracterizacao as especies nativas para as quais nao foram encontradas citacoes na literatura.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Amostragem

De acordo com os resultados do procedimento REGRELRP, pode-se observar que a forma em plato e obtida na decima setima unidade amostral, que corresponde a 255 pontos ou 900 arvores (Figura 2). Assim, pelo metodo pode-se considerar que a amostragem realizada para a area foi suficiente para caracterizar a comunidade arborea da area em estudo. No entanto, o numero de especies parece continuar aumentando com o maior numero de amostras, naquilo que Gomide et al. (2005) descrevem como um possivel falso plato, nao claro em sua estabilidade. Segundo Silva Junior (2005), o ambiente de mata de galeria naturalmente impoe dificuldades a estabilizacao das curvas do tipo especie-area devido a sua diversidade de condicoes de umidade e fertilidade dos solos, com consequente diversificacao da vegetacao e, ainda, o aumento continuo do numero de especies indicaria comunidades sob disturbios e, por isso, em fases inicias de sucessao, com pouca diferenciacao de nichos, conforme Leps e Stursa (1989), o que corrobora com as observacoes na area de estudo, visto a amostragem ser similar aquelas encontradas em grande parte de estudos fitossociologicos.

Diversidade floristica

A Tabela 1 mostra a riqueza e os indices de diversidade de Shannon e de equabilidade de Pielou para os 22 fragmentos amostrados e para a amostra total.

Os 1.320 individuos registrados distribuiram-se em 109 especies em toda area amostrada. O indice de equabilidade de Pielou foi de 0,82 (o que indica pouca dominancia de especie, ou seja, que os individuos estao bem distribuidos entre as especies) e o indice de diversidade de Shannon de 3,86 nats x [ind.sup.-1], valores compativeis para a faixa encontrada para as matas de galeria do Brasil central, conforme Silva Junior et al. (1998, 2001), mesmo considerando-se apenas levantamentos que fizeram uso do metodo de pontos quadrantes (e.g. Silva Junior, 2004 e 2005). O mesmo vale para os indices encontrados para cada fragmento deste estudo, ou seja, Shannon variando de 2,00 a 3,08 nats x [ind.sup.-1] e a equabilidade de 0,76 a 0,95 (nao havendo relacoes entre os indices e as areas dos fragmentos). Embora tal variacao possa ser explicada pela natural diversidade de habitats nas matas de galeria (SILVA JUNIOR, 2005), isto tambem ocorreu em consequencia de fatores de degradacao que foram observados em campo e que determinam mudancas consideraveis na diversidade dos fragmentos, como a presenca de gado, cortes seletivos de madeira e invasao por gramineas exoticas em quase todos, mas em graus variados de impacto.

Estrutura fitossociologica

Amostraram-se 1.320 individuos, sendo a area equivalente amostrada de 0,98 ha e a distancia media entre arvores de 2,72 m, que resultou na densidade total de 1.351 arvores x [ha.sup.-1] e na area basal total de 19,28 [m.sup.2] x [ha.sup.-1]. O DAP medio foi de 11,5 [+ or -] 7,1 cm (maximo de 46,8 cm) e a altura media 10,3 [+ or -] 5,1 m (maxima de 30,0 m). Foram levantadas 109 especies pertencentes a 78 generos e 42 familias (Tabela 2).

Marimon et al. (2002) analisaram a floristica e a fitossociologia de uma mata de galeria em uma unidade de conservacao em Nova Xavantina, MT, e encontraram 129 especies pertencentes a 105 generos e 47 familias, sendo a densidade total de 1.023 arvores x [ha.sup.-1] e a area basal estimada de 20,44 [m.sup.2] x [ha.sup.-1]. Comparativamente a area do presente estudo, a densidade menor e a area basal maior indicam a existencia de arvores de maior porte e, somada ao maior numero de especies, uma area em estadio de maturidade mais avancado.

