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Filhos das fronteiras: revisao de literatura sobre imigracao involuntaria, infancia e saude mental.

Children of the Borders: Literary Review Regarding Involuntary Immigration, Childhood and Mental Health

Hijos de las fronteras: revision de literatura sobre inmigracion involuntaria, infancia y salud mental

Introducao

Pequenos bebes envoltos em capas nao surgem apenas nos desenhos animados como super-herois, mas se multiplicam nos noticiarios internacionais sendo cobertos por involucros da guarda-costeira apos, heroicamente, sobreviverem as travessias do Mediterraneo em botes clandestinos. Com o numero crescente de deslocamento global provocado por guerras, conflitos, perseguicoes--65.6 milhoes de pessoas foram forcadas a deixar suas casas ate o final de 2017--, sendo que 51% delas possuem menos de 18 anos de idade, assim sendo, a tematica da imigracao se popularizou, os refugiados se tornaram pauta desde os foruns internacionais e debates academicos as conversas cotidianas do grupo de amigos (Comite Nacional para os Refugiados (CONARE), 2017; United Nations High Commissioner for Refugees, 2017).

No territorio brasileiro os indices tambem aumentam, com crescimento nas solicitacoes de refugio de mais de 930% entre 2010 e 2013. Ao final do ano de 2016, contabilizou-se 10.308 solicitacoes de refugios, dentre os quais 9.552 foram devidamente reconhecidas. Por sua vez, os pequenos imigrantes--criancas de 0 a 12 anos de idade--representam 7% dos refugios deferidos (CONARE, 2017). Na companhia de seus pais em busca da sobrevivencia ou vivendo a perda de estar desacompanhada, as criancas procuram guarida no pais de acolhimento, marcadas por feridas que vao alem das cicatrizes corporais (Bezerra, 2016).

Os impactos psicologicos das experiencias traumaticas associadas a imigracao involuntaria na infancia eclodem em pesadelos, isolamento social, baixo rendimento escolar e sentimento de tristeza, assim como, alteracoes emocionais e comportamentais interferem no desenvolvimento infantil e denotam o sofrimento psicologico que acomete criancas em refugio (Erol, Simsek, Oner, & Munir, 2005; Flink et al., 2013; Kronick & Rousseau, 2015; Lien, Haavet, Thoresen, Heyerdahl, & Bjertness, 2007; Lipsicas & Makinen, 2010; Nielsen et al., 2008). Somam-se, ainda, as dificuldades enfrentadas diante do convivio simultaneo com a cultura de onde vieram e aquela do pais anfitriao, cujo encontro de diferencas potencializa os riscos de problemas de saude mental e tornam criancas e jovens imigrantes mais vulneraveis psicologicamente (Antunes, 2017; Becker & Martins-Borqes, 2015; Martins-Borges, 2017; Moleiro & Goncalves, 2010; Pumariega, Rogers, & Rothe, 2005; Skokauskas & Clarke, 2009).

Diante do contexto aqui exposto, parece urgente atentar para as questoes da saude mental dos pequenos. Desse modo, o presente artigo se constitui com o proposito de apresentar uma revisao da literatura acerca dos impactos psicologicos da imigracao involuntaria na infancia. Faz-se mister evidenciar o panorama das publicacoes cientificas sobre as repercussoes psicologicas da imigracao na infancia visando fomentar a discussao com o meio academico e a comunidade.

Metodo

Realizou-se uma revisao de literatura com o proposito de conhecer o panorama das publicacoes cientificas acerca dos impactos psicologicos da imigracao involuntaria em criancas. A partir dessa questao, iniciou-se a etapa de localizacao e selecao dos estudos que poderiam elucida-la. Optou-se pela busca em cinco bases de dados eletronicas: (1) Biblioteca Virtual em Saude e Psicologia [BVS-PSI]; (2) Portal de Periodicos Capes; (3) Francis; (4) Rede de Revistas Cientificas da America Latina, do Caribe, da Espanha e de Portugal [Redalyc]; e plataforma da (5) American Psychological Association [APA PsycARTICLES]. As bases de dados foram escolhidas com intuito de abarcar diferentes regioes de producao cientifica no mundo e por se tratarem de referencias quanto as publicacoes virtuais, sendo que a pesquisa se deu nas cinco plataformas separadamente.

Posteriormente, consultou-se a Terminologia em Psicologia da BVS-Psi e os Descritores em Ciencias da Saude (DeCS) da Biblioteca Virtual em Saude (BVS) para definir quais descritores melhor se adequariam ao estudo. Rastreios previos foram feitos nas referidas bases a partir de terminologias escritas em portugues, contudo, a amostra localizada se mostrou escassa e com pouca aproximacao a tematica de pesquisa. Escolheu-se, entao, o uso no idioma ingles dos descritores "immigration", "children" e "mental health", que foram inseridos nessa ordem e conectados pelo operador booleano "AND", de forma a recuperar a intersecao dos termos e garantir que todos os conceitos estivessem presentes.

A busca nas bases de dados a partir dos descritores foi feita em janeiro de 2018, acrescentando-se como filtro a pesquisa que os estudos fossem referentes ao periodo de janeiro de 2005 ate a data em questao com intuito de obter o maior numero de informacoes. Alem disso, indicou-se como criterio que as producoes deveriam apenas se tratar de artigos cientificos. Nao houve restricao quanto ao idioma de publicacao dos artigos, mas se percebeu que os trabalhos foram escritos em ingles, frances e espanhol. Localizou-se, inicialmente, o total de 157 publicacoes, cujos resumos foram lidos com a finalidade de excluir os estudos em repeticao ou aqueles que nao se tratavam de artigos cientificos, e verificar se os mesmos estavam diretamente relacionados as tematicas da imigracao involuntaria, infancia e saude mental.

Observou-se que boa parte dos artigos excluidos por nao se relacionarem a tematica (N= 35) versava sobre pesquisas em que o foco estava nos pais de familias imigrantes e outra quantidade importante (N= 20) abordava os efeitos da imigracao em participantes adultos. Houve ainda estudos que discutiam aspectos migratorios gerais (N= 13), sem especificacao relacionada a imigracao na infancia; e artigos cuja tematica da imigracao tinha papel secundario (N= 12), em investigacoes voltadas para maus-tratos a crianca, capacitacao de profissionais de saude, estrategias de urbanizacao de favelas e saude reprodutiva de mulheres.

Apos essa triagem, percebeu-se a necessidade de excluir tambem artigos publicados fora do periodo determinado--apesar da discriminacao no filtro de busca. Ao fim, foram selecionados 48 artigos, cujo fluxo do processo de selecao e ilustrado na Figura 1.

Partiu-se para a leitura integral dos artigos selecionados, com elaboracao de fichas sinteticas sobre o conteudo das producoes, de modo a permitir a identificacao das seguintes variaveis para analise: data de publicacao, local onde o estudo foi realizado, populacao estudada, natureza da pesquisa--e teorica ou empirica--, abordagem da pesquisa, tecnica utilizada de coleta de dados--para os estudos empiricos--, e temas centrais abordados. A fase de analise dos dados seguiu com o agrupamento de artigos em eixos tematicos de acordo com as similaridades dos temas centrais por ele abordados na tentativa de organizar os dados para apresentacao dos principais resultados. Os eixos tematicos criados foram; 1) Desafios no pais de acolhimento, neste item concentram-se estudos relacionados a aspectos sociais, economicos, educacionais e transgeracionais que interferem no processo de adaptacao das criancas; 2) Impactos Psicologicos, neste item os artigos enfocam a investigacao, caracterizacao e discussao acerca das repercussoes psicologicas advindas do processo migratorio; e 3) Propostas de intervencao, neste item foram agrupados os trabalhos voltados para a validacao de instrumentos para mensurar as repercussoes psicologicas e para a proposicao ou relato de experiencias acerca de intervencoes realizadas com criancas imigrantes.

Diante do arcabouco de dados coletados a partir da leitura analitica dos artigos, fez-se a interpretacao dos resultados, analisando-os articuladamente com base no objetivo de pesquisa. As consideracoes finais foram elaboradas com indicacoes de possiveis desdobramentos que o panorama das publicacoes cientificas identificado pode refletir no estudo acerca dos impactos psicologicos da imigracao involuntaria em criancas.