Silva Junior (2004) e Silva Junior (2005), em dois estudos em matas de galeria na Reserva Ecologica do IBGE, em Brasilia, DF, cuja area encontra-se protegida de disturbios, incluindo incendios, ha pelo menos 20 anos, encontrou riquezas semelhantes a deste estudo, porem, estruturas florestais mais avancadas. No primeiro estudo encontrou 110 especies pertencentes a 91 generos e uma distancia media entre arvores de 2,51 m, que resultou na densidade total de 1.573 arvores x [ha.sup.-1] e na area basal total de 38,5 [m.sup.2] x [ha.sup.-1], valor este muito superior ao encontrado neste estudo e, no segundo trabalho, encontrou 99 especies e 88 generos, sendo a distancia media entre arvores de 2,28 m, o que resultou na densidade total de 1.971 arvores x [ha.sup.-1] e na area basal total de 38,8 [m.sup.2] x [ha.sup.-1].

No estudo realizado por Dietzsch et al. (2006), a area basal estimada para a mata de galeria, considerando dois fragmentos estudados juntos, foi de 28,4 [m.sup.2] x [ha.sup.-1], tambem superior ao encontrado neste estudo, enquanto a densidade foi de 1.448 ind x [ha.sup.-1]. Estes valores sao considerados dentro do intervalo de variacao para as areas basais e densidades medias das matas de galeria amostradas na regiao do Distrito Federal (BELTRAO, 2003; FELFILI, 1995; SILVA JUNIOR, 1995). Alem disso, encontraram 79 especies, sendo o menor valor devido a areas inundaveis amostradas, naturalmente menos ricas, nao sendo esse o caso no presente estudo, mas possivelmente tambem devido as perturbacoes antropica existentes na area, principalmente de entorno, destacando-se erosoes, lixo e fogo, dentre outros.

Teixeira e Rodrigues (2006) analisaram a floristica e estrutura de uma mata de galeria no nordeste do estado de Sao Paulo, cujas margens encontravam-se sob o impacto de processos erosivos causados pelo pisoteio de gado. Encontraram 68 especies pertencentes a 37 familias; uma densidade de 1.774 ind x [ha.sup.-1] e uma area basal de 27,8 [m.sup.2] x [ha.sup.-1]. Os dados sugerem que a pressao antropica influencia na reducao da riqueza, mas, ainda assim, a area do presente estudo mostra uma densidade e area basal inferiores. Embora a area sofra impactos antropicos, comuns em ambientes cercados por matriz agropecuaria no pais, ja citados, esses baixos valores se devem, notadamente, ao corte seletivo de lenha, cujos indicios foram encontrados em campo com alta frequencia e a condicoes ambientais, sobretudo edaficas, resultando em baixos valores de diametros.

As 15 especies com maior VI (Tabela 2) foram, em ordem decrescente, Bocageopsis mattogrossensis, Sclerolobium paniculatum, Tapirira guianensis, Nectandra warmingii, Licania kunthiana, Myrcia splendens, Ocotea aciphylla, Matayba guianensis, Copaifera langsdorffii, Miconia chartacea, Maprounea guianensis, Sloanea guianensis, Inga ingoides, Qualea multiflora e Xylopia aromatica, que juntas corresponderam a 57% do total de VI, sendo todas especies tipicas de matas de galeria do cerrado (SANO et al., 2008; SILVA JUNIOR et al, 1998; FELFILI et al., 2001b).

No levantamento, ainda foram observadas especies tipicas de cerrado sentido restrito: Connarus suberosus (3 individuos), Myrcia linguaeformis (6); e de cerrado e cerradao: Annona cornifolia (1), Caryocar brasiliensis (2), Combretum discolor (1), Himatanthus drasticus (4), Machaerium acutifolium (10), Ouratea spectabilis (7) e Stryphnodendron obovatum (2). Observou-se em campo que essas especies colonizaram areas de mata de galeria com alto grau de antropizacao, ou seja, comportando-se de modo oportunista e alterando a paisagem original. Alem disso, podem ser consideradas de florestas estacionais semideciduas do sudeste as especies encontradas Guapira venosa (e.g. VALE et al., 2009; DIAS NETO et al., 2009) e Toulicia laevigata (e.g. OLIVEIRA-FILHO et al., 2004; BOREM & OLIVEIRA-FILHO, 2002).