Resultados e discussao

Os artigos selecionados nesta pesquisa foram produzidos em paises de diferentes continentes, com producoes oriundas dos Estados Unidos (N=19), do Canada (N=09), da Inglaterra (N=04), da Espanha (N=02), da Holanda (N=02), da Irlanda (N=02), da Noruega (N=02), da Alemanha (N=02), da Argentina (N=01), da Australia (N=01), da Dinamarca (N=01), do Mexico (N=01), da Suecia (N=01) e da Turquia (N=01). Nota-se a exclusividade de publicacoes internacionais, sugestiva demanda para o surgimento de contribuicoes brasileiras sobre a tematica, haja vista o crescente indice de imigrantes involuntarios no Pais. A populacao pesquisada pelos estudos tambem se mostrou diversificada, havendo estudos que definiram seus grupos populacionais de trabalho nomeando-os como hispanicos (N=04), latinos (N=02), mexicanos (N=02), afegaos (N=01), asiaticos (N=01), colombianos (N=01), de minoria racial (N=01), filipinos (N=01), nao-ocidentais (N=01), somalis (N=02), turcos (N=02) e vietnamitas (N=01). Faz-se destaque para os artigos que trabalharam com populacoes de multiplas nacionalidades (N=16), que incluem sirios, caribenhos, chineses, dominicanos, russos; e aqueles em que nao houve especificacao da nacionalidade dos imigrantes em questao (N=16).

No que se refere a data de publicacao desses artigos, percebe-se, uma maior concentracao nos anos de 2012 e 2014, com a publicacao de 07 artigos em cada, seguidos do ano de 2007, quando 06 publicacoes foram lancadas. Ressalta-se que, dentre os artigos selecionados para esta revisao, nao houve publicacao no periodo de 2011. No ano de 2014, houve um marco historico de pessoas em deslocamento ao registrar-se 59 milhoes de refugiados, requerentes de asilo e deslocados internos no mundo, indice que nao era alcancado desde a Segunda Guerra Mundial (Alto Comissariado das Nacoes Unidas para Refugiados, 2014). No entanto, o numero de producoes cientificas a partir do objetivo deste estudo demonstrou nao ter acompanhado a vertiginosa populacao, haja vista que no ano de 2016 foram encontradas duas publicacoes e, no ano de 2017 apenas uma.

A presente revisao procurou identificar, tambem, qual a natureza das pesquisas sobre saude mental de criancas imigrantes. Observou-se a que a maioria dos trabalhos (N=35) utilizou metodos de coleta de dados com pessoas como participantes, caracterizando-se como pesquisas empiricas. Os demais 13 estudos foram constituidos de revisoes de literatura e discussoes teoricas relacionadas a tematica da saude mental na imigracao infantil. Esses ultimos estudos nao foram classificados quanto a abordagem da pesquisa e tecnicas utilizadas na coleta de dados.

Dentre os 35 estudos de natureza empirica, observou-se que a maior parte deles fez uso de abordagem quantitativa (N=25), em detrimento de (N=8) estudos de cunho qualitativo, e daqueles de abordagem mista, ou seja, (N=2) pesquisas de abordagem quanti-quali. Cabe refletir se a escolha pelo delineamento quantitativo pode revelar melhor adequacao aos objetivos estudados ou se trata de uma tradicao especifica de predilecao pela abordagem em cada pais, a exemplo dos Estados Unidos, que produziram o maior numero de artigos aqui analisados, cujo historico de pesquisas em psicologia e marcado pela abordagem quantitativa (Perdigao, Herlinaer, & White, 2012).

Quanto as tecnicas utilizadas na coleta de dados de tais pesquisas, pode-se observar na Tabela 1 o predominio de questionarios como recurso principal dos estudos empiricos. Contudo, ressalta-se que a diversidade de tecnicas parece refletir a necessidade de diferentes metodos para alcancar as populacoes de culturas distintas.

As multiplas tematicas presentes nos artigos tambem anunciam a gama de conteudos a serem observados quando se trata de questoes psicologicas na imigracao infantil. Com o proposito de apresentar os principais resultados dos artigos de forma articulada, serao descritos a seguir os eixos tematicos criados para analise dos estudos. A distribuicao dos referidos artigos nos eixos de acordo com o tema central abordada no estudo pode ser observada na Tabela 2 atraves do nome de seus autores.

Desafios no pais de acolhimento

Fizeram parte desse eixo 15 artigos, que abordam questoes relacionadas ao processo de adaptacao das criancas imigrantes ao chegarem ao pais que as recebe como refugiadas. Pumariega e Rothe (2010) pontuam que aspectos como aprender a nova lingua, renegociar a identidade cultural, e lidar com o isolamento social, o preconceito e a discriminacao sao desafios enfrentados por pequenos imigrantes. As condicoes ambientais, o tempo de permanencia em campos e abrigos, a escolaridade, e a situacao financeira precaria tambem sao adversidades percebidas como fatores de risco para saude mental de criancas solicitantes de asilo (Hadfield, Ostrowski, & Ungar, 2017; Lauritzen & Sivertsen, 2012).

Mace, Mulheron, Jones e Cherian (2014), em pesquisa realizada a partir dos registros de consultas pediatricas de servico de saude australiano para refugiados, investigaram o historico educacional das criancas e perceberam que a maior parte delas havia sofrido interrupcao da escolaridade e relatava o desenvolvimento da segunda lingua como preocupacao escolar. O incentivo a reinsercao escolar e as praticas inclusivas das criancas imigrantes e defendida por Gonzalez, Cuxart e Peco (2012), Spiegler, Verkuyten, Thijs e Leyendecker (2016) os quais enfatizam a possibilidade de coexistencia e o estabelecimento de vinculos entre estudantes nativos e de diferentes origens.

Buriel (2012) aborda o papel especial que as criancas mexicanas desempenham no processo de adaptacao das familias recem-chegadas ao territorio norte-americano, funcionando como facilitadoras em relacao ao idioma e a cultura. Ha um debate sobre a mediacao cultural produzir inversao de papeis na familia e adultificacao do adolescente, ou, simplesmente, ser uma das maneiras de criancas e jovens contribuirem para o funcionamento familiar. Em um estudo com adolescentes vietnamitas, os resultados alcancados oor Trickett e Jones (2007) apontam para um cenario misto nessa discussao, ao evidenciar que a mediacao cultural nao se relacionou a satisfacao da familia e a coesao familiar; e que houve mais conflito familiar em adolescentes mediadores, mas tambem uma maior adaptabilidade da familia.

Os aspectos da aculturacao e o estresse relacionado a adaptacao familiar, combinados com o pouco preparo nos servicos para acolher tal grupo pode contribuir para um maior risco de transtornos de saude mental em criancas e jovens imigrantes tais como: Transtorno de Estresse Pos-Traumatico, Transtornos Depressivos e Ansiosos (Frankenberq, Kupper, Wagner, & Bonqard, 2013; Chuang & Gielen 2009). Em um estudo que investigou as comunicacoes estabelecidas entre os pais de criancas latinas e os profissionais medicos sobre aspectos psicossociais de seus filhos, Cook, Brown, Loder e Wissow (2014) verificaram que a aculturacao tem papel influenciador no estabelecimento de uma boa comunicacao, so havendo evolucao na confianca para partilhar aspectos da saude mental das criancas com o passar dos anos.

Pfeifer et al. (2007) atentaram-se para os fatores estressores na chegada ao pais de acolhimento, bem como, estudaram as especificidades da construcao da identidade social grupai em minorias etnicas, a partir de criancas imigrantes recem-chegadas da China, da Uniao Sovietica e da Republica Dominicana e que passaram a residir no territorio americano. Para alem das questoes aculturativas. Ellis, MacDonald, Lincoln e Cabral (2008) sugerem que a discriminacao estaria fortemente relacionada a efeitos na saude mental. Os autores enfatizam que a insercao social e prioritaria, e a ausencia de vinculos com a comunidade pode afetar o processo adaptativo. Georoiades, Boyle e Duku (2007), ao realizar uma pesquisa no Canada, constataram o fator resiliencia em familias de imigrantes recentes, que residem em bairros com presenca significativa de outros imigrantes, quando o contexto ambiental tende a influenciar positivamente o desempenho escolar e aspectos emocionais e comportamentais das criancas.