Sindromes de dispersao e classificacao sucessional

A classificacao ecologica mostrou que, das 109 especies encontradas, 20,2% pertencem a categoria das secundarias tardias, 53,2% as secundarias iniciais, 16,5% as pioneiras e 10,1% nao foram classificadas (Tabela 2). Com base no resultado pode-se dizer que os fragmentos amostrados encontram-se em estadio intermediario de sucessao e, de acordo com Oliveira-Filho (1989), se mantidos sob protecao podem retornar as condicoes anteriores, semelhantes a vegetacao original, necessitando todos de acao urgente de fiscalizacao e cercamento. Entretanto, outros pontos devem ser considerados para garantir a restauracao de uma comunidade florestal perturbada, alem de sua protecao. E de suma importancia a existencia de fontes de propagulos proximas e a diminuicao do grau de isolamento destas areas, promovendo a diversificacao genetica das populacoes para garantia de sua viabilidade. A existencia de um grande numero de especies secundarias iniciais indica que a area possui um grande potencial regenerativo, o que deve ser aproveitado durante acoes de recomposicao florestal desses fragmentos.

Dentre as especies estudadas observou-se tambem o predominio das especies zoocoricas (73,4%), seguidas por especies anemocoricas (24,8%) e autocoricas (1,8%) (Tabela 2). Estes resultados corroboram com estudos realizados em diversas florestas. De acordo com Howe (1990), Morellato e Leitao-Filho (1992), Pina-Rodrigues e Aguiar (1993) e Morellato (1995), a zoocoria tem sido a principal forma de dispersao de sementes de especies arboreas e arbustivas na maioria das florestas tropicais. Como exemplo da importancia da zoocoria na sucessao florestal, Souza et al. (2007), quando estudaram a composicao floristica e a estrutura da vegetacao arbustivo-arborea no sub-bosque de um povoamento de Eucalyptus grandis W. Hill ex Maidem no municipio de VicosaMG, verificaram que, das 50 especies amostradas, 74% eram zoocoricas e 26% anemocoricas.

Oliveira-Filho (1989) explicou o predominio de especies zoocoricas em matas de galeria afirmando que a distribuicao de sementes em vegetacoes em forma de mosaico, geralmente se da de forma zoocorica, pois os outros metodos de dispersao dependem da participacao de agua e vento que, associados a estrutura fisica desse ambiente, influenciam na dificuldade das sementes serem retiradas do mesmo, ao passo que o habito alimentar dos agentes zoocoricos facilita a retirada. Nesse sentido, a necessidade de protecao das florestas de galeria devem se estender claramente tambem a sua fauna, como condicao indispensavel para a recuperacao e conservacao das areas.

CONCLUSAO

As matas de galerias da bacia do alto Araguaia, nos municipios de Mineiros (estado de Goias) e Alto Araguaia (Mato Grosso), Brasil, apresentam uma menor riqueza (quando comparadas as mais conservadas), heterogeneidade nos indices de diversidade e equabilidade, tamanho reduzido das arvores e consequente baixa area basal, elevado numero de especies caracteristicas de estadios intermediarios de sucessao ecologica, e colonizacao de especies de cerrado e cerradao nas areas mais antropizadas, alterando a paisagem original. Dada a importancia dessas areas para a conservacao da biodiversidade e de servicos ambientais, principalmente relativos a agua, sugerem-se acoes de protecao e manejo conservacionista que aproveitem o potencial regenerativo da area, dado pela existencia de um grande numero de especies secundarias iniciais e predominio de especies zoocoricas.

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Christian Dias Cabacinha (1) Marco Aurelio Leite Fontes (2)

(1) Engenheiro Florestal, Dr., Professor Adjunto do Instituto de Ciencias Agrarias, Universidade Federal de Minas Gerais, Av. Universitaria, 1000, CEP 39404-547, Montes Claros (MG), Brasil. cabacinha@ufmg.br

(2) Engenheiro Florestal, Dr., Professor Adjunto do Departamento de Ciencias Florestais, Universidade Federal de Lavras, Campus Universitario, Caixa Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras (MG), Brasil. fontes@dcf.ufla.br

Recebido para publicacao em 27/01/2012 e aceito em 20/12/2012

TABLE 1: Location, latitudes, longitudes, area (ha), tree number
(N), floristic richness (S), maximum diversity (ln S), diversity
(H') and equability (J) of the forest fragments sampled. Upper
Araguaia river basin, Mineiros, GO state and Alto Araguaia,
MT state, Brazil.