Impactos Psicologicos

Frutos do deslocamento, as criancas imigrantes tem sua mente posta em movimento. Sentimentos, ideias, comportamentos que tem o curso modificado de forma tao abrupta quanto o abalo inesperado do terremoto. Experiencias traumaticas que irrompem o psiquismo, o luto das perdas que deprime e angustia, as marcas da violencia silenciada que fazem o corpo falar na dor. Os impactos psicologicos da imigracao involuntaria na crianca foram abordados por 21 dos artigos pesquisados, havendo objetivos de estudo focados na identificacao de sintomas psiquicos, mas tambem no comparativo com populacoes nao-imigrantes, e na discussao acerca de tais repercussoes psicologicas no desenvolvimento infantil.

Bronstein, Montgomery e Dobrowolski (2012) realizaram um estudo no Reino Unido com criancas afegas solicitantes de refugio e verificaram que um terco dos participantes apresentou indicativos de ser suscetivel a ter Transtorno de Estresse Pos-traumatico (TEPT). Ha importantes conexoes do TEPT aos eventos traumaticos pre-migratorios que as criancas vivenciaram, associados ao proprio processo da imigracao, ao status migratorio e as condicoes de vida e assistencia social.

Loreka et al. (2009) avaliaram a saude mental e fisica de criancas de um centro de detencao britanico, por meio de entrevistas clinicas estruturadas e questionarios de auto-relato, e observaram que todas as criancas participantes relataram sintomas de depressao e ansiedade. Problemas no sono, queixas somaticas, falta de apetite, sintomas emocionais e dificuldades comportamentais foram achados comuns. As avaliacoes pediatricas indicaram que 40% das criancas apresentaram perda de peso, alem de ter havido ocorrencias de internamento e faltas a consultas de saude, o que levantou preocupacoes quanto ao desenvolvimento, a nutricao e a protecao infantil. A experiencia das criancas de familias detidas no processo de imigracao tambem e foco do estudo de Kronick e Rousseau (2015), que realizaram observacao etnografica participante e entrevistas semi-estruturadas em um centro canadense. A pesquisa apresenta o cotidiano das familias detidas, indica os sentimentos de criminalizacao e impotencia experienciado pelas criancas, alem das respostas estressantes e traumaticas a separacao de seus pais.

Ao estudar os efeitos do deslocamento interno e reassentamento no desenvolvimento emocional e comportamental de criancas turcas, Erol et al. (2005) atentaram para variaveis como a idade da crianca, o sexo, existencia de doenca fisica, situacao laboral dos pais e residencia da familia em areas urbanas. Os autores observaram que tais fatores foram preditores importantes para a internalizacao e externalizacao de problemas, havendo relacao entre o deslocamento e a maior experimentacao dos problemas. Com criancas deslocadas internamente na Somalia, Kostelny e Ondoro (2016) destacam que para alem da guerra, as criancas cotidianamente enfrentavam situacoes estressantes, dentre quais: negligencia, trabalho infantil, evasao escolar e/ou uso de substancias psicoativas vivenciando um acumulo de situacoes conflitantes. Tambem foi possivel perceber pelo estudo de Flink et al. (2013) que a saude mental das criancas deslocadas internas na Colombia se mostrou pior que a de criancas nao-deslocadas.

Em contraponto ao cenario majoritario dos trabalhos revisados, Volleberoh et al. (2005) e Rousseau, Hassan, Measham, & Lashley (2008) produziram estudos, respectivamente, na Holanda e no Canada, cujos achados nao evidenciaram maior percepcao de queixas por parte de adolescentes imigrantes se comparados a nao-imigrantes. A pesquisa de Vollebergh et al. (2005) com jovens nao-ocidentais tambem envolveu dados coletados com seus pais e professores, que, diferentemente, sinalizaram indicios de sofrimento maiores que os relatados pelos adolescentes; e os convocaram a defender a multiplicidade de fontes de informacoes.

No que se refere a idade a epoca da imigracao, Patterson, Kyu e Georgiades (2013) realizaram investigacao que verificou maior risco para alteracoes no humor e transtornos de ansiedade de criancas que chegaram ao Canada com menos de 6 anos de idade em comparacao com aqueles que imigraram acima dos 18 anos. Tais resultados reforcam a demanda por programas de intervencao e prevencao especificos para a populacao imigrante infantil.

Propostas de intervencao

Dentre os trabalhos categorizados neste eixo, foram incluidos os estudos voltados para a mensuracao dos impactos psicologicos, na compreensao de que o desenvolvimento de instrumentos tem o proposito cientifico e assistencial que pode se configurar como interventivo. Suarez-Morales, Dillon e Szapocznik (2007) avaliam as propriedades psicometricas do Inventario de Estresse Aculturativo para a Infancia (ASIC --sigla em ingles) em uma amostra de 139 criancas hispanicas. Houve adequacao nos quesitos de consistencia interna e confiabilidade, alem de terem sido obtidas estimativas suficientes da convergente, discriminante e validade preditiva, sendo discutidas as implicacoes futuras do uso de tal recurso junto a criancas imigrantes.

Tambem realizado com jovens hispanicos, o estudo do Inventario de Estresse para adolescentes latino-americanos (HSI-A--sigla em ingles), teve o proposito de desenvolver uma medida culturalmente informada de estresse. Com quesitos voltados para aculturacao, educacao, familia, uso de drogas, vida comunitaria, discriminacao, o instrumento apresentou coeficiente de confiabilidade esperado (Cervantes, Fisher, Cordova, & Napper, 2012).

Quanto as possibilidades interventivas ante as criancas imigrantes involuntarias, percebe-se uma sensibilizacao dos artigos para a atencao as especificidades culturais na atuacao pratica (Masaud, McNicholas, & Skokauskas, 2010; Pumariega, Rogers, & Rothe, 2005; Walker, 2005). Reflete-se que o local de origem daquele que adoece fornece dados sobre as caracteristicas da saude da populacao da regiao, mas, acima de tudo, as informacoes culturais poderao traduzir as interpretacoes, explicacoes e padroes de enfrentamento daquela populacao diante da doenca (Skokauskas & Clarke, 2009).

Marks, Ejesi e Coll (2014) sugerem que politicas publicas sejam formuladas de modo a garantir tratamentos culturalmente apropriados, treinamento especifico para os profissionais que trabalham com pequenos refugiados, e apoio as criancas para que aprendam a lingua e se identifiquem com aspectos cultuais do pais de acolhimento, sem perder seus lacos com a cultura. Nesse sentido um projeto realizado junto a assistentes sociais prestou servicos as criancas requerentes de refugio, em que os profissionais passaram a atentar-se as devolutivas das criancas acerca do atendimento recebido e, a partir dessas informacoes, pretendem se adequar para atende-las de maneira efetiva (Warwick, Neville, & Smith, 2006).

Faz-se necessario que os profissionais de saude estejam atentos a diversidade socioeconomica, etnica e religiosa dos refugiados, a fim de oferecer apoio adequado as especificidades de cada populacao. Servicos e profissionais de saude sensiveis a cultura facilitam a expressao de experiencias, necessidades e obstaculos vivendados por grupos minoritarios no acesso e recurso a saude psicologica (Javier et al., 2014; Nadeau & Measham, 2006). Os modelos explicativos da doenca, os mecanismos de enfrentamento e o comportamento na busca por ajuda variam em cada cultura, e o entendimento dessas diferencas pode ser significativo na garantia do acesso aos servicos de saude mental e manutencao da assistencia aos imigrantes, com efetiva minimizacao dos fatores de risco e potencializacao dos fatores de protecao do adoecimento (Javier et al., 2014).

Tendo apresentado os principais resultados desta revisao de literatura acerca da saude mental de criancas imigrantes, passa-se, entao, as consideracoes finais do trabalho. De modo sintetico e com vias avaliativas sao feitas reflexoes sobre os alcances deste estudo, assim como a respeito de suas limitacoes, para seguir no incremento de trabalhos que enfoquem a questao do desenvolvimento emocional de criancas imigrantes.