TABELA 1: Localizacao, latitudes, longitudes, area (ha), riqueza
floristica (S), diversidade (H') e equabilidade (J) dos fragmentos
amostrados. Bacia do alto Araguaia, municipios de Mineiros, GO e
Alto Araguaia, MT, Brasil.

Local        Latitudes            Longitudes        Area (ha)

1       17[degrees]52'18,39"   53[degrees]07'25,54"     62,55
2       17[degrees]53'32,20"   53[degrees]05'23,76"     10,18
3       17[degrees]53'37,73"   53[degrees]06'44,95"     14,12
4       17[degrees]51'52,56"   53[degrees]03'42,28"     37,67
5       17[degrees]55'52,42"   53[degrees]05'49,60"    105,66
6       17[degrees]52'22,08"   53[degrees]03'14,61"     18,16
7       17[degrees]53'00,83"   53[degrees]06'02,51"     88,71
8       18[degrees]01'30,08"   53[degrees]04'19,19"    107,14
9       17[degrees]50'51,67"   53[degrees]04'50,55"    151,85
10      18[degrees]00'10,74"   53[degrees]03'20,14"     62,17
11      17[degrees]57'32,06"   53[degrees]04'13,65"     53,96
12      18[degrees]00'34,72"   53[degrees]03'33,06"     25,38
13      18[degrees]00'05,20"   53[degrees]02'06,34"     22,57
14      17[degrees]55'43,20"   53[degrees]10'30,05"    169,10
15      17[degrees]59'20,92"   53[degrees]10'30,05"     46,13
16      17[degrees]58'49,55"   53[degrees]10'20,82"     20,41
17      17[degrees]59'55,98"   53[degrees]10'18,98"     33,83
18      17[degrees]58'16,39"   53[degrees]09'10,71"     30,54
19      17[degrees]57'13,61"   53[degrees]03'25,68"     20,34
20      17[degrees]59'00,62"   53[degrees]07'38,46"     20,31
21      17[degrees]58'58,78"   53[degrees]08'07,98"    105,74
22      17[degrees]55'50,58"   53[degrees]09'21,78"     38,36
Total           --                    --            1.244,87

Local    S     H'     J

1       24    2,77   0,87
2       13    2,10   0,82
3       13    2,09   0,82
4       14    2,22   0,84
5       19    2,51   0,85
6       20    2,29   0,76
7       24    2,94   0,92
8       24    2,80   0,88
9       20    2,71   0,90
10      19    2,65   0,90
11      28    3,08   0,92
12      21    2,78   0,91
13      15    2,42   0,89
14      19    2,30   0,78
15      15    2,34   0,86
16      24    2,91   0,92
17      11    2,00   0,83
18      22    2,94   0,95
19      17    2,28   0,81
20      15    2,48   0,92
21      24    2,89   0,91
22      19    2,68   0,91
Total   109   3,86   0,82

TABLE 2: Phytosociological parameters, dispersal syndromes (SD)
and successional category (CS) of trees sampled. Upper Araguaia
river basin, Mineiros, GO state and Alto Araguaia, MT state,
Brazil.

TABELA 2: Parametros fitossociologicos, sindrome de dispersao
(SD) e categorias de sucessao (CS) das especies registradas em
levantamento fitossociologico em matas de galeria na bacia do
alto Araguaia, municipios de Mineiros, GO e Alto Araguaia, MT,
Brasil.