Consideracoes finais

O presente estudo se propos revisar a literatura cientifica disponibilizada nos ultimos treze anos em bases disponiveis eletronicamente acerca dos impactos psicologicos da imigracao involuntaria na infancia. Acredita-se que o carater original do estudo e a sua relevancia atual diante o cenario internacional de crescente fluxo migratorio possibilitem a sistematizacao dos estudos para pesquisas futuras e fomente a discussao sobre a tematica.

Percebe-se que a inexistencia de publicacoes nacionais (Brasil) na modalidade de artigos cientificos direcionados aos pequenos imigrantes demanda urgente direcionamento de estudos a area. A ampliacao para investigacoes que abarque livros e revistas nao indexadas como dados para coleta, por exemplo, certamente identificara outros achados. Acrescenta-se, ainda, que a busca apenas por artigos disponiveis gratuitamente se evidencia como uma limitacao desta pesquisa. Sugere-se que novos estudos possam incluir tambem artigos acessiveis mediante aquisicao financeira, fator que tende a expandir os resultados. Alem disso, acredita-se que a utilizacao de outros descritores e/ou a amplitude nas combinacoes entre os termos possivelmente estendera os resultados na pesquisa. Ademais embora o foco da revisao tenha se direcionado para os seguintes topicos: "Desafios do pais de acolhimento", "Impactos psicologicos" e "Propostas de intervencao" deve-se atentar para os temas, tipos de delineamento metodologicos, predilecoes nas abordagens utilizadas no sentido de questionar os resultados, de problematiza-los e de entender que ha um panorama --ser crianca, a cultura, a lingua, presenca ou ausencia dos familiares, deixar forcosamente o pais de origem--quando se pretende debrucar-se sobre esse assunto.

Considera-se, por fim, que os achados referentes a revisao da literatura acerca dos impactos psicologicos da imigracao involuntaria na infancia apontam para o sofrimento psiquico que as criancas refugiadas vivenciam. Faz-se o alerta, entao, a necessidade de producao cientifica sobre as tematicas retratadas. Sinaliza-se a importancia de produzir Politicas Publicas, especialmente na Atencao Basica, que garantam praticas humanizadas ao considerar as singularidades e as diferencas culturais constitutivas dessas criancas, que tao precocemente se deparam com situacoes fronteiricas a vida.

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Cecilia Braga Bezerra [1] ([sobre]) [Lattes], Lucienne Martins Borges [2] [Lattes], Maiara Pereira Cunha [3] ([sobre]) [Lattes]

[1 2] Universidade Federal de Santa Catarina,

[3] Universidade do Vale do Itajai Brasil

Fecha correspondencia:

Recibido: marzo 5 de 2018.

Aceptado: octubre 22 de 2018.

DOI: http://dx.doi.org/10.21615/cesp.12.2.3

Sobre los autores:

[1.] Mestre em Psicologia. Nucleo de Estudos sobre Psicologia, Migracoes e Culturas, Centro de Filosofia e Ciencias Humanas--Universidade Federal de Santa Catarina.

[2.] Doutora em Psicologia. Professora titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina--UFSC, coordenadora do Nucleo de Estudos sobre Psicologia, Migracoes e Culturas--NEMPsiC,

[3.] Doutora em Psicologia. Professora da Universidade do Vale do Itajai.

Leyenda: Figura 1. Processo de localizacao e selecao de artigos
Tabela 1. Distribuicao dos artigos empiricos quanto as
tecnicas utilizadas na coleta de dados

        Tecnica utilizada na coleta de dados           N

Questionario                                           23
Questionario e auto-relato                             01
Entrevista                                             01
Entrevista e questionario                              03
Entrevista e grupo focal                               02
Entrevista, grupo de discussao e relato comunicativo   01
Entrevista e observacao etnografica                    01
Grupo focat                                            01
Estudo de caso                                         01
Relato de experiencia                                  01
Total                                                  35

Legenda: Tabela elaborada pelas autoras deste artigo

Tabela 2. Agrupamento dos artigos quanto aos eixos tematicos

Eixo tematico   Autores

Desafios no     Buriel (2012); Chuana e Gielen (2009); Cook, Brown,
pais de         Loder e Wissow (2014); Ellis et al. (2008);
acolhimento     Frankenberg, Kupper, Wagner e Bongard (2013);
                Georgiades, Boyle e Duku (2007); Gonzalez, Cuxart e
                Peco (2012); Hadfield, Ostrowski e Ungar (2017);
                Lauritzen e Sivertsen (2012); Mace, Mulheron, Jones e
                Cherian (2014); Pfeifer et al. (2007); Pumariega e
                Rothe (2010); Spiegler, Verkuyten e Leyendecker
                (2016); Trickett e Jones (2007); Ziol-Guest e Kalil
                (2012)

Impactos        Allen, Cisneros e Tellez (2015); Beiser et al. (2010);
Psicologicos    Beiser, Goodwill, Albanese, McShane e Nowakowski
                (2014); Bronstein, Montagmery e Dobrowolski (2012),
                Calzada, Huang, Linares-Torres, Singh e Brotman
                (2014); Castro, Bermudez e Buela-Casal (2009); Erol et
                al (2005); Flink et al. (2013); Gupta, Rogers-Sirin,
                Okazaki, Ryce e Sirin (2014); Katsiaficas, Suarez-
                Orozco, Sirin e Gupta, (2013); Kostelny e Ondoro
                (2016); Kronick e Rousseau (2015); Lien et al. (2007);
                Lipsicas e Makinen (2010); Lopez-Pozos (2009); Loreka
                et al. (2009); Nielsen et al. (2008); Patterson, Kyu e
                Georgiades (2013); Rousseau, Hassan, Measham e Lashley
                (2008); Tummala-Narra (2014); Vollebergh et al. (2005)

Propostas de    Cervantes, Cardoso e Goldbach (2015); Cervantes,
intervencao     Fisher, Cordova Jr. e Napper (2012); Javier, Supan,
                Lansang, Beyer e Kubicek (2014); Leiner, Balcazar,
                Straus, Shirsat e Handal (2006); Marks, Ejesi e Coll
                (2014); Masaud, McNicholas e Skokauskas (2010); Nadeau
                e Measham (2006); Pumariega, Rogers e Rothe (2005);
                Suarez-Morales, Dillon e Szapocznik (2007); Skokauskas
                e Clarke (2009); Walker (2005); Warwick, Neville e
                Smith (2006)

Total

Eixo tematico   Tema central                                        N

Desafios no     Relacao pais-filhos; servicos de saude;             15
pais de         aculturacao; escolarizacao; contexto ambiental;
acolhimento     convivio escolar; estabelecimento de amizades;
                condicoes ambientais de centros de asilo;
                desempenho escolar; identidade social; estresse
                de aculturacao; mediacao cultural; acesso a saude

Impactos        Fatores de interferencia; pais deportados;          21
Psicologicos    agressao fisica; TEPT; familismo; condutas de
                risco para HIV; deslocamento interno;
                deslocamento interno; autoestima coletiva;
                estresse de aculturacao, depressao e ansiedade;
                estresse, angustia e trauma em criancas detidas;
                doencas infeciosas agudas; suicidio; separacao e
                reunificacao; criancas detentas; tempo de espera
                e mudancas de solicitantes de asilo; alteracao no
                humor, ansiedade e uso de substancias; transtorno
                de conduta e separacao pais-filhos; identidade
                etnica; questoes emocionais e comportamentais

Propostas de    Programas de prevencao; competencia cultural;       12
intervencao     atencao sensivel a cultura; escala para estresse
                aculturativo; depressao e estresse cultural;
                escala cultural para estresse; escala para
                avaliacao em consulta pediatrica; pesquisas e
                politicas de acolhimento; papel do pediatra;
                aspectos culturais em servicos de psiquiatria;
                competencia cultural; formacao de recursos
                humanos

Total                                                               48

Legenda: Tabela elaborada pelas autoras deste artigo.
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Author:Braga Becerra, Cecilia; Martins Borges, Lucienne; Pereira Cunha, Maiara
Publication:Revista CES Psicologia
Date:May 1, 2019
Words:7468
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