Especies                                  DR    DoR     FR

Bocageopsis mattogrossensis              13,9   9,9    10,9
  (R.E.Fr.) R.E.Fr.
Sclerolobium paniculatum Vog.            5,9    10,6   4,3
Tapirira guianensis Aubl.                3,9    5,6    4,3
Nectandra warmingii Meisn.               3,6    4,3    3,6
Licania kunthiana Hook.f.                4,0    2,4    3,8
Myrcia splendens (Sw.) DC.               3,5    2,7    3,7
Ocotea aciphylla (Nees) Mez              3,0    3,4    3,2
Matayba guianensis Aubl.                 2,1    5,0    2,4
Copaifera langsdorffii Desf.             2,4    4,1    2,7
Miconia chartacea Triana                 3,6    1,4    4,0
Maprounea guianensis Aubl.               2,4    1,6    2,7
Sloanea guianensis (Aubl.) Benth.        2,7    1,6    2,3
Inga ingoides (Rich.) Willd.             2,3    1,6    2,4
Qualea multiflora Mart.                  2,2    1,7    2,2
Xylopia aromatica (Lam.) Mart.           2,3    1,1    2,5
Emmotum nitens (Benth.) Miers            1,7    2,4    1,9
Virola sebifera Aubl.                    2,3    0,9    2,4
Eugenia lambertiana DC.                  1,7    2,2    1,5
Simarouba amara Aubl.                    1,9    1,0    2,2
Buchenavia capitata (Vahl.) Eichl.       1,0    3,2    0,9
Matayba elaeagnoides Radlk.              1,5    2,0    1,4
Guatteria nigrescens Mart.               1,3    1,9    1,4
Machaerium acutifolium Vogel             0,8    2,4    0,8
Duguetia marcgraviana Mart.              1,2    1,6    1,0
Anadenanthera colubrina (Vell.)          1,1    1,5    1,2
  Brenan
Erythroxylum citrifolium                 1,1    1,4    1,2
  A.St.-Hil.
Nectandra cissiflora Nees                1,4    1,0    1,3
Quiina rhytidopus Tul.                   1,1    1,1    1,1
Guatteria sellowiana Schltdl.            1,2    0,9    1,1
Roupala brasiliensis Klotz.              1,3    0,5    1,5
Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez            0,9    1,3    0,8
Amaioua guianensis Aubl.                 1,0    1,0    0,9
Sweetia fruticosa Spreng.                0,9    0,9    1,0
Unonopsis lindmanii R.E.Fr.              0,8    1,0    0,9
Mabeapohliana (Benth.) Mull.Arg.         0,9    0,4    1,1
Buchenavia tomentosa Eichler             0,5    1,0    0,6
Eriotheca candolleana (K.Schum.)         0,8    0,5    0,8
  A.Robyns
Myrcia rufipes DC.                       0,8    0,3    0,8
Inga heterophylla Willd.                 0,5    0,7    0,6
Cecropia pachystachya Trecul             0,6    0,5    0,7
Kielmeyera coriacea Mart. & Zucc.        0,6    0,4    0,7
  var.coriacea
Guarea guidonia (L.) Sleumer             0,6    0,5    0,6
Hirtella glandulosa Spreng.              0,4    0,8    0,4
Hirtella gracilipes (Hook.f.)            0,5    0,5    0,5
  Prance
Pouteria gardneri (Mart. & Miq.)         0,5    0,1    0,7
  Baehni
Tocoyena brasiliensis Mart.              0,5    0,4    0,5
Pseudolmedia laevigata Trecul            0,2    0,8    0,3
Ouratea spectabilis (Mart. & Engl.)      0,5    0,1    0,6
  Engl.
Erythroxylum daphnites Mart.             0,5    0,3    0,5
Myrcia linguaeformis Kiaersk.            0,5    0,3    0,5
Myrsine guianensis (Aubl.) Kuntze        0,4    0,3    0,5
Ocotea spixiana (Nees) Mez               0,4    0,4    0,3
Casearia gossypiosperma Briq.            0,4    0,2    0,4
Pouteria ramiflora (Mart.) Radlk.        0,4    0,2    0,3
Byrsonima intermedia A.Juss.             0,4    0,2    0,4
Himatanthus drasticus (Mart.) Plumel     0,3    0,2    0,4
Myrsine umbellata Mart.                  0,2    0,4    0,3
Luehea grandiflora Mart. & Zucc.         0,3    0,3    0,3
Qualea cordata (Mart.) Spreng.           0,3    0,3    0,3
Gomidesia lindeniana O.Berg.             0,3    0,1    0,4
Talisia esculenta (A.St.-Hil.) Radlk.    0,2    0,4    0,2
Myrciaria floribunda (H.West ex          0,2    0,4    0,2
  Willd.) O.Berg
Licania octandra (Hoffmanns. ex          0,2    0,1    0,3
  Roem. & Schult.) Kuntze
Cheiloclinium cognatum (Miers.)          0,1    0,4    0,1
  A.C.Sm.
Guapira venosa (Choisy) Lundell          0,2    0,1    0,3
Connarus suberosus Planch. var           0,2    0,1    0,3
  suberosus
Licania apetala (E.Mey.) Fritsch         0,2    0,1    0,3
Hymenaea courbaril L.                    0,2    0,1    0,3
Miconia cuspidata Mart. ex Naudin        0,2    0,2    0,2
Xylopia sericea A.St.-Hil.               0,2    0,2    0,2
Caryocar brasiliense Cambess.            0,2    0,1    0,2
Toulicia laevigata Radlk.                0,2    0,1    0,2
Ocotea glaziovii Mez                     0,2    0,1    0,2
Cordia sellowiana Cham.                  0,2    0,1    0,2
Diptychandra aurantiaca Tul.             0,1    0,3    0,1
Nectandra cuspidata Nees                 0,2    0,1    0,2
Acosmium subelegans (Mohlenbr.)          0,1    0,3    0,1
  Yakovlev
Guarea macrophylla Vahl                  0,2    0,2    0,1
Tabebuia aurea (Manso) Benth. &          0,2    0,1    0,2
  Hook.f. ex S.Moore
Plathymenia reticulata Benth.            0,2    0,1    0,2
Stryphnodendron obovatum Benth.          0,2    0,1    0,2
Bauhinia longifolia (Bong.) D.Dietr.     0,2    0,1    0,2
Siparuna guianensis Aubl.                0,2    0,0    0,2
Cupania vernalis Cambess.                0,2    0,0    0,2
Prunus myrtifolia (L.) Urb.              0,2    0,0    0,2
Combretum discolor Taub.                 0,1    0,2    0,1
Aspidosperma discolor A.DC.              0,2    0,1    0,1
Annona cornifolia A.St.-Hil.             0,1    0,1    0,1
Aspidosperma subincanum Mart. ex A.DC.   0,1    0,1    0,1
Diospyros sericea A.DC.                  0,2    0,0    0,1
Aspidosperma parvifolium A.DC.           0,1    0,1    0,1
Rudgea viburnoides (Cham.) Benth.        0,1    0,1    0,1
Aspidosperma spruceanum Benth.           0,1    0,0    0,1
  ex Mull.Arg.
Couepia grandiflora (Mart. & Zucc.)      0,1    0,0    0,1
  Benth. ex Hook.f.
Pterodon pubescens (Benth) Benth.        0,1    0,0    0,1
Astronium fraxinifolium Schott           0,1    0,0    0,1
  ex Spreng.
Byrsonima coriacea (Sw.) DC.             0,1    0,0    0,1
Agonandra brasiliensis Miers ex          0,1    0,0    0,1
  Benth. & Hook.
Aiouea trinervis Meisn.                  0,1    0,0    0,1
Myrcia tomentosa (Aubl.) DC.             0,1    0,0    0,1
Eriotheca gracilipes (K.Schum.)          0,1    0,0    0,1
  A.Robyns
Astronium nelsonrosae Santin             0,1    0,0    0,1
Myrsine parvula (Mez) Otegui             0,1    0,0    0,1
Myrcia fallax (Rich.) DC.                0,1    0,0    0,1
Casearia decandra Jacq.                  0,1    0,0    0,1
Dimorphandra mollis Benth.               0,1    0,0    0,1
Bowdichia virgilioides Kunth             0,1    0,0    0,1
Heisteria ovata Benth.                   0,1    0,0    0,1
Rhamnidium elaeocarpum Reissek           0,1    0,0    0,1
Total geral                              100    100    100

Especies                                  VI    SD    CS

Bocageopsis mattogrossensis              34,6   Zoo   SI
  (R.E.Fr.) R.E.Fr.
Sclerolobium paniculatum Vog.            20,8   An    SI
Tapirira guianensis Aubl.                13,8   Zoo   Pi
Nectandra warmingii Meisn.               11,5   Zoo   ST
Licania kunthiana Hook.f.                10,2   Zoo   SI
Myrcia splendens (Sw.) DC.               9,9    Zoo   SC
Ocotea aciphylla (Nees) Mez              9,5    Zoo   SI
Matayba guianensis Aubl.                 9,5    Zoo   SI
Copaifera langsdorffii Desf.             9,2    Zoo   ST
Miconia chartacea Triana                 9,0    Zoo   ST
Maprounea guianensis Aubl.               6,8    Zoo   SI
Sloanea guianensis (Aubl.) Benth.        6,5    Zoo   SI
Inga ingoides (Rich.) Willd.             6,4    Zoo   SC
Qualea multiflora Mart.                  6,2    An    SI
Xylopia aromatica (Lam.) Mart.           5,9    Zoo   Pi
Emmotum nitens (Benth.) Miers            5,9    Zoo   SI
Virola sebifera Aubl.                    5,7    Zoo   Pi
Eugenia lambertiana DC.                  5,3    Zoo   SI
Simarouba amara Aubl.                    5,2    Zoo   SI
Buchenavia capitata (Vahl.) Eichl.       5,2    Zoo   SI
Matayba elaeagnoides Radlk.              4,9    Zoo   SI
Guatteria nigrescens Mart.               4,6    Zoo   ST
Machaerium acutifolium Vogel             4,0    An    Pi
Duguetia marcgraviana Mart.              3,9    Zoo   SC
Anadenanthera colubrina (Vell.)          3,8    An    SI
  Brenan
Erythroxylum citrifolium                 3,7    Zoo   ST
  A.St.-Hil.
Nectandra cissiflora Nees                3,6    Zoo   ST
Quiina rhytidopus Tul.                   3,3    Zoo   SI
Guatteria sellowiana Schltdl.            3,3    Zoo   SI
Roupala brasiliensis Klotz.              3,2    An    ST
Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez            3,1    Zoo   SI
Amaioua guianensis Aubl.                 3,0    Zoo   ST
Sweetia fruticosa Spreng.                2,9    An    Pi
Unonopsis lindmanii R.E.Fr.              2,8    Zoo   ST
Mabeapohliana (Benth.) Mull.Arg.         2,5    Zoo   SC
Buchenavia tomentosa Eichler             2,1    Zoo   Pi
Eriotheca candolleana (K.Schum.)         2,1    An    SI
  A.Robyns
Myrcia rufipes DC.                       1,9    Zoo   ST
Inga heterophylla Willd.                 1,8    Zoo   SI
Cecropia pachystachya Trecul             1,8    Zoo   Pi
Kielmeyera coriacea Mart. & Zucc.        1,8    An    SI
  var.coriacea
Guarea guidonia (L.) Sleumer             1,6    Zoo   SI
Hirtella glandulosa Spreng.              1,6    Zoo   SI
Hirtella gracilipes (Hook.f.)            1,4    Zoo   SI
  Prance
Pouteria gardneri (Mart. & Miq.)         1,3    Zoo   ST
  Baehni
Tocoyena brasiliensis Mart.              1,3    Zoo   ST
Pseudolmedia laevigata Trecul            1,3    Zoo   SI
Ouratea spectabilis (Mart. & Engl.)      1,2    Zoo   SC
  Engl.
Erythroxylum daphnites Mart.             1,2    Zoo   SC
Myrcia linguaeformis Kiaersk.            1,2    Zoo   SC
Myrsine guianensis (Aubl.) Kuntze        1,1    Zoo   Pi
Ocotea spixiana (Nees) Mez               1,1    Zoo   SI
Casearia gossypiosperma Briq.            0,9    Zoo   SI
Pouteria ramiflora (Mart.) Radlk.        0,9    Zoo   ST
Byrsonima intermedia A.Juss.             0,9    Zoo   SI
Himatanthus drasticus (Mart.) Plumel     0,9    An    Pi
Myrsine umbellata Mart.                  0,9    Zoo   SI
Luehea grandiflora Mart. & Zucc.         0,9    An    Pi
Qualea cordata (Mart.) Spreng.           0,8    An    SC
Gomidesia lindeniana O.Berg.             0,8    Zoo   SI
Talisia esculenta (A.St.-Hil.) Radlk.    0,7    Zoo   Pi
Myrciaria floribunda (H.West ex          0,7    Zoo   SI
  Willd.) O.Berg
Licania octandra (Hoffmanns. ex          0,6    Zoo   SI
  Roem. & Schult.) Kuntze
Cheiloclinium cognatum (Miers.)          0,6    Zoo   SI
  A.C.Sm.
Guapira venosa (Choisy) Lundell          0,6    Zoo   SI
Connarus suberosus Planch. var           0,6    Zoo   SC
  suberosus
Licania apetala (E.Mey.) Fritsch         0,6    Zoo   SI
Hymenaea courbaril L.                    0,6    Zoo   ST
Miconia cuspidata Mart. ex Naudin        0,5    Zoo   ST
Xylopia sericea A.St.-Hil.               0,5    Zoo   SI
Caryocar brasiliense Cambess.            0,5    Zoo   Pi
Toulicia laevigata Radlk.                0,5    An    Pi
Ocotea glaziovii Mez                     0,5    Zoo   ST
Cordia sellowiana Cham.                  0,5    Zoo   SI
Diptychandra aurantiaca Tul.             0,5    An    SI
Nectandra cuspidata Nees                 0,5    Zoo   SI
Acosmium subelegans (Mohlenbr.)          0,4    An    Pi
  Yakovlev
Guarea macrophylla Vahl                  0,4    Zoo   SI
Tabebuia aurea (Manso) Benth. &          0,4    An    Pi
  Hook.f. ex S.Moore
Plathymenia reticulata Benth.            0,4    An    SI
Stryphnodendron obovatum Benth.          0,4    Au    Pi
Bauhinia longifolia (Bong.) D.Dietr.     0,4    An    SI
Siparuna guianensis Aubl.                0,4    Zoo   SI
Cupania vernalis Cambess.                0,4    Zoo   SI
Prunus myrtifolia (L.) Urb.              0,4    Zoo   SI
Combretum discolor Taub.                 0,3    An    SC
Aspidosperma discolor A.DC.              0,3    An    SI
Annona cornifolia A.St.-Hil.             0,3    Zoo   SI
Aspidosperma subincanum Mart. ex A.DC.   0,3    An    SI
Diospyros sericea A.DC.                  0,3    Zoo   SI
Aspidosperma parvifolium A.DC.           0,3    An    ST
Rudgea viburnoides (Cham.) Benth.        0,2    Zoo   SI
Aspidosperma spruceanum Benth.           0,2    An    ST
  ex Mull.Arg.
Couepia grandiflora (Mart. & Zucc.)      0,2    Zoo   Pi
  Benth. ex Hook.f.
Pterodon pubescens (Benth) Benth.        0,2    An    SI
Astronium fraxinifolium Schott           0,2    An    ST
  ex Spreng.
Byrsonima coriacea (Sw.) DC.             0,2    Zoo   SI
Agonandra brasiliensis Miers ex          0,2    Zoo   ST
  Benth. & Hook.
Aiouea trinervis Meisn.                  0,2    Zoo   ST
Myrcia tomentosa (Aubl.) DC.             0,2    Zoo   SI
Eriotheca gracilipes (K.Schum.)          0,2    An    SI
  A.Robyns
Astronium nelsonrosae Santin             0,2    An    ST
Myrsine parvula (Mez) Otegui             0,2    Zoo   SC
Myrcia fallax (Rich.) DC.                0,2    Zoo   SI
Casearia decandra Jacq.                  0,2    Zoo   SI
Dimorphandra mollis Benth.               0,2    Au    Pi
Bowdichia virgilioides Kunth             0,2    An    SI
Heisteria ovata Benth.                   0,2    Zoo   SI
Rhamnidium elaeocarpum Reissek           0,2    Zoo   SI
Total geral                              300

Em que: DR = densidade relativa (%); DoR = dominancia relativa
(%); FR = frequencia relativa (%); VI = valor de importancia;
PI = pioneira; SI = secundaria inicial; ST = secundaria tardia;
Zoo = zoocorica; An = anemocorica; Au = autocorica; SC = sem
classificacao.
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:Cabacinha, Christian Dias; Fontes, Marco Aurelio Leite
Publication:Ciencia Florestal
Date:Apr 1, 2014
Words:7294
